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COVID-19 e a tecnologia como resposta


Em março de 2020, a pandemia do COVID-19, o novo coronavírus, é a principal notícia que circula nas manchetes dos jornais e redes sociais. Impossível não se preocupar com os impactos que isto causa no dia-a-dia das pessoas, que devem se precaver para não contrair e espalhar a doença. Desde o início do ano, já temos reportado aqui no Insights ILOS sobre os impactos do vírus na cadeia de suprimentos, no post do Alexandre Lobo e da Monica Barros. O coronavirus afetou indústrias e serviços, reduzindo as projeções de crescimento e criando forte desvalorização nas bolsas de valores. Esta crise tem gerado, em vários países, a necessidade de fechamento de fábricas, escritórios e comércio, devido ao alto grau de transmissão que o vírus apresenta. Por conseguinte, existe uma grande preocupação a respeito do isolamento dos pacientes, para conter o avanço de novos casos. Neste cenário, alguns países do mundo, principalmente a China, têm utilizado tecnologias, como drones e robôs autônomos, para inúmeras atividades, desde entregas de medicamentos em hospitais à vigilância de pessoas nas ruas.

covid-19 e a tecnologia - ILOS Insights

Figura 1 – Drone utilizado para vigilância na China. Fonte: CNN

A entrega comercial de drones já é uma realidade em alguns países do mundo, como citei neste artigo, porém na crise do coronavírus pudemos observar o desdobramento de setor de tecnologia chinês: em uma reportagem do Wall Street Journal, é possível verificar a utilização de drones para vigiar pessoas que estejam praticando algum comportamento de risco, como andar sem máscara ou estar junto com um grupo de pessoas próximas. Equipados com câmeras térmicas e alto-falantes, os drones têm sido utilizado em várias regiões da China. Em alguns casos, em que há câmera de alta resolução, é possível implementar reconhecimento facial que, integrado aos sistemas de big data do governo chinês, permite acompanhar de perto o comportamento dos cidadãos chineses.

Vídeo 1 – Utilização de drones e big data na vigilância dos cidadãos chineses, no intuito de coibir comportamentos de riscos e a propagação do vírus.

Outro uso de tecnologia que tem sido implementado pelos chineses é o uso de robôs autônomos. Em um restaurante, é utilizado um robô para entrega de comida nas mesas, evitando o contato de um garçom com os inúmeros clientes. Em um caso similar, é utilizado um robô para entregar comida a pessoas em isolamento em um hospital.

Vídeo 2 – Robôs autônomos entregam comida nos quartos dos pacientes.

Pensando nas operações envolvendo centros de distribuição, recentemente a Boston Dynamics desenvolveu um robô que realiza as atividades de descarregamento, picking e palletização que, em conjunto com os robôs autônomos de movimentação da Otto Motors, transforma as atividades de armazenagem em um ambiente cada vez mais independente de mão-de-obra humana. O HandleTM é um robô equipado com software de visão deep-learning, que o permite identificar e localizar o carregamento, possui capacidade de picking de 360 caixas por hora, suportando cargas de até 15 kg. Sua utilização em CDs surge como uma interessante alternativa neste cenário de necessidade de evitar aglomerações e o contágio do COVID-19, além dos outros benefícios relacionados à automação em geral.

Vídeo 3 – Novo robô para armazéns da Boston Dynamics, em parceria com a Otto Motors. Fonte: Boston Dynamics

Algumas atitudes do governo chinês têm causado polêmica em questões da privacidade e do respeito à liberdade de seus cidadãos. Porém, essa vigilância que tem sido implementada, em conjunto com outras medidas que o governo tomou, tem surtido efeito visto que o número de novos casos na China caiu ao longo do mês de março. Enquanto isso, percebe-se que as atividades da indústria e de supply chain poderiam ser menos impactadas, caso a robotização e a automação das operações já estivesse amplamente implementada.

E você, é a favor da implementação maciça da automação e robotização? Quais outras polêmicas poderão surgir no futuro próximo?

Referências:

Wall Street Journal
Boston Dynamics
World Meters
CNN

Walmart testa drones na gestão da armazenagem

Depois da Amazon e seus robôs, agora é a vez do Walmart apostar nas novas tecnologias para melhorar a operação nos seus Centros de Distribuição. Em maio, a gigante do varejo anunciou que está investindo em drones na gestão da armazenagem em seus mais de 150 centros de distribuição nos Estados Unidos.

walmart-ILOS

O anúncio do uso da nova tecnologia veio junto com uma demonstração para um grupo de repórteres no centro de distribuição de Bentonville, Arkansas. Nos testes, um drone equipado com câmeras voou pelos corredores do CD de secos do Walmart escaneando os itens estocados a uma velocidade de 30 imagens por segundo. Controlada por apenas um funcionário, a aeronave simulou os movimentos de uma pessoa utilizando uma empilhadeira para fazer a inspeção do estoque.

A expectativa dos executivos da Walmart é que os drones cataloguem em um dia o que um grupo de funcionários levaria um mês para registrar. Além de acelerar consideravelmente a gestão da armazenagem, o processo também reduz a quantidade de funcionários na operação, o que pode liberar a equipe para outras tarefas.

Vídeo 1 –Walmart testa drones na gestão da armazenagem

Fonte: KGNS.tv

Esse não é o único projeto do Walmart envolvendo drones. Em novembro de 2015, a empresa entrou com um pedido na Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos para testar o uso de drones em entregas em domicílio, nos moldes do que a Amazon já vem testando. Ambos projetos são conduzidos pelo grupo de tecnologias e ciências emergentes do Walmart, que analisa também o uso de realidade virtual e inteligência artificial para aperfeiçoar a cadeia de suprimentos da empresa.

Segundo os planos do Walmart, os drones devem estar “trabalhando” nos CDs da empresa em um prazo de seis a nove meses. Cada centro de distribuição do Walmart nos Estados Unidos ocupa uma área de aproximadamente 100 mil m2, o equivalente a mais de 11 campos de futebol do tamanho do Maracanã, e atende entre 100 e 150 lojas em um raio de 250 km.

 

Referências:

<http://corporate.walmart.com/our-story/our-business>

<http://www.nytimes.com/2016/06/03/business/walmart-looks-to-drones-to-speed-distribution.html?smid=tw-nytimestech&smtyp=cur&_r=0>

<http://www.theverge.com/2016/6/2/11845366/walmart-drones-warehouse-robots-jobs>

<http://www.engadget.com/2015/10/26/reuters-reports-walmart-is-asking-faa-for-permission-to-fly-dron/>

Para revolucionar a distribuição urbana, drones? Não, robôs!

Seguidamente vemos na mídia notícias sobre empresas testando o uso de drones para realizar a entrega de produtos diretamente para clientes, o chamado last mile. Esta última etapa da cadeia de suprimentos é uma das maiores dores de cabeça de gestores logísticos, pois realizar essa entrega de forma eficiente, considerando todas as restrições inerentes aos grandes centros urbanos, é uma tarefa complexa e muito cara.

Pensando nisso, os co-fundadores do Skype, Ahti Heinla e Janus Friis, criaram uma start-up com objetivo de revolucionar o mercado de distribuição.  A Starship Technologies é uma pequena empresa, com escritórios na Inglaterra e na Estônia, que está desenvolvendo robôs capazes de fazer entregas localmente em um raio de até 5km (Figura 1). Os robôs são projetados para serem conduzidos de forma autônoma durante 99% do tempo e utilizam peças “de prateleira”, além de se tratar de uma tecnologia verde, livre de emissões de CO2, pois eles são carregados por baterias e consomem menos energia que a maioria das lâmpadas.

Starship

Figura 1 – Starship robots

Fonte: Starship

 

As máquinas foram projetadas para andar nas calçadas e possuem sensores que permitem com que elas atravessem sinais, ajustem a sua velocidade e impeçam com que elas esbarrem em pedestres e objetos, recebendo por isso o apelido de robôs gentis. Além disso, operadores humanos que monitoram constantemente os starships robots podem assumir o seu controle em caso de qualquer problema. Veja no vídeo 1 como funcionam os robôs.

Vídeo 1 – Funcionamento dos robôs da Starship

Fonte: Starship

 

Os robôs são leves e muito baratos e o objetivo da empresa é reduzir os custos atuais de entrega por viagem cerca de 10 vezes, revolucionando a forma como mercadorias são entregues. As primeiras versões desenvolvidas suportam cargas de até 18 kg e se locomovem numa velocidade de no máximo 6,4 km/h.

A ideia é que as encomendas fiquem armazenadas em hubs espalhados pela cidade e, após selecionar no aplicativo do celular a opção de entrega, os clientes receberiam o seu pedido em até 30 minutos e poderiam rastrear todo o percurso dos robôs pelos seus dispositivos móveis. No tocante à segurança, os robôs se locomovem trancados e só podem ser abertos pelo smartphone do cliente.

O projeto ainda está em fase de testes e demonstrações, mas a expectativa da Starship é já criar serviços-piloto com empresas parceiras dos Estados Unidos e Reino Unido ano que vem.

Apesar de todos os avanços tecnológicos já alcançados, imaginar a utilização de drones e robôs de entregas como estes em larga escala ainda parece a realidade de um futuro distante, retirado de algum episódio do desenho animado Os Jetsons. Quando pensamos no Brasil, onde nem mesmo modais mais tradicionais de transporte possuem infraestrutura adequada e a todo momento vemos notícias de caminhões de carga sendo roubados, este cenário parece utópico. Será que empresas como a Starship conseguirão mesmo essa revolução? A aguardar as cenas dos próximos episódios!

 

Referências

<https://www.starship.xyz/>

<https://www.youtube.com/watch?v=MEWfsVPqKi4>