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Terceirização em debate

A revista setorial do jornal Valor Econômico de Agosto 2016 trata sobre a Terceirização, tema polêmico que vem sendo debatido frequentemente em âmbito legal e regulatório, e que envolve uma infinidade de atividades, como limpeza, telemarketing, segurança, TI, contabilidade e logística. As decisões políticas sobre esse assunto poderão afetar diretamente o negócio das empresas, tanto daquelas que contratam serviços terceirizados, quanto daquelas que oferecem tais serviços.

Uma das matérias da revista trata especificamente da terceirização logística, segmento que conta com forte presença de prestadores de serviço, especialmente nas atividades de transporte, onde o nível de terceirização é de cerca de 90% segundo pesquisa do Instituto ILOS.

Os motivos que levam à terceirização logística são muitos, mas, em resumo, pode-se perceber que as indústrias buscam trabalhar com provedores de serviços logísticos por considerarem que estes são capazes de reduzir custos, executando melhor do que a própria empresa contratante as atividades logísticas específicas. Além disso, a empresa ganha flexibilidade para ampliar ou reduzir suas operações, pois os custos logísticos se tornam variáveis, fator essencial em períodos de instabilidade econômica.

Figura - Terceirização LogísticaFigura 1 – Principais motivos para terceirização logística

Fonte: ILOS

 

Como os operadores logísticos trabalham para vários clientes diferentes, as variações de demanda podem ser amenizadas no caso de um setor estar em baixa, mas outro em alta. Além disso, os provedores de serviço podem trazer maior escala às operações logísticas, reduzindo ociosidades, como por exemplo, transportando caminhões completos com cargas de diferentes clientes e compartilhando espaço, equipamentos e tecnologia de armazenagem para movimentação de produtos de várias empresas contratantes.

Os debates relativos à legislação sobre terceirização, entretanto, questionam sobre os direitos trabalhistas dos terceirizados. A motivação certamente é válida, entretanto, é necessário se tomar muito cuidado para não se penalizar a eficiência das operações.

 

Terceirização Logística no Brasil

O Jornal Valor Econômico de hoje trouxe encartada a revista Valor Setorial – Logística. O tema, muito oportuno no momento atual de busca por redução de custo, foi abordado em uma série de reportagens, dentre elas, a que tratou da terceirização de atividades logísticas no país. Para quem é do ramo, vale a pena ler.

Alguns dados utilizados na reportagem falam sobre a utilização de terceiros versus a realização da logística pela própria empresa. O Brasil, claramente, é um país que se utiliza muito de prestadores de serviços logísticos, especialmente na atividade de transporte.

Figura 1

Figura 1 – % médio de terceirização por atividade logística das empresas

Fonte: ILOS

O momento atual, entretanto, é de revisão de práticas usuais, na busca por sobrevivência. Isto coloca na berlinda uma série de decisões tomadas no passado, quando o cenário era outro. Mas a decisão de terceirização tem grandes chances de ser uma opção que continuará nas empresas. Isto porque, em momentos de incerteza, a flexibilidade é uma grande aliada. Trabalhar com terceiros aumenta a flexibilidade e deixa menos engessada as operações, pois não exige que as empresas contratantes disponham de ativos próprios, deixando-as mais leves e preparadas para as alterações de demanda que possam surgir.

Figura 2

Figura 2 – Melhorias obtidas pós-terceirização (% de empresas)

Fonte: ILOS

 

Além disso, como a demanda total por movimentação de cargas no Brasil está em baixa (pois a economia não anda bem e a produção caiu), existe uma elevada oferta de provedores de serviços logísticos disponíveis, o que aumenta as opções para as empresas que estão contratando. O risco, entretanto, é a empresa não selecionar bem seus parceiros logísticos, escolhendo-os apenas pelo preço mais barato, ou forçando-os demais a baixar preços. Em períodos de baixa, o risco de falência das empresas aumenta, e a escolha de provedores de serviço que tenham bom fôlego financeiro deve sempre ser considerada.

Para atrair investimento, governo eleva taxa de retorno em ferrovias

O governo propôs às atuais operadoras de ferrovias uma taxa de retorno de 11,04% para balizar investimentos que serão exigidos em troca da extensão, por 30 anos, de seus contratos de concessão. Esse índice ainda será discutido em audiência pública aberta pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e está sujeito a mudanças, mas é o mais alto dos cinco anos da gestão Dilma Rousseff em qualquer área de infraestrutura.

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O potencial da cabotagem no Brasil

Ontem, eu comentei aqui o baixo uso da cabotagem no Brasil e os problemas com a forte presença do modal rodoviário, principalmente no transporte de longa distância. Pois hoje, o jornal Valor Econômico traz uma nova esperança a quem acompanha o tema. Apesar da queda na produção nacional, empresas de cabotagem vêm registrando crescimento no aumento do volume de cargas movimentadas. Para este ano, a Aliança acredita em um aumento de 5% na cabotagem, enquanto a Log-In festeja um crescimento de quase 13% de janeiro a setembro.

Naturalmente, em períodos de crise, as empresas buscam reduzir custos para tentar garantir os seus resultados, e os custos logísticos têm sido um dos principais alvos dos executivos pela sua forte participação na receita líquida das companhias (cerca de 8%). Olhando mais de perto, os executivos tendem a concentrar seus esforços na atividade de transportes, responsável por mais da metade dos custos logísticos das empresas brasileiras.

E é aí que modais como a cabotagem e o ferroviário se destacam, pois, seus custos chegam a ser seis vezes inferiores ao do modal rodoviário, principalmente em longos trajetos (em média, acima de 500 km na ferrovia e 1.800 km na cabotagem). Entretanto, como foi falado no post anterior, a precariedade da infraestrutura de transportes no Brasil, a carência na conexão entre os modais e o excesso de burocracia no País ainda emperram o avanço dessas alternativas, apesar do crescente interesse dos embarcadores de carga.

Para finalizar, vou deixar um número interessante: recentemente, ouvimos executivos das maiores empresas do Brasil e 6 entre 10 disseram que pretendiam aumentar o volume de carga movimentada por cabotagem até 2016, com um aumento médio de 45% nesse volume. A cabotagem tem potencial para crescer no Brasil, não?

 

Referências:

Panorama ILOS “Portos Brasileiros – Avaliação dos Usuários e Análise de Desempenho – 2015”

Jornal Valor Econômico – 15/12/2015

 

Suspensão de editais divide a ABTP

Insatisfeita com as minutas dos contratos de arrendamentos do leilão nos portos de Santos (SP) e Vila do Conde (PA), a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) pediu ontem, em carta, a suspensão dos editais à Secretaria de Portos (SEP), mas depois recuou.

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Governo quer estender concessões de ferrovias

Diante das dificuldades para se fazer novos leilões de ferrovia, o governo federal acelerou a negociação com as atuais concessionárias do setor com o objetivo de impulsionar investimentos. O plano pode gerar até R$ 16 bilhões em melhorias obrigatórias na malha existente em troca da extensão do prazo dos contratos. Agora, a expectativa é que haja uma conclusão das conversas já no ano que vem.

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Prorrogação de contratos firmados antes de 1993 pode levar investimento a portos

O governo estuda estender o prazo dos contratos portuários pré­1993 que estão vencidos ou prestes a vencer, possibilidade que já não era mais cogitada. A maioria desses terminais permanece operando via liminar por considerar que tem direito a ficar na área, que é da União. “Há uma discussão com o Congresso e no governo para que seja feito um decreto presidencial que permita a operação dos pré­93”, disse ontem o ministro dos Portos, Helder Barbalho, no “Fórum Infraestrutura de Transporte”, do jornal “Folha de S. Paulo”.

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Tradings ratificam interesse na construção da ‘Ferrogrão’

A ferrovia mais desejada pelo agronegócio para o escoamento de grãos do Centro-Oeste está um passo mais próxima de virar realidade. As tradings Cargill, Bunge, Louis Dreyfus Commodities e Amaggi, consorciadas com a empresa de estruturação de negócios EDLP, já entregaram ao governo federal sua Proposta de Manifestação de Interesse (PMI) para a construção do trecho ferroviário entre os municípios de Sinop, em Mato Grosso, e Miritituba, no Pará.

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Paranaguá receberá nova dragagem

O porto de Paranaguá (PR) se prepara para expandir a capacidade de recepção dos super navios, os póspanamax. O governo assina hoje o maior contrato de dragagem de um porto brasileiro, no valor de R$ 394,2 milhões. A obra irá aprofundar os canais interno e externo, os acessos aos berços de atracação e os berços do porto, um dos que mais movimentam grãos, fertilizantes e contêineres no Brasil.

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Área de galpões terá equilíbrio em 2017

O mercado nacional de galpões industriais e logísticos de alto padrão, atualmente com excesso de oferta, retomará o equilíbrio em 2017, quando começará a ocorrer redução da taxa de vacância, na avaliação da consultoria Engebanc Real Estate.

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