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Operações logísticas em Zonas Francas

As Zonas Francas são áreas com intuito de desenvolver a atividade econômica de um país através de incentivos fiscais e estímulos que facilitem as trocas comerciais. Muitas empresas buscam as Zonas Francas por conta das facilidades logísticas que normalmente servem tais regiões e pelos custos reduzidos, principalmente tributários. Os países criam tais Zonas para atrair empresas que queiram desenvolver negócios na região, desenvolvendo a economia local e gerando empregos. Mas quais seriam os principais benefícios que as ZFs fornecem, e que cuidados os gestores devem ter ao definir sua estratégia de operações?

Figura 1 – Zona Libre de Colón: maior Zona Franca da América, localizada no Panamá.
Fonte: Wikimedia Commons

 

O primeiro ponto que os gestores devem considerar é o logístico. De maneira geral, as Zonas Francas situam-se em áreas portuárias, o que facilita a movimentação marítima das cargas. Porém, algumas delas podem estar em áreas continentais. A definição de qual área é a mais vantajosa depende muito da malha logística que a empresa possui ou pretende instalar. É importante considerar os custos de transporte dos fluxos inbound e outbound. Para isso, é fundamental saber: i) onde estão seus fornecedores atuais e potenciais, e ii) onde está localizada a demanda atual e futura. O nível de serviço pretendido deve também entrar no cálculo. Além disso, existem os custos de armazenagem. Dependendo dos custos fixos e variáveis para manter a operação, a decisão do posicionamento da operação pode mudar muito. Neste ponto, algumas Zonas Francas podem fornecer subsídios no aluguel de áreas e em outros custos fixos, como utilidades, por exemplo.

Conhecendo os custos logísticos, outro aspecto importante de análise é o tributário. Existem uma série de vantagens em custos tributários que uma empresa pode obter caso decida operar em uma Zona Franca. Na Zona Franca de Manaus, por exemplo, existem benefícios sobre os Impostos de Importação, de Renda, IPI, PIS, COFINS e ICMS. Na Zona Franca de Cartagena, na Colômbia, ocorre isenção no imposto sobre as vendas (IVA) e redução na alíquota de Imposto de Renda.

Um dos pontos de atenção para definição dos ganhos tributários é o tipo de operação que a empresa pretende realizar na Zona Franca. Por exemplo, uma empresa brasileira que atenda mercados na América Latina e América do Norte pode instalar um Hub Logístico na Colômbia, por ser uma região central geográfica entre as áreas de atendimento. Dependendo da origem e destino dos produtos e dos Acordos Comerciais vigentes, este Hub poderia fornecer um enorme benefício tributário, especificamente em Impostos de Importação. Por exemplo: algumas classes de produtos possuem alíquota de importação de 10% entre Brasil e México. Os mesmos produtos possuem alíquota zero entre Brasil e Colômbia e alíquota zero entre Colômbia e México. Neste caso, existe um claro benefício tributário, certo? Bem, nem sempre.

Figura 2 –Benefício tributário no imposto de importação no envio de produtos entre Brasil-Colômbia-México comparado ao caso Brasil-México.

Fonte: ILOS 

No exemplo dado, as operações típicas de um Hub Logístico, como armazenamento e etiquetagem, não confeririam o Certificado de Origem colombiano. Ou seja, o produto trazido do Brasil para a Colômbia seria reenviado para o México com Certificado de Origem brasileiro, obrigando o pagamento da alíquota de 10%. Nas Zonas Francas colombianas, é necessário realizar uma transformação no produto para obter o Certificado de Origem, o que não ocorreria para um Hub Logístico, e sim para uma indústria ou manufatura.

O exemplo apresentado ilustra a importância de entender bem as características da operação e as regras de cada operador da Zona Franca de interesse. Entender os Acordos Comerciais entre os países, entender os benefícios fiscais que a ZF fornece e definir com clareza a malha logística de atendimento da empresa e seus custos logísticos é o primeiro passo para alinhar a estratégia de operações com os objetivos financeiros da companhia.

Referências:

http://site.suframa.gov.br/assuntos/incentivos-fiscais

http://www.inviertaencolombia.com.co/zonas-francas-y-otros-incentivos/zonas-francas-permanentes.html

Mudanças estratégicas no supply chain da Nike

As exigências crescentes por novos produtos, customização, qualidade e alto nível de serviço tem desafiado grandes empresas ao redor do mundo. Para atender seus clientes, a Nike tem investido em parcerias estratégicas e inovação ao longo da sua cadeia de suprimentos.

A complexidade e o tamanho da logística da Nike já foi tema aqui em nosso blog, em um post do Alexandre Lobo. Para se ter uma ideia da dimensão de suas operações, a Nike irá enviar 1,3 bilhões de produtos em 2018, através de 566 fábricas e 75 centros de distribuição, para 30 mil pontos de venda em 190 países. Uma empresa com tais dimensões necessita constantemente de inovações para se manter na liderança de seu mercado, e é o que se observa em diversas áreas da empresa.

Como é de se esperar, a Nike investe muito em automação e robótica em suas plantas fabris. Não somente a velocidade para a fabricação de seus produtos é importante, como também a escalabilidade que permite que tais inovações sejam aplicáveis para múltiplos SKUs e em diferentes locais. Um exemplo é o processo de fabricação do solado dos pares de tênis que, através da inovação, reduziu o tempo de produção de 50 minutos para 2,5 minutos, o que diminuiu em 75% o consumo de energia, 50% dos custos de ferramentas e 60% dos custos de mão-de-obra.

Além disso, a Nike tem feito parcerias com empresas específicas, como a fabricante Flex para produção dentro dos Estados Unidos. Através somente desta parceria estratégica, a Nike irá entregar mais de 3 milhões de pares no país em 2018 e com expectativa de dezenas de milhões em 2023, com mais de 25% deste volume sendo vendido diretamente para o consumidor. Com esta parceria, a Nike conseguiu reduzir seu lead time entre produção e entrega do produto de 60 dias para somente 10. Apesar do benefício em lead time que a proximidade oferece, trazer a produção das tradicionais fábricas asiáticas para solo americano tem seu custo. Para reduzir o custo de mão-de-obra, por exemplo, a Flex utiliza automação em larga escala.

Esta parceria também permite um go-to-market mais ágil, como o que ocorreu com o modelo Nike Flyknit. Com a fabricante parceira Flex, este modelo chegou ao mercado 12 semanas antes do que o mesmo modelo chegou com um fabricante tradicional. Além disso, o Flyknit pode ser totalmente customizado no site da empresa e entregue na casa do cliente em menos de 10 dias.

Figura 1 – Modelo de calçado Nike Flyknit

Fonte: Divulgação

 

Não somente a criação de parcerias é um objetivo da Nike como também a redução no número de varejos em sua cadeia de suprimentos. Foco maior em parceiros estratégicos e nas vendas online trariam mudanças drásticas no setor. Além disso, a Nike pretende trazer maior visibilidade de seus estoques, porém não para o varejo, e sim para o consumidor. Ou seja, o cliente poderia visualizar se o calçado que ele busca tem ou não em estoque na loja de sua preferência.

Inovação, parcerias e colaboração na cadeia de suprimentos tem permitido à Nike se manter no topo. A configuração de sua nova estratégia de operações permite o atendimento deste mercado cada vez mais exigente.

Para conhecer melhor as operações da empresa, o ILOS organiza anualmente a Missão Internacional de Logística na Europa, cujo roteiro incorpora a visita ao Mega CD da Nike que atende todo o continente europeu, localizado na Bélgica.

Figura 2 – Visita ao Mega CD da Nike em Flanders, na Bélgica, realizada na Missão

Fonte: Acervo ILOS

 

Referências:

<http://www.scdigest.com/ONTARGET/17-11-01-1.PHP?cid=13235&ctype=content>

<http://investors.nike.com/investors/news-events-and-reports/events-and-presentations/event-details/2017/2017-NIKE-INC-INVESTOR-DAY/default.aspx>