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Wearable: transformando operadores em homens de ferro

Você já ouviu falar em wearable technology? Se a resposta foi não, você apenas não deve ter ligado o nome à pessoa. Ou no caso, ao acessório. Ao pé da letra, trata-se das “tecnologias vestíveis” e podem ser encontradas em forma de relógios, óculos, luvas, anéis, palmilhas, fones e pulseiras inteligentes.

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Figura 1 – Wearable tecnology

Fonte: Contegix

 

Muitos especialistas acreditam que estamos no caminho de uma revolução e, da mesma forma que os tablets e celulares jogaram para escanteio os desktops, no futuro serão os wearables que ocuparão o lugar dos smartphones. De fato, ainda não vivemos essa realidade, pois apesar de já ouvirmos muito falar do Google Glass e vermos os Apple Watch ganhando popularidade, este tipo de tecnologia ainda não alcançou as massas. E, ao contrário do que aconteceu com os smartphones, o caminho para essa massificação pode vir do mundo dos negócios. Mais especificamente da logística.

Dispositivos portáteis, como sistemas de voz e scanners, já vem sendo usado nos armazéns há bastante tempo. No entanto, o que estamos vendo agora é a mais nova geração de wearables emergindo, combinando tecnologia de reconhecimento de voz, juntamente com óculos inteligentes dotados de GPS, sistemas de digitalização e diversos outros recursos. É a Internet das Coisas (IoT) criando armazéns totalmente conectados.

No início do ano passado a DHL realizou um projeto piloto no seu armazém localizado na Holanda. Durante 3 semanas, 10 operadores do armazém utilizaram apenas SmartGlasses (modelos Google Glass e VuzixM100) na operação. Nada de scanner nem lista de itens a mão. O resultado do experimento foi um verdadeiro indicativo do potencial desta tecnologia: os gráficos dinâmicos exibidos nas lentes dos óculos permitiram aos operadores mãos livres ao longo de todo o processo, aumento em 25% a produtividade e livrando a operação de erros. Veja no Vídeo 1 mais detalhes sobre o experimento realizado pela DHL.

Vídeo 1 – Vision Picking na DHL – Realidade aumentada na logística

Fonte: DHL

 

Outro teste está sendo realizado neste momento pela Volkswagen na sua fábrica localizada em Wolfsburg, na Alemanha. A montadora de automóveis está testando o uso de relógios inteligentes e pulseiras de RFID nas suas operações de montagem de encomendas. Enquanto os SmartWatches permitem aos operadores escanear códigos de barras de forma muito mais rápida que um scanner manual comum, as braçadeiras funcionam como dispositivos antifalhas, emitindo sinais sonoros toda vez que o operador pega uma peça errada. O objetivo é tornar todo o processo mais estável, rápido eficiente.

Para se implementar toda esta tecnologia em larga escala nos armazéns ainda é necessário um elevado investimento de recursos e tempo, o que fez com que os dispositivos ainda não deslanchassem nas operações. Entretanto, o potencial dos wearables é enorme. Além dos já referidos aumento de eficiência e queda nos erros, é possível imaginar benefícios ainda maiores. Os óculos inteligentes dotados de realidade aumentada podem garantir visibilidade em tempo real do status de encomendas e dos volumes em estoque, permitindo as empresas, por exemplo, fazer uma precificação dinâmica dos seus produtos com base na disponibilidade dos itens.

Ao que tudo indica, é questão de tempo para a moda pegar de vez nas fábricas e centros de distribuição das grandes empresas e cada vez mais pessoas vivenciarem um pouco a experiência de Tony Stark.

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Figura 2 – Realidade aumentada experienciada pelo personagem de Tony Stark no filme Homem de Ferro

Fonte: Maxon

 

Referências

<http://www.dhl.com/en/press/releases/releases_2015/logistics/dhl_successfully_tests_augmented_reality_application_in_warehouse.html>

<https://www.youtube.com/watch?v=I8vYrAUb0BQ>

<http://talkinglogistics.com/2014/01/08/wearable-devices-new-user-interface-logistics-software/>

<http://automotivelogistics.media/pt-br/noticias-pt-br/84756>

<http://www.mbtmag.com/article/2016/02/wearables-warehouse?mod=djemlogistics>

Shyp: a ciência no processo de embalagem

Para que a logística cumpra o seu papel com perfeição, é preciso que o produto chegue no lugar desejado, dentro do prazo prometido e de maneira adequada. Para garantir este último aspecto, nada é tão importante quanto a embalagem. De que adianta para um cliente receber um produto rapidamente se ele chega amassado ou quebrado?

Há pouco mais de 3 anos, o ILOS realizou um interessante experimento para avaliar o desempenho logístico de algumas das principais lojas virtuais do Brasil. Foi solicitado para seis grandes varejistas do e-commerce a entrega de uma taça de vidro em diferentes endereços espalhados por São Paulo e Belém. Entre atrasos e cancelamentos de pedidos, chegaram também muitos produtos avariados. Dentre os casos, chamou a atenção o de uma empresa que, ao invés, de enviar a única taça pedida e cobrada, enviou um pacote com 6 unidades, das quais 3 vieram quebradas. Seria uma tentativa de garantir que pelo menos um dos produtos viria perfeito? Não seria melhor para a empresa investir tempo e recursos em garantir uma correta embalagem do produto ao invés de desperdiçar produtos e espaço nos veículos transportando produtos que o cliente não solicitou?

Em seu mais recente post, Maria Fernanda comentou sobre as oportunidades de aumento de eficiência logística através do redesenho de embalagens. Pois uma startup americana localizada no Vale do Silício parece ter pensado nisso na hora de criar o seu negócio.

Assim como o Uber Rush, a Shyp promete comodidade ao buscar rapidamente a encomenda e faze-la chegar corretamente ao seu destino. Tudo solicitado por meio de um aplicativo no smartphone ou tablet (Figura 1). As semelhanças, entretanto, param por aí. Na Shyp, a responsável pela embalagem do produto é a própria empresa e a entrega do produto é realizada por uma transportadora.

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Figura 1 – Aplicativo da Shyp

Fonte: Tech Crunch

 

O serviço funciona da seguinte forma: o cliente acessa o aplicativo da empresa e tira uma foto do produto que deseja despachar. Em até 20 minutos, um profissional da Shyp busca o produto no local e leva para o armazém da empresa. E é lá que a ciência acontece. Especialistas analisam cuidadosamente cada produto, identificando pontos mais frágeis e suscetíveis a avarias durante o transporte da encomenda, e desenvolvem uma embalagem personalizada para o item. Utilizando invólucros especiais e uma máquina destinada a criar caixas de papelão com as dimensões desejadas, cada embalagem é feita considerando o tamanho, peso e peculiaridades de cada produto. O resultado são encomendas bem protegidas e embalagens compactas para os mais diversos tipos de produtos.

Vídeo 1 – Processo de embalagem da Shyp

Fonte: Shyp

 

Em seguida, a Shyp seleciona entre os principais transportadores do país, como UPS, FedEx e USPS, aquele que oferece o frete mais barato considerando as dimensões e peso do pacote, distância até o destinatário e velocidade de entrega desejada pelo cliente. Este, por sua vez, acompanha e rastreia todo o processo por meio do seu aplicativo.

Além do frete pago para a transportadora, a Shyp cobra US$ 5 pelo seu serviço, que inclui um seguro de US$ 100 para casos de roubo ou avarias no produto. Para produtos pequenos ou médios e não frágeis, a embalagem é de graça. Para os demais, há ainda uma pequena taxa extra, definida caso a caso.

O serviço é promissor. Para os clientes, a possibilidade de enviar uma encomenda sem ter que se preocupar em embalar corretamente o item e ter que buscar a transportadora mais barata para fazer isso. Para as transportadoras, uma oportunidade e tanto de ganho de eficiência: além de buscar várias encomendas em um único lugar (o armazém da Shyp), o processo correto de embalagem permite aproveitamento máximo de capacidade dos veículos e evita o transporte de ar.

O lado negativo? Apesar das encomendas poderem ser entregues no mundo todo, o serviço de coleta só está disponível por enquanto nas cidades de São Francisco, Nova York, Los Angeles e Chicago.

 

O porto de Roterdã e os robôs

A febre dos robôs também pegou um dos principais portos da Europa. Conhecido desde a década de 90 por sua automação, em 2015, o porto de Roterdã passou a contar com o seu primeiro terminal de contêineres totalmente automatizado. A nova área é controlada pela APM Terminals, que, no Brasil, possui terminais de contêineres em Pecém (CE) e Itajaí (SC).

Porto de Roterdã - Missão ILOS

Figura 1 – Em 2011, os robôs já chamavam a atenção do grupo da Missão Internacional organizada pelo ILOS

Fonte: ILOS

 

Seguindo a linha da Amazon, o terminal da APM em Roterdã utiliza os robôs para otimizar a operação, além de aumentar a segurança dos trabalhadores. Oito guindastes elétricos fazem a carga/descarga dos navios, com os operadores localizados em uma sala de comando, onde estão as oito centrais com joystick e seis telas por guindaste. O sistema conta ainda com 62 caminhões-robôs responsáveis pela movimentação dos contêineres pelos pátios de armazenagem e para os caminhões e trens que os levarão para fora do porto.

 

Vídeo 1 – Simulação com os robôs durante inauguração do terminal da APM em Roterdã

Fonte: APM Terminals

 

O novo terminal completamente automatizado seria uma resposta aos clientes, que vinham pedindo à APM Terminals maior agilidade nas operações de carga e descarga dos navios. Embora não sejam mais rápidos do que os mais modernos guindastes não automatizados em operação, os novos equipamentos da APM Terminals devem trazer um crescimento de até 50% na movimentação de contêineres quando o terminal estiver totalmente operacional, pois minimizam as falhas humanas tradicionalmente existentes nesse tipo de operação.

 

Vídeo 2 – Operação automatizada de movimentação de contêineres no terminal da APM

Fonte: ECT Rotterdam

 

Inicialmente, a expectativa é de que o novo terminal da APM movimente 2,7 milhões de TEUs em seu primeiro ano de funcionamento, podendo chegar a 4,5 milhões de TEUs quando estiver totalmente operacional. Apenas como base de comparação, em 2015, o porto de Roterdã todo movimentou pouco mais de 12 milhões de TEUs.

 

Referências:

<http://fortune.com/2015/12/21/rotterdam-port-robots-strike/>

<http://www.maersk.com/en/the-maersk-group/about-us/publications/group-annual-magazine/robots-running-things-in-rotterdam>

<https://www.portofrotterdam.com/>

<http://worldmaritimenews.com/archives/160340/video-grand-opening-of-apm-terminal-maasvlakte-ii/>

Internet of Things (IoT) e Nanotecnologia: aonde iremos chegar em Supply Chain Management?

Ainda inspirado pela Campus Party Brasil 2016, comecei a divagar e a imaginar possíveis caminhos para o uso da tecnologia em Supply Chain Management no futuro. Obviamente, o uso de tecnologia já é uma realidade em nossa área e a grande maioria das empresas não conseguiria lidar com a complexidade de suas operações sem o uso de ferramentas tecnológicas. No entanto, há indícios suficientes para acreditarmos que estamos muito próximos de uma revolução provocada pela Internet of Things (IoT) e a Nanotecnologia.

Em outro post, já havia comentado sobre os possíveis impactos da IoT em nossa área, apresentando algumas iniciativas já existentes. No entanto, podemos tentar imaginar um futuro ainda mais distante com as ferramentas já disponíveis, incluindo aí a nanotecnologia, que promete revolucionar as atividades de embalagem, postergação e monitoramento e integração.

 

Embalagem

As embalagens são extremamente importantes para a movimentação de mercadorias, garantindo proteção e unitização. Além disso, com o uso de códigos de barras e etiquetas de RFID, é possível controlar os níveis de estoque e rastrear os produtos ao longo da cadeia de suprimentos. No entanto, a viabilidade econômica deste monitoramento só é possível, hoje em dia, a partir de um determinado nível de agrupamento mínimo de produtos, a partir do qual o custo de embalagem e rastreamento se torna factível.

Com a nanotecnologia, começa-se a vislumbrar a possibilidade de criarmos “escudos invisíveis”, formados por partículas microscópicas capazes de proteger os produtos em suas dimensões unitárias. Estas micropartículas podem funcionar também como sensores capazes de detectar e proteger a carga contra variações de temperatura e umidade, além de garantir rastreabilidade em toda a cadeia de suprimentos, inclusive nas casas dos consumidores.

O Vídeo 1 apresenta uma demonstração do funcionamento prático da nanotecnologia. A partir daí, podemos imaginar frutas e legumes “embalados” individualmente, protegidos de bactérias, umidade e calor, com shelf life muito maior, reduzindo desperdícios e custos na cadeia de suprimentos alimentícia, por exemplo.

Vídeo 1 – Uma demosntração muito seca

Fonte: Mark Shaw – TED Talk

 

Postponement

A nanotecnologia também promete revolucionar as práticas de postergação, tão importantes para a redução de estoques ao longo da cadeia de suprimentos. Hoje, a postergação é limitada a setores onde o prazo de entrega para o cliente permite a finalização do produto após a colocação do pedido, como na indústria automobilística. Também, em alguns casos mais raros, os armazéns podem funcionar como centros de finalização de embalagens e preparação de kits promocionais.

Em um futuro ainda distante, as nano partículas permitirão a customização do produto, como mudança de cor e mesmo de sabor, até mesmo para indústrias de fast-moving consumer goods (FMCG). A finalização poderá ocorrer durante o transporte e, sonhando mais alto, na própria casa do consumidor.

Integrado com o avanço da IoT, podemos imaginar que robôs de reposição de gôndolas (ou mesmo gôndolas “inteligentes e conectadas”) se comunicarão com o fornecedor para informar que determinada fragrância de sabão em pó está sendo consumida com maior velocidade, fazendo com que micropartículas sejam “ativadas” dentro das caixas de sabão em pó que já saíram do centro de distribuição.

 

Monitoramento e Integração

Sem dúvida alguma, é neste tema que mais podemos “viajar” quando pensamos no futuro do Supply Chain Management. Já é possível sonhar, fundamentados na tecnologia existente de IoT e Nanotecnologia, com a intercomunicação entre os diferentes “atores” da cadeia de suprimentos, que se auto coordenarão através de cloud computing e inteligência artificial.

É possível vislumbrar as informações de consumo fluindo diretamente dos produtos para drones e veículos autônomos, robôs de armazenagem e impressoras 3D. Rotas calculadas com precisão a partir de outros produtos que estão em trânsito. Reposição dos estoques com base no consumo real, não mais em previsões. Problemas operacionais, quebras e necessidade de manutenção informados diretamente pelos equipamentos e veículos. Preços ajustados automaticamente pela demanda e a capacidade disponível informada pelos recursos e produtos disponíveis.

Ficção científica? Vale a pena ver a entrevista com o professor Marcelo Zuffo, do departamento de engenharia de sistemas eletrônicos da escola politécnica da USP, no programa Roda Viva desta semana sobre as mudanças que o avanço da tecnologia trará para a vida das pessoas.

Vídeo 2 – Entrevista com o Professor Marcelo Zuffo

Fonte: TV Cultura – Roda Viva 25/01/2016

 

Referências

<https://www.ifama.org/files/20120066.pdf>

<https://www.ted.com/talks/mark_shaw_one_very_dry_demo>

<https://youtu.be/km7xL4IgR7k>

<https://www.ilos.com.br/web/internet-das-coisas-iot/>

<https://www.ilos.com.br/web/vamos-imprimir-mais/>

<https://www.ilos.com.br/web/postponement-como-mecanismo-de-reducao-de-estoques/>

<https://www.ilos.com.br/web/demand-driven-supply-chain/>

 

Big Data: como lidar com a diversidade de formatos?

Neste momento, está ocorrendo em São Paulo a Campus Party Brasil 2016, evento de tecnologia que reúne comunidades com interesses tão diversos como entretenimento e desenvolvimento de ferramentas e uso da internet para transformação social. É considerado o evento de tecnologia mais importante do país, propiciando um ambiente de troca de conhecimentos e divulgação de inovações. Lendo sobre o evento, lembrei de um vídeo recente, publicado pelo TEDx New York, onde o cientista de dados Ben Wellington fala sobre o potencial de uso do Big Data para transformação social e a necessidade de alguma padronização no formato dos dados para o pleno aproveitamento das informações disponíveis.

Vídeo 1 – Como nós achamos o pior lugar para estacionar em New York usando Big Data

Fonte: TEDx New York

 

No Vídeo 1, Ben cita inúmeros exemplos de insights que ele obteve a partir de dados disponibilizados por órgãos da prefeitura de New York, dentro de um projeto de visibilidade e Open Data iniciado pelo prefeito Bloomberg. No entanto, ele faz críticas à falta de padronização de dados e o uso excessivo da extensão Portable Document Format (pdf) na divulgação de informações que poderiam ser disponibilizadas em Excel ou no formato Comma-Separated Values (csv), o que dificulta a extração e análise de informações.

Este é, sem dúvidas, um grande desafio para o uso do Big Data na tomada de decisão empresarial. Apesar de estarem disponíveis, os dados só passam a ter valor quando transformados em informações relevantes e disponibilizados para os tomadores de decisão. Surge, pois, três grandes desafios ao lidar com a complexidade dos fluxos de informação, que requer a análise e interpretação de uma quantidade cada vez maior de informações (volume), oriundas de fontes e em formatos distintos (variedade) e a disponibilização praticamente em tempo real para um grande número de envolvidos (velocidade).

Dentre estes desafios, hoje a principal dificuldade parece ser trabalhar e cruzar dados nos mais diferentes formatos, como textos, data base, planilhas, áudio, vídeo, transações financeiras, registros de medidores e sensores, entre outros. Grande parte destes dados não está em formato numérico, o que exige novas e sofisticadas ferramentas de análise, com poucas empresas capazes de utilizá-las consistentemente. Assim, fica o reforço ao apelo de Ben para que se avance na construção de regras para a padronização das informações e o desejo de que a Campus Party seja um sucesso e novos robôs de busca e análise de informações possam ser criados para nos ajudar a avançar no uso do Big Data.

 

Referência

<https://www.ted.com/talks/ben_wellington_how_we_found_the_worst_place_to_park_in_new_york_city_using_big_data?language=pt-br>

<https://pt.wikipedia.org/wiki/Campus_Party_Brasil>

HILBERT, M.; LÓPEZ, P. The World’s Technological Capacity to Store, Communicate, and Compute Information. Science Magazine, v. 332, n. 6025, p. 60–65, 2011.

MANYIKA, J.; CHUI, M.; BROWN, B.; et al. Big data : The next frontier for innovation, competition and Productivity. McKinsey Global Institute, páginas 1–137, 2011.

 

Fórum de Davos e os robôs na logística

Robos_Amazon

Esta semana, alguns dos mais influentes empresários e líderes mundiais estão reunidos em Davos, na Suíça, para mais um encontro anual do Fórum Econômico Mundial. No meio das tradicionais discussões sobre os rumos da economia e da sociedade mundial, um tema se destaca: o crescimento da inteligência artificial, da automação e dos robôs nas indústrias.

Esse movimento já é apontado por especialistas como a quarta Revolução Industrial e promete transformar profundamente a indústria não apenas pela ampliação no uso de robôs, mas também pela ligação desses dispositivos em rede, pelo uso de sensores e pelo tratamento de dados em grande escala. Naturalmente, essa inteligência artificial se estende à logística e à cadeia de suprimentos, e a expectativa é que agilize as entregas e reduza os erros nos pedidos.

Nos Estados Unidos, a Amazon comprou a fabricante de robôs Kiva e já possui mais de 30 mil robôs kiva em 13 dos seus 50 centros de distribuição para ajudarem nas atividades de picking e packing. Devido à integração dos sistemas, os robôs sabem onde estão os milhões de itens armazenados e literalmente carregam as estantes para as equipes de picking e packing, que fazem a separação dos produtos. O novo sistema permitiu que a Amazon aumentasse em 50% seu espaço de armazenagem sem ampliar a área física e gerou aumento significativo de eficiência para a operação da varejista norte-americana.

Vídeo 1 –Robôs da Amazon em operação no centro de distribuição da Califórnia

Fonte: CNET

 

No Brasil, a Natura também investe na automação dos seus centros de distribuição. Em 2015, a empresa inaugurou um novo hub logístico em Itupeva, São Paulo, com capacidade para armazenar 3,6 milhões de caixas com produtos acabados. Além do CD com 13 transelevadores de paletes, 4 robôs para paletização/despaletização, 20 shuttles para operações com caixas e 2 esteiras telescópicas, foram desenvolvidas carretas que permitem o seu carregamento e descarregamento totalmente automático em apenas 5 minutos.

Vídeo 2 – Novo hub logístico automatizado da Natura em Itupeva

Fonte: SSI Schaefer Brasil

 

Os próximos anos prometem ser de muitos investimentos em automação, nas indústrias e em seus centros de distribuição. Esse novo momento vai exigir esforço não apenas das empresas, mas também dos profissionais de logística, que deverão se qualificar para se enquadrar nos novos perfis procurados pelas empresas. Cada vez mais os trabalhos repetitivos serão realizados por robôs, restando aos humanos as tarefas mais complexas e que exijam criatividade.

 

Referências:

<http://www.tecnologistica.com.br/destaque/natura-inaugura-hub-logistico-itupeva/>

<http://www.bbc.com/news/business-20754979>

<http://cerasis.com/2015/07/06/robotics-in-logistics/>

<http://www.roboticsbusinessreview.com/article/mobile_robots_become_essential_to_competitive_logistics>

<http://www.businessinsider.com/amazon-doubled-the-number-of-kiva-robots-2015-10>

<http://www.ibtimes.com/davos-2016-need-embrace-robot-revolution-not-fear-it-tech-leaders-say-2272199>

Vamos imprimir mais?

Já faz algum tempo que vemos notícias do uso bem-sucedido de impressoras 3D no campo da medicina, no qual próteses e até células estão começando a ser “impressas” de forma customizada para atender as necessidades de pacientes. Entretanto, não são apenas médicos e profissionais de saúde que estão de olho nessa nova tecnologia.

Conforme as impressoras tornam-se mais baratas e rápidas, empresas de diferentes setores já começam a enxergar o potencial dessa nova forma de produzir.

Uma ideia é permitir que o cliente faça parte do processo produtivo desde o design do produto, de forma que este seja exatamente aquilo que ele necessita. No caso da produção de calçados, por exemplo, o cliente entraria em um site, inseriria as medidas exatas dos seus pés, onde estão os pontos de pressão e pronto! Seria iniciada a produção de um sapato que foi feito exclusivamente para ele.

Os mais entusiasmados com essa tecnologia já discutem um futuro no qual cada pessoa terá uma impressora 3D instalada em casa e terá sua própria “fábrica caseira”, dispensando assim a necessidade da produção em massa e da distribuição de produtos acabados.

Entretanto, da mesma forma que nem todas as pessoas tem uma horta em casa e plantam seu próprio alimento, nem todas as pessoas estarão dispostas a fabricar os bens que desejam consumir.

É avaliando essa tendência que empresas como a Mattel e a Adidas (Vídeo 1) já começam a olhar para as impressoras 3D como uma forma de se diferenciar e oferecer a seus clientes produtos customizados. A UPS já oferece, nos EUA, o serviço de impressão 3D para seus clientes, aproveitando sua grande estrutura de lojas espalhadas pelo país.

Vídeo 1 – Futurecraft 3D

Fonte: Adidas

 

O impacto para cadeia de suprimentos é significativo. Inicialmente não haveria necessidade de manter altos níveis de estoque ao longo da cadeia. Outra mudança seria na forma como os produtos são distribuídos: como os centros produtivos poderiam estar localizados mais próximos dos clientes finais, a distribuição passaria a ser local e não de longa distância.

Claro que essas iniciativas de customização da produção ainda estão em estágio inicial, muito restrito a fase de prototipagem e a apenas alguns tipos de produtos, mas já é possível encontrar empresas de setores como o automotivo e aeroespacial que já utilizam a impressão 3D em seus processos produtivos usando peças 100% impressas na montagem de seus produtos finais.

Vale ficar de olho nessa nova tendência!

 

Referências

<http://gelookahead.economist.com/3d-printing-will-disrupt-manufacturing/>

<http://documents.aeb.com/brochures/en/aeb-white-paper-3d-printing.pdf>

Internet das Coisas (IoT)

Lembro-me bem das diversas vezes em que ouvi do saudoso Professor Donald Bowersox, em palestras proferidas nos Fóruns do ILOS ou nos encontros globais do CSCMP, sua conhecida frase: “a logística é a arte de fazer cada vez mais com cada vez menos, até que se possa fazer tudo com nada”.

Apesar do tom brincalhão para expor o enorme desafio dos profissionais da área, que precisam entregar um nível de serviço cada vez maior para os clientes ao mesmo tempo em que são pressionados a reduzir seus custos logísticos, o Professor Bowersox falava muito sério ao antecipar as inovações tecnológicas “vindouras”, algumas das quais vivenciamos hoje na prática, e seus impactos para a gestão da cadeia de suprimentos.

Uma dessas inovações, conhecida como Internet of Things (IoT), ou Internet das Coisas, tem potencial para provocar uma verdadeira revolução em Supply Chain Management, reduzindo enormemente os desperdícios na cadeia e permitindo um nível de eficiência impossível de ser imaginado poucos anos atrás.

No Vídeo 1, Marco Annunziata fala do poder transformador da IoT de forma bastante elucidativa.

Vídeo 1 – em-vindo à era da internet industrial

Fonte: Marco Annunziata  – TED Talk

 

Podemos facilmente imaginar o impacto para a gestão da cadeia de suprimentos de ter etiquetas inteligentes de RFID em todos os produtos, facilitando a localização e controle de estoques, veículos que se comunicam com computadores que redefinem rotas em tempo real e definem o plano de manutenção preventiva, controle de estoque na casa do cliente, permitindo uma reposição automática, dentre tantas outras possibilidades. Os vídeos 2 e 3 ilustram alguns dos passos intermediários nesta caminhada.

Vídeo 2 – Amazon Dash

Fonte: Amazom – Youtube

 

Vídeo 3 – Amazon Dash Button

Fonte: Amazom – Youtube

 

Um agradecimento in memoriam ao Professor Bowersox pela inspiração a tantos profissionais de Supply Chain e por nos antecipar com tanta clareza o que veríamos acontecer!

 

Referências

<https://www.ted.com/talks/marco_annunziata_welcome_to_the_age_of_the_industrial_internet?language=pt-br>

<http://cerasis.com/2015/02/25/internet-of-things/>

<http://www.scdigest.com/ONTARGET/11-07-05-3.PHP?cid=4693&ctype=content>

<https://youtu.be/aFYs9zqYpdM>

<https://youtu.be/EHMXXOB6qPA>

Para revolucionar a distribuição urbana, drones? Não, robôs!

Seguidamente vemos na mídia notícias sobre empresas testando o uso de drones para realizar a entrega de produtos diretamente para clientes, o chamado last mile. Esta última etapa da cadeia de suprimentos é uma das maiores dores de cabeça de gestores logísticos, pois realizar essa entrega de forma eficiente, considerando todas as restrições inerentes aos grandes centros urbanos, é uma tarefa complexa e muito cara.

Pensando nisso, os co-fundadores do Skype, Ahti Heinla e Janus Friis, criaram uma start-up com objetivo de revolucionar o mercado de distribuição.  A Starship Technologies é uma pequena empresa, com escritórios na Inglaterra e na Estônia, que está desenvolvendo robôs capazes de fazer entregas localmente em um raio de até 5km (Figura 1). Os robôs são projetados para serem conduzidos de forma autônoma durante 99% do tempo e utilizam peças “de prateleira”, além de se tratar de uma tecnologia verde, livre de emissões de CO2, pois eles são carregados por baterias e consomem menos energia que a maioria das lâmpadas.

Starship

Figura 1 – Starship robots

Fonte: Starship

 

As máquinas foram projetadas para andar nas calçadas e possuem sensores que permitem com que elas atravessem sinais, ajustem a sua velocidade e impeçam com que elas esbarrem em pedestres e objetos, recebendo por isso o apelido de robôs gentis. Além disso, operadores humanos que monitoram constantemente os starships robots podem assumir o seu controle em caso de qualquer problema. Veja no vídeo 1 como funcionam os robôs.

Vídeo 1 – Funcionamento dos robôs da Starship

Fonte: Starship

 

Os robôs são leves e muito baratos e o objetivo da empresa é reduzir os custos atuais de entrega por viagem cerca de 10 vezes, revolucionando a forma como mercadorias são entregues. As primeiras versões desenvolvidas suportam cargas de até 18 kg e se locomovem numa velocidade de no máximo 6,4 km/h.

A ideia é que as encomendas fiquem armazenadas em hubs espalhados pela cidade e, após selecionar no aplicativo do celular a opção de entrega, os clientes receberiam o seu pedido em até 30 minutos e poderiam rastrear todo o percurso dos robôs pelos seus dispositivos móveis. No tocante à segurança, os robôs se locomovem trancados e só podem ser abertos pelo smartphone do cliente.

O projeto ainda está em fase de testes e demonstrações, mas a expectativa da Starship é já criar serviços-piloto com empresas parceiras dos Estados Unidos e Reino Unido ano que vem.

Apesar de todos os avanços tecnológicos já alcançados, imaginar a utilização de drones e robôs de entregas como estes em larga escala ainda parece a realidade de um futuro distante, retirado de algum episódio do desenho animado Os Jetsons. Quando pensamos no Brasil, onde nem mesmo modais mais tradicionais de transporte possuem infraestrutura adequada e a todo momento vemos notícias de caminhões de carga sendo roubados, este cenário parece utópico. Será que empresas como a Starship conseguirão mesmo essa revolução? A aguardar as cenas dos próximos episódios!

 

Referências

<https://www.starship.xyz/>

<https://www.youtube.com/watch?v=MEWfsVPqKi4>

 

Uber entra de vez no mercado logístico

Cada novo aplicativo de entregas desenvolvido no mundo é batizado como o “Uber das Entregas”. Isto aconteceu com os serviços Postmates, Deliv, Sidecar e Amazon Flex, entre outros. Pois recentemente foi o momento do próprio Uber entrar nesse mercado e anunciar oficialmente o UberRUSH.

Fundada em 2009, a empresa revolucionou o serviço de transporte de passageiros no mundo ao permitir que usuários de smartphones pudessem solicitar caronas pagas a motoristas espalhados pela cidade, diferenciando-se dos táxis pela qualidade do serviço e funcionalidades que não existiam até então.

A Uber já lançou diversas variações do seu serviço pelo mundo, como o UberPET, UberPOP, UberBIKE, UberPOOL, UberChopper e UberEATS, mas nenhum que pudesse impactar o mercado de logística como o UberRUSH.

UberRUSH logo

Figura 1 – Logo UberRUSH

Fonte: Uber

O UberRUSH é um serviço de entrega de encomendas no mesmo dia que comerciantes locais podem integrar à sua plataforma de e-commerce, tal como Shopify, Clover, ChowNow, Bigcommerce e delivery.com. Após um cliente solicitar uma entrega no mesmo dia, o comerciante entra no seu aplicativo do UberRUSH, preenche as informações da entrega e dentro de alguns minutos um entregador irá chegar para buscar o pacote e leva-lo até o cliente. O serviço possui rastreamento em tempo real, o que permite que tanto o vendedor quanto o cliente podem acompanhar o percurso do entregador. No Vídeo 1 é possível ver como o UberRUSH funciona.

Vídeo 1 – Funcionamento do UberRUSH

Fonte: Uber

No momento, o serviço está disponível apenas nas cidades norte-americanas de Nova York, São Francisco e Chicago e o valor é pago por corrida, não custando nada ao comerciante à inscrição no programa. O frete muda conforme a localidade, variando de 5 à 6 dólares entregas no raio de 1 milha (equivalente a 1,6 km) e 2,5 à 3 dólares a milha extra. O entregador recebe cerca de 80% deste valor e a Uber fica com o restante. Ao comerciante, cabe à decisão de repassar o custo ao consumidor ou ele mesmo absorver o valor. As entregas são feitas a pé, por meio de bicicletas ou carros, e passageiros do serviço tradicional e encomendas do UberRUSH não andam juntos.

entregador UberRUSH

Figura 2 – Exemplo de entregador do UberRUSH

Fonte: http://thehypebr.com/2015/10/14/uber-lanca-o-uberrush-seu-novo-servico-de-entrega

O objetivo da Uber com o seu novo serviço é aproveitar a expertise e credibilidade obtidas com o transporte de passageiros e se tornar a frota de comerciantes locais, permitindo que estes não precisem mais conviver com entregadores ociosos durante os períodos de baixa demanda e sobrecarregados nos momentos de pico.

O serviço ainda está em seus primeiros passos e tem muito a crescer. No entanto, como escreveu Leonardo Julianelli em seu post Omni-Channel Supply Chain, daqui a um tempo clientes do varejo não mais aceitarão esperar dias pela sua encomenda e exigirão seus produtos em horas. Serviços como o UberRUSH poderão ser a solução.

No mercado de transporte de passageiros, a empresa teve que lidar com diversas polêmicas e luta até hoje em algumas cidades do mundo para conseguir ser legal e operar juntamente com táxis. No novo negócio, a disputa será não só com concorrentes com modelos de negócio parecidos, mas também com empresas que entregam encomendas globalmente, como FedEX, UPS, TNT e DHL, e que possuem uma infraestrutura muito maior e cada vez mais voltam seus olhos para o mercado de entregas expressas. A concorrência nesse mercado é cada vez maior e caberá ao tempo dizer se a Uber conseguirá se destacar e obter o mesmo sucesso alcançado com o transporte de passageiros, onde foi inovadora.

 

Referências

<https://www.youtube.com/watch?v=FRu6M9sCfmo>

<http://rush.uber.com>

<https://newsroom.uber.com/2015/10/rush-open-for-business/>

<http://www.businessinsider.com/uber-rush-fedex-killer-released-2015-10>

<https://www.shopify.com/blog/57839493-shopify-and-uber-reinvent-local-shipping>

<http://www.bidnessetc.com/55210-uberrush-to-compete-with-fedex-corporation-and-united-parcel-service-inc/>

<http://www.forbes.com/sites/ellenhuet/2015/10/14/delivery-wars-uber-targets-merchants-expands-its-on-demand-courier-service-uberrush/>

<http://www.sfgate.com/business/article/Uber-s-latest-logistics-play-UberRush-in-SF-6569318.php>

<http://thehypebr.com/2015/10/14/uber-lanca-o-uberrush-seu-novo-servico-de-entrega/>