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Soluções IoT para promover o distanciamento de funcionários


No fim de março, divulgamos uma série de ações com o objetivo de minimizar o risco de contaminação nas operações: além das recomendações básicas de higiene e uso de equipamentos de proteção, é possível estruturar e escalonar equipes para minimizar o contágio entre funcionários. Além dessas adaptações no planejamento de equipes e na rotina das operações, à medida em que alguns países planejam a gradual flexibilização das medidas de isolamento, temos visto no mundo o aumento do uso de “dispositivos vestíveis” – os wearables, como mecanismos para assegurar ao máximo o distanciamento social nos locais de trabalho.

soluções IoT - Pixabay

Figura: Soluções IoT podem ajudar a prevenir infecções e rastreá-las, mas questões de privacidade precisam ser discutidas. Imagem: Pete Linforth por Pixabay

Soluções IoT para alertar funcionários da proximidade

Em abril de 2020, uma dúzia de funcionários da fábrica da Ford em Plymouth, Michigan, se voluntariou para testar relógios que vibram quando um funcionário atinge uma distância de ~1,8 metros (6 pés) de outro. O teste faz parte de um conjunto de ações de segurança desenvolvidas para uma eventual retomada da produção. Os dispositivos são da Samsung, com software da empresa Radiant RFID, e funcionam por Bluetooth. As medidas têm sido pilotadas nas fábricas em que a Ford está produzindo respiradores.

O uso de soluções IoT (internet das coisas) tem sido cada vez mais difundido em fábricas e centros de distribuição, principalmente com objetivos de aumento de produtividade, mas também de segurança do trabalho. A Proxxi, por exemplo, é uma startup canadense fundada em 2015 que fabrica pulseiras com sensor de voltagem para detectar equipamentos energizados, com o objetivo de proteger trabalhadores contra acidentes elétricos.

A maioria dos clientes da Proxxi são das indústrias de construção e elétrica, porém, quando a crise do COVID-19 estourou, os clientes começaram a perguntar se seria possível que as pulseiras se comunicassem entre si para alertar os funcionários sobre a necessidade de distanciamento uns dos outros. Daí o desenvolvimento da pulseira Halo, que faz exatamente isso, considerando a distância de ~1,8 metros (6 pés). Com o histórico, caso descubra-se que um funcionário está infectado com o SARS-CoV-2, é possível rastrear todos com quem entrou em contato. Inicialmente, a Proxxi produziu 5 mil pulseiras, e todas já foram vendidas (cada uma a 100 dólares).

Em poucos meses, empresas de tecnologia lançaram soluções

Esses são apenas alguns exemplos, mas são muitas as empresas de tecnologia que lançaram novas soluções ou incorporaram funcionalidades relacionadas ao distanciamento nos produtos já existentes. Elas foram flexíveis e ágeis o suficiente para capturar a oportunidade de mercado, e muitas relatam que sua demanda disparou.

Na Bélgica, funcionários do Porto de Antuérpia já utilizavam pulseiras fabricadas pela Rombit (startup belga fundada em 2012), que desenvolve soluções IoT para terminais portuários, serviços marítimos e plantas petroquímicas. Os dispositivos, que eram usados para pedidos de ajuda caso um funcionário caísse na água ou algum outro acidente ocorresse, agora também alertam os trabalhadores caso cheguem a um raio de 1,5 metros de outro. No fim de abril, John Baekelmans, CEO da Rombit, disse ter recebido pedidos de até 500 empresas de 99 países, com planos de expansão da produção para que 25 mil dispositivos fossem disponibilizados em algumas semanas. Ele conta que, entre os pedidos, há muitas empresas de logística, portos e empresas do setor de construção.

A Blackline Safety, canadense fundada em 2004, fornece tecnologias de segurança no trabalho com foco em detecção de gás. No fim de abril, lançou funcionalidades de rastreabilidade de contato nos produtos existentes. A empresa incorporou relatórios para facilitar que gestores sejam capazes de avaliar se os protocolos de segurança estão sendo respeitados. Outros casos incluem a CarePredict e Guardhat (norte-americanas), Lopos (belga), RightCrowd (australiana) e Tended (inglesa).

Aqui no Brasil, uma das empresas com soluções nessa área é a LogPyx: startup mineira que desenvolve tecnologias IoT com foco no segmento logístico e de supply chain. O dispositivo da empresa, com precisão de rastreamento de 50 cm, alerta funcionários sobre a proximidade de risco e necessidade de distanciamento.

Algumas empresas também pensaram em soluções além do distanciamento e da rastreabilidade de contato entre pessoas. É o caso da norte-americana Immutouch, que lançou uma pulseira que vibra quando o usuário leva as mãos ao rosto, para evitar o toque aos olhos, nariz e boca. Os fundadores, três amigos de faculdade, reportam estar vendendo o produto próximo a preço de custo.

E a privacidade?

No caso das pulseiras da Rombit sendo usadas no Porto de Antuérpia, não há servidor central, e os dispositivos estão conectados apenas entre eles. Porém, na maioria das soluções, são geradas bases de dado granulares com o histórico de movimentação e interação dos funcionários. Implementar esse tipo de solução exige um plano muito bem estruturado, e precisa do apoio e visão da área de RH: Quais dados exatamente são gerados? Quem teria acesso aos dados?

O uso de wearables no ambiente de trabalho sempre traz a preocupação sobre a invasão de privacidade dos funcionários. Os fornecedores das tecnologias argumentam que ter um dispositivo dedicado, como pulseiras e cartões, ao invés de usar o smartphone das pessoas, ajuda a mitigar esse aspecto.

Para além do ambiente de trabalho, no dia-a-dia de todos, vemos muitos países (especialmente asiáticos) rastreando o contágio através de aplicativos nos smartphones da população. Porém, não podemos esquecer que a diferença cultural entre os países é muito grande. Algumas medidas adotadas pelo governo sul coreano, por exemplo, quebrariam leis de privacidade nos EUA. Na Alemanha, o governo planejava desenvolver internamente um sistema de rastreamento, mas alteraram a decisão e passaram a apoiar a solução sendo desenvolvida pela parceria entre a Google e a Apple.

Como é o caso da maioria das tecnologias, há um potencial benefício para todos (empresas e funcionários), mas precisamos garantir que não sejam usadas para o mal. Também é de interesse dos provedores da tecnologia desenvolver soluções de forma a prevenir o mau uso, afinal, caso haja abuso da tecnologia, não há cliente que desejará utiliza-la.

Referências:

Bloomberg – Ford Tests Buzzing Wristbands to Keep Workers at Safe Distances

Business Insider – Dock workers in Belgium are wearing monitoring bracelets that enforce social distancing – here’s how they work

IEEE Spectrum – Back to Work: Wearables Track Social Distancing and Sick Employees in the Workplace

Supply Chain Dive – Wearables could be key for worker safety as warehouses, manufacturers eager to reopen

TechCrunch – Electrical worker safety startup launches a COVID-19 workplace distance and contact tracker

Deutsche Welle – Coronavirus tracking apps: How are countries monitoring infections?

Exemplos de aplicação da internet das coisas no supply chain

Há quase um ano escrevi sobre os diferentes estágios de aplicação da IoT no supply chain, dependendo do nível de sofisticação tecnológica empregada. Minha proposta de hoje é trazer alguns exemplos, apresentando a Internet das Coisas de uma forma prática.

Antes de pensarmos nos benefícios da conexão entre as coisas para a cadeia de suprimentos, é importante lembrarmos dos objetivos do Supply Chain Management (SCM), que são maximizar o serviço por meio do aumento dos valores de tempo, lugar, qualidade e informação e, ao mesmo tempo, minimizar os custos por meio da redução de desperdício, minimização do uso de recursos, otimização do uso de ativos e redução dos estoques como ilustrado na figura a seguir:

 Figura 1: Objetivos do Supply Chain Management
Fonte: ILOS

A Internet das Coisas pode contribuir para que o SCM alcance seus objetivos. Ou seja, a IoT pode ajudar trazendo mais valor para o cliente, contribuindo para a entrega do produto na forma, no tempo e no lugar mais adequados e, principalmente, viabilizando o fornecimento das mais variadas informações por meio de tecnologias de rastreamento, sensores e conexão. Além disso, a IoT também pode contribuir com o aumento de eficiência e redução dos custos na cadeia, ajudando com a redução dos desperdícios, otimização dos fluxos de produtos e materiais e otimização da alocação dos recursos por meio do uso da informação em tempo real.

A seguir estão alguns exemplos de iniciativas de aplicação da IoT no Supply Chain Management:

No transporte inbound

  • Rastreamento em tempo real e previsão de chegada
  • Escaneamento automático dos produtos no recebimento

Na armazenagem

  • Gestão automática de estoques com conexão dos porta-paletes
  • Reposição automática dos estoques com a conexão dos porta-paletes com o fornecedor
  • Rastreamento de itens em tempo real
  • Monitoramento da utilização de ativos, como empilhadeiras
  • Detecção de avaria
  • Agendamento automático de manutenção dos equipamentos de acordo com seu desgaste
  • Prevenção de acidentes por meio de sensores
  • Otimização automática de rotas
  • Picking automático
  • Economia no consumo de energia

No transporte outbound

  • Rastreamento de produtos e veículos em tempo real
  • Monitoramento de utilização e ocupação do veículo
  • Agendamento automático de manutenção da frota
  • Previsão de transporte e otimização de rotas (tráfego, cima, etc.)
  • Monitoramento das condições do produto (vibração, temperatura, etc.)
  • Monitoramento de condições de direção (velocidade, segurança, motorista, etc.)

No Customer Service

  • Atualização em tempo real da movimentação e entrega do produto
  • Previsão de vendas colaborativa
  • Monitoramento em tempo real do consumo
  • Pedido automático para reposição dos estoques

É importante pensarmos também na aplicação da IoT no futuro do SCM, que já nos sinaliza algumas transformações como o uso de big data, impressão 3D, robôs, drones, veículos autônomos, etc. Toda essa tecnologia pode ser alavancada com a internet das coisas que será o pano de fundo desta revolução.

A internet das coisas, portanto, é o instrumento transformacional que impacta não apenas as antigas formas de se operar e os tradicionais objetivos do supply chain management, mas também será o grande viabilizador de iniciativas futuras. As empresas que ainda não fazem uso dessa tecnologia, precisam ao menos conhece-la e considera-la em suas estratégias futuras para continuarem competitivas em um mercado cada vez mais conectado.

 

Referências:

http://gtdc.org/wp-content/uploads/2016/06/Internet-of-Things_ATKearney.pdf

‘https://www.ilos.com.br/web/a-evolucao-da-internet-of-things-no-supply-chain-management/

A evolução da Internet of Things no Supply Chain Management

A Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT), apesar de ainda ter bastante oportunidade de evolução, já não é mais novidade. Em 2015, nosso especialista Leonardo Julianelli já falava sobre o tema.

A IoT pode ser aplicada em toda a cadeia de suprimentos, trazendo benefícios para as diversas funções logísticas como na armazenagem, na gestão de estoques, no transporte, no atendimento à demanda e no customer service. Esses benefícios vão desde à redução de custos por meio da redução de desperdícios, redução do consumo de recursos e melhor uso dos ativos, até a melhora do nível de serviço ao agregar valores de tempo, lugar, qualidade e informação. Em resumo, a IoT viabiliza um novo patamar de eficiência operacional, além de criar serviços automatizados para seus clientes.

A aplicação da IoT no supply chain pode se dar em diferentes estágios, dependendo do nível de sofisticação tecnológica empregada:

1. Transparência de ativos

Com o monitoramento dos ativos por meio de sensores é possível registrar a sua utilização. Essa informação pode ser usada a posteriori para análises de produtividade, utilização e ociosidade dos ativos, gerando inputs importantes para tomada de decisão de ajuste de capacidade. Um exemplo seria acompanhar o uso de empilhadeiras, observando as horas do dia que são mais utilizadas e se há espaço para cortar alguma empilhadeira da operação. Dessa forma, por meio do conhecimento profundo de todos os ativos, é possível alcançar a maximização do seu uso.

2. Monitoramento e controle

Juntamente com o monitoramento do uso dos ativos, é interessante acompanhar o consumo de recursos e as condições desses ativos. Quanto estão gastando de energia, qual a temperatura, qual a vibração, são alguns exemplos de monitoramento que podem ser uteis para evitar desperdícios e avarias.

O projeto MoDe, apoiado pela União Europeia, é um exemplo de como o monitoramento e controle por meio da IoT pode reduzir os custos de manutenção de veículos. O projeto consiste no desenvolvimento de um caminhão que identifica de forma autônoma a necessidade de manutenção no momento certo e envia a informação para uma central de monitoramento. Essa central, que recebe os dados sobre as condições dos veículos em tempo real, direciona o veículo para a assistência técnica mais próxima. Dessa forma, evita-se a manutenção preventiva com base em dados históricos e estatísticas, o que pode inativar o veículo antes da real necessidade. Para conhecer mais sobre o projeto MoDe, assista o vídeo a seguir.

Outro exemplo de monitoramento e controle é o protótipo de Smart Bottle da Blue Label, apresentado no Mobile World Congress de Barcelona em 2015. O projeto consiste em um rótulo com sensor impresso com NFC (Near Fiel Communication), que transforma a Blue Label em uma garrafa inteligente. Por meio de um smartfone, o consumidor pode rastrear todo o caminho que a garrafa fez até chegar na gôndola e ainda ter informações sobre as condições do produto (se o rótulo foi violado, por exemplo). Este é um exemplo de como a IoT pode oferecer um melhor nível de serviço ao proporcionar o valor de informação ao cliente. O vídeo a seguir apresenta mais detalhes sobre essa ideia.

3. Otimização da Operação em Tempo Real

Neste estágio de implementação da IoT o objeto possui algoritmos que otimizam sua operação em tempo real, sem a interferência humana. Um exemplo seria o termostato de um frigorífico ligado ao controle de resfriamento, que aumenta ou diminui de intensidade automaticamente de acordo com a temperatura do ambiente de forma a otimizar o uso de energia. Assim a otimização acontece de forma automática, sem necessidade de uma análise de dados a posteriori para a tomada de decisão.

4. Automatização Completa do Sistema

Este é o estágio mais evoluído da IoT, quando os objetos interagem entre si e otimizam a operação como um todo em tempo real, sem necessidade de interação humana no processo. Um exemplo hipotético seria uma prateleira do armazém que atualiza o WMS em tempo real e identifica o nível de estoque dos produtos. Quando o estoque chega no nível mínimo, a prateleira se comunica automaticamente com o ERP do fornecedor e faz o pedido de acordo com os parâmetros programados.

 

Evolução da IoT - blog ILOS

Figura: Estágios do uso da IoT na operação

Atualmente a IoT ainda é muito dependente de interação humana, principalmente na análise dos dados e tomada de decisão. Por isso, ainda há muito espaço para a sua evolução. Espera-se que no futuro a conexão entre objetos e sistemas aconteça de forma completa, deixando para as pessoas as decisões mais estratégicas e o desenvolvimento dos algoritmos de otimização.

 

Referências:

Internet of Things e Nanotecnologia: aonde iremos chegar em Supply Chain Management

http://gtdc.org/wp-content/uploads/2016/06/Internet-of-Things_ATKearney.pdf

 

Como o lançamento do satélite brasileiro pode ajudar na logística?

No início de maio de 2017 foi lançado o primeiro satélite controlado inteiramente pelo governo brasileiro, o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Com esse novo projeto, o Brasil deixará de alugar satélites de empresas privadas, além de ampliar a capacidade de telecomunicações e a cobertura de serviços de internet banda larga no Brasil. O foco será a oferta de banda larga para áreas de difícil acesso e o fornecimento de um meio mais seguro para transferência de informações civis e militares.

Saiba mais sobre o lançamento do satélite na reportagem a seguir:

https://globoplay.globo.com/v/5847163

Esta é uma notícia animadora para os entusiastas da Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT), que pode ser definida como rede de coisas que se comunicam sem interação humana usando conectividade IP. A IoT é uma tendência com muitas oportunidades de aplicação na logística e no supply chain management. Ela pode ajudar trazendo mais valor para o cliente, contribuindo para a entrega do produto na forma, no tempo e no lugar mais adequados e, principalmente, viabilizando o fornecimento das mais variadas informações por meio de tecnologias de rastreamento, sensores e conexão. Por outro lado, a IoT também pode contribuir com o aumento de eficiência e redução dos custos na cadeia, ajudando com a redução dos desperdícios, otimização dos fluxos de produtos e materiais e otimização da alocação dos recursos por meio do uso da informação em tempo real. Por exemplo, imagine um armazém em que as empilhadeiras autônomas estejam conectadas entre si e, por meio de sensores, registrem sua utilização. Essa informação pode ser usada para otimização do uso e minimização de ociosidade das empilhadeiras, para agendamento de manutenção, para otimização de rotas, etc.

Apesar da expectativa de rápido crescimento dessa tecnologia (existem, atualmente, cerca de 20 bilhões de dispositivos conectados no mundo e a expectativa é que este número chegue a 75 bilhões em 2025 como pode ser visto no gráfico a seguir), ainda há algumas barreiras para seu pleno desenvolvimento. Os obstáculos para a evolução da IoT são a segurança da informação, a confiabilidade das conexões, a otimização do uso dos dados, a falta de padronização dos dados e a complexidade de gerenciamento, que pode se apresentar de diferentes formas: fragmentação do supply chain e de sistemas, diversificação de padrões e tecnologias, necessidade de mudar processos organizacionais fundamentais, falta de experiência no desenvolvimento de produtos e serviços conectados, ambientes regulatórios incertos e dificuldade de cálculo do retorno sobre o investimento.

 

Fonte: Forrester, The Internet Of Things Heat Map, 2016

 

 

O lançamento do SGDC promete atacar pelo menos um desses obstáculos viabilizando a evolução da IoT no Brasil. A confiabilidade das conexões, fundamental para garantir a internet das coisas é, atualmente, um problema muito representativo no Brasil, que apresenta muitas áreas descobertas e está em uma posição muito baixa no ranking mundial de qualidade de conexão. Com o fornecimento de banda larga em áreas remotas do país e o aumento da segurança na transferência das informações, o satélite brasileiro pode ser um viabilizador do uso da internet das coisas nas cadeias de suprimentos brasileiras.

A vida útil do satélite é de 18 anos. Como será a evolução da logística no Brasil durante este período?

 

Referências:

www.ilos.com.br/web/internet-of-things-iot-e-nanotecnologia-aonde-iremos-chegar-em-supply-chain-management/

https://www.ilos.com.br/web/internet-das-coisas-iot/http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/governo-lanca-satelite-que-permitira-acesso-a-banda-larga-em-areas-remotas.ghtml

https://www.cloudera.com/content/dam/www/static/documents/analyst-reports/forrester-the-iot-heat-map.pdf

 

GPS, WAZE e o paradigma do Demand Driven Supply Chain

Lembro bem quando surgiram os primeiros sistemas de GPS para uso em veículos de carga e automóveis. Baseados em geolocalização por satélite, eram pouco precisos e nem se atreviam a tentar estimar a duração do deslocamento. Ajudavam muito apenas na localização de veículos e cargas roubados, mas não eram muito úteis para o gerenciamento de viagens.

Na medida em que o mapeamento viário e os mecanismos de geolocalização foram sendo aperfeiçoados, a precisão na localização dos veículos aumentou e os GPS começaram a estimar o tempo de deslocamento, ainda baseado na velocidade permitida das vias, o que resultava em enormes erros na previsão da duração do percurso.

As empresas que ofereciam sistemas de GPS para o mercado, com o passar do tempo, acumularam enormes bases de dados com os registros das viagens realizadas, o que permitiu aprimorar e estimar com mais precisão a localização e o tempo de deslocamento, que então passou a ser baseado na velocidade “histórica” de cada via a cada horário do dia. A precisão melhorou muito, mas ainda ocorriam grandes erros, pois era impossível antecipar acidentes ou quaisquer outras intercorrências de trânsito.

Por fim, sistemas como o WAZE, baseados não apenas na geolocalização, mas também na informação dos usuários, em uma rede colaborativa de informações, está oferecendo uma precisão cada vez maior. Cruzando dados históricos de velocidade, com informações em tempo real dos veículos a sua frente, é possível estimar o tempo de trajeto com uma precisão incrível e oferecer rotas alternativas em tempo real.

Refletindo sobre esta evolução, é possível traçar um paralelo com o conceito de Demand Driven Supply Chain, que propõe uma cadeia “puxada” pela demanda real, em contraponto a gestão “empurrada”, baseada em previsões de vendas, que encontramos na maioria das empresas.

Em um ambiente cada vez mais dinâmico e incerto, a capacidade preditiva com base em históricos de vendas é cada vez menor, o que leva a grandes erros de previsão e custos elevados com excesso de estoque e/ou rupturas. As empresas tentam usar um “GPS” para decidir que caminho escolher, mas o número de “acidentes” e outros problemas leva a erros significativos nestas escolhas.

Com o advento das ferramentas de CPFR, Big Data Analytics e da Internet of Things, podemos antecipar um planejamento da demanda baseado não apenas no histórico, mas nos acontecimentos em tempo real e, até mesmo, na antecipação de alguns eventos. É um novo paradigma sem dúvida, mas real! Estamos próximos do “WAZE” que tornará a cadeia mais Demand Driven!

Tendências em Supply Chain Management

No post de hoje, gostaria de comentar sobre a interessante reportagem publicada pelo CSCMP’s Supply Chain Quaterly (1.2016), resumindo o relatório da International Data Corporation, o IDC FutureScape: Worldwide Manufacturing 2016 Predictions, repleto de previsões sobre futuras práticas da indústria no que se refere a SCM.

Apesar das principais previsões serem amplamente discutidas nos meios acadêmico e empresarial, como o uso de cloud computing e impressoras 3D, alguns insights são muito interessantes e permitem vislumbrar o alcance das transformações que nos esperam.

A primeira predição que me chamou atenção foi o uso do termo Micrologística, utilizado para descrever uma rede logística pulverizada em pequenos centros de distribuição regionais para atender aos requisitos de um varejo Omni-channel. Segundo os analistas da IDC, cerca de um quarto da indústria americana já estará adotando esta prática no final de 2018.

Outra previsão interessante, mas talvez mais conhecida, é de que em 2018, a grande maioria da indústria terá evoluído seu processo de S&OP para um Integrated Business Planning (IBP), ampliando o horizonte de planejamento e o envolvimento de outras áreas, como Marketing, Finanças e Estratégia, no ciclo de planejamento mensal da demanda.

Segundo a IDC, devemos esperar também que as cadeias se tornem cada vez mais Demand Driven, isto é, com o uso de tecnologias de demand-sensing e incorporando novas funções, a visibilidade da informação ao longo da cadeia permitirá que estas se movam não mais por uma previsão de vendas, mas possam antecipar os movimentos de demanda e reagir eficientemente a eles em tempo real.

Por fim, a robótica e a Internet of Things (IoT) são dois outros fatores apontados pelo estudo como tendências inexoráveis para a área, confirmando o que já havíamos discutido em outros posts. Para lidar com estas inovações, a IDC acredita que, até meados de 2020, 50% dos cargos operacionais em supply chain estarão envolvidos em atividades baseadas em conhecimento que apoiam novas tecnologias, como robótica e computação cognitiva.

Há algum tempo tenho comentado e discutido com meus alunos, clientes e parceiros sobre estas transformações e a nova onda de evolução pela qual a nossa área irá passar e para a qual precisamos estar preparados.

Estou bastante entusiasmado e otimista com o que virá!

Internet of Things (IoT) e Nanotecnologia: aonde iremos chegar em Supply Chain Management?

Ainda inspirado pela Campus Party Brasil 2016, comecei a divagar e a imaginar possíveis caminhos para o uso da tecnologia em Supply Chain Management no futuro. Obviamente, o uso de tecnologia já é uma realidade em nossa área e a grande maioria das empresas não conseguiria lidar com a complexidade de suas operações sem o uso de ferramentas tecnológicas. No entanto, há indícios suficientes para acreditarmos que estamos muito próximos de uma revolução provocada pela Internet of Things (IoT) e a Nanotecnologia.

Em outro post, já havia comentado sobre os possíveis impactos da IoT em nossa área, apresentando algumas iniciativas já existentes. No entanto, podemos tentar imaginar um futuro ainda mais distante com as ferramentas já disponíveis, incluindo aí a nanotecnologia, que promete revolucionar as atividades de embalagem, postergação e monitoramento e integração.

 

Embalagem

As embalagens são extremamente importantes para a movimentação de mercadorias, garantindo proteção e unitização. Além disso, com o uso de códigos de barras e etiquetas de RFID, é possível controlar os níveis de estoque e rastrear os produtos ao longo da cadeia de suprimentos. No entanto, a viabilidade econômica deste monitoramento só é possível, hoje em dia, a partir de um determinado nível de agrupamento mínimo de produtos, a partir do qual o custo de embalagem e rastreamento se torna factível.

Com a nanotecnologia, começa-se a vislumbrar a possibilidade de criarmos “escudos invisíveis”, formados por partículas microscópicas capazes de proteger os produtos em suas dimensões unitárias. Estas micropartículas podem funcionar também como sensores capazes de detectar e proteger a carga contra variações de temperatura e umidade, além de garantir rastreabilidade em toda a cadeia de suprimentos, inclusive nas casas dos consumidores.

O Vídeo 1 apresenta uma demonstração do funcionamento prático da nanotecnologia. A partir daí, podemos imaginar frutas e legumes “embalados” individualmente, protegidos de bactérias, umidade e calor, com shelf life muito maior, reduzindo desperdícios e custos na cadeia de suprimentos alimentícia, por exemplo.

Vídeo 1 – Uma demosntração muito seca

Fonte: Mark Shaw – TED Talk

 

Postponement

A nanotecnologia também promete revolucionar as práticas de postergação, tão importantes para a redução de estoques ao longo da cadeia de suprimentos. Hoje, a postergação é limitada a setores onde o prazo de entrega para o cliente permite a finalização do produto após a colocação do pedido, como na indústria automobilística. Também, em alguns casos mais raros, os armazéns podem funcionar como centros de finalização de embalagens e preparação de kits promocionais.

Em um futuro ainda distante, as nano partículas permitirão a customização do produto, como mudança de cor e mesmo de sabor, até mesmo para indústrias de fast-moving consumer goods (FMCG). A finalização poderá ocorrer durante o transporte e, sonhando mais alto, na própria casa do consumidor.

Integrado com o avanço da IoT, podemos imaginar que robôs de reposição de gôndolas (ou mesmo gôndolas “inteligentes e conectadas”) se comunicarão com o fornecedor para informar que determinada fragrância de sabão em pó está sendo consumida com maior velocidade, fazendo com que micropartículas sejam “ativadas” dentro das caixas de sabão em pó que já saíram do centro de distribuição.

 

Monitoramento e Integração

Sem dúvida alguma, é neste tema que mais podemos “viajar” quando pensamos no futuro do Supply Chain Management. Já é possível sonhar, fundamentados na tecnologia existente de IoT e Nanotecnologia, com a intercomunicação entre os diferentes “atores” da cadeia de suprimentos, que se auto coordenarão através de cloud computing e inteligência artificial.

É possível vislumbrar as informações de consumo fluindo diretamente dos produtos para drones e veículos autônomos, robôs de armazenagem e impressoras 3D. Rotas calculadas com precisão a partir de outros produtos que estão em trânsito. Reposição dos estoques com base no consumo real, não mais em previsões. Problemas operacionais, quebras e necessidade de manutenção informados diretamente pelos equipamentos e veículos. Preços ajustados automaticamente pela demanda e a capacidade disponível informada pelos recursos e produtos disponíveis.

Ficção científica? Vale a pena ver a entrevista com o professor Marcelo Zuffo, do departamento de engenharia de sistemas eletrônicos da escola politécnica da USP, no programa Roda Viva desta semana sobre as mudanças que o avanço da tecnologia trará para a vida das pessoas.

Vídeo 2 – Entrevista com o Professor Marcelo Zuffo

Fonte: TV Cultura – Roda Viva 25/01/2016

 

Referências

<https://www.ifama.org/files/20120066.pdf>

<https://www.ted.com/talks/mark_shaw_one_very_dry_demo>

<https://youtu.be/km7xL4IgR7k>

<https://www.ilos.com.br/web/internet-das-coisas-iot/>

<https://www.ilos.com.br/web/vamos-imprimir-mais/>

<https://www.ilos.com.br/web/postponement-como-mecanismo-de-reducao-de-estoques/>

<https://www.ilos.com.br/web/demand-driven-supply-chain/>

 

Big Data: como lidar com a diversidade de formatos?

Neste momento, está ocorrendo em São Paulo a Campus Party Brasil 2016, evento de tecnologia que reúne comunidades com interesses tão diversos como entretenimento e desenvolvimento de ferramentas e uso da internet para transformação social. É considerado o evento de tecnologia mais importante do país, propiciando um ambiente de troca de conhecimentos e divulgação de inovações. Lendo sobre o evento, lembrei de um vídeo recente, publicado pelo TEDx New York, onde o cientista de dados Ben Wellington fala sobre o potencial de uso do Big Data para transformação social e a necessidade de alguma padronização no formato dos dados para o pleno aproveitamento das informações disponíveis.

Vídeo 1 – Como nós achamos o pior lugar para estacionar em New York usando Big Data

Fonte: TEDx New York

 

No Vídeo 1, Ben cita inúmeros exemplos de insights que ele obteve a partir de dados disponibilizados por órgãos da prefeitura de New York, dentro de um projeto de visibilidade e Open Data iniciado pelo prefeito Bloomberg. No entanto, ele faz críticas à falta de padronização de dados e o uso excessivo da extensão Portable Document Format (pdf) na divulgação de informações que poderiam ser disponibilizadas em Excel ou no formato Comma-Separated Values (csv), o que dificulta a extração e análise de informações.

Este é, sem dúvidas, um grande desafio para o uso do Big Data na tomada de decisão empresarial. Apesar de estarem disponíveis, os dados só passam a ter valor quando transformados em informações relevantes e disponibilizados para os tomadores de decisão. Surge, pois, três grandes desafios ao lidar com a complexidade dos fluxos de informação, que requer a análise e interpretação de uma quantidade cada vez maior de informações (volume), oriundas de fontes e em formatos distintos (variedade) e a disponibilização praticamente em tempo real para um grande número de envolvidos (velocidade).

Dentre estes desafios, hoje a principal dificuldade parece ser trabalhar e cruzar dados nos mais diferentes formatos, como textos, data base, planilhas, áudio, vídeo, transações financeiras, registros de medidores e sensores, entre outros. Grande parte destes dados não está em formato numérico, o que exige novas e sofisticadas ferramentas de análise, com poucas empresas capazes de utilizá-las consistentemente. Assim, fica o reforço ao apelo de Ben para que se avance na construção de regras para a padronização das informações e o desejo de que a Campus Party seja um sucesso e novos robôs de busca e análise de informações possam ser criados para nos ajudar a avançar no uso do Big Data.

 

Referência

<https://www.ted.com/talks/ben_wellington_how_we_found_the_worst_place_to_park_in_new_york_city_using_big_data?language=pt-br>

<https://pt.wikipedia.org/wiki/Campus_Party_Brasil>

HILBERT, M.; LÓPEZ, P. The World’s Technological Capacity to Store, Communicate, and Compute Information. Science Magazine, v. 332, n. 6025, p. 60–65, 2011.

MANYIKA, J.; CHUI, M.; BROWN, B.; et al. Big data : The next frontier for innovation, competition and Productivity. McKinsey Global Institute, páginas 1–137, 2011.