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Visibilidade do estoque no omnichannel – O caso da Macy’s

Nas últimas duas décadas os hábitos e anseios dos consumidores se transformaram enormemente, obrigando o varejo a evoluir também. No início da década de 90 os brasileiros estavam acostumados a ter uma gama limitada de marcas e produtos no mercado. Entretanto, com a estabilização econômica ocorrida em 1994 e a queda das barreiras alfandegárias no Brasil, o panorama mudou. O mercado automobilismo nacional é exemplo disso. Se no passado Ford, GM, Volkswagen e Fiat eram responsáveis pela quase totalidade dos veículos vendidos no país, já é comum ver nas ruas automóveis de mais de 20 marcas diferentes.

Toda esta globalização e a revolução trazida pelo advento da internet empoderaram o consumidor que, diante de novas opções e com a informação na palma da mão, tornou-se mais esclarecido e exigente. Para acompanhá-lo, o varejo teve que se reinventar. De apenas um canal disponível para contato com o cliente – a loja física, hoje em dia é possível interagir com as empresas pelo site, aplicativo, telefone, e-mail e redes sociais, entre outros. É só escolher.

O consumidor moderno, no entanto, anseia que esta relação seja fluida entre todos os canais e a experiência de compra seja única, ou seja, se ao pesquisar na internet um produto e depois resolver adquiri-lo no app, é de se esperar que o item já esteja lá na cesta de compras esperando por ele. Se ao chegar o produto na casa dele o tamanho estiver incorreto, ele poderá ir na loja mais perto e trocar por um outro número. Esta situação ilustra a realidade hoje almejada e buscada pelos varejistas de vanguarda mundial: o omnichannel, uma integração sem barreiras de todos os canais que a loja possui, sendo o cliente o centro de tudo.

Para se alcançar esse estágio, um dos principais desafios do varejo é obter visibilidade total e integrada do seu estoque, ou seja, enxergar a quantidade de cada produto existente tanto nos CDs quanto nas lojas. Além de facilitar a gestão de estoques da empresa, a visibilidade dos produtos na cadeia permite melhor atendimento da demanda e reduz o risco de promoções e perda de margem em SKUs inadequados.

Um caso de sucesso entre os varejistas que já conseguiram obter a visibilidade do estoque é a loja de departamentos norte-americana Macy’s. Conhecido como Pick to the Last Unit ou P2LU, o programa permite ao varejista listar os produtos para venda online mesmo quando há apenas um único item disponível em uma loja. Isso é possível graças a etiquetas RFID (Figura 1) inseridas nos produtos pelos próprios fornecedores, que permitem que as peças sejam rastreadas e monitoradas não só ao longo da cadeia, mas também na própria loja com o uso de leitores de mão.

Figura 1 – Etiqueta RFID utilizada pela Macy’s
Fonte: Clear Spider

 

Para os consumidores a vantagem também é enorme. Através do site da Macy’s, o cliente pode visualizar em quais lojas, num raio de 5 até 100 milhas, ele poderá encontrar o produto desejado, na cor e tamanho preferidos (Figura 2). Isto possibilita a ele experimentar a peça desejada antes de comprar ou até ganhar tempo no recebimento comprando no site e retirando na loja, requisitos importantíssimos para garantir uma experiência de compra única ao consumidor.

Figura 2 – Exemplo de visualização de disponibilidade de produtos nas lojas da Macy’s pelo cliente

Fonte: Macy’s

 

O programa, que teve início a partir de um piloto em pequena escala no ano de 2008, hoje já está implementado em centenas de lojas e contempla diferentes segmentos de produtos da empresa. Além de aumentar as vendas, a empresa alega ter reduzido em mais de um bilhão de dólares o seu estoque, resultado, principalmente, da venda dos produtos até a sua última unidade. Estes itens correspondem a cerca de 15 a 20% do estoque da Macy’s e geralmente não são comercializados pelas empresas em razão da falta de confiança na contagem do inventário. Com o programa P2LU, entretanto, a história mudou.

Alcançar essa visibilidade do estoque não é tarefa fácil. Além do investimento em tecnologia, é preciso um processo bem estruturado para garantir que, por exemplo, não haverá problemas de venda online de uma peça de roupa que estava na mão de uma consumidora, mas ainda não tinha recebido baixa no estoque ou sido feita uma pré-reserva. Estes, no entanto, são desafios que precisam ser vencidos se o desejo da empresa for se tornar omnichannel. E, cada vez mais, esse desejo caminha para se tornar uma obrigação. Portanto, varejistas, mãos à obra!

Para saber mais destes e de outros desafios do omnichannel e ver como grandes empresas estão endereçando essas dificuldades, participe do Fórum Internacional Supply Chain 2017, que terá como uma de suas verticais o tema “Execução da Estratégia de Omnichannel”.

 

Referências

<http://www.ezcommerce.com.br/blog/ez-school-2/os-10-desafios-de-uma-estrategia-omnichannel/>

<http://www.rfidjournal.com/articles/view?13990/>

<http://www.fierceretail.com/operations/macy-s-finds-omnichannel-success-rfid>

<http://www.clearspider.com/rfid-action-macys-inc/>

O uso de RFID no segmento hospitalar

A tecnologia RFID (Radio-Frequency Identification) não é nova. Ela existe desde os anos 1980. A novidade é a quantidade de diferentes usos que se tem dado a ela, especialmente por conta da redução dos custos de sua implantação ao longo dos anos.

É o que vem acontecendo na área hospitalar. Alguns cases de implantação desta tecnologia em hospitais norte-americanos mostraram um potencial de redução de equipamentos e eliminação de tempos improdutivos da equipe de enfermeiros e funcionados da ordem de milhões de dólares. Hoje em dia, tem hospital americano utilizando tags até em colchões infláveis.

No Brasil, as primeiras notícias de implantação de RFID neste segmento datam do ano 2010. Um dos cases mais famoso é do Hospital Albert Einstein, que foi o primeiro da América do Sul a contar com uma solução de RFID para localização de equipamentos médicos e monitoramento da temperatura de geladeiras. O projeto permitiu diminuição do tempo de procura dos itens e redução de perdas.

As notícias mais recentes sobre a aplicação desta tecnologia no segmento hospitalar têm mostrado o seu uso em pacientes, através de pulseiras RFID, com objetivo de acompanhar a localização dos pacientes, bem como gerenciar e armazenar informações como identidade, condições médica e liberação de leitos.

Pesquisa realizada pelo ILOS em 2016 mostra como estão os hospitais brasileiros em termos de uso de RFID. Percebe-se que no Brasil o uso da tecnologia RFID não está muito difundida, e ainda possui um grande campo para ampliação. No total, 30% dos hospitais já possuem RFID para controle de estoques, 19% não possuem mas pretendem implantar, e 52% não possuem e não pretendem implantar.

Figura 1 – % de hospitais que possui a tecnologia de RFID implementada para controle de estoques

Fonte: Pesquisa ILOS 2016 realizada com 11 Redes Hospitalares e 21 Hospitais independentes

 

Os hospitais não tem sido os pioneiros em inovação na área de gestão e logística. Pelo contrário, eles ainda estão muito atrás da maioria das indústrias e serviços. Mas as ferramentas existem, assim como as oportunidades de melhoria.

 

Referências:

Implementation of Radio-Frequency Identification in Hospitals, The University of Tennessee

http://bakercenter.utk.edu/wp-content/uploads/2016/04/Implementation-of-RFID-in-Hospitals.pdf

NEC: RFID para Albert Einstein

http://www.baguete.com.br/noticias/telecom/25/06/2010/nec-rfid-para-albert-einstein

Hospital monitora pacientes em tempo real

http://brasil.rfidjournal.com/noticias/vision?14886

Como usar RFID Pulseira em Hospital

http://www.asiarfid.com/rfid-news-bo/how-to-use-rfid-wristband-in-hospital-pt.html

 

Internet of Things (IoT) e Nanotecnologia: aonde iremos chegar em Supply Chain Management?

Ainda inspirado pela Campus Party Brasil 2016, comecei a divagar e a imaginar possíveis caminhos para o uso da tecnologia em Supply Chain Management no futuro. Obviamente, o uso de tecnologia já é uma realidade em nossa área e a grande maioria das empresas não conseguiria lidar com a complexidade de suas operações sem o uso de ferramentas tecnológicas. No entanto, há indícios suficientes para acreditarmos que estamos muito próximos de uma revolução provocada pela Internet of Things (IoT) e a Nanotecnologia.

Em outro post, já havia comentado sobre os possíveis impactos da IoT em nossa área, apresentando algumas iniciativas já existentes. No entanto, podemos tentar imaginar um futuro ainda mais distante com as ferramentas já disponíveis, incluindo aí a nanotecnologia, que promete revolucionar as atividades de embalagem, postergação e monitoramento e integração.

 

Embalagem

As embalagens são extremamente importantes para a movimentação de mercadorias, garantindo proteção e unitização. Além disso, com o uso de códigos de barras e etiquetas de RFID, é possível controlar os níveis de estoque e rastrear os produtos ao longo da cadeia de suprimentos. No entanto, a viabilidade econômica deste monitoramento só é possível, hoje em dia, a partir de um determinado nível de agrupamento mínimo de produtos, a partir do qual o custo de embalagem e rastreamento se torna factível.

Com a nanotecnologia, começa-se a vislumbrar a possibilidade de criarmos “escudos invisíveis”, formados por partículas microscópicas capazes de proteger os produtos em suas dimensões unitárias. Estas micropartículas podem funcionar também como sensores capazes de detectar e proteger a carga contra variações de temperatura e umidade, além de garantir rastreabilidade em toda a cadeia de suprimentos, inclusive nas casas dos consumidores.

O Vídeo 1 apresenta uma demonstração do funcionamento prático da nanotecnologia. A partir daí, podemos imaginar frutas e legumes “embalados” individualmente, protegidos de bactérias, umidade e calor, com shelf life muito maior, reduzindo desperdícios e custos na cadeia de suprimentos alimentícia, por exemplo.

Vídeo 1 – Uma demosntração muito seca

Fonte: Mark Shaw – TED Talk

 

Postponement

A nanotecnologia também promete revolucionar as práticas de postergação, tão importantes para a redução de estoques ao longo da cadeia de suprimentos. Hoje, a postergação é limitada a setores onde o prazo de entrega para o cliente permite a finalização do produto após a colocação do pedido, como na indústria automobilística. Também, em alguns casos mais raros, os armazéns podem funcionar como centros de finalização de embalagens e preparação de kits promocionais.

Em um futuro ainda distante, as nano partículas permitirão a customização do produto, como mudança de cor e mesmo de sabor, até mesmo para indústrias de fast-moving consumer goods (FMCG). A finalização poderá ocorrer durante o transporte e, sonhando mais alto, na própria casa do consumidor.

Integrado com o avanço da IoT, podemos imaginar que robôs de reposição de gôndolas (ou mesmo gôndolas “inteligentes e conectadas”) se comunicarão com o fornecedor para informar que determinada fragrância de sabão em pó está sendo consumida com maior velocidade, fazendo com que micropartículas sejam “ativadas” dentro das caixas de sabão em pó que já saíram do centro de distribuição.

 

Monitoramento e Integração

Sem dúvida alguma, é neste tema que mais podemos “viajar” quando pensamos no futuro do Supply Chain Management. Já é possível sonhar, fundamentados na tecnologia existente de IoT e Nanotecnologia, com a intercomunicação entre os diferentes “atores” da cadeia de suprimentos, que se auto coordenarão através de cloud computing e inteligência artificial.

É possível vislumbrar as informações de consumo fluindo diretamente dos produtos para drones e veículos autônomos, robôs de armazenagem e impressoras 3D. Rotas calculadas com precisão a partir de outros produtos que estão em trânsito. Reposição dos estoques com base no consumo real, não mais em previsões. Problemas operacionais, quebras e necessidade de manutenção informados diretamente pelos equipamentos e veículos. Preços ajustados automaticamente pela demanda e a capacidade disponível informada pelos recursos e produtos disponíveis.

Ficção científica? Vale a pena ver a entrevista com o professor Marcelo Zuffo, do departamento de engenharia de sistemas eletrônicos da escola politécnica da USP, no programa Roda Viva desta semana sobre as mudanças que o avanço da tecnologia trará para a vida das pessoas.

Vídeo 2 – Entrevista com o Professor Marcelo Zuffo

Fonte: TV Cultura – Roda Viva 25/01/2016

 

Referências

<https://www.ifama.org/files/20120066.pdf>

<https://www.ted.com/talks/mark_shaw_one_very_dry_demo>

<https://youtu.be/km7xL4IgR7k>

<https://www.ilos.com.br/web/internet-das-coisas-iot/>

<https://www.ilos.com.br/web/vamos-imprimir-mais/>

<https://www.ilos.com.br/web/postponement-como-mecanismo-de-reducao-de-estoques/>

<https://www.ilos.com.br/web/demand-driven-supply-chain/>

 

Internet das Coisas (IoT)

Lembro-me bem das diversas vezes em que ouvi do saudoso Professor Donald Bowersox, em palestras proferidas nos Fóruns do ILOS ou nos encontros globais do CSCMP, sua conhecida frase: “a logística é a arte de fazer cada vez mais com cada vez menos, até que se possa fazer tudo com nada”.

Apesar do tom brincalhão para expor o enorme desafio dos profissionais da área, que precisam entregar um nível de serviço cada vez maior para os clientes ao mesmo tempo em que são pressionados a reduzir seus custos logísticos, o Professor Bowersox falava muito sério ao antecipar as inovações tecnológicas “vindouras”, algumas das quais vivenciamos hoje na prática, e seus impactos para a gestão da cadeia de suprimentos.

Uma dessas inovações, conhecida como Internet of Things (IoT), ou Internet das Coisas, tem potencial para provocar uma verdadeira revolução em Supply Chain Management, reduzindo enormemente os desperdícios na cadeia e permitindo um nível de eficiência impossível de ser imaginado poucos anos atrás.

No Vídeo 1, Marco Annunziata fala do poder transformador da IoT de forma bastante elucidativa.

Vídeo 1 – em-vindo à era da internet industrial

Fonte: Marco Annunziata  – TED Talk

 

Podemos facilmente imaginar o impacto para a gestão da cadeia de suprimentos de ter etiquetas inteligentes de RFID em todos os produtos, facilitando a localização e controle de estoques, veículos que se comunicam com computadores que redefinem rotas em tempo real e definem o plano de manutenção preventiva, controle de estoque na casa do cliente, permitindo uma reposição automática, dentre tantas outras possibilidades. Os vídeos 2 e 3 ilustram alguns dos passos intermediários nesta caminhada.

Vídeo 2 – Amazon Dash

Fonte: Amazom – Youtube

 

Vídeo 3 – Amazon Dash Button

Fonte: Amazom – Youtube

 

Um agradecimento in memoriam ao Professor Bowersox pela inspiração a tantos profissionais de Supply Chain e por nos antecipar com tanta clareza o que veríamos acontecer!

 

Referências

<https://www.ted.com/talks/marco_annunziata_welcome_to_the_age_of_the_industrial_internet?language=pt-br>

<http://cerasis.com/2015/02/25/internet-of-things/>

<http://www.scdigest.com/ONTARGET/11-07-05-3.PHP?cid=4693&ctype=content>

<https://youtu.be/aFYs9zqYpdM>

<https://youtu.be/EHMXXOB6qPA>