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Amazon expande o Counter, serviço para buscar mercadorias em lojas do varejo tradicional

Em junho de 2019, a Amazon lançou nos EUA o Amazon Hub Counter, serviço que permite que consumidores busquem suas compras, sem custo adicional, em lojas físicas de varejistas parceiros. Funciona de forma simples: no final do processo de compra, o cliente seleciona o local de pick-up desejado, de acordo com o CEP inserido. Quando o pedido chega no local, o consumidor recebe um e-mail contendo um código de barra único (que deve ser apresentado ao funcionário da loja para buscar as compras), bem como as informações do estabelecimento em questão (endereço e horário de funcionamento). O cliente tem até 14 dias corridos para buscar as mercadorias.

O Counter é mais um dos diversos serviços oferecidos pela Amazon para tornar as entregas mais convenientes para o consumidor. O Amazon Locker foi lançado em 2011 e hoje está presente em 900 cidades dos EUA, com cerca de 10.000 lockers. Até o fim de 2020, serão avaliados 1.000 novos locais por mês, com pretensão de praticamente dobrar esse número. Outro serviço foi anunciado no fim de 2017, o Amazon Key, que permite que entregadores deixem os pedidos dentro de sua casa ou de seu carro.

Inicialmente, o Amazon Counter estava disponível em cerca de 100 localizações da Rite Aid, grande rede de drogarias norte-americana que conta com 2.500 lojas. Porém, o plano é a expansão do programa para 1.500 lojas até o fim de 2019. Para alcançar esse objetivo, foram anunciados no fim de outubro mais 3 parceiros: GNC (varejista de produtos de saúde e bem-estar como vitaminas e suplementos, que conta com uma rede de 4.000 lojas), Health Mart (rede de farmácias, com 5.000 estabelecimentos), e Stage Stores (rede de lojas de departamento, com 600 lojas).

Apesar da Amazon ser um dos grandes motivos pelos quais o varejo tradicional tem sofrido tanto nos últimos anos, há indícios de que pontos de pick-up podem aumentar o tráfego nas lojas e impactar vendas. Em 2017, a Kohl’s, rede de lojas de departamento, começou a receber pacotes da Amazon para devolução em 82 lojas em Chicago e Los Angeles. Em abril de 2019, a parceria foi expandida para todas as 1.150 lojas do varejista. O motivo? Pesquisas indicaram que, em 2018, enquanto uma loja média da Kohl’s apresentou crescimento de receita de 2%, para lojas em Chicago esse número foi de 8%. Lojas em Chicago também apresentaram percentual maior de novos clientes (clientes que não fizeram compras no ano anterior) em relação às demais lojas.

Outro ponto que chama atenção são as empresas parceiras do programa Counter: Rite Aid, GNC e Health Mart. Muitos acreditam que em breve a Amazon estará atuando fortemente na indústria de saúde/farmacêuticos. Em 2018, comprou a PillPack (startup que coordena, agenda entregas e entrega remédios em casa de acordo com as receitas médicas dos pacientes), e formou uma joint venture (Haven) com a Berkshire Hathaway e JPMorgan Chase, com o objetivo de inovar o sistema de saúde dos EUA. Em 2019 a Amazon também lançou o Amazon Care, clínica para funcionários da empresa em Seattle. Assim, estabelecer parceiras com grandes varejistas farmacêuticos parece ser mais um passo nessa direção.

 

Referências:

TechCrunch – Amazon launches Counter in-store pick-up in the US, starting with 100 Rite Aid locations. https://techcrunch.com/2019/06/27/amazon-launches-counter-in-store-pick-up-in-the-us-starting-with-100-rite-aid-locations/

TechCrunch – Amazon expands its in-store pickup service, Counter, to thousands more stores. https://techcrunch.com/2019/10/23/amazon-expands-its-in-store-pickup-service-counter-to-thousands-more-stores/

CNET – Amazon wants to double its Locker program over the next year. https://www.cnet.com/news/amazon-wants-to-double-its-locker-program-over-the-next-year/

Chain Store Age – Study: Are Amazon returns boosting Kohl’s store performance? https://chainstoreage.com/technology/study-are-amazon-returns-boosting-kohls-store-performance

The Motley Fool – Amazon Takes Another Big Step Toward Getting Into Healthcare. https://www.fool.com/investing/2019/09/25/its-official-amazon-has-getting-into-healthcare.aspx

 

 

Entrega rápida

Em meio à expansão do e-commerce no Brasil, é crescente a preocupação das empresas com a entrega dos produtos e serviços. Os motivos são fortes: os custos logísticos correspondem a 12,3% do PIB brasileiro, segundo pesquisa do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). Tais gastos representam, ainda, 7,6% da receita líquida das companhias, considerando transporte, estoque e armazenagem. Para contornar esse quadro, inovação e tecnologia ajudam a reduzir custos, melhorar processos e aumentar a produtividade. Nesse cenário, ganham força as startups com soluções voltadas para o setor de logística.

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e-fulfillment – Novas oportunidades logísticas para o varejo digital

Você deve conhecer o Mercado Livre, e provavelmente já comprou ou vendeu algum item por lá. A plataforma online certamente trouxe uma revolução no mercado, ao permitir que qualquer pessoa anunciasse um produto, centralizando ofertas e demandas das mais aleatórias, desde carros a coleções de figurinhas. Não demorou muito e verdadeiras lojas, que oferecem produtos em grandes quantidades e variedades, se instalaram na plataforma, dada a vitrine oferecida pelo site.

Se a plataforma virtual oferece grande comodidade para a realização das vendas, os desafios logísticos da entrega física ainda são grandes empecilhos. Isto porque as transações comerciais podem se concretizar virtualmente, mas ainda é necessário guardar os produtos, administrar estoques e entregá-los aos clientes.

O site do Mercado Livre utiliza já há algum tempo o Mercado Envios, a fim de facilitar alguns trâmites relacionados ao frete. Agora a empresa anunciou que expandirá sua atuação na logística, oferecendo serviço de transporte e armazenagem de produtos anunciados em seu site, a partir de um CD em Louveira (SP). Por enquanto, a operação é restrita a alguns clientes, mas há planos de expansão em breve, com novas instalações no Brasil.

Essa iniciativa se soma a de outras empresas no que vem sendo chamado de e-fulfillment, que como o nome diz, vai além do e-commerce, e completa o serviço da venda. Há algum tempo, os Correios, em função do fim do e-SEDEX, apresentaram o Correios LOG, serviço que também promete realizar a gestão logística completa de um vendedor, embora este não possua interface de venda em si. A Amazon também pretende disponibilizar um negócio semelhante (como descrito no post do nosso colega Alexandre Lobo, que a empresa já faz há algum tempo em outros países.

e-fulfillment - correios log - blog ILOS

Figura 1 – Imagem promocional do Correios LOG, serviço de e-fulfillment da empresa

Fonte: Correios

Tais serviços podem representar uma ótima oportunidade para o desenvolvimento do comércio pela internet no Brasil, setor que vem apresentando crescimento mesmo em época de crise. A utilização de estruturas e know-how de grandes operadores logísticos pode reduzir os custos e facilitar a administração logística do negócio. Aparentemente, a concorrência será grande e os novos marketplaces completos causarão uma grande mudança no comércio brasileiro. Essa é apenas uma das grandes transformações tecnológicas que chegam à logística. Para conhecer as últimas inovações do mercado, participe do Fórum Internacional Supply Chain 2017, que terá grande destaque para a inovação, startups e transformação digital na cadeia de suprimentos.

Referências

http://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/6927588/mercado-livre-lanca-servico-que-revoluciona-seu-formato-negocios

https://www.ecommercebrasil.com.br/artigos/fulfillment-o-que-e-e-porque-e-importante-na-operacao-do-seu-e-commerce/

http://g1.globo.com/economia/pme/pequenas-empresas-grandes-negocios/noticia/2017/08/e-commerce-exige-estrutura-desde-venda-ate-entrega-do-produto.html

http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/queda-nos-precos-aumenta-faturamento-do-e-commerce-no-1-semestre-mas-cai-oferta-de-frete-gratis.ghtml

E-commerce brasileiro, se prepare: a Amazon está realmente chegando

Enquanto avança no varejo físico nos Estados Unidos, a Amazon caminha para estender seus tentáculos virtuais no Brasil. Após quatro anos apenas vendendo livros e kindles no e-commerce, a varejista começa a negociar com lojistas de smartphones, notebooks, tablets e acessórios para vendê-los em seu marketplace. Inicialmente, a ideia é apenas entregar os produtos, mas, existem planos de a empresa também armazenar as mercadorias dos lojistas em centros de distribuição espalhados pelo País. As expectativas são de essa operação começar a funcionar já no terceiro trimestre deste ano.

e-commerce amazon - blog ILOS

Muitos acreditam que a Amazon vai chegar apenas replicando o que já é feito por outros e-commerces no Brasil. Ou seja, teremos prazos de entrega dilatados, principalmente para cidades distantes do eixo Rio-São Paulo, para driblar a tradicional ineficiência logística do País e fugir de possíveis penalizações. Dessa forma, a Amazon seria apenas mais uma opção de e-commerce, mas que contaria com a força da sua marca para ganhar mercado.

Tudo bem. Não é apenas a logística que emperra as empresas no Brasil. Burocracia, loucuras tributárias, insegurança física e jurídica, falta de mão de obra qualificada, tudo isso deve ter contribuído também para esse tempo de maturação da Amazon no País. Mas, como o meu assunto é logística, fico em dúvida: será que a Amazon realmente vai apenas replicar a tradicional ineficiência logística brasileira ou ela encontrou uma forma de trazer o seu nível de serviço para o País e realmente se diferenciar do restante do mercado?

Torço pela segunda opção, e explico. Para uma empresa acostumada a, por vezes, entregar em menos de 24 horas em grandes cidades norte-americanas, ter que se submeter à prática usual brasileira de longos prazos de entrega, para poder garanti-los, seria quase um atentado à alma, e à marca! Afinal, além de ser a “everything store”, ela também é conhecida pelo seu alto nível de serviço, com uma forte cultura de preocupação com o cliente.

Mas aí entra o x da questão: como a Amazon ofereceria melhores níveis de serviços enfrentando todos os problemas logísticos que vivemos no dia a dia? Uma opção seria a compra de uma transportadora, embora ela também pudesse encontrar dificuldades para impor a sua cultura. Outra seria apertar muito os prestadores de serviços locais para conseguir níveis de serviços pouco usuais no País, principalmente fora do eixo Rio-São Paulo.

De qualquer forma, quando a Amazon entra em um mercado ou segmento, invariavelmente, ela chega arrasando, com níveis de serviços altos e preços baixos, mesmo com prejuízo, literalmente sufocando o mercado existente. Não imagino porque seria diferente no Brasil e acredito que ela vai chacoalhar o e-commerce nacional. Opções, criatividade e conhecimento, a Amazon tem de sobra e vamos continuar acompanhando os próximos passos dela.