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Exemplos de aplicação da internet das coisas no supply chain

Há quase um ano escrevi sobre os diferentes estágios de aplicação da IoT no supply chain, dependendo do nível de sofisticação tecnológica empregada. Minha proposta de hoje é trazer alguns exemplos, apresentando a Internet das Coisas de uma forma prática.

Antes de pensarmos nos benefícios da conexão entre as coisas para a cadeia de suprimentos, é importante lembrarmos dos objetivos do Supply Chain Management (SCM), que são maximizar o serviço por meio do aumento dos valores de tempo, lugar, qualidade e informação e, ao mesmo tempo, minimizar os custos por meio da redução de desperdício, minimização do uso de recursos, otimização do uso de ativos e redução dos estoques como ilustrado na figura a seguir:

 Figura 1: Objetivos do Supply Chain Management
Fonte: ILOS

A Internet das Coisas pode contribuir para que o SCM alcance seus objetivos. Ou seja, a IoT pode ajudar trazendo mais valor para o cliente, contribuindo para a entrega do produto na forma, no tempo e no lugar mais adequados e, principalmente, viabilizando o fornecimento das mais variadas informações por meio de tecnologias de rastreamento, sensores e conexão. Além disso, a IoT também pode contribuir com o aumento de eficiência e redução dos custos na cadeia, ajudando com a redução dos desperdícios, otimização dos fluxos de produtos e materiais e otimização da alocação dos recursos por meio do uso da informação em tempo real.

A seguir estão alguns exemplos de iniciativas de aplicação da IoT no Supply Chain Management:

No transporte inbound

  • Rastreamento em tempo real e previsão de chegada
  • Escaneamento automático dos produtos no recebimento

Na armazenagem

  • Gestão automática de estoques com conexão dos porta-paletes
  • Reposição automática dos estoques com a conexão dos porta-paletes com o fornecedor
  • Rastreamento de itens em tempo real
  • Monitoramento da utilização de ativos, como empilhadeiras
  • Detecção de avaria
  • Agendamento automático de manutenção dos equipamentos de acordo com seu desgaste
  • Prevenção de acidentes por meio de sensores
  • Otimização automática de rotas
  • Picking automático
  • Economia no consumo de energia

No transporte outbound

  • Rastreamento de produtos e veículos em tempo real
  • Monitoramento de utilização e ocupação do veículo
  • Agendamento automático de manutenção da frota
  • Previsão de transporte e otimização de rotas (tráfego, cima, etc.)
  • Monitoramento das condições do produto (vibração, temperatura, etc.)
  • Monitoramento de condições de direção (velocidade, segurança, motorista, etc.)

No Customer Service

  • Atualização em tempo real da movimentação e entrega do produto
  • Previsão de vendas colaborativa
  • Monitoramento em tempo real do consumo
  • Pedido automático para reposição dos estoques

É importante pensarmos também na aplicação da IoT no futuro do SCM, que já nos sinaliza algumas transformações como o uso de big data, impressão 3D, robôs, drones, veículos autônomos, etc. Toda essa tecnologia pode ser alavancada com a internet das coisas que será o pano de fundo desta revolução.

A internet das coisas, portanto, é o instrumento transformacional que impacta não apenas as antigas formas de se operar e os tradicionais objetivos do supply chain management, mas também será o grande viabilizador de iniciativas futuras. As empresas que ainda não fazem uso dessa tecnologia, precisam ao menos conhece-la e considera-la em suas estratégias futuras para continuarem competitivas em um mercado cada vez mais conectado.

 

Referências:

http://gtdc.org/wp-content/uploads/2016/06/Internet-of-Things_ATKearney.pdf

‘https://www.ilos.com.br/web/a-evolucao-da-internet-of-things-no-supply-chain-management/

A evolução da Internet of Things no Supply Chain Management

A Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT), apesar de ainda ter bastante oportunidade de evolução, já não é mais novidade. Em 2015, nosso especialista Leonardo Julianelli já falava sobre o tema.

A IoT pode ser aplicada em toda a cadeia de suprimentos, trazendo benefícios para as diversas funções logísticas como na armazenagem, na gestão de estoques, no transporte, no atendimento à demanda e no customer service. Esses benefícios vão desde à redução de custos por meio da redução de desperdícios, redução do consumo de recursos e melhor uso dos ativos, até a melhora do nível de serviço ao agregar valores de tempo, lugar, qualidade e informação. Em resumo, a IoT viabiliza um novo patamar de eficiência operacional, além de criar serviços automatizados para seus clientes.

A aplicação da IoT no supply chain pode se dar em diferentes estágios, dependendo do nível de sofisticação tecnológica empregada:

1. Transparência de ativos

Com o monitoramento dos ativos por meio de sensores é possível registrar a sua utilização. Essa informação pode ser usada a posteriori para análises de produtividade, utilização e ociosidade dos ativos, gerando inputs importantes para tomada de decisão de ajuste de capacidade. Um exemplo seria acompanhar o uso de empilhadeiras, observando as horas do dia que são mais utilizadas e se há espaço para cortar alguma empilhadeira da operação. Dessa forma, por meio do conhecimento profundo de todos os ativos, é possível alcançar a maximização do seu uso.

2. Monitoramento e controle

Juntamente com o monitoramento do uso dos ativos, é interessante acompanhar o consumo de recursos e as condições desses ativos. Quanto estão gastando de energia, qual a temperatura, qual a vibração, são alguns exemplos de monitoramento que podem ser uteis para evitar desperdícios e avarias.

O projeto MoDe, apoiado pela União Europeia, é um exemplo de como o monitoramento e controle por meio da IoT pode reduzir os custos de manutenção de veículos. O projeto consiste no desenvolvimento de um caminhão que identifica de forma autônoma a necessidade de manutenção no momento certo e envia a informação para uma central de monitoramento. Essa central, que recebe os dados sobre as condições dos veículos em tempo real, direciona o veículo para a assistência técnica mais próxima. Dessa forma, evita-se a manutenção preventiva com base em dados históricos e estatísticas, o que pode inativar o veículo antes da real necessidade. Para conhecer mais sobre o projeto MoDe, assista o vídeo a seguir.

Outro exemplo de monitoramento e controle é o protótipo de Smart Bottle da Blue Label, apresentado no Mobile World Congress de Barcelona em 2015. O projeto consiste em um rótulo com sensor impresso com NFC (Near Fiel Communication), que transforma a Blue Label em uma garrafa inteligente. Por meio de um smartfone, o consumidor pode rastrear todo o caminho que a garrafa fez até chegar na gôndola e ainda ter informações sobre as condições do produto (se o rótulo foi violado, por exemplo). Este é um exemplo de como a IoT pode oferecer um melhor nível de serviço ao proporcionar o valor de informação ao cliente. O vídeo a seguir apresenta mais detalhes sobre essa ideia.

3. Otimização da Operação em Tempo Real

Neste estágio de implementação da IoT o objeto possui algoritmos que otimizam sua operação em tempo real, sem a interferência humana. Um exemplo seria o termostato de um frigorífico ligado ao controle de resfriamento, que aumenta ou diminui de intensidade automaticamente de acordo com a temperatura do ambiente de forma a otimizar o uso de energia. Assim a otimização acontece de forma automática, sem necessidade de uma análise de dados a posteriori para a tomada de decisão.

4. Automatização Completa do Sistema

Este é o estágio mais evoluído da IoT, quando os objetos interagem entre si e otimizam a operação como um todo em tempo real, sem necessidade de interação humana no processo. Um exemplo hipotético seria uma prateleira do armazém que atualiza o WMS em tempo real e identifica o nível de estoque dos produtos. Quando o estoque chega no nível mínimo, a prateleira se comunica automaticamente com o ERP do fornecedor e faz o pedido de acordo com os parâmetros programados.

 

Evolução da IoT - blog ILOS

Figura: Estágios do uso da IoT na operação

Atualmente a IoT ainda é muito dependente de interação humana, principalmente na análise dos dados e tomada de decisão. Por isso, ainda há muito espaço para a sua evolução. Espera-se que no futuro a conexão entre objetos e sistemas aconteça de forma completa, deixando para as pessoas as decisões mais estratégicas e o desenvolvimento dos algoritmos de otimização.

 

Referências:

Internet of Things e Nanotecnologia: aonde iremos chegar em Supply Chain Management

http://gtdc.org/wp-content/uploads/2016/06/Internet-of-Things_ATKearney.pdf

 

Como o lançamento do satélite brasileiro pode ajudar na logística?

No início de maio de 2017 foi lançado o primeiro satélite controlado inteiramente pelo governo brasileiro, o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Com esse novo projeto, o Brasil deixará de alugar satélites de empresas privadas, além de ampliar a capacidade de telecomunicações e a cobertura de serviços de internet banda larga no Brasil. O foco será a oferta de banda larga para áreas de difícil acesso e o fornecimento de um meio mais seguro para transferência de informações civis e militares.

Saiba mais sobre o lançamento do satélite na reportagem a seguir:

https://globoplay.globo.com/v/5847163

Esta é uma notícia animadora para os entusiastas da Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT), que pode ser definida como rede de coisas que se comunicam sem interação humana usando conectividade IP. A IoT é uma tendência com muitas oportunidades de aplicação na logística e no supply chain management. Ela pode ajudar trazendo mais valor para o cliente, contribuindo para a entrega do produto na forma, no tempo e no lugar mais adequados e, principalmente, viabilizando o fornecimento das mais variadas informações por meio de tecnologias de rastreamento, sensores e conexão. Por outro lado, a IoT também pode contribuir com o aumento de eficiência e redução dos custos na cadeia, ajudando com a redução dos desperdícios, otimização dos fluxos de produtos e materiais e otimização da alocação dos recursos por meio do uso da informação em tempo real. Por exemplo, imagine um armazém em que as empilhadeiras autônomas estejam conectadas entre si e, por meio de sensores, registrem sua utilização. Essa informação pode ser usada para otimização do uso e minimização de ociosidade das empilhadeiras, para agendamento de manutenção, para otimização de rotas, etc.

Apesar da expectativa de rápido crescimento dessa tecnologia (existem, atualmente, cerca de 20 bilhões de dispositivos conectados no mundo e a expectativa é que este número chegue a 75 bilhões em 2025 como pode ser visto no gráfico a seguir), ainda há algumas barreiras para seu pleno desenvolvimento. Os obstáculos para a evolução da IoT são a segurança da informação, a confiabilidade das conexões, a otimização do uso dos dados, a falta de padronização dos dados e a complexidade de gerenciamento, que pode se apresentar de diferentes formas: fragmentação do supply chain e de sistemas, diversificação de padrões e tecnologias, necessidade de mudar processos organizacionais fundamentais, falta de experiência no desenvolvimento de produtos e serviços conectados, ambientes regulatórios incertos e dificuldade de cálculo do retorno sobre o investimento.

 

Fonte: Forrester, The Internet Of Things Heat Map, 2016

 

 

O lançamento do SGDC promete atacar pelo menos um desses obstáculos viabilizando a evolução da IoT no Brasil. A confiabilidade das conexões, fundamental para garantir a internet das coisas é, atualmente, um problema muito representativo no Brasil, que apresenta muitas áreas descobertas e está em uma posição muito baixa no ranking mundial de qualidade de conexão. Com o fornecimento de banda larga em áreas remotas do país e o aumento da segurança na transferência das informações, o satélite brasileiro pode ser um viabilizador do uso da internet das coisas nas cadeias de suprimentos brasileiras.

A vida útil do satélite é de 18 anos. Como será a evolução da logística no Brasil durante este período?

 

Referências:

www.ilos.com.br/web/internet-of-things-iot-e-nanotecnologia-aonde-iremos-chegar-em-supply-chain-management/

https://www.ilos.com.br/web/internet-das-coisas-iot/http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/governo-lanca-satelite-que-permitira-acesso-a-banda-larga-em-areas-remotas.ghtml

https://www.cloudera.com/content/dam/www/static/documents/analyst-reports/forrester-the-iot-heat-map.pdf

 

Por que as empresas estão voltando (quase) para casa?

A globalização e a abertura do mercado observada há cerca duas décadas, caracterizada pela redução das barreiras comerciais nos chamados países emergentes, culminou em um fenômeno conhecido como offshoring: transferência de uma parte do processo de negócio da empresa de um país para outro, com o objetivo de reduzir custos através da utilização de mão de obra mais barata, menor carga tributária e subsídio de governos locais, por exemplo. China e Índia foram alguns dos principais destinos de grandes empresas, que viram nessa mudança uma oportunidade de aumentar a sua competitividade.

Nos últimos anos, entretanto, fatores como o aumento da inflação, dos custos de transporte e dos salários, principalmente na China, fizeram com que algumas companhias trouxessem o seu processo produtivo de volta para o seu país de origem ou para um outro país mais próximo, processo este conhecido como nearshoring. Além do fator financeiro, outras vantagens têm feito grandes empresas como a Caterpillar, GE e Ford caminhar nessa direção:

  • Com fábricas mais próximas, é mais fácil garantir a segurança da informação e do capital intelectual e evitar casos como o ocorrido em 2011 com a Apple, que viu o design do seu Ipad 2 ser roubado antes do lançamento;
  • Diminuir o tempo de lançamento de produtos e aumentar a responsividade da empresa, trazendo a produção mais perto do cliente e atendendo mais rapidamente às suas necessidades;
  • Melhorar a qualidade da produção através da utilização de mão de obra mais qualificada. Além disso, nos países com salários mais baratos, geralmente a rotatividade dos funcionários é muito elevada, o que é um complicador para as empresas;
  • Facilitar a comunicação entre todas às áreas da empresa reduzindo a diferença entre os fusos horários em que cada uma opera, que chega a ser de mais de 12 horas de diferença entre os Estados Unidos e a China, por exemplo;
  • No caso de áreas de negócios diretamente ligadas ao consumidor, o nearshoring pode trazer um alinhamento cultural importante. Esta foi uma das motivações que fizeram com que a operadora de telefones britânica Vodafone levasse o seu call center de volta para Manchester, na Inglaterra.

Em 2014, a consultoria americana AlixPartners perguntou para 143 executivos de 13 indústrias diferentes que operavam dentro dos Estados Unidos os principais benefícios esperados por eles com a decisão de nearshoring. O principal fator destacado foi a diminuição no tempo de lançamento de novos produtos e o menor custo de estoque em trânsito, como ilustra a Figura 1.

Figura 1

Figura 1 – Principais vantagens esperadas com o nearshoring

Fonte: Adaptado de AlixPartners – 2014 Reshoring/Nearshoring Executive Survey and Outlook

 

Quando perguntados sobre a expectativa de redução de custos, 51% responderam que a companhia havia reduzido ou esperava reduzir mais de 6% dos custos totais, conforme mostra a Figura 2.

Figura 2

Figura 2 – Expectativa de redução de custo com o nearshoring

Fonte: Adaptado de AlixPartners – 2014 Reshoring/Nearshoring Executive Survey and Outlook

 

Entre os principais destinos de empresas americanas que estão seguindo a tendência do nearshoring, está o México, em razão do baixo custo relativo, boa qualificação e lealdade da mão de obra mexicana, sem contar a proximidade com os Estados Unidos e utilização do mesmo fuso horário. O Canadá também vem sendo escolhido como destino para empresas americanas, pois além da questão geográfica, possui também a vantagem de falar a mesma língua. Ucrânia, República Checa, Hungria, Eslováquia e Polônia, por outro lado, têm sido os países mais beneficiados com o nearshoring de empresas europeias.

Assim como levar parte da cadeia de suprimentos para locais mais distantes em busca de menores custos foi um movimento realizado por muitas empresas há alguns anos atrás, o nearshoring é apontado como uma das principais tendências atuais de Supply Chain. Entretanto, este movimento deve ser muito bem estudado e uma gama completa de custos calculados, pois trata-se de uma decisão estratégica e a desconsideração de um fator pode causar impactos irrecuperáveis e corroer todos os benefícios esperados com o nearshoring.

Neste contexto, é importante uma reflexão dos executivos brasileiros de Supply Chain sobre como o Brasil pode, ou deve, se posicionar neste cenário?! Como vencer os imensos desafios de legislação, infraestrutura e culturais para inserir o país nas cadeias de suprimentos internacionais? Precisamos ser proativos na qualificação de nossa mão de obra e pressionar os governantes para que façam as mudanças de legislação e os investimentos necessários para sermos atrativos para os investidores internacionais, e não apenas aqueles que querem especular com as taxas cambiais.

 

Referências

<http://blogs.wsj.com/experts/2014/06/04/why-nearshoring-is-replacing-outsourcing/>

<http://www1.folha.uol.com.br/mundo/930741-tres-pessoas-sao-condenados-na-china-por-roubar-design-do-ipad-2.shtml>

<http://blog.cargomatic.com/top-7-supply-chain-trends-2016>

<http://www.ittoday.info/Articles/nearshoring.htm>

<https://www.backofficepro.com/blog/is-nearshoring-offering-a-brand-new-direction-to-outsourcing/>

<https://www.elixirr.com/wp-content/uploads/2015/08/the_rise_of_nearshoring.pdf>

<http://www.alixpartners.com/en/Publications/AllArticles/tabid/635/articleType/ArticleView/articleId/1151/2014-ReshoringNearshoring-Executive-Survey-and-Outlook.aspx#sthash.FVIpFTAG.Qjq4fXhn.dpbs>