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3 formas de lidar com a maior complexidade no supply chain

As transformações ocorridas no mundo fizeram com que o consumidor se tornasse muito mais informado e exigente, demandando das empresas o oferecimento de um serviço superior e customizado as suas necessidades. Com muitas informações e opções de compra, além de poder pesquisar mais detalhes e ler as opiniões de outros clientes, o consumidor é capaz de comparar preços e procurar outras opções até mesmo dentro da loja. Outra característica de impacto é a chamada ‘servicificação’ dos produtos. O cliente não quer necessariamente comprar um produto e sim desfrutar do serviço e estabelecer um relacionamento único com a empresa. E não faltam exemplos do efeito da servicificação no comportamento atual de consumo: os DVDs, CDs, carros e casas estão sendo substituídos por Netflix, Spotfy, Uber e Airbnb. O que importa não é mais “ter”, mas “usar”.

Figuras 1 : Servicificação dos Produtos

Fonte: ILOS

 

A partir de todas estas mudanças no comportamento de consumo, o supply chain se vê diante de uma complexidade muito maior e terá que se transformar. Ser mais eficiente, flexível e ágil é mandatório em um contexto de maior volatilidade da demanda, pedidos cada vez menores, aumento do portfólio, aumento da concorrência, criação de novos canais de atendimento, aumento dos pontos de entrega, expectativa de tempos de entrega cada vez menores, menor tolerância a falhas, etc… No Brasil, o contexto é ainda mais complexo considerando os importantes gargalos de infraestrutura e o complexo mosaico de tributações.

Para lidar com esse contexto desafiador e de complexidade crescente, há três formas básicas: Simplificação, Tecnologia e Colaboração. É preciso refletir sobre o(s) caminho(s) que devemos seguir para cumprir os objetivos de longo prazo. O caminho da Simplificação consiste na melhoria contínua por meio da eliminação de desperdícios em todos os processos. Já as novas Tecnologias ajudam a tomar melhores decisões e a reagir às complexidades com maior velocidade. E a Colaboração consiste no compartilhamento de informações, conhecimentos, experiências, estratégias e recursos com outras áreas, empresas ou consumidores.

 

  1. Simplificação

A simplificação se refere a identificar os processos que realmente agregam valor para a operação, para maximizar sua performance e eliminar aqueles que não agregam. A referência de valor deve ser do ponto de vista do cliente, ou seja, o ponto de partida é a identificação do valor para o cliente. Se o que está sendo ofertado não atende este valor, haverá insatisfação e se a oferta vai além do valor haverá desperdício. Depois, é preciso avaliar todo o processo e identificar as etapas que não geram valor para o cliente e elimina-las, assim estaremos evitando os desperdícios de recurso, tempo, etc… Esta é a mentalidade enxuta ou Filosofia Lean.

“O ponto de partida para a Mentalidade Enxuta consiste em definir o que é Valor. Diferente do que muitos pensam, não é a empresa, e sim o cliente quem define o que é valor. Para ele, a necessidade gera o valor, e cabe às empresas determinarem qual é essa necessidade, procurar satisfazê-la e cobrar por isso um preço específico, a fim de manter a empresa no negócio e aumentar seus lucros por meio da melhoria contínua dos processos, da redução de custos e da melhoria da qualidade.”

Fonte: Lean Institute

É importante que este processo de eliminação de desperdício seja feito de forma recorrente, acompanhando a mudança de valor para o cliente. Nesse sentido o PDCA é uma ótima ferramenta para melhoria contínua, em que o P (Plan) refere-se ao planejamento, definindo metas e métodos, o D (Do) refere-se ao treinar, executar e coletar dados, o C (Check) é avaliar resultados e compara-los com as metas e o A (Action) é a ação corretiva, preventiva e de melhoria.

Um exemplo de aplicação da simplificação na gestão logística é a Starbucks, que recebe e distribui itens variados, além de possuir grande número de lojas a serem atendidas globalmente, o que torna a sua operação bem complexa. Após percepção de queda nas vendas e aumento dos custos logísticos, a operação global passou por uma reestruturação que levou à reorganização e simplificação da cadeia em todo o mundo. Saiba mais sobre este caso no post do Alexandre Lobo: Starbucks: reformulação do Supply Chain para reduzir custos.

 

  1. Tecnologia

A automatização é uma das formas mais procuradas para tratar a complexidade, no entanto, antes de investir em tecnologia, é muito importante garantir que os processos já estejam bem desenhados e implementados, pois a tecnologia por si só não trará os resultados potenciais se os processos e as pessoas não estiverem preparados.

A tecnologia pode ser utilizada de variadas formas no supply chain management, é possível pensar em inúmeras aplicações para automação, block chain, aplicativos, internet das coisas, big data, realidade aumentada, impressora 3D, inteligência artificial e por aí vai… A DHL, por exemplo, implementou em seus CDs o vision picking, que seria o uso de smart glasses por seus funcionários no suporte à atividade de picking. O uso do smart glass permite o funcionário escanear e acessar informações importantes como lista dos produtos e sua localização, com as mãos livres. Assista o vídeo para entender melhor a aplicação dessa tecnologia em um armazém:

Para conhecer mais exemplos de tecnologia aplicada ao supply chain, não deixe de ler meu post de 2018 que lista uma série de aplicações da internet das coisas em diversas etapas da cadeia.

 

3. Colaboração

Por meio do compartilhamento de conhecimento, informações e recursos, a colaboração é uma ótima ferramenta de lidar com a complexidade na busca por resultados conjuntos. A colaboração pode ser de diferentes formas e envolver diferentes elos, podendo acontecer dentro da empresa ou com outras empresas da cadeia como clientes, fornecedores, consumidores finais ou até concorrentes.

O Sales and Operations Planning (S&OP) é um processo de planejamento colaborativo entre as áreas envolvidas no atendimento da demanda, passando por comercial até operações. Este processo fornece visibilidade aos trade-offs envolvidos nas diversas decisões de demanda e capacidade, viabilizando a identificação e o aproveitamento de excelentes oportunidades de aumento de receita e redução de custos, mesmo em um ambiente de alta complexidade. O site do ILOS apresenta diversos textos sobre o tema, saiba mais no link: https://www.ilos.com.br/web/?s=s%26OP.

A colaboração entre clientes e fornecedores da cadeia de suprimentos pode apresentar diversos formatos como programas de resposta rápida, VMI, CPFR, entre outros. O compartilhamento de informações em tempo real, a viabilização de ações reativas, com menos dependência de previsões e estoques e a resposta rápida às variações de demanda entre clientes e fornecedores da cadeia só são possíveis por meio de iniciativas colaborativas. Essas iniciativas reduzem o efeito chicote no supply chain e trazem benefícios tanto de aumento de nível de serviço quanto de redução dos níveis de estoque.

Outra forma de colaboração na cadeia é a chamada colaboração horizontal, onde entidades de cadeias diferentes, podendo até ser organizações concorrentes, compartilham suas demandas e estruturas fazendo melhor uso dos recursos. Algumas possibilidades para essa iniciativa são o compartilhamento de armazéns, veículos, frete retorno, entre outras capacidades. Um exemplo interessante de colaboração entre empresas que, á princípio, não tinham relação na cadeia é a parceria entre P&G e a Tupperware: ambos produzem na Bélgica e entregam na Grécia e, enquanto o transporte da P&G era limitado pelo peso, o da Tupperware era restringido pelo volume. A solução conjunta foi o compartilhamento de veículos rodoviários e ferroviários, o que viabilizou a melhor ocupação dos ativos. Neste exemplo, os custos logísticos combinados reduziram em 17% e as emissões de carbono em 30%. Apesar dos leadtimes mais longos, houve aumento de nível de serviço da Tupperware.  Leia mais sobre esta forma de colaboração no post da Thatiana sobre A colaboração horizontal nas cadeias de suprimento.

As cadeias de suprimentos estão cada vez mais complexas e inseridas em contextos cada vez mais desafiadores. A primeira forma de lidar com estes desafios é simplificar, cortando atividades que não agregam valor para o cliente, ou seja, eliminando os desperdícios dos processos. A partir de processos enxutos, a próxima forma de lidar com a complexidade é investir em tecnologia. Dessa forma, é possível tomar melhores decisões e ganhar velocidade de reação. A tecnologia também é uma maneira de viabilizar a colaboração, que é a terceira forma de lidar com os desafios crescentes.  Colaborar com outras áreas dentro da empresa, com outras empresas dentro da cadeia ou com outras cadeias de suprimentos pode trazer benefícios de redução de custo e aumento de nível de serviço para todos os envolvidos. Acredito que o futuro do Supply Chain Management depende da Simplificação, no desenvolvimento de Tecnologia e das relações de Colaboração.

Fontes:

WOMACK, J.P.; JONES, D.T.A Mentalidade Enxuta nas Empresas, 4 ed. Rio de Janeiro, Editora Campus Ltda,1998.

https://www.ilos.com.br/web/starbucks-reformulacao-do-supply-chain-para-reduzir-custos/

https://www.youtube.com/watch?v=I8vYrAUb0BQ&feature=youtu.be

https://www.ilos.com.br/web/exemplos-de-aplicacao-da-internet-das-coisas-no-supply-chain/

https://www.ilos.com.br/web/a-colaboracao-horizontal-nas-cadeias-de-suprimento/

 

Exemplos de aplicação da internet das coisas no supply chain

Há quase um ano escrevi sobre os diferentes estágios de aplicação da IoT no supply chain, dependendo do nível de sofisticação tecnológica empregada. Minha proposta de hoje é trazer alguns exemplos, apresentando a Internet das Coisas de uma forma prática.

Antes de pensarmos nos benefícios da conexão entre as coisas para a cadeia de suprimentos, é importante lembrarmos dos objetivos do Supply Chain Management (SCM), que são maximizar o serviço por meio do aumento dos valores de tempo, lugar, qualidade e informação e, ao mesmo tempo, minimizar os custos por meio da redução de desperdício, minimização do uso de recursos, otimização do uso de ativos e redução dos estoques como ilustrado na figura a seguir:

 Figura 1: Objetivos do Supply Chain Management
Fonte: ILOS

A Internet das Coisas pode contribuir para que o SCM alcance seus objetivos. Ou seja, a IoT pode ajudar trazendo mais valor para o cliente, contribuindo para a entrega do produto na forma, no tempo e no lugar mais adequados e, principalmente, viabilizando o fornecimento das mais variadas informações por meio de tecnologias de rastreamento, sensores e conexão. Além disso, a IoT também pode contribuir com o aumento de eficiência e redução dos custos na cadeia, ajudando com a redução dos desperdícios, otimização dos fluxos de produtos e materiais e otimização da alocação dos recursos por meio do uso da informação em tempo real.

A seguir estão alguns exemplos de iniciativas de aplicação da IoT no Supply Chain Management:

No transporte inbound

  • Rastreamento em tempo real e previsão de chegada
  • Escaneamento automático dos produtos no recebimento

Na armazenagem

  • Gestão automática de estoques com conexão dos porta-paletes
  • Reposição automática dos estoques com a conexão dos porta-paletes com o fornecedor
  • Rastreamento de itens em tempo real
  • Monitoramento da utilização de ativos, como empilhadeiras
  • Detecção de avaria
  • Agendamento automático de manutenção dos equipamentos de acordo com seu desgaste
  • Prevenção de acidentes por meio de sensores
  • Otimização automática de rotas
  • Picking automático
  • Economia no consumo de energia

No transporte outbound

  • Rastreamento de produtos e veículos em tempo real
  • Monitoramento de utilização e ocupação do veículo
  • Agendamento automático de manutenção da frota
  • Previsão de transporte e otimização de rotas (tráfego, cima, etc.)
  • Monitoramento das condições do produto (vibração, temperatura, etc.)
  • Monitoramento de condições de direção (velocidade, segurança, motorista, etc.)

No Customer Service

  • Atualização em tempo real da movimentação e entrega do produto
  • Previsão de vendas colaborativa
  • Monitoramento em tempo real do consumo
  • Pedido automático para reposição dos estoques

É importante pensarmos também na aplicação da IoT no futuro do SCM, que já nos sinaliza algumas transformações como o uso de big data, impressão 3D, robôs, drones, veículos autônomos, etc. Toda essa tecnologia pode ser alavancada com a internet das coisas que será o pano de fundo desta revolução.

A internet das coisas, portanto, é o instrumento transformacional que impacta não apenas as antigas formas de se operar e os tradicionais objetivos do supply chain management, mas também será o grande viabilizador de iniciativas futuras. As empresas que ainda não fazem uso dessa tecnologia, precisam ao menos conhece-la e considera-la em suas estratégias futuras para continuarem competitivas em um mercado cada vez mais conectado.

 

Referências:

http://gtdc.org/wp-content/uploads/2016/06/Internet-of-Things_ATKearney.pdf

‘https://www.ilos.com.br/web/a-evolucao-da-internet-of-things-no-supply-chain-management/

A evolução da Internet of Things no Supply Chain Management

A Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT), apesar de ainda ter bastante oportunidade de evolução, já não é mais novidade. Em 2015, nosso especialista Leonardo Julianelli já falava sobre o tema.

A IoT pode ser aplicada em toda a cadeia de suprimentos, trazendo benefícios para as diversas funções logísticas como na armazenagem, na gestão de estoques, no transporte, no atendimento à demanda e no customer service. Esses benefícios vão desde à redução de custos por meio da redução de desperdícios, redução do consumo de recursos e melhor uso dos ativos, até a melhora do nível de serviço ao agregar valores de tempo, lugar, qualidade e informação. Em resumo, a IoT viabiliza um novo patamar de eficiência operacional, além de criar serviços automatizados para seus clientes.

A aplicação da IoT no supply chain pode se dar em diferentes estágios, dependendo do nível de sofisticação tecnológica empregada:

1. Transparência de ativos

Com o monitoramento dos ativos por meio de sensores é possível registrar a sua utilização. Essa informação pode ser usada a posteriori para análises de produtividade, utilização e ociosidade dos ativos, gerando inputs importantes para tomada de decisão de ajuste de capacidade. Um exemplo seria acompanhar o uso de empilhadeiras, observando as horas do dia que são mais utilizadas e se há espaço para cortar alguma empilhadeira da operação. Dessa forma, por meio do conhecimento profundo de todos os ativos, é possível alcançar a maximização do seu uso.

2. Monitoramento e controle

Juntamente com o monitoramento do uso dos ativos, é interessante acompanhar o consumo de recursos e as condições desses ativos. Quanto estão gastando de energia, qual a temperatura, qual a vibração, são alguns exemplos de monitoramento que podem ser uteis para evitar desperdícios e avarias.

O projeto MoDe, apoiado pela União Europeia, é um exemplo de como o monitoramento e controle por meio da IoT pode reduzir os custos de manutenção de veículos. O projeto consiste no desenvolvimento de um caminhão que identifica de forma autônoma a necessidade de manutenção no momento certo e envia a informação para uma central de monitoramento. Essa central, que recebe os dados sobre as condições dos veículos em tempo real, direciona o veículo para a assistência técnica mais próxima. Dessa forma, evita-se a manutenção preventiva com base em dados históricos e estatísticas, o que pode inativar o veículo antes da real necessidade. Para conhecer mais sobre o projeto MoDe, assista o vídeo a seguir.

Outro exemplo de monitoramento e controle é o protótipo de Smart Bottle da Blue Label, apresentado no Mobile World Congress de Barcelona em 2015. O projeto consiste em um rótulo com sensor impresso com NFC (Near Fiel Communication), que transforma a Blue Label em uma garrafa inteligente. Por meio de um smartfone, o consumidor pode rastrear todo o caminho que a garrafa fez até chegar na gôndola e ainda ter informações sobre as condições do produto (se o rótulo foi violado, por exemplo). Este é um exemplo de como a IoT pode oferecer um melhor nível de serviço ao proporcionar o valor de informação ao cliente. O vídeo a seguir apresenta mais detalhes sobre essa ideia.

3. Otimização da Operação em Tempo Real

Neste estágio de implementação da IoT o objeto possui algoritmos que otimizam sua operação em tempo real, sem a interferência humana. Um exemplo seria o termostato de um frigorífico ligado ao controle de resfriamento, que aumenta ou diminui de intensidade automaticamente de acordo com a temperatura do ambiente de forma a otimizar o uso de energia. Assim a otimização acontece de forma automática, sem necessidade de uma análise de dados a posteriori para a tomada de decisão.

4. Automatização Completa do Sistema

Este é o estágio mais evoluído da IoT, quando os objetos interagem entre si e otimizam a operação como um todo em tempo real, sem necessidade de interação humana no processo. Um exemplo hipotético seria uma prateleira do armazém que atualiza o WMS em tempo real e identifica o nível de estoque dos produtos. Quando o estoque chega no nível mínimo, a prateleira se comunica automaticamente com o ERP do fornecedor e faz o pedido de acordo com os parâmetros programados.

 

Evolução da IoT - blog ILOS

Figura: Estágios do uso da IoT na operação

Atualmente a IoT ainda é muito dependente de interação humana, principalmente na análise dos dados e tomada de decisão. Por isso, ainda há muito espaço para a sua evolução. Espera-se que no futuro a conexão entre objetos e sistemas aconteça de forma completa, deixando para as pessoas as decisões mais estratégicas e o desenvolvimento dos algoritmos de otimização.

 

Referências:

Internet of Things e Nanotecnologia: aonde iremos chegar em Supply Chain Management

http://gtdc.org/wp-content/uploads/2016/06/Internet-of-Things_ATKearney.pdf

 

Como o lançamento do satélite brasileiro pode ajudar na logística?

No início de maio de 2017 foi lançado o primeiro satélite controlado inteiramente pelo governo brasileiro, o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Com esse novo projeto, o Brasil deixará de alugar satélites de empresas privadas, além de ampliar a capacidade de telecomunicações e a cobertura de serviços de internet banda larga no Brasil. O foco será a oferta de banda larga para áreas de difícil acesso e o fornecimento de um meio mais seguro para transferência de informações civis e militares.

Saiba mais sobre o lançamento do satélite na reportagem a seguir:

https://globoplay.globo.com/v/5847163

Esta é uma notícia animadora para os entusiastas da Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT), que pode ser definida como rede de coisas que se comunicam sem interação humana usando conectividade IP. A IoT é uma tendência com muitas oportunidades de aplicação na logística e no supply chain management. Ela pode ajudar trazendo mais valor para o cliente, contribuindo para a entrega do produto na forma, no tempo e no lugar mais adequados e, principalmente, viabilizando o fornecimento das mais variadas informações por meio de tecnologias de rastreamento, sensores e conexão. Por outro lado, a IoT também pode contribuir com o aumento de eficiência e redução dos custos na cadeia, ajudando com a redução dos desperdícios, otimização dos fluxos de produtos e materiais e otimização da alocação dos recursos por meio do uso da informação em tempo real. Por exemplo, imagine um armazém em que as empilhadeiras autônomas estejam conectadas entre si e, por meio de sensores, registrem sua utilização. Essa informação pode ser usada para otimização do uso e minimização de ociosidade das empilhadeiras, para agendamento de manutenção, para otimização de rotas, etc.

Apesar da expectativa de rápido crescimento dessa tecnologia (existem, atualmente, cerca de 20 bilhões de dispositivos conectados no mundo e a expectativa é que este número chegue a 75 bilhões em 2025 como pode ser visto no gráfico a seguir), ainda há algumas barreiras para seu pleno desenvolvimento. Os obstáculos para a evolução da IoT são a segurança da informação, a confiabilidade das conexões, a otimização do uso dos dados, a falta de padronização dos dados e a complexidade de gerenciamento, que pode se apresentar de diferentes formas: fragmentação do supply chain e de sistemas, diversificação de padrões e tecnologias, necessidade de mudar processos organizacionais fundamentais, falta de experiência no desenvolvimento de produtos e serviços conectados, ambientes regulatórios incertos e dificuldade de cálculo do retorno sobre o investimento.

 

Fonte: Forrester, The Internet Of Things Heat Map, 2016

 

 

O lançamento do SGDC promete atacar pelo menos um desses obstáculos viabilizando a evolução da IoT no Brasil. A confiabilidade das conexões, fundamental para garantir a internet das coisas é, atualmente, um problema muito representativo no Brasil, que apresenta muitas áreas descobertas e está em uma posição muito baixa no ranking mundial de qualidade de conexão. Com o fornecimento de banda larga em áreas remotas do país e o aumento da segurança na transferência das informações, o satélite brasileiro pode ser um viabilizador do uso da internet das coisas nas cadeias de suprimentos brasileiras.

A vida útil do satélite é de 18 anos. Como será a evolução da logística no Brasil durante este período?

 

Referências:

www.ilos.com.br/web/internet-of-things-iot-e-nanotecnologia-aonde-iremos-chegar-em-supply-chain-management/

https://www.ilos.com.br/web/internet-das-coisas-iot/http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/governo-lanca-satelite-que-permitira-acesso-a-banda-larga-em-areas-remotas.ghtml

https://www.cloudera.com/content/dam/www/static/documents/analyst-reports/forrester-the-iot-heat-map.pdf

 

Internet of Things (IoT) e Nanotecnologia: aonde iremos chegar em Supply Chain Management?

Ainda inspirado pela Campus Party Brasil 2016, comecei a divagar e a imaginar possíveis caminhos para o uso da tecnologia em Supply Chain Management no futuro. Obviamente, o uso de tecnologia já é uma realidade em nossa área e a grande maioria das empresas não conseguiria lidar com a complexidade de suas operações sem o uso de ferramentas tecnológicas. No entanto, há indícios suficientes para acreditarmos que estamos muito próximos de uma revolução provocada pela Internet of Things (IoT) e a Nanotecnologia.

Em outro post, já havia comentado sobre os possíveis impactos da IoT em nossa área, apresentando algumas iniciativas já existentes. No entanto, podemos tentar imaginar um futuro ainda mais distante com as ferramentas já disponíveis, incluindo aí a nanotecnologia, que promete revolucionar as atividades de embalagem, postergação e monitoramento e integração.

 

Embalagem

As embalagens são extremamente importantes para a movimentação de mercadorias, garantindo proteção e unitização. Além disso, com o uso de códigos de barras e etiquetas de RFID, é possível controlar os níveis de estoque e rastrear os produtos ao longo da cadeia de suprimentos. No entanto, a viabilidade econômica deste monitoramento só é possível, hoje em dia, a partir de um determinado nível de agrupamento mínimo de produtos, a partir do qual o custo de embalagem e rastreamento se torna factível.

Com a nanotecnologia, começa-se a vislumbrar a possibilidade de criarmos “escudos invisíveis”, formados por partículas microscópicas capazes de proteger os produtos em suas dimensões unitárias. Estas micropartículas podem funcionar também como sensores capazes de detectar e proteger a carga contra variações de temperatura e umidade, além de garantir rastreabilidade em toda a cadeia de suprimentos, inclusive nas casas dos consumidores.

O Vídeo 1 apresenta uma demonstração do funcionamento prático da nanotecnologia. A partir daí, podemos imaginar frutas e legumes “embalados” individualmente, protegidos de bactérias, umidade e calor, com shelf life muito maior, reduzindo desperdícios e custos na cadeia de suprimentos alimentícia, por exemplo.

Vídeo 1 – Uma demosntração muito seca

Fonte: Mark Shaw – TED Talk

 

Postponement

A nanotecnologia também promete revolucionar as práticas de postergação, tão importantes para a redução de estoques ao longo da cadeia de suprimentos. Hoje, a postergação é limitada a setores onde o prazo de entrega para o cliente permite a finalização do produto após a colocação do pedido, como na indústria automobilística. Também, em alguns casos mais raros, os armazéns podem funcionar como centros de finalização de embalagens e preparação de kits promocionais.

Em um futuro ainda distante, as nano partículas permitirão a customização do produto, como mudança de cor e mesmo de sabor, até mesmo para indústrias de fast-moving consumer goods (FMCG). A finalização poderá ocorrer durante o transporte e, sonhando mais alto, na própria casa do consumidor.

Integrado com o avanço da IoT, podemos imaginar que robôs de reposição de gôndolas (ou mesmo gôndolas “inteligentes e conectadas”) se comunicarão com o fornecedor para informar que determinada fragrância de sabão em pó está sendo consumida com maior velocidade, fazendo com que micropartículas sejam “ativadas” dentro das caixas de sabão em pó que já saíram do centro de distribuição.

 

Monitoramento e Integração

Sem dúvida alguma, é neste tema que mais podemos “viajar” quando pensamos no futuro do Supply Chain Management. Já é possível sonhar, fundamentados na tecnologia existente de IoT e Nanotecnologia, com a intercomunicação entre os diferentes “atores” da cadeia de suprimentos, que se auto coordenarão através de cloud computing e inteligência artificial.

É possível vislumbrar as informações de consumo fluindo diretamente dos produtos para drones e veículos autônomos, robôs de armazenagem e impressoras 3D. Rotas calculadas com precisão a partir de outros produtos que estão em trânsito. Reposição dos estoques com base no consumo real, não mais em previsões. Problemas operacionais, quebras e necessidade de manutenção informados diretamente pelos equipamentos e veículos. Preços ajustados automaticamente pela demanda e a capacidade disponível informada pelos recursos e produtos disponíveis.

Ficção científica? Vale a pena ver a entrevista com o professor Marcelo Zuffo, do departamento de engenharia de sistemas eletrônicos da escola politécnica da USP, no programa Roda Viva desta semana sobre as mudanças que o avanço da tecnologia trará para a vida das pessoas.

Vídeo 2 – Entrevista com o Professor Marcelo Zuffo

Fonte: TV Cultura – Roda Viva 25/01/2016

 

Referências

<https://www.ifama.org/files/20120066.pdf>

<https://www.ted.com/talks/mark_shaw_one_very_dry_demo>

<https://youtu.be/km7xL4IgR7k>

<https://www.ilos.com.br/web/internet-das-coisas-iot/>

<https://www.ilos.com.br/web/vamos-imprimir-mais/>

<https://www.ilos.com.br/web/postponement-como-mecanismo-de-reducao-de-estoques/>

<https://www.ilos.com.br/web/demand-driven-supply-chain/>

 

Big Data: como lidar com a diversidade de formatos?

Neste momento, está ocorrendo em São Paulo a Campus Party Brasil 2016, evento de tecnologia que reúne comunidades com interesses tão diversos como entretenimento e desenvolvimento de ferramentas e uso da internet para transformação social. É considerado o evento de tecnologia mais importante do país, propiciando um ambiente de troca de conhecimentos e divulgação de inovações. Lendo sobre o evento, lembrei de um vídeo recente, publicado pelo TEDx New York, onde o cientista de dados Ben Wellington fala sobre o potencial de uso do Big Data para transformação social e a necessidade de alguma padronização no formato dos dados para o pleno aproveitamento das informações disponíveis.

Vídeo 1 – Como nós achamos o pior lugar para estacionar em New York usando Big Data

Fonte: TEDx New York

 

No Vídeo 1, Ben cita inúmeros exemplos de insights que ele obteve a partir de dados disponibilizados por órgãos da prefeitura de New York, dentro de um projeto de visibilidade e Open Data iniciado pelo prefeito Bloomberg. No entanto, ele faz críticas à falta de padronização de dados e o uso excessivo da extensão Portable Document Format (pdf) na divulgação de informações que poderiam ser disponibilizadas em Excel ou no formato Comma-Separated Values (csv), o que dificulta a extração e análise de informações.

Este é, sem dúvidas, um grande desafio para o uso do Big Data na tomada de decisão empresarial. Apesar de estarem disponíveis, os dados só passam a ter valor quando transformados em informações relevantes e disponibilizados para os tomadores de decisão. Surge, pois, três grandes desafios ao lidar com a complexidade dos fluxos de informação, que requer a análise e interpretação de uma quantidade cada vez maior de informações (volume), oriundas de fontes e em formatos distintos (variedade) e a disponibilização praticamente em tempo real para um grande número de envolvidos (velocidade).

Dentre estes desafios, hoje a principal dificuldade parece ser trabalhar e cruzar dados nos mais diferentes formatos, como textos, data base, planilhas, áudio, vídeo, transações financeiras, registros de medidores e sensores, entre outros. Grande parte destes dados não está em formato numérico, o que exige novas e sofisticadas ferramentas de análise, com poucas empresas capazes de utilizá-las consistentemente. Assim, fica o reforço ao apelo de Ben para que se avance na construção de regras para a padronização das informações e o desejo de que a Campus Party seja um sucesso e novos robôs de busca e análise de informações possam ser criados para nos ajudar a avançar no uso do Big Data.

 

Referência

<https://www.ted.com/talks/ben_wellington_how_we_found_the_worst_place_to_park_in_new_york_city_using_big_data?language=pt-br>

<https://pt.wikipedia.org/wiki/Campus_Party_Brasil>

HILBERT, M.; LÓPEZ, P. The World’s Technological Capacity to Store, Communicate, and Compute Information. Science Magazine, v. 332, n. 6025, p. 60–65, 2011.

MANYIKA, J.; CHUI, M.; BROWN, B.; et al. Big data : The next frontier for innovation, competition and Productivity. McKinsey Global Institute, páginas 1–137, 2011.