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O interessante modelo das “caixas-surpresa”

Um dos maiores problemas para a maioria dos profissionais de logística é certamente a imprevisibilidade. As inúmeras incertezas da cadeia de suprimentos fazem com que as empresas trabalhem com vários itens e embalagens diferentes (SKUs – Stock Keeping Units) que precisam ser produzidos e estocados com antecedência para atender a demandas pontuais, que podem surgir a qualquer momento, o que traz alta complexidade e custos elevados.

Nesse sentido, uma modalidade relativamente recente de comércio chama a atenção: os clubes de assinaturas que entregam produtos “surpresa” para assinantes. Um dos pioneiros e mais famosos é o Lootcrate, dos EUA, que oferece produtos como livros e bonecos, mas já há variedades que entregam vinhos (os Wine Clube), peças esportivas e até mesmo produtos para animais de estimação, como o DogBox, em todo o mundo.

Figura 1 – Serviços de clubes de assinatura entregam desde revistas e bonecos a vinhos (Fonte: LootCrate e Wine.com.br)

Em geral, estes clubes ou planos funcionam da seguinte forma: o cliente paga uma mensalidade (ou trimestralidade, ou anuidade) e recebe periodicamente em sua casa uma caixa com um ou mais produtos, que ele não sabia previamente quais seriam. O valor do serviço está na conveniência de o cliente não precisar constantemente acessar uma loja física ou online, ainda mais com a dificuldade de escolher produtos frente a tantas opções que temos atualmente. Além disso, há ainda o próprio fator surpresa da compra, que equivale à emoção de se estar ganhando um presente.

Para as empresas que oferecem este tipo de serviço, é possível alcançar uma diminuição considerável na complexidade de atendimento em comparação com uma venda tradicional online. Pense bem: a demanda, que é uma variável muito importante, mas imprevisível quando consideradas todas as fragmentações de SKU, cliente, locais e janela de tempo disponíveis, se torna muito mais simples de gerenciar uma vez que esta é agrupada em número de “caixas-surpresa”. A variação passa a ser apenas no número de clientes. Além disso, a maior parte da demanda é vista com grande antecedência, sabendo-se exatamente onde os clientes estão, o que facilita o planejamento de operações como o transporte.

Por fim, há ainda a facilidade de fornecimento. Como o cliente não conhece os produtos exatos que pode receber até o mês da entrega, a empresa pode se dar ao luxo de buscar no mercado itens que tenham custo menor de compra, que foram produzidos em excesso, etc., desde que consiga agradar aos seus assinantes com a escolha, claro. Geralmente, a procura pelos produtos é feita com diversos meses de antecedência, visando um planejamento mais eficiente, e a empresa pode contratar fretes de suprimento mais consolidados e sem necessidades de prazos rápidos.

É preciso ressaltar, entretanto, que a complexidade não acaba de vez com esse tipo de negócio. Recentemente esses serviços estão ficando mais diversificados, oferecendo diferentes pacotes, com variadas opções, como por exemplo, caixas que vêm só com camisetas, ou vinhos de uma faixa de preço específico. Há também um trabalho de marketing intenso para entender o gosto do consumidor e oferecer os itens certos para cada momento, e também para buscar os produtos no mercado. O maior número de competidores naturalmente também aumenta a pressão por custos mais baixos.

De qualquer forma, parece ser um modelo interessante, onde a maior imprevisibilidade para o consumidor se transforma em menor incerteza para os vendedores.

 

Referências

https://mashable.com/2013/08/14/loot-crate-gamers/#m9z_baEpKZqC

https://www.inc.com/jeff-haden/create-a-profitable-subscription-model-how-loot-cr.html

http://www.gazetadopovo.com.br/economia/10-clubes-de-assinatura-que-entregam-delicias-em-casa-cozbjqv60l6gjwl4ieiqjyp6z

Logística – Mais uma refém da violência

O tema da segurança pública ganhou os holofotes do noticiário ultimamente, com fatos notáveis como a intervenção federal no estado do Rio de Janeiro e a criação de um ministério exclusivo para a área. É um assunto de extrema importância e que infelizmente não tem obtido avanços no país, e além do medo que causa na população, ainda há um grande ônus para a logística também.

Já falamos no blog ILOS diversas vezes sobre o problema do roubo de cargas e sobre como os custos dos assaltos acabam prejudicando todos os elos da cadeia de suprimentos, e parece que a situação só piora. No ano passado, tanto a cidade de São Paulo quanto a do Rio de Janeiro bateram recordes nesse tipo de ocorrência. Alguns dados mostram a gravidade da situação. Na capital paulista, o número de assaltos anual cresceu 30% em relação a 2012. Já no estado do Rio, há uma média de 29 casos do tipo a cada dia, ou seja, mais de um por hora.

Este cenário traz complicações diretas para a logística. Um exemplo disso é o impacto nos serviços de Correios. A empresa anunciou que passará a cobrar uma taxa de R$3 adicionais para encomendas que passem pelo estado do Rio, sejam elas postadas ou entregues em território fluminense, com a justificativa de que houve um aumento nos custos para garantir a segurança. Um levantamento recente da Folha de São Paulo mostrou que, na capital paulista, quase um terço (29%) do território é considerado área de risco, onde as entregas são feitas com prazos maiores devido a necessidades especiais, como escolta armada, ou simplesmente não são feitas, cabendo ao destinatário coletar a encomenda em uma agência. Algumas empresas de e-commerce já até recusam a entrega em alguns CEPs de lugares com índices de violência maiores.

Os profissionais de logística trabalham arduamente para cumprir a missão de entregar produtos em áreas cada vez mais abrangentes, com menores prazos e custos, e com mais confiabilidade para os clientes, mas infelizmente a atividade é mais uma refém do grande perigo pelo qual o país passa.

 

Referências

https://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/roubo-de-cargas-no-rj-bate-recorde-em-2017-18012018

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/correios-vao-cobrar-taxa-extra-para-entregas-no-rio-devido-a-violencia.ghtml

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/12/1946271-violencia-restringe-entrega-de-produto-pelos-correios-em-29-da-cidade-de-sp.shtml

https://revistapegn.globo.com/Tecnologia/noticia/2017/08/e-commerces-comecam-evitar-areas-de-risco-no-rio.html

Segurança e gestão de riscos da cadeia de suprimentos

Perdas relativas à falta de segurança nas operações são bastante representativas em empresas de diversos setores do país. A Monica Barros já comentou no início do ano que o Brasil é considerado o sexto país com maior risco para o transporte de carga, algo que impacta consideravelmente o preço do frete. Entretanto, o roubo de cargas é apenas uma das possíveis perdas por falta de segurança na cadeia de suprimentos, além de furtos, ataques cibernéticos e pirataria, por exemplo. É importante frisar que independentemente da localização da empresa na cadeia, toda e qualquer perda por falta de segurança impacta diretamente o cliente final e, por consequência, todos os elos envolvidos em sua cadeia de suprimentos. Assim sendo, como cada empresa pode individualmente tentar minimizar esses prejuízos?

É importante sempre alinhar o plano de segurança com o tipo de operação realizada pela empresa. Um varejista de loja física, por exemplo, tem os furtos, tanto a partir de clientes quanto de funcionários, como principais vilões em termos de segurança, tendo investimentos em sistemas de vigilância interna como mais adequados para diminuírem esse tipo de perda. Já varejistas de e-commerce e distribuidores sofrem consideráveis perdas com roubo de carga nas estradas, e em alguns casos também ataques cibernéticos. Assim sendo, investimentos em escoltas armadas e segurança digital são mais apropriados.

Todavia essas perdas por falta de segurança podem ser minimizadas, mas jamais chegarão a zero. Sempre haverá um ponto ótimo entre o total investido e o total de prejuízos evitados. Dessa forma, é de fundamental necessidade que todos os investimentos em segurança sejam acompanhados de um plano de gestão de riscos para a rotina de operação, que leve em consideração a magnitude das possíveis perdas e respectivas iniciativas de segurança. Seguros de cargas e/ou escolta armada somente para cargas acima de determinado valor são exemplos desse tipo de iniciativa.

A verdade é que, por muitas vezes, despesas com segurança são vistas como custos e não como investimentos. Despesas desse tipo bem alocadas podem gerar retornos financeiro consideráveis com a minimização das perdas de estoque, além de constituir uma vantagem competitiva robusta frente aos concorrentes.

E a sua empresa, possui um plano de segurança e gestão de riscos alinhados às necessidades do negócio? A segurança de uma cadeia de suprimentos é tão forte quanto a de seu elo mais fraco.

 

Referências

<http://www.scdigest.com/experts/Holste_17-09-27.php?cid=13069>

<https://www.ilos.com.br/web/roubo-de-carga-e-o-impacto-no-custo-de-transporte/>

Entrega de produtos dentro da sua casa: a nova aposta do e-commerce americano

A guerra pela melhoria do serviço no e-commerce parece não ter limites mesmo. Entrega no dia seguinte, no mesmo dia, em uma hora, em casa, no escritório e por drones, entre outras, já são alguns dos serviços desenvolvidos nos últimos anos. Os players desse mercado, porém, não estão de brincadeira quando se fala em aumentar a conveniência para o comprador.

A Amazon mostrou há pouco tempo o Amazon Key, serviço em que o entregador da empresa vai deixar o produto dentro da sua casa. Não na porta, ou numa caixa de correio, mas na mesa da sua sala, ou no corredor.  O ganho por trás da ideia é evitar que entregas tenham retorno por ausência do destinatário, o que também acarreta em custos para a empresa, ou que haja risco de furto da mercadoria, quando deixada em algum local de fácil acesso.  Não apenas produtos, mas até mesmos serviços como limpeza podem ser adquiridos. A nova modalidade já está disponível, a princípio limitado a 37 cidades americanas, e será restrito a assinantes do Amazon Prime.

Vídeo 1 – Amazon Key

Fonte: Amazon

 

Curiosamente, a gigante do e-commerce mundial parece estar até um pouco atrasada nesse quesito. Isso porque o Walmart anunciou em setembro que já testará a entrega não apenas dentro da casa do comprador, mas que também fará a arrumação dos itens nos locais apropriados, inclusive colocando na geladeira os alimentos frios e bebidas.

Figura 1 – Walmart quer entregar suas compras até a geladeira

Fonte: Walmart

 

Evidentemente, a principal preocupação das pessoas ao cogitarem a utilização desse tipo de serviço é com a segurança, afinal, elas estariam permitindo a entrada de estranhos em sua residência sem estarem presentes. Por conta disso, ambos os serviços exigem que o comprador possua uma Smart Lock, que requer autorização remota do dono da casa para entrada de pessoas, e uma Cloud Cam, que permite que o usuário acompanhe em tempo real os que acontece na sua casa durante a entrega. O kit proprietário da Amazon com os dois itens custa $250, o que também deve ajudar a custear a iniciativa.

E aí, o que achou? Gostaria de utilizar algum desses serviços? E qual serão as novas inovações do e-commerce?

 

Referências

https://www.tecmundo.com.br/produto/123460-amazon-lanca-servico-voce-monitorar-entrada-estranhos-casa.htm

http://fortune.com/2017/09/22/walmart-delivery-grocery/

Omnichannel ganha novo avanço com o Google

A venda multicanal, ou omnichannel, está ganhando um reforço de peso para levar mais opções ao consumidor brasileiro. Segundo reportagem desta semana do Valor Econômico (somente para assinantes), o Google está fechando parceria com empresas varejistas brasileiras para que os seus usuários saibam quais lojas possuem determinado produto em estoque e, em certo casos, possam, inclusive, reservar o produto para pegá-lo na loja no mesmo dia.

A ideia é simples: interessado em um produto, o consumidor pesquisa no Google, que fornece em seus resultados o nível de estoque da mercadoria procurada, dando preferência às lojas mais próximas do usuário. Pilotos do projeto já aconteceram em outros países, e o Brasil é o próximo da lista da empresa norte-americana, que já tem como parceiros Leroy Merlin, Magazine Luiza e as livrarias Saraiva e Cultura.

A intenção do Google é clara: atrair ainda mais os consumidores para o seu buscador e garanti-lo como uma parte fundamental no processo de compra. Embora o Google tenha mais de 90% do market share mundial de buscadores, gigantes como a Amazon têm sido a preferência direta de muitos consumidores quando o assunto é compras, principalmente em grandes mercados, como os Estados Unidos.

Para as empresas varejistas, a quebra de um paradigma, a exposição do seu nível de estoque para outras empresas, traz vantagens claras e outras subliminares. Sem maiores investimentos, elas conseguem acessar uma parcela cada vez maior de consumidores interessados em adquirir um produto a qualquer momento e tê-lo em mãos na hora e no lugar que lhe convier.

Essa é a vantagem clara para as empresas. A outra, menos explícita, e difícil de ser provada, é que, possivelmente, essas empresas terão uma forcinha extra nos resultados do buscador. Deixando de lado teorias da conspiração e pensando apenas friamente: o Google diz que busca oferecer o melhor para o seu usuário. O que é melhor: mostrar nas primeiras posições o link de um determinado produto na loja na qual o consumidor tem certeza que será atendido ou em uma loja qualquer na qual esse item pode estar fora de estoque?

Entretanto, para aproveitar as vantagens, as empresas vão precisar fazer o seu dever de casa, garantindo a precisão das informações. Atividades como planejamento da demanda e gestão dos estoques deverão receber atenção redobrada, para evitar o risco da ruptura de estoque ou, pior, de um cliente chegar na loja com a certeza de ter o produto e se decepcionar com a falta dele. Afinal, pior do que perder a venda é, além de perdê-la, deixar insatisfeito um possível cliente.

Correios apresentam desafios logísticos do e-commerce

O segundo dia do Fórum Internacional Supply Chain & Expo.Logística teve os Correios encerrando a programação apresentando os desafios logísticos que vêm enfrentando nas operações de e-commerce. Gerente regional de clientes de atacado, Marcelo Matos, junto com o analista de logística Ezio Costa, explicou a nova política comercial da empresa, com reorganização de portfólio e um maior foco nas necessidades do cliente. Dentre as novidades, está o serviço Correios Log +, voltado para pequenas contas e que promete redução de até 47% nos custos previstos anteriormente.

A programação desta quarta-feira começou com os consultores belgas, Pascal Janssens e Lionel Van Reet, da PWC, apresentando as vantagens da região de Flanders no acesso ao mercado europeu. Localizada a 500 km de 60% do mercado consumidor do continente, Flanders promete ainda vantagens fiscais e estabilidade legal para quem pretende expandir as suas operações no exterior. Por fim, Janssens e Van Reet trouxeram cinco cenários para explicar as diversas opções que as empresas brasileiras podem aproveitar para iniciar sua caminhada na Bélgica.

logística internacional - blog ilos

Dentre as diversas palestras da programação, o dia contou ainda com a participação da professora da Universidade Técnica de Berlim, Juliana Campos, que explicou os benefícios das parcerias como estratégia para diferenciação e competitividade dos negócios. Juliana falou da relação estreita que existe na Alemanha entre universidades e indústrias e ressaltou que o mundo está na era do compartilhamento de recursos e de co-criação de soluções. Por fim, ela ainda apresentou o resultado do seu projeto junto à universidade alemã para diagnosticar as práticas atuais de sustentabilidade no supply chain de empresas brasileiras e alemãs e identificar oportunidades para possíveis colaborações entre empresas nos dois países.

O Fórum Internacional Supply Chain & Expo.Logística acontece de 19 a 21 de setembro, no hotel Tivoli Mofarrej, na capital paulista. O evento conta com o patrocínio de Sequoia Soluções Logísticas, Manhattan Associates e Correios Log, além de Souza Cruz, Llamasoft, FedEx, AT Kearney, Flanders Investment Trade, Schafer, Mafra, Plannera, JDA, TruckPad, Delage e Knapp.

e-fulfillment – Novas oportunidades logísticas para o varejo digital

Você deve conhecer o Mercado Livre, e provavelmente já comprou ou vendeu algum item por lá. A plataforma online certamente trouxe uma revolução no mercado, ao permitir que qualquer pessoa anunciasse um produto, centralizando ofertas e demandas das mais aleatórias, desde carros a coleções de figurinhas. Não demorou muito e verdadeiras lojas, que oferecem produtos em grandes quantidades e variedades, se instalaram na plataforma, dada a vitrine oferecida pelo site.

Se a plataforma virtual oferece grande comodidade para a realização das vendas, os desafios logísticos da entrega física ainda são grandes empecilhos. Isto porque as transações comerciais podem se concretizar virtualmente, mas ainda é necessário guardar os produtos, administrar estoques e entregá-los aos clientes.

O site do Mercado Livre utiliza já há algum tempo o Mercado Envios, a fim de facilitar alguns trâmites relacionados ao frete. Agora a empresa anunciou que expandirá sua atuação na logística, oferecendo serviço de transporte e armazenagem de produtos anunciados em seu site, a partir de um CD em Louveira (SP). Por enquanto, a operação é restrita a alguns clientes, mas há planos de expansão em breve, com novas instalações no Brasil.

Essa iniciativa se soma a de outras empresas no que vem sendo chamado de e-fulfillment, que como o nome diz, vai além do e-commerce, e completa o serviço da venda. Há algum tempo, os Correios, em função do fim do e-SEDEX, apresentaram o Correios LOG, serviço que também promete realizar a gestão logística completa de um vendedor, embora este não possua interface de venda em si. A Amazon também pretende disponibilizar um negócio semelhante (como descrito no post do nosso colega Alexandre Lobo, que a empresa já faz há algum tempo em outros países.

e-fulfillment - correios log - blog ILOS

Figura 1 – Imagem promocional do Correios LOG, serviço de e-fulfillment da empresa

Fonte: Correios

Tais serviços podem representar uma ótima oportunidade para o desenvolvimento do comércio pela internet no Brasil, setor que vem apresentando crescimento mesmo em época de crise. A utilização de estruturas e know-how de grandes operadores logísticos pode reduzir os custos e facilitar a administração logística do negócio. Aparentemente, a concorrência será grande e os novos marketplaces completos causarão uma grande mudança no comércio brasileiro. Essa é apenas uma das grandes transformações tecnológicas que chegam à logística. Para conhecer as últimas inovações do mercado, participe do Fórum Internacional Supply Chain 2017, que terá grande destaque para a inovação, startups e transformação digital na cadeia de suprimentos.

Referências

http://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/6927588/mercado-livre-lanca-servico-que-revoluciona-seu-formato-negocios

https://www.ecommercebrasil.com.br/artigos/fulfillment-o-que-e-e-porque-e-importante-na-operacao-do-seu-e-commerce/

http://g1.globo.com/economia/pme/pequenas-empresas-grandes-negocios/noticia/2017/08/e-commerce-exige-estrutura-desde-venda-ate-entrega-do-produto.html

http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/queda-nos-precos-aumenta-faturamento-do-e-commerce-no-1-semestre-mas-cai-oferta-de-frete-gratis.ghtml

Novas oportunidades de entrega com o fim do e-Sedex

Após a Maria Fernanda analisar o fim do e-Sedex, algumas questões surgiram: como as empresas que atuam no e-commerce vão reagir a essa notícia? Como as empresas avaliam esse movimento dos Correios? Em seguida, uma resposta me veio à cabeça: tudo depende da maneira de como você encara os desafios do dia a dia.

Vamos lá. Para as empresas de e-commerce de pequeno e médio porte, a principal preocupação é com um possível aumento de frete, que segundo estimativas poderiam aumentar, num primeiro momento até 30%. Isso acarretaria em perda de competitividade, queda nas vendas e nos lucros.

Os grandes varejistas não esperam impactos significativos, já que muitos têm suas próprias transportadoras. E mesmo aqueles que não têm, tendem a ter mais poder de negociação com os transportadores.

Por outro lado, para algumas transportadoras e empreendedores esse é o momento de pensar e lançar novos serviços. Oportunidades tendem a surgir principalmente para aqueles que buscam inovações na forma de como realizam suas entregas.

Vem dos aplicativos mais uma vez, o primeiro exemplo. Já existem disponíveis no mercado aplicativos nos quais a entrega é um serviço colaborativo. Ciclistas, motoqueiros, taxistas, motoristas ou qualquer proprietário de veículo podem fazer entregas, desde que se cadastrem no site e sejam “aceitos” pelo gestor do aplicativo. Durante o cadastro, esses novos “entregadores” dizem o perfil e que rotas aceitam fazer. Quando o software identifica uma entrega compatível com os critérios que o “entregador” e o cliente selecionaram, o app apresenta o “entregador” ao cliente e ambos acertam local e valor para a retirada da encomenda.

Para o “entregador” é bom, porque ele recebe um extra sem sair muito da sua rota. Para os clientes, a agilidade e o preço competitivo são fatores positivos. Para as empresas, a alternativa é interessante porque reduz a dependência dos Correios. Assim como nos aplicativos de transporte colaborativo, os “entregadores” são avaliados e são retirados da parceria aqueles com as piores avaliações.

Outro exemplo vem dos transportadores, que enxergaram nesse recuo dos Correios uma oportunidade de lançar novos serviços. Com estrutura mais adequada e parcerias entre empresas, alguns operadores logísticos estão buscando ganhar mercado e avançar em clientes que até então não eram acessíveis.

O fato é que a tendência de crescimento do e-commerce no Brasil e no mundo é real. Aqui podemos ter mudanças na forma de entrega. Os Correios, que até então eram a empresa que mais transportava, pode ver surgir novos concorrentes e perder mercado. Porém, a pergunta que fica mais uma vez é: como a sua empresa reage às mudanças? Aproveita a oportunidade e pensa em novos serviços? Olha para o copo e vê meio cheio? Ou vê o copo meio vazio?

O Fim do e-Sedex

O mês de junho de 2017 marcou o fim do e-Sedex, serviço dos Correios criado especificamente para realizar entregas de produtos vendidos no e-commerce nos principais centros urbanos do país. A reportagem da Carol Oliveira, da Revista Exame, apresentou algumas das consequências desta decisão (http://exame.abril.com.br/negocios/o-fim-do-e-sedex/).

Os Correios informam que outras modalidades ainda atendem o comércio eletrônico e os pacotes em geral: o PAC (que é mais demorado) e o Sedex (mais caro). Mas num momento em que as vendas pela internet se apresentam em elevada expansão, é de se estranhar um movimento contrário dos Correios, reduzindo a oferta de serviços.

Entretanto, o receio de que o comércio eletrônico seja reduzido por conta da extinção do e-Sedex não deve se tornar realidade no longo prazo. É mais provável que o preço do frete aumente no curto prazo, e que os pequenos varejistas e as cidades menos populosas sofram mais neste momento. Mas essa situação não é definitiva. Isto porque a evolução do comércio eletrônico e de todos os serviços logísticos vinculados a esse tipo de venda é muito maior do que a extinção de uma modalidade de serviço de entrega.

Uma coisa é certa: para os operadores logísticos que se especializaram em atender o segmento de comércio eletrônico, qualquer recuo dos Correios é uma grande oportunidade de aumento de mercado.

E além dos operadores e transportadores tradicionais, startups não param de surgir, trazendo soluções inclusive de comparação de preços de frete para o e-commerce, o que torna o aumento de preços mais difícil e pouco sustentável no longo prazo. Exemplos de empresas que prestam serviços de comparação de preços de entrega no Brasil são a Intelipost e a Axado, assim como a Freightquote e a FreightCenter no exterior. Empresas como essas vêm recebendo aporte de investidores, ou sendo compradas por valores elevados por outras companhias já consolidadas no comércio eletrônico. Isto vem permitindo o aumento do portfólio de soluções e tecnologia para o e-commerce, tornando este mercado cada vez mais evoluído e competitivo.

O fim do e-Sedex desestabiliza um pouco sim, especialmente as pequenas empresas e pequenos centros urbanos brasileiros, mas o movimento de aumento das vendas virtuais é muito mais robusto e deve se manter em tendência de crescimento no Brasil e no mundo.

Referências:

http://exame.abril.com.br/negocios/o-fim-do-e-sedex/

http://exame.abril.com.br/pme/com-r-30-mil-jovens-criam-site-que-compara-precos-de-frete/

http://epocanegocios.globo.com/Tecnologia/noticia/2017/02/epoca-negocios-ebit-preve-crescimento-de-12-no-faturamento-do-comercio-eletronico-no-brasil-em-2017.html

http://g1.globo.com/economia/pme/noticia/fim-do-e-sedex-pode-elevar-preco-do-frete-e-afetar-vendas-de-pequenas-lojas-virtuais.ghtml

 

E-commerce brasileiro, se prepare: a Amazon está realmente chegando

Enquanto avança no varejo físico nos Estados Unidos, a Amazon caminha para estender seus tentáculos virtuais no Brasil. Após quatro anos apenas vendendo livros e kindles no e-commerce, a varejista começa a negociar com lojistas de smartphones, notebooks, tablets e acessórios para vendê-los em seu marketplace. Inicialmente, a ideia é apenas entregar os produtos, mas, existem planos de a empresa também armazenar as mercadorias dos lojistas em centros de distribuição espalhados pelo País. As expectativas são de essa operação começar a funcionar já no terceiro trimestre deste ano.

e-commerce amazon - blog ILOS

Muitos acreditam que a Amazon vai chegar apenas replicando o que já é feito por outros e-commerces no Brasil. Ou seja, teremos prazos de entrega dilatados, principalmente para cidades distantes do eixo Rio-São Paulo, para driblar a tradicional ineficiência logística do País e fugir de possíveis penalizações. Dessa forma, a Amazon seria apenas mais uma opção de e-commerce, mas que contaria com a força da sua marca para ganhar mercado.

Tudo bem. Não é apenas a logística que emperra as empresas no Brasil. Burocracia, loucuras tributárias, insegurança física e jurídica, falta de mão de obra qualificada, tudo isso deve ter contribuído também para esse tempo de maturação da Amazon no País. Mas, como o meu assunto é logística, fico em dúvida: será que a Amazon realmente vai apenas replicar a tradicional ineficiência logística brasileira ou ela encontrou uma forma de trazer o seu nível de serviço para o País e realmente se diferenciar do restante do mercado?

Torço pela segunda opção, e explico. Para uma empresa acostumada a, por vezes, entregar em menos de 24 horas em grandes cidades norte-americanas, ter que se submeter à prática usual brasileira de longos prazos de entrega, para poder garanti-los, seria quase um atentado à alma, e à marca! Afinal, além de ser a “everything store”, ela também é conhecida pelo seu alto nível de serviço, com uma forte cultura de preocupação com o cliente.

Mas aí entra o x da questão: como a Amazon ofereceria melhores níveis de serviços enfrentando todos os problemas logísticos que vivemos no dia a dia? Uma opção seria a compra de uma transportadora, embora ela também pudesse encontrar dificuldades para impor a sua cultura. Outra seria apertar muito os prestadores de serviços locais para conseguir níveis de serviços pouco usuais no País, principalmente fora do eixo Rio-São Paulo.

De qualquer forma, quando a Amazon entra em um mercado ou segmento, invariavelmente, ela chega arrasando, com níveis de serviços altos e preços baixos, mesmo com prejuízo, literalmente sufocando o mercado existente. Não imagino porque seria diferente no Brasil e acredito que ela vai chacoalhar o e-commerce nacional. Opções, criatividade e conhecimento, a Amazon tem de sobra e vamos continuar acompanhando os próximos passos dela.