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Entregas comerciais por drone: o futuro chegou

Já discutimos sobre a revolução na logística que a utilização de drones poderá causar, no artigo Logística para vacinação em lugares de difícil acesso e neste outro Drones: a tecnologia é um avanço ou uma ameaça?. Apesar de ser um tema amplamente discutido e bastante atual, sempre ficava aquela sensação de que esta seria uma realidade ainda distante, por conta das dificuldades relacionadas à regulação e principalmente à segurança. No entanto, em outubro de 2019 alguns fatos determinaram um marco histórico referente à utilização de drones em entregas comerciais, o que pode definir o início da era do uso de drones na logística.

Ocorreu em Christiansburg, no estado da Virginia nos Estados Unidos. Em parceria com a FedEx e a rede de farmácias Walgreens, a empresa Wing, da Alphabet (dona do Google), entregou no dia 18 de outubro encomendas diretamente na casa de residentes da cidade, o que marcou a primeira viagem comercial jamais realizada por um drone para entrega de produtos em domicílio. Além de entregas imediatas, o serviço contempla entregas programadas, permitindo aos usuários agendar entregas por drone para horários específicos. Por ora, o serviço está limitado a alguns produtos da rede farmacêutica parceira.

 

Vídeo 1 – Primeiro serviço comercial por drones nos EUA em domicílio, operado pela Wing na Virginia.

No mesmo mês, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) concedeu à empresa UPS uma licença para possuir e operar uma frota de veículos aéreos não-tripulados. Esta concessão é fundamental para que o serviço seja empregado em larga escala, podendo ser utilizado em breve pelo público em geral. Por enquanto, a UPS tem usado seus drones para entrega de medicamentos em um hospital universitário nos EUA, no modelo B2B. Porém, a UPS está formando uma parceria com outra gigante do setor varejista farmacêutico americano, a CVS Pharmacy, a fim de fornecer remédios prescritos diretamente para clientes, em um modelo B2C similar aos concorrentes Wing/FedEx.

Vídeo 2 – Utilização de drones para entregas de medicamentos na Carolina do Norte.

Outras empresas como Amazon e Uber também têm investido nos serviços de entrega com drones, e em breve devem também obter uma licença similar àquela obtida pela UPS. As aplicações imediatas de logística através de drones são ainda limitadas, podendo ser muito úteis em situações de grande necessidade e urgência, como distribuição de medicamentos, ou em lugares remotos, onde o acesso pelas vias tradicionais é complexo ou restrito. Porém, a partir do momento em que estas empresas obtiverem experiência suficiente para que o serviço ofereça segurança e confiabilidade, deverá ser ampliado para as mais diversas aplicações.

O precedente americano parece tornar este futuro cada vez mais próximo de nós, porém, no Brasil, devemos ainda ter um tempo até a aplicação comercial dos drones, visto que a legislação brasileira é, de forma geral, mais restritiva e morosa. Ainda assim, estamos presenciando a história sendo escrita bem diante de nossos olhos. Caberá aos gestores de logística se adaptar a este novo paradigma e aproveitar as novas oportunidades que se apresentam.

 

Referências:

https://medium.com/wing-aviation/wing-launches-americas-first-commercial-drone-delivery-service-to-homes-in-christiansburg-f8e8c3b2bb47

https://www.washingtonpost.com/local/trafficandcommuting/virginia-town-becomes-home-to-nations-first-drone-package-delivery-service/2019/10/19/4b777d24-f1ff-11e9-89eb-ec56cd414732_story.html

https://www.theverge.com/2019/10/1/20893655/ups-faa-approval-delivery-drones-airline-amazon-air-uber-eats-alphabet-wing

https://www.morningstar.com/news/dow-jones/201910253033/the-drones-are-coming

https://www.cnbc.com/2019/10/21/ups-partners-with-cvs-to-develop-drone-delivery-service-for-prescriptions.html

Drones: a tecnologia é um avanço ou uma ameaça?

Quando li a notícia publicada em 02/05 pelo G1 “Anac fixa regras para uso de drones e exige habilitação para equipamentos maiores”, que informa que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou um regulamento para a utilização de drones, me veio a lembrança de quando estava em casa e me deparei com um em minha janela. Crianças na calçada, 10 andares abaixo, estavam se divertindo com seu novo brinquedo… Comecei, então, a refletir sobre os avanços que a regulamentação e os drones em si trazem para nossa sociedade, vis-à-vis seus malefícios.

Está cada vez mais comum avistarmos algum pairando no céu, a maioria para uso recreativo ou para foto e filmagem de eventos, principalmente festas e casamentos. Em busca rápida na internet é possível encontrar anúncio de venda de drones por R$100 no Aliexpress, o que possibilita o crescimento rápido para essas funções. Já os profissionais podem custar bem mais que R$10mil, atingir mais de 100km/h e ter autonomia de mais de 20min. Em 2015, já havia nos Estados Unidos curso de treinamento para pilotar um e uma imensa variedade de modelos a disposição para compras em gôndolas de lojas de eletrônicos.

O regulamento estabelece principalmente que: os usuários de drones não recreativo precisarão ser maiores de idade; respeitar uma distância mínima de 30m de pessoas, a não ser que possuam autorização para distâncias menores e com exceção dos órgãos de segurança pública; e necessitarão de habilitação para voos acima de 400 pés (aproximadamente 120m) com equipamentos de menos de 25kg e para pilotar equipamentos de mais de 25kg; drones com peso inferior à 250g não precisam ser registrados na Anac. Até então as solicitações para utilização, em sua maioria para órgãos de segurança pública, eram analisadas caso a caso. Dessa forma, a regra fica clara para quem pretende adquirir e utilizar um.

Muitos podem classificar essa regulamentação como uma burocratização do uso de drones, mas com o “boom” dessa tecnologia entendo ser essencial seu controle. Porém, mesmo com regras claras, como será possível garantir que de fato serão respeitadas? Como controlar a fotografia ou filmagem de pessoas não autorizada? Como garantir que sejam utilizados para, principalmente, segurança pública e aumento de produtividade das empresas sem que tragam riscos para a sociedade?

Essa “nova” tecnologia, que por um lado assusta, tem diversos benefícios para a sociedade em geral e também no meio industrial e empresarial. Dentre suas aplicações, podemos citar:

  • Entregas de mercadoria – a Amazon realizou sua 1ª entrega via drone em dezembro de 2016 na Inglaterra (http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/amazon-faz-1-entrega-de-produtos-usando-drone-voo-demorou-13-minutos.ghtml)-, medicamentos e suprimentos em longas distâncias ou em altas altitudes
  • Controle de mercadorias e gestão de estoque – a Walmart teve essa iniciativa em meados do ano passado (https://www.ilos.com.br/web/walmart-testa-drones-na-gestao-da-armazenagem/) –
  • Resgate de pessoas, animais e objetos ou busca por desaparecidos em locais de difícil acesso e/ou longas distâncias como mar, grutas e morros
  • Investigações e mapeamento de áreas de risco ou de locais de difícil acesso como buracos
  • Foto e filmagem de eventos ou para segurança pública
  • Inspeção de equipamentos
  • Propaganda
  • Análises topográficas
  • Lavoura, para a pulverização de pesticidas e polinização de plantas, ou pecuária e criação de outros animais, para liberação de ração
  • Descobertas arqueológicas

Quando digo que eles me assustam, me refiro não só à invasão de privacidade das pessoas quanto ao aumento de sua utilização com objetivo militar, para disparar bombas e realizar espionagens, que protegem soldados mas ameaçam a vida de milhares de pessoas de forma muito mais fácil; aos acidentes que podem ser ocasionados por pessoas não habilitadas a utilizá-los e até mesmo ao risco que podem trazer às aves e ao meio ambiente em geral. A série da Netflix “Black Mirror”, famosa por questionar os malefícios dos avanços tecnológicos, lançou no final da 3ª temporada o episódio “Hated in Nation”, em que traz uma possível repercussão a humanos a partir da utilização de abelhas-drones polinizadoras.

Concluo que a tecnologia vem mais a acrescentar. Sem dúvida, os avanços tecnológicos vêm sempre com o principal objetivo de facilitar a vida de indivíduos e empresas, são uma realidade e não há mais retorno. Os benefícios que nos trazem são inúmeros, são fundamentais para a evolução da sociedade, da segurança e da saúde, e para o aumento de produtividade das empresas. Por isso, precisamos aproveitá-los, mas com regulação, para que descuidos em sua utilização não os transformem em vilões.

 

Referências:

http://g1.globo.com/economia/noticia/anac-libera-uso-de-drones-sera-preciso-habilitacao-para-equipamentos-maiores.ghtml

https://multicopter.com.br/drone.asp

https://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2016/06/23/o-uso-de-drones-e-permitido-no-brasil-qualquer-um-pode-ter-o-seu-veja.htm

http://www.techtudo.com.br/listas/noticia/2017/01/descubra-10-mitos-e-verdades-sobre-o-uso-de-drones.html

http://www.hardware.com.br/artigos/futuro-dos-drones-uma-uniao-entre-produtividade-medo/

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/02/especialistas-e-autoridades-alertam-para-riscos-causados-por-drones.html

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2017/02/09/interna_ciencia_saude,572384/abelhas-mecanicas-de-black-mirror-sao-inventadas-por-japoneses.shtml

Navios cargueiros do futuro

A Rolls Royce tem planos para lançar navios cargueiros autônomos, guiados por controle remoto, sem a presença de humanos a bordo. O primeiro protótipo está previsto para estar pronto até 2020. Muitos já consideram que essas embarcações serão os novos drones dos mares.

navio cargueiro autônomo

Figura 1 – Imagem do protótipo da Rolls Royce

Fonte: Divulgação Rolls Royce

Mas além de desenvolver a tecnologia que permita a construção de navios autônomos, ainda seriam necessárias muitas mudanças, em diferentes esferas, para viabilizar o uso dessas embarcações em larga escala, tais como: legislação, capacitação e treinamento das pessoas envolvidas, políticas públicas nacionais e internacionais, sistemas de segurança, entre outras.

Entre as vantagens para o transporte marítimo apontadas no ambicioso projeto da Rolls Royce está a redução dos custos com tripulação e aumento do espaço para a carga. Entretanto, um dos pontos de atenção apontados é que os navios não-tripulados ficariam mais expostos a pirataria e, mais do que isso, se a segurança virtual não for adequada, os navios poderiam ser controlados por hackers, que conseguiriam desviar a embarcação de sua rota.

navio cargueiro autônomo

Figura 2 – Imagem do protótipo da Rolls Royce

Fonte: Divulgação Rolls Royce

Algumas das principais conclusões apontadas pelo estudo desenvolvido pela Rolls Royce a respeito dos navios autônomos foram:

  • Provavelmente os navios não serão totalmente autônomos. Espera-se que as soluções no futuro sejam híbridas.
  • A tecnologia para desenvolvimento dos navios autônomos já existe, o desafio será torná-los confiáveis e eficientes em custos.
  • Existe potencial para redução de erros humanos com os navios autônomos, entretanto, novos riscos poderão surgir.
  • As mudanças de legislação dependerão de vontade política. Essas mudanças afetariam regras de todo o mercado internacional.
  • Os navios autônomos tem o potencial de redefinir toda a indústria marítima e o papel de todos os players envolvidos, como as empresas de navegação, os fabricantes de navios, estaleiros, empresas provedoras de tecnologia e equipamentos.

Para os que tiverem interesse em analisar mais profundamente as mudanças, pontos positivos e pontos de atenção dos navios autônomos pode acessar o White Paper elaborado pela Rolls Royce: “Remote and Autonomous Ships – The Next Steps”.

O vídeo a seguir mostra uma visão futurista de como seria o controle dos navios sem tripulação:

Que venha o futuro!

Links relacionados:

https://www.flickr.com/photos/rolls-royceplc/sets/72157647334399764
http://www.rolls-royce.com/media/press-releases/yr-2016/pr-2016-03-22-rr-reveals-future-shore-control-centre.aspx

Omni-Channel Supply Chain

Em anos recentes, surgiu e ganhou força no varejo o conceito de Omni-Channel Management, que na definição de Verhoef et al. (2015) é “a gestão sinérgica dos variados canais de venda disponíveis e pontos de contato com o cliente, de forma que a experiência dos clientes através dos canais e o desempenho global destes sejam otimizados”.

Em outras palavras, Omni-channel pode ser entendido como a convergência das plataformas e canais de vendas, cujas estratégias não mais podem ser concebidas separadamente, na medida em que o consumidor, informado e instrumentado, é capaz de transitar livremente entre o mundo físico e o mundo virtual durante todo o processo de compras, conforme ilustrado na Figura 1.

 

Figura 1 – Omni Channel v2

Figura 1 – Omni-channel

Fonte: ILOS (adaptado de http://www.i95dev.com/drive-holiday-sales-with-omni-channel-retailing/)

Pesquisa realizada ano passado no Reino Unido e na Alemanha pela Deloitte (2014), encomendada pelo eBay, confirma a utilização por parte dos consumidores de múltiplos canais e plataformas para a concretização da compra, conforme a Figura 2.

Figura 2 – Aumento da participação das vendas Omni Channel v2

Figura 2 – Aumento da participação das vendas Omni-channel

Fonte: Deloitte (2014)

Além dos óbvios impactos para a gestão de canais e marcas, o Omni-channel traz profundas transformações também para a gestão das cadeias de suprimentos, na medida em que as funções tradicionais exercidas por lojas, centros de distribuição e fábricas se misturam, exigindo novas tecnologias e capabilidades para o atendimento dos clientes.

Exemplos destas transformações podem ser identificados, em escala reduzida, a partir das duas últimas décadas, com o crescimento do comércio eletrônico, que obrigou varejistas a adaptar a operação de seus centros de distribuição para capacitá-los a realizar a separação de pedidos cada vez mais fracionados.

Com a expectativa do cliente de poder trafegar livremente pelos canais de compra, os tipos de entrega e canais de atendimento tornam-se mais complexos, conforme apresentado na Figura 3. Por exemplo, muitos varejistas permitem que o cliente compre pela internet e retire o produto na loja, o que obriga o centro de distribuição a fazer uma separação de pedidos com produtos em lotes para repor as grades de exposição da loja e, ao mesmo tempo, os obriga a separar e enviar produtos fracionados para atender aos pedidos online, muitas vezes diferentes do sortimento tradicional da loja.

Figura 3 – Aumento da complexidade nos tipos de entrega e canais de atendimento v2

Figura 3 – Aumento da complexidade nos tipos de entrega e canais de atendimento

Fonte: Deloitte (2014)

As lojas precisam, dentro desta nova perspectiva, estar capacitadas a realizar atividades tradicionalmente realizadas em centros de distribuição, como separação de pedidos, embalagem para transporte e expedição, para poder enviar o produto diretamente para o cliente final ou para outras lojas.

As fábricas, além de capacitadas para realizar envios consolidados para centros de distribuição, cada vez mais serão obrigadas a processar pedidos fracionados e realizar entregas individuais para aumentar a velocidade de atendimento e reduzir custos de transportes.

Conjuntamente com a redução dos custos transacionais, brilhantemente ilustrado por Philip Evans (2014) no Vídeo 1, as cadeias de suprimentos estão passando por profundas transformações, com varejistas, como os gigantes AliExpress, Amazon e Walmart, desenvolvendo habilidades para congregar múltiplos pequenos fornecedores e distribuir de forma totalmente fragmentada.

Vídeo 1 – Como os dados transformarão os negócios

Fonte: TED Talk – Philip Evans

Amazon e Walmart, inclusive, têm demonstrado interesse em ir além da função de portal de vendas, testando modelos de distribuição inovadores com lockers e drones, apresentados na Figura 4, buscando se posicionar como grandes operadores porta-a-porta. Os testes com drones, por exemplo, têm suscitado discussões e vêm ganhando notoriedade na imprensa não especializada.

Figura 4 – Drone e Locker da Amazon v2

Figura 4 – Drone e Locker da Amazon

Fonte: adaptado de Amazon.com

Imagine, em um futuro não muito distante, entrar em uma loja tradicional de varejo e o vendedor identificá-lo eletronicamente e abordá-lo pelo nome. Pelas suas buscas recentes pela internet, em outros sites de vendas ou especializados em avaliação de produtos, as prateleiras eletrônicas de LED irão apresentar exatamente os produtos buscados recentemente e oferecerão descontos específicos para você. Uma vez feita a compra, apesar da loja não ter estoque, o produto será convenientemente entregue no local de sua escolha em poucas horas, e não mais em dias.

Imagine as mudanças no Supply Chain para viabilizar esta realidade!

A partir desta discussão, algumas perguntas se colocam para os gestores de Supply Chain:

  • As empresas estão preparadas para gerenciar fluxos bidirecionais de informações e mercadorias?
  • Conseguirão tratar uma quantidade enorme de dados e extrair informações relevantes em tempo hábil para a tomada de decisão?
  • Quais, e de que formas, outras inovações (nanotecnologia, big data analytics…) poderão impactar a gestão da cadeia de suprimentos?

Querendo contribuir com a discussão sobre este tema, meu e-mail é leonardo.julianelli@ilos.com.br.

 

Referências

Verhoef, P.A.; Kannan, P.K.; Inman, J. J. From Multi-Channel Retailing to Omni-Channel Retailing: Introduction to the Special Issue on Multi-Channel Retailing. Journal of Retailing, v.91, n.2, p. 174-181, 2015.

Acessado em: <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0022435915000214>

<http://oglobo.globo.com/economia/negocios/walmart-quer-testar-drones-para-entregas-de-mercadorias-17884421>

<https://www.ted.com/talks/philip_evans_how_data_will_transform_business/transcript?language=pt-br>

<http://www2.deloitte.com/uk/en/pages/consumer-business/articles/unlocking-the-power-of-the-connected-consumer.html>

<http://www.i95dev.com/drive-holiday-sales-with-omni-channel-retailing/>

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