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Reuso de embalagens plásticas e mais poder de compra para famílias de baixa renda: conheça a Algramo

“The Ocean Plastic Innovation Challenge” é uma competição global organizada pela National Geographic. Lançada em fevereiro de 2019, e com duração de um ano, o objetivo é desenvolver soluções para lidar com a geração de resíduos plásticos. A competição é dividida em três grandes tracks temáticos, com prêmios totalizando 500 mil dólares por track além de oportunidades de receber investimentos. Uma das temáticas diz respeito à economia circular, com o objetivo de desenvolvimento de modelos de negócio e soluções tecnológicas escaláveis com foco em reduzir o impacto ambiental gerado por embalagens plásticas.

A competição se encontra na reta final, com 10 finalistas de 5 países nesse track temático, sendo apenas 1 da América Latina: a Algramo, empresa chilena idealizada em 2012 por José Manuel Moller e Salvador Achondo. A ideia da startup surgiu quando perceberam como famílias mais humildes, que vivem na periferia da cidade, acabam pagando preços excessivos por bens essenciais porque só conseguem comprar pequenas quantidades por vez. Segundo a empresa, produtos em embalagens menores podem custar de 30% a 50% a mais se comparados com embalagens maiores.

A Algramo comercializa produtos alimentícios (arroz, feijão, açúcar, etc.) e de higiene (detergentes em pó e líquido) em formato granel através de máquinas de vendas: para fazer a compra, basta colocar a embalagem no local indicado, selecionar o produto desejado, inserir as moedas e pressionar um botão. Os clientes compram as embalagens, que são reutilizáveis, mas quando estas chegam ao fim de seu ciclo de vida, podem ser trocadas por descontos ou por novas embalagens, sendo as velhas encaminhadas para reciclagem. Do lado do consumidor, compra-se a quantidade desejada sem perdas de escala no preço por grama.

Figuras 1 :Máquina de vendas da Algramo. Fonte: Algramo

Assim, a startup atua não somente em uma vertente ambiental, mas também social: estimula o reuso de embalagens plásticas e ao mesmo tempo fornece a possibilidade de famílias com menor poder aquisitivo comprarem produtos ao mesmo preço por grama, mesmo em menores quantidades. Em 2015 a Algramo estava presente em 350 mercados locais em Santiago, tendo escalado a operação para 2 mil lojas em outubro de 2019. Estima-se que a empresa tenha alcançado 350 mil consumidores.

Além das máquinas de venda, a empresa começou, no início de 2019, a fornecer o serviço em unidades móveis (basicamente máquinas de venda montadas em cima de triciclos elétricos). Em maio, iniciou uma parceria com a Unilever para distribuição de produtos OMO e Quix nesse formato móvel, e mais nove veículos devem ser lançados até o fim de 2019. Os veículos circulam por bairros com o equipamento adequado para encher as garrafas reutilizáveis. Segundo a empresa, o OMO vendido nos triciclos é cerca de 30% mais barato do que nas prateleiras de supermercados.

Os próximos passos para a Algramo incluem uma parceria com a Nestlé, para distribuição de produtos de alimentação pet (Purina Dog Chow e Cat Chow), além de expansão das operações para os EUA até o segundo semestre de 2020.

Referências:

Recycling Today – Sustainability alert: Finalists advance in Ocean Plastic Innovation Challenge. https://www.recyclingtoday.com/article/finalists-advance-national-geographic-ocean-plastic-innovation-challenge/

Contxto – Chilean sustainability startup Algramo competes in Ocean Plastic Innovation Challenge. https://www.contxto.com/en/chile/chilean-sustainability-startup-algramo-competes-in-ocean-plastic-innovation-challenge/

The Guardian – How one Chilean startup is bringing an end to single-use plastics. https://www.theguardian.com/business-call-to-action-partnerzone/2018/jul/04/how-one-chilean-startup-is-bringing-an-end-to-single-use-plastics

Sustainable Brands – Chilean Startup Eliminating Packaging Waste, ‘Poverty Tax’ in Latin American Product Market. https://sustainablebrands.com/read/defining-the-next-economy/chilean-startup-eliminating-packaging-waste-poverty-tax-in-latin-american-product-market

América Retail – Chile: Algramo introduces new intelligent, sustainable and reusable packaging. https://www.america-retail.com/chile/chile-algramo-presenta-nuevos-envases-inteligentes-reutilizables-y-sustentables/

Como as caixas de entrega podem reduzir o custo logístico

Grande parte dos fabricantes, distribuidores e varejistas do setor de bens de consumo utiliza maciçamente caixas de papelão para a consolidação das entregas e recebimentos de seus produtos. Isso se deve majoritariamente ao baixo custo e boa resistência desse tipo de embalagem, aliado também a possibilidade de reciclagem das caixas avariadas ou sem possibilidade de utilização futura. Todavia, mesmo com essas vantagens, ainda existem algumas oportunidades na operacionalização dessas caixas que podem trazer ganhos substanciais nos custos de suas operações e que por muitas vezes são negligenciadas pelos gestores logísticos.

Figura 1 – Diferentes tamanhos de caixas para o embarque de produtos

 

Um bom exemplo é o reaproveitamento de caixas. Todos os elos da cadeia de suprimentos dos setores alimentícios e de fármacos, por exemplo, recebem grande parte de seus pedidos em caixas de papelão. Essas caixas podem ser vendidas para empresas de reciclagem gerando um pequeno saving, ou ainda serem reaproveitadas em operações de movimentação interna, como transferência entre CDs ou envio para PDVs. Nessa segunda opção, a redução de custos é consideravelmente maior, uma vez que o custo com a compra de caixas de papelão é totalmente eliminado até que não haja mais condição de uso das caixas originais.

Entretanto, é importante avaliar os impactos do reaproveitamento de caixas para a operação como um todo. A má utilização da capacidade total das caixas pode levar a um aumento do custo com transportes, usualmente o principal quando falamos em custos logísticos. Isso se deve ao fato de possivelmente haver aumento no volume total de caixas embarcadas sem que haja de fato um aumento no volume de produtos. Em outras palavras, o veículo transporta mais ar dentro de suas caixas. Dessa forma, é importante sempre estar atento ao alinhamento entre o volume dos pedidos e a capacidade das caixas utilizadas na entrega.

E a sua empresa, utiliza caixas de reaproveitamento? Consegue identificar o tamanho ideal das caixas para cada pedido? Grandes oportunidades de redução de custos podem aparecer ao se observar o detalhe desses processos.

Shyp: a ciência no processo de embalagem

Para que a logística cumpra o seu papel com perfeição, é preciso que o produto chegue no lugar desejado, dentro do prazo prometido e de maneira adequada. Para garantir este último aspecto, nada é tão importante quanto a embalagem. De que adianta para um cliente receber um produto rapidamente se ele chega amassado ou quebrado?

Há pouco mais de 3 anos, o ILOS realizou um interessante experimento para avaliar o desempenho logístico de algumas das principais lojas virtuais do Brasil. Foi solicitado para seis grandes varejistas do e-commerce a entrega de uma taça de vidro em diferentes endereços espalhados por São Paulo e Belém. Entre atrasos e cancelamentos de pedidos, chegaram também muitos produtos avariados. Dentre os casos, chamou a atenção o de uma empresa que, ao invés, de enviar a única taça pedida e cobrada, enviou um pacote com 6 unidades, das quais 3 vieram quebradas. Seria uma tentativa de garantir que pelo menos um dos produtos viria perfeito? Não seria melhor para a empresa investir tempo e recursos em garantir uma correta embalagem do produto ao invés de desperdiçar produtos e espaço nos veículos transportando produtos que o cliente não solicitou?

Em seu mais recente post, Maria Fernanda comentou sobre as oportunidades de aumento de eficiência logística através do redesenho de embalagens. Pois uma startup americana localizada no Vale do Silício parece ter pensado nisso na hora de criar o seu negócio.

Assim como o Uber Rush, a Shyp promete comodidade ao buscar rapidamente a encomenda e faze-la chegar corretamente ao seu destino. Tudo solicitado por meio de um aplicativo no smartphone ou tablet (Figura 1). As semelhanças, entretanto, param por aí. Na Shyp, a responsável pela embalagem do produto é a própria empresa e a entrega do produto é realizada por uma transportadora.

Shyp_Aplicativo_embalagem_ILOS

Figura 1 – Aplicativo da Shyp

Fonte: Tech Crunch

 

O serviço funciona da seguinte forma: o cliente acessa o aplicativo da empresa e tira uma foto do produto que deseja despachar. Em até 20 minutos, um profissional da Shyp busca o produto no local e leva para o armazém da empresa. E é lá que a ciência acontece. Especialistas analisam cuidadosamente cada produto, identificando pontos mais frágeis e suscetíveis a avarias durante o transporte da encomenda, e desenvolvem uma embalagem personalizada para o item. Utilizando invólucros especiais e uma máquina destinada a criar caixas de papelão com as dimensões desejadas, cada embalagem é feita considerando o tamanho, peso e peculiaridades de cada produto. O resultado são encomendas bem protegidas e embalagens compactas para os mais diversos tipos de produtos.

Vídeo 1 – Processo de embalagem da Shyp

Fonte: Shyp

 

Em seguida, a Shyp seleciona entre os principais transportadores do país, como UPS, FedEx e USPS, aquele que oferece o frete mais barato considerando as dimensões e peso do pacote, distância até o destinatário e velocidade de entrega desejada pelo cliente. Este, por sua vez, acompanha e rastreia todo o processo por meio do seu aplicativo.

Além do frete pago para a transportadora, a Shyp cobra US$ 5 pelo seu serviço, que inclui um seguro de US$ 100 para casos de roubo ou avarias no produto. Para produtos pequenos ou médios e não frágeis, a embalagem é de graça. Para os demais, há ainda uma pequena taxa extra, definida caso a caso.

O serviço é promissor. Para os clientes, a possibilidade de enviar uma encomenda sem ter que se preocupar em embalar corretamente o item e ter que buscar a transportadora mais barata para fazer isso. Para as transportadoras, uma oportunidade e tanto de ganho de eficiência: além de buscar várias encomendas em um único lugar (o armazém da Shyp), o processo correto de embalagem permite aproveitamento máximo de capacidade dos veículos e evita o transporte de ar.

O lado negativo? Apesar das encomendas poderem ser entregues no mundo todo, o serviço de coleta só está disponível por enquanto nas cidades de São Francisco, Nova York, Los Angeles e Chicago.

 

Transportando ar

Para todos os produtos que olho, vejo oportunidades de aumento de eficiência logística.

Faça esse teste: abra uma embalagem de papelão de pasta de dentes. Olhe lá dentro. Você verá o tubo com a pasta, mas também verá muito espaço vazio. Isso significa que houve muito transporte de ar quando o produto foi distribuído para as lojas.

Transportar ar é jogar dinheiro fora, gastando-se diesel para movimentar espaços vazios. Além do custo da matéria-prima excessiva, da poluição do planeta com queima desnecessária de combustível e da produção desnecessária de embalagens que serão descartadas.

Isso acontece com cosméticos, produtos de limpeza, remédios, alimentos, brinquedos, sapatos…

A boa notícia é que as empresas estão trabalhando em cima desse tema há algum tempo, tentando eliminar ineficiências nas embalagens e nos produtos. Mas ainda há muito o que fazer.

Quem é de marketing pode argumentar que as vendas podem diminuir com a redução de embalagens. É verdade. Mas vamos pensar juntos. É papel das empresas mudar o mind set de seus consumidores, se isso for trazer benefício para todos: clientes, empresas e planeta. O desafio da equipe de marketing é trabalhar a comunicação ao consumidor, acostumado a pensar que uma embalagem maior tem mais produto, mesmo que não tenha.

Um exemplo de empresa que realizou modificações foi a Kimberly-Clark, fabricante do papel higiênico Neve. Segundo a empresa, foi investido U$ 6,5 milhões para o desenvolvimento do papel Neve compacto, cuja embalagem ocupa um espaço 18% menor no caminhão.

A Unilever é outro exemplo. A empresa gastou milhões para divulgar a primeira embalagem de Confort concentrado em 2009 e de desodorante compacto em 2015. Mas o desafio será maior em 2016, pois a empresa já anunciou cortes de verbas e orçamento “base-zero” para Marketing (que exige que os executivos comecem do zero e justifiquem os investimentos que pretendem realizar).

Além disso, muitos consumidores ainda não se sentem satisfeitos com as embalagens compactas, vide o grande número de reclamações que ainda ocorre a respeito dos produtos concentrados.

Mas uma coisa é certa, o caminho a ser seguido envolve redução de embalagens, até o limite de não precisarmos mais delas

 

Internet of Things (IoT) e Nanotecnologia: aonde iremos chegar em Supply Chain Management?

Ainda inspirado pela Campus Party Brasil 2016, comecei a divagar e a imaginar possíveis caminhos para o uso da tecnologia em Supply Chain Management no futuro. Obviamente, o uso de tecnologia já é uma realidade em nossa área e a grande maioria das empresas não conseguiria lidar com a complexidade de suas operações sem o uso de ferramentas tecnológicas. No entanto, há indícios suficientes para acreditarmos que estamos muito próximos de uma revolução provocada pela Internet of Things (IoT) e a Nanotecnologia.

Em outro post, já havia comentado sobre os possíveis impactos da IoT em nossa área, apresentando algumas iniciativas já existentes. No entanto, podemos tentar imaginar um futuro ainda mais distante com as ferramentas já disponíveis, incluindo aí a nanotecnologia, que promete revolucionar as atividades de embalagem, postergação e monitoramento e integração.

 

Embalagem

As embalagens são extremamente importantes para a movimentação de mercadorias, garantindo proteção e unitização. Além disso, com o uso de códigos de barras e etiquetas de RFID, é possível controlar os níveis de estoque e rastrear os produtos ao longo da cadeia de suprimentos. No entanto, a viabilidade econômica deste monitoramento só é possível, hoje em dia, a partir de um determinado nível de agrupamento mínimo de produtos, a partir do qual o custo de embalagem e rastreamento se torna factível.

Com a nanotecnologia, começa-se a vislumbrar a possibilidade de criarmos “escudos invisíveis”, formados por partículas microscópicas capazes de proteger os produtos em suas dimensões unitárias. Estas micropartículas podem funcionar também como sensores capazes de detectar e proteger a carga contra variações de temperatura e umidade, além de garantir rastreabilidade em toda a cadeia de suprimentos, inclusive nas casas dos consumidores.

O Vídeo 1 apresenta uma demonstração do funcionamento prático da nanotecnologia. A partir daí, podemos imaginar frutas e legumes “embalados” individualmente, protegidos de bactérias, umidade e calor, com shelf life muito maior, reduzindo desperdícios e custos na cadeia de suprimentos alimentícia, por exemplo.

Vídeo 1 – Uma demosntração muito seca

Fonte: Mark Shaw – TED Talk

 

Postponement

A nanotecnologia também promete revolucionar as práticas de postergação, tão importantes para a redução de estoques ao longo da cadeia de suprimentos. Hoje, a postergação é limitada a setores onde o prazo de entrega para o cliente permite a finalização do produto após a colocação do pedido, como na indústria automobilística. Também, em alguns casos mais raros, os armazéns podem funcionar como centros de finalização de embalagens e preparação de kits promocionais.

Em um futuro ainda distante, as nano partículas permitirão a customização do produto, como mudança de cor e mesmo de sabor, até mesmo para indústrias de fast-moving consumer goods (FMCG). A finalização poderá ocorrer durante o transporte e, sonhando mais alto, na própria casa do consumidor.

Integrado com o avanço da IoT, podemos imaginar que robôs de reposição de gôndolas (ou mesmo gôndolas “inteligentes e conectadas”) se comunicarão com o fornecedor para informar que determinada fragrância de sabão em pó está sendo consumida com maior velocidade, fazendo com que micropartículas sejam “ativadas” dentro das caixas de sabão em pó que já saíram do centro de distribuição.

 

Monitoramento e Integração

Sem dúvida alguma, é neste tema que mais podemos “viajar” quando pensamos no futuro do Supply Chain Management. Já é possível sonhar, fundamentados na tecnologia existente de IoT e Nanotecnologia, com a intercomunicação entre os diferentes “atores” da cadeia de suprimentos, que se auto coordenarão através de cloud computing e inteligência artificial.

É possível vislumbrar as informações de consumo fluindo diretamente dos produtos para drones e veículos autônomos, robôs de armazenagem e impressoras 3D. Rotas calculadas com precisão a partir de outros produtos que estão em trânsito. Reposição dos estoques com base no consumo real, não mais em previsões. Problemas operacionais, quebras e necessidade de manutenção informados diretamente pelos equipamentos e veículos. Preços ajustados automaticamente pela demanda e a capacidade disponível informada pelos recursos e produtos disponíveis.

Ficção científica? Vale a pena ver a entrevista com o professor Marcelo Zuffo, do departamento de engenharia de sistemas eletrônicos da escola politécnica da USP, no programa Roda Viva desta semana sobre as mudanças que o avanço da tecnologia trará para a vida das pessoas.

Vídeo 2 – Entrevista com o Professor Marcelo Zuffo

Fonte: TV Cultura – Roda Viva 25/01/2016

 

Referências

<https://www.ifama.org/files/20120066.pdf>

<https://www.ted.com/talks/mark_shaw_one_very_dry_demo>

<https://youtu.be/km7xL4IgR7k>

<https://www.ilos.com.br/web/internet-das-coisas-iot/>

<https://www.ilos.com.br/web/vamos-imprimir-mais/>

<https://www.ilos.com.br/web/postponement-como-mecanismo-de-reducao-de-estoques/>

<https://www.ilos.com.br/web/demand-driven-supply-chain/>