Henrique Alvarenga - ILOS

Transporte de granéis sólidos nos portos brasileiros na última década

O Brasil é um país com forte vocação para produção e fornecimento de importantes insumos da indústria mundial. Minério de ferro, soja e milho, por exemplo, figuram entre importantes commodities movimentadas em nossos portos, e observar como os seus volumes evoluíram na última década é importante para entender os entraves existentes e as possíveis soluções para nossa logística portuária.

Em 2019, o Brasil transportou 689 milhões de toneladas de granéis sólidos em portos brasileiros, sendo 86% referente à navegação de Longo Curso (importação e exportação), 11% de vias interiores e 3% de cabotagem. São percentuais muito similares àqueles verificados em 2010, porém com um volume total tendo apresentado crescimento, visto que em 2010 o total transportado somou 526 milhões de toneladas.

transporte de granéis sólidos - ILOS

Figura 1 – Soja, milho e fertilizantes, relacionados ao agronegócio, apresentaram o maior crescimento na última década no transporte em portos brasileiros. Fonte: Pixabay – Charles Ricardo

Minério de ferro continuou sendo o principal produto transportado pelos portos brasileiros, e representa 52% do volume total de granéis sólidos. Porém essa representatividade diminuiu ao longo da década, visto que em 2010 o volume de minério de ferro representava 60% do volume. Os outros cinco produtos de maior importância em relação à volume são soja, milho, bauxita e adubos/fertilizantes. Ao longo de dez anos, o minério de ferro apresentou um CAGR (taxa composta anual de crescimento) de 3,1%, enquanto a bauxita apresentou crescimento tímido, de 0,8%. Os maiores crescimentos foram de milho (16,7%), soja (14%) e adubos/fertilizantes (11,1%), reflexo do forte avanço do agronegócio brasileiro, com milho e soja para exportação e adubos/fertilizantes na importação. Em contrapartida, o açúcar, que em 2010 era o quarto maior granel sólido transportado em volume, teve um decrescimento no volume transportado nos últimos dez anos, com um CAGR de -2,6%. Hoje é o sétimo em volume, atrás dos produtos já citados e do carvão mineral.

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Figura 2 – Volumes Transportados nos Portos Brasileiros na última década. Fonte: Antaq

Quando se considera somente o longo curso, o Brasil transportou 591 milhões de toneladas em 2019, com um CAGR de 4,0% ao longo da última década. Considerando o volume de 2019, 59% se refere a minério de ferro, totalmente voltado para exportação. As principais portas de saída do minério de ferro brasileiro são os portos de São Luís, para onde a EFC escoa o minério produzido pela Vale em Carajás, Vitória, ponto final do escoamento de minério da Estrada de Ferro Vitória Minas, e Itaguaí no Rio de Janeiro. Os principais destinos da commodity brasileira são a China, que absorve 64% do minério brasileiro, Malásia com 8%, seguidos de Holanda e Japão, ambos com 4%.

A soja é o segundo mais importante produto nas exportações brasileiras, com 73 milhões de toneladas do grão transportados para o exterior em 2020. O principal porto para escoamento dos grãos de soja continua sendo Santos, porém vale destacar a importância que os portos do Arco Norte obtiveram ao longo da última década, transportando hoje 27% de seu volume no Brasil. A China novamente é o principal destino do produto brasileiro, comprando dois terços do volume total.

Os portos e autoridades portuárias do país estão no planejamento para concessões e desestatizações do governo federal, que irá ocorrer ao longo de 2020 e 2021. A infraestrutura portuária é fundamental para garantir o escoamento de nossa produção, portanto o que se espera é que, com estes projetos de investimentos privados, nossos produtos acessem aos mercados nacional e internacional de maneira mais eficiente e competitiva.

Referências:

Antaq