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Uberização do Trabalho e o Crowdshipping

Na primeira metade do século XXI, estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará o mercado de trabalho. Os impactos das transformações ainda são difíceis de mensurar, entretanto, segundo a pesquisa do Institute for the Future da Dell, graças à 4ª Revolução Industrial, até 2030, aproximadamente 85% das profissões serão novas, ou seja, ainda não existem no mundo atual.

Com o desenvolvimento da Indústria 4.0, um número crescente de profissões pode facilmente ser substituída por tecnologias digitais, e a Uber tem sido uma solução para milhões de pessoas, inclusive em países emergentes como o Brasil, que em meio à crise econômica, alcançou elevados níveis de desemprego.

A plataforma tem um modelo de negócio baseado do crowdsourcing, junção das palavras crowd (multidão) e outsourcing (terceirização), que nada mais é do que a construção coletiva de soluções com benefícios a todos, sendo portanto um tipo de terceirização coletiva, segundo a Endeavor. Nesse contexto, a Uber foi lançado em 2009, sendo uma das primeiras empresas a chamar atenção neste modelo, e a Uberização se tornou portanto, um termo da moda, no que diz respeito ao mercado de trabalho e as novas relações trabalhistas.

  

Figuras 1 : Uber

 

Outro conceito muitas vezes associado ao termo é a “Economia Compartilhada”, que exemplifica modelos de negócios disruptivos, envolvendo um consumo colaborativo entre pessoas através de negócios inovadores. Também pode ser associado a um marketplace de pessoa para pessoa, chamado de Plataforma Peer to Peer (P2P), onde todos podemos compartilhar e receber recursos como uma carona (Uber), uma hospedagem (Airbnb), informações de trânsito, como acidentes, irregularidades na via e fiscalização eletrônica (Waze) ou construção de conteúdo em uma enciclopédia virtual (Wikipédia).

Dentro desse contexto global, a logística de transporte de carga começa a se adaptar ao novo modelo de mercado. A própria Uber lançou nos Estados Unidos, em 2017, o Uber Freight, aplicativo que conecta caminhoneiros a empresas que querem transportar seus bens, e já está em expansão pela Europa, em países como a Holanda e a Alemanha. Quando olhamos para o mercado brasileiro, também encontramos uma série de empresas que buscam se tornar a “uber dos caminhoneiros”, como por exemplo a Fretebras, a Truckpad e a Cargo X, sendo esta última citada pelo NY Times como um dos próximos unicórnios, dentre uma lista de 50 startups. Sendo o termo unicórnios designado para start-ups que conseguem atingir um valuation de 1 bilhão de dólares, conforme explicado em post anterior do blog do ILOS.

 

Figuras 2 : Aplicativo Cargo X

 

Além disso, surge também o crowdshipping, conceito de entregas urbanas realizadas por indivíduos comuns, que está transformando a logística Last Mile B2C (Business to Customer), assunto que será abordado mais profundamente durante o XXV Fórum Internacional Supply Chain, nos dias 23 a 25 de Setembro de 2019, em São Paulo.

Este novo conceito aparece diante da crescente urbanização e do crescimento em dois dígitos do e-commerce global, sendo no Brasil de 12% entre os anos de 2017 e 2018, segundo o relatório Webshoppers 39, do Ebit. O aumento do tráfego urbano cresceu exponencialmente, causando muitas consequências negativas, e por outro lado, o desenvolvimento de comunidades urbanas sustentáveis dificulta mais ainda o desafio da logística de entrega Last Mile, sendo necessária uma redução significativa do tráfego, da poluição e da emissão de gases de efeito estufas.

Figuras 3: Gráfico de Crescimento do E-Commerce – Faturamento das Vendas Online R$ Bilhões. Fonte: Relatório Webshoppers 39 EBIT

 

No mercado brasileiro, alguns aplicativos já surgiram com esse modelo de economia colaborativa, possibilitando uma entrega com prazos curtos, cada vez mais exigidos pelos consumidores. Um bom exemplo é a Eu Entrego, uma plataforma que intermedia a utilização de cidadãos comuns, a pé, de bicicleta ou nos meios de transporte próprios, para realizar entregas. O aplicativo conecta a demanda de distribuição urbana a uma comunidade de entregadores independentes, que oferecem uma alternativa 24 horas por dia.

 

Figuras 4 : Eu Entrego

 

Neste modelo de Last Mile, há uma lógica de escolha do entregador, muitas vezes pelo menor caminho a ser feito, e por serem distâncias mais curtas, podem ser realizadas através de meios de locomoção menos poluentes, e assim, espera-se reduzir os impactos na mobilidade urbana e no meio ambiente. O Crowdshipping surge, portanto, como importante alternativa para a construção de uma logística urbana colaborativa e mais sustentável.

 

Fontes:

Institute For the Future – Dell

Endeavor – Crowdsourcing

Uber

Eu Entrego

Cargo X

Webshopper 39 – Ebit

Future unicorn startups billion dollar companies

Economia Colaborativa

 

De empresa automobilística para empresa de mobilidade: a Toyota entra na corrida pelo lançamento de veículos autônomos com o e-Palette

No começo do mês de janeiro, o presidente da Toyota, Akio Toyoda, anunciou na CES 2018 – Consumer Electronics Show, maior feira mundial do setor, o conceito do e-Palette: um veículo elétrico e autônomo que pode ser utilizado para o transporte de passageiros, realização de entregas ou até mesmo como ponto de venda móvel, como uma espécie de “loja sobre rodas”. A empresa sugeriu ainda que o veículo poderia ser configurado para funcionar como um hotel móvel, ou como uma estação de trabalho (para que o tempo gasto pelas pessoas no trânsito possa ser aproveitado de forma produtiva), ou ainda como uma clínica médica móvel.

Vídeo 1 – Divulgação do e-Palette no CES 2018

 

No evento, a empresa anunciou também a “e-Palette Alliance”, parceria com a gigante Amazon, com as empresas de ehailing Uber e Didi Chuxing (empresa chinesa agora dona da 99 no Brasil), com a Mazda e Pizza Hut para colaboração no desenvolvimento do veículo. Durante a apresentação, foram enfatizados os termos “mobility service” e “mobility commerce”. Daí, não restam dúvidas sobre o porquê do envolvimento da Uber e da Amazon.

Figura 1 – Conceito de e-Palette Toyota para a Pizza Hut

 

Para a Pizza Hut, o objetivo é não ficar para trás em relação a concorrência. Em 2017, a empresa introduziu nos Estados Unidos novas opções de delivery, incluindo a possibilidade de realizar pedidos através de dispositivos como a Alexa, e fornecendo a possibilidade de receber atualizações em tempo real do status do pedido através do aplicativo, site ou mensagens de texto. Das três maiores cadeias de fast-food de pizza norte-americanas, a Pizza Hut é hoje a que está mais para trás no quesito delivery. A empresa vislumbra que os e-Palettes façam parte da estratégia de delivery no futuro, podendo ser adaptados inclusive em cozinhas móveis.

Figura 2 – Delivery de pizza por veículo autônomo em episódio de Black Mirror

 

Se você como eu acompanha a série Black Mirror, com certeza pensou em uma cena específica da nova temporada ao bater o olho no e-Palette com a logomarca do Pizza Hut. A série de ficção científica/thriller de Charlie Brooker explora em cada episódio as consequências de possíveis novas tecnologias em um futuro alternativo, muitas vezes um futuro que nos parece bem distante. Porém, apesar do e-Palette ainda não passar de um conceito, a intenção é que já em 2020 os veículos sejam testados nas Olimpíadas e Paraolimpíadas de Tóquio.

O anúncio feito pela Toyota reflete a intenção de evolução de uma empresa que fabrica carros para uma empresa que fornece soluções de mobilidade, de forma a transformar a disrupção trazida por novas tecnologias em ganhos ao invés de ser derrubada por elas. Porém, a Toyota dificilmente será a única. Nos últimos dois anos, a maioria das montadoras têm começado a adaptar seus modelos de negócio para se tornarem fornecedoras de serviços de mobilidade em um futuro próximo, e esse movimento é visto claramente pela associação dos fabricantes com empresas de tecnologia e start-ups, como mapeado por Magda Collado.

Com veículos autônomos, o quanto seria possível reduzir os custos de transporte? Será que reduções no custo da entrega poderiam levar a redes logísticas menos descentralizadas? Ou pressões por nível de serviço impediriam essa centralização? Veículos como os e-Palettes da Toyota criariam um novo canal de venda? Como esse novo canal impactaria a estratégia de distribuição das empresas?

Apesar de ainda faltarem alguns anos e muitas barreiras a serem superadas até que veículos autônomos façam parte do nosso cotidiano, é impossível não parar para refletir sobre os possíveis impactos no supply chain.

 

Referências:

Automotive Logistics – How autonomous vehicles will impact on the supply chain. https://automotivelogistics.media/opinion/autonomous-vehicles-will-impact-supply-chain

Bloomberg – Toyota Signs Amazon, Pizza Hut as Driverless-Delivery Partners. https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-01-08/toyota-taps-amazon-to-join-driverless-delivery-vehicle-alliance

Business Insider – Toyota and Pizza Hut are teaming up to make self-driving cars that could deliver pizza. http://www.businessinsider.com/toyota-pizza-hut-team-up-for-self-driving-pizza-delivery-2018-1

Fortune – Toyota Working With Amazon, Uber, and Pizza Hut to Develop Self-Driving Shuttle. http://fortune.com/2018/01/08/toyota-amazon-uber-pizza-hut-self-driving-shuttle/

Magda Collado – Alliances Between Automakers, Tech Companies and Mobility Start-ups, An Update. https://mcollado.kumu.io/the-race-towards-smart-mobilityv

 

Uber e as novas formas de sua empresa chegar ao cliente

O McDonald’s nos EUA acaba de anunciar que fará entregas delivery usando o Uber. Aqui no Brasil, o Uber já tem, em São Paulo, parcerias com restaurantes através do UberEATS, em que entrega comida aonde os clientes quiserem.

A pergunta é: se hoje já temos a entrega de comida por que não usar os aplicativos para entregar outras mercadorias? Por que as empresas de varejo ainda não têm parcerias com o Uber ou outro aplicativo qualquer para entregar pequenos pacotes?

Pensa no seguinte exemplo, você tem um aniversário hoje à noite e esqueceu de comprar o presente, não tem tempo para sair e comprar um presente dado que terá reuniões até o final do dia, o que você faria?

  1. Iria à festa sem levar presente
  2. Pediria para outra pessoa comprar
  3. Daria um jeito para comprar algo antes de chegar na festa
  4. Compraria pela internet, desde que recebesse a tempo de levá-lo à festa

A última opção ainda não está disponível para muitos varejos, mas poderia ser explorada com a parceria de um desses aplicativos. Com toda essa discussão de Ommi-Channel nos últimos tempos, uma parceria como essas poderia ser mais uma alternativa para os consumidores, tanto para receberem as mercadorias, quanto para devolvê-las em caso de necessidade de troca.

Para os aplicativos, qual a diferença entre entregar comida ou um pacote? A princípio, eu diria que entregar um pacote deveria ser mais fácil. Para o varejo, por que não usar essa nova forma de entrega e deixar o cliente decidir se o custo x benefício da entrega rápida compensa? Para o consumidor, que já tem uma relação de confiança no aplicativo, por que não usar o serviço de entrega rápida, desde que tenha um custo que compense?

Creio que no futuro esses aplicativos, agregando todas essas funções, passarão a classificar seus clientes como as cia aéreas, dando mais benefícios àqueles que mais os utilizam. No final, ganham todos.

Outro exemplo na forma de entrega final vem do Wal-Mart, também nos EUA. Em duas lojas, a gigante do varejo colocou em teste a possibilidade de funcionários da rede fazerem as entregas finais até os clientes. Os produtos são levados do CD da rede até o supermercado e, a partir daí, cabe ao funcionário Wal-Mart fazer a entrega fora do horário de expediente. Ganham o funcionário, com uma renda extra, o Wal-Mart, com frete reduzido, e o cliente, que paga menos por isso.

Tenho certeza que a parte burocrática e trabalhista ainda terá que avançar para que isso seja possível no Brasil, mas as novas tecnologias estão aí, cabe a nós profissionais de logística saber aproveitar as oportunidades e, com isso, agregar serviços e nos diferenciar frente aos concorrentes.

E a sua empresa, já está pensando em alternativas para a entrega final aos seus consumidores?

A febre das startups de logística

Cotidianamente somos apresentados a pequenas empresas com modelos de negócios inovadores, capazes de chacoalhar mercados tradicionais dominados por grandes companhias. Neste mesmo blog, inclusive, escrevi sobre empresas como a Starship, a Shyp e a What3Words, algumas das muitas startups que surgiram para mexer com a forma como é feita logística. Mas por que será que tantas startups tem surgido nesse segmento?

Primeiramente, cabe definirmos o que é uma startup, pois o conceito nem sempre é claro para todos que utilizam o termo. Segundo Yuri Gitahy, fundador da Aceleradora, uma startup pode ser entendida como um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza. Esse tipo de empresa tem como característica os baixos custos de manutenção ao mesmo tempo que possui a capacidade de crescer rapidamente e gerar lucros cada vez maiores. Em geral, as startups são mais frequentes na Internet em razão dos custos menores de se criar uma empresa de software e pela facilidade que a web traz de expansão do negócio e venda em escala potencialmente ilimitada.

Atualmente, mais de 350 startups relacionadas à gestão da cadeia de suprimentos estão listadas no AngelList, uma página na internet criada com objetivo de estreitar a comunicação entre investidores e empreendedores. Esse número expressivo pode ser explicado pelas inúmeras oportunidades de melhoria existentes no mercado de logística e supply chain management: trata-se de um setor que é cada vez mais pressionado, seja para reduzir custos em razão da redução das margens, ou para ser mais veloz, atendendo as necessidades cada vez mais urgentes dos clientes.

Para reduzir as grandes ineficiências características do setor, muitas empresas vêm apostando na tecnologia. E uma fórmula em especial tem se repetido: pequenas empresas desenvolvem soluções inovadoras, ganham escala rapidamente, e, em seguida, são adquiridas por companhias muito maiores. Não à toa, a indústria de logística e transporte viu um aumento de 100% no financiamento no ano passado: de US $ 7B em 2014 para US $ 14B em 2015.

Avaliado recentemente em cerca de 68 bilhões de dólares, o Uber se tornou a maior startup privada de todos os tempos e possivelmente o maior caso de sucesso de empresas do gênero no setor de logística. Tentando alcançar o mesmo sucesso, inúmeras startups foram criadas para lidar com eficiências relacionadas à gestão de fretes de transporte, desenvolvimento de containers, entregas de ponta-a-ponta, gestão da frota e contratação de armazenagem, entre outros. Desenvolvimento de aplicativos, análise de grandes massas de dados (Big data) e automação tem sido o caminho escolhido pela maior parte das startups para isso.

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Figura 1 – Exemplos de startups de logística

Fonte: medium.com

 

O XXII Fórum Internacional de Supply Chain que ocorrerá entre os dias 4 e 6 de outubro, terá como uma de suas verticais o tema Startups: Empreendedorimo e Inovação em Logística & Supply Chain, cujo objetivo é discutir as melhores práticas e os aspectos mais relevantes para introduzir novos modelos de negócios. Entre as diversas sessões, será possível assistir a debates com especialistas, fundadores e gestores de algumas das mais bem-sucedidas startups de logística atuantes no Brasil, como Truckpad, Visilog, eStoks, Seen Technology e Intelipost. Para os interessados no assunto, uma oportunidade e tanto!

 

Referências

<http://www.supplychaindive.com/news/logistics-startups-acquisitions-technology-apps/425439/>

<http://exame.abril.com.br/pme/noticias/o-que-e-uma-startup>

<https://medium.com/tradecraft-traction/30-logistics-startups-you-should-know-bf1bdcf675b8?swoff=true#.ic33wt9rk>

<https://www.statista.com/statistics/407888/ranking-of-highest-valued-startup-companies-worldwide/>

<https://jonathanwichmann.com/my-lists/list-the-most-promising-start-ups-in-logistics/>

<http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/uber-esta-prestes-se-tornar-maior-startup-privada-de-todos-os-tempos-16109229>

“Uber” e o transporte de carga

Como era de se esperar já surgiram algumas empresas que se denominam como o “Uber” do transporte de carga. Uma simples pesquisa na internet identifica sem muito trabalho de 5 a 10 empresas com esse propósito.

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Foto 1 – Economia compartilhada avança no transporte de carga

Fonte: Divulgação Truckpad

 

Como marketing, elas prometem até 30% na redução do frete. Por isso, migrar para esse serviço é uma forte tentação. Vale lembrar que o frete costuma ser responsável por 60% dos custos logísticos de uma empresa.

Para os transportadores e contratantes de transportes, esse novo mundo pode, de fato, apresentar boas oportunidades. A maior exigência em nível de serviço por parte dos usuários vem fazendo com que os aplicativos fiquem mais robustos, espelhando cada vez mais a realidade do dia a dia e permitindo ao contratante a possibilidade de indicar o perfil de veículo e motorista que deseja ter. Aliás, motoristas ou veículos mal avaliados tendem a não se consolidar nesse novo modelo de negócio.

Um desafio é abrir mão do contrato fixo, que garante disponibilidade de frota e um nível de serviço acordado para migrar para contratos 100% spot. Em momentos de economia mais aquecida, isso pode não dar certo, dado que, em geral, esses aplicativos utilizam a lei de mercado (oferta e demanda) e, portanto, quanto maior a procura, mais caro o serviço.

Por outro lado, em momentos de grande ociosidade do transporte de carga, como o atual momento econômico, esses aplicativos podem significar, sim, uma boa oportunidade.

A migração exige cautela e um estudo mais detalhado, em que se analise as características operacionais envolvidas. Para operações dedicadas, o modelo “Uber” em geral não se aplica. Para as empresas mais preocupadas com a frota, também deve-se ter um pouco mais de atenção, dado que, normalmente, são os autônomos os maiores ofertantes de carga e, consequentemente, a frota tende a ter uma idade mais avançada.

De qualquer maneira, a tecnologia existe, está disponível e cabe a cada empresa avaliar se vale ou não entrar nessa nova modalidade.

Shyp: a ciência no processo de embalagem

Para que a logística cumpra o seu papel com perfeição, é preciso que o produto chegue no lugar desejado, dentro do prazo prometido e de maneira adequada. Para garantir este último aspecto, nada é tão importante quanto a embalagem. De que adianta para um cliente receber um produto rapidamente se ele chega amassado ou quebrado?

Há pouco mais de 3 anos, o ILOS realizou um interessante experimento para avaliar o desempenho logístico de algumas das principais lojas virtuais do Brasil. Foi solicitado para seis grandes varejistas do e-commerce a entrega de uma taça de vidro em diferentes endereços espalhados por São Paulo e Belém. Entre atrasos e cancelamentos de pedidos, chegaram também muitos produtos avariados. Dentre os casos, chamou a atenção o de uma empresa que, ao invés, de enviar a única taça pedida e cobrada, enviou um pacote com 6 unidades, das quais 3 vieram quebradas. Seria uma tentativa de garantir que pelo menos um dos produtos viria perfeito? Não seria melhor para a empresa investir tempo e recursos em garantir uma correta embalagem do produto ao invés de desperdiçar produtos e espaço nos veículos transportando produtos que o cliente não solicitou?

Em seu mais recente post, Maria Fernanda comentou sobre as oportunidades de aumento de eficiência logística através do redesenho de embalagens. Pois uma startup americana localizada no Vale do Silício parece ter pensado nisso na hora de criar o seu negócio.

Assim como o Uber Rush, a Shyp promete comodidade ao buscar rapidamente a encomenda e faze-la chegar corretamente ao seu destino. Tudo solicitado por meio de um aplicativo no smartphone ou tablet (Figura 1). As semelhanças, entretanto, param por aí. Na Shyp, a responsável pela embalagem do produto é a própria empresa e a entrega do produto é realizada por uma transportadora.

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Figura 1 – Aplicativo da Shyp

Fonte: Tech Crunch

 

O serviço funciona da seguinte forma: o cliente acessa o aplicativo da empresa e tira uma foto do produto que deseja despachar. Em até 20 minutos, um profissional da Shyp busca o produto no local e leva para o armazém da empresa. E é lá que a ciência acontece. Especialistas analisam cuidadosamente cada produto, identificando pontos mais frágeis e suscetíveis a avarias durante o transporte da encomenda, e desenvolvem uma embalagem personalizada para o item. Utilizando invólucros especiais e uma máquina destinada a criar caixas de papelão com as dimensões desejadas, cada embalagem é feita considerando o tamanho, peso e peculiaridades de cada produto. O resultado são encomendas bem protegidas e embalagens compactas para os mais diversos tipos de produtos.

Vídeo 1 – Processo de embalagem da Shyp

Fonte: Shyp

 

Em seguida, a Shyp seleciona entre os principais transportadores do país, como UPS, FedEx e USPS, aquele que oferece o frete mais barato considerando as dimensões e peso do pacote, distância até o destinatário e velocidade de entrega desejada pelo cliente. Este, por sua vez, acompanha e rastreia todo o processo por meio do seu aplicativo.

Além do frete pago para a transportadora, a Shyp cobra US$ 5 pelo seu serviço, que inclui um seguro de US$ 100 para casos de roubo ou avarias no produto. Para produtos pequenos ou médios e não frágeis, a embalagem é de graça. Para os demais, há ainda uma pequena taxa extra, definida caso a caso.

O serviço é promissor. Para os clientes, a possibilidade de enviar uma encomenda sem ter que se preocupar em embalar corretamente o item e ter que buscar a transportadora mais barata para fazer isso. Para as transportadoras, uma oportunidade e tanto de ganho de eficiência: além de buscar várias encomendas em um único lugar (o armazém da Shyp), o processo correto de embalagem permite aproveitamento máximo de capacidade dos veículos e evita o transporte de ar.

O lado negativo? Apesar das encomendas poderem ser entregues no mundo todo, o serviço de coleta só está disponível por enquanto nas cidades de São Francisco, Nova York, Los Angeles e Chicago.

 

Uber entra de vez no mercado logístico

Cada novo aplicativo de entregas desenvolvido no mundo é batizado como o “Uber das Entregas”. Isto aconteceu com os serviços Postmates, Deliv, Sidecar e Amazon Flex, entre outros. Pois recentemente foi o momento do próprio Uber entrar nesse mercado e anunciar oficialmente o UberRUSH.

Fundada em 2009, a empresa revolucionou o serviço de transporte de passageiros no mundo ao permitir que usuários de smartphones pudessem solicitar caronas pagas a motoristas espalhados pela cidade, diferenciando-se dos táxis pela qualidade do serviço e funcionalidades que não existiam até então.

A Uber já lançou diversas variações do seu serviço pelo mundo, como o UberPET, UberPOP, UberBIKE, UberPOOL, UberChopper e UberEATS, mas nenhum que pudesse impactar o mercado de logística como o UberRUSH.

UberRUSH logo

Figura 1 – Logo UberRUSH

Fonte: Uber

O UberRUSH é um serviço de entrega de encomendas no mesmo dia que comerciantes locais podem integrar à sua plataforma de e-commerce, tal como Shopify, Clover, ChowNow, Bigcommerce e delivery.com. Após um cliente solicitar uma entrega no mesmo dia, o comerciante entra no seu aplicativo do UberRUSH, preenche as informações da entrega e dentro de alguns minutos um entregador irá chegar para buscar o pacote e leva-lo até o cliente. O serviço possui rastreamento em tempo real, o que permite que tanto o vendedor quanto o cliente podem acompanhar o percurso do entregador. No Vídeo 1 é possível ver como o UberRUSH funciona.

Vídeo 1 – Funcionamento do UberRUSH

Fonte: Uber

No momento, o serviço está disponível apenas nas cidades norte-americanas de Nova York, São Francisco e Chicago e o valor é pago por corrida, não custando nada ao comerciante à inscrição no programa. O frete muda conforme a localidade, variando de 5 à 6 dólares entregas no raio de 1 milha (equivalente a 1,6 km) e 2,5 à 3 dólares a milha extra. O entregador recebe cerca de 80% deste valor e a Uber fica com o restante. Ao comerciante, cabe à decisão de repassar o custo ao consumidor ou ele mesmo absorver o valor. As entregas são feitas a pé, por meio de bicicletas ou carros, e passageiros do serviço tradicional e encomendas do UberRUSH não andam juntos.

entregador UberRUSH

Figura 2 – Exemplo de entregador do UberRUSH

Fonte: http://thehypebr.com/2015/10/14/uber-lanca-o-uberrush-seu-novo-servico-de-entrega

O objetivo da Uber com o seu novo serviço é aproveitar a expertise e credibilidade obtidas com o transporte de passageiros e se tornar a frota de comerciantes locais, permitindo que estes não precisem mais conviver com entregadores ociosos durante os períodos de baixa demanda e sobrecarregados nos momentos de pico.

O serviço ainda está em seus primeiros passos e tem muito a crescer. No entanto, como escreveu Leonardo Julianelli em seu post Omni-Channel Supply Chain, daqui a um tempo clientes do varejo não mais aceitarão esperar dias pela sua encomenda e exigirão seus produtos em horas. Serviços como o UberRUSH poderão ser a solução.

No mercado de transporte de passageiros, a empresa teve que lidar com diversas polêmicas e luta até hoje em algumas cidades do mundo para conseguir ser legal e operar juntamente com táxis. No novo negócio, a disputa será não só com concorrentes com modelos de negócio parecidos, mas também com empresas que entregam encomendas globalmente, como FedEX, UPS, TNT e DHL, e que possuem uma infraestrutura muito maior e cada vez mais voltam seus olhos para o mercado de entregas expressas. A concorrência nesse mercado é cada vez maior e caberá ao tempo dizer se a Uber conseguirá se destacar e obter o mesmo sucesso alcançado com o transporte de passageiros, onde foi inovadora.

 

Referências

<https://www.youtube.com/watch?v=FRu6M9sCfmo>

<http://rush.uber.com>

<https://newsroom.uber.com/2015/10/rush-open-for-business/>

<http://www.businessinsider.com/uber-rush-fedex-killer-released-2015-10>

<https://www.shopify.com/blog/57839493-shopify-and-uber-reinvent-local-shipping>

<http://www.bidnessetc.com/55210-uberrush-to-compete-with-fedex-corporation-and-united-parcel-service-inc/>

<http://www.forbes.com/sites/ellenhuet/2015/10/14/delivery-wars-uber-targets-merchants-expands-its-on-demand-courier-service-uberrush/>

<http://www.sfgate.com/business/article/Uber-s-latest-logistics-play-UberRush-in-SF-6569318.php>

<http://thehypebr.com/2015/10/14/uber-lanca-o-uberrush-seu-novo-servico-de-entrega/>