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Interdependência: o segredo do Supply Chain Management!

Organizando livros e artigos que tratam das dificuldades para a integração da cadeia de suprimentos, lembrei da bonita palestra do professor Ricardo Guimarães no TEDxRio, em fevereiro de 2011, sobre interdependência e de como este conceito é aderente a realidade de nossa área e chave para sobrepassar várias das barreiras apresentadas na literatura e vivenciadas em nosso cotidiano.

Bonito chamamento feito pelo Ricardo, que agora relembro e compartilho com esperança de vê-lo cada vez mais em prática.

Vídeo 1 – Interdependência ou Morte!

Fonte: TEDxRio – Ricardo Guimarães

Internet of Things (IoT) e Nanotecnologia: aonde iremos chegar em Supply Chain Management?

Ainda inspirado pela Campus Party Brasil 2016, comecei a divagar e a imaginar possíveis caminhos para o uso da tecnologia em Supply Chain Management no futuro. Obviamente, o uso de tecnologia já é uma realidade em nossa área e a grande maioria das empresas não conseguiria lidar com a complexidade de suas operações sem o uso de ferramentas tecnológicas. No entanto, há indícios suficientes para acreditarmos que estamos muito próximos de uma revolução provocada pela Internet of Things (IoT) e a Nanotecnologia.

Em outro post, já havia comentado sobre os possíveis impactos da IoT em nossa área, apresentando algumas iniciativas já existentes. No entanto, podemos tentar imaginar um futuro ainda mais distante com as ferramentas já disponíveis, incluindo aí a nanotecnologia, que promete revolucionar as atividades de embalagem, postergação e monitoramento e integração.

 

Embalagem

As embalagens são extremamente importantes para a movimentação de mercadorias, garantindo proteção e unitização. Além disso, com o uso de códigos de barras e etiquetas de RFID, é possível controlar os níveis de estoque e rastrear os produtos ao longo da cadeia de suprimentos. No entanto, a viabilidade econômica deste monitoramento só é possível, hoje em dia, a partir de um determinado nível de agrupamento mínimo de produtos, a partir do qual o custo de embalagem e rastreamento se torna factível.

Com a nanotecnologia, começa-se a vislumbrar a possibilidade de criarmos “escudos invisíveis”, formados por partículas microscópicas capazes de proteger os produtos em suas dimensões unitárias. Estas micropartículas podem funcionar também como sensores capazes de detectar e proteger a carga contra variações de temperatura e umidade, além de garantir rastreabilidade em toda a cadeia de suprimentos, inclusive nas casas dos consumidores.

O Vídeo 1 apresenta uma demonstração do funcionamento prático da nanotecnologia. A partir daí, podemos imaginar frutas e legumes “embalados” individualmente, protegidos de bactérias, umidade e calor, com shelf life muito maior, reduzindo desperdícios e custos na cadeia de suprimentos alimentícia, por exemplo.

Vídeo 1 – Uma demosntração muito seca

Fonte: Mark Shaw – TED Talk

 

Postponement

A nanotecnologia também promete revolucionar as práticas de postergação, tão importantes para a redução de estoques ao longo da cadeia de suprimentos. Hoje, a postergação é limitada a setores onde o prazo de entrega para o cliente permite a finalização do produto após a colocação do pedido, como na indústria automobilística. Também, em alguns casos mais raros, os armazéns podem funcionar como centros de finalização de embalagens e preparação de kits promocionais.

Em um futuro ainda distante, as nano partículas permitirão a customização do produto, como mudança de cor e mesmo de sabor, até mesmo para indústrias de fast-moving consumer goods (FMCG). A finalização poderá ocorrer durante o transporte e, sonhando mais alto, na própria casa do consumidor.

Integrado com o avanço da IoT, podemos imaginar que robôs de reposição de gôndolas (ou mesmo gôndolas “inteligentes e conectadas”) se comunicarão com o fornecedor para informar que determinada fragrância de sabão em pó está sendo consumida com maior velocidade, fazendo com que micropartículas sejam “ativadas” dentro das caixas de sabão em pó que já saíram do centro de distribuição.

 

Monitoramento e Integração

Sem dúvida alguma, é neste tema que mais podemos “viajar” quando pensamos no futuro do Supply Chain Management. Já é possível sonhar, fundamentados na tecnologia existente de IoT e Nanotecnologia, com a intercomunicação entre os diferentes “atores” da cadeia de suprimentos, que se auto coordenarão através de cloud computing e inteligência artificial.

É possível vislumbrar as informações de consumo fluindo diretamente dos produtos para drones e veículos autônomos, robôs de armazenagem e impressoras 3D. Rotas calculadas com precisão a partir de outros produtos que estão em trânsito. Reposição dos estoques com base no consumo real, não mais em previsões. Problemas operacionais, quebras e necessidade de manutenção informados diretamente pelos equipamentos e veículos. Preços ajustados automaticamente pela demanda e a capacidade disponível informada pelos recursos e produtos disponíveis.

Ficção científica? Vale a pena ver a entrevista com o professor Marcelo Zuffo, do departamento de engenharia de sistemas eletrônicos da escola politécnica da USP, no programa Roda Viva desta semana sobre as mudanças que o avanço da tecnologia trará para a vida das pessoas.

Vídeo 2 – Entrevista com o Professor Marcelo Zuffo

Fonte: TV Cultura – Roda Viva 25/01/2016

 

Referências

<https://www.ifama.org/files/20120066.pdf>

<https://www.ted.com/talks/mark_shaw_one_very_dry_demo>

<https://youtu.be/km7xL4IgR7k>

<https://www.ilos.com.br/web/internet-das-coisas-iot/>

<https://www.ilos.com.br/web/vamos-imprimir-mais/>

<https://www.ilos.com.br/web/postponement-como-mecanismo-de-reducao-de-estoques/>

<https://www.ilos.com.br/web/demand-driven-supply-chain/>

 

Big Data: como lidar com a diversidade de formatos?

Neste momento, está ocorrendo em São Paulo a Campus Party Brasil 2016, evento de tecnologia que reúne comunidades com interesses tão diversos como entretenimento e desenvolvimento de ferramentas e uso da internet para transformação social. É considerado o evento de tecnologia mais importante do país, propiciando um ambiente de troca de conhecimentos e divulgação de inovações. Lendo sobre o evento, lembrei de um vídeo recente, publicado pelo TEDx New York, onde o cientista de dados Ben Wellington fala sobre o potencial de uso do Big Data para transformação social e a necessidade de alguma padronização no formato dos dados para o pleno aproveitamento das informações disponíveis.

Vídeo 1 – Como nós achamos o pior lugar para estacionar em New York usando Big Data

Fonte: TEDx New York

 

No Vídeo 1, Ben cita inúmeros exemplos de insights que ele obteve a partir de dados disponibilizados por órgãos da prefeitura de New York, dentro de um projeto de visibilidade e Open Data iniciado pelo prefeito Bloomberg. No entanto, ele faz críticas à falta de padronização de dados e o uso excessivo da extensão Portable Document Format (pdf) na divulgação de informações que poderiam ser disponibilizadas em Excel ou no formato Comma-Separated Values (csv), o que dificulta a extração e análise de informações.

Este é, sem dúvidas, um grande desafio para o uso do Big Data na tomada de decisão empresarial. Apesar de estarem disponíveis, os dados só passam a ter valor quando transformados em informações relevantes e disponibilizados para os tomadores de decisão. Surge, pois, três grandes desafios ao lidar com a complexidade dos fluxos de informação, que requer a análise e interpretação de uma quantidade cada vez maior de informações (volume), oriundas de fontes e em formatos distintos (variedade) e a disponibilização praticamente em tempo real para um grande número de envolvidos (velocidade).

Dentre estes desafios, hoje a principal dificuldade parece ser trabalhar e cruzar dados nos mais diferentes formatos, como textos, data base, planilhas, áudio, vídeo, transações financeiras, registros de medidores e sensores, entre outros. Grande parte destes dados não está em formato numérico, o que exige novas e sofisticadas ferramentas de análise, com poucas empresas capazes de utilizá-las consistentemente. Assim, fica o reforço ao apelo de Ben para que se avance na construção de regras para a padronização das informações e o desejo de que a Campus Party seja um sucesso e novos robôs de busca e análise de informações possam ser criados para nos ajudar a avançar no uso do Big Data.

 

Referência

<https://www.ted.com/talks/ben_wellington_how_we_found_the_worst_place_to_park_in_new_york_city_using_big_data?language=pt-br>

<https://pt.wikipedia.org/wiki/Campus_Party_Brasil>

HILBERT, M.; LÓPEZ, P. The World’s Technological Capacity to Store, Communicate, and Compute Information. Science Magazine, v. 332, n. 6025, p. 60–65, 2011.

MANYIKA, J.; CHUI, M.; BROWN, B.; et al. Big data : The next frontier for innovation, competition and Productivity. McKinsey Global Institute, páginas 1–137, 2011.