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Lockers: a aposta do varejo para agilizar entregas

No post anterior (Social pick up point: uma nova modalidade de entrega do e-commerce), mostramos como o crescimento do e-commerce tem incentivado empresas que atuam no last mile a inovar para alcançar seus consumidores. Isso ocorre porque, no mundo do omnichannel, o consumo aumenta e, consequentemente, cresce a quantidade de pedidos para delivery em casa, desafiando a eficiência e a sustentabilidade do sistema urbano de entregas. As novas possibilidades visam minimizar os problemas vivenciados pela operação como:

  • reentregas por conta da ausência de pessoas para receber encomendas, o que gera custos adicionais;
  • clientes desencorajados a comprar online pelo fato de residirem em áreas onde não são realizadas entregas;
  • insatisfação do consumidor quando seu pedido atrasa.

Uma alternativa já presente em diversos locais no mundo e que já começou a caminhar no Brasil é o modelo de entregas por meio de lockers. Os lockers são nada mais do que armários de tamanhos variados e segurados com senhas, onde as encomendas são depositadas e aguardam até que seu comprador compareça para retirar. Aliás, os lockers também podem funcionar como pontos de devolução de mercadorias.

Nos Estados Unidos, esse modelo ganhou força com a gigante Amazon disponibilizando mais de 2.800 estações espalhadas em grandes áreas metropolitanas de todo o país. Uma das principais propagandas do modelo implantado pela Amazon é a localização estratégica dos lockers em estabelecimentos como supermercados e lojas de conveniência – “Locais que você já frequenta”, segundo o site da empresa.

O funcionamento é simples:

  1. Antes de finalizar sua compra no site da Amazon, o consumidor escolhe em qual estação deseja retirar seu pedido
  2. Assim que o pacote é entregue, o cliente recebe um alerta e uma senha que libera sua encomenda
  3. O consumidor tem três dias para se dirigir ao locker e retirar sua compra. Caso não compareça, a encomenda é devolvida e o valor da compra é reembolsado

Figuras 1 e 2 – Locker da Amazon/Localização dos lockers na região de Manhattan – NY
Fonte: www.amazon.com/lockers

 

O modelo de retirada em lockers oferece ao consumidor vantagens que giram em torno da comodidade de escolher a localização mais conveniente, seja perto de sua residência ou de seu local de trabalho, e da flexibilidade de poder retirar sua compra ou devolver produtos em qualquer horário, uma vez que as estações podem funcionar 24h por dia. Além disso, o locker se torna uma opção para os consumidores que residem em áreas de difícil acesso e que antes não eram incentivados a comprar online.

Para o entregador, a alternativa apresenta vantagem econômica, pois as entregas passam a ser consolidadas e não mais diluídas em endereços individuais e os casos de entregas não efetivadas reduzem consideravelmente. O modelo também oferece ao entregador a oportunidade de preencher o locker no período noturno, quando o trânsito é menos intenso.

No Brasil, a modalidade de entrega por meio de lockers começou a dar seus primeiros passos no início de 2018, quando a Via Varejo deu início a um projeto piloto com quatro estações em São Paulo para os clientes das marcas Pontofrio, Casas Bahia e Extra. Ao final do ano, o novo serviço já estava presente também na cidade do Rio de Janeiro, nos bairros de São Cristóvão, Jacarepaguá, Jardim Botânico, Botafogo e Barra da Tijuca, totalizando seis pontos de retirada. A varejista operou em parceria com a rede Ipiranga, possibilitando que os lockers fossem instalados em postos de combustível com funcionamento 24h.

Outro importante nome que decidiu tirar proveito da versatilidade desse modelo de entrega é a iFood. Em abril de 2019, a plataforma de delivery inaugurou o iFood Box em edifícios de grande concentração de pessoas da capital paulista. Os boxes possuem proteção térmica para manter a temperatura do alimento e funcionam do mesmo modo que o locker da Amazon: o cliente recebe uma notificação que seu pedido foi entregue e se dirige à estação com o código de retirada.

Essa foi a saída encontrada pela empresa para atender locais com alto volume de pedidos em um curto período, como acontece em prédios comerciais no horário de almoço. A solução é benéfica não somente para o entregador e o cliente, mas também para o restaurante: ao criar uma cadeia mais eficiente, a experiência do consumidor é mais satisfatória e ele irá avaliar o estabelecimento positivamente. Para o futuro, a empresa planeja que seus lockers também estejam presentes dentro de restaurantes que fazem uso da plataforma, viabilizando o atendimento aos clientes pelo sistema de take away.

Figura 3 – iFood Box instalado em edifício comercial
Fonte: https://vejasp.abril.com.br/comida-bebida/ifood-box/

 

Para a implementação desse sistema no Brasil, alguns pontos merecem atenção: o investimento no sistema é alto, não só de instalação dos armários como de aluguel dos pontos de retirada; é possível que a capacidade dos lockers seja insuficiente com o aumento da demanda, o que geraria insatisfação dos consumidores; o tamanho dos armários é limitado, inviabilizando a entrega de produtos volumosos; existe o risco de arrombamento dos lockers, o que dificulta sua implantação em locais com pouca segurança; a adoção desse modelo exige um período de adaptação dos clientes brasileiros.

As vantagens parecem muitas e prometem transformar o cenário de entregas de mercadorias no Brasil, que é marcado pelos atrasos e pela insatisfação do cliente. Com o passar do tempo, é esperado que essa alternativa também atraia outros setores, como farmácias, joalherias, lavanderias, lojas de cosméticos e moda em geral.

O que você, como consumidor, pensa sobre buscar suas encomendas nos lockers?

Fontes:

https://www.amazon.com/primeinsider/tips/amazon-locker-qa.html

https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2018/01/varejo-brasileiro-comeca-usar-lockers-de-olho-em-seguranca-e-economia-no-frete.html

https://www.mundodomarketing.com.br/lancamentos/883/via-varejo-lockers-chegam-ao-rj.htmlhttps://vejasp.abril.com.br/comida-bebida/ifood-box/

https://www.mandae.com.br/blog/locker-pick-up-store-e-pick-up-point-o-que-sao-e-como-mudam-a-logistica/https://startupi.com.br/2019/04/ifood-cria-box-para-armazenamento-de-comida-para-facilitar-a-entrega/

 

Social pick up point: uma nova modalidade de entrega do e-commerce

Um dos principais problemas enfrentados pelas empresas de delivery de e-commerce é o retorno por problemas na entrega, como falta de pessoas disponíveis para recebimento da encomenda. Isto encarece a operação de transporte para as empresas, uma vez que esta precisa fazer a mesma viagem novamente para realizar, ao menos, mais uma tentativa de entrega do pedido. Ao mesmo tempo, diversos clientes deixam de fazer compras online justamente por não poderem estar em casa durante o horário comercial de entrega e não terem outro endereço como opção de recebimento.

Por conta destes problemas, alguns varejistas estão lançando mão de novas alternativas de entrega, como a opção de coleta dos pedidos em lojas físicas da própria empresa (click&collect), coleta de pedidos em lojas de conveniência ou outros estabelecimentos parceiros da empresa (pick up point) ou coleta dos pedidos em lockers espalhados pela cidade (alternativa já comentada neste blog anteriormente). Com estas iniciativas, além da chance de insucesso nas entregas ser menor, a empresa consegue reduzir custos de transporte por consolidar muitos pedidos em um único ponto de entrega e o cliente ganha novas alternativas de endereço de entrega, melhorando a sua sensação de nível de serviço.

Na Holanda, a startup Homerr foi além e lançou em 2016 um serviço que pode ser definido como um social pick up point.  Neste serviço, pessoas que costumam ficar em casa durante o horário comercial (como donas de casa, aposentados e profissionais autônomos) e possuem um espaço razoável para armazenagem de produtos podem se candidatar a ser um ponto de entrega de pedidos para os seus vizinhos que não tem esta disponibilidade de tempo para esperarem as suas encomendas serem entregues.  Os inscritos no programa (também conhecidos como Homerrs) informam através do aplicativo do serviço qual é a sua disponibilidade de tempo para recebimento dos pacotes e para entrega dos pedidos para os vizinhos. Em casos de viagem ou outros motivos que impeçam o Homerr de estar em casa na janela de tempo informada anteriormente, basta ele avisar com antecedência que, assim, a entrega de pacotes não ocorrerá durante aquele período. Também é através do aplicativo que o cliente escolhe qual local ele quer usar como ponto de entrega e no qual ele pode rastrear o pedido e receber notificações quando o pedido chegar.

Figura 1 – Aplicativo da Homerr

Fonte: Homerr

 

A entrega pode ocorrer com o cliente indo até a casa do vizinho inscrito no serviço para buscar o pacote ou com o próprio Homerr indo até a casa do cliente fazer a entrega (para esta última opção, o cliente final deve pagar uma taxa um pouco maior ao Homerr, que geralmente recebe por pacotes recebidos). O Homerr também pode ser usado para devolução de pedidos pelo cliente.

Além de pessoas físicas (pontos de coleta chamados de Neighbourhood Points), estabelecimento locais do bairro, como mercearias, salões de beleza, farmácias e sorveterias, que em geral possuem horários de funcionamento estendidos, também podem se inscrever para serem pick up points (são conhecidos como Service Points). Hoje o serviço já conta com mais de 3.500 pontos de entrega na Holanda e coopera com os maiores operadores logísticos do país, como PostNL, UPS, DHL, DPD e FedEx.

Uma outra startup similar, chamada ViaTim, também foi criada e opera na Holanda. A principal diferença entre elas, além das regiões de atuação (enquanto a Homerr está mais direcionada a atender Amsterdam, a ViaTim tem seu foco maior em Rotterdam), está no sistema de determinação do pick up point. O ponto de entrega Homerr pode mudar toda vez o cliente utilizar o serviço, pois depende da disponibilidade dos vizinhos. Já o ponto ViaTim é um ponto estrutural perto da casa do cliente e está basicamente sempre disponível e acessível. Além disso, o serviço da ViaTim não se limita a entrega de pacotes, também oferecendo outros serviços, como lavanderia e passadoria.

Figura 2 – Startups de social pick up point da Holanda

Fonte: Adaptado de Silicon Canals

 

Além da diminuição dos problemas de insucesso da entrega, estas startups listam como vantagens a redução de CO2 emitido na atmosfera, por conta da concentração de pedidos em menos endereços e consequente redução de viagem dos veículos, o aumento do relacionamento entre vizinhos, promovendo um melhor ambiente para a vida em sociedade, e a oportunidades do aumento de venda para os comércios que se inscrevem como ponto de retirada de produtos.

No Brasil também há os mesmos problemas de insucesso da entrega por conta de falta de pessoas disponíveis no horário comercial para recebimento das encomendas, o que seria um motivo para um serviço similar surgir por aqui. Contudo, para trazer esta iniciativa da Europa para o nosso país, precisaria ser superada uma barreira relacionada a questão da insegurança, principalmente na modalidade de entrega na casa de pessoas físicas. Com os problemas de violência existentes no Brasil, é de se esperar que muitas pessoas se sintam inseguras em receber pessoas desconhecidas em sua casa, ainda mais sendo pública a informação de que esta pessoa está armazenando muitos pacotes em sua casa, que podem conter itens de alto valor agregado. Contudo, em caso de garantia da segurança do serviço (através de um cadastro rigoroso da empresa, por exemplo), esta poderia ser uma alternativa valiosa para lidar com problemas de entrega em áreas de risco, como favelas e comunidades. Muitas empresas não entregam em determinados locais da cidade por conta da elevada taxa de roubo de veículos na região. Caso houvesse um vizinho que tivesse bom relacionamento com as pessoas do local e que fosse o responsável por receber todas as entregas da área, a taxa de roubos e de insucessos de entrega poderia reduzir bastante e a empresa aumentar a sua abrangência de atuação online.

E você? Acha que este serviço faria sucesso no Brasil?

 

Referências

<https://homerr.com/>

<https://siliconcanals.com/news/startups/last-mile-startup-homerr-receives-e1m-growth-capital/>

<https://siliconcanals.com/news/startups/similar-startups-wuunder-viatim-homerr-compared/>

<https://ecommercenews.com.br/artigos/tendencias-artigos/pudo-o-futuro-do-last-mile/>

<https://www.b2ceurope.eu/social-delivery-solution-complex-last-mile/>

<https://www.viatim.nl/>

Entrega grátis em até 1 dia? A nova meta de serviço da Amazon Prime

A Amazon anunciou no fim do primeiro trimestre de 2019 que pretende melhorar o nível de serviço de entregas Prime para 1 dia. Membros da Amazon Prime hoje pagam 119 dólares ao ano para receber entregas grátis em até 2 dias, além de possuírem acesso a outros serviços (música, catálogo de vídeos e ofertas exclusivas). A empresa já oferecia entregas em 1 dia ou até no mesmo dia para alguns itens, porém apenas para pedidos de no mínimo de 35 dólares. A fim de concretizar a transição, Brian Olsavsky, CFO da empresa, anunciou que serão investidos 800 milhões de dólares apenas no segundo trimestre de 2019.

Nos últimos 4 anos, a Amazon praticamente triplicou sua infraestrutura logística. Hoje, possui cerca de 400 instalações ativas, entre centros de fulfillment, hubs, sortation centers e delivery stations. Cada tipo de instalação cumpre um papel diferente na rede, totalizando cerca de 13 milhões de m². Segundo a RBC Capital Markets, a rede logística atual da empresa já permite alcançar 72% da população dos EUA em até 1 dia.

Figura 1 – Rede logística da Amazon Junho/2019. Adaptado de MWPVL

 

A empresa reportou que não serão necessárias muitas mudanças na operação dos fulfillment centers, mas sim nas operações de transporte: nas transferências e no last-mile. Uma das mudanças está ligada à expansão da frota Amazon Flex (programa de entrega last-mile lançado pela empresa em 2015, que contrata motoristas interessados em realizar entregas para a Amazon, como se fosse um Uber para entrega de pacotes da empresa).
O plano será executado de forma gradual, mas a intenção é que os cerca de 100 milhões de produtos hoje disponíveis para entrega até 2 dias possam ser entregues dentro de 1 dia. Dessa forma, além de mudanças nas operações de transporte, será necessária uma maior descentralização do estoque na cadeia: os sellers (vendedores independentes) representaram cerca de 58% das vendas da Amazon em 2018 (os outros 42% foram vendas diretas da Amazon).

Para conseguir dispor o estoque na rede, a empresa começou a oferecer descontos de até 75% nas tarifas de armazenagem para os sellers. A promoção começou em Junho desse ano (2019) e vai até Janeiro de 2020. Para participar, sellers precisam ter vendido no mínimo 60 unidades de um produto por mês, ou ter um portfólio selecionado especificamente pela Amazon. Os sellers devem manter de 4 a 8 semanas de estoque na rede da empresa. No dia 3 de junho, a Amazon anunciou que já havia cerca de 10 milhões de itens disponíveis para entrega em 1 dia.
Apenas alguns dias depois, o Walmart anunciou seu próprio programa de entregas gratuitas em 1 dia, que começará nas cidades de Phoenix e Las Vegas no dia 14 de maio de 2019, para compras a partir de 35 dólares. O programa abrange um catálogo de 220 mil itens, e não possui nenhuma taxa/anuidade. O objetivo da empresa é atingir 75% da população dos EUA até o final de 2019. Diferentemente da Amazon, o Walmart conta com uma rede pulverizada de milhares de lojas físicas.

O ILOS realizará a Missão Internacional de Logística Estados Unidos (https://www.ilos.com.br/web/missoes-internacionais-de-logistica/) de 21 a 26 de Julho de 2019. Dentre as 12 visitas técnicas da programação, estão as operações da Amazon e Walmart em Reno, Nevada.

 

Referências:

Supply Chain Dive – Amazon: 1-day delivery doesn’t require changes at fulfillment centers. https://www.supplychaindive.com/news/amazon-wont-change-fulfillment-centers-1-day-delivery/553901/

Supply Chain Dive – Amazon transitions free Prime shipping from 2-day to 1-day. https://www.supplychaindive.com/news/amazon-2-day-shipping-1-day-prime/553500/

Supply Chain Dive – Report: Amazon offers discounted warehouse space to fuel 1-day shipping. https://www.supplychaindive.com/news/amazon-seller-discounted-warehouse-space-1-day-shipping/555633/

Supply Chain Digest – Supply Chain News: Amazon Roils eCommerce Market with Free One Day Shipping, as Walmart and Target Quietly Pursuing Same Day. http://www.scdigest.com/ontarget/19-04-30-1.php?cid=15434

CNBC – Amazon can already ship to 72% of US population within a day, this map shows. https://www.cnbc.com/2019/05/05/amazon-can-already-ship-to-72percent-of-us-population-in-a-day-map-shows.html

MWPVL – Amazon Global Fulfillment Center Network. http://www.mwpvl.com/html/amazon_com.html

Techcrunch – Walmart announces next-day delivery on 200K+ items in select markets. https://techcrunch.com/2019/05/13/walmart-announces-launch-of-nextday-delivery-on-200k-items-in-select-markets/

 

E-commerce: As dificuldades na logística de frutas e verduras

Há pouco mais de uma semana falei sobre a investida de alguns gigantes mundiais do e-commerce no Comércio Varejista e a busca deles para enriquecer a experiência de compra dos consumidores. Pois bem. Essa semana, o jornal Valor Econômico trouxe uma série de matérias sobre o aumento no número de consumidores norte-americanos que compram itens de mercearia pela internet.

A expectativa é alta: até 2024, espera-se que cerca de 70% dos consumidores norte-americanos estejam comprando frutas e verduras pela internet! Só para se ter uma ideia, no Brasil, atualmente, apenas 2% dos consumidores fazem compra em supermercados virtuais no País. De qualquer forma, apesar de essa realidade parecer ainda estar muito longe da gente, sabemos que o mundo vem se transformando muito rapidamente, e as empresas precisam estar preparadas para o novo cenário que se encaminha.

E onde a logística se encaixa nessa transformação? Em tudo!!! Afinal, os varejistas precisam adequar as suas operações à nova realidade. Uma realidade é entregar um livro, a outra é entregar 1 kg de tomate e 1 kg de peixe, tudo fresco e sem amassos! Para tanto, as empresas vão precisar repensar seus centros de distribuição e, até mesmo, a arrumação das suas lojas. O tempo de entrega vai precisar ser curto e, para tal, os locais de armazenamento dos itens vão precisar estar próximos dos consumidores e não na entrada das cidades, onde geralmente estão os terrenos mais baratos e, consequentemente, os centros de distribuição das empresas.

e-commerce varejo - blog ILOS

Como vimos no post que eu citei anteriormente, a solução das redes chinesas para o problema da localização foi adaptar as suas lojas para serem também um hub de envio das compras originadas pelo comércio eletrônico. Nesse modelo, o próprio funcionário da loja faz o picking e o packing, com esteiras encaminhando os produtos embalados para a central de envios. A vantagem desse modelo está em aproveitar a localização das lojas, que, em geral, é pulverizada pela cidade. Já o complicador está no gerenciamento dos estoques e na preocupação em não atrapalhar o público da loja física.

A alternativa a esse modelo é fazer a armazenagem, separação e envio dos pedidos através de um centro de distribuição exclusivo para o e-commerce. O modelo centralizado tende a aumentar o tempo de entrega, que pode ser compensado com o uso de sistemas de mapeamento de rotas e a utilização da capacidade total dos veículos, o que vai exigir a utilização de um sistema de agendamento, o qual consolida as entregas no momento em que os pedidos são feitos.

As dificuldades do comércio eletrônico de perecíveis não se restringe apenas à armazenagem, se estendendo também ao transporte. Com a variedade de itens a serem entregues, o ideal é que os caminhões sejam compartimentados, podendo transportar ao mesmo tempo itens refrigerados, congelados e secos. Outra opção é utilizar embalagens térmicas para garantir a temperatura dos itens refrigerados e congelados durante o transporte, embora essa solução leve a riscos, dependendo do tempo de deslocamento durante as entregas.

Recentemente, o Carrefour lançou em São Paulo uma novidade no modelo de entrega que já vem sendo utilizada nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. É uma espécie de drive-thru, em que o cliente vai de carro até uma das lojas da rede para retirar a compra realizada via e-commerce. Para o varejista, o modelo tira o peso da última milha, já que esta passa a ser feita pelo próprio consumidor.

Referências:

Supermercado Moderno – Veja como planejar a logística do seu e-commerce

Valor Econômico – Gôndolas digitais

Portal NoVarejo – Carrefour lança no Brasil entrega de alimentos via drive-thru

Gigantes do e-commerce investem em nova experiência de compra

Dominantes no mundo virtual, gigantes como Amazon, Alibaba e JD estão de olho no comércio de rua para uma nova revolução na experiência de compra dos consumidores. Em comum, o trio procura levar a tecnologia do mundo virtual para o espaço físico das lojas na tentativa de entrar com força no segmento de alimentos frescos.

Vídeo 1 – Veja como funciona uma loja da 7Fresh na China
Fonte: YouTube

Enquanto nos Estados Unidos, a Amazon apresenta a sua Amazon Go e adquiriu a rede de supermercados Whole Foods, no início desse ano, a JD lançou em Pequim a sua primeira loja futurística da rede 7Fresh. Assim como a Amazon Go, a 7Fresh oferece a possibilidade de pagamento via carteira digital, sem a necessidade de passar as mercadorias no caixa. Dentre as principais inovações da 7Fresh está o uso de um carrinho robô, que segue o cliente ao longo das gôndolas para coletar as compras. A loja ainda utiliza big data analytics para alinhar o seu sortimento de produtos com as necessidades do seu consumidor e conta também com Magic Mirrors, displays que apresentam informações sobre um produto assim que ele é retirado da prateleira pelo cliente.

Foto 1 – Carrinhos robôs da 7Fresh
Fonte: 7Fresh

A 7Fresh é uma resposta da JD à Hema, rede de supermercados da sua concorrente Alibaba. Atualmente, a rede possui 25 lojas na China, onde os clientes usam um aplicativo para buscar dados nutricionais, fornecedor, preço, dentre outras informações. Seguindo a tendência dos supermercados do futuro, as lojas da Hema também não têm caixa e os clientes pagam as compras utilizando o Alipay, carteira digital desenvolvida pelo grupo Alibaba.

Vídeo 2 – Faça um tour por uma loja da Hema
Fonte: Alibaba

Além das frutas frescas, do uso de aplicativos e de deixar de lado as caixas registradoras, 7Fresh e Hema trazem outra semelhança: todas oferecem entregas em 30 minutos nas casas dos clientes, variando apenas a distância máxima para a entrega. Caso não possa ir à loja para selecionar os produtos, não tem problema. As duas redes permitem também a compra virtual, com o mesmo sistema de entrega em 30 minutos. Nesse caso, funcionários recebem o pedido e fazem o picking e o packing na própria loja, no meio dos outros clientes. Por fim, um sistema de esteira rolante no teto das lojas leva os pedidos para um hub adjacente, que faz o envio dos itens para a casa do cliente.

Foto 2 – Funcionário da Hema pega o pedido online para fazer o picking na própria loja
Fonte: Alibaba

Tanta tecnologia, traz de volta uma questão à tona, pelo menos nos Estados Unidos: como ficarão os empregos dos funcionários de supermercado? Assim como em seus centros de distribuição recheados de tecnologia, a Amazon argumenta que seus funcionários continuam lá, apenas desempenhando outras funções, como ressuprimento da loja e suporte aos clientes, dentre outras funções.

Referências:

https://www.forbes.com/sites/jonbird1/2018/04/07/fixated-on-amazon-focus-on-alibaba-and-jd-com-instead/#16fa4fc58ebb

https://www.retaildetail.eu/en/news/food/say-hello-7fresh-jdcoms-high-tech-supermarket

Entrega rápida

Em meio à expansão do e-commerce no Brasil, é crescente a preocupação das empresas com a entrega dos produtos e serviços. Os motivos são fortes: os custos logísticos correspondem a 12,3% do PIB brasileiro, segundo pesquisa do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). Tais gastos representam, ainda, 7,6% da receita líquida das companhias, considerando transporte, estoque e armazenagem. Para contornar esse quadro, inovação e tecnologia ajudam a reduzir custos, melhorar processos e aumentar a produtividade. Nesse cenário, ganham força as startups com soluções voltadas para o setor de logística.

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Adidas se prepara para fortalecer seu e-commerce

A Adidas, uma das maiores fabricantes de materiais esportivos do mundo, anunciou recentemente planos de fechar um grande número de suas lojas físicas espalhadas globalmente para ampliar seu foco nas vendas digitais. A palavra veio do próprio diretor executivo, Kasper Rorsted, em entrevista ao Financial Times.

As motivações por trás dessa decisão não chegam a ser surpreendentes. A empresa busca um contato mais próximo com seus clientes, a eliminação de intermediários para a venda direta ao consumidor final, e segue tendência de gerar mais opções e comodidade para os seus clientes, como várias outras.

Figura 1 – Site será a principal loja da marca alemã – Fonte:Adidas

É interessante analisar, no entanto, os impactos que esse posicionamento poderá ter em seus modelos de atendimento. Hoje, a marca opera de forma mais próxima ao conceito de multicanal, com o site, lojas físicas, e distribuição a varejistas parceiros. O foco agora, no entanto deverá abraçar o conceito de omnichannel (já abordado tantas vezes aqui no Blog do ILOS), uma vez que as lojas físicas da Adidas se tornarão próximas a lojas conceito, os chamados showrooms. A loja online, por sua vez, deve também ser aprimorada para garantir que a experiência do cliente, que eventualmente não encontrará mais uma Adidas no shopping, seja tão boa quanto a que ele tinha antes.

Partindo então para o ponto de vista logístico, a marca precisará certamente rever sua estrutura atual, visto que o atendimento do cliente de forma direta é muito diferente do modelo tradicional com intermediários. O próprio Rorsted diz que “toda a logística é muito diferente”. Lembrei-me, ao ver esta notícia, do post sobre a Nike que o colega Alexandre Lobo escreveu há algum tempo. Se naquela ocasião, era destacado o grande CD na Bélgica da gigante norte-americana, imagino que para a nova estratégia da Adidas, seja essencial focar mais em uma estrutura mais pulverizada, e com práticas de resposta rápida para garantir o nível de serviço no atendimento direto.

E o que você acha do novo posicionamento da Adidas, bola dentro? E sua empresa, já pensou em usar mais a venda direta? Caso tenha, como isso impactaria sua estrutura logística?

 

Referências

http://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/7370798/adidas-quer-fechar-parte-das-lojas-para-investir-mais-site

O interessante modelo das “caixas-surpresa”

Um dos maiores problemas para a maioria dos profissionais de logística é certamente a imprevisibilidade. As inúmeras incertezas da cadeia de suprimentos fazem com que as empresas trabalhem com vários itens e embalagens diferentes (SKUs – Stock Keeping Units) que precisam ser produzidos e estocados com antecedência para atender a demandas pontuais, que podem surgir a qualquer momento, o que traz alta complexidade e custos elevados.

Nesse sentido, uma modalidade relativamente recente de comércio chama a atenção: os clubes de assinaturas que entregam produtos “surpresa” para assinantes. Um dos pioneiros e mais famosos é o Lootcrate, dos EUA, que oferece produtos como livros e bonecos, mas já há variedades que entregam vinhos (os Wine Clube), peças esportivas e até mesmo produtos para animais de estimação, como o DogBox, em todo o mundo.

Figura 1 – Serviços de clubes de assinatura entregam desde revistas e bonecos a vinhos (Fonte: LootCrate e Wine.com.br)

Em geral, estes clubes ou planos funcionam da seguinte forma: o cliente paga uma mensalidade (ou trimestralidade, ou anuidade) e recebe periodicamente em sua casa uma caixa com um ou mais produtos, que ele não sabia previamente quais seriam. O valor do serviço está na conveniência de o cliente não precisar constantemente acessar uma loja física ou online, ainda mais com a dificuldade de escolher produtos frente a tantas opções que temos atualmente. Além disso, há ainda o próprio fator surpresa da compra, que equivale à emoção de se estar ganhando um presente.

Para as empresas que oferecem este tipo de serviço, é possível alcançar uma diminuição considerável na complexidade de atendimento em comparação com uma venda tradicional online. Pense bem: a demanda, que é uma variável muito importante, mas imprevisível quando consideradas todas as fragmentações de SKU, cliente, locais e janela de tempo disponíveis, se torna muito mais simples de gerenciar uma vez que esta é agrupada em número de “caixas-surpresa”. A variação passa a ser apenas no número de clientes. Além disso, a maior parte da demanda é vista com grande antecedência, sabendo-se exatamente onde os clientes estão, o que facilita o planejamento de operações como o transporte.

Por fim, há ainda a facilidade de fornecimento. Como o cliente não conhece os produtos exatos que pode receber até o mês da entrega, a empresa pode se dar ao luxo de buscar no mercado itens que tenham custo menor de compra, que foram produzidos em excesso, etc., desde que consiga agradar aos seus assinantes com a escolha, claro. Geralmente, a procura pelos produtos é feita com diversos meses de antecedência, visando um planejamento mais eficiente, e a empresa pode contratar fretes de suprimento mais consolidados e sem necessidades de prazos rápidos.

É preciso ressaltar, entretanto, que a complexidade não acaba de vez com esse tipo de negócio. Recentemente esses serviços estão ficando mais diversificados, oferecendo diferentes pacotes, com variadas opções, como por exemplo, caixas que vêm só com camisetas, ou vinhos de uma faixa de preço específico. Há também um trabalho de marketing intenso para entender o gosto do consumidor e oferecer os itens certos para cada momento, e também para buscar os produtos no mercado. O maior número de competidores naturalmente também aumenta a pressão por custos mais baixos.

De qualquer forma, parece ser um modelo interessante, onde a maior imprevisibilidade para o consumidor se transforma em menor incerteza para os vendedores.

 

Referências

https://mashable.com/2013/08/14/loot-crate-gamers/#m9z_baEpKZqC

https://www.inc.com/jeff-haden/create-a-profitable-subscription-model-how-loot-cr.html

http://www.gazetadopovo.com.br/economia/10-clubes-de-assinatura-que-entregam-delicias-em-casa-cozbjqv60l6gjwl4ieiqjyp6z

Logística – Mais uma refém da violência

O tema da segurança pública ganhou os holofotes do noticiário ultimamente, com fatos notáveis como a intervenção federal no estado do Rio de Janeiro e a criação de um ministério exclusivo para a área. É um assunto de extrema importância e que infelizmente não tem obtido avanços no país, e além do medo que causa na população, ainda há um grande ônus para a logística também.

Já falamos no blog ILOS diversas vezes sobre o problema do roubo de cargas e sobre como os custos dos assaltos acabam prejudicando todos os elos da cadeia de suprimentos, e parece que a situação só piora. No ano passado, tanto a cidade de São Paulo quanto a do Rio de Janeiro bateram recordes nesse tipo de ocorrência. Alguns dados mostram a gravidade da situação. Na capital paulista, o número de assaltos anual cresceu 30% em relação a 2012. Já no estado do Rio, há uma média de 29 casos do tipo a cada dia, ou seja, mais de um por hora.

Este cenário traz complicações diretas para a logística. Um exemplo disso é o impacto nos serviços de Correios. A empresa anunciou que passará a cobrar uma taxa de R$3 adicionais para encomendas que passem pelo estado do Rio, sejam elas postadas ou entregues em território fluminense, com a justificativa de que houve um aumento nos custos para garantir a segurança. Um levantamento recente da Folha de São Paulo mostrou que, na capital paulista, quase um terço (29%) do território é considerado área de risco, onde as entregas são feitas com prazos maiores devido a necessidades especiais, como escolta armada, ou simplesmente não são feitas, cabendo ao destinatário coletar a encomenda em uma agência. Algumas empresas de e-commerce já até recusam a entrega em alguns CEPs de lugares com índices de violência maiores.

Figura 1 – Violência em alguns lugares do Brasil prejudicam serviços logísticos (Fonte da imagem: O Globo)

Os profissionais de logística trabalham arduamente para cumprir a missão de entregar produtos em áreas cada vez mais abrangentes, com menores prazos e custos, e com mais confiabilidade para os clientes, mas infelizmente a atividade é mais uma refém do grande perigo pelo qual o país passa.

 

Referências

https://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/roubo-de-cargas-no-rj-bate-recorde-em-2017-18012018

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/correios-vao-cobrar-taxa-extra-para-entregas-no-rio-devido-a-violencia.ghtml

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/12/1946271-violencia-restringe-entrega-de-produto-pelos-correios-em-29-da-cidade-de-sp.shtml

https://revistapegn.globo.com/Tecnologia/noticia/2017/08/e-commerces-comecam-evitar-areas-de-risco-no-rio.html

Segurança e gestão de riscos da cadeia de suprimentos

Perdas relativas à falta de segurança nas operações são bastante representativas em empresas de diversos setores do país. A Monica Barros já comentou no início do ano que o Brasil é considerado o sexto país com maior risco para o transporte de carga, algo que impacta consideravelmente o preço do frete. Entretanto, o roubo de cargas é apenas uma das possíveis perdas por falta de segurança na cadeia de suprimentos, além de furtos, ataques cibernéticos e pirataria, por exemplo. É importante frisar que independentemente da localização da empresa na cadeia, toda e qualquer perda por falta de segurança impacta diretamente o cliente final e, por consequência, todos os elos envolvidos em sua cadeia de suprimentos. Assim sendo, como cada empresa pode individualmente tentar minimizar esses prejuízos?

Figura 1 – Escolta armada em ação realizando um transporte de mercadorias no Brasil

 

É importante sempre alinhar o plano de segurança com o tipo de operação realizada pela empresa. Um varejista de loja física, por exemplo, tem os furtos, tanto a partir de clientes quanto de funcionários, como principais vilões em termos de segurança, tendo investimentos em sistemas de vigilância interna como mais adequados para diminuírem esse tipo de perda. Já varejistas de e-commerce e distribuidores sofrem consideráveis perdas com roubo de carga nas estradas, e em alguns casos também ataques cibernéticos. Assim sendo, investimentos em escoltas armadas e segurança digital são mais apropriados.

Todavia essas perdas por falta de segurança podem ser minimizadas, mas jamais chegarão a zero. Sempre haverá um ponto ótimo entre o total investido e o total de prejuízos evitados. Dessa forma, é de fundamental necessidade que todos os investimentos em segurança sejam acompanhados de um plano de gestão de riscos para a rotina de operação, que leve em consideração a magnitude das possíveis perdas e respectivas iniciativas de segurança. Seguros de cargas e/ou escolta armada somente para cargas acima de determinado valor são exemplos desse tipo de iniciativa.

A verdade é que, por muitas vezes, despesas com segurança são vistas como custos e não como investimentos. Despesas desse tipo bem alocadas podem gerar retornos financeiro consideráveis com a minimização das perdas de estoque, além de constituir uma vantagem competitiva robusta frente aos concorrentes.

E a sua empresa, possui um plano de segurança e gestão de riscos alinhados às necessidades do negócio? A segurança de uma cadeia de suprimentos é tão forte quanto a de seu elo mais fraco.

 

Referências

<http://www.scdigest.com/experts/Holste_17-09-27.php?cid=13069>

<https://www.ilos.com.br/web/roubo-de-carga-e-o-impacto-no-custo-de-transporte/>