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Como os robôs estão transformando o trabalho nos centros de distribuição do mundo

Em um post recente, o Henrique escreveu sobre como a revolução digital pela qual estamos passando tem afetado e como poderá afetar os cargos de trabalho que conhecemos hoje. Aliás, essa questão do “desemprego tecnológico” é uma discussão antiga. Em 350 a.c. Aristóteles já ponderava sobre “o que seria dos servos se a lira tocasse sozinha?”.

O assunto também é frequentemente estudado e discutido entre economistas. Muitos argumentam que os avanços tecnológicos geram sim um desemprego, porém um desemprego momentâneo. A substituição do trabalho braçal por máquinas na Revolução Industrial teria levado a eliminação de cargos em um primeiro momento, porém, no fim, prevaleceu um aumento de produtividade que permitiu gerar mais e riquezas e, consequentemente, mais empregos.

Um exemplo clássico mais recente é ilustrado por David Autor em uma TED Talk do ano passado, sobre os caixas eletrônicos no setor bancário nos EUA. Os números são os seguintes: em 1970, antes da introdução dos caixas eletrônicos, o número de empregados como caixa de banco era da ordem de 250 mil. Em 2016, esse número foi da ordem de 500 mil, o dobro da quantia 46 anos antes da introdução dessa tecnologia disruptiva! O que aconteceu foi que a introdução de caixas eletrônicos barateou a abertura de novas filiais, gerando um aumento de empregos de forma geral. Além de mais empregos, a natureza do trabalho mudou também. Trabalhos repetitivos e de baixo valor foram assumidos pelas máquinas, e os cargos passaram a exigir um trabalho mais sofisticado, envolvendo habilidades de relacionamento com os clientes, solução de problemas e vendas de produtos (cartões, investimentos, etc.).

Os economistas Andrew McAfee e Erik Brynjolfsson, porém, constataram que nos últimos 15 anos os avanços tecnológicos resultaram em um aumento de produtividade muito mais acelerado do que a criação de novos empregos.

Em julho do ano passado, a Mckinsey divulgou o resultado de uma pesquisa que avaliou quais trabalhos serão ou não substituídos por robôs em um futuro próximo. No estudo, foram analisadas cerca de 2.000 atividades, foram quantificados os tempos gastos nessas atividades e analisada a viabilidade técnica de automatizá-las nos EUA. A Figura 1 mostra os resultados do estudo, sugerindo que 45% do tempo gasto com atividades nos EUA poderiam ser automatizadas. O estudo reconhece que outros fatores como custo de implementação e regulamentações governamentais também afetam fortemente a viabilidade de automatização ou não, porém, a viabilidade técnica seria o primeiro fator condicional para que essas automatizações pudessem ocorrer.

Figura 1 –Percentual de tempo gasto com atividades que poderiam ser automatizadas. Fonte: Mckinsey, adaptado por ILOS: Where machines can replace humans – and where they can’t (yet)

 

A Figura 2 mostra esses resultados para 7 categorias de atividade: gestão de pessoas, aplicação de expertise (trabalhos de tomada de decisão, planejamento e trabalhos criativos), interações com stakeholders, trabalho físico “pouco previsível”, coleta de dados, processamento de dados e trabalho físico “altamente previsível”. Vemos que essa última categoria representa um terço de todo o tempo gasto com atividades que poderiam ser automatizadas.

Figura 2 –Percentual de tempo que poderia ser automatizado por categoria de atividade. Fonte: Mckinsey, adaptado por ILOS: Where machines can replace humans – and where they can’t (yet)

 

Muito se fala em veículos autônomos, por exemplo, e na ameaça de redução de empregos de motoristas. Porém, esse tipo de tecnologia ainda está sendo testada em ambientes altamente controláveis. Robôs são pré-programados para lidar com um conjunto finito de situações previstas, e, portanto, sua implementação em processos logísticos de distribuição de carga nos próximos anos parece pouco provável. A entrega last-mile através de drones também ainda tem muito a desenvolver, apesar dos recentes avanços. Isso fora as questões regulamentárias. O estudo da Mckinsey estima que 25% do tempo gasto em atividades de trabalho físico “pouco previsível” poderiam ser automatizadas.

Por outro lado, quando se trata de trabalhos que envolvem uma carga alta de trabalho físico previsível, este percentual foi quantificado em 78%. Em um contexto logístico, pensamos logo nas atividades realizadas em um centro de distribuição. Aliás, muitas dessas tarefas, principalmente de picking, já sofreram uma grande elevação no grau de automatização em alguns centros de distribuição no mundo.

Em fevereiro do ano passado, o Fernando relatou o caso da divisão de aluguel de DVDs e Blu-rays da Netflix. Com o advento dos serviços de streaming e mídia digital recentemente, essa divisão pouco conhecida da Netflix perdeu muita demanda, mas a empresa decidiu não abandonar o segmento. Porém, continuar com a mesma estrutura operacional não era uma opção viável. A empresa investiu na automatização dos 33 centros de distribuição com a introdução de máquinas do tipo amazing arm, que possuem uma produtividade 5 vezes maior do que uma operação manual. Os centros continuaram precisando de pessoas, porém o número de funcionários necessários para o manuseio dos discos caiu de mais de 100 para 25.

De forma mais marcante, temos também o caso da Amazon. Em 2012 a empresa adquiriu a Kiva Systems, empresa especializada no desenvolvimento de sistemas de automação. A razão por trás da aquisição era o aumento de produtividade para aceleração de seu processo de expansão. Os robôs começaram a ser utilizados mesmo em 2014, e no final desse ano sabemos que foram instalados 15 mil robôs em 10 centros de distribuição nos EUA. Em outubro de 2015, esse número duplicou, alcançando a marca de 30 mil robôs em 13 centros (https://www.ilos.com.br/web/forum-de-davos-e-os-robos-na-logistica/). A empresa reporta que a automatização gerou um corte de 20% dos custos operacionais, que se traduz em aproximadamente $22 milhões por centro de distribuição. O Deutsche Bank estima que a Amazon poderia cortar mais $800 milhões se estender o processo para os outros 110 centros. Os robôs Kiva levam os racks que contém os produtos necessários para compor o pedido até o operador de picking, cortando o tempo de ciclo de 60-75 minutos para 15 minutos.

Vídeo 1 – Um dia na vida de um robô Kiva

A Amazon também trabalha com o Robo-Stow, um dos maiores braços robóticos do mundo, cujo objetivo é movimentar grandes quantidades de estoque, e com sistemas mais avançados de visão, que usam imagens para avaliar a carga e automaticamente fazer o upload da informação no sistema, permitindo o descarregamento de uma carreta em 30 minutos ao invés de horas.

Ainda esse ano, a DHL começará a implementação de um projeto piloto com o uso dos robôs Locus da Quiet Logistics. Assim como na Amazon, esses robôs não substituem completamente o trabalho humano, mas a empresa afirma que é possível aumentar a produtividade de um armazém em 8 vezes. Os robôs agilizam a localização e movimentação dos itens de picking. Além do aumento de produtividade, fala-se em aumento da acurácia da operação também, já que o trabalho manual está sujeito ao erro humano.

Outras implementações incluem a DB Schenker Logistics, que está automatizando seu processo de picking na Escandinávia com o sistema CarryPick da Swisslog (um mini-veículo que faz o abastecimento das estações de picking de forma similar aos robôs Kiva), e o uso da tecnologia AutoStore também da Swisslog para automatização do processo de picking das operações do centro de distribuição da Texas Instruments na Cingapura.

Dentro da cadeia de suprimentos, esse “advento dos robôs” por enquanto é mais palpável na área de armazenagem, e muitas dessas tecnologias por enquanto ainda não substituem por completo o trabalho humano. Porém, não há dúvidas de que os ganhos de produtividade levam a uma necessidade menor de força humana de trabalho, já que atividades repetitivas podem ser feitas com mais qualidade e de forma mais rápida por robôs. Portanto, é inevitável que certos cargos dessa natureza diminuam à medida em que a automatização das operações é mais difundida. Por outro lado, haverá uma demanda maior por cargos relacionados à automação, robótica, programação e manutenção de robôs.

Referências:

Radu Palamariu – How are robots impacting recruitment in Supply Chain and Logistics? <https://www.linkedin.com/pulse/how-robots-impacting-recruitment-supply-chain-radu-palamariu-7>

Business Insider – Companies that  use robots instead of humans. <http://www.businessinsider.com/companies-that-use-robots-instead-of-humans-2016-2/#spreads-robot-lettuce-farmers–harvest-30000-lettuce-heads-every-day-1>

Business Insider – Amazon doubled the number of Kiva robots. <http://www.businessinsider.com/amazon-doubled-the-number-of-kiva-robots-2015-10>

Business Insider – Kiva robots save money for Amazon. <http://www.businessinsider.com/kiva-robots-save-money-for-amazon-2016-6>

IMC – IoT M2M Council – DHL pilots robotics in life sciences warehouse <http://www.iotm2mcouncil.org/dhllocus>

Robô vai entregar as compras na sua casa

No ano passado, falamos aqui de um robozinho elétrico criado por uma startup da Estônia para pequenas entregas nas grandes cidades. Desenvolvido para percorrer as calçadas das cidades a uma velocidade média de 4km/h, o dobro da velocidade de uma pessoa caminhando, ele já passou por nove meses de testes em pequenas cidades de 12 países europeus e, a partir de julho, entra em uma nova fase, participando de entregas reais no Reino Unido, na Alemanha e na Suíça.

Nesta última fase de testes, serão utilizadas dezenas desses robôs elétricos que farão entregas para empresas como a britânica Just Eat (de entregas de comida), a varejista Metro, da Alemanha, e a Hermes em 5 cidades, dentre elas Londres, Düsseldorf e Berna. A expectativa é de que os últimos testes durem entre 6 e 8 meses, e em 2017, o robô entre em definitivo no mercado.

Vídeo 1 – Assista à entrevista de um dos fundadores ao site Techcrunch

Fonte: Techcrunch

A ideia do novo robô é automatizar as pequenas entregas que acontecem no dia a dia, como refeições, remédios e pequenos pacotes. O usuário vai fazer a compra pela internet e poderá acompanhar a entrega através de um aplicativo, que também servirá como “chave” para abrir o robô. Do outro lado, o lojista só vai precisar carregar o robô com até 18kg em produtos e enviá-lo para o cliente em um raio de 5km.

Além de facilitar essas pequenas entregas diárias, o novo robô também vai facilitar as trocas de produtos. O cliente vai poder comprar um sapato ou uma camisa, testá-lo em casa e, se precisar trocar, deverá apenas colocar o produto de volta no robô, que fará o retorno da mercadoria praticamente sem custo.

robô - post blog - ILOS

Mas e a segurança das entregas? Bom, esse é um problema de toda grande cidade, mas a equipe da Starship Technologies, criadora do robô, garante não estar preocupada. O robô é equipado com seis câmeras e está sempre conectado à internet, sendo monitorado por um operador humano em centros de controles. Além disso, ele também vem equipado com microfones e caixas de som, para permitir a interação com humanos e, em situações inusitadas, pedir para uma criança não sentar nele.

Referências:

<https://techcrunch.com/2016/07/06/self-driving-delivery-bots-europe/>

<https://www.starship.xyz/>

Walmart testa drones na gestão da armazenagem

Depois da Amazon e seus robôs, agora é a vez do Walmart apostar nas novas tecnologias para melhorar a operação nos seus Centros de Distribuição. Em maio, a gigante do varejo anunciou que está investindo em drones na gestão da armazenagem em seus mais de 150 centros de distribuição nos Estados Unidos.

walmart-ILOS

O anúncio do uso da nova tecnologia veio junto com uma demonstração para um grupo de repórteres no centro de distribuição de Bentonville, Arkansas. Nos testes, um drone equipado com câmeras voou pelos corredores do CD de secos do Walmart escaneando os itens estocados a uma velocidade de 30 imagens por segundo. Controlada por apenas um funcionário, a aeronave simulou os movimentos de uma pessoa utilizando uma empilhadeira para fazer a inspeção do estoque.

A expectativa dos executivos da Walmart é que os drones cataloguem em um dia o que um grupo de funcionários levaria um mês para registrar. Além de acelerar consideravelmente a gestão da armazenagem, o processo também reduz a quantidade de funcionários na operação, o que pode liberar a equipe para outras tarefas.

Vídeo 1 –Walmart testa drones na gestão da armazenagem

Fonte: KGNS.tv

Esse não é o único projeto do Walmart envolvendo drones. Em novembro de 2015, a empresa entrou com um pedido na Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos para testar o uso de drones em entregas em domicílio, nos moldes do que a Amazon já vem testando. Ambos projetos são conduzidos pelo grupo de tecnologias e ciências emergentes do Walmart, que analisa também o uso de realidade virtual e inteligência artificial para aperfeiçoar a cadeia de suprimentos da empresa.

Segundo os planos do Walmart, os drones devem estar “trabalhando” nos CDs da empresa em um prazo de seis a nove meses. Cada centro de distribuição do Walmart nos Estados Unidos ocupa uma área de aproximadamente 100 mil m2, o equivalente a mais de 11 campos de futebol do tamanho do Maracanã, e atende entre 100 e 150 lojas em um raio de 250 km.

 

Referências:

<http://corporate.walmart.com/our-story/our-business>

<http://www.nytimes.com/2016/06/03/business/walmart-looks-to-drones-to-speed-distribution.html?smid=tw-nytimestech&smtyp=cur&_r=0>

<http://www.theverge.com/2016/6/2/11845366/walmart-drones-warehouse-robots-jobs>

<http://www.engadget.com/2015/10/26/reuters-reports-walmart-is-asking-faa-for-permission-to-fly-dron/>

O porto de Roterdã e os robôs

A febre dos robôs também pegou um dos principais portos da Europa. Conhecido desde a década de 90 por sua automação, em 2015, o porto de Roterdã passou a contar com o seu primeiro terminal de contêineres totalmente automatizado. A nova área é controlada pela APM Terminals, que, no Brasil, possui terminais de contêineres em Pecém (CE) e Itajaí (SC).

Porto de Roterdã - Missão ILOS

Figura 1 – Em 2011, os robôs já chamavam a atenção do grupo da Missão Internacional organizada pelo ILOS

Fonte: ILOS

 

Seguindo a linha da Amazon, o terminal da APM em Roterdã utiliza os robôs para otimizar a operação, além de aumentar a segurança dos trabalhadores. Oito guindastes elétricos fazem a carga/descarga dos navios, com os operadores localizados em uma sala de comando, onde estão as oito centrais com joystick e seis telas por guindaste. O sistema conta ainda com 62 caminhões-robôs responsáveis pela movimentação dos contêineres pelos pátios de armazenagem e para os caminhões e trens que os levarão para fora do porto.

 

Vídeo 1 – Simulação com os robôs durante inauguração do terminal da APM em Roterdã

Fonte: APM Terminals

 

O novo terminal completamente automatizado seria uma resposta aos clientes, que vinham pedindo à APM Terminals maior agilidade nas operações de carga e descarga dos navios. Embora não sejam mais rápidos do que os mais modernos guindastes não automatizados em operação, os novos equipamentos da APM Terminals devem trazer um crescimento de até 50% na movimentação de contêineres quando o terminal estiver totalmente operacional, pois minimizam as falhas humanas tradicionalmente existentes nesse tipo de operação.

 

Vídeo 2 – Operação automatizada de movimentação de contêineres no terminal da APM

Fonte: ECT Rotterdam

 

Inicialmente, a expectativa é de que o novo terminal da APM movimente 2,7 milhões de TEUs em seu primeiro ano de funcionamento, podendo chegar a 4,5 milhões de TEUs quando estiver totalmente operacional. Apenas como base de comparação, em 2015, o porto de Roterdã todo movimentou pouco mais de 12 milhões de TEUs.

 

Referências:

<http://fortune.com/2015/12/21/rotterdam-port-robots-strike/>

<http://www.maersk.com/en/the-maersk-group/about-us/publications/group-annual-magazine/robots-running-things-in-rotterdam>

<https://www.portofrotterdam.com/>

<http://worldmaritimenews.com/archives/160340/video-grand-opening-of-apm-terminal-maasvlakte-ii/>

Internet of Things (IoT) e Nanotecnologia: aonde iremos chegar em Supply Chain Management?

Ainda inspirado pela Campus Party Brasil 2016, comecei a divagar e a imaginar possíveis caminhos para o uso da tecnologia em Supply Chain Management no futuro. Obviamente, o uso de tecnologia já é uma realidade em nossa área e a grande maioria das empresas não conseguiria lidar com a complexidade de suas operações sem o uso de ferramentas tecnológicas. No entanto, há indícios suficientes para acreditarmos que estamos muito próximos de uma revolução provocada pela Internet of Things (IoT) e a Nanotecnologia.

Em outro post, já havia comentado sobre os possíveis impactos da IoT em nossa área, apresentando algumas iniciativas já existentes. No entanto, podemos tentar imaginar um futuro ainda mais distante com as ferramentas já disponíveis, incluindo aí a nanotecnologia, que promete revolucionar as atividades de embalagem, postergação e monitoramento e integração.

 

Embalagem

As embalagens são extremamente importantes para a movimentação de mercadorias, garantindo proteção e unitização. Além disso, com o uso de códigos de barras e etiquetas de RFID, é possível controlar os níveis de estoque e rastrear os produtos ao longo da cadeia de suprimentos. No entanto, a viabilidade econômica deste monitoramento só é possível, hoje em dia, a partir de um determinado nível de agrupamento mínimo de produtos, a partir do qual o custo de embalagem e rastreamento se torna factível.

Com a nanotecnologia, começa-se a vislumbrar a possibilidade de criarmos “escudos invisíveis”, formados por partículas microscópicas capazes de proteger os produtos em suas dimensões unitárias. Estas micropartículas podem funcionar também como sensores capazes de detectar e proteger a carga contra variações de temperatura e umidade, além de garantir rastreabilidade em toda a cadeia de suprimentos, inclusive nas casas dos consumidores.

O Vídeo 1 apresenta uma demonstração do funcionamento prático da nanotecnologia. A partir daí, podemos imaginar frutas e legumes “embalados” individualmente, protegidos de bactérias, umidade e calor, com shelf life muito maior, reduzindo desperdícios e custos na cadeia de suprimentos alimentícia, por exemplo.

Vídeo 1 – Uma demosntração muito seca

Fonte: Mark Shaw – TED Talk

 

Postponement

A nanotecnologia também promete revolucionar as práticas de postergação, tão importantes para a redução de estoques ao longo da cadeia de suprimentos. Hoje, a postergação é limitada a setores onde o prazo de entrega para o cliente permite a finalização do produto após a colocação do pedido, como na indústria automobilística. Também, em alguns casos mais raros, os armazéns podem funcionar como centros de finalização de embalagens e preparação de kits promocionais.

Em um futuro ainda distante, as nano partículas permitirão a customização do produto, como mudança de cor e mesmo de sabor, até mesmo para indústrias de fast-moving consumer goods (FMCG). A finalização poderá ocorrer durante o transporte e, sonhando mais alto, na própria casa do consumidor.

Integrado com o avanço da IoT, podemos imaginar que robôs de reposição de gôndolas (ou mesmo gôndolas “inteligentes e conectadas”) se comunicarão com o fornecedor para informar que determinada fragrância de sabão em pó está sendo consumida com maior velocidade, fazendo com que micropartículas sejam “ativadas” dentro das caixas de sabão em pó que já saíram do centro de distribuição.

 

Monitoramento e Integração

Sem dúvida alguma, é neste tema que mais podemos “viajar” quando pensamos no futuro do Supply Chain Management. Já é possível sonhar, fundamentados na tecnologia existente de IoT e Nanotecnologia, com a intercomunicação entre os diferentes “atores” da cadeia de suprimentos, que se auto coordenarão através de cloud computing e inteligência artificial.

É possível vislumbrar as informações de consumo fluindo diretamente dos produtos para drones e veículos autônomos, robôs de armazenagem e impressoras 3D. Rotas calculadas com precisão a partir de outros produtos que estão em trânsito. Reposição dos estoques com base no consumo real, não mais em previsões. Problemas operacionais, quebras e necessidade de manutenção informados diretamente pelos equipamentos e veículos. Preços ajustados automaticamente pela demanda e a capacidade disponível informada pelos recursos e produtos disponíveis.

Ficção científica? Vale a pena ver a entrevista com o professor Marcelo Zuffo, do departamento de engenharia de sistemas eletrônicos da escola politécnica da USP, no programa Roda Viva desta semana sobre as mudanças que o avanço da tecnologia trará para a vida das pessoas.

Vídeo 2 – Entrevista com o Professor Marcelo Zuffo

Fonte: TV Cultura – Roda Viva 25/01/2016

 

Referências

<https://www.ifama.org/files/20120066.pdf>

<https://www.ted.com/talks/mark_shaw_one_very_dry_demo>

<https://youtu.be/km7xL4IgR7k>

<https://www.ilos.com.br/web/internet-das-coisas-iot/>

<https://www.ilos.com.br/web/vamos-imprimir-mais/>

<https://www.ilos.com.br/web/postponement-como-mecanismo-de-reducao-de-estoques/>

<https://www.ilos.com.br/web/demand-driven-supply-chain/>

 

Fórum de Davos e os robôs na logística

Robos_Amazon

Esta semana, alguns dos mais influentes empresários e líderes mundiais estão reunidos em Davos, na Suíça, para mais um encontro anual do Fórum Econômico Mundial. No meio das tradicionais discussões sobre os rumos da economia e da sociedade mundial, um tema se destaca: o crescimento da inteligência artificial, da automação e dos robôs nas indústrias.

Esse movimento já é apontado por especialistas como a quarta Revolução Industrial e promete transformar profundamente a indústria não apenas pela ampliação no uso de robôs, mas também pela ligação desses dispositivos em rede, pelo uso de sensores e pelo tratamento de dados em grande escala. Naturalmente, essa inteligência artificial se estende à logística e à cadeia de suprimentos, e a expectativa é que agilize as entregas e reduza os erros nos pedidos.

Nos Estados Unidos, a Amazon comprou a fabricante de robôs Kiva e já possui mais de 30 mil robôs kiva em 13 dos seus 50 centros de distribuição para ajudarem nas atividades de picking e packing. Devido à integração dos sistemas, os robôs sabem onde estão os milhões de itens armazenados e literalmente carregam as estantes para as equipes de picking e packing, que fazem a separação dos produtos. O novo sistema permitiu que a Amazon aumentasse em 50% seu espaço de armazenagem sem ampliar a área física e gerou aumento significativo de eficiência para a operação da varejista norte-americana.

Vídeo 1 –Robôs da Amazon em operação no centro de distribuição da Califórnia

Fonte: CNET

 

No Brasil, a Natura também investe na automação dos seus centros de distribuição. Em 2015, a empresa inaugurou um novo hub logístico em Itupeva, São Paulo, com capacidade para armazenar 3,6 milhões de caixas com produtos acabados. Além do CD com 13 transelevadores de paletes, 4 robôs para paletização/despaletização, 20 shuttles para operações com caixas e 2 esteiras telescópicas, foram desenvolvidas carretas que permitem o seu carregamento e descarregamento totalmente automático em apenas 5 minutos.

Vídeo 2 – Novo hub logístico automatizado da Natura em Itupeva

Fonte: SSI Schaefer Brasil

 

Os próximos anos prometem ser de muitos investimentos em automação, nas indústrias e em seus centros de distribuição. Esse novo momento vai exigir esforço não apenas das empresas, mas também dos profissionais de logística, que deverão se qualificar para se enquadrar nos novos perfis procurados pelas empresas. Cada vez mais os trabalhos repetitivos serão realizados por robôs, restando aos humanos as tarefas mais complexas e que exijam criatividade.

 

Referências:

<http://www.tecnologistica.com.br/destaque/natura-inaugura-hub-logistico-itupeva/>

<http://www.bbc.com/news/business-20754979>

<http://cerasis.com/2015/07/06/robotics-in-logistics/>

<http://www.roboticsbusinessreview.com/article/mobile_robots_become_essential_to_competitive_logistics>

<http://www.businessinsider.com/amazon-doubled-the-number-of-kiva-robots-2015-10>

<http://www.ibtimes.com/davos-2016-need-embrace-robot-revolution-not-fear-it-tech-leaders-say-2272199>

Para revolucionar a distribuição urbana, drones? Não, robôs!

Seguidamente vemos na mídia notícias sobre empresas testando o uso de drones para realizar a entrega de produtos diretamente para clientes, o chamado last mile. Esta última etapa da cadeia de suprimentos é uma das maiores dores de cabeça de gestores logísticos, pois realizar essa entrega de forma eficiente, considerando todas as restrições inerentes aos grandes centros urbanos, é uma tarefa complexa e muito cara.

Pensando nisso, os co-fundadores do Skype, Ahti Heinla e Janus Friis, criaram uma start-up com objetivo de revolucionar o mercado de distribuição.  A Starship Technologies é uma pequena empresa, com escritórios na Inglaterra e na Estônia, que está desenvolvendo robôs capazes de fazer entregas localmente em um raio de até 5km (Figura 1). Os robôs são projetados para serem conduzidos de forma autônoma durante 99% do tempo e utilizam peças “de prateleira”, além de se tratar de uma tecnologia verde, livre de emissões de CO2, pois eles são carregados por baterias e consomem menos energia que a maioria das lâmpadas.

Starship

Figura 1 – Starship robots

Fonte: Starship

 

As máquinas foram projetadas para andar nas calçadas e possuem sensores que permitem com que elas atravessem sinais, ajustem a sua velocidade e impeçam com que elas esbarrem em pedestres e objetos, recebendo por isso o apelido de robôs gentis. Além disso, operadores humanos que monitoram constantemente os starships robots podem assumir o seu controle em caso de qualquer problema. Veja no vídeo 1 como funcionam os robôs.

Vídeo 1 – Funcionamento dos robôs da Starship

Fonte: Starship

 

Os robôs são leves e muito baratos e o objetivo da empresa é reduzir os custos atuais de entrega por viagem cerca de 10 vezes, revolucionando a forma como mercadorias são entregues. As primeiras versões desenvolvidas suportam cargas de até 18 kg e se locomovem numa velocidade de no máximo 6,4 km/h.

A ideia é que as encomendas fiquem armazenadas em hubs espalhados pela cidade e, após selecionar no aplicativo do celular a opção de entrega, os clientes receberiam o seu pedido em até 30 minutos e poderiam rastrear todo o percurso dos robôs pelos seus dispositivos móveis. No tocante à segurança, os robôs se locomovem trancados e só podem ser abertos pelo smartphone do cliente.

O projeto ainda está em fase de testes e demonstrações, mas a expectativa da Starship é já criar serviços-piloto com empresas parceiras dos Estados Unidos e Reino Unido ano que vem.

Apesar de todos os avanços tecnológicos já alcançados, imaginar a utilização de drones e robôs de entregas como estes em larga escala ainda parece a realidade de um futuro distante, retirado de algum episódio do desenho animado Os Jetsons. Quando pensamos no Brasil, onde nem mesmo modais mais tradicionais de transporte possuem infraestrutura adequada e a todo momento vemos notícias de caminhões de carga sendo roubados, este cenário parece utópico. Será que empresas como a Starship conseguirão mesmo essa revolução? A aguardar as cenas dos próximos episódios!

 

Referências

<https://www.starship.xyz/>

<https://www.youtube.com/watch?v=MEWfsVPqKi4>

 

IMPACTOS DE TECNOLOGIAS EMERGENTES NAS EMPRESAS E NO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Pela terceira vez, a ProMat (veja detalhes no BOX) foi realizada conjuntamente à Automate, em centro de convenções em Chicago, nos Estados Unidos. Foi uma experiência profícua para refletir sobre o papel da tecnologia no ambiente competitivo das empresas, assim como no desenvolvimento econômico em geral. Este artigo tem como objetivo discorrer sobre o atual processo de convergência de tecnologias que está viabilizando um salto de produtividade em supply chains e possibilitando a formação de networks globais direcionados pela demanda.

 

Referência para o mercado de logística

Maior feira de equipamentos e soluções tecnológicas para o setor de logística e cadeia de suprimentos das Américas, a ProMat 2013 foi realizada no período de 21 a 24 de janeiro, no McCormick Place, em Chicago, nos Estados Unidos, contando com a participação de 785 empresas expositoras e mais de 34 mil visitantes de 125 países.

Promovida pela Material Handling Industry of America (MHIA), a Promat ocupou um espaço de 300 mil m² onde foram exibidas as últimas novidades em equipamentos para embalagem, armazenagem, gerenciamento de estoque e tecnologia da informação, entre outras soluções direcionadas à cadeia logística.

Em paralelo ao evento, houve também a programação de conferências Automate 2013, que contou com exposições de empresas especializadas em automação, como a Mitsubishi Electric Automation, Kawasaki Robotics, Lincoln Electric e Schneider Packaging Equipment.

 

Pontos de interesse na visitação

A ProMat abrange amplamente os equipamentos de movimentação de materiais e sistemas de informação aplicados, tais como: as tradicionais empilhadeiras, esteiras e estanterias; passando pelos sistemas de reconhecimento de voz, picking to light, e os de semiautomação do tipo goods-to-person, em que os itens são transportados por uma combinação de transelevadores, esteiras e shuttles à estação de trabalho do separador de pedidos; até os sistemas de automação – ASRS, AGV e sistemas de manuseio unitário e–; além de sistemas de integração, planejamento e execução, tais como WMS, TMS e simulação.

A Automate concentra-se em sistemas de automação, com destaque para a robótica. Um bom exemplo é o sistema que se utiliza de robôs, que literalmente desloca estantes com produtos dentro do espaço do armazém, posicionando-as dinamicamente com base no volume, e levando-as até o local dos separadores de pedidos, que recebem instruções das quantidades por pedido. Veja o vídeo, muito interessante, dos robôs da Kiva em ação (http://www.youtube.com/watch?v=lWsMdN7HMuA), que é o coração do sistema de automação de movimentação de materiais baseado no conceito de goods-to-man picking process. A Kiva, que foi recentemente comprada pela Amazon, é uma precursora desse tipo de sistema, que propicia um aumento expressivo de produtividade. Sua concepção demonstra uma mudança radical de paradigma de projeto de um armazém.

Dentre outros equipamentos de robótica muito interessantes e inovadores, destacam-se aqueles de movimentação baseados na identificação ótica de objetos. Esses fazem parte de sistemas que determinam o objeto a ser deslocado por meio de sensores óticos, que por sua vez direcionam o equipamento de maneira precisa para, independentemente da posição espacial do objeto, retirá-lo da posição original e deslocá-lo para o destino predeterminado.

Robô de manuseio unitário

Robô de manuseio unitário

 

Imagine uma caixa cheia de peças diferentes e desarrumada. O equipamento faz uma leitura do interior da caixa, procurando o item especificado em sua memória, para então acionar o braço mecânico que irá retirar a peça desejada, seja qual for a sua posição, de maneira rápida e precisa.

O mesmo princípio foi notado em um robô-empilhadeira que “lê” a face do baú (ou carreta) de um caminhão, com caixas empilhadas, dos mais variados tamanhos, para então proceder a retirada das caixas de maneira lógica, se adequando às posições e dimensões das mesmas, sem nenhuma ação humana.

Robô acionado por identificação ótica de objetos

Robô acionado por identificação ótica de objetos

 

Palestra e insights

Com relação à série de palestras, destaque para o “Impacto da Robótica no Crescimento da Economia”, proferida pelo professor Henrik Christensen, da Georgia Institute of Technology, nos Estados Unidos. Foi muito instigante ao demonstrar que o surgimento de uma nova “onda” de robôs e automação está revolucionando os processos industriais e de distribuição física, conforme acima exemplificado.

Henrik Christensen, da Georgia Tech, apontou o surgimento de uma nova “onda” de robôs

Henrik Christensen, da Georgia Tech, apontou o surgimento de uma nova “onda” de robôs

 

Ele ressaltou que estamos em um processo de convergência e integração tecnológica que está sendo viabilizado pelo estágio atual de maturação de vários tipos de tecnologias de comunicação e informação introduzidas nas últimas décadas. Dentre as tecnologias em diferentes estágios de maturidade, podemos destacar: sistemas avançados de planejamento; RFID; GPS; Web EDI; código de barras 2D; identificação ótica de objetos; smart technology; comunicação entre máquinas; Big Data & Analytics Capabilities – relacionado à capacidade analítica de um volume extraordinário de dados para data mining e business intelligence; e processamento/armazenamento na nuvem, tecnologia baseada na comunicação wireless e via internet, incluindo o SaaS – software como serviço, da sigla em inglês. Isso sem contar os sistemas já bem difundidos que estão em constante evolução, como os ERP, TMS, WMS, gestão de estoque e de otimização e simulação.

Robô para montagem de paletes na operação de carregamento de carretas

Robô para montagem de paletes na operação de carregamento de carretas

É um cenário em que a produtividade está sendo elevada a patamares superiores aos atuais, com base em sistemas integrados mais ágeis, flexíveis, velozes, precisos, com in process inspection, de alta densidade e rápido set-up, que deverá chegar ao ponto de viabilizar um ambiente que Christensen chama de industrial internet, no qual se vislumbra uma infraestrutura conectada, sem fiação! Esse novo ambiente produtivo minimizará ainda mais o tradicional imperativo fordiano da “economia de escala”, ao dar maior ênfase ao potencial de “economia de escopo” em uma planta de manufatura, tornando-a economicamente viável ao configurá-la a fazer menores quantidades de maior variedade de produtos. É a customização em massa tornando-se possível em uma ampla gama de indústrias.

Do ponto de vista do supply chain, a convergência tecnológica implica num potencial de benefícios ao propiciar um melhor e mais intenso compartilhamento de informação entre parceiros (ex.: informação de pontos de vendas (POS) e ASNs – aviso antecipado de expedição) e uma maior visibilidade dos fluxos físicos, da capacidade do sistema, possibilitando a gestão efetiva de eventos. Esses benefícios se traduzem na redução nos estoques e transportes, bem como no aumento do nível de serviço ao cliente, e no consequente aumento de market share e lucratividade.

 

Reflexão

Via de regra, as montadoras automotivas já vêm há muito tempo experimentando um aumento de complexidade na produção, por conta de crescentes variantes de modelos, associadas à redução de tempo de ciclo de vida e maiores pressões para rápidos lançamentos no mercado. São inovações tecnológicas e de processos que têm possibilitado uma transformação nas estratégias de manufatura adotadas por corporações globais – de uma produção “empurrada”, calcada em economia de escala, para uma produção “puxada”, baseada em economia de escopo.

Esse novo ambiente tecnológico está por viabilizar, muito além da maior visibilidade, uma capacidade de resposta mais efetiva aos requisitos de segmentos de clientes, ao dar conta da volatilidade e rupturas de suprimentos ao longo do supply chain, a partir da formação de networks globais alicerçados em processos operacionais e decisórios integrados end-to-end.

Espera-se que, futuramente, a tecnologia dissemine o rastreamento de eventos a montante do primeiro nível de fornecedores, aliado ao monitoramento de indicadores de desempenho em tempo real, e possibilite a otimização dinâmica da cadeia de suprimentos. Imagine o impacto nos negócios ao chegarmos ao ponto de poder avaliar o custo total de servir segmentos específicos de clientes de maneira precisa e dinâmica, a partir de uma capacidade analítica turbinada por tecnologia da informação, suportando decisões com base no what if.

Atualmente, essa nova onda de produtividade, baseada em tecnologias emergentes, já está sendo sentida positivamente em termos de competitividade da indústria norte-americana, como um dos drivers do processo de near shoring – fenômeno de retorno da manufatura para perto dos mercados consumidores em países do ocidente, em particular de produtos de alto valor agregado. Como exemplo, a Apple anunciou recentemente investimentos de US$ 100 milhões na instalação de uma nova fábrica nos Estados Unidos, visando a uma estratégia de mitigação de riscos em suprimentos globais.

Nesse sentido, estamos observando uma reconfiguração de networks globais, muito influenciada pela adoção de estratégias corporativas de mitigação de riscos (ex.: rupturas de suprimentos globais por razões naturais e geopolíticas), fazendo as empresas adotarem redundâncias e contingências em suas redes globais de produção e distribuição. A visão é a construção de integração end-to-end do supply chain. Atualmente, é lugar-comum ler sobre corporações que estão diminuindo sua dependência do fator China, por conta do ambiente de incertezas.

Essa tendência de reconfiguração de cadeias globais está dando força ao já conhecido conceito de “glocalization”, que é a combinação dos termos “globalização” e “localização”, usado para descrever um produto ou serviço que é desenvolvido, produzido e distribuído globalmente, mas que é customizado localmente para atender o mercado de destino, incluindo requisitos específicos, tais como aqueles referentes à legislação ambiental, tributária, sanitária, de conteúdo nacional, bem como à diversidade das preferências dos consumidores locais.

O ambiente competitivo global tem suas raízes básicas em pressões que visam a custos decrescentes na produção e distribuição de produtos, e melhores serviços para atender às crescentes exigências dos consumidores por maior variedade, velocidade e confiabilidade, considerando a diversidade local. Para tal, as corporações capacitadas para se manterem relevantes no mercado tendem a localizar suas plantas de manufatura cada vez mais perto do mercado consumidor, levando-as ao desenvolvimento de fornecedores estratégicos e PSLs locais.

Em estudo recente realizado pela Associação Alemã de Logística (BVL, da sigla em alemão), essas corporações estão sendo compelidas ao desenvolvimento de supply chains eficientes, resilientes e crescentemente puxados pela demanda, por meio da orquestração de sua rede global. A confiabilidade dessas cadeias de suprimentos é sustentada por estratégias de mitigação de riscos e pela capacitação na gestão de networks globais complexos. Para tal, está sendo incorporado um arsenal tecnológico e de processos de planejamento e execução, estruturados e integrados, buscando níveis crescentes de produtividade e de sincronia ao longo da cadeia global, com vista ao atendimento local, da demanda final.

Vale a máxima do nosso saudoso guru em gestão de supply chain, Don Bowersox: “A ideia fundamental é manter-se relevante no mercado, fazendo mais com menos, até que se possa fazer tudo com nada!”. E a tecnologia tem papel fundamental nessa jornada de transformação dos negócios.

 

Conclusão

É nesse contexto que surge a oportunidade de internacionalização para empresas brasileiras, ao considerar sua inserção em networks globais, visando ao alinhamento ao contexto competitivo mundial e ao desenvolvimento de novos mercados. É de fundamental importância estar atento e preparado às inovações tecnológicas e de modelo de negócios que podem ameaçar a competitividade e até a sobrevivência da empresa. Por exemplo, a recente entrada da Amazon no Brasil certamente implicará num choque de competitividade no setor de vendas on-line do país.

Nesse sentido, é comum entre empresas líderes, norte-americanas e europeias, desenvolver alianças estratégicas com centros de excelência (incluindo universidades), além de participar em missões técnicas internacionais, trade shows (como a ProMat e a Automate) e associações internacionais renomadas, como o CSCMP/EUA e a BVL/Alemanha. O foco é buscar a atualização ampla e permanente em termos tecnológicos, assim como sobre tendências, estratégias e abordagens de gestão no supply chain e, assim, manter seus executivos preparados para uma competição cada vez mais globalizada e acirrada!