Uberização do Trabalho e o Crowdshipping

Na primeira metade do século XXI, estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará o mercado de trabalho. Os impactos das transformações ainda são difíceis de mensurar, entretanto, segundo a pesquisa do Institute for the Future da Dell, graças à 4ª Revolução Industrial, até 2030, aproximadamente 85% das profissões serão novas, ou seja, ainda não existem no mundo atual.

Com o desenvolvimento da Indústria 4.0, um número crescente de profissões pode facilmente ser substituída por tecnologias digitais, e a Uber tem sido uma solução para milhões de pessoas, inclusive em países emergentes como o Brasil, que em meio à crise econômica, alcançou elevados níveis de desemprego.

A plataforma tem um modelo de negócio baseado do crowdsourcing, junção das palavras crowd (multidão) e outsourcing (terceirização), que nada mais é do que a construção coletiva de soluções com benefícios a todos, sendo portanto um tipo de terceirização coletiva, segundo a Endeavor. Nesse contexto, a Uber foi lançado em 2009, sendo uma das primeiras empresas a chamar atenção neste modelo, e a Uberização se tornou portanto, um termo da moda, no que diz respeito ao mercado de trabalho e as novas relações trabalhistas.

  

Figuras 1 : Uber

 

Outro conceito muitas vezes associado ao termo é a “Economia Compartilhada”, que exemplifica modelos de negócios disruptivos, envolvendo um consumo colaborativo entre pessoas através de negócios inovadores. Também pode ser associado a um marketplace de pessoa para pessoa, chamado de Plataforma Peer to Peer (P2P), onde todos podemos compartilhar e receber recursos como uma carona (Uber), uma hospedagem (Airbnb), informações de trânsito, como acidentes, irregularidades na via e fiscalização eletrônica (Waze) ou construção de conteúdo em uma enciclopédia virtual (Wikipédia).

Dentro desse contexto global, a logística de transporte de carga começa a se adaptar ao novo modelo de mercado. A própria Uber lançou nos Estados Unidos, em 2017, o Uber Freight, aplicativo que conecta caminhoneiros a empresas que querem transportar seus bens, e já está em expansão pela Europa, em países como a Holanda e a Alemanha. Quando olhamos para o mercado brasileiro, também encontramos uma série de empresas que buscam se tornar a “uber dos caminhoneiros”, como por exemplo a Fretebras, a Truckpad e a Cargo X, sendo esta última citada pelo NY Times como um dos próximos unicórnios, dentre uma lista de 50 startups. Sendo o termo unicórnios designado para start-ups que conseguem atingir um valuation de 1 bilhão de dólares, conforme explicado em post anterior do blog do ILOS.

 

Figuras 2 : Aplicativo Cargo X

 

Além disso, surge também o crowdshipping, conceito de entregas urbanas realizadas por indivíduos comuns, que está transformando a logística Last Mile B2C (Business to Customer), assunto que será abordado mais profundamente durante o XXV Fórum Internacional Supply Chain, nos dias 23 a 25 de Setembro de 2019, em São Paulo.

Este novo conceito aparece diante da crescente urbanização e do crescimento em dois dígitos do e-commerce global, sendo no Brasil de 12% entre os anos de 2017 e 2018, segundo o relatório Webshoppers 39, do Ebit. O aumento do tráfego urbano cresceu exponencialmente, causando muitas consequências negativas, e por outro lado, o desenvolvimento de comunidades urbanas sustentáveis dificulta mais ainda o desafio da logística de entrega Last Mile, sendo necessária uma redução significativa do tráfego, da poluição e da emissão de gases de efeito estufas.

Figuras 3: Gráfico de Crescimento do E-Commerce – Faturamento das Vendas Online R$ Bilhões. Fonte: Relatório Webshoppers 39 EBIT

 

No mercado brasileiro, alguns aplicativos já surgiram com esse modelo de economia colaborativa, possibilitando uma entrega com prazos curtos, cada vez mais exigidos pelos consumidores. Um bom exemplo é a Eu Entrego, uma plataforma que intermedia a utilização de cidadãos comuns, a pé, de bicicleta ou nos meios de transporte próprios, para realizar entregas. O aplicativo conecta a demanda de distribuição urbana a uma comunidade de entregadores independentes, que oferecem uma alternativa 24 horas por dia.

 

Figuras 4 : Eu Entrego

 

Neste modelo de Last Mile, há uma lógica de escolha do entregador, muitas vezes pelo menor caminho a ser feito, e por serem distâncias mais curtas, podem ser realizadas através de meios de locomoção menos poluentes, e assim, espera-se reduzir os impactos na mobilidade urbana e no meio ambiente. O Crowdshipping surge, portanto, como importante alternativa para a construção de uma logística urbana colaborativa e mais sustentável.

 

Fontes:

Institute For the Future – Dell

Endeavor – Crowdsourcing

Uber

Eu Entrego

Cargo X

Webshopper 39 – Ebit

Future unicorn startups billion dollar companies

Economia Colaborativa