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Transformação Digital do Supply Chain – parcerias estratégicas prometem marcar o mercado


O tema de transformação digital no supply chain não é de hoje. Seja pela necessidade de ser mais eficiente e de reduzir custos, melhorar a experiência do consumidor, melhorar a tomada de decisões ou transformar o modelo de negócios, a pauta já está na agenda das empresas há alguns anos, e essa agenda só foi acelerada com a pandemia em 2020. Confira abaixo algumas grandes parcerias anunciadas de maio para cá no mundo, no que diz respeito ao fornecimento de soluções para a transformação digital do supply chain.

FedEx e Microsoft

No fim de maio de 2020, a FedEx e a Microsoft anunciaram o início de uma parceria que deve se perpetuar por um bom tempo, com o objetivo de lançar soluções logísticas que melhorem a visibilidade nas cadeias de suprimento. O primeiro produto dessa colaboração foi intitulado FedEx Surround, e combina a rede logística da FedEx com os serviços em nuvem e plataforma ERP da Microsoft.

Em termos mais concretos, a solução promete analytics em tempo real nos processos de entrega, de forma bem granular, chegando no nível de CEP, por exemplo. Os dados seriam capturados com tecnologias IoT da FedEx (como o SenseAware), e analisados com as ferramentas de IA e machine learning da Microsoft. Em determinadas indústrias, como no segmento de saúde, o monitoramento de fatores como a temperatura se faz crítico. Ter maior visibilidade e inteligência por trás desses dados também pode beneficiar empresas em questões de segurança da carga, na antecipação de eventos com tomada de ações proativas, ou na identificação de melhorias no processo de entrega.

Muitos no mercado veem a parceria como uma junção de esforços para aumentar a competição contra a Amazon. No ano passado, em agosto de 2019, a FedEx não renovou os contratos Ground e Express que tinha com a gigante do e-commerce, que a cada dia que passa amplia mais e mais as suas capabilities como operador logístico.

Blue Yonder e Panasonic

A parceria entre a Blue Yonder (antiga JDA) e a Panasonic na verdade começou em abril de 2019, quando as duas empresas formaram uma JV para lançar soluções conjuntas para as indústrias de manufatura, logística e varejo no Japão. Em junho de 2020, porém, a Panasonic realizou um investimento de capital que lhe dá uma participação minoritária de 20% e um assento no Conselho de Administração da Blue Yonder. A intenção é acelerar o desenvolvimento de soluções na busca por um supply chain autônomo.

A Blue Yonder é um dos mais bem estabelecidos fornecedores de soluções de gerenciamento do supply chain no mundo, e as capabilities de IoT da Panasonic provavelmente são um dos grandes atrativos da parceria. Para a Panasonic, o investimento reflete o processo de transformação do business pelo qual passa. Até recentemente, o negócio era voltado para a venda de hardware, mas passará a incluir fornecimento de software, de consultoria e outros serviços. Essa transformação do negócio nas empresas de hardware é algo que vem acontecendo há um bom tempo no mercado (“renascimento do hardware empoderado por software”), em grande parte por causa da redução de receitas com a comoditização de produtos de hardware, e pelo mundo de oportunidades disponíveis no mercado de software.

No Japão, a Panasonic fornece caixas registradoras para supermercados e para o McDonalds há décadas. Porém, duas concorrentes detêm 80% desse mercado, e a empresa não tem crescido no segmento, que deve ser encerrado no fim do ano fiscal, em março de 2021. Enquanto isso, no supply chain, enfrentamos desafios na previsão de vendas, na gestão de estoques, otimização de entregas e do uso de mão de obra, visibilidade da cadeia, … As oportunidades para desenvolvimento e aperfeiçoamento de soluções são inúmeras.

LINK – ecossistema de grandes empresas com startups

No início de agosto, a Innovation Endeavors e a Sidewalk Infrastructure Partners (SIP) anunciaram o LINK: um esforço global para unir grandes empresas e startups, com o objetivo de estabelecer um ecossistema para acelerar inovações no âmbito do supply chain. A Innovation Endeavors é um fundo de investimento co-fundado por Eric Schmidt, que foi CEO da Google de 2001 a 2011. A SIP é co-liderada por dois veteranos da Google, e é derivada da Sidewalk Labs (subsidiária da Alphabet voltada para inovações de planejamento e infraestrutura urbana).

Algo que deve ser enfatizado nessa iniciativa é o termo “ecossistema”. A ideia é colocar grandes players da indústria na mesma sala que as startups, e focar na resolução dos problemas e na aceleração do desenvolvimento de soluções, deixando de lado o aspecto de pitch de vendas. As startups ganham acesso direto às informações de dentro das multinacionais, fora o contato com grandes executivos dessas empresas e a oportunidade de convertê-los em clientes. Para as multinacionais, a oportunidade é de resolver seus problemas, e fazê-lo em um passo mais acelerado do que tradicionalmente é feito. Além disso, é uma forma de manter o fluxo de inovações e de ideias frescas no negócio.

As empresas e as startups começaram a se encontrar há cerca de um ano, em 2019, mas a covid-19 e seus impactos nas cadeias de suprimento globais deram um caráter emergencial à iniciativa. Os supply chains já sofriam para acompanhar as mudanças e exigências de um mundo mais digital, e, com a pandemia, problemas como falta de integração e falta de visibilidade ficaram extremamente evidentes. Assim, o projeto foi anunciado em um formato mais “oficial”, sob o nome “LINK” no dia 6 de agosto de 2020. Dentre os grandes players da indústria, são participantes até o momento: BMW, Carter’s, DHL, Estée Lauder, Georgia Pacific, PepsiCo, Shopify, Starbucks e US Postal Service.

Colaboração é uma das grandes lições da crise

Dentre os diversos aprendizados que podemos tirar da pandemia, talvez um dos mais valiosos seja o poder das parcerias e das iniciativas de colaboração, e como estas podem ser estruturadas de forma sustentável, à benefício de todos os lados, gerando resultados que são muito maiores do que a soma dos esforços em separado. Mais do que isso, parcerias podem ser decisivas para o futuro de um negócio, como vemos no caso da Panasonic. Outras empresas de tecnologia, como a Cisco, já estão há muitos anos na “jornada do software”. A Panasonic só entrou nessa trajetória recentemente, mas o faz com um parceiro extremamente estabelecido em um mercado que está transbordando com oportunidades.

Transformação Digital do Supply Chain e Reinventando o Supply Chain serão duas vertentes abordadas no 26º Fórum Internacional Supply Chain, que o ILOS irá promover entre os dias 13 e 15 de outubro, pela primeira vez 100% online. O mundo cada vez mais digital já trazia diversos desafios para as cadeias de suprimentos e seus profissionais, e a pandemia intensificou todos esses efeitos. Apesar das inúmeras adversidades, temos visto soluções fantásticas e criativas, e temos aprendido muitas lições. Estamos preparando um conteúdo muito rico, não deixe de conferir! Garanta já a sua participação!

Starbucks e inteligência artificial: ganhar produtividade para focar na interação com o cliente

O desenvolvimento de competências de inteligência artificial é um dos principais pilares da estratégia digital e da visão de futuro do Starbucks. Kevin Johnson, CEO desde 2017, diz ainda que ambicionam ser referência no assunto, até o ponto em que possam comparar sua própria performance àquela das gigantes de tecnologia.

Diferentemente do McDonalds, que tem realizado aquisições, o Starbucks optou por desenvolver essas habilidades internamente, e em parceria com a Microsoft. A iniciativa de AI (Artificial Intelligence) da empresa foi formada em 2017, e se chama “Deep Brew”. Segundo Johnson, a visão da empresa permitiu que o Starbucks recrutasse alguns dos melhores talentos, atraindo candidatos que, em um passado recente, preferiam se juntar às grandes empresas de tecnologia.

Os principais objetivos são melhorar a experiência do consumidor através de personalização, além de “libertar” a mão-de-obra de tarefas administrativas e de backend, para que possam focar na interação com os clientes. Segundo Johnson, “Não se trata de robôs que substituem baristas. Se trata de uma tecnologia que libera tempo dos baristas, para que possam se conectar melhor com o consumidor.”

Atualmente, a tecnologia é utilizada nos EUA para o dimensionamento da força de trabalho (prever quantas pessoas são necessárias por dia em cada filial), e também para automatizar os pedidos de reposição de estoque nas lojas, de forma que os itens certos sejam disponibilizados nas filiais certas.

No que diz respeito à experiência do cliente, a tecnologia é utilizada para personalizar ofertas e recomendações no aplicativo da empresa, com expansão para os menus digitais nos restaurantes e para os drive thrus. O sistema foi construído de forma interligada com os dados de estoque das lojas, de forma a minimizar a frustração dos consumidores com itens em falta.

O mecanismo de recomendação faz uso de dados “regionais” (itens populares no local, clima, hora do dia, dia da semana, se é feriado ou não, por exemplo), e é aperfeiçoado à medida em que o aplicativo é utilizado. Através da análise dos itens comprados e da reação do usuário às ofertas anteriores, o algoritmo pode “entender” que um cliente é vegetariano, ou que tem uma preferência por produtos sem lactose, por exemplo. Além de considerar os ingredientes e categorias de produto comprados, também é avaliada a sensibilidade do consumidor à itens de maior ou menor preço.

Através de técnicas de aprendizagem por reforço, quanto mais transações o usuário realiza no aplicativo, mais as recomendações se aproximam de suas preferências, tanto no que diz respeito aos ingredientes e categorias de produto quanto à preço. Para mais detalhes, confira a apresentação feita pela empresa no evento Microsoft Build em 2019.

Nos drive-thrus e nos restaurantes, a tecnologia não conta com o histórico individual dos usuários como no aplicativo. Porém, segundo a Microsoft, serão utilizados 400 critérios a nível de cada filial para gerar as recomendações.

A empresa também tem investido em dispositivos IoT (internet of things) em suas filiais. Cada loja do Starbucks possui pelo menos uma dúzia de equipamentos (entre máquinas de café, moedores e liquidificadores), que devem estar em condições operacionais por cerca de 16 horas por dia. Falhas em qualquer um desses equipamentos implicam não só em aumento de custos, mas também podem prejudicar a experiência do consumidor.

Em parceira com a Microsoft, a empresa transformou seus equipamentos em dispositivos IoT, que coletam dados desde o tipo de grão de café utilizado, até a temperatura da bebida, qualidade da água e pressão do equipamento. A empresa tem utilizado os dados para assegurar a padronização dos produtos ao longo das milhares de lojas, além de utilizá-los para criar planos de manutenção preditiva dos equipamentos.

Outro uso encontrado pela empresa foi a distribuição de receitas de café diretamente para as máquinas, o que antes era feito manualmente com pendrives para cada filial (para fins de segurança). “Pense na complexidade – precisamos chegar a 30.000 lojas em quase 80 mercados para atualizar essas receitas”, diz Jeff Wile, VP sênior de retail and core technology services.

O Starbucks é uma empresa que não foge quando o assunto é tecnologia, e o fato de terem conseguido recrutar profissionais e desenvolver competências internamente é um grande diferencial, especialmente quando a mão de obra de profissionais de inteligência artificial é escassa e a concorrência acirrada.

Referências:

Mobile Marketer – How Starbucks uses AI to counter mobile’s isolating effect. https://www.mobilemarketer.com/news/how-starbucks-uses-ai-to-counter-mobiles-isolating-effect/570384/

QSR Magazine – Why AI is a ‘Differentiator for the Future’ at Starbucks. https://www.qsrmagazine.com/fast-food/why-ai-differentiator-future-starbucks

Big Data Beard – I’ll take my Starbucks with a shot of AI. https://bigdatabeard.com/ill-take-my-starbucks-with-a-shot-of-ai/

Microsoft – Starbucks turns to technology to brew up a more personal connection with its customers. https://news.microsoft.com/transform/starbucks-turns-to-technology-to-brew-up-a-more-personal-connection-with-its-customers/

CIO Dive – Starbucks’ AI project is turning past investments into data insights. https://www.ciodive.com/news/starbucks-ai-project-is-turning-past-investments-into-data-insights/566362/

O uso de “Big Data” no Supply Chain como forma de obter vantagem competitiva

O termo “Big Data” é novo, sendo articulado pela primeira vez no início dos anos 2000 pelo analista industrial Doug Laney, quando foi introduzido o conceito dos 3Vs – volume, velocidade, variedade. “Volume” refere-se à alta quantidade de dados coletada atualmente pelas empresas. Já “Velocidade” está relacionada com a rapidez com que os dados fluem e devem ser tratados. Por fim, “Variedade” está inclusa por conta dos diversos formatos disponíveis para dados, oriundos das mais diferentes fontes. Assim, “Big Data” é um termo que descreve a grande quantidade de informações que circunda uma empresa no dia-a-dia.  O crescimento da possibilidade de armazenamento na nuvem facilitou a manipulação de tais informações, permitindo assim a criação de novos e mais complexos tipos de análises.

O uso de “Big Data” providencia insights nas mais variadas áreas de uma empresa. Trago um exemplo, do ramo automotivo: a partir do monitoramento dos comandos utilizados por motoristas em veículos, é possível entender o comportamento dos usuários e as reações do automóvel, possibilitando o desenvolvimento de melhorias. Caso a empresa esteja presente em redes sociais e possua website, adquire-se conhecimento sobre qual é o perfil dos clientes interessados na marca, quais são os componentes com maior aceitação e quais as demandas do público alvo. Com relação a parte operacional da empresa, é possível utilizar sensores a fim de rastrear a performance de máquinas, otimizar as rotinas de fabricação e, até mesmo, monitorar a saúde e o stress dos funcionários.

Na logística, por meio de análises de amostras de dados grandes e complexas, as diversas peças do Supply Chain são arquitetadas, entregando uma visão abrangente do negócio, evidenciando os gargalos da operação e possibilitando o uso destes dados na obtenção de melhores resultados. Entre os pontos de ataque do “Big Data”, um dos principais é a questão da otimização de rotas. De forma dinâmica e em tempo real, “Big Data” consegue gerar rotas inteligentes que levem em consideração o histórico de envios, o trânsito e as condições meteorológicas, a existência de feriados ou eventos especiais, a probabilidade de o cliente estar disponível para recebimento, entre outros. Desta maneira, leva a questão de aperfeiçoamento de trajetos a outro patamar, reduzindo o consumo de combustível e a emissão de CO2, diminuindo o tempo despedido nas viagens além do número de veículos utilizados, impactando nos custos variáveis de transporte, assim como nos custos com mão de obra. Sem falar na melhora no nível de serviço entregue ao cliente, que recebe sua compra com mais rapidez.

Uma aplicação mais ousada da análise de grande quantidade de dados é a de entrega antecipada, patenteada em 2014 pela Amazon. A partir do estudo de dados que relatam o comportamento de compras dos consumidores é possível prever uma demanda antes que ela ocorra e levar produtos para a ponta da cadeia logística, de forma a reduzir o tempo de entrega caso o pedido venha a acontecer. Padrões de compra, preferências expressas de forma explícita em pesquisas ou questionários, informações demográficas, hábitos de pesquisa, listas de desejos são algumas das fontes de dados para que esta estratégia possa ser implementada.

Fica claro, assim, que a disponibilidade, a análise e a interpretação de dados se tornam um ativo importantíssimo na melhora de uma companhia. As aplicações de “Big Data” numa empresa são muitas, inclusive nas diversas áreas do Supply Chain, seja na comunicação entre os elos da cadeia, na previsão de demanda, no transporte, no gerenciamento de estoques, na segmentação de clientes, ou em qualquer outra. Como resultado, a cadeia logística transforma-se, tornando-se mais transparente, além de mais automatizada, otimizada e com ineficiências e riscos reduzidos, melhorando o nível de serviço entregue aos clientes e reduzindo custos. Os insights provenientes destas análises, somados aos não relacionados à operação logística de uma empresa, são responsáveis por ajudar na tomada de decisões estratégicas e permitir a visualização de novas oportunidades de negócio, dando às empresas vantagens competitivas.

 

Fontes:

How Big Data & Analytics Are Changing The Logistics Sector -> https://datafloq.com/read/big-data-analytics-changing-logistics-industry/4593
Big Data: Challenges and Opportunities in Logistics Systems -> https://www.researchgate.net/publication/321385181_BIG_DATA_CHALLENGES_AND_OPPORTUNITIES_IN_LOGISTICS_SYSTEMS
Whats is the impact of Big Data in the Transportation & Supply Chain Industries? 11 possibilities with Big Data -> https://cerasis.com/big-data-in-the-transportation/
The impacto of big data on route planning -> https://www.amcsrouting.com/newsroom/blog/the-impact-of-big-data-on-route-planning/
7 ways Amazon uses Big Data to Stalk You -> https://www.investopedia.com/articles/insights/090716/7-ways-amazon-uses-big-data-stalk-you-amzn.asp

Amazon Patents “Anticipatory” Shipping — To Start Sending Stuff Before You’ve Bought It ‘https://techcrunch.com/2014/01/18/amazon-pre-ships/

 

3 formas de lidar com a maior complexidade no supply chain

As transformações ocorridas no mundo fizeram com que o consumidor se tornasse muito mais informado e exigente, demandando das empresas o oferecimento de um serviço superior e customizado as suas necessidades. Com muitas informações e opções de compra, além de poder pesquisar mais detalhes e ler as opiniões de outros clientes, o consumidor é capaz de comparar preços e procurar outras opções até mesmo dentro da loja. Outra característica de impacto é a chamada ‘servicificação’ dos produtos. O cliente não quer necessariamente comprar um produto e sim desfrutar do serviço e estabelecer um relacionamento único com a empresa. E não faltam exemplos do efeito da servicificação no comportamento atual de consumo: os DVDs, CDs, carros e casas estão sendo substituídos por Netflix, Spotfy, Uber e Airbnb. O que importa não é mais “ter”, mas “usar”.

Figuras 1 : Servicificação dos Produtos

Fonte: ILOS

 

A partir de todas estas mudanças no comportamento de consumo, o supply chain se vê diante de uma complexidade muito maior e terá que se transformar. Ser mais eficiente, flexível e ágil é mandatório em um contexto de maior volatilidade da demanda, pedidos cada vez menores, aumento do portfólio, aumento da concorrência, criação de novos canais de atendimento, aumento dos pontos de entrega, expectativa de tempos de entrega cada vez menores, menor tolerância a falhas, etc… No Brasil, o contexto é ainda mais complexo considerando os importantes gargalos de infraestrutura e o complexo mosaico de tributações.

Para lidar com esse contexto desafiador e de complexidade crescente, há três formas básicas: Simplificação, Tecnologia e Colaboração. É preciso refletir sobre o(s) caminho(s) que devemos seguir para cumprir os objetivos de longo prazo. O caminho da Simplificação consiste na melhoria contínua por meio da eliminação de desperdícios em todos os processos. Já as novas Tecnologias ajudam a tomar melhores decisões e a reagir às complexidades com maior velocidade. E a Colaboração consiste no compartilhamento de informações, conhecimentos, experiências, estratégias e recursos com outras áreas, empresas ou consumidores.

 

  1. Simplificação

A simplificação se refere a identificar os processos que realmente agregam valor para a operação, para maximizar sua performance e eliminar aqueles que não agregam. A referência de valor deve ser do ponto de vista do cliente, ou seja, o ponto de partida é a identificação do valor para o cliente. Se o que está sendo ofertado não atende este valor, haverá insatisfação e se a oferta vai além do valor haverá desperdício. Depois, é preciso avaliar todo o processo e identificar as etapas que não geram valor para o cliente e elimina-las, assim estaremos evitando os desperdícios de recurso, tempo, etc… Esta é a mentalidade enxuta ou Filosofia Lean.

“O ponto de partida para a Mentalidade Enxuta consiste em definir o que é Valor. Diferente do que muitos pensam, não é a empresa, e sim o cliente quem define o que é valor. Para ele, a necessidade gera o valor, e cabe às empresas determinarem qual é essa necessidade, procurar satisfazê-la e cobrar por isso um preço específico, a fim de manter a empresa no negócio e aumentar seus lucros por meio da melhoria contínua dos processos, da redução de custos e da melhoria da qualidade.”

Fonte: Lean Institute

É importante que este processo de eliminação de desperdício seja feito de forma recorrente, acompanhando a mudança de valor para o cliente. Nesse sentido o PDCA é uma ótima ferramenta para melhoria contínua, em que o P (Plan) refere-se ao planejamento, definindo metas e métodos, o D (Do) refere-se ao treinar, executar e coletar dados, o C (Check) é avaliar resultados e compara-los com as metas e o A (Action) é a ação corretiva, preventiva e de melhoria.

Um exemplo de aplicação da simplificação na gestão logística é a Starbucks, que recebe e distribui itens variados, além de possuir grande número de lojas a serem atendidas globalmente, o que torna a sua operação bem complexa. Após percepção de queda nas vendas e aumento dos custos logísticos, a operação global passou por uma reestruturação que levou à reorganização e simplificação da cadeia em todo o mundo. Saiba mais sobre este caso no post do Alexandre Lobo: Starbucks: reformulação do Supply Chain para reduzir custos.

 

  1. Tecnologia

A automatização é uma das formas mais procuradas para tratar a complexidade, no entanto, antes de investir em tecnologia, é muito importante garantir que os processos já estejam bem desenhados e implementados, pois a tecnologia por si só não trará os resultados potenciais se os processos e as pessoas não estiverem preparados.

A tecnologia pode ser utilizada de variadas formas no supply chain management, é possível pensar em inúmeras aplicações para automação, block chain, aplicativos, internet das coisas, big data, realidade aumentada, impressora 3D, inteligência artificial e por aí vai… A DHL, por exemplo, implementou em seus CDs o vision picking, que seria o uso de smart glasses por seus funcionários no suporte à atividade de picking. O uso do smart glass permite o funcionário escanear e acessar informações importantes como lista dos produtos e sua localização, com as mãos livres. Assista o vídeo para entender melhor a aplicação dessa tecnologia em um armazém:

Para conhecer mais exemplos de tecnologia aplicada ao supply chain, não deixe de ler meu post de 2018 que lista uma série de aplicações da internet das coisas em diversas etapas da cadeia.

 

3. Colaboração

Por meio do compartilhamento de conhecimento, informações e recursos, a colaboração é uma ótima ferramenta de lidar com a complexidade na busca por resultados conjuntos. A colaboração pode ser de diferentes formas e envolver diferentes elos, podendo acontecer dentro da empresa ou com outras empresas da cadeia como clientes, fornecedores, consumidores finais ou até concorrentes.

O Sales and Operations Planning (S&OP) é um processo de planejamento colaborativo entre as áreas envolvidas no atendimento da demanda, passando por comercial até operações. Este processo fornece visibilidade aos trade-offs envolvidos nas diversas decisões de demanda e capacidade, viabilizando a identificação e o aproveitamento de excelentes oportunidades de aumento de receita e redução de custos, mesmo em um ambiente de alta complexidade. O site do ILOS apresenta diversos textos sobre o tema, saiba mais no link: https://www.ilos.com.br/web/?s=s%26OP.

A colaboração entre clientes e fornecedores da cadeia de suprimentos pode apresentar diversos formatos como programas de resposta rápida, VMI, CPFR, entre outros. O compartilhamento de informações em tempo real, a viabilização de ações reativas, com menos dependência de previsões e estoques e a resposta rápida às variações de demanda entre clientes e fornecedores da cadeia só são possíveis por meio de iniciativas colaborativas. Essas iniciativas reduzem o efeito chicote no supply chain e trazem benefícios tanto de aumento de nível de serviço quanto de redução dos níveis de estoque.

Outra forma de colaboração na cadeia é a chamada colaboração horizontal, onde entidades de cadeias diferentes, podendo até ser organizações concorrentes, compartilham suas demandas e estruturas fazendo melhor uso dos recursos. Algumas possibilidades para essa iniciativa são o compartilhamento de armazéns, veículos, frete retorno, entre outras capacidades. Um exemplo interessante de colaboração entre empresas que, á princípio, não tinham relação na cadeia é a parceria entre P&G e a Tupperware: ambos produzem na Bélgica e entregam na Grécia e, enquanto o transporte da P&G era limitado pelo peso, o da Tupperware era restringido pelo volume. A solução conjunta foi o compartilhamento de veículos rodoviários e ferroviários, o que viabilizou a melhor ocupação dos ativos. Neste exemplo, os custos logísticos combinados reduziram em 17% e as emissões de carbono em 30%. Apesar dos leadtimes mais longos, houve aumento de nível de serviço da Tupperware.  Leia mais sobre esta forma de colaboração no post da Thatiana sobre A colaboração horizontal nas cadeias de suprimento.

As cadeias de suprimentos estão cada vez mais complexas e inseridas em contextos cada vez mais desafiadores. A primeira forma de lidar com estes desafios é simplificar, cortando atividades que não agregam valor para o cliente, ou seja, eliminando os desperdícios dos processos. A partir de processos enxutos, a próxima forma de lidar com a complexidade é investir em tecnologia. Dessa forma, é possível tomar melhores decisões e ganhar velocidade de reação. A tecnologia também é uma maneira de viabilizar a colaboração, que é a terceira forma de lidar com os desafios crescentes.  Colaborar com outras áreas dentro da empresa, com outras empresas dentro da cadeia ou com outras cadeias de suprimentos pode trazer benefícios de redução de custo e aumento de nível de serviço para todos os envolvidos. Acredito que o futuro do Supply Chain Management depende da Simplificação, no desenvolvimento de Tecnologia e das relações de Colaboração.

Fontes:

WOMACK, J.P.; JONES, D.T.A Mentalidade Enxuta nas Empresas, 4 ed. Rio de Janeiro, Editora Campus Ltda,1998.

https://www.ilos.com.br/web/starbucks-reformulacao-do-supply-chain-para-reduzir-custos/

https://www.youtube.com/watch?v=I8vYrAUb0BQ&feature=youtu.be

https://www.ilos.com.br/web/exemplos-de-aplicacao-da-internet-das-coisas-no-supply-chain/

https://www.ilos.com.br/web/a-colaboracao-horizontal-nas-cadeias-de-suprimento/

 

Exemplos de aplicação da internet das coisas no supply chain

Há quase um ano escrevi sobre os diferentes estágios de aplicação da IoT no supply chain, dependendo do nível de sofisticação tecnológica empregada. Minha proposta de hoje é trazer alguns exemplos, apresentando a Internet das Coisas de uma forma prática.

Antes de pensarmos nos benefícios da conexão entre as coisas para a cadeia de suprimentos, é importante lembrarmos dos objetivos do Supply Chain Management (SCM), que são maximizar o serviço por meio do aumento dos valores de tempo, lugar, qualidade e informação e, ao mesmo tempo, minimizar os custos por meio da redução de desperdício, minimização do uso de recursos, otimização do uso de ativos e redução dos estoques como ilustrado na figura a seguir:

 Figura 1: Objetivos do Supply Chain Management
Fonte: ILOS

A Internet das Coisas pode contribuir para que o SCM alcance seus objetivos. Ou seja, a IoT pode ajudar trazendo mais valor para o cliente, contribuindo para a entrega do produto na forma, no tempo e no lugar mais adequados e, principalmente, viabilizando o fornecimento das mais variadas informações por meio de tecnologias de rastreamento, sensores e conexão. Além disso, a IoT também pode contribuir com o aumento de eficiência e redução dos custos na cadeia, ajudando com a redução dos desperdícios, otimização dos fluxos de produtos e materiais e otimização da alocação dos recursos por meio do uso da informação em tempo real.

A seguir estão alguns exemplos de iniciativas de aplicação da IoT no Supply Chain Management:

No transporte inbound

  • Rastreamento em tempo real e previsão de chegada
  • Escaneamento automático dos produtos no recebimento

Na armazenagem

  • Gestão automática de estoques com conexão dos porta-paletes
  • Reposição automática dos estoques com a conexão dos porta-paletes com o fornecedor
  • Rastreamento de itens em tempo real
  • Monitoramento da utilização de ativos, como empilhadeiras
  • Detecção de avaria
  • Agendamento automático de manutenção dos equipamentos de acordo com seu desgaste
  • Prevenção de acidentes por meio de sensores
  • Otimização automática de rotas
  • Picking automático
  • Economia no consumo de energia

No transporte outbound

  • Rastreamento de produtos e veículos em tempo real
  • Monitoramento de utilização e ocupação do veículo
  • Agendamento automático de manutenção da frota
  • Previsão de transporte e otimização de rotas (tráfego, cima, etc.)
  • Monitoramento das condições do produto (vibração, temperatura, etc.)
  • Monitoramento de condições de direção (velocidade, segurança, motorista, etc.)

No Customer Service

  • Atualização em tempo real da movimentação e entrega do produto
  • Previsão de vendas colaborativa
  • Monitoramento em tempo real do consumo
  • Pedido automático para reposição dos estoques

É importante pensarmos também na aplicação da IoT no futuro do SCM, que já nos sinaliza algumas transformações como o uso de big data, impressão 3D, robôs, drones, veículos autônomos, etc. Toda essa tecnologia pode ser alavancada com a internet das coisas que será o pano de fundo desta revolução.

A internet das coisas, portanto, é o instrumento transformacional que impacta não apenas as antigas formas de se operar e os tradicionais objetivos do supply chain management, mas também será o grande viabilizador de iniciativas futuras. As empresas que ainda não fazem uso dessa tecnologia, precisam ao menos conhece-la e considera-la em suas estratégias futuras para continuarem competitivas em um mercado cada vez mais conectado.

 

Referências:

http://gtdc.org/wp-content/uploads/2016/06/Internet-of-Things_ATKearney.pdf

‘https://www.ilos.com.br/web/a-evolucao-da-internet-of-things-no-supply-chain-management/

Realidade Aumentada na Logística

A realidade aumentada ainda é vista como uma tecnologia inovadora a ser desvendada, pouco acessível e com a maioria de suas soluções em desenvolvimento. No entanto, está destinada a revolucionar a maneira como conduzimos os negócios nos próximos 5 anos. Suas aplicações são inúmeras e passam por segmentos como entretenimento, redes sociais, saúde e bem-estar, games, educação, entre outros.

A realidade aumentada pode ser definida como uma tecnologia de sobreposição de camadas de informação digital sobre o ambiente real, acabando com as fronteiras entre os mundos físico e digital. Essa tecnologia mune o usuário com a informação correta, na hora certa e no local exato por meio de smartphones, tablets, óculos, lentes e outros dispositivos. Alguns desses dispositivos foram listados pela consultora Fernanda Monteiro no post:  Wearable: transformando operadores em homens de ferro.

Na logística, as aplicações são diversas e passam desde a manuseio de carga internacional, picking, layout de armazém, carregamento de veículos, sistema de navegação no transporte, alertas para obstáculos na via, etc. A seguir são apresentados quatro exemplos de aplicação da realidade aumentada na logística:

Manuseio de carga internacional
O comércio internacional lida com regulamentos de exportação/importação que variam entre os países. Um operador apoiado por um sistema de realidade aumentada poderia avaliar a conformidade dos regulamentos comerciais vigentes de um determinado carregamento e até fazer traduções de forma instantânea, acelerando o processo burocrático de manuseio de cargas internacionais.

Picking
O picking é uma das atividades mais demoradas e sujeitas a erros na armazenagem e, talvez, onde a realidade aumentada mais possa trazer benefícios tangíveis a curto prazo. Os smartglasses desenvolvidos para o picking podem oferecer reconhecimento de objetos, leitura de código de barras, navegação indoor e integração com o WMS, funcionando como um suporte intuitivo e deixando as mãos do operador livres durante o picking. Ao usar um sistema como esse, o operador pode enxergar o picking list digital no seu campo de visão e, graças à função de navegação indoor, ver a rota mais eficiente, reduzindo o tempo de movimentação. Também pode fazer a leitura do código de barras com os óculos e atualizar o WMS em tempo real. Por ser intuitivo, a realidade aumentada também pode reduzir o tempo necessário para treinamentos, o que é uma grande vantagem para uma função que faz muito uso de mão-de-obra temporária.

Planejamento do Armazém
Há muito tempo que os armazéns não são mais apenas espaços para guardar estoque. Eles estão cada vez mais agregando outros serviços à cadeia como montagem de kits, colocação de rótulos, embalagens e até reparos. E para acomodar esses serviços, o armazém precisa passar por constantes adaptações de layouts e processos que podem ser planejados por meio da realidade aumentada. Com a sobreposição de uma simulação digital ao ambiente real, é possível prever as mudanças necessárias na organização do armazém para atender as novas atividades e os impactos nos fluxos, sem mudar fisicamente todo o layout antes de decidir a nova configuração. Dessa forma, as decisões de mudança são mais assertivas e os resultados, mais previsíveis.

Carregamento de Veículos
Para otimizar o carregamento dos veículos é fundamental o planejamento da sua ocupação, que pode ser feito por meio de softwares especializados. Esses programas consideram critérios como conteúdo, peso, dimensões, destinos e processo de entrega para maximizar a utilização do veículo. O gargalo do carregamento, no entanto, não está no planejamento, mas na sua execução. A realidade aumentada pode substituir a lista de carga e instruções de carregamento por uma orientação em tempo real. O visor dos óculos inteligentes poderia apontar o próximo pallet a ser carregado e onde ele deve ser posicionado dentro do veículo. Além de deixar as instruções mais intuitivas, o sistema poderia adaptar o plano de carregamento durante a execução caso algo saia do planejado.
Embora a adoção da realidade aumentada na logística ainda esteja em estágios inicias, ela pode oferecer benefícios significativos em todas as suas funções. Algumas empresas já colhem os benefícios dessa tecnologia como a General Electric que percebeu um aumento de 46% na performance da armazenagem e logística com o uso de óculos inteligentes em 2017. Muitas outras aplicações além das descritas acimas podem se beneficiar da realidade virtual. Você já pensou nessa possibilidade para a sua operação?

 

Referências:
http://www.mhlnews.com/technology-automation/logistics-leader-adopting-augmented-reality

‘http://www.globaltrademag.com/global-logistics/warehousing/augmented-reality-next-big-thing-global-logistics

http://www.dhl.com/content/dam/downloads/g0/about_us/logistics_insights/csi_augmented_reality_report_290414.pdf

Boas práticas do varejo dos Estados Unidos

Responsável por cerca de um quinto das vendas do varejo mundial e sede das principais empresas varejistas do planeta, os Estados Unidos são uma referência quando se pensa nesse segmento. Em recente viagem para o país, mais do que observar práticas inovadoras, foi possível notar como algumas tendências e boas práticas já estão consolidadas por lá.

A automação, caracterizada pela substituição de tarefas geralmente realizadas por pessoas por dispositivos mecânicos e/ou eletrônicos, é uma das principais tendências do varejo e foi uma iniciativa deste tipo que mais me chamou a atenção por lá. Principal rede varejista do mundo, o Walmart já substituiu em algumas de suas lojas todos os caixas por self-checkouts, ou seja, não há funcionários operando o caixa e todo o processo é realizado pelo próprio consumidor. Em máquinas como a mostrada na Figura 1, cabe ao consumidor escanear todos os produtos que deseja comprar no leitor ótico e guardá-los em sacolas. O pagamento também é realizado pelo cliente através de cartão de crédito, débito ou até mesmo dinheiro (a máquina devolve o troco exato para você). Para sair da loja, não há nenhum procedimento especial. Um funcionário eventualmente solicita que o cliente mostre o seu cupom fiscal e as suas compras, algo que não ocorreu durante a minha experiência no hipermercado.

Figura 1 – Self-checkout do Walmart

Fonte: Acervo próprio

 

No estacionamento do Walmart, também pude notar uma grande quantidade de vagas reservadas para clientes do serviço “pickup”. Ao comprar na internet, o cliente tem a possibilidade de buscar os produtos em uma loja de sua escolha sem pagar frete por isso. Para determinados produtos, a retirada pode ser feita inclusive no mesmo dia. Itens de mercearia, como alimentos e bebidas, contam até com um serviço especial. Através do “Grocery Pickup”, o consumidor escolhe durante a compra online em que dia e horário deseja buscar as suas compras e, nesta janela de tempo, um funcionário lhe entrega o seu pedido sem que você precise sair do carro.

Figura 2 – Vagas reservadas para o serviço “pickup”

Fonte: http://sanantoniomomblogs.com/

 

Na Target, outra grande varejista norte-americana, além de também encontrar as vagas no estacionamento reservadas para serviços de “pickup”, notei também práticas relacionadas à visibilidade dos estoques. Em um post anterior, já havia comentado sobre o caso da Macy’s, e desta vez pude experimentar algo similar na Target. No dia em que retornava ao Brasil, estava em busca de um produto que não havia encontrado em outras lojas. Como não havia tempo hábil para comprar online e eu possuía pouco tempo disponível antes de ir para o aeroporto, pesquisei no site da Target em qual filial mais próxima poderia encontrar o produto em estoque, o que de fato aconteceu quando visitei a loja indicada.

Figura 3 – Exemplo de visibilidade de estoque na Target

Fonte: Target.com

 

A facilidade para a troca de produtos comprados tanto online como nas lojas físicas também é outra vantagem conhecida nos varejos dos Estados Unidos. Em geral, há pouca burocracia nestes casos, no qual o cliente pode trocar produtos que até já foram abertos sem precisar apresentar justificativa para tal.

De modo geral, percebe-se que as grandes empresas varejistas dos Estados Unidos estão preocupadas em cada vez oferecer maior praticidade e economizar o tempo do cliente. Iniciativas omnichannel também já são realidade no país, fazendo com que os clientes encontrem cada vez menos barreiras entre a experiência virtual e a física. Para vermos iniciativas parecidas implementadas no Brasil, fica a sensação de que ainda precisamos investir mais em tecnologia, transparência e confiança.

 

Referências

<https://www.emarketer.com/Article/US-Retail-Sales-Near-5-Trillion-2016/1013368>

<https://www2.deloitte.com/global/en/pages/consumer-business/articles/global-powers-of-retailing.html>

<https://www.motherrisingbirth.com/2016/09/my-walmart-grocery-pickup-review.html>

Gerenciamento de operações: Projeto de Processos e 4Vs

Gestores de grandes empresas estão acostumados com o gerenciamento de projetos em seu dia-a-dia, seja na aquisição de novos sistemas, contratação de recursos humanos, alterações de processos, mudanças de estrutura física, compra de novos equipamentos, entre outros. A questão que fica é: como realizar tais mudanças sem mudar o alinhamento mais eficiente das operações da companhia? Como garantir que tais mudanças não resultarão em aumento de custos, que poderiam afetar os benefícios esperados? Alguns conceitos e boas práticas no gerenciamento de operações podem ajudar bastante.

Uma das etapas fundamentais para uma gestão de operações de excelência é o projeto de processos, ou seja, a etapa em que se projetam como serão desenhados e encadeados os processos que irão compor a operação. É nessa etapa em que serão definidos aspectos de alta relevância para que o negócio seja rentável, e para isto é fundamental conhecer e entender as relações existentes entre o que se quer ofertar, para quem e como.

O primeiro ponto para o projeto de processos é o posicionamento dos processos na matriz Volume-Variedade. O volume descreve a quantidade de demanda (fluxo de pessoas ou de produtos) que a empresa atende, enquanto que a variedade rege a amplitude de oferta do portfólio da empresa. Estas duas características estão muito relacionadas, de forma que, em geral, empresas que operam com alto volume possuem baixa variedade e aquelas que possuem baixo volume oferecem alta variedade.

Figura 1 – Matriz Volume-Variedade

Fonte: SLACK, Nigel et al. Gerenciamento de Operações e de Processos: Princípios e práticas de impacto estratégico

 

A Matriz Volume-Variedade apresenta uma diagonal de alinhamento, onde normalmente os empreendimentos estão localizados. Qualquer afastamento dessa diagonal poderia acarretar em custos desnecessários para a empresa, como a perda da chance de ganhar em escala dada que a variedade é baixa (no caso da posição 1) ou uma tentativa de produzir altos volumes, o que seria incompatível com a alta variedade (no caso da posição 2).

Outras duas características importantes para classificação da operação: a variação na demanda (uma pousada de veraneio em Búzios versus um hotel para turismo de negócios em Copacabana) e o grau de visibilidade que o consumidor tem da produção do output (um salão de cabelereiros versus uma fábrica de tintura para os cabelos).

Estas quatro características (volume, variedade, variação e visibilidade) formam os 4 V’s de processo e são fundamentais para as definições do projeto de processos. Em empresas que atuam com baixo volume e alta variedade, normalmente a variação de demanda é alta e o grau de visibilidade também é alto. Em empresas com altos volumes e baixa variedade temos uma variação baixa e uma visibilidade baixa. Desta forma obtemos a matriz processo-produto, em que observamos diferentes tipos de operações de acordo com as características citadas. Classificamos tanto para operações fabris quanto para prestadores de serviços.

Figura 2 – Matriz Processo-Produto para Produtos

Fonte: SLACK, Nigel et al. Gerenciamento de Operações e de Processos: Princípios e práticas de impacto estratégico

 

Figura 3 – Matriz Processo-Produto para Serviços

Fonte: SLACK, Nigel et al. Gerenciamento de Operações e de Processos: Princípios e práticas de impacto estratégico

 

O apropriado posicionamento do empreendimento na matriz processo-produto é fundamental para o sucesso do negócio. E isso se desenvolve em alguns aspectos, como a tecnologia e o projeto de trabalho, por exemplo. A escolha da tecnologia deve refletir a relação volume-variedade, de forma que quanto menor a variedade e maior o volume, maior automação das atividades deveria existir, maior a escala da tecnologia e a conectividade/acoplamento do sistema de processos. De maneira similar, o projeto de trabalho – forma com que as pessoas exercem suas atividades dentro do processo – também deveria refletir a relação volume-variedade. Por exemplo, em realidades de altos volumes e baixa variedade teríamos a divisão da mão-de-obra como o modelo predominante. Cabe ressaltar, todavia, que existem outras abordagens que poderiam ser aplicadas com intuito de engrandecer o trabalho, como o empoderamento dos funcionários na tomada de decisão, o trabalho em equipe, a rotação de funções, etc.

Por fim, definimos o layout dos processos, encarregado de organizar fisicamente os processos de acordo com as características estabelecidas e respeitando a otimização do fluxo de recursos, pessoas, produtos e serviços. Os layouts de posição fixa, por exemplo, são adequados quando existe alta variedade e baixo volume e, portanto, o fluxo não é tão relevante e opta-se pela movimentação dos recursos transformadores e não dos transformados. No outro extremo de nossa matriz teríamos o layout de produto, em que a organização é feita para que o recurso transformado flua ao longo de uma “linha”.

Com o objetivo de executar uma operação eficiente e eficaz, os gestores devem se atentar para a etapa de projeto de processos: situar a empresa na matriz volume-variedade, entender como a variação da demanda e a visibilidade afetarão suas operações e definir, de acordo com a matriz processo-produto, a tecnologia, o projeto de trabalho e o layout mais indicados para que o negócio seja o mais rentável possível.

 

Referências:

<https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/GEM%20Nacional%20-%20web.pdf>

SLACK, Nigel et al. Gerenciamento de Operações e de Processos: Princípios e práticas de impacto estratégico. Bookman Editora, 2013.

 

Entrega de produtos dentro da sua casa: a nova aposta do e-commerce americano

A guerra pela melhoria do serviço no e-commerce parece não ter limites mesmo. Entrega no dia seguinte, no mesmo dia, em uma hora, em casa, no escritório e por drones, entre outras, já são alguns dos serviços desenvolvidos nos últimos anos. Os players desse mercado, porém, não estão de brincadeira quando se fala em aumentar a conveniência para o comprador.

A Amazon mostrou há pouco tempo o Amazon Key, serviço em que o entregador da empresa vai deixar o produto dentro da sua casa. Não na porta, ou numa caixa de correio, mas na mesa da sua sala, ou no corredor.  O ganho por trás da ideia é evitar que entregas tenham retorno por ausência do destinatário, o que também acarreta em custos para a empresa, ou que haja risco de furto da mercadoria, quando deixada em algum local de fácil acesso.  Não apenas produtos, mas até mesmos serviços como limpeza podem ser adquiridos. A nova modalidade já está disponível, a princípio limitado a 37 cidades americanas, e será restrito a assinantes do Amazon Prime.

Vídeo 1 – Amazon Key

Fonte: Amazon

 

Curiosamente, a gigante do e-commerce mundial parece estar até um pouco atrasada nesse quesito. Isso porque o Walmart anunciou em setembro que já testará a entrega não apenas dentro da casa do comprador, mas que também fará a arrumação dos itens nos locais apropriados, inclusive colocando na geladeira os alimentos frios e bebidas.

Figura 1 – Walmart quer entregar suas compras até a geladeira

Fonte: Walmart

 

Evidentemente, a principal preocupação das pessoas ao cogitarem a utilização desse tipo de serviço é com a segurança, afinal, elas estariam permitindo a entrada de estranhos em sua residência sem estarem presentes. Por conta disso, ambos os serviços exigem que o comprador possua uma Smart Lock, que requer autorização remota do dono da casa para entrada de pessoas, e uma Cloud Cam, que permite que o usuário acompanhe em tempo real os que acontece na sua casa durante a entrega. O kit proprietário da Amazon com os dois itens custa $250, o que também deve ajudar a custear a iniciativa.

E aí, o que achou? Gostaria de utilizar algum desses serviços? E qual serão as novas inovações do e-commerce?

 

Referências

https://www.tecmundo.com.br/produto/123460-amazon-lanca-servico-voce-monitorar-entrada-estranhos-casa.htm

http://fortune.com/2017/09/22/walmart-delivery-grocery/

Blockchain no supply chain management: revolução a caminho?

Assim como aconteceu comigo até pouco tempo atrás, você talvez já tenha ouvido falar em bitcoins, mas nunca havia parado para entender toda a estrutura que está por trás desta moeda virtual. Bitcoin é o nome dado para uma criptomoeda gerada via internet, que assim como o dólar, euro ou real, possui uma cotação no mercado. Por conta da sua nova natureza, a cotação do bitcoin é menos estável do que as outras moedas tradicionais (Figura 1). Entretanto, é possível identificar uma crescente valorização do bitcoin, que no dia 04/08/2017, por exemplo, equivalia a 2.866,21 dólares.

Figura 1 – Evolução da cotação do bitcoin entre maio de 2016 e abrl de 2017
Fonte: Coindesk

 

Para dar sustentação a todas as transações desta moeda e tornar o processo seguro, eficiente e barato, existe o blockchain (ou cadeia de blocos), e é neste que muitos apostam para revolucionar o supply chain management. Conforme explicado por Fernando Ulrich, no site InfoMoney, a solução encontrada pelo Bitcoin para impedir o gasto duplo e evitar fraudes consiste no agrupamento das últimas transações da rede em uma espécie de “bloco”, que contém uma referência ao bloco imediatamente anterior. As novas transações são registradas no sistema, repetindo o mesmo processo, formando, assim, uma “corrente de blocos” em ordem cronológica, motivo da denominação blockchain. Esse mecanismo funciona porque todas as transações são públicas (embora não se conheçam as partes transacionando), sendo validadas e registradas por qualquer usuário (conhecidos como mineradores), incrementando a corrente à medida que mais blocos vão sendo agregados.

O blockchain é, portanto, um registro em ordem cronológica de todas as transações que ocorreram na rede e foram compiladas e validadas pelos mineradores. O blockchain é público, único, replicado e compartilhado pelos participantes do sistema. Sua manutenção e atualização ocorrem de forma descentralizada e voluntária, sendo a emissão de novos bitcoins o incentivo dado a quem se dedica à tarefa de mineração. Para entender melhor como o blockchain funciona, confira o Vídeo 1.

Vídeo 1 – O real valor da tecnologia por trás das criptomoedas – O Blockchain explicado.

Fonte: Foxbit

Apesar de ainda estar bastante vinculado ao Bitcoin, o blockchain pode ser utilizado para diversos outros fins, motivo pelo qual vem despertando o interesse de grandes empresas, como o Walmart. Em 2016, o varejista se viu envolvido em problemas de alimentos contaminados por salmonela e enxergou no blockchain uma oportunidade de identificar a origem dos produtos estragados. Já a Maersk, grande operadora logística mundial, tem feito testes com o blockchain para garantir a autenticidade dos dezenas de certificados e documentos atrelados a cada uma de suas cargas transportadas. A gigante de mineração BHP Billiton, por sua vez, está usando a tecnologia para rastrear a análise mineral feita por fornecedores externos.

De forma geral, as empresas têm buscado esta tecnologia para melhor acompanhar o movimento de bens e informações na cadeia e melhorar a utilização dos recursos. Uma vantagem fundamental deste sistema distribuído, onde nenhuma empresa tem controle, é que ele resolve problemas de divulgação e responsabilização entre indivíduos e instituições cujos interesses não estão necessariamente alinhados. Por não demandar intermediários entre as operações, outra grande vantagem do blockchain é o dinamismo que ele garante para a cadeia.

Enquanto no Bitcoin a estrutura é aberta e extremamente descentralizada, de forma que qualquer pessoa pode estudar os protocolos e se juntar a rede, empresas como IBM,  Microsoft e diversas startups estão montando os seus próprios sistemas, sinalizando uma corrida pela liderança na tecnologia. Além do tempo necessário para se chegar a um padrão e concordância da indústria sobre as melhores práticas, ainda será preciso superar algumas barreiras para ver o blockchain se proliferar entre as cadeias de suprimentos.

Primeiramente, líderes empresariais e organizações precisarão se abrir para compartilhar informações tratadas muitas vezes como sigilosas com parceiros que estarão invisíveis na rede.  Ademais, questões relacionadas a governança global também são um obstáculo a ser vencido, uma vez que existirão tanto protocolos livres quanto protocolos fechados, o que exigirá acordos e padrões para garantir a compatibilidade dos blocos. Conciliar um conjunto complexo de regulamentos, leis marítimas e códigos comerciais que governam os direitos de propriedade e posse dos bens pelo mundo com esta natureza digital, desmaterializada, automatizada e desnacionalizada do blockchain também não parece ser tarefa trivial.

Por se tratar de uma tecnologia complexa e que envolve transações importantes, é de se esperar que ainda serão necessários alguns anos para ver o blockchain plenamente difundido entre as principais cadeias de negócios do mundo. No entanto, tudo indica que é questão de tempo, e não de potencial.

 

Referências

<https://foxbit.com.br/blog/o-que-e-bitcoin/>

<http://www.infomoney.com.br/blogs/cambio/moeda-na-era-digital/post/4020628/bitcoin-blockchain>

<https://www.nytimes.com/2017/03/04/business/dealbook/blockchain-ibm-bitcoin.html?_r=1&mod=djemlogistics>

<https://hbr.org/2017/03/global-supply-chains-are-about-to-get-better-thanks-to-blockchain>

<https://www.forbes.com/sites/joemckendrick/2017/04/21/why-blockchain-may-be-your-next-supply-chain/#1e60d4c313cf>