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As “dark kitchens” compartilhadas e suas possíveis vantagens para a logística

Em meio à explosão de crescimento dos serviços de delivery de comida, um novo tipo de estabelecimento alimentício vem se consolidando. São locais absolutamente focados em atendimento por entrega, que não servem refeições in loco, e não possuem mesas ou balcão de atendimento. São como pequenos “CDs” criados com propósito de atender à crescente demanda deste novo mercado. Estes locais vêm sido chamados de “dark kitchens”.

A ideia por trás do conceito é mesmo reduzir custos. Sem o atendimento local, não há necessidade de contratação de garçons, compra de móveis, investimentos em decoração, entre outras preocupações. Até mesmo grandes franquias, como McDonald’s e KFC têm abraçado a ideia, já tendo montado suas próprias “cozinhas escuras”.

O modelo se torna mais interessante, principalmente em termos logísticos, quando múltiplos restaurantes se juntam em uma mesma dark kitchen, que é um serviço oferecido por start-ups como a Cloud Kitchens. De uma forma geral, a centralização na cadeia de suprimentos propõe maior flexibilidade, e neste caso não é diferente. Pense, por exemplo, que quase todo restaurante precisa de alho. Em um modelo tradicional de “cada um no seu quadrado”, cada estabelecimento precisa prospectar seu fornecedor, encomendar, receber e gerenciar seus estoques de alho. É bem provável que boa parte do ingrediente seja descartado também, em função da validade do produto. Estando várias redes em um ponto único, seria possível negociar volumes com fretes mais consolidados com fornecedores, além de flexibilizar a utilização do tempero entre as redes, compensando as variações de demanda de cada uma. Isso torna o gerenciamento do inventário mais fácil e previsível, minimizando desperdícios e custos de excesso e falta. Esta facilidade não se aplica apenas aos ingredientes, mas principalmente a itens como embalagens e sacolas e também a mercadorias padronizadas que são ofertados por múltiplas redes, como bebidas e sobremesas de marcas específicas ou industrializados em geral. O potencial é enorme.

Figuras 1 :Karma Kitchen, uma das empresas que oferecem cozinhas compartilhadas. Foto: Financial Times

Outro aspecto interessante diz respeito ao posicionamento dos entregadores. No modelo normal, os entregadores devem se deslocar a cada restaurante para retirar os pedidos e em seguida, levá-los aos clientes. Naturalmente, eles buscam estar perto dos restaurantes com maior demanda para serem escolhidos pelos algoritmos dos aplicativos, mas dada a distribuição ampla dos restaurantes em uma rede urbana, é muito provável que não haja algum entregador disponível por perto no momento em que o pedido fica pronto, principalmente se for um estabelecimento que prepara seus pratos rapidamente (como fast-foods ou lanchonetes) ou que não esteja perto de uma região de alta demanda. A dark kitchen se torna também uma referência para vários entregadores, o que torna a retirada no tempo ótimo mais provável, assegurando menores tempos totais nas entregas de pedidos, além de menores deslocamentos para os entregadores.

Figuras 2 :Vantagens das cozinhas compartilhadas para o deslocamento de entregadores. Elaboração própria.

Ainda é possível pensar em outras vantagens como o compartilhamento de itens de diferentes restaurantes em uma mesma entrega, sendo viável pelo modelo um pedido que contenha a entrada de um restaurante, o prato principal de outro e a sobremesa de um terceiro. Em um modelo normal, essa combinação não é muito vantajosa, pela questão das múltiplas taxas de entrega e chegada dos itens em momentos diferentes, mas com o modelo centralizado, isso seria uma possibilidade.

Alguns pontos de atenção precisam ser observados para quem desejar entrar nesse modelo. Da mesma forma que uma centralização bem-feita auxilia a logística, uma dark kitchen mal localizada deixaria todos distantes dos clientes. O compartilhamento de materiais entre empresa diferentes também exige regras e disciplinas bem elaboradas e respeitadas para casos em que, por exemplo, haja dois pedidos e uma só lata de cerveja. Há também de haver consensos sobre qualidade e preço de aquisição.

Com uma boa organização e colaboração entre os players envolvidos, o modelo das dark kitchens se apresenta com ótima alternativa para crescer no mercado cada vez mais delivery.

Fontes:

https://www.bighospitality.co.uk/Article/2019/11/01/McDonald-s-opens-first-dark-kitchen

https://www.livemint.com/companies/start-ups/restaurant-chains-look-at-dark-kitchens-to-expand-reach-1557244907578.html

https://www.ft.com/content/a66619b0-77e4-11e9-be7d-6d846537acab

Desafios do Last Mile: Vagas e Trânsito

Durante o XXV Fórum Internacional de Supply Chain, apresentei alguns resultados da pesquisa Desafios do Last Mile no Brasil, desenvolvida pelo ILOS em 2019.

O estudo mostrou que as empresas brasileiras enfrentam muitos problemas operacionais, especialmente porque as cidades do país não se prepararam para o grande aumento da movimentação de cargas nos centros urbanos.

Dados mostram que 86% da população brasileira está concentrada em 1% do território nacional(1), e que existem áreas urbanas espalhadas ao longo de todo o vasto território brasileiro. Essa taxa de urbanização vem aumentando ao longo dos anos, ao mesmo tempo em que aumentam também a quantidade de pedidos menores e mais fracionados (devido ao crescimento do e-commerce e da redução do tamanho das lojas físicas).

Esse cenário traz uma grande complexidade para a realização das entregas nas cidades brasileiras, especialmente naquelas de maior porte, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Questionadas sobre os principais desafios que enfrentam atualmente na distribuição urbana, as maiores empresas embarcadoras de carga do país apontaram que a indisponibilidade de vagas para estacionamento de veículos de carga e o trânsito congestionado são os grandes problemas.

Não era para menos, a duas maiores cidades brasileiras estão entre as dez mais congestionadas do mundo, segundo o ranking INRIX(2). São Paulo é a 5ª pior em trânsito, e Rio de Janeiro é a 7ª.

Fonte: http://inrix.com/scorecard/# (análises ILOS)

Por sua vez, a disponibilidade de vagas é bem pequena nas cidades brasileiras em comparação com países mais desenvolvidos. A última pesquisa sobre planejamento urbano realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostrou que a quantidade de vagas de carga/descarga em Paris é de 1 a cada 100 metros. O Brasil está muito longe de ter essa quantidade.

As soluções para indisponibilidade de vagas e redução dos congestionamentos passam pelo desenvolvimento de Planos de Mobilidade Urbana pelos municípios. Entretanto, apenas 10% das cidades brasileiras possuem um plano aprovado, e mesmo as que possuem, nem sempre este plano considerou as variáveis necessárias para melhor estruturar a movimentação de cargas.

Em geral, os municípios impõem restrições e apresentam poucas soluções e facilidades. A Talyta Abichabki alertou em seu post que as restrições a veículos de carga nos municípios são muitas e despadronizadas, gerando ainda mais complexidade para as companhias que precisam distribuir produtos nos centros urbanos.

Cabe aos governos, e também às empresas privadas, trabalharem para melhor estruturar as soluções de distribuição urbana nas cidades. As possibilidades são muitas e a cada momento surgem novas ideias e alternativas, passando por definição de regulamentos até implantação de tecnologias, veículos, equipamentos, CDs urbanos…

O ILOS é especialista na estruturação de soluções logísticas para empresas, e vem auxiliando inúmeras companhias a ganharem produtividade e inovarem o seu Supply Chain.

Estamos a disposição!

Atualizado em 10/02/2020 – A íntegra da pesquisa Desafios do Last Mile no Brasil, bem como novas análises sobre o tema podem ser encontrados no ILOS Report “Desafios e Soluções do Last Mile Urbano”.

 

1. Fonte: IBGE e Embrapa
2. Fonte: http://inrix.com/scorecard/#

 

Lockers: a aposta do varejo para agilizar entregas

No post anterior (Social pick up point: uma nova modalidade de entrega do e-commerce), mostramos como o crescimento do e-commerce tem incentivado empresas que atuam no last mile a inovar para alcançar seus consumidores. Isso ocorre porque, no mundo do omnichannel, o consumo aumenta e, consequentemente, cresce a quantidade de pedidos para delivery em casa, desafiando a eficiência e a sustentabilidade do sistema urbano de entregas. As novas possibilidades visam minimizar os problemas vivenciados pela operação como:

  • reentregas por conta da ausência de pessoas para receber encomendas, o que gera custos adicionais;
  • clientes desencorajados a comprar online pelo fato de residirem em áreas onde não são realizadas entregas;
  • insatisfação do consumidor quando seu pedido atrasa.

Uma alternativa já presente em diversos locais no mundo e que já começou a caminhar no Brasil é o modelo de entregas por meio de lockers. Os lockers são nada mais do que armários de tamanhos variados e segurados com senhas, onde as encomendas são depositadas e aguardam até que seu comprador compareça para retirar. Aliás, os lockers também podem funcionar como pontos de devolução de mercadorias.

Nos Estados Unidos, esse modelo ganhou força com a gigante Amazon disponibilizando mais de 2.800 estações espalhadas em grandes áreas metropolitanas de todo o país. Uma das principais propagandas do modelo implantado pela Amazon é a localização estratégica dos lockers em estabelecimentos como supermercados e lojas de conveniência – “Locais que você já frequenta”, segundo o site da empresa.

O funcionamento é simples:

  1. Antes de finalizar sua compra no site da Amazon, o consumidor escolhe em qual estação deseja retirar seu pedido
  2. Assim que o pacote é entregue, o cliente recebe um alerta e uma senha que libera sua encomenda
  3. O consumidor tem três dias para se dirigir ao locker e retirar sua compra. Caso não compareça, a encomenda é devolvida e o valor da compra é reembolsado

Figuras 1 e 2 – Locker da Amazon/Localização dos lockers na região de Manhattan – NY
Fonte: www.amazon.com/lockers

 

O modelo de retirada em lockers oferece ao consumidor vantagens que giram em torno da comodidade de escolher a localização mais conveniente, seja perto de sua residência ou de seu local de trabalho, e da flexibilidade de poder retirar sua compra ou devolver produtos em qualquer horário, uma vez que as estações podem funcionar 24h por dia. Além disso, o locker se torna uma opção para os consumidores que residem em áreas de difícil acesso e que antes não eram incentivados a comprar online.

Para o entregador, a alternativa apresenta vantagem econômica, pois as entregas passam a ser consolidadas e não mais diluídas em endereços individuais e os casos de entregas não efetivadas reduzem consideravelmente. O modelo também oferece ao entregador a oportunidade de preencher o locker no período noturno, quando o trânsito é menos intenso.

No Brasil, a modalidade de entrega por meio de lockers começou a dar seus primeiros passos no início de 2018, quando a Via Varejo deu início a um projeto piloto com quatro estações em São Paulo para os clientes das marcas Pontofrio, Casas Bahia e Extra. Ao final do ano, o novo serviço já estava presente também na cidade do Rio de Janeiro, nos bairros de São Cristóvão, Jacarepaguá, Jardim Botânico, Botafogo e Barra da Tijuca, totalizando seis pontos de retirada. A varejista operou em parceria com a rede Ipiranga, possibilitando que os lockers fossem instalados em postos de combustível com funcionamento 24h.

Outro importante nome que decidiu tirar proveito da versatilidade desse modelo de entrega é a iFood. Em abril de 2019, a plataforma de delivery inaugurou o iFood Box em edifícios de grande concentração de pessoas da capital paulista. Os boxes possuem proteção térmica para manter a temperatura do alimento e funcionam do mesmo modo que o locker da Amazon: o cliente recebe uma notificação que seu pedido foi entregue e se dirige à estação com o código de retirada.

Essa foi a saída encontrada pela empresa para atender locais com alto volume de pedidos em um curto período, como acontece em prédios comerciais no horário de almoço. A solução é benéfica não somente para o entregador e o cliente, mas também para o restaurante: ao criar uma cadeia mais eficiente, a experiência do consumidor é mais satisfatória e ele irá avaliar o estabelecimento positivamente. Para o futuro, a empresa planeja que seus lockers também estejam presentes dentro de restaurantes que fazem uso da plataforma, viabilizando o atendimento aos clientes pelo sistema de take away.

Figura 3 – iFood Box instalado em edifício comercial
Fonte: https://vejasp.abril.com.br/comida-bebida/ifood-box/

 

Para a implementação desse sistema no Brasil, alguns pontos merecem atenção: o investimento no sistema é alto, não só de instalação dos armários como de aluguel dos pontos de retirada; é possível que a capacidade dos lockers seja insuficiente com o aumento da demanda, o que geraria insatisfação dos consumidores; o tamanho dos armários é limitado, inviabilizando a entrega de produtos volumosos; existe o risco de arrombamento dos lockers, o que dificulta sua implantação em locais com pouca segurança; a adoção desse modelo exige um período de adaptação dos clientes brasileiros.

As vantagens parecem muitas e prometem transformar o cenário de entregas de mercadorias no Brasil, que é marcado pelos atrasos e pela insatisfação do cliente. Com o passar do tempo, é esperado que essa alternativa também atraia outros setores, como farmácias, joalherias, lavanderias, lojas de cosméticos e moda em geral.

O que você, como consumidor, pensa sobre buscar suas encomendas nos lockers?

Fontes:

https://www.amazon.com/primeinsider/tips/amazon-locker-qa.html

https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2018/01/varejo-brasileiro-comeca-usar-lockers-de-olho-em-seguranca-e-economia-no-frete.html

https://www.mundodomarketing.com.br/lancamentos/883/via-varejo-lockers-chegam-ao-rj.htmlhttps://vejasp.abril.com.br/comida-bebida/ifood-box/

https://www.mandae.com.br/blog/locker-pick-up-store-e-pick-up-point-o-que-sao-e-como-mudam-a-logistica/https://startupi.com.br/2019/04/ifood-cria-box-para-armazenamento-de-comida-para-facilitar-a-entrega/

 

Social pick up point: uma nova modalidade de entrega do e-commerce

Um dos principais problemas enfrentados pelas empresas de delivery de e-commerce é o retorno por problemas na entrega, como falta de pessoas disponíveis para recebimento da encomenda. Isto encarece a operação de transporte para as empresas, uma vez que esta precisa fazer a mesma viagem novamente para realizar, ao menos, mais uma tentativa de entrega do pedido. Ao mesmo tempo, diversos clientes deixam de fazer compras online justamente por não poderem estar em casa durante o horário comercial de entrega e não terem outro endereço como opção de recebimento.

Por conta destes problemas, alguns varejistas estão lançando mão de novas alternativas de entrega, como a opção de coleta dos pedidos em lojas físicas da própria empresa (click&collect), coleta de pedidos em lojas de conveniência ou outros estabelecimentos parceiros da empresa (pick up point) ou coleta dos pedidos em lockers espalhados pela cidade (alternativa já comentada neste blog anteriormente). Com estas iniciativas, além da chance de insucesso nas entregas ser menor, a empresa consegue reduzir custos de transporte por consolidar muitos pedidos em um único ponto de entrega e o cliente ganha novas alternativas de endereço de entrega, melhorando a sua sensação de nível de serviço.

Na Holanda, a startup Homerr foi além e lançou em 2016 um serviço que pode ser definido como um social pick up point.  Neste serviço, pessoas que costumam ficar em casa durante o horário comercial (como donas de casa, aposentados e profissionais autônomos) e possuem um espaço razoável para armazenagem de produtos podem se candidatar a ser um ponto de entrega de pedidos para os seus vizinhos que não tem esta disponibilidade de tempo para esperarem as suas encomendas serem entregues.  Os inscritos no programa (também conhecidos como Homerrs) informam através do aplicativo do serviço qual é a sua disponibilidade de tempo para recebimento dos pacotes e para entrega dos pedidos para os vizinhos. Em casos de viagem ou outros motivos que impeçam o Homerr de estar em casa na janela de tempo informada anteriormente, basta ele avisar com antecedência que, assim, a entrega de pacotes não ocorrerá durante aquele período. Também é através do aplicativo que o cliente escolhe qual local ele quer usar como ponto de entrega e no qual ele pode rastrear o pedido e receber notificações quando o pedido chegar.

Figura 1 – Aplicativo da Homerr

Fonte: Homerr

 

A entrega pode ocorrer com o cliente indo até a casa do vizinho inscrito no serviço para buscar o pacote ou com o próprio Homerr indo até a casa do cliente fazer a entrega (para esta última opção, o cliente final deve pagar uma taxa um pouco maior ao Homerr, que geralmente recebe por pacotes recebidos). O Homerr também pode ser usado para devolução de pedidos pelo cliente.

Além de pessoas físicas (pontos de coleta chamados de Neighbourhood Points), estabelecimento locais do bairro, como mercearias, salões de beleza, farmácias e sorveterias, que em geral possuem horários de funcionamento estendidos, também podem se inscrever para serem pick up points (são conhecidos como Service Points). Hoje o serviço já conta com mais de 3.500 pontos de entrega na Holanda e coopera com os maiores operadores logísticos do país, como PostNL, UPS, DHL, DPD e FedEx.

Uma outra startup similar, chamada ViaTim, também foi criada e opera na Holanda. A principal diferença entre elas, além das regiões de atuação (enquanto a Homerr está mais direcionada a atender Amsterdam, a ViaTim tem seu foco maior em Rotterdam), está no sistema de determinação do pick up point. O ponto de entrega Homerr pode mudar toda vez o cliente utilizar o serviço, pois depende da disponibilidade dos vizinhos. Já o ponto ViaTim é um ponto estrutural perto da casa do cliente e está basicamente sempre disponível e acessível. Além disso, o serviço da ViaTim não se limita a entrega de pacotes, também oferecendo outros serviços, como lavanderia e passadoria.

Figura 2 – Startups de social pick up point da Holanda

Fonte: Adaptado de Silicon Canals

 

Além da diminuição dos problemas de insucesso da entrega, estas startups listam como vantagens a redução de CO2 emitido na atmosfera, por conta da concentração de pedidos em menos endereços e consequente redução de viagem dos veículos, o aumento do relacionamento entre vizinhos, promovendo um melhor ambiente para a vida em sociedade, e a oportunidades do aumento de venda para os comércios que se inscrevem como ponto de retirada de produtos.

No Brasil também há os mesmos problemas de insucesso da entrega por conta de falta de pessoas disponíveis no horário comercial para recebimento das encomendas, o que seria um motivo para um serviço similar surgir por aqui. Contudo, para trazer esta iniciativa da Europa para o nosso país, precisaria ser superada uma barreira relacionada a questão da insegurança, principalmente na modalidade de entrega na casa de pessoas físicas. Com os problemas de violência existentes no Brasil, é de se esperar que muitas pessoas se sintam inseguras em receber pessoas desconhecidas em sua casa, ainda mais sendo pública a informação de que esta pessoa está armazenando muitos pacotes em sua casa, que podem conter itens de alto valor agregado. Contudo, em caso de garantia da segurança do serviço (através de um cadastro rigoroso da empresa, por exemplo), esta poderia ser uma alternativa valiosa para lidar com problemas de entrega em áreas de risco, como favelas e comunidades. Muitas empresas não entregam em determinados locais da cidade por conta da elevada taxa de roubo de veículos na região. Caso houvesse um vizinho que tivesse bom relacionamento com as pessoas do local e que fosse o responsável por receber todas as entregas da área, a taxa de roubos e de insucessos de entrega poderia reduzir bastante e a empresa aumentar a sua abrangência de atuação online.

E você? Acha que este serviço faria sucesso no Brasil?

 

Referências

<https://homerr.com/>

<https://siliconcanals.com/news/startups/last-mile-startup-homerr-receives-e1m-growth-capital/>

<https://siliconcanals.com/news/startups/similar-startups-wuunder-viatim-homerr-compared/>

<https://ecommercenews.com.br/artigos/tendencias-artigos/pudo-o-futuro-do-last-mile/>

<https://www.b2ceurope.eu/social-delivery-solution-complex-last-mile/>

<https://www.viatim.nl/>

De empresa automobilística para empresa de mobilidade: a Toyota entra na corrida pelo lançamento de veículos autônomos com o e-Palette

No começo do mês de janeiro, o presidente da Toyota, Akio Toyoda, anunciou na CES 2018 – Consumer Electronics Show, maior feira mundial do setor, o conceito do e-Palette: um veículo elétrico e autônomo que pode ser utilizado para o transporte de passageiros, realização de entregas ou até mesmo como ponto de venda móvel, como uma espécie de “loja sobre rodas”. A empresa sugeriu ainda que o veículo poderia ser configurado para funcionar como um hotel móvel, ou como uma estação de trabalho (para que o tempo gasto pelas pessoas no trânsito possa ser aproveitado de forma produtiva), ou ainda como uma clínica médica móvel.

Vídeo 1 – Divulgação do e-Palette no CES 2018

 

No evento, a empresa anunciou também a “e-Palette Alliance”, parceria com a gigante Amazon, com as empresas de ehailing Uber e Didi Chuxing (empresa chinesa agora dona da 99 no Brasil), com a Mazda e Pizza Hut para colaboração no desenvolvimento do veículo. Durante a apresentação, foram enfatizados os termos “mobility service” e “mobility commerce”. Daí, não restam dúvidas sobre o porquê do envolvimento da Uber e da Amazon.

Figura 1 – Conceito de e-Palette Toyota para a Pizza Hut

 

Para a Pizza Hut, o objetivo é não ficar para trás em relação a concorrência. Em 2017, a empresa introduziu nos Estados Unidos novas opções de delivery, incluindo a possibilidade de realizar pedidos através de dispositivos como a Alexa, e fornecendo a possibilidade de receber atualizações em tempo real do status do pedido através do aplicativo, site ou mensagens de texto. Das três maiores cadeias de fast-food de pizza norte-americanas, a Pizza Hut é hoje a que está mais para trás no quesito delivery. A empresa vislumbra que os e-Palettes façam parte da estratégia de delivery no futuro, podendo ser adaptados inclusive em cozinhas móveis.

Figura 2 – Delivery de pizza por veículo autônomo em episódio de Black Mirror

 

Se você como eu acompanha a série Black Mirror, com certeza pensou em uma cena específica da nova temporada ao bater o olho no e-Palette com a logomarca do Pizza Hut. A série de ficção científica/thriller de Charlie Brooker explora em cada episódio as consequências de possíveis novas tecnologias em um futuro alternativo, muitas vezes um futuro que nos parece bem distante. Porém, apesar do e-Palette ainda não passar de um conceito, a intenção é que já em 2020 os veículos sejam testados nas Olimpíadas e Paraolimpíadas de Tóquio.

O anúncio feito pela Toyota reflete a intenção de evolução de uma empresa que fabrica carros para uma empresa que fornece soluções de mobilidade, de forma a transformar a disrupção trazida por novas tecnologias em ganhos ao invés de ser derrubada por elas. Porém, a Toyota dificilmente será a única. Nos últimos dois anos, a maioria das montadoras têm começado a adaptar seus modelos de negócio para se tornarem fornecedoras de serviços de mobilidade em um futuro próximo, e esse movimento é visto claramente pela associação dos fabricantes com empresas de tecnologia e start-ups, como mapeado por Magda Collado.

Com veículos autônomos, o quanto seria possível reduzir os custos de transporte? Será que reduções no custo da entrega poderiam levar a redes logísticas menos descentralizadas? Ou pressões por nível de serviço impediriam essa centralização? Veículos como os e-Palettes da Toyota criariam um novo canal de venda? Como esse novo canal impactaria a estratégia de distribuição das empresas?

Apesar de ainda faltarem alguns anos e muitas barreiras a serem superadas até que veículos autônomos façam parte do nosso cotidiano, é impossível não parar para refletir sobre os possíveis impactos no supply chain.

 

Referências:

Automotive Logistics – How autonomous vehicles will impact on the supply chain. https://automotivelogistics.media/opinion/autonomous-vehicles-will-impact-supply-chain

Bloomberg – Toyota Signs Amazon, Pizza Hut as Driverless-Delivery Partners. https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-01-08/toyota-taps-amazon-to-join-driverless-delivery-vehicle-alliance

Business Insider – Toyota and Pizza Hut are teaming up to make self-driving cars that could deliver pizza. http://www.businessinsider.com/toyota-pizza-hut-team-up-for-self-driving-pizza-delivery-2018-1

Fortune – Toyota Working With Amazon, Uber, and Pizza Hut to Develop Self-Driving Shuttle. http://fortune.com/2018/01/08/toyota-amazon-uber-pizza-hut-self-driving-shuttle/

Magda Collado – Alliances Between Automakers, Tech Companies and Mobility Start-ups, An Update. https://mcollado.kumu.io/the-race-towards-smart-mobilityv

 

O despontar dos Centros de Distribuição Urbanos (CDUs)

O grande crescimento do e-commerce nos últimos anos tem destacado um desafio logístico antigo: o last mile ou última milha. Trata-se da etapa final da viagem do produto antes que ele chegue à porta do seu cliente, ou seja, o momento que as mercadorias saem de um centro de distribuição (ou da fábrica, caso a venda seja direta) para seguir ao seu destino final.

O despontar do e-commerce e da importância do last mile está diretamente relacionado com a importância que a Geração Y, ou os millennials, possui atualmente. Segundo o último Censo realizado pelo IBGE em 2010, a maior parte da população brasileira pertence a essa geração nascida entre 1980 e 2000. Trata-se da primeira geração de nativos digitais e que, consequentemente, possui uma relação íntima com as novas tecnologias e a internet. Apesar desses jovens se importarem com a qualidade, esta geração dá grande valor ao preço, a conveniência e não cansa de buscar novas oportunidades, sendo uma geração de difícil fidelização. Por isso, fatores como custo de frete e tempo de entrega nunca foram tão importantes para as empresas que atuam no comércio virtual.

Figura 1 – População do Brasil – Censo 2010

Fonte: IBGE

 

Há todo momento surgem na mídia projetos para entregas de encomendas por drones ou robôs com o objetivo de atuar neste problema e reduzir o tempo do ciclo do pedido. No entanto, além de atuar diretamente no transporte, uma outra alternativa capaz de minimizar essa questão consiste na redução da distância entre o centro de distribuição e o cliente, utilizando-se de um Centro de Distribuição Urbano (CDU).

Diferentemente dos grandes armazéns localizados em áreas mais remotas e geralmente próximas a estradas que facilitam o acesso às grandes cidades, os CDUs são instalações menores, localizadas a uma distância de até 15km dos grandes centros urbanos. Em geral, estes mini CDs ocupam o espaço de antigas fábricas, grandes lojas de varejo ou edifícios corporativos obsoletos, atendendo a uma necessidade mínima de espaço e facilidades necessárias.

Ainda em 2014, a Amazon, maior vanguardista quando se trata de soluções para o last mile, lançou o seu programa “Prime Now”, que garante aos clientes assinantes entregas em até 1 hora de mais de 20.000 produtos após realizado o pedido. Para permitir isto, ela criou instalações como o CDU localizado em um prédio no centro de Manhattan (Nova York), conforme o vídeo a seguir. Os entregadores utilizam bicicleta, carro, transporte público ou vão até mesmo a pé para garantir a entrega no prazo acordado e driblar as restrições de circulação das grandes cidades.

Vídeo 1 – Centro de Distribuição Urbano da Amazon em Nova York

Fonte: Tech Insider

 

Apesar de proporcionar entregas muito mais rápidas e reduzir a cobertura de estoque da empresa, é preciso um detalhado estudo e uma operação muito bem estruturada para garantir que o CDU será rentável para a empresa. Primeiramente, o metro quadrado para aluguel de uma instalação perto dos grandes centros urbanos é sensivelmente mais caro do que o pago em um Centro de Distribuição tradicional, uma vez que se trata de uma região mais nobre da cidade. Além disso, nem sempre é tarefa fácil encontrar no grande centro urbano um local com as dimensões adequadas e capaz de receber constantemente caminhões e outros veículos. Para garantir o alto giro dos produtos, também é necessário restringir quais itens poderão integrar o serviço de entrega expressa da empresa, pois as dimensões reduzidas do CDU não permitem o desperdício de espaço com produtos com venda intermitente.

Os desafios para mitigação dos problemas relacionados a última milha são muitos, mas, diante do crescimento do e-commerce e do grau de exigência dos consumidores, esta é uma questão que deve sempre ser prioridade dos gestores para garantir a competitividade de suas empresas no longo prazo.  Por isso, olho nos Centros de Distribuição Urbanos!

 

Referências

<https://www.naiop.org/en/Magazine/2017/Spring-2017/Business-Trends/E-commerce-2-Last-mile-Delivery-and-the-Rise-of-the-Urban-Warehouse.aspx>

<http://fortune.com/2016/12/22/a-look-inside-amazons-two-hour-delivery-warehouse-in-midtown-manhattan/>
<http://www.portalnovarejo.com.br/2014/12/18/amazon-inicia-entrega-em-1h-em-nova-york/>

<http://saldopositivo.cgd.pt/empresas/abc-do-empresario-o-que-e-a-geracao-millennials/>

<https://www.mandae.com.br/blog/ultima-milha-entenda-seu-impacto-na-logistica-do-comercio-eletronico/>

Entrega de produtos dentro da sua casa: a nova aposta do e-commerce americano

A guerra pela melhoria do serviço no e-commerce parece não ter limites mesmo. Entrega no dia seguinte, no mesmo dia, em uma hora, em casa, no escritório e por drones, entre outras, já são alguns dos serviços desenvolvidos nos últimos anos. Os players desse mercado, porém, não estão de brincadeira quando se fala em aumentar a conveniência para o comprador.

A Amazon mostrou há pouco tempo o Amazon Key, serviço em que o entregador da empresa vai deixar o produto dentro da sua casa. Não na porta, ou numa caixa de correio, mas na mesa da sua sala, ou no corredor.  O ganho por trás da ideia é evitar que entregas tenham retorno por ausência do destinatário, o que também acarreta em custos para a empresa, ou que haja risco de furto da mercadoria, quando deixada em algum local de fácil acesso.  Não apenas produtos, mas até mesmos serviços como limpeza podem ser adquiridos. A nova modalidade já está disponível, a princípio limitado a 37 cidades americanas, e será restrito a assinantes do Amazon Prime.

Vídeo 1 – Amazon Key

Fonte: Amazon

 

Curiosamente, a gigante do e-commerce mundial parece estar até um pouco atrasada nesse quesito. Isso porque o Walmart anunciou em setembro que já testará a entrega não apenas dentro da casa do comprador, mas que também fará a arrumação dos itens nos locais apropriados, inclusive colocando na geladeira os alimentos frios e bebidas.

Figura 1 – Walmart quer entregar suas compras até a geladeira

Fonte: Walmart

 

Evidentemente, a principal preocupação das pessoas ao cogitarem a utilização desse tipo de serviço é com a segurança, afinal, elas estariam permitindo a entrada de estranhos em sua residência sem estarem presentes. Por conta disso, ambos os serviços exigem que o comprador possua uma Smart Lock, que requer autorização remota do dono da casa para entrada de pessoas, e uma Cloud Cam, que permite que o usuário acompanhe em tempo real os que acontece na sua casa durante a entrega. O kit proprietário da Amazon com os dois itens custa $250, o que também deve ajudar a custear a iniciativa.

E aí, o que achou? Gostaria de utilizar algum desses serviços? E qual serão as novas inovações do e-commerce?

 

Referências

https://www.tecmundo.com.br/produto/123460-amazon-lanca-servico-voce-monitorar-entrada-estranhos-casa.htm

http://fortune.com/2017/09/22/walmart-delivery-grocery/

What3words: colocando.no.mapa

Com o aumento crescente do e-commerce no mundo, principalmente nos países em desenvolvimento, um problema existente há muitos anos vem ganhando cada vez mais  importância e dando dor de cabeça para os varejistas virtuais: clientes sem endereço oficial. Em áreas menos privilegiadas desses países, como favelas, comunidades, guetos e locais rurais, é comum encontrar ruas e vielas sem nome oficial. Em casos como esses, como realizar a entregas de produtos adquiridos virtualmente? Muitas vezes o entregador retorna com o produto ou deixa ele em um outro local, como um posto do correio. De uma forma ou de outra, o resultado nunca é a satisfação total do cliente.

Buscando resolver essas e outras situações, em 2013 uma dupla de britânicos criou o what3words, um sistema universal de endereçamento baseado em uma grade global de 3m x 3m. Podendo ser acessado por qualquer computador ou dispositivo móvel, o sistema divide toda a superfície do planeta Terra em 57 trilhões de quadrados e aloca a cada qual um endereço de 3 palavras exclusivo e fixo. O objetivo é garantir o endereçamento para qualquer parte do mundo e facilitar a vida de usuários comuns ao utilizar um conjunto conhecido de palavras.

Vídeo 1 – O que é o what3words

Fonte: what3words

 

Dentre os benefícios do sistema, destacam-se:

  • 3 palavras são mais fáceis de memorizar do que caracteres alfanuméricos equivalentes ou coordenadas de latitude e longitude, facilitando a memorização e o compartilhamento;
  • O sistema funciona de forma off-line, possibilitando o uso em locais remotos e sem conectividade;
  • O what3words está atualmente disponível em uma enorme quantidade de línguas;
  • O sistema é fixo e assegura que qualquer lugar pode ser encontrado independentemente da língua utilizada;
  • O código é pequeno, está disponível em várias plataformas e dispositivos e funciona juntamente com sistemas de georreferenciamento já existentes.

Através de parcerias com outras empresas e iniciativas, o what3words está sendo integrado em aplicativos de navegação, de compartilhamento de automóveis, sistemas de logística, guias de viagem e sites de busca de imóveis, entre outros. Curiosamente, um dos principais cases divulgados pela empresa mostra a parceria com o Grupo Carteiro Amigo, empresa estabelecida na comunidade carioca da Rocinha.

Vídeo 2 – Endereçando favelas brasileiras

Fonte: what3words

 

Além de ajudar empresas a realizar entregas em clientes sem endereço oficial, é possível visualizar outras interessantes utilidades para o what3words, como facilitar a busca de pontos específicos em locais incomuns e mal sinalizados, como um parque ambiental ou um deserto, auxiliando turistas em suas viagens ou profissionais durante missões humanitárias. Encontrar um palco de música ou uma barraca de comida em um festival ou alguma estante específica dentro de um grande Centro de Distribuição também pode ser mais simples com o uso do aplicativo, por exemplo.

O fato do sistema requerer um computador ou dispositivo móvel com GPS e ainda ser desconhecido da maior parte da população, limita a sua aplicação e não permite aos usuários extrair alguns dos benefícios esperados pelos criadores. Entretanto, com o aumento crescente do investimento na empresa e da divulgação do sistema por grandes jornais como o Washington Post, o The Wall Street Journal e o Financial Times,é possível crer no aumento de popularidade do aplicativo.

fique.de.olho

 

Referências

<http://what3words.com/>

<http://www.wsj.com/articles/startups-try-to-put-remote-e-commerce-customers-on-the-map-1468603499>

<http://www.carteiroamigo.com.br/>

 

A corrida omni-channel: perspectivas do mercado

Vivemos hoje a ascensão do omni-channel e do “me-commerce” no varejo, no qual o cliente é o novo chefe e busca experiências completas e integradas de consumo. Para que isso seja possível, entretanto, é preciso que as empresas eliminem as barreiras operacionais existentes entre os diversos canais de venda e atendimento existentes. E será que isso já foi feito?

Apenas entre a minoria das grandes empresas, é o que indica a pesquisa CEO Viewpoint 2016: The Journey to Profitable Omni-Channel Commerce, realizada pela PwC em parecia com a JDA Software. Dos 305 executivos de algumas das maiores empresas varejistas localizadas na China, Alemanha, México, Reino Unido e Estados Unidos, apenas 18% disseram ter eliminado os silos operacionais entre canais e estar entregando experiências de compra sem barreiras para seus clientes.

Para permitir experiências omni-channel, é preciso grandes investimentos, e garantir uma operação eficiente tem sido um dos maiores desafios para os varejistas que caminham nesta direção. Dados revelados na pesquisa, entretanto, indicam que os varejos omni-channel já parecem estar se beneficiando de algumas vantagens e enxergam um caminho promissor pela frente:

benefícios v2

Figura 1 – Expectativas de crescimento

Fonte: Adaptado de CEO Viewpoint 2016

 

Quando olhamos para os custos, as perspectivas parecem as mesmas. Enquanto 74% das empresas que ainda não removeram suas barreiras afirmaram que os seus custos de atendimento estão aumentando, apenas 59% das demais empresas afirmaram o mesmo.

A pesquisa também revelou as atividades que, na visão dos executivos, mais encarecem o atendimento omni-channel ao cliente: 32% das empresas que removeram as barreiras operacionais e 45% das demais empresas indicaram que entregar a encomenda diretamente do CD para a casa do cliente é a prática responsável pela maior parte do seu custo de atendimento. O processamento e coleta dos itens evolvidos foi a segunda opção mais marcada (51% entre as empresas com barreiras operacionais e 67% entre as demais).

Apesar do omni-channel ter o objetivo de aprimorar o serviço oferecido ao cliente, os executivos se mostraram propensos a realizar algumas ações que tendem a desagregar consumidores, como forma de conseguir lidar com o aumento de custos e fechar a conta:

  • Aumentar o valor mínimo de compra para realizar entregas com frete grátis (39% das respostas)
  • Aumentar o valor mínimo de compras para oferecer gratuitamente a opção de buscar na loja o item que foi comprado online (31% das respostas)
  • Aumentar o frete de entrega (29% das respostas)

A pesquisa também mostrou que existe diferenças consideráveis na maturidade omni-channel observada nos países pesquisados. Os mercados mais estabelecidos geralmente têm capacidades omni-channel mais maduras, mas são os mercados emergentes que estão investindo mais fortemente nesta tendência e oferecendo cada vez mais opções para melhorar a experiência de compra do cliente. Isto pode ser notado nas Figuras 2 e 3, que mostram, respectivamente, a propensão de adoção do serviço de Click & Collect (compra online e busca em um ponto indicado) e adoção de novas opções de tempo de entrega entre as empresas pesquisadas.

click and collect

Figura 2 – Expectativa de adoção do serviço de Click & Collect

Fonte: Adaptado de CEO Viewpoint 2016

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Figura 3 – Expectativa de adoção de novas opções de tempo de entrega

Fonte: Adaptado de CEO Viewpoint 2016

No que se refere ao investimento realizado pelas empresas, os CEOs entrevistados revelaram que cerca de 26% da verba de investimento está sendo usada para práticas diretamente ligadas ao omni-channel. A Figura 4 apresenta os principais investimentos realizados pelas empresas pesquisadas:

investimento

Figura 4 – Principais investimentos em omni-channel

Fonte: Adaptado de CEO Viewpoint 2016

 

Os investimentos em omni-channel são maiores a cada ano e as empresas líderes seguem buscando entender cada vez melhor os desejos dos clientes para oferecer serviços mais completos. As empresas que estão atrás não só precisam remover as barreiras operacionais que impedem as experiências integradas de compra, como precisam também aumentar o investimento para oferecer novas opções para o cliente.  A cada dia surgem novos indícios de que quem não investir no omni-channel, vai terminar a corrida antes da linha de chegada!

 

Referências

<http://mhlnews.com/global-supply-chain/retail-ceos-need-remove-organizational-silos?page=2>

<http://apparel.edgl.com/news/Silos-Persist-Despite-Rise-of-Omnichannel104592>

<http://now.jda.com/CEO2016.html>

Saindo do armário

Há algumas semanas atrás escrevi sobre algumas iniciativas de omni-channel realizadas no Brasil, que, mesmo sendo praticadas de forma isolada, sinalizavam que o país estava olhando nesta direção. Pois bem, uma matéria publicada na última edição na Revista Tecnologística indicou que mais uma prática chegará por aqui neste ano que se inicia: os lockers, uma evolução tecnológica das antigas caixas postais.

Também conhecidos como terminais inteligentes, os lockers são equipamentos de autoatendimento nos quais os consumidores podem retirar as compras realizadas online de forma prática e segura, além de poderem realizar serviços agregados como compra de ingressos e pagamento de contas. Estas máquinas, que já fazem sucesso em países como Polônia, Lituânia e Alemanha, tornaram-se ainda mais famosas com a incorporação do serviço pela gigante do varejo virtual Amazon.

O serviço conhecido como Amazon Locker existe desde 2011 nos Estados Unidos e está presente hoje em 13 grandes cidades do país. Dependendo do produto comprado, o cliente pode solicitar que o pedido seja entregue em um locker da Amazon de sua escolha. Selecionando essa opção, ele receberá um e-mail de notificação quando o produto estiver disponível no terminal, informando o horário de funcionando do locker e o código que ele deverá inserir na máquina para desbloquear o pedido. O cliente tem até 3 dias úteis para retirar o seu pacote, caso contrário o produto será recolhido pela Amazon e o valor pago reembolsado para o cliente.

Amazon Locker

Figura 1 – Amazon Locker localizado em uma loja de conveniência em Nova York

Fonte: Wikipédia

 

Até o momento não existe nenhum serviço do tipo no Brasil, mas duas empresas já se mobilizaram para iniciar as suas operações ainda em 2016 no país: a ThinPost e a InPost. O objetivo de ambas é alugar as máquinas através de pacotes flexíveis de negócio para operadores logísticos, distribuidores, varejistas e empresas de comércio eletrônico que desejam ter presença física em locais estratégicos da cidade e de grande circulação de pessoas, como shoppings, aeroportos, rodoviárias, estações de metrô e lojas de conveniência.

Uma das principais vantagens dos lockers é a comodidade que eles oferecem para os consumidores que desejam comprar online, mas não tem pessoas que fiquem em casa para receber as encomendas. No Brasil, a figura do porteiro 24h nos edifícios e condomínios ainda é muito presente, o que reduz este problema. Entretanto, fora do país isto não é tão comum. Prova disso é que na França, 60% das compras online são retiradas pelos clientes em lojas físicas.

Além disso, quando olhamos para a tendência omni-channel do varejo, os terminais inteligentes oferecem ainda um outro enorme benefício: através deles, os clientes podem devolver produtos que compraram online, mas que não gostaram ou compraram errado. Um caso interessante nesse sentido é o da varejista de moda feminina inglesa Asos, que acoplou um provador ao locker, permitindo às clientes experimentarem os modelos no momento seguinte ao recebimento dos pedidos e devolverem na hora os itens que não gostaram. Esta iniciativa permitiu à empresa reduzir os custos de logística de reversa e também o tempo de produto indisponível para venda.

Neste momento em que os consumidores buscam serviços cada vez mais completos e um maior leque de opções para facilitar a sua vida, a adoção dos lockers pode se tornar um grande diferencial para os varejistas do Brasil. Além de garantir maior satisfação para o cliente, os lockers também ajudam na otimização da operação de distribuição, pois várias entregas que antes seriam distribuídas para diferentes lugares, passam a ser entregues em um único ponto. As vantagens parecem muitas, mas será que a caixa postal 2.0 irá fazer mesmo sucesso por aqui? É esperar pra ver!

 

Referências

GIURLANI, S. A reinvenção da caixa postal. Revista Tecnologística, São Paulo, Ano XXI, n. 241, p. 52-54, dez.2015/jan. 2016

<https://www.vertexsmb.com/insights/amazon-locker-delivery-triggers-sales-tax/>

<www.amazon.com/locker>