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O preço do diesel e o transporte rodoviário de carga


A escalada do preço do barril de petróleo tem trazido grandes impactos em praticamente todas as cadeias de suprimento. O diesel, derivado do petróleo, é o principal combustível utilizado na atividade de transporte de cargas, e seu preço no Brasil tem paridade com o preço do mercado internacional. Assim, as variações nas cotações internacionais do barril de petróleo afetam diretamente o Brasil, mesmo com o país produzindo cerca de 75% do diesel consumido por aqui.

O diesel que utilizamos no país em sua maioria (77%) é destinado ao segmento de transporte rodoviário, sendo os caminhões de carga os maiores usuários do combustível.

consumo de diesel no Brasil - transporte de cargas - ILOS Insights

Figura 1: Consumo de diesel no Brasil. Fonte: : EPE – Empresa de Pesquisa Energética (dados de 2021); Análises: ILOS.

Quanto mais distante é a rota rodoviária a ser percorrida, mais representativo fica o custo do diesel na movimentação. Em uma rota de mil quilômetros, por exemplo, como de Campo Grande (MS) a Santos (SP), ou de São Paulo a Brasília (DF), o combustível equivale a cerca de 50% dos custos (fixo e variáveis) incorridos na rota, sendo os outros custos relativos ao motorista, pneus, lubrificantes, entre outros.

Assim, aumentos sucessivos no preço do diesel causam impacto direto e muito significativo no custo do transporte de cargas e, por consequência, no custo de todas as cadeias produtivas que necessitam movimentar produtos.

Em maio de 2022, o diesel custava em média na revenda brasileira R$ 7 / litro. A título de comparação, em maio de 2020, durante o período de pandemia, quando a demanda se reduziu bastante e não havia guerra entre Rússia e Ucrânia, o custo por litro de diesel era de apenas R$ 3 / litro.

Preço do diesel na revenda - transporte de cargas - ILOS Insights Figura 2: Preço do diesel na revenda. Fonte: ANP (consulta m 26/05/2022); Análises: ILOS.

É um desafio mundial lidar com tantas incertezas de abastecimento e custos tão altos de combustíveis e de insumos. No Brasil e no mundo a inflação generalizada corrói negócios e derruba o poder de compra das pessoas.

Que as instabilidades possam se apaziguar em um futuro breve!

Referências:

EPE – Empresa de Pesquisa Energética (dados de 2021)

CNN Brasil – Por que a Petrobras quase não tem concorrentes na produção de combustível

Estamos no caminho da desglobalização?


A palavra globalização está presente em nossas vidas desde os anos 90, ou até um pouco antes disso. Especificamente na economia, a quantidade de trocas comerciais entre países é um importante indicador que registra, em números, o que vem acontecendo com a globalização na prática.

O histórico de importações realizadas no mundo mostra que os países realmente passaram a contar mais fortemente com suprimentos internacionais em suas economias. Os dados do Banco Mundial apresentados a seguir trazem um histórico, desde os anos 70, do percentual de importações globais sobre o PIB total dos países. Os números indicam que em 1970 essa relação era de 13%, já em 2018 esse percentual mais do que dobrou, registrando 29% de importações em relação ao PIB global.

Embora não existam dados mais recentes, podemos aprender com o histórico dessas informações. Percebam que o percentual de importações totais sobre o PIB mundial registrou seu pico no ano 2008, atingindo 30%. No final deste mesmo ano 2008, o mundo vivenciou uma memorável crise financeira, quando vários bancos de grande porte e agências de crédito imobiliário quebraram, e os governos Americano e Europeus realizaram pacotes trilionários de socorro a seus sistemas financeiros. Em 2009, ano seguinte ao estopim da crise financeira, registrou-se uma queda tanto no PIB mundial quanto nas importações, e o percentual das importações sobre o PIB baixou de 30% para 24%.

desglobalização---importações---ILOS-Insights Figura 1: Percentual de importações sobre PIB mundial. Fonte: The World Bank. Análises: ILOS.

Assim, na atual conjuntura esperada de recessão econômica mundial por conta da COVID19, entende-se que os movimentos de trocas comerciais devem cair em 2020 e 2021, assim como aconteceu em crises passadas, visto que haverá redução do PIB mundial.

Mas além do movimento esperado de redução das importações, que irá ocorrer naturalmente por conta da redução da atividade econômica dos países, o que se discute com mais força em 2020 é a volta à nacionalização da produção. A nacionalização vem sendo avaliada por diversos países, especialmente para produtos considerados essenciais para a economia e para a saúde da população. Ficou claro o risco da quebra do suprimento internacional em momentos de crise, especialmente quando os fornecedores estão concentrados em poucos países.

Além disso, a conjuntura momentânea causada pela pandemia na logística internacional fez diminuir drasticamente a oferta de serviços de transporte de cargas entre países. Especificamente para produtos que utilizam o modal aéreo, em virtude do cancelamento de rotas, as mercadorias que se utilizavam dos porões dos aviões de passageiros para serem exportadas ou importadas passaram a ter espaço muito limitado ou depender de aviões cargueiros. Isto significa que, forçadamente, o comércio internacional diminuiu pela falta de opções de transporte, e não somente pela falta de demanda pelos produtos. Essa ruptura na logística internacional foi outro fator que despertou nas empresas e países a necessidade de repensarem seu supply chain global, considerando não apenas os custos de suprimento, mas também os riscos de interrupção do fornecimento.

Governos de diferentes países poderão, oportunamente, reestruturar suas estratégias de incentivos e buscar desenvolver e tornar competitiva a produção local de alguns segmentos considerados estratégicos. Não é um movimento fácil, pois os custos de produção podem ser muito competitivos em alguns países em detrimento de outros. Mas se esses movimentos de nacionalização realmente ocorrerem, haverá uma redução das trocas comerciais internacionais que irão além da redução natural esperada devido à queda da atividade econômica global. Este movimento representará um caminho para a desglobalização.

Não acredito na desglobalização em larga escala, mas alguns movimentos provavelmente irão ocorrer. A magnitude real de uma possível desglobalização somente poderá ser medida no médio prazo.

Referências:

Banco Mundial – Importações

Banco Mundial – PIB

O Coronavírus é a antessala da desglobalização

O mundo vive uma desglobalização?

Vídeo Asia Shipping – YouTube

Vídeo Asia Shipping – LinkeIn

 

Impactos do novo coronavírus na cadeia de Óleo e Gás


O isolamento social para contenção da propagação do novo coronavírus, de acordo com pesquisa feita pela CNT em 1º de abril, ocasionará queda no transporte no mês de abril de 40% ou mais para 58% dos entrevistados. Como consequência, o consumo de diesel, responsável por 25% do custo de transporte, também vem sofrendo drástica queda desde o mês de março. O mesmo panorama se repete para a gasolina, de forma ainda mais abrupta, com a queda da circulação de veículos de passeio. A Petrobras indica uma retração de 60% na venda de gasolina para as distribuidoras, em relação ao momento anterior à crise, e de 40% no diesel.

Para o consumidor, o impacto mais visível do vírus e do isolamento social no setor é a queda do preço nas bombas. A redução do preço do barril de petróleo é a grande responsável e ocorreu devido ao excesso de estoque mundial por queda no consumo e às disputas entre os maiores produtores.

A crise na indústria do petróleo, a maior nos últimos 100 anos, se estende por toda a cadeia de Óleo e Gás, contrariando as boas perspectivas e planos dos agentes dessa cadeia para 2020 no Brasil, frente às fortes mudanças que vinham ocorrendo, principalmente, com a abertura do mercado, a partir da venda de ativos da Petrobras.

coronavírus na cadeia de óleo e gás---ILOS-Insights Figura 1: Cadeia de Óleo e Gás. Análise: ILOS.

O Varejo é o final da cadeia de Óleo e Gás, representada pelos distribuidores e redes de postos. Do outro lado, tem-se a Exploração e Produção de petróleo ou Upstream, representado pelas grandes petroleiras e principalmente pela Petrobras. Ligando as duas pontas, tem-se a figura da Transpetro, responsável pelo transporte de petróleo entre plataformas e as refinarias, e o Refino, elo entre o petróleo e os combustíveis derivados comercializados pelas distribuidoras.

O impacto do coronavírus no Varejo

A Ipiranga, 3ª maior distribuidora do país, se deparou com redução de 33% nas vendas de diesel e de 63% nas vendas de gasolina e etanol na primeira semana de isolamento social, em linha com a redução das vendas da Petrobras. Os dados oficiais das vendas de combustíveis e biocombustíveis referentes ao mês de março, quando o primeiro caso de coronavírus foi divulgado no país e as medidas de restrição de circulação começaram a ser adotadas, serão divulgados pela ANP no final deste mês, quando então teremos estatísticas para pautar o impacto.

A empresa, juntamente com a Raízen, 2º maior player, seguiam em caminhos similares antes da crise, investindo na ampliação de lojas de conveniência. A Ipiranga, atualmente com o maior percentual de postos com lojas de conveniência de sua marca Ampm e detentora de operação logística para atendimento dessas lojas, tinha como plano abrir mais 250 lojas em 2020 a fim de crescer com capilaridade. Já a Raízen realizou uma joint venture recentemente com a Femsa, proprietária das lojas Oxxo, com plano original de abertura de lojas de rua em SP em 2020 e 500 lojas em 3 anos, e pretendia abrir 300 lojas de conveniência Shell Select em postos com a bandeira Shell por ano.

A maior distribuidora, a BR, foi privatizada em julho de 2019 com redução da participação acionária da Petrobras para 37,5%. Com a mudança na gestão, estão sendo realizados projetos de restruturação, para redução de custos e aumento da eficiência operacional. O foco na pré-crise também estava no investimento em novos negócios, como atuação como trading na importação e comercialização de derivados e etanol, e em serviços financeiros, com ampliação também de lojas de conveniência BR Mania, que trazem receita com a contratação de serviços logísticos e pagamento de royalties.

A conjuntura mudou e a corrida agora é para se ajustar à nova demanda, para um cenário que não deve mais alcançar os altos patamares de volume de 2014, e dar apoio aos seus maiores clientes, as redes de postos revendedores. Os postos sofrem ainda mais impacto na cadeia de Óleo e Gás, pois possuem baixo capital de giro e margens apertadas. Estes têm pleiteado apoio do governo e das distribuidoras para sobreviver à crise.

Dentre as reivindicações está a solicitação à ANP de desvinculação à bandeira na compra de combustíveis. Isso significa que postos de uma determinada marca poderiam comprar de quaisquer distribuidoras. Os postos de bandeira (p.e.: BR, Ipiranga e Shell) possuem custos mais altos que os de bandeira branca por, além de serem obrigados a adquirir produto da distribuidora da marca, pagarem royalties para utilização da bandeira. Essa permissão já foi concedida anteriormente à época da greve dos caminhoneiros e seria um mecanismo para redução no valor de compra do combustível. Porém, a ANP entende que a suspensão do regime vigente, além de não atacar o problema de queda de demanda, “é estruturante e exige a realização de consulta pública, uma vez que, além de afetarem direitos econômicos, também visam primordialmente à defesa de direitos básicos do consumidor”.

Os revendedores também alegam que as distribuidoras não têm repassado a redução de preço na gasolina e no diesel anunciada pela Petrobras. O reflexo é a prática de preços ainda elevados nas bombas, o que, segundo eles, prejudica ainda mais a venda. Devido à queda nas vendas que se propaga por toda a cadeia de Óleo e Gás, os estoques sendo repassados aos postos foram adquiridos a valores anteriormente praticados.

Por outro lado, as distribuidoras, como forma de preservar o negócio dos postos, têm concedido postergação e/ou parcelamento de pagamentos e postergação dos royalties no caso de postos bandeirados.

Mudanças no Refino

Diante da redução do consumo, o volume de óleo refinado está sofrendo alteração. A Petrobras alega que nenhuma refinaria irá parar a produção completamente, mas algumas unidades de processamento estão sendo paralisadas devido ao excesso de estoque. De acordo com o informado pelo sindicato de petroleiros ao Valor , no final da 1ª quinzena deste mês, a Regap (MG) já operava com menos de 40% de capacidade, a Repar (PR) com 50% e a Reman (AM) e até a maior refinaria, a Replan (SP), também podem ser afetadas.

A venda das 8 refinarias da Petrobras, responsáveis por 50% da produção nacional, foi postergada. O recebimento das propostas vinculantes ocorreria entre abril e maio de 2020. Dessa forma, até as empresas interessadas tomarem fôlego para realizar investimentos diante da crise, a Petrobras continuará com o monopólio do refino, ditando preços nos polos de oferta de produto a fim de balancear seus estoques, definindo, assim, toda a rede de distribuição do país.

A venda representa um passo importante na abertura do mercado. A Raízen e a Ipiranga vinham demonstrando interesse em participar do processo, a fim de aumentar a verticalização de suas operações e ganhar vantagens em relação aos demais competidores na região de influência dessas refinarias. A Raízen recentemente entrou no mercado de refino na Argentina, verticalizando sua operação no país vizinho. Por aqui, ela é uma das empresas mais verticalizadas do setor, por ser também sócia de usinas de etanol, da Logum Logística, operador dutoviário de etanol, e da Rumo logística, importante operador ferroviário.

A BR, impossibilitada de participar da oferta por ter 37,5% de participação acionária da Petrobras, também via a venda de forma positiva, como oportunidade de renegociar a política de preços na compra de combustível. Atualmente, mesmo sendo o maior player, não possui nenhum benefício de preço na aquisição de combustível em função de seu volume.

Acredita-se que o movimento de desinvestimento da Petrobras seja retomado após a passagem da pandemia, que trará maior estabilidade econômica para o país. Quando o plano de desinvestimento for posto em prática, haverá uma retomada da movimentação do setor, com a possível entrada de novos players, principalmente chineses, na cadeia de Óleo e Gás. A expectativa é a geração de concorrência e novos investimentos em infraestrutura de escoamento da produção, atualmente dependente da rede dutoviária da Transpetro.

Desinvestimentos na Transpetro

A empresa de logística da Petrobras realizará diversos cortes e desinvestimentos, de acordo com memorando divulgado no início do mês de abril, totalizando R$507 MM em 2020. O adiamento de manutenções de tanques e instalações está entre eles, assim como a devolução de prédios, suspensão de serviços e renegociação de contratos.

A Transpetro é atualmente gestora de diversos ativos: dutos para escoamento da produção de petróleo; dutos para movimentação de derivados a partir das refinarias para as bases das distribuidoras; terminais aquaviários e terrestres para armazenagem de petróleo e derivados; além de deter uma frota de 50 navios e realizar o abastecimento de combustível de regiões onde a produção das refinarias locais não é suficiente para suprir a demanda, como p.e. as Regiões Norte e Nordeste e o estado do Espírito Santo.

No cenário pós Covid-19, a privatização de parte ou da totalidade da Transpetro pode vir a ser discutida. Muitos funcionários da holding que estavam atuando na Transpetro retornaram à Petrobras e parte dos dutos operados pela Transpetro já estão sendo contemplados na oferta de venda de refinarias.

Redução da produção de petróleo

A China, onde a pandemia do novo coronavírus teve início, é um dos maiores importadores de petróleo. Por conta da redução da demanda pelo combustível, os países da Opep e aliados realizaram um acordo para limitar a produção do óleo, a fim de manter a cotação da commodity. A Rússia, porém, se negou inicialmente a segui-lo, gerando uma disputa com Arábia Saudita, que teve como consequência o aumento de produção pelos dois países. Após 34 dias da disputa entre os dois países, a guerra de preços se encerrou, quando os principais produtores concordaram em cortar a produção em maio e junho em 10 MM de barris por dia. Contudo, o imbróglio resultou na queda ainda mais acentuada da cotação do barril.

coronavírus na cadeia de óleo e gás---cotação---ILOS-Insights Figura 2: Histórico da cotação diária do petróleo tipo Brent. Fonte: Investing.com. Análise: ILOS.

O primeiro caso de Covid-19 foi divulgado na China em 31/12/2019. Como pode ser observado no gráfico abaixo, após essa data, o preço do barril tem caído vertiginosamente, oscilando entre US$22 e US$35 desde março, quando foi iniciada a quarentena no Brasil.

coronavírus na cadeia de óleo e gás---cotação-diária---ILOS-Insights Figura 3: Cotação diária do petróleo tipo Brent em 2020. Fonte: Investing.com. Análise: ILOS.

A redução drástica do consumo faz com que os estoques não sejam consumidos à taxa usual, gerando um excesso de oferta e sobre-estoque global. Se a redução na produção não acompanhar a queda na demanda, não haverá tancagem suficiente para armazenar toda a produção.
O excesso de petróleo produzido e não consumido está sendo estocado em volumes recordes em navios petroleiros, a um custo diário de US$350 mil por embarcação, como tancagem adicional às já esgotadas em terra.

Nesta semana, vimos a cotação do barril americano WTI para o contrato de maio, que venceu no dia 21 de abril, recuar mais de 300% na véspera, encerrando a um preço negativo pela 1ª vez na história. Os traders estavam dispensando seus contratos para evitar a entrega do petróleo produzido, ou seja, pagando para não entregar. Isso ocorreu porque o petróleo do tipo WTI precisa ser entregue e armazenado na cidade de Cushing, no estado de Oklahoma, EUA, onde há pouca ou nenhuma capacidade disponível. Eles passaram então a comprar contratos com vencimento em junho, na faixa dos US$20 o barril. O mesmo não acontece com o Brent, petróleo mais negociado e referência de mercado, pois o óleo pode ser entregue offshore onde houver capacidade de estocagem, não limitando, dessa forma, a operação de escoamento da produção.

Para que o preço do barril não caia ainda mais, prejudicando as petroleiras mundialmente, e a capacidade máxima de estocagem do óleo não seja atingida, a solução é a redução da produção.

Nessa linha, a Petrobras anunciou corte na produção de 200 mil barris/dia no final de março e publicou novos cortes em 1º de abril, como paralização de campos de produção, postergação de desembolso de caixa, redução de custos etc, como medida para preservação da companhia. As paralizações atuais já atingem 62 unidades.

De acordo com reportagem da Brasil Energia, inicialmente, na operação offshore, a Petrobras decidiu priorizar as negociações com empresas que prestam serviço de fornecimento de FPSOs, sondas e barcos de apoio. As ações para contenção de custos envolvem diferimento parcial de pagamento, paralisação de algumas unidades, redução de taxas diárias e até suspensão temporária dos contratos. As ações visam aliviar o caixa da companhia em 2020.

É prudente que as empresas considerem o preço do barril médio histórico , na faixa dos US$42, assim como o governo na estimativa de royalties e participações do setor público. Além disso, é saudável retomar as reformas, privatizações e demais ações para estimular a maior competição e busca por eficiência no mercado em cenário pós-crise.

Além da infraestrutura e logística: o impacto sob a ótica da saúde

As empresas da cadeia de Óleo e Gás já são conhecidas por forte políticas de segurança, meio ambiente e saúde. O produto e a operação em si envolvem certo grau de periculosidade e dano ao meio ambiente e saúde. Porém, com o risco de contágio pelo novo coronavírus, principalmente em ambientes que exigem confinamento como plataformas, algumas medidas foram tomadas para proteger os profissionais dessa indústria:

• Funcionários que desempenham funções administrativas estão atuando de home office. A Ipiranga, por exemplo, destacou que está realizando a contratação de psicólogos para apoio aos funcionários no novo formato de trabalho.

• As escalas de embarque nas plataformas da Petrobras aumentaram de 21 para 28 dias, com 14 dias de folga. Dessa forma, os trabalhadores offshore permanecem hospedados em um hotel por 7 dias, em quarentena, antes do embarque, e os que apresentarem sintomas característicos da Covid-19 serão impedidos de embarcar, a fim de reduzir a chance de contaminação a bordo.

• Algumas unidades também tiveram o efetivo reduzido de forma preventiva

Preço dos combustíveis caem com a baixa do barril de petróleo


Nas primeiras semanas de Abril de 2020, o preço do barril de petróleo (brent) já havia baixado para próximo de US$ 20, valor muito inferior à média registrada em Janeiro do mesmo ano (US$ 64). Um valor tão baixo como esse não ocorria desde o ano 2002.

A forte queda do preço do barril de petróleo influencia diretamente o preço dos combustíveis nos postos brasileiros. Especificamente o diesel, combustível utilizado em larga escala pelos caminhões que transportam carga rodoviária, teve seu preço reduzido de 3,85 R$/litro em janeiro para 3,44 R$/litro em abril, uma queda de 11% no período segundo dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo).

A redução do preço do diesel traz um pequeno alívio para as empresas transportadoras brasileiras que, em sua maioria, sofrem com a redução de demanda e enfrentam fortes problemas financeiros. O diesel é o principal insumo dos transportadores e, em média, representam 25% dos custos totais do transporte rodoviário de cargas (sendo cerca de 40% dos custos quando o transporte é de longa distância e 5% quando o transporte é fracionado de curta distância).

O gráfico a seguir traz um evolutivo do preço do diesel S10 no Brasil em comparação com os preços do barril de petróleo em dólares e em reais.

Preço-do-combustíveis---variação-do-diesel---ILOS-Insights Figura 1: Preço do diesel S10 nos postos do Brasil e preço do barril de petróleo brent. OBS: Mês de abril de 2020: valor médio do Brent nas datas de 1/04 a 17/04; valor médio do Diesel nos postos brasileiros nas datas de 5/04 a 11/04. Fonte: EIA e ANP. Análises ILOS.

O preço do diesel caiu em todos os estados brasileiros. Aqueles com maior preço ainda são os estados da região Norte, que são os locais de mais difícil acesso, enquanto os estados de menor preço do diesel são os da região Sul.

preço-dos-combustíveis---tabela---ILOS-Insights Figura 2: Preço do Diesel S10 ao consumidor por região do Brasil – janeiro e abril 2020. OBS: Sem 1 se refere aos preços registrados do dia 5 ao 11 do mês. Fonte: ANP. Análises ILOS.

A cabotagem, por sua vez, que utiliza o bunker em seus navios, também contou com fortes reduções de preço deste combustível, o que também trouxe um certo fôlego para o segmento, que estava sofrendo com preços altíssimos do recém exigido bunker low sulphur, combustível de baixo teor de enxofre que registrou recordes históricos de preços no início de 2020. A cabotagem, assim como o modal rodoviário, vem diminuindo a movimentação de cargas devido à paralização de fábricas, especialmente na Zona Franca de Manaus, região de forte participação do modal marítimo.

Embora tenha algumas consequências boas, a redução tão drástica do preço do barril de petróleo traz muita preocupação entre os países produtores, incluindo o Brasil. Pois quando o custo de extração do petróleo se torna maior do que o valor de venda, toda a indústria fica ameaçada. Para lidar com a baixa demanda, países produtores buscam acordos de redução de oferta de petróleo no mundo, tentando minimizar a derrubada dos preços, mas essa combinação de interesses não é nada fácil.

Enquanto a demanda não se recupera, ao menos o segmento de transporte de cargas, essencial para a população neste momento de pandemia, consegue colher alguns pequenos frutos dessa baixa de preços de combustíveis.

Referências:

Petróleo derrete 40%, ao nível mais baixo em 20 anos, e Ibovespa abre em queda

Preço do petróleo despenca: veja perguntas e respostas

O que explica o tombo do preço do petróleo e quais os seus efeitos

Petróleo fecha em queda, com alta nos estoques dos EUA

O preço do diesel para o ano de 2017

preço do diesel - logo - blog ILOS

No início do ano 2017, escrevi um post sobre o aumento do preço do diesel no Brasil. Neste período, o preço deste combustível, essencial para o transporte de cargas rodoviárias no país, estava no máximo de sua cotação. Janeiro e fevereiro de 2017 foram os meses que registraram o maior valor do diesel já cobrado nos postos brasileiros (R$ 3,24/litro).

Este cenário, entretanto, mudou nos meses seguintes. O Brasil, depois de muitos anos sem praticamente nenhuma baixa de preços, finalmente registrou queda do preço do diesel nos postos. Em julho de 2017, o valor médio do diesel foi de R$ 3,1/litro, depois de 5 meses de queda consecutiva.

Essa mudança de valores está em linha com as novas políticas de preço da Petrobras, que começaram a valer oficialmente em julho de 2017, mas que já estavam ocorrendo na prática desde o final de 2016. A orientação da Petrobras é que poderão ocorrer ajustes do preço de venda para as refinarias sempre que a equipe achar necessário, podendo até ser diariamente, dentro de uma faixa determinada de 7% (para mais ou para menos). A orientação anterior era de que os reajustas seriam uma vez por mês.

As novas políticas demonstram uma tentativa da Petrobras de recuperar o market share, que tem sido perdido por conta do aumento das importações, especialmente de diesel.

Mas infelizmente, para quem trabalha com logística, a pequena tendência de queda nos preços deste combustível nos postos já se reverteu novamente em agosto de 2017, e o preço do diesel voltou ao patamar do início do ano, fechando o mês em R$ 3,24/litro.

preço do diesel - blog ILOS

Fonte: ANP; Análise: ILOS

O diesel é o principal custo logístico e tem impacto direto na competitividade das empresas brasileiras.

O tema custos logísticos no Brasil será discutido amplamente no 23º Fórum de Internacional de Supply Chain, que ocorrerá em São Paulo, dias 19 a 21 de setembro de 2017 (www.forum.ilos.com.br).

Nos encontramos lá!