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Starbucks e inteligência artificial: ganhar produtividade para focar na interação com o cliente

O desenvolvimento de competências de inteligência artificial é um dos principais pilares da estratégia digital e da visão de futuro do Starbucks. Kevin Johnson, CEO desde 2017, diz ainda que ambicionam ser referência no assunto, até o ponto em que possam comparar sua própria performance àquela das gigantes de tecnologia.

Diferentemente do McDonalds, que tem realizado aquisições, o Starbucks optou por desenvolver essas habilidades internamente, e em parceria com a Microsoft. A iniciativa de AI (Artificial Intelligence) da empresa foi formada em 2017, e se chama “Deep Brew”. Segundo Johnson, a visão da empresa permitiu que o Starbucks recrutasse alguns dos melhores talentos, atraindo candidatos que, em um passado recente, preferiam se juntar às grandes empresas de tecnologia.

Os principais objetivos são melhorar a experiência do consumidor através de personalização, além de “libertar” a mão-de-obra de tarefas administrativas e de backend, para que possam focar na interação com os clientes. Segundo Johnson, “Não se trata de robôs que substituem baristas. Se trata de uma tecnologia que libera tempo dos baristas, para que possam se conectar melhor com o consumidor.”

Atualmente, a tecnologia é utilizada nos EUA para o dimensionamento da força de trabalho (prever quantas pessoas são necessárias por dia em cada filial), e também para automatizar os pedidos de reposição de estoque nas lojas, de forma que os itens certos sejam disponibilizados nas filiais certas.

No que diz respeito à experiência do cliente, a tecnologia é utilizada para personalizar ofertas e recomendações no aplicativo da empresa, com expansão para os menus digitais nos restaurantes e para os drive thrus. O sistema foi construído de forma interligada com os dados de estoque das lojas, de forma a minimizar a frustração dos consumidores com itens em falta.

O mecanismo de recomendação faz uso de dados “regionais” (itens populares no local, clima, hora do dia, dia da semana, se é feriado ou não, por exemplo), e é aperfeiçoado à medida em que o aplicativo é utilizado. Através da análise dos itens comprados e da reação do usuário às ofertas anteriores, o algoritmo pode “entender” que um cliente é vegetariano, ou que tem uma preferência por produtos sem lactose, por exemplo. Além de considerar os ingredientes e categorias de produto comprados, também é avaliada a sensibilidade do consumidor à itens de maior ou menor preço.

Através de técnicas de aprendizagem por reforço, quanto mais transações o usuário realiza no aplicativo, mais as recomendações se aproximam de suas preferências, tanto no que diz respeito aos ingredientes e categorias de produto quanto à preço. Para mais detalhes, confira a apresentação feita pela empresa no evento Microsoft Build em 2019.

Nos drive-thrus e nos restaurantes, a tecnologia não conta com o histórico individual dos usuários como no aplicativo. Porém, segundo a Microsoft, serão utilizados 400 critérios a nível de cada filial para gerar as recomendações.

A empresa também tem investido em dispositivos IoT (internet of things) em suas filiais. Cada loja do Starbucks possui pelo menos uma dúzia de equipamentos (entre máquinas de café, moedores e liquidificadores), que devem estar em condições operacionais por cerca de 16 horas por dia. Falhas em qualquer um desses equipamentos implicam não só em aumento de custos, mas também podem prejudicar a experiência do consumidor.

Em parceira com a Microsoft, a empresa transformou seus equipamentos em dispositivos IoT, que coletam dados desde o tipo de grão de café utilizado, até a temperatura da bebida, qualidade da água e pressão do equipamento. A empresa tem utilizado os dados para assegurar a padronização dos produtos ao longo das milhares de lojas, além de utilizá-los para criar planos de manutenção preditiva dos equipamentos.

Outro uso encontrado pela empresa foi a distribuição de receitas de café diretamente para as máquinas, o que antes era feito manualmente com pendrives para cada filial (para fins de segurança). “Pense na complexidade – precisamos chegar a 30.000 lojas em quase 80 mercados para atualizar essas receitas”, diz Jeff Wile, VP sênior de retail and core technology services.

O Starbucks é uma empresa que não foge quando o assunto é tecnologia, e o fato de terem conseguido recrutar profissionais e desenvolver competências internamente é um grande diferencial, especialmente quando a mão de obra de profissionais de inteligência artificial é escassa e a concorrência acirrada.

Referências:

Mobile Marketer – How Starbucks uses AI to counter mobile’s isolating effect. https://www.mobilemarketer.com/news/how-starbucks-uses-ai-to-counter-mobiles-isolating-effect/570384/

QSR Magazine – Why AI is a ‘Differentiator for the Future’ at Starbucks. https://www.qsrmagazine.com/fast-food/why-ai-differentiator-future-starbucks

Big Data Beard – I’ll take my Starbucks with a shot of AI. https://bigdatabeard.com/ill-take-my-starbucks-with-a-shot-of-ai/

Microsoft – Starbucks turns to technology to brew up a more personal connection with its customers. https://news.microsoft.com/transform/starbucks-turns-to-technology-to-brew-up-a-more-personal-connection-with-its-customers/

CIO Dive – Starbucks’ AI project is turning past investments into data insights. https://www.ciodive.com/news/starbucks-ai-project-is-turning-past-investments-into-data-insights/566362/

3 formas de lidar com a maior complexidade no supply chain

As transformações ocorridas no mundo fizeram com que o consumidor se tornasse muito mais informado e exigente, demandando das empresas o oferecimento de um serviço superior e customizado as suas necessidades. Com muitas informações e opções de compra, além de poder pesquisar mais detalhes e ler as opiniões de outros clientes, o consumidor é capaz de comparar preços e procurar outras opções até mesmo dentro da loja. Outra característica de impacto é a chamada ‘servicificação’ dos produtos. O cliente não quer necessariamente comprar um produto e sim desfrutar do serviço e estabelecer um relacionamento único com a empresa. E não faltam exemplos do efeito da servicificação no comportamento atual de consumo: os DVDs, CDs, carros e casas estão sendo substituídos por Netflix, Spotfy, Uber e Airbnb. O que importa não é mais “ter”, mas “usar”.

Figuras 1 : Servicificação dos Produtos

Fonte: ILOS

 

A partir de todas estas mudanças no comportamento de consumo, o supply chain se vê diante de uma complexidade muito maior e terá que se transformar. Ser mais eficiente, flexível e ágil é mandatório em um contexto de maior volatilidade da demanda, pedidos cada vez menores, aumento do portfólio, aumento da concorrência, criação de novos canais de atendimento, aumento dos pontos de entrega, expectativa de tempos de entrega cada vez menores, menor tolerância a falhas, etc… No Brasil, o contexto é ainda mais complexo considerando os importantes gargalos de infraestrutura e o complexo mosaico de tributações.

Para lidar com esse contexto desafiador e de complexidade crescente, há três formas básicas: Simplificação, Tecnologia e Colaboração. É preciso refletir sobre o(s) caminho(s) que devemos seguir para cumprir os objetivos de longo prazo. O caminho da Simplificação consiste na melhoria contínua por meio da eliminação de desperdícios em todos os processos. Já as novas Tecnologias ajudam a tomar melhores decisões e a reagir às complexidades com maior velocidade. E a Colaboração consiste no compartilhamento de informações, conhecimentos, experiências, estratégias e recursos com outras áreas, empresas ou consumidores.

 

  1. Simplificação

A simplificação se refere a identificar os processos que realmente agregam valor para a operação, para maximizar sua performance e eliminar aqueles que não agregam. A referência de valor deve ser do ponto de vista do cliente, ou seja, o ponto de partida é a identificação do valor para o cliente. Se o que está sendo ofertado não atende este valor, haverá insatisfação e se a oferta vai além do valor haverá desperdício. Depois, é preciso avaliar todo o processo e identificar as etapas que não geram valor para o cliente e elimina-las, assim estaremos evitando os desperdícios de recurso, tempo, etc… Esta é a mentalidade enxuta ou Filosofia Lean.

“O ponto de partida para a Mentalidade Enxuta consiste em definir o que é Valor. Diferente do que muitos pensam, não é a empresa, e sim o cliente quem define o que é valor. Para ele, a necessidade gera o valor, e cabe às empresas determinarem qual é essa necessidade, procurar satisfazê-la e cobrar por isso um preço específico, a fim de manter a empresa no negócio e aumentar seus lucros por meio da melhoria contínua dos processos, da redução de custos e da melhoria da qualidade.”

Fonte: Lean Institute

É importante que este processo de eliminação de desperdício seja feito de forma recorrente, acompanhando a mudança de valor para o cliente. Nesse sentido o PDCA é uma ótima ferramenta para melhoria contínua, em que o P (Plan) refere-se ao planejamento, definindo metas e métodos, o D (Do) refere-se ao treinar, executar e coletar dados, o C (Check) é avaliar resultados e compara-los com as metas e o A (Action) é a ação corretiva, preventiva e de melhoria.

Um exemplo de aplicação da simplificação na gestão logística é a Starbucks, que recebe e distribui itens variados, além de possuir grande número de lojas a serem atendidas globalmente, o que torna a sua operação bem complexa. Após percepção de queda nas vendas e aumento dos custos logísticos, a operação global passou por uma reestruturação que levou à reorganização e simplificação da cadeia em todo o mundo. Saiba mais sobre este caso no post do Alexandre Lobo: Starbucks: reformulação do Supply Chain para reduzir custos.

 

  1. Tecnologia

A automatização é uma das formas mais procuradas para tratar a complexidade, no entanto, antes de investir em tecnologia, é muito importante garantir que os processos já estejam bem desenhados e implementados, pois a tecnologia por si só não trará os resultados potenciais se os processos e as pessoas não estiverem preparados.

A tecnologia pode ser utilizada de variadas formas no supply chain management, é possível pensar em inúmeras aplicações para automação, block chain, aplicativos, internet das coisas, big data, realidade aumentada, impressora 3D, inteligência artificial e por aí vai… A DHL, por exemplo, implementou em seus CDs o vision picking, que seria o uso de smart glasses por seus funcionários no suporte à atividade de picking. O uso do smart glass permite o funcionário escanear e acessar informações importantes como lista dos produtos e sua localização, com as mãos livres. Assista o vídeo para entender melhor a aplicação dessa tecnologia em um armazém:

Para conhecer mais exemplos de tecnologia aplicada ao supply chain, não deixe de ler meu post de 2018 que lista uma série de aplicações da internet das coisas em diversas etapas da cadeia.

 

3. Colaboração

Por meio do compartilhamento de conhecimento, informações e recursos, a colaboração é uma ótima ferramenta de lidar com a complexidade na busca por resultados conjuntos. A colaboração pode ser de diferentes formas e envolver diferentes elos, podendo acontecer dentro da empresa ou com outras empresas da cadeia como clientes, fornecedores, consumidores finais ou até concorrentes.

O Sales and Operations Planning (S&OP) é um processo de planejamento colaborativo entre as áreas envolvidas no atendimento da demanda, passando por comercial até operações. Este processo fornece visibilidade aos trade-offs envolvidos nas diversas decisões de demanda e capacidade, viabilizando a identificação e o aproveitamento de excelentes oportunidades de aumento de receita e redução de custos, mesmo em um ambiente de alta complexidade. O site do ILOS apresenta diversos textos sobre o tema, saiba mais no link: https://www.ilos.com.br/web/?s=s%26OP.

A colaboração entre clientes e fornecedores da cadeia de suprimentos pode apresentar diversos formatos como programas de resposta rápida, VMI, CPFR, entre outros. O compartilhamento de informações em tempo real, a viabilização de ações reativas, com menos dependência de previsões e estoques e a resposta rápida às variações de demanda entre clientes e fornecedores da cadeia só são possíveis por meio de iniciativas colaborativas. Essas iniciativas reduzem o efeito chicote no supply chain e trazem benefícios tanto de aumento de nível de serviço quanto de redução dos níveis de estoque.

Outra forma de colaboração na cadeia é a chamada colaboração horizontal, onde entidades de cadeias diferentes, podendo até ser organizações concorrentes, compartilham suas demandas e estruturas fazendo melhor uso dos recursos. Algumas possibilidades para essa iniciativa são o compartilhamento de armazéns, veículos, frete retorno, entre outras capacidades. Um exemplo interessante de colaboração entre empresas que, á princípio, não tinham relação na cadeia é a parceria entre P&G e a Tupperware: ambos produzem na Bélgica e entregam na Grécia e, enquanto o transporte da P&G era limitado pelo peso, o da Tupperware era restringido pelo volume. A solução conjunta foi o compartilhamento de veículos rodoviários e ferroviários, o que viabilizou a melhor ocupação dos ativos. Neste exemplo, os custos logísticos combinados reduziram em 17% e as emissões de carbono em 30%. Apesar dos leadtimes mais longos, houve aumento de nível de serviço da Tupperware.  Leia mais sobre esta forma de colaboração no post da Thatiana sobre A colaboração horizontal nas cadeias de suprimento.

As cadeias de suprimentos estão cada vez mais complexas e inseridas em contextos cada vez mais desafiadores. A primeira forma de lidar com estes desafios é simplificar, cortando atividades que não agregam valor para o cliente, ou seja, eliminando os desperdícios dos processos. A partir de processos enxutos, a próxima forma de lidar com a complexidade é investir em tecnologia. Dessa forma, é possível tomar melhores decisões e ganhar velocidade de reação. A tecnologia também é uma maneira de viabilizar a colaboração, que é a terceira forma de lidar com os desafios crescentes.  Colaborar com outras áreas dentro da empresa, com outras empresas dentro da cadeia ou com outras cadeias de suprimentos pode trazer benefícios de redução de custo e aumento de nível de serviço para todos os envolvidos. Acredito que o futuro do Supply Chain Management depende da Simplificação, no desenvolvimento de Tecnologia e das relações de Colaboração.

Fontes:

WOMACK, J.P.; JONES, D.T.A Mentalidade Enxuta nas Empresas, 4 ed. Rio de Janeiro, Editora Campus Ltda,1998.

https://www.ilos.com.br/web/starbucks-reformulacao-do-supply-chain-para-reduzir-custos/

https://www.youtube.com/watch?v=I8vYrAUb0BQ&feature=youtu.be

https://www.ilos.com.br/web/exemplos-de-aplicacao-da-internet-das-coisas-no-supply-chain/

https://www.ilos.com.br/web/a-colaboracao-horizontal-nas-cadeias-de-suprimento/

 

Exemplos de aplicação da internet das coisas no supply chain

Há quase um ano escrevi sobre os diferentes estágios de aplicação da IoT no supply chain, dependendo do nível de sofisticação tecnológica empregada. Minha proposta de hoje é trazer alguns exemplos, apresentando a Internet das Coisas de uma forma prática.

Antes de pensarmos nos benefícios da conexão entre as coisas para a cadeia de suprimentos, é importante lembrarmos dos objetivos do Supply Chain Management (SCM), que são maximizar o serviço por meio do aumento dos valores de tempo, lugar, qualidade e informação e, ao mesmo tempo, minimizar os custos por meio da redução de desperdício, minimização do uso de recursos, otimização do uso de ativos e redução dos estoques como ilustrado na figura a seguir:

 Figura 1: Objetivos do Supply Chain Management
Fonte: ILOS

A Internet das Coisas pode contribuir para que o SCM alcance seus objetivos. Ou seja, a IoT pode ajudar trazendo mais valor para o cliente, contribuindo para a entrega do produto na forma, no tempo e no lugar mais adequados e, principalmente, viabilizando o fornecimento das mais variadas informações por meio de tecnologias de rastreamento, sensores e conexão. Além disso, a IoT também pode contribuir com o aumento de eficiência e redução dos custos na cadeia, ajudando com a redução dos desperdícios, otimização dos fluxos de produtos e materiais e otimização da alocação dos recursos por meio do uso da informação em tempo real.

A seguir estão alguns exemplos de iniciativas de aplicação da IoT no Supply Chain Management:

No transporte inbound

  • Rastreamento em tempo real e previsão de chegada
  • Escaneamento automático dos produtos no recebimento

Na armazenagem

  • Gestão automática de estoques com conexão dos porta-paletes
  • Reposição automática dos estoques com a conexão dos porta-paletes com o fornecedor
  • Rastreamento de itens em tempo real
  • Monitoramento da utilização de ativos, como empilhadeiras
  • Detecção de avaria
  • Agendamento automático de manutenção dos equipamentos de acordo com seu desgaste
  • Prevenção de acidentes por meio de sensores
  • Otimização automática de rotas
  • Picking automático
  • Economia no consumo de energia

No transporte outbound

  • Rastreamento de produtos e veículos em tempo real
  • Monitoramento de utilização e ocupação do veículo
  • Agendamento automático de manutenção da frota
  • Previsão de transporte e otimização de rotas (tráfego, cima, etc.)
  • Monitoramento das condições do produto (vibração, temperatura, etc.)
  • Monitoramento de condições de direção (velocidade, segurança, motorista, etc.)

No Customer Service

  • Atualização em tempo real da movimentação e entrega do produto
  • Previsão de vendas colaborativa
  • Monitoramento em tempo real do consumo
  • Pedido automático para reposição dos estoques

É importante pensarmos também na aplicação da IoT no futuro do SCM, que já nos sinaliza algumas transformações como o uso de big data, impressão 3D, robôs, drones, veículos autônomos, etc. Toda essa tecnologia pode ser alavancada com a internet das coisas que será o pano de fundo desta revolução.

A internet das coisas, portanto, é o instrumento transformacional que impacta não apenas as antigas formas de se operar e os tradicionais objetivos do supply chain management, mas também será o grande viabilizador de iniciativas futuras. As empresas que ainda não fazem uso dessa tecnologia, precisam ao menos conhece-la e considera-la em suas estratégias futuras para continuarem competitivas em um mercado cada vez mais conectado.

 

Referências:

http://gtdc.org/wp-content/uploads/2016/06/Internet-of-Things_ATKearney.pdf

‘https://www.ilos.com.br/web/a-evolucao-da-internet-of-things-no-supply-chain-management/

A evolução da Internet of Things no Supply Chain Management

A Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT), apesar de ainda ter bastante oportunidade de evolução, já não é mais novidade. Em 2015, nosso especialista Leonardo Julianelli já falava sobre o tema.

A IoT pode ser aplicada em toda a cadeia de suprimentos, trazendo benefícios para as diversas funções logísticas como na armazenagem, na gestão de estoques, no transporte, no atendimento à demanda e no customer service. Esses benefícios vão desde à redução de custos por meio da redução de desperdícios, redução do consumo de recursos e melhor uso dos ativos, até a melhora do nível de serviço ao agregar valores de tempo, lugar, qualidade e informação. Em resumo, a IoT viabiliza um novo patamar de eficiência operacional, além de criar serviços automatizados para seus clientes.

A aplicação da IoT no supply chain pode se dar em diferentes estágios, dependendo do nível de sofisticação tecnológica empregada:

1. Transparência de ativos

Com o monitoramento dos ativos por meio de sensores é possível registrar a sua utilização. Essa informação pode ser usada a posteriori para análises de produtividade, utilização e ociosidade dos ativos, gerando inputs importantes para tomada de decisão de ajuste de capacidade. Um exemplo seria acompanhar o uso de empilhadeiras, observando as horas do dia que são mais utilizadas e se há espaço para cortar alguma empilhadeira da operação. Dessa forma, por meio do conhecimento profundo de todos os ativos, é possível alcançar a maximização do seu uso.

2. Monitoramento e controle

Juntamente com o monitoramento do uso dos ativos, é interessante acompanhar o consumo de recursos e as condições desses ativos. Quanto estão gastando de energia, qual a temperatura, qual a vibração, são alguns exemplos de monitoramento que podem ser uteis para evitar desperdícios e avarias.

O projeto MoDe, apoiado pela União Europeia, é um exemplo de como o monitoramento e controle por meio da IoT pode reduzir os custos de manutenção de veículos. O projeto consiste no desenvolvimento de um caminhão que identifica de forma autônoma a necessidade de manutenção no momento certo e envia a informação para uma central de monitoramento. Essa central, que recebe os dados sobre as condições dos veículos em tempo real, direciona o veículo para a assistência técnica mais próxima. Dessa forma, evita-se a manutenção preventiva com base em dados históricos e estatísticas, o que pode inativar o veículo antes da real necessidade. Para conhecer mais sobre o projeto MoDe, assista o vídeo a seguir.

Outro exemplo de monitoramento e controle é o protótipo de Smart Bottle da Blue Label, apresentado no Mobile World Congress de Barcelona em 2015. O projeto consiste em um rótulo com sensor impresso com NFC (Near Fiel Communication), que transforma a Blue Label em uma garrafa inteligente. Por meio de um smartfone, o consumidor pode rastrear todo o caminho que a garrafa fez até chegar na gôndola e ainda ter informações sobre as condições do produto (se o rótulo foi violado, por exemplo). Este é um exemplo de como a IoT pode oferecer um melhor nível de serviço ao proporcionar o valor de informação ao cliente. O vídeo a seguir apresenta mais detalhes sobre essa ideia.

3. Otimização da Operação em Tempo Real

Neste estágio de implementação da IoT o objeto possui algoritmos que otimizam sua operação em tempo real, sem a interferência humana. Um exemplo seria o termostato de um frigorífico ligado ao controle de resfriamento, que aumenta ou diminui de intensidade automaticamente de acordo com a temperatura do ambiente de forma a otimizar o uso de energia. Assim a otimização acontece de forma automática, sem necessidade de uma análise de dados a posteriori para a tomada de decisão.

4. Automatização Completa do Sistema

Este é o estágio mais evoluído da IoT, quando os objetos interagem entre si e otimizam a operação como um todo em tempo real, sem necessidade de interação humana no processo. Um exemplo hipotético seria uma prateleira do armazém que atualiza o WMS em tempo real e identifica o nível de estoque dos produtos. Quando o estoque chega no nível mínimo, a prateleira se comunica automaticamente com o ERP do fornecedor e faz o pedido de acordo com os parâmetros programados.

 

Evolução da IoT - blog ILOS

Figura: Estágios do uso da IoT na operação

Atualmente a IoT ainda é muito dependente de interação humana, principalmente na análise dos dados e tomada de decisão. Por isso, ainda há muito espaço para a sua evolução. Espera-se que no futuro a conexão entre objetos e sistemas aconteça de forma completa, deixando para as pessoas as decisões mais estratégicas e o desenvolvimento dos algoritmos de otimização.

 

Referências:

Internet of Things e Nanotecnologia: aonde iremos chegar em Supply Chain Management

http://gtdc.org/wp-content/uploads/2016/06/Internet-of-Things_ATKearney.pdf

 

Como o lançamento do satélite brasileiro pode ajudar na logística?

No início de maio de 2017 foi lançado o primeiro satélite controlado inteiramente pelo governo brasileiro, o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Com esse novo projeto, o Brasil deixará de alugar satélites de empresas privadas, além de ampliar a capacidade de telecomunicações e a cobertura de serviços de internet banda larga no Brasil. O foco será a oferta de banda larga para áreas de difícil acesso e o fornecimento de um meio mais seguro para transferência de informações civis e militares.

Saiba mais sobre o lançamento do satélite na reportagem a seguir:

https://globoplay.globo.com/v/5847163

Esta é uma notícia animadora para os entusiastas da Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT), que pode ser definida como rede de coisas que se comunicam sem interação humana usando conectividade IP. A IoT é uma tendência com muitas oportunidades de aplicação na logística e no supply chain management. Ela pode ajudar trazendo mais valor para o cliente, contribuindo para a entrega do produto na forma, no tempo e no lugar mais adequados e, principalmente, viabilizando o fornecimento das mais variadas informações por meio de tecnologias de rastreamento, sensores e conexão. Por outro lado, a IoT também pode contribuir com o aumento de eficiência e redução dos custos na cadeia, ajudando com a redução dos desperdícios, otimização dos fluxos de produtos e materiais e otimização da alocação dos recursos por meio do uso da informação em tempo real. Por exemplo, imagine um armazém em que as empilhadeiras autônomas estejam conectadas entre si e, por meio de sensores, registrem sua utilização. Essa informação pode ser usada para otimização do uso e minimização de ociosidade das empilhadeiras, para agendamento de manutenção, para otimização de rotas, etc.

Apesar da expectativa de rápido crescimento dessa tecnologia (existem, atualmente, cerca de 20 bilhões de dispositivos conectados no mundo e a expectativa é que este número chegue a 75 bilhões em 2025 como pode ser visto no gráfico a seguir), ainda há algumas barreiras para seu pleno desenvolvimento. Os obstáculos para a evolução da IoT são a segurança da informação, a confiabilidade das conexões, a otimização do uso dos dados, a falta de padronização dos dados e a complexidade de gerenciamento, que pode se apresentar de diferentes formas: fragmentação do supply chain e de sistemas, diversificação de padrões e tecnologias, necessidade de mudar processos organizacionais fundamentais, falta de experiência no desenvolvimento de produtos e serviços conectados, ambientes regulatórios incertos e dificuldade de cálculo do retorno sobre o investimento.

 

Fonte: Forrester, The Internet Of Things Heat Map, 2016

 

 

O lançamento do SGDC promete atacar pelo menos um desses obstáculos viabilizando a evolução da IoT no Brasil. A confiabilidade das conexões, fundamental para garantir a internet das coisas é, atualmente, um problema muito representativo no Brasil, que apresenta muitas áreas descobertas e está em uma posição muito baixa no ranking mundial de qualidade de conexão. Com o fornecimento de banda larga em áreas remotas do país e o aumento da segurança na transferência das informações, o satélite brasileiro pode ser um viabilizador do uso da internet das coisas nas cadeias de suprimentos brasileiras.

A vida útil do satélite é de 18 anos. Como será a evolução da logística no Brasil durante este período?

 

Referências:

www.ilos.com.br/web/internet-of-things-iot-e-nanotecnologia-aonde-iremos-chegar-em-supply-chain-management/

https://www.ilos.com.br/web/internet-das-coisas-iot/http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/governo-lanca-satelite-que-permitira-acesso-a-banda-larga-em-areas-remotas.ghtml

https://www.cloudera.com/content/dam/www/static/documents/analyst-reports/forrester-the-iot-heat-map.pdf

 

Wearable: transformando operadores em homens de ferro

Você já ouviu falar em wearable technology? Se a resposta foi não, você apenas não deve ter ligado o nome à pessoa. Ou no caso, ao acessório. Ao pé da letra, trata-se das “tecnologias vestíveis” e podem ser encontradas em forma de relógios, óculos, luvas, anéis, palmilhas, fones e pulseiras inteligentes.

wearable tecnology_ILOS

Figura 1 – Wearable tecnology

Fonte: Contegix

 

Muitos especialistas acreditam que estamos no caminho de uma revolução e, da mesma forma que os tablets e celulares jogaram para escanteio os desktops, no futuro serão os wearables que ocuparão o lugar dos smartphones. De fato, ainda não vivemos essa realidade, pois apesar de já ouvirmos muito falar do Google Glass e vermos os Apple Watch ganhando popularidade, este tipo de tecnologia ainda não alcançou as massas. E, ao contrário do que aconteceu com os smartphones, o caminho para essa massificação pode vir do mundo dos negócios. Mais especificamente da logística.

Dispositivos portáteis, como sistemas de voz e scanners, já vem sendo usado nos armazéns há bastante tempo. No entanto, o que estamos vendo agora é a mais nova geração de wearables emergindo, combinando tecnologia de reconhecimento de voz, juntamente com óculos inteligentes dotados de GPS, sistemas de digitalização e diversos outros recursos. É a Internet das Coisas (IoT) criando armazéns totalmente conectados.

No início do ano passado a DHL realizou um projeto piloto no seu armazém localizado na Holanda. Durante 3 semanas, 10 operadores do armazém utilizaram apenas SmartGlasses (modelos Google Glass e VuzixM100) na operação. Nada de scanner nem lista de itens a mão. O resultado do experimento foi um verdadeiro indicativo do potencial desta tecnologia: os gráficos dinâmicos exibidos nas lentes dos óculos permitiram aos operadores mãos livres ao longo de todo o processo, aumento em 25% a produtividade e livrando a operação de erros. Veja no Vídeo 1 mais detalhes sobre o experimento realizado pela DHL.

Vídeo 1 – Vision Picking na DHL – Realidade aumentada na logística

Fonte: DHL

 

Outro teste está sendo realizado neste momento pela Volkswagen na sua fábrica localizada em Wolfsburg, na Alemanha. A montadora de automóveis está testando o uso de relógios inteligentes e pulseiras de RFID nas suas operações de montagem de encomendas. Enquanto os SmartWatches permitem aos operadores escanear códigos de barras de forma muito mais rápida que um scanner manual comum, as braçadeiras funcionam como dispositivos antifalhas, emitindo sinais sonoros toda vez que o operador pega uma peça errada. O objetivo é tornar todo o processo mais estável, rápido eficiente.

Para se implementar toda esta tecnologia em larga escala nos armazéns ainda é necessário um elevado investimento de recursos e tempo, o que fez com que os dispositivos ainda não deslanchassem nas operações. Entretanto, o potencial dos wearables é enorme. Além dos já referidos aumento de eficiência e queda nos erros, é possível imaginar benefícios ainda maiores. Os óculos inteligentes dotados de realidade aumentada podem garantir visibilidade em tempo real do status de encomendas e dos volumes em estoque, permitindo as empresas, por exemplo, fazer uma precificação dinâmica dos seus produtos com base na disponibilidade dos itens.

Ao que tudo indica, é questão de tempo para a moda pegar de vez nas fábricas e centros de distribuição das grandes empresas e cada vez mais pessoas vivenciarem um pouco a experiência de Tony Stark.

wearable Iron Man_ILOS

Figura 2 – Realidade aumentada experienciada pelo personagem de Tony Stark no filme Homem de Ferro

Fonte: Maxon

 

Referências

<http://www.dhl.com/en/press/releases/releases_2015/logistics/dhl_successfully_tests_augmented_reality_application_in_warehouse.html>

<https://www.youtube.com/watch?v=I8vYrAUb0BQ>

<http://talkinglogistics.com/2014/01/08/wearable-devices-new-user-interface-logistics-software/>

<http://automotivelogistics.media/pt-br/noticias-pt-br/84756>

<http://www.mbtmag.com/article/2016/02/wearables-warehouse?mod=djemlogistics>