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e-fulfillment – Novas oportunidades logísticas para o varejo digital

Você deve conhecer o Mercado Livre, e provavelmente já comprou ou vendeu algum item por lá. A plataforma online certamente trouxe uma revolução no mercado, ao permitir que qualquer pessoa anunciasse um produto, centralizando ofertas e demandas das mais aleatórias, desde carros a coleções de figurinhas. Não demorou muito e verdadeiras lojas, que oferecem produtos em grandes quantidades e variedades, se instalaram na plataforma, dada a vitrine oferecida pelo site.

Se a plataforma virtual oferece grande comodidade para a realização das vendas, os desafios logísticos da entrega física ainda são grandes empecilhos. Isto porque as transações comerciais podem se concretizar virtualmente, mas ainda é necessário guardar os produtos, administrar estoques e entregá-los aos clientes.

O site do Mercado Livre utiliza já há algum tempo o Mercado Envios, a fim de facilitar alguns trâmites relacionados ao frete. Agora a empresa anunciou que expandirá sua atuação na logística, oferecendo serviço de transporte e armazenagem de produtos anunciados em seu site, a partir de um CD em Louveira (SP). Por enquanto, a operação é restrita a alguns clientes, mas há planos de expansão em breve, com novas instalações no Brasil.

Essa iniciativa se soma a de outras empresas no que vem sendo chamado de e-fulfillment, que como o nome diz, vai além do e-commerce, e completa o serviço da venda. Há algum tempo, os Correios, em função do fim do e-SEDEX, apresentaram o Correios LOG, serviço que também promete realizar a gestão logística completa de um vendedor, embora este não possua interface de venda em si. A Amazon também pretende disponibilizar um negócio semelhante (como descrito no post do nosso colega Alexandre Lobo, que a empresa já faz há algum tempo em outros países.

e-fulfillment - correios log - blog ILOS

Figura 1 – Imagem promocional do Correios LOG, serviço de e-fulfillment da empresa

Fonte: Correios

Tais serviços podem representar uma ótima oportunidade para o desenvolvimento do comércio pela internet no Brasil, setor que vem apresentando crescimento mesmo em época de crise. A utilização de estruturas e know-how de grandes operadores logísticos pode reduzir os custos e facilitar a administração logística do negócio. Aparentemente, a concorrência será grande e os novos marketplaces completos causarão uma grande mudança no comércio brasileiro. Essa é apenas uma das grandes transformações tecnológicas que chegam à logística. Para conhecer as últimas inovações do mercado, participe do Fórum Internacional Supply Chain 2017, que terá grande destaque para a inovação, startups e transformação digital na cadeia de suprimentos.

Referências

http://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/6927588/mercado-livre-lanca-servico-que-revoluciona-seu-formato-negocios

https://www.ecommercebrasil.com.br/artigos/fulfillment-o-que-e-e-porque-e-importante-na-operacao-do-seu-e-commerce/

http://g1.globo.com/economia/pme/pequenas-empresas-grandes-negocios/noticia/2017/08/e-commerce-exige-estrutura-desde-venda-ate-entrega-do-produto.html

http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/queda-nos-precos-aumenta-faturamento-do-e-commerce-no-1-semestre-mas-cai-oferta-de-frete-gratis.ghtml

Novas oportunidades de entrega com o fim do e-Sedex

Após a Maria Fernanda analisar o fim do e-Sedex, algumas questões surgiram: como as empresas que atuam no e-commerce vão reagir a essa notícia? Como as empresas avaliam esse movimento dos Correios? Em seguida, uma resposta me veio à cabeça: tudo depende da maneira de como você encara os desafios do dia a dia.

Vamos lá. Para as empresas de e-commerce de pequeno e médio porte, a principal preocupação é com um possível aumento de frete, que segundo estimativas poderiam aumentar, num primeiro momento até 30%. Isso acarretaria em perda de competitividade, queda nas vendas e nos lucros.

Os grandes varejistas não esperam impactos significativos, já que muitos têm suas próprias transportadoras. E mesmo aqueles que não têm, tendem a ter mais poder de negociação com os transportadores.

Por outro lado, para algumas transportadoras e empreendedores esse é o momento de pensar e lançar novos serviços. Oportunidades tendem a surgir principalmente para aqueles que buscam inovações na forma de como realizam suas entregas.

Vem dos aplicativos mais uma vez, o primeiro exemplo. Já existem disponíveis no mercado aplicativos nos quais a entrega é um serviço colaborativo. Ciclistas, motoqueiros, taxistas, motoristas ou qualquer proprietário de veículo podem fazer entregas, desde que se cadastrem no site e sejam “aceitos” pelo gestor do aplicativo. Durante o cadastro, esses novos “entregadores” dizem o perfil e que rotas aceitam fazer. Quando o software identifica uma entrega compatível com os critérios que o “entregador” e o cliente selecionaram, o app apresenta o “entregador” ao cliente e ambos acertam local e valor para a retirada da encomenda.

Para o “entregador” é bom, porque ele recebe um extra sem sair muito da sua rota. Para os clientes, a agilidade e o preço competitivo são fatores positivos. Para as empresas, a alternativa é interessante porque reduz a dependência dos Correios. Assim como nos aplicativos de transporte colaborativo, os “entregadores” são avaliados e são retirados da parceria aqueles com as piores avaliações.

Outro exemplo vem dos transportadores, que enxergaram nesse recuo dos Correios uma oportunidade de lançar novos serviços. Com estrutura mais adequada e parcerias entre empresas, alguns operadores logísticos estão buscando ganhar mercado e avançar em clientes que até então não eram acessíveis.

O fato é que a tendência de crescimento do e-commerce no Brasil e no mundo é real. Aqui podemos ter mudanças na forma de entrega. Os Correios, que até então eram a empresa que mais transportava, pode ver surgir novos concorrentes e perder mercado. Porém, a pergunta que fica mais uma vez é: como a sua empresa reage às mudanças? Aproveita a oportunidade e pensa em novos serviços? Olha para o copo e vê meio cheio? Ou vê o copo meio vazio?

O Fim do e-Sedex

O mês de junho de 2017 marcou o fim do e-Sedex, serviço dos Correios criado especificamente para realizar entregas de produtos vendidos no e-commerce nos principais centros urbanos do país. A reportagem da Carol Oliveira, da Revista Exame, apresentou algumas das consequências desta decisão (http://exame.abril.com.br/negocios/o-fim-do-e-sedex/).

Os Correios informam que outras modalidades ainda atendem o comércio eletrônico e os pacotes em geral: o PAC (que é mais demorado) e o Sedex (mais caro). Mas num momento em que as vendas pela internet se apresentam em elevada expansão, é de se estranhar um movimento contrário dos Correios, reduzindo a oferta de serviços.

Entretanto, o receio de que o comércio eletrônico seja reduzido por conta da extinção do e-Sedex não deve se tornar realidade no longo prazo. É mais provável que o preço do frete aumente no curto prazo, e que os pequenos varejistas e as cidades menos populosas sofram mais neste momento. Mas essa situação não é definitiva. Isto porque a evolução do comércio eletrônico e de todos os serviços logísticos vinculados a esse tipo de venda é muito maior do que a extinção de uma modalidade de serviço de entrega.

Uma coisa é certa: para os operadores logísticos que se especializaram em atender o segmento de comércio eletrônico, qualquer recuo dos Correios é uma grande oportunidade de aumento de mercado.

E além dos operadores e transportadores tradicionais, startups não param de surgir, trazendo soluções inclusive de comparação de preços de frete para o e-commerce, o que torna o aumento de preços mais difícil e pouco sustentável no longo prazo. Exemplos de empresas que prestam serviços de comparação de preços de entrega no Brasil são a Intelipost e a Axado, assim como a Freightquote e a FreightCenter no exterior. Empresas como essas vêm recebendo aporte de investidores, ou sendo compradas por valores elevados por outras companhias já consolidadas no comércio eletrônico. Isto vem permitindo o aumento do portfólio de soluções e tecnologia para o e-commerce, tornando este mercado cada vez mais evoluído e competitivo.

O fim do e-Sedex desestabiliza um pouco sim, especialmente as pequenas empresas e pequenos centros urbanos brasileiros, mas o movimento de aumento das vendas virtuais é muito mais robusto e deve se manter em tendência de crescimento no Brasil e no mundo.

Referências:

http://exame.abril.com.br/negocios/o-fim-do-e-sedex/

http://exame.abril.com.br/pme/com-r-30-mil-jovens-criam-site-que-compara-precos-de-frete/

http://epocanegocios.globo.com/Tecnologia/noticia/2017/02/epoca-negocios-ebit-preve-crescimento-de-12-no-faturamento-do-comercio-eletronico-no-brasil-em-2017.html

http://g1.globo.com/economia/pme/noticia/fim-do-e-sedex-pode-elevar-preco-do-frete-e-afetar-vendas-de-pequenas-lojas-virtuais.ghtml

 

E-commerce brasileiro, se prepare: a Amazon está realmente chegando

Enquanto avança no varejo físico nos Estados Unidos, a Amazon caminha para estender seus tentáculos virtuais no Brasil. Após quatro anos apenas vendendo livros e kindles no e-commerce, a varejista começa a negociar com lojistas de smartphones, notebooks, tablets e acessórios para vendê-los em seu marketplace. Inicialmente, a ideia é apenas entregar os produtos, mas, existem planos de a empresa também armazenar as mercadorias dos lojistas em centros de distribuição espalhados pelo País. As expectativas são de essa operação começar a funcionar já no terceiro trimestre deste ano.

e-commerce amazon - blog ILOS

Muitos acreditam que a Amazon vai chegar apenas replicando o que já é feito por outros e-commerces no Brasil. Ou seja, teremos prazos de entrega dilatados, principalmente para cidades distantes do eixo Rio-São Paulo, para driblar a tradicional ineficiência logística do País e fugir de possíveis penalizações. Dessa forma, a Amazon seria apenas mais uma opção de e-commerce, mas que contaria com a força da sua marca para ganhar mercado.

Tudo bem. Não é apenas a logística que emperra as empresas no Brasil. Burocracia, loucuras tributárias, insegurança física e jurídica, falta de mão de obra qualificada, tudo isso deve ter contribuído também para esse tempo de maturação da Amazon no País. Mas, como o meu assunto é logística, fico em dúvida: será que a Amazon realmente vai apenas replicar a tradicional ineficiência logística brasileira ou ela encontrou uma forma de trazer o seu nível de serviço para o País e realmente se diferenciar do restante do mercado?

Torço pela segunda opção, e explico. Para uma empresa acostumada a, por vezes, entregar em menos de 24 horas em grandes cidades norte-americanas, ter que se submeter à prática usual brasileira de longos prazos de entrega, para poder garanti-los, seria quase um atentado à alma, e à marca! Afinal, além de ser a “everything store”, ela também é conhecida pelo seu alto nível de serviço, com uma forte cultura de preocupação com o cliente.

Mas aí entra o x da questão: como a Amazon ofereceria melhores níveis de serviços enfrentando todos os problemas logísticos que vivemos no dia a dia? Uma opção seria a compra de uma transportadora, embora ela também pudesse encontrar dificuldades para impor a sua cultura. Outra seria apertar muito os prestadores de serviços locais para conseguir níveis de serviços pouco usuais no País, principalmente fora do eixo Rio-São Paulo.

De qualquer forma, quando a Amazon entra em um mercado ou segmento, invariavelmente, ela chega arrasando, com níveis de serviços altos e preços baixos, mesmo com prejuízo, literalmente sufocando o mercado existente. Não imagino porque seria diferente no Brasil e acredito que ela vai chacoalhar o e-commerce nacional. Opções, criatividade e conhecimento, a Amazon tem de sobra e vamos continuar acompanhando os próximos passos dela.

Fim do e-sedex abre lacuna

Lançado no início dos anos 2000 para suprir a demanda do crescimento do mercado de e-commerce, o e-Sedex era voltado aos grandes centros urbanos

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Amazon adquire varejo físico Whole Foods nos EUA

 

 

A Amazon anunciou, na sexta-feira 16 de junho, que adquiriu a Whole Foods, tradicional varejo físico nos Estados Unidos. A transação no valor de 13,7 bilhões de dólares mexeu com o setor de varejo físico imediatamente, causando a queda de cerca de 6% nas ações das principais cadeias de supermercados do país.

Este movimento imprevisto poderá acirrar ainda mais a competição no “mar vermelho” no setor de varejo físico. A entrada da Amazon, conhecida por sua cultura de baixos custos, deverá trazer os preços dos produtos a níveis cada vez mais reduzidos, competindo diretamente com a política de “preço baixo todo dia” imposto pelo Walmart. As duas empresas são conhecidas por operar com margens reduzidas – de acordo com o Yahoo Finance, a margem operacional da Amazon é de 2,89% enquanto que do Walmart é de 4,36%. Com este acirramento da competição, as pequenas cadeias irão sofrer ainda mais para tentarem manter-se competitivas neste cenário.

Apesar da inesperada aquisição, este não foi o primeiro movimento da Amazon em direção ao varejo físico. Como citei no artigo Seu cargo existirá daqui a dez anos? Pense de novo, a Amazon Go é um projeto já em execução nos Estados Unidos, que utiliza de tecnologia para substituir os caixas automáticos de lojas físicas por sensores, dispensando, desta forma, a necessidade de pessoas para fazer a cobrança das compras. A Amazon poderia, portanto, aplicar esta e outras tecnologias na cadeia da Whole Foods, tornando a operação das lojas físicas menos custosas. Outro ponto de sinergia importante é o vasto know-how logístico que a Amazon possui, o que certamente aumentará a eficiência da operação logística da Whole Foods. Outro ponto importante é a capilaridade que as centenas de lojas físicas da Whole Foods possuem, o que daria à Amazon a possibilidade de melhorar ainda mais seu nível de serviço das compras online.

A competição entre Amazon e Walmart não ocorrerá somente no campo das lojas físicas, com a entrada da gigante do e-commerce no setor. No ano passado, o Walmart comprou por 3 bilhões de dólares a Jet.com, demonstrando sua intenção de competir também no varejo digital. Parece que este embate entre Amazon e Walmart está apenas começando. A disputa entre as duas empresas será assunto constante no meio corporativo.

Referências:

https://www.forbes.com/sites/panosmourdoukoutas/2017/06/18/amazon-whole-foods-deal-is-bad-news-for-store-cashiers-and-the-fight-for-15-minimum-wage/#2ee98a777513

http://edition.cnn.com/2017/06/17/opinions/amazons-waterloo-spicer/index.html

https://www.reuters.com/article/us-whole-foods-m-a-amazon-com-walmart-idUSKBN1990HH

https://www.bloomberg.com/news/articles/2017-06-16/amazon-to-acquire-whole-foods-in-13-7-billion-bet-on-groceries

 

E-commerce no combate ao efeito chicote

Há um mês a gerente Monica Barros publicou um post sobre como a internet pode aproximar a indústria do mercado consumidor. O texto conta como algumas empresas produtoras criaram seu próprio e-commerce como canal de venda direta para seus clientes e outras têm seus produtos anunciados em páginas de grandes varejistas, mas se responsabilizam pela entrega do produto ao consumidor final.

Nesse contexto, o estoque total de produto acabado da cadeia de suprimentos passa a ser responsabilidade da indústria. Enquanto caberia ao varejo anunciar e vender, à indústria caberia toda a operação logística, disponibilizando o item vendido para o comprador por meio de produção, armazenagem e transporte.

Esse aumento de responsabilidade logística para a indústria traz uma série de complexidades para a operação como estoques maiores, necessidade de rede mais pulverizada, fracionamento do transporte, dentre outros. No entanto, também pode trazer benefícios advindos da aproximação com o consumidor final. E um dos principais benefícios da redução de intermediários no fluxo do produto é a minimização do efeito chicote.

O efeito chicote é causado pela falta de visibilidade da demanda real ao longo de uma cadeia de suprimentos, o que é consequência do formato das relações tradicionais entre os elos. Em geral, cada elo da cadeia tenta gerenciar da melhor forma possível sua demanda, mantendo níveis de estoque que assegurem o fornecimento para seu cliente. A gestão independente dos estoques da cadeia leva a vales e picos de pedido que trazem prejuízos para os elos da cadeia em vários níveis. Quanto mais distante do consumidor final, maiores tendem a ser os vales e picos de demanda e maiores as consequências do efeito chicote, levando ao excesso de estoque em alguns momentos e rupturas em outros.

efeito chicote - ILOS

Figura 1 – Ilustração do Efeito Chicote

Fonte: Slack at al (1999)

Para reduzir o efeito chicote, as empresas têm buscado maior integração da cadeia de suprimentos na tentativa de aumentar a visibilidade da demanda real e dos estoques. No entanto, este tipo de relação exige sistemas tecnológicos avançados e muita confiança entre fornecedores e clientes da cadeia, o que não é fácil de conquistar em um contexto em que cada empresa busca maximizar o seu próprio lucro.

Ao extinguir os intermediários entre a indústria e o consumidor final, a busca por integração e decisões sincronizadas entre os elos da cadeia não é mais necessária, e o efeito chicote deixa de existir automaticamente. Isso porque o planejamento da demanda da indústria passa a ter como input a demanda real do consumidor.

Dessa forma, o e-commerce pode acabar com um dos grandes vilões que vêm assombrando as cadeias de suprimentos tradicionais desde a década de 60, o efeito chicote, ao aproximar a indústria do verdadeiro financiador de toda a cadeia: o consumidor final.

Referências

https://www.ilos.com.br/web/fraldas-cerveja-e-efeito-chicote/

https://www.ilos.com.br/web/internet-e-suas-mudancas-constantes-na-logistica-das-empresas/

https://www.ilos.com.br/web/uma-revisao-dos-programas-de-resposta-rapida-ecr-crp-vmi-cpfr-jit-ii/

SLACK, N. et al. Administração da Produção. São Paulo: Atlas, 1999.

 

Internet e suas mudanças constantes na logística das empresas

A internet, para muitas empresas, já é mais um canal de vendas. Algumas criaram sites e passaram a vender diretamente para seus clientes, outras têm seus produtos vendidos pela internet em sites de grandes varejistas. Nesse caso, coube aos grandes varejistas assumirem até então a responsabilidade de comprar, revender e entregar os produtos.

Agora, dependendo do site em que fazemos a compra, aparecem diversas opções de fornecedores para o mesmo produto, cabendo ao consumidor final a escolha de com quem comprar. Esse movimento, no qual o site é apenas o canal de vendas e o varejista não tem mais o estoque do produto, forçará as empresas a repensarem sua logística.

Nesse novo contexto, os varejistas não compram mais, apenas anunciam e vendem os produtos em seus sites. Isso significa que a venda foi feita pelo varejista, mas a responsabilidade de entregar ao consumidor final caberá agora às indústrias.

Alguns varejistas enxergaram nisso um novo negócio e vêm investindo em ter equipes mais robustas de logística e, em alguns casos, comprando transportadores, como o caso da B2W e da Via Varejo. Isso permitirá que essas empresas vendam não só o produto, mas também a logística de entrega.

Já as empresas produtoras serão obrigadas a repensar a logística por vários motivos. Alguns deles são:

– O estoque, que antes era do varejista, agora passa a ser da indústria. Isso implica em ter maior valor em estoque e maior área de armazenagem;
– Necessidade de um melhor planejamento vendas, já que agora a venda não é mais para grandes players e, sim, para vários consumidores;
– O transporte fracionado passa a ter mais representatividade, com implicações em custos e gestão maior.

O fato é que essas mudanças vieram para ficar, podendo até, num futuro não muito distante, ser realidade também para o varejo físico. Neste, as lojas passariam a ser apenas locais de venda, principalmente para aqueles produtos em que o consumidor não faz questão de sair com a mercadoria.

Caberá as empresas a se adaptarem e se prepararem para esses novos desafios. E aí, a sua empresa está preparada?

Saindo do armário

Há algumas semanas atrás escrevi sobre algumas iniciativas de omni-channel realizadas no Brasil, que, mesmo sendo praticadas de forma isolada, sinalizavam que o país estava olhando nesta direção. Pois bem, uma matéria publicada na última edição na Revista Tecnologística indicou que mais uma prática chegará por aqui neste ano que se inicia: os lockers, uma evolução tecnológica das antigas caixas postais.

Também conhecidos como terminais inteligentes, os lockers são equipamentos de autoatendimento nos quais os consumidores podem retirar as compras realizadas online de forma prática e segura, além de poderem realizar serviços agregados como compra de ingressos e pagamento de contas. Estas máquinas, que já fazem sucesso em países como Polônia, Lituânia e Alemanha, tornaram-se ainda mais famosas com a incorporação do serviço pela gigante do varejo virtual Amazon.

O serviço conhecido como Amazon Locker existe desde 2011 nos Estados Unidos e está presente hoje em 13 grandes cidades do país. Dependendo do produto comprado, o cliente pode solicitar que o pedido seja entregue em um locker da Amazon de sua escolha. Selecionando essa opção, ele receberá um e-mail de notificação quando o produto estiver disponível no terminal, informando o horário de funcionando do locker e o código que ele deverá inserir na máquina para desbloquear o pedido. O cliente tem até 3 dias úteis para retirar o seu pacote, caso contrário o produto será recolhido pela Amazon e o valor pago reembolsado para o cliente.

Amazon Locker

Figura 1 – Amazon Locker localizado em uma loja de conveniência em Nova York

Fonte: Wikipédia

 

Até o momento não existe nenhum serviço do tipo no Brasil, mas duas empresas já se mobilizaram para iniciar as suas operações ainda em 2016 no país: a ThinPost e a InPost. O objetivo de ambas é alugar as máquinas através de pacotes flexíveis de negócio para operadores logísticos, distribuidores, varejistas e empresas de comércio eletrônico que desejam ter presença física em locais estratégicos da cidade e de grande circulação de pessoas, como shoppings, aeroportos, rodoviárias, estações de metrô e lojas de conveniência.

Uma das principais vantagens dos lockers é a comodidade que eles oferecem para os consumidores que desejam comprar online, mas não tem pessoas que fiquem em casa para receber as encomendas. No Brasil, a figura do porteiro 24h nos edifícios e condomínios ainda é muito presente, o que reduz este problema. Entretanto, fora do país isto não é tão comum. Prova disso é que na França, 60% das compras online são retiradas pelos clientes em lojas físicas.

Além disso, quando olhamos para a tendência omni-channel do varejo, os terminais inteligentes oferecem ainda um outro enorme benefício: através deles, os clientes podem devolver produtos que compraram online, mas que não gostaram ou compraram errado. Um caso interessante nesse sentido é o da varejista de moda feminina inglesa Asos, que acoplou um provador ao locker, permitindo às clientes experimentarem os modelos no momento seguinte ao recebimento dos pedidos e devolverem na hora os itens que não gostaram. Esta iniciativa permitiu à empresa reduzir os custos de logística de reversa e também o tempo de produto indisponível para venda.

Neste momento em que os consumidores buscam serviços cada vez mais completos e um maior leque de opções para facilitar a sua vida, a adoção dos lockers pode se tornar um grande diferencial para os varejistas do Brasil. Além de garantir maior satisfação para o cliente, os lockers também ajudam na otimização da operação de distribuição, pois várias entregas que antes seriam distribuídas para diferentes lugares, passam a ser entregues em um único ponto. As vantagens parecem muitas, mas será que a caixa postal 2.0 irá fazer mesmo sucesso por aqui? É esperar pra ver!

 

Referências

GIURLANI, S. A reinvenção da caixa postal. Revista Tecnologística, São Paulo, Ano XXI, n. 241, p. 52-54, dez.2015/jan. 2016

<https://www.vertexsmb.com/insights/amazon-locker-delivery-triggers-sales-tax/>

<www.amazon.com/locker>

 

Para o varejo, o foco agora são os solteiros!

Daqui a 10 dias os Estados Unidos e diversos outros países como o Brasil, celebrarão a Black Friday, dia festejado pelo marketing das empresas e temido pela área de logística. Esta ação de vendas criada nos Estados Unidos há algumas décadas ocorre na quarta sexta-feira do mês de novembro e é conhecida pelos grandes descontos oferecidos pelo varejo para limpar os seus estoques para o natal, que acabam por atrair milhões de compradores, tanto nas lojas físicas quanto nas lojas virtuais.

A Black Friday é um dos maiores fenômenos de venda no mundo e momento crítico para muitas empresas. No entanto, poucos sabem que na China há um dia que consegue superar todas as marcas alcançadas pela Black Friday e a cada dia atrai cada vez mais empresas e consumidores. Trata-se do Single’s Day.

O evento foi celebrado pela primeira vez em 1993 quando estudantes da universidade chinesa de Nanquim escolheram o dia 11/11 para celebrar a solteirice, em razão da repetição de números um na data. Assim como existe o dia dos namorados, quando casais festejam seus relacionamentos e se presenteiam, a ideia era que neste dia os solteiros pudessem se recompensar e comprar para si tudo aquilo que gostariam.

Se aproveitando do boom do e-commerce na China, em 2009 o Grupo Alibaba investiu pesadamente em marketing no dia do solteiro, oferecendo ofertas especiais para o “Double 11” (ou Duplo 11, em português). Apesar do tradicionalismo chinês, que valoriza a família, o Single’s day foi um sucesso e o grupo Alibaba colhe hoje os frutos do investimento.

Figura 1

Figura 1 – Propaganda do site Taobao para o Single’s Day 2015

Fonte: https://www.internetretailer.com/static/uploads/thumbs/Taobao_1111_png_280x280_crop_q95.jpg

 

O dia do solteiro ocorreu na semana passada e o Alibaba quebrou o recorde de maior dia de compras online do mundo. Em 2015, o grupo vendeu 5 bilhões de dólares só nos primeiros 90 minutos do dia, valor similar ao somatório esperado das vendas dos americanos na Black Friday e na Cyber Monday juntos. No total, foram vendidos US$ 14,3 bilhões ao longo do dia, gastos principalmente nas plataformas de compra online do grupo Alibaba, como Taobao.com e Tmall.com. Mais de 40.000 comerciantes e 30.000 marcas participaram do festival, que contou inclusive com um mega show na TV para estimular os consumidores a comprarem.

Figura 2

Figura 2 – Crescimento o Single’s Day em comparação o Cyber Monday

Fonte: Business Insider

 

A expectativa é que sejam despachados mais de 310 milhões de pedidos, um desafio e tanto para os profissionais de logística da China, que precisam expedir em um dia o equivalente a um mês normal de vendas. Serão cerca de 1,7 milhões de entregadores, 400.000 veículos e 200 aviões envolvidos na operação.

Figura 3

Figura 2 – Operação de entrega de uma empresa chinesa após o Single’s Day 2015

Fonte: Business Insider

 

Atraídos pela força e crescimento da economia chinesa, hoje a segunda maior do mundo, grandes empresas varejistas dos EUA, como Macy’s, Nordstrom e Neiman Marcus participaram este ano da data e a tendência é que isto se expanda ano a ano. Segundo o fundador e presidente do Grupo Alibaba, Jack Ma, a ideia é que até 2019 consumidores de todo o mundo estejam participando massivamente do evento.

No Brasil, a plataforma AliExpress, o braço do grupo Alibaba voltado para exportação, já é de longe a empresa que mais vende online no país (em unidades vendidas). A relação é recíproca: o Brasil é um dos principais mercados da empresa e vem ganhando cada vez mais atenção do grupo. Desta forma, é de se esperar que o dia dos solteiros caia no gosto dos brasileiros e vire moda por aqui. Mas será que nossos varejos estão prontos para suportar a demanda do Single’s day, Black Friday e Natal juntos, três eventos muito próximos e com grande potencial de vendas?

O desafio começa agora, pois aparentemente trata-se de um caminho sem volta, e quem não estiver preparado, vai ficar para trás!

 

Referências

<http://www.businessinsider.com/how-alibaba-made-143-billion-on-singles-day-2015-11>

<http://www.businessinsider.com/alibaba-singles-day-sales-2015-11>

<http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/chines-aliexpress-lidera-em-vendas-pela-internet-no-brasil/>

<http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/os-planos-do-alibaba-para-o-brasil>

<http://www.bbc.com/news/business-34773940>