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E-commerce, novo varejo e a importância do Supply Chain


Já tem algum tempo que ouvimos falar no crescimento do e-commerce e das vendas online, que representam uma fatia cada vez maior da receita do varejo. Frente à situação atual com a pandemia da Covid-19, esse crescimento foi potencializado e forçou as empresas do setor a se adaptarem a essa nova realidade. De acordo com pesquisa da Neotrust/Compre&Confie, estima-se que o e-commerce no Brasil teve 5,7 milhões de novos clientes entre abril e junho, meses de pico das medidas de distanciamento social.

novo varejo - vendas - ILOS Insights Figura 1: Vendas no e-commerce entre março e julho. Fonte: Folha de S. Paulo

Uma das principais características das empresas preparadas para se destacar nesse cenário é a flexibilidade da cadeia de suprimentos para atender à demanda dos diferentes canais, da tradicional loja física ao atendimento direto do consumidor que realiza suas compras pela internet. Para ter essa flexibilidade e fazer uma boa gestão do supply chain, as empresas precisam utilizar sistemas eficientes de processamento de pedidos, roteirização de entregas e tecnologias capazes de prever o comportamento do mercado com base nos dados de compras dos consumidores. Outro fator de grande relevância no varejo, tanto online quanto tradicional, são as parcerias estratégicas com os fornecedores, possibilitando visibilidade de ponta a ponta na cadeia através do compartilhamento de informações em tempo real.

Cada uma dessas características aponta para a realidade do futuro (e por que não do presente?) do varejo: um mercado de grande complexidade operacional que deve ser gerido com foco nas necessidades do consumidor e que, para isso, tem na gestão do supply chain o seu maior diferencial competitivo.

É cada vez mais comum ouvir sobre varejistas que estão abrindo centros de distribuição e tomando conta da gestão da entrega dos pedidos, mesmo quando os produtos não estão localizados nas instalações da companhia, o que evidencia a importância do supply chain no setor. O novo varejo vai ser marcado pela gestão eficiente da cadeia de suprimentos através do uso de tecnologia e pela alta representatividade do e-commerce. Quem não conseguir acompanhar essas tendências e fazer os investimentos necessários para ganhar a atenção do consumidor terá uma grande dificuldade pela frente.

E-commerce e o Novo Varejo é uma das vertentes que serão abordadas no Fórum Internacional Supply Chain deste ano, além de Transformação Digital do Supply Chain, Transporte & Infraestrutura e Reinventando o Supply Chain. O ILOS vai promover o Fórum entre os dias 13 e 15 de outubro, pela primeira vez de forma 100% online. Para ficar por dentro das melhores práticas do mercado e conhecer soluções inovadoras que estão sendo adotadas pelos executivos do setor, não perca a oportunidade de participar dessa edição!

Referências:

Valor Econômico – Varejo faz gestão da entrega de produtos e muda setor de logística

Forbes – Can supply chain be the MVP in retail’s future?

Folha de S. Paulo – Comércio digital ganha 57 milhões de consumidores e varejo diz que eles vieram para ficar

Os desafios do e-grocery para as empresas


Como comentei no post anterior, foi notável o incremento nas compras online para supermercados durante o período de isolamento social. E, como era de se esperar, esse aumento trouxe diversos desafios logísticos visto que a mudança aconteceu, praticamente, de um dia para o outro.

O delivery de supermercados, que antes era utilizado por poucos e tinha uma entrega feita no mesmo dia ou dia seguinte, passou a divulgar aos clientes, no começo da pandemia, prazos de uma semana ou até mais! Considerando que itens alimentícios são produtos que os clientes querem rapidez, os atrasos ocasionados pelo desbalanceamento logístico dos grandes players, que já estavam no mercado online (como por exemplo GPA e Carrefour), fizeram com que os clientes optassem por comprar em supermercados locais, mesmo pagando mais caro.
Dessa forma, a digitalização do segmento e os desafios dessa mudança atingiram também os pequenos mercados, que desenvolveram, as pressas, o uso de whatsap, e-mail e telefone para tomada de pedidos.

Da forma como está sendo feito hoje no Brasil, o serviço online tem altos custos para e empresa. Na maioria dos casos, os clientes desejam uma entrega rápida e optam pelo apps de entrega (Rappi, iFood, Cornershop, James…) ou Whatsap, que prometem a entrega no mesmo dia. Nesse caso, o processamento do pedido tem sido manual e ocorre dentro do próprio supermercado, envolvendo um profissional de picking que transita pelos corredores juntamente com outros clientes. Além disso, durante o processamento do pedido, o funcionário, tem grande interação com o usuário, com trocas de mensagens ao longo da compra para fazer substituição de itens que não estiverem disponíveis, tornando o processo lento.

Em seguida, é realizada a entrega até o cliente final, sendo normalmente uma viagem de entrega única, feita por funcionário próprio ou por algum parceiro de entrega. Apesar da maioria das plataformas cobrarem um custo para o frete, os custos e tempo envolvidos em uma única compra são altos para o ticket médio e a atividade apresenta pequenas margens. O lucro, portanto, dependerá do bom desempenho nas atividades de picking e transporte, que antes não eram de responsabilidade da empresa.

Como comentado em post anterior pela sócia executiva do ILOS, Maria Fernanda, o transporte de Last Mile passou a ser um serviço imprescindível com o crescimento do e-commerce e as empresas precisam se reestruturar adaptar a nova realidade. Dessa forma, seguem algumas alternativas para melhorar o desempenho para o e-grocery.

1) ENTREGA: Diferente do e-commerce de bens duráveis, o cliente não está preparado para longas esperas para adquirir alimentos, uma vez que estava acostumado a comprar diretamente na loja com disponibilidade imediata. A logística do e-grocery deve ser rápida, como no caso dos deliveries de refeições prontas. Algumas alternativas apresentadas são:

Click e Retire e Drive Thru

Esse serviço já era oferecido por alguns supermercados, mas durante a pandemia apresentou-se como uma alternativa para evitar a aglomeração dentro da loja e garantir o produto entregue sem depender de longas esperas, dado a sobrecarga das estruturas logísticas durante a pandemia.

Parcerias com empresas de delivery

Essa solução de colaboração tem sido muito utilizada. Ao contratar empresas especializadas para realizar o trabalho, não há necessidade de desenvolver, em curto prazo, novas atividades que não são o core business da empresa.

Aproximar o estoque do consumidor

Essa ação reduz tempos de Last Mile, uma vez que os trajetos percorridos serão menores, podendo até ser feitos por motos e bicicletas, sem a necessidade de consolidar carga em um grande veículo. Essa aproximação pode ser feita ao utilizar a loja com função dupla (online e offline) ou explorar uso das Dark Stores, como comentado em post da consultora Fernanda Monteiro.

2) PICKING: Além da agilidade para processar os pedidos, nesse aspecto entra também o quesito da qualidade do produto, principalmente os perecíveis, visto que o cliente quer receber os produtos frescos e em boas condições. Algumas alternativas apresentadas são:

CDs dedicados

Um centro de distribuição exclusivo para o serviço online, permite um aumento de produtividade, visto que o ambiente de picking não terá que ser compartilhado com os clientes das lojas e existe a possibilidade de incorporar mais automação.

No entanto, essa opção pode acabar aumentando o tempo de entrega, visto que os CDs geralmente estão posicionados fora das cidades ou pontos distantes, sendo necessário o agendamento da entrega. De qualquer forma, para minimizar esse impacto, a otimização de rotas e consolidação de cargas para melhor utilização do veículo são essenciais.

Dark Stores

Além de aproximar o estoque do cliente final, por serem destinadas apenas ao delivery, o processo de picking é facilitado por eliminar algumas etapas, como passar os itens no caixa, e por não existirem clientes transitando. Além disso, e possível aplicar algumas tecnologias para otimizar o processo.

Como podemos observar, os desafios para que e-grocery são enormes e as alternativas apontadas, apesar de melhorarem a performance, podem não ser suficientes para a rentabilidade da atividade. De acordo com um estudo realizado pela Bain e apresentado no post da Fernanda Monteiro, a automatização do processo faz-se necessária, independente do picking ocorrer na loja ou no CD. Além disso, o estudo completa que parte desses custos devem ser repassados ao consumidor para um melhor desempenho financeiro.

desafios do e-grocery - modelo atendimento - ILOS Insights

Figura: Margens do e-grocery para diferentes modelos de atendimento (sem considerar juros e impostos). Fonte: adaptado de Bain

Tudo indica que a transformação digital para os supermercados é um caminho sem volta, tendo em vista a aceleração das mudanças do perfil do consumidor durante a pandemia do COVID-19. Essa perspectiva de crescimento obriga as empresas a saírem do modo sobrevivência de vendas online praticados durante a pandemia, para se estruturar adequadamente a fim de entregar os produtos com qualidade, com prazos curtos e ainda assim ter rentabilidade no negócio em uma nova realidade.

Se quiser saber mais sobre as mudanças digitais no varejo, fique atento ao 26º Fórum de Supply Chain do ILOS, que acontecerá de 13 a 15 de outubro de 2020, e trará o tema “E-commerce e Transformação do Varejo” como um dos assuntos principais da programação.

O uso de dark stores em um cenário de crescimento da demanda do e-commerce



Com o crescimento do e-commerce e o aumento da expectativa de serviço pelos clientes, ganhou urgência na pauta dos executivos do varejo o desafio do last mile: como reduzir o tempo de entrega sem comprometer os custos logísticos? As empresas estão se mexendo pensando nessa equação e novas iniciativas surgem a todo momento, como por exemplo a implantação de CDUs (Centros de Distribuição Urbanos), já discutida anteriormente aqui no ILOS insights

Com a eclosão da epidemia de Covid-19 no mundo e a consequente necessidade de isolamento social, o que se viu foi um crescimento ainda mais vertiginoso do e-commerce. Segundo a pesquisa Impactos da Pandemia no Comportamento do Consumo do Brasileiro, realizada pelo Instituto Locomotiva, 10% das pessoas não compravam pela internet e passaram a comprar durante a quarentena; 45% já compravam pela internet e passaram a comprar ainda mais nesse período; 24% já compravam e continuaram comprando o mesmo volume; 11% já compravam, mas passaram a comprar menos; e 10% não fazem compras online.

Mesmo com o afrouxamento das restrições nas cidades e gradual retorno da economia, a expectativa é que as vendas online se mantenham em um patamar sensivelmente maior do que o observado no último ano. E, para absorver esse aumento repentino do e-commerce, grandes empresas do varejo estão adotando o modelo de dark stores em suas cadeias.

As dark stores são lojas fechadas ao público e que servem como pontos de distribuição de produtos em uma determinada região. Com a restrição de horário de atendimento e limite de capacidade de pessoas imposto por vários governos durante o período de quarentena, muitas empresas acabaram aproveitando para fechar algumas de suas lojas ao público e aumentar a capacidade de processamento de pedidos online. Este modelo de instalação já estava sendo implementado por algumas redes antes da pandemia, principalmente na Europa, Ásia e nos Estados Unidos, mas houve uma adesão maior nestes últimos meses.

Nos Estados Unidos, a Amazon fechou ao público algumas lojas Whole Foods em Los Angeles e Nova York e as transformou em centros de atendimento de pedidos online. Outras redes de supermercados como Walmart, Kroger e Giant Eagle também converteram temporariamente alguns estabelecimentos transformando-os em dark stores, mas têm planos de que alguns locais continuem a ser lojas escuras permanentemente.

Na Nova Zelândia, a rede de supermercados Countdown abriu duas dark stores no país e já anunciou a intenção de inaugurar a terceira unidade. As lojas se parecem com um mercado tradicional (Figura 1), mas possuem um layout que considera o que os clientes da empresa compram com mais frequência pela internet. Esta estratégia foi adotada para poder aumentar a capacidade de atendimento de pedidos online, uma vez que as visitas ao site da rede aumentaram 300% durante o período de lockdown imposto no país.

dark stores - ILOS Insights

Figura 1: Dark store da Countdown em Auckland, na Nova Zelândia
Fonte: Stuff

No Brasil, quem já implementou essa tendência foi o grupo Hortifruti Natural da Terra, que viu a sua operação digital saltar de uma representatividade de 1% a 2% para 20% das vendas mensais. Pensando nisso, a rede inaugurou em maio a primeira unidade dark store no país, na zona norte da capital paulista, com a marca Natural da Terra. A segunda dark store foi aberta em junho, no Rio de Janeiro, com a bandeira Hortifruti. Até o início de 2021, a previsão é de haver três ‘lojas escuras’ em São Paulo e três no Rio.

Apesar de também haver exemplos de outros segmentos do varejo que estão adotando essa estratégia, como a rede de produtos para casa Bed Bath & Beyond e a joalheria Kendra Scott, a maior parte das empresas que estão seguindo nesta direção é do segmento de supermercado. Este segmento, principalmente o mercado de itens frescos, depende muito de nível de serviço e da qualidade dos produtos e o modelo de dark stores beneficia isso.

O principal objetivo das lojas escuras é proporcionar uma maior rapidez nas entregas para quem compra online, além de ser uma possibilidade mais prática de pick-up, uma vez que essas lojas costumam estar localizadas nas áreas de maior demanda das cidades. Além disso, as dark stores proporcionam uma maior capacidade de separação de pedidos, já que estão fechadas para os clientes. Para lojas que recebem até 100 pedidos por dia, acredita-se ser possível manter a distribuição a partir do estoque, em um modelo ship-from-store. Contudo, para uma demanda maior que essa, o fluxo de separação se cruza com o fluxo dos clientes, o que pode prejudicar a experiência do cliente na loja. Assim, ter uma dark store é mais recomendada para as lojas que recebem, por dia, um volume de pedidos maior do que esse.

Apesar dessas vantagens e de uma loja como essa exigir um investimento muito menor que uma loja tradicional, esse é um modelo caro e que ainda não é rentável para grande parte das empresas que o adotam. Os supermercados já têm margens notoriamente baixas. Com as compras sendo feitas de forma online, elas ficam ainda menores uma vez que a tarefa de separar, embalar e transportar os itens passa do cliente para o funcionário e muitas redes estão relutando em cobrar por essas atividades. Segundo estudo feito pela consultoria Bain (Figura 2), as vendas feitas nas lojas físicas geram uma margem operacional de 2% a 4% para os supermercados. Nos casos de pedidos feitos online para uma loja física, em que o cliente é responsável pela coleta, a margem reduz para -5% e, quando a entrega do pedido é feita na casa do cliente, cai para -15%.

dark stores - gráfico - ILOS Insights

Figura 2: Estudo sobre rentabilidade de pedidos online para os supermercados. Fonte: Estudo Bain divulgado pela CNBC

Fatores como os altos custos de mão-de-obra e de aluguel das lojas físicas utilizadas para atendimento de pedidos online são os principais responsáveis por corroer os lucros dos varejistas. Para permitir o aumento do nível de serviço do atendimento de pedidos online sem que a loja tenha prejuízo, os supermercados não devem temer a aplicação de taxas de conveniência, devem adotar a automação e procurar novas fontes de receita. Segundo o estudo da Bain, boas soluções incluem investir em grandes centros de atendimento automatizados, desenvolver centros de micro atendimento na parte de trás das lojas e converter as lojas físicas pouco lucrativas em dark stores. Além disso, as empresas devem buscar novos fluxos de receita como, por exemplo, vender espaços publicitários em seu site/aplicativo para empresas que desejam promover um item de supermercado, permitir que as marcas paguem para adicionar uma amostra grátis às cestas online dos clientes e cobrar para disponibilizar dados de vendas virtuais.

A pandemia global sacudiu o mundo do varejo e criou grandes incógnitas para o futuro. As dark stores podem ajudar a melhorar a experiência do cliente e facilitar o acesso a itens essenciais, mas é importante que haja uma estratégia por trás de sua criação e que elas sejam mais uma possibilidade na cadeia e não uma substituta às lojas físicas. Ainda é fundamental também que os varejistas encontrem formas mais eficientes de atender aos pedidos, sob o risco de ver todo o seu lucro ruir e o negócio ficar comprometido.

Esta e outras tendências do varejo serão discutidas em profundidade no track ‘E-commerce e o Novo Varejo’ do 26º Fórum Internacional Supply Chain, que ocorrerá entre os dias 13 e 15 de outubro de 2020. Pela primeira vez, o Fórum do ILOS será 100% online e uma oportunidade para quem quiser se manter atualizado sobre esses e outros temas que estão em voga quando se trata de logística e supply chain.

Referências:

E-commerce Brasil – Interesse por compras online deve continuar após pandemia
– E-commerce Brasil – Dark store: como esse fenômeno vai impactar o “novo varejo”
– The Motley Fool – Amazon Is Turning Some Whole Foods Markets Into ‘Dark Stores’
– Forbes – Dark Stores Are The Future Of Post-Pandemic Retail
– Stuff – Supermarket without customers opens in Auckland
– Stuff – Countdown to open ‘dark store’ in Wellington as online demand booms
– Valor Econômico – Hortifruti Natural da Terra abre ‘dark stores’
– Época Negócios – O que são as ‘dark stores’ das gigantes do comércio e por que se proliferam pelo mundo
– CNBC – Grocers urgently need to fix broken online business model, as pandemic shifts more to web, report says

Os desafios do e-commerce pós pandemia do coronavirus


Cada vez mais, o e-commerce tem se consolidado como uma forma essencial de consumo para a população. Em pesquisa feita pela NZN Intelligence em 2019, cerca de 80% dos consumidores brasileiros já fizeram uma compra online e preferem essa modalidade a compras em lojas físicas. Além disso, 148 milhões de compras online foram registradas em 2019, gerando um faturamento de 61,9 bilhões de reais, com previsão de crescimento para 85 bilhões de reais até 2021, conforme uma pesquisa do Google.

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Figura – Desafios do e-commerce passam por garantir boa experiência de compra ao consumidor. Foto: Pixabay

Se os números já eram favoráveis a essa prática, os adventos da pandemia do novo coronavírus trouxeram um maior impulso a essa modalidade de comércio. Com as práticas de isolamento social e fechamento de lojas físicas, muitas empresas viram o e-commerce como uma forma de sobreviver, e os consumidores como única maneira de consumo. Segundo levantamento feito pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), foram 107 mil novos estabelecimentos criados na internet em pouco mais de dois meses, e o faturamento do setor aumentou cerca de 56,8% nos primeiros cinco meses de 2020.

Tendo em vista esse movimento de digitalização dos negócios, um dos primeiros desafios do e-commerce é a experiência de compra dos consumidores, que caso não seja atendida, pode proporcionar perda de receitas e market share. Em pesquisa feita pela Salesforce com 6.700 consumidores de 15 países mostra que 57% dos clientes deixariam de contratar um serviço ou comprar um produto de uma marca pois obteve melhor experiência com o concorrente. Em outra pesquisa, feita pela Accenture, 47% das pessoas disseram que evitariam comprar no varejista ou marca no futuro após uma experiência ruim. Além disso, conforme aumentam as receitas e a presença virtual das empresas na internet, também aumentaram as reclamações dos clientes, estabelecendo outro desafio. No período de janeiro a junho de 2020, foram registrados o dobro de queixas relacionadas ao e-commerce quando comparado ao mesmo período de 2019, conforme levantado pelos PROCONs (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor). Dentre as principais queixas estão os produtos que não são entregues, com atraso nas datas estipuladas, e dificuldade de estorno de compras canceladas.

Isso ocorre devido à falta de preparo para o aumento expressivo das vendas on-line, além da falta de experiência e estrutura para empresas consideradas como novas entrantes no setor. De forma repentina, empresas consolidadas tiveram que revisitar suas cadeias logísticas, tanto pela capacidade de atendimento nos casos em que a demanda aumentou para patamares superiores de consumo ao anterior da pandemia, quanto para o gerenciamento dos estoques nos casos de aumentos em produtos específicos e quedas em outros. Além disso, empresas que iniciaram suas operações online precisaram montar uma estrutura de entregas e fazer a divulgação de suas marcas, aliada a queda de receitas devido ao fechamento de suas lojas físicas. Vale citar que algumas grandes empresas do setor estão auxiliando as pequenas e médias empresas com plataformas online para cadastro de estoque para entrar em contato com uma base maior de clientes.

Dessa forma, se estabelecem os desafios do e-commerce nos novos tempos de pandemia. Algumas medidas podem ser tomadas, como ajustes no planejamento da demanda, revisão dos parâmetros de políticas de estoque, contratação de start-ups para roteirização e seleção de transportadoras, utilização de empréstimos por parte de empresas maiores, e contratação de consultorias para revisão do plano logístico. Entretanto, não existe um gabarito para todos os desafios, pois cada empresa necessita de uma certa solução devido ao seu nível de maturidade. Porém, há uma certeza: é preciso investir cada vez mais em flexibilidade, visibilidade e automação para melhorar a capacidade, produtividade e nível de serviço.

E-commerce e o Novo Varejo será um dos quatro temas principais do 26º Fórum Internacional Supply Chain, que acontecerá de 13 a 15 de outubro e será 100% digital.

Entregas recorrentes a pessoas físicas – mais conveniências e mais desafios


A Amazon lançou no início de julho de 2020 um programa de entregas recorrentes da empresa, chamado “Programe e Poupe”. Através dessa iniciativa, o usuário pode escolher uma nova opção ao comprar certos produtos, a de “comprar com recorrência” e ao selecionar esta forma de compra, o usuário pode selecionar uma frequência de entrega (mensal, bimestral, trimestral e até semestral) e de pagamento daquele produto, e essas operações passam a ser automatizadas, sem requerer novas solicitações do usuário.

Além da conveniência, uma outra vantagem oferecida é um desconto de 10% em todos os produtos participantes (que naturalmente, se limitam a itens de compra frequente, como produtos de higiene e limpeza, alimentos e bebidas, rações e outros produtos para animais de estimação), e para os membros do Amazon Prime, o frete é grátis para todas as entregas. Um outro ponto, que ao meu ver, parece um acerto da empresa, é a simplicidade e flexibilidade do programa. Não é necessária nenhuma adesão especial, e as compras podem ser canceladas a qualquer momento, sem obrigatoriedade de um período mínimo de contratação.

entregas-recorrentes---Amazon---ILOS-Insights Figura 1: “Programe e Poupe”, programa de entregas recorrentes da Amazon. Fonte: Amazon

Essa iniciativa é um pouco semelhante aos clubes de entrega, sobre os quais já escrevi há alguns anos aqui nos insights, mas sem o fator da aleatoriedade dos produtos. Tal como esses modelos, há benefícios também para as operações logísticas, já que se trata de uma modalidade que pode trazer mais previsibilidade à potencial demanda dos itens que fazem parte do programa, o que facilita processos de sourcing, posicionamento de estoque e estimativa de recursos para entrega. Essa visibilidade, de forma mais preditiva, já tem sido usada por outras plataformas associadas ao varejo (como Shopper, Home Refill e Superlist) para negociar melhores preços com fornecedores e oferecer descontos direcionados com base no histórico do cliente. Com a ordem já programada, essa previsão ganha uma acurácia possivelmente maior.

Figura 2: Opções de entrega recorrente são apresentadas em página de compra. Fonte: Amazon

É preciso apontar que o modelo de entregas recorrentes traz uma série de expectativas dos clientes. Em uma operação programada, a consistência do prazo de entrega se torna ainda mais fundamental, principalmente quando se trata de itens essenciais. Uma entrega que não seja feita na janela esperada pelo cliente, pode fazer com que ele desista da espera e compre no varejo da vizinhança, e depois cancele a entrega do programa, trazendo um certo tumulto à operação que se propunha a ser mais previsível. É preciso também ter bons canais de comunicação com o cliente para alertar sobre eventuais mudanças de preço, ou mesmo na data de entrega, uma vez que o cliente não acompanhará cada remessa como uma compra regular. A falha nesses quesitos pode transformar o cliente que se dispôs a ser fiel em um consumidor detrator do negócio, uma das piores conversões possíveis. É sempre positivo ver novas opções que buscam agregar mais conveniências aos clientes, mas junto às novas promessas, é preciso estar atento aos desafios que acompanham.

Se quiser saber mais sobre as mudanças digitais no varejo, fique atento ao 26º Fórum de Supply Chain do ILOS, que acontecerá de 13 a 15 de outubro de 2020, e trará o tema “E-commerce e Transformação do Varejo” como um dos assuntos principais da programação.

Referências:

Veja SP – Sites de compras programadas

Amazon

Covid-19 abre espaço para robôs autônomos no Last Mile


Desde o começo da pandemia do coronavírus, temos comentado no ILOS Insights sobre o grande impacto do isolamento nos pedidos por delivery. Antes mesmo desta fase, a demanda pelo last mile já crescia, principalmente pela expansão do e-commerce. Após a chegada do COVID-19, os números explodiram, principalmente os pedidos de entrega de supermercados, farmácias e restaurantes. Este fato sobrecarregou a cadeia de suprimentos e as infraestruturas de entrega existentes, impactando negativamente no tempo de entrega e na qualidade do serviço.

Com este sistema pressionado, a tecnologia aparece como uma possível solução. A Thatiana Nomi comentou em um texto no ILOS Insights recentemente sobre o uso de drones para entregas de itens essenciais em comunidades rurais e hospitais. Quando falamos em centro urbanos e entregas de restaurantes, farmácias, supermercados e e-commerces, os olhos dão atenção também aos robôs autônomos.

robôs autônomos - Startship - ILOS Insights

Robô de entregas da Starship aguarda o sinal de pedestres abrir para atravessar uma rua de Fairfax, na Virginia
Fonte: Starship

O desenvolvimento da tecnologia utilizada nestes “pequenos ajudantes” não é novidade. No entanto, a pandemia está aumentando as vantagens da sua implementação, ao mesmo tempo em que encontra um ambiente mais favorável para os seus testes. Com relação ao primeiro ponto, o que eu quero dizer é: a necessidade de isolamento, a exposição dos entregadores à contaminação e a alta demanda de entregas last mile são barreiras que o uso pontual de robôs autônomos pode nos ajudar, por exemplo, fazendo entregas a idosos, a pessoas contaminadas ou a hospitais de campanha. Já sobre o segundo, a situação atual que temos é de cidades com menos movimento, ruas mais vazias, quantidade menor de pedestres. Este é um cenário que permite implementação com maior segurança desta tecnologia, que ainda está em fase de testes.

Em alguns países, a aplicação de veículos autônomos para entregas já apresenta crescimento. No Arizona (EUA), uma pizzaria está utilizando robôs da empresa Starship Technologies para entregar os seus produtos em um raio de 1km da sua base. Já na China, durante os meses de lockdown, 16 comunidades localizadas no oeste do país receberam seus alimentos perecíveis nas costas de um robô desenvolvido pela startup Unity Drive Innovation (UDI). JD.com e Meituan-Dianping são exemplos de e-commerces chineses os quais utilizaram AVs (Autonomous Vehicles) para atender a demanda em zonas isoladas. Na América do Sul, uma empresa que está realizando testes com esta tecnologia é a Rappi, que começou esta iniciativa em parceria com a KiwiBot na segunda quinzena de abril na cidade de Medellín, a segunda maior da Colômbia.

robôs autônomos - Rappi - ILOS Insights

A Rappi tem feito aproximadamente 120 entregas por dia com 15 robôs na área de pilotagem, em Medellín (Colômbia)
Fonte: Rappi

No Brasil, as menções sobre a utilização de robôs em entregas de last mile são raras. Em outubro de 2019, o iFood anunciou uma parceria com a empresa Synkar, e disse que iniciaria em 2020 testes em ambientes controlados na cidade de São Paulo. No entanto, não há atualizações até o momento sobre a implementação deste projeto. Não só aqui, mas em muitos países, a ampla utilização dos robôs esbarra nas regulamentações. Questões trabalhistas, regras de trânsito e normas jurídicas são impactadas ao colocarmos veículos autônomos na rua. Para aumentar a aplicação desta tecnologia, é preciso pedir aos órgãos reguladores concessões especiais, geralmente um processo moroso. Países como o Brasil, que possuem nível de violência elevado e baixo índice de escolaridade, apresentam também outros obstáculos, como a alta probabilidade de roubos destes veículos autônomos. Ainda, é necessário um planejamento urbano que viabilize a sua locomoção, com calçadas uniformes e rampas para sua passagem. Além de todos os pontos citados, deve ser levado em consideração o alto custo de desenvolvimento e implementação desta tecnologia, o que a torna menos acessível.

Um fato é claro: apesar do ambiente favorável para o aumento de testes com robôs autônomos, a nossa realidade ainda está distante da sua ampla implementação. Os benefícios na contenção da disseminação do vírus são visíveis, assim como os impactos positivos de sua utilização no mercado de entregas em um ambiente pós pandemia, pois a demanda por deliveries não deve diminuir ao patamar pré-covid, considerando que os consumidores estão se apegando aos novos hábitos de consumo que o isolamento nos impôs. Certamente, aqueles países que estão aproveitando este momento para colocar esforços nos testes com veículos autônomos sairão desta pandemia alguns passos à frente na automatização das cidades, um futuro que está longe para os brasileiros.

Amazon expande o Counter, serviço para buscar mercadorias em lojas do varejo tradicional

Em junho de 2019, a Amazon lançou nos EUA o Amazon Hub Counter, serviço que permite que consumidores busquem suas compras, sem custo adicional, em lojas físicas de varejistas parceiros. Funciona de forma simples: no final do processo de compra, o cliente seleciona o local de pick-up desejado, de acordo com o CEP inserido. Quando o pedido chega no local, o consumidor recebe um e-mail contendo um código de barra único (que deve ser apresentado ao funcionário da loja para buscar as compras), bem como as informações do estabelecimento em questão (endereço e horário de funcionamento). O cliente tem até 14 dias corridos para buscar as mercadorias.

O Counter é mais um dos diversos serviços oferecidos pela Amazon para tornar as entregas mais convenientes para o consumidor. O Amazon Locker foi lançado em 2011 e hoje está presente em 900 cidades dos EUA, com cerca de 10.000 lockers. Até o fim de 2020, serão avaliados 1.000 novos locais por mês, com pretensão de praticamente dobrar esse número. Outro serviço foi anunciado no fim de 2017, o Amazon Key, que permite que entregadores deixem os pedidos dentro de sua casa ou de seu carro.

Inicialmente, o Amazon Counter estava disponível em cerca de 100 localizações da Rite Aid, grande rede de drogarias norte-americana que conta com 2.500 lojas. Porém, o plano é a expansão do programa para 1.500 lojas até o fim de 2019. Para alcançar esse objetivo, foram anunciados no fim de outubro mais 3 parceiros: GNC (varejista de produtos de saúde e bem-estar como vitaminas e suplementos, que conta com uma rede de 4.000 lojas), Health Mart (rede de farmácias, com 5.000 estabelecimentos), e Stage Stores (rede de lojas de departamento, com 600 lojas).

Apesar da Amazon ser um dos grandes motivos pelos quais o varejo tradicional tem sofrido tanto nos últimos anos, há indícios de que pontos de pick-up podem aumentar o tráfego nas lojas e impactar vendas. Em 2017, a Kohl’s, rede de lojas de departamento, começou a receber pacotes da Amazon para devolução em 82 lojas em Chicago e Los Angeles. Em abril de 2019, a parceria foi expandida para todas as 1.150 lojas do varejista. O motivo? Pesquisas indicaram que, em 2018, enquanto uma loja média da Kohl’s apresentou crescimento de receita de 2%, para lojas em Chicago esse número foi de 8%. Lojas em Chicago também apresentaram percentual maior de novos clientes (clientes que não fizeram compras no ano anterior) em relação às demais lojas.

Outro ponto que chama atenção são as empresas parceiras do programa Counter: Rite Aid, GNC e Health Mart. Muitos acreditam que em breve a Amazon estará atuando fortemente na indústria de saúde/farmacêuticos. Em 2018, comprou a PillPack (startup que coordena, agenda entregas e entrega remédios em casa de acordo com as receitas médicas dos pacientes), e formou uma joint venture (Haven) com a Berkshire Hathaway e JPMorgan Chase, com o objetivo de inovar o sistema de saúde dos EUA. Em 2019 a Amazon também lançou o Amazon Care, clínica para funcionários da empresa em Seattle. Assim, estabelecer parceiras com grandes varejistas farmacêuticos parece ser mais um passo nessa direção.

 

Referências:

TechCrunch – Amazon launches Counter in-store pick-up in the US, starting with 100 Rite Aid locations. https://techcrunch.com/2019/06/27/amazon-launches-counter-in-store-pick-up-in-the-us-starting-with-100-rite-aid-locations/

TechCrunch – Amazon expands its in-store pickup service, Counter, to thousands more stores. https://techcrunch.com/2019/10/23/amazon-expands-its-in-store-pickup-service-counter-to-thousands-more-stores/

CNET – Amazon wants to double its Locker program over the next year. https://www.cnet.com/news/amazon-wants-to-double-its-locker-program-over-the-next-year/

Chain Store Age – Study: Are Amazon returns boosting Kohl’s store performance? https://chainstoreage.com/technology/study-are-amazon-returns-boosting-kohls-store-performance

The Motley Fool – Amazon Takes Another Big Step Toward Getting Into Healthcare. https://www.fool.com/investing/2019/09/25/its-official-amazon-has-getting-into-healthcare.aspx

 

 

A nova tendência do varejo: entrega expressa

 

Figuras 1 : Robôs utilizados nos armazéns da Cainiao [4]

O desejo do consumidor de receber o quanto antes a sua encomenda feita pela internet vem fazendo com que as maiores varejistas do mundo travem uma guerra para ver quem é mais produtivo e garante entregas mais rápidas. Sétima maior empresa de varejo em receitas no globo, o grupo Alibaba vem investindo, a partir da sua própria empresa de logística, a Cainiao, na digitalização não apenas das entregas, mas dos centros de distribuição, equipamentos, veículos de transporte e equipamentos de armazenagem para aperfeiçoar o seu serviço de entregas.

Fora dos seus muros, o Alibaba atualmente é acionista de quatro transportadoras na China, além da Cainiao. A intenção é não apenas viabilizar as entregas em 24 horas no território chinês e em 72 horas para o resto do mundo, mas também se preparar para um futuro no qual imagina fazer até 1 bilhão de entregas por dia. Além de se tornar mais eficiente, a empresa espera, com as novas medidas, reduzir também os seus custos logísticos. Atualmente, o Alibaba processa 100 milhões de pacotes diários e já conseguiu reduzir de 70 dias para 10 dias o prazo de entregas da China para alguns países.

Vídeo 1: Robôs em armazéns do Alibaba Group para aumentar a produtividade

Essa necessidade dos clientes em receber os pedidos de maneira cada vez mais rápida e de modo que seja rastreável por toda a cadeia tem feito com que as concorrentes invistam em entregas expressas para competir com o Alibaba Group. A JD por exemplo, criou um parque logístico com a tecnologia 5G para que aumente a eficiência em toda a sua cadeia e consequentemente melhore o nível de serviço. Porém as entregas expressas são em uma menor escala do que no Alibaba Group, sendo restritas apenas às grandes cidades como Beijing, Shanghai e Guangzhou.

Nos EUA, um país também de dimensão continental, a Amazon tem investido também para diminuir o tempo de entrega com a construção de centros de distribuição urbano (https://www.ilos.com.br/web/a-nova-tendencia-de-armazens-da-amazon/), bem mais próximo do cliente final. Entretanto, as entregas expressas estão restritas a apenas alguns produtos selecionados que estão dentro de sua própria cadeia e em alguns casos mediante pagamento de uma taxa extra de frete, que pode variar de acordo com o valor do produto comprado ou se é ou não assinante do “Amazon Prime” [7].

Além dos EUA, a Amazon está em outros mercados no mundo, como no Brasil, onde atua de uma maneira ainda mais tímida na entrega expressa. O modelo de entrega expressa no Brasil é de até 2 dias e apenas em algumas das grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba [8].

A dúvida que fica é se o modelo da Cainiao é possível de ser replicado também no Brasil de modo que todo território consiga ser atendido em até 24 horas e se a Amazon conseguirá atingir a eficiência que possui nos EUA para que as entregas sejam realizadas cada vez mais rápida, mesmo que isso tenha algum custo associado.

Quer saber mais sobre o Alibaba Group? Inscreva-se na Missão Internacional – China através do link https://www.ilos.com.br/web/mil-china/inscricao/.

 

Fontes:

[1]https://fortune.com/2018/05/29/chinese-brands-alibaba-tencent-brandz/

[2]https://www.zdnet.com/article/alibaba-wants-to-build-logistics-network-that-can-handle-1-billion-packages-a-day/

[3]https://www.alibabacloud.com/customers/Cainiao

[4]http://innovationinsider.com.br/60-robos-operam-o-centro-de-distribuicao-do-alibaba-vale-ver/

[5]https://www.zdnet.com/article/jd-com-unveils-5g-smart-logistics-site/

[6] https://www.ilos.com.br/web/a-nova-tendencia-de-armazens-da-amazon/

[7]https://www.amazon.com/gp/help/customer/display.html?nodeId=201910880

[8]https://www.techtudo.com.br/noticias/2019/01/amazon-entra-de-vez-no-brasil-entrega-rapida-pode-ocorrer-em-dois-dias.ghtml

 

Desafios do Last Mile: Vagas e Trânsito

Durante o XXV Fórum Internacional de Supply Chain, apresentei alguns resultados da pesquisa Desafios do Last Mile no Brasil, desenvolvida pelo ILOS em 2019.

O estudo mostrou que as empresas brasileiras enfrentam muitos problemas operacionais, especialmente porque as cidades do país não se prepararam para o grande aumento da movimentação de cargas nos centros urbanos.

Dados mostram que 86% da população brasileira está concentrada em 1% do território nacional(1), e que existem áreas urbanas espalhadas ao longo de todo o vasto território brasileiro. Essa taxa de urbanização vem aumentando ao longo dos anos, ao mesmo tempo em que aumentam também a quantidade de pedidos menores e mais fracionados (devido ao crescimento do e-commerce e da redução do tamanho das lojas físicas).

Esse cenário traz uma grande complexidade para a realização das entregas nas cidades brasileiras, especialmente naquelas de maior porte, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Questionadas sobre os principais desafios que enfrentam atualmente na distribuição urbana, as maiores empresas embarcadoras de carga do país apontaram que a indisponibilidade de vagas para estacionamento de veículos de carga e o trânsito congestionado são os grandes problemas.

Não era para menos, a duas maiores cidades brasileiras estão entre as dez mais congestionadas do mundo, segundo o ranking INRIX(2). São Paulo é a 5ª pior em trânsito, e Rio de Janeiro é a 7ª.

Fonte: http://inrix.com/scorecard/# (análises ILOS)

Por sua vez, a disponibilidade de vagas é bem pequena nas cidades brasileiras em comparação com países mais desenvolvidos. A última pesquisa sobre planejamento urbano realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostrou que a quantidade de vagas de carga/descarga em Paris é de 1 a cada 100 metros. O Brasil está muito longe de ter essa quantidade.

As soluções para indisponibilidade de vagas e redução dos congestionamentos passam pelo desenvolvimento de Planos de Mobilidade Urbana pelos municípios. Entretanto, apenas 10% das cidades brasileiras possuem um plano aprovado, e mesmo as que possuem, nem sempre este plano considerou as variáveis necessárias para melhor estruturar a movimentação de cargas.

Em geral, os municípios impõem restrições e apresentam poucas soluções e facilidades. A Talyta Abichabki alertou em seu post que as restrições a veículos de carga nos municípios são muitas e despadronizadas, gerando ainda mais complexidade para as companhias que precisam distribuir produtos nos centros urbanos.

Cabe aos governos, e também às empresas privadas, trabalharem para melhor estruturar as soluções de distribuição urbana nas cidades. As possibilidades são muitas e a cada momento surgem novas ideias e alternativas, passando por definição de regulamentos até implantação de tecnologias, veículos, equipamentos, CDs urbanos…

O ILOS é especialista na estruturação de soluções logísticas para empresas, e vem auxiliando inúmeras companhias a ganharem produtividade e inovarem o seu Supply Chain.

Estamos a disposição!

Atualizado em 10/02/2020 – A íntegra da pesquisa Desafios do Last Mile no Brasil, bem como novas análises sobre o tema podem ser encontrados no ILOS Report “Desafios e Soluções do Last Mile Urbano”.

 

1. Fonte: IBGE e Embrapa
2. Fonte: http://inrix.com/scorecard/#

 

A nova tendência de armazéns da Amazon

No ano passado, escrevi como algumas empresas estavam usando Centros de Destruição Urbanos (CDUs) como uma alternativa para reduzir os tempos de entrega do e-commerce para os clientes. Seguindo a sua veia pioneira, a Amazon foi uma das primeiras empresas a adotar esta estratégia, abrindo pequenos CDs em grandes centros urbanos, como Manhattan (Noya York).

Reforçando esta tendência, a Amazon foi notícia novamente na semana passada por confirmar o aluguel de um novo armazém de três andares no sul de Seattle. Embora esse tipo de instalação já seja usada na Ásia e na Europa, o CD de Seattle é o primeiro de múltiplos andares e acesso por rampas pelos caminhões a abrir nos Estados Unidos. Sob um acordo com a Prologis, desenvolvera e proprietária da instalação, a Amazon ocupará cerca de 50.000 m² da instalação, enquanto a Home Depot ocupará pouco menos de 10.000 m².

Figura 1 – Novo armazém de três andares da Amazon em Seattle

Fonte: The Seattle Times

 

Neste ano, a Amazon anunciou que iria reduzir para apenas 1 dia o tempo de entrega padrão para os clientes assinantes do seu plano Prime nos Estados Unidos, além da possibilidade de entrega em até 2 horas de uma extensa lista de itens para os assinantes de grandes centros. Para isso ser possível, a empresa foi atrás de Centros de Distribuição pertos dos grandes conglomerados urbanos, como é o caso desta nova instalação em Seattle.

Com pelo menos três armazéns de vários andares planejados para a cidade de Nova York, o design pode ganhar força à medida que as empresas tentam equilibrar os custos imobiliários com a proximidade dos clientes. Este parece ser um passo em direção a um novo modelo para os centros de distribuição nos EUA, que podem reduzir o tempo de entrega nas cidades congestionadas.

Encontrar espaços apropriados para a instalação de Centros de Distribuição em grandes centros urbanos é cada vez mais difícil. Assim, além desta nova alternativa de utilização de armazéns de múltiplos andares, a Amazon também está investindo em Centros de Distribuição construídos em áreas ocupadas anteriormente por shopping centers. No estado de Ohio, por exemplo, a empresa tem o projeto de instalação de CDs nos locais onde antes estavam os shoppings Randall Park Mall e Euclid Ssquare Mall.

Os shopping centers estão em franca decadência nos Estados Unidos. Segundo um relatório recente do banco Credit Suisse, de a 20% a 25% dos shoppings americanos devem fechar no espaço de 5 anos. Se confirmado, isso significaria o fechamento de 240 a 300 dos cerca de 1.200 shoppings existentes hoje no país. Um dos principais motivos para este movimento é justamente a concorrência do mercado eletrônico, cada vez mais vantajoso em preço, agilidade e oferta de produtos.

Diante de tantos estabelecimentos fechados nos últimos anos, algumas empresas têm investido nesses espaços para a instalação de CDs. A CBRE, consultoria internacional na área de locação e gestão de imóveis, contabilizou cerca 24 projetos de transformação de espaços antes destinado ao varejo em instalações industriais no período de 2016 à 2019, o que significa a transformação de mais de setecentos mil m² de espaço de varejo em mais de um milhão de m² de espaço industrial.

Figura 2 – Cidades dos Estados Unidos com projetos de transformação de locais de varejo em locais industriais desde 2016

Fonte: CBRE Research, CBRE Econometric Advisors, CBRE Business Analyst (ESRI), 2019

 

Dentre os principais motivos para o aproveitamento destes espaços ociosos para esse fim, pode-se listar:

  • Tratam-se de locais com muito espaço disponível, em dimensões compatíveis com o que é necessário pelas grandes empresas de e-commerce para a instalação de centros de distribuição;
  • Os shoppings em geral estão localizados perto de grandes conglomerados urbanos, que são o foco do aumento de nível de serviço buscado pelo varejo virtual recentemente;
  • Proximidade das instalações a grandes vias de acesso da cidade e disponibilidade de linhas de transporte público próximas, o que facilita a chegada dos funcionários;
  • Infraestrutura de água, esgoto e gás já pronta.

Restrições de circulação de veículos pesados e de zoneamento urbano e o custo mais alto destes terrenos localizados dentro das grandes cidades podem ser uma dificuldade inicial para esta transformação de espaço de varejo em espaço industrial. Contudo, o maior crescimento do e-commerce em comparação ao varejo físico tende a fazer com que este movimento se perpetue.

Estas são algumas iniciativas que vem sendo adotadas pelas empresas de varejo para atacar o desafio do last mile. Esse e outros assuntos serão discutidos na track temática “Execução de Estratégias de Omnichannel”, dentro do XXV Fórum Internacional Supply Chain, a ser realizado entre os dias 23 e 25 de setembro de 2019 em São Paulo. O head de transportes da Amazon no Brasil, Marcio Neves, participará inclusive da mesa redonda “Os Desafios dos Novos Modelos de Distribuição e os Impactos do Omnichannel e dos MarketPlaces para o Last Mile”, juntamente com outros profissionais especialistas no assunto. Se este também é um desafio para a sua empresa, vale a pena conferir o que as outras companhias estão fazendo no Brasil e no mundo para tornar a sua operação mais eficiente e melhorar o nível de serviço oferecido para o cliente.

 

Referências

<https://www.wsj.com/articles/amazons-new-multistory-warehouse-aims-to-cut-delivery-times-11568113201?mod=djemlogistics_h>

<https://www.seattletimes.com/business/amazon/amazon-leases-new-multi-story-warehouse-in-south-seattle-first-of-its-kind-in-u-s/>

<https://exame.abril.com.br/economia/um-quarto-dos-shoppings-americanos-fechara-ate-2022-preve-banco/>

<https://www.cbre.us/research-and-reports/trading-places-retail-properties-converted-to-industrial-use>