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Semi: o caminhão elétrico da Tesla

Figura 1 – Tesla Semi, veículo de carga lançado pela empresa em novembro de 2017

Fonte: Tesla/Divulgação

 

A Tesla anunciou, no dia 16 de novembro, o lançamento do seu caminhão modelo cavalo-carreta, o Tesla Semi. O design impressiona, como é comum nos veículos da marca. O interior da cabine também é bastante inovador, com o motorista posicionado no centro da cabine e a presença de duas telas para acesso aos comandos básicos do Semi. Mas ficam alguns questionamentos: ele será eficiente? Qual a autonomia da bateria? Haverá potência para o transporte de cargas?

Figura 2 – Interior do Tesla Semi

Fonte: Tesla/Divulgação

 

De acordo com informações da empresa, o Tesla Semi possui quatro motores do modelo 3 da marca, o que geraria mais de 1000 cv de potência. Totalmente carregado em 36 ton, o veículo faz de 0 a 100 km/h em cerca de 20 s. Em relação a autonomia, o Semi faz 800 Km com uma única carga da bateria, mesmo com a carroceria totalmente carregada. Isso corresponderia a uma economia de US$ 0,25 por milha, o que equivale a 17% a menos do custo de transporte com um caminhão convencional movido a diesel. Para termos noção do impacto desta redução: de acordo com dados no Panorama de Custos 2016 desenvolvido pelo ILOS, no Brasil o custo do diesel representa 24,1% do valor do frete, e considerando a redução nos custos promovida pelos veículos elétricos, o Brasil economizaria cerca de R$ 14 bilhões ao ano em combustíveis para veículos de carga.

A grande questão que impede a adoção em massa deste tipo de veículos no mundo é a ausência de uma rede extensa de pontos para reabastecimento elétrico. Se esse problema já impede o crescimento da frota de veículos de passeio elétricos nas grandes cidades, o problema é maior para veículos de carga, que circulam em áreas mais abrangentes. Além disso, o preço para aquisição do veículo não foi revelado, o que impactaria investimentos e custos de depreciação, por exemplo.

Apesar destas incertezas, a Tesla já tem recebido encomendas, inclusive de grandes empresas. O Walmart, por exemplo, anunciou que já fez uma encomenda de 15 Tesla Semis. Com uma frota de 6 mil veículos, o Walmart pretende testar os caminhões elétricos nos Estados Unidos e no Canadá. Além do benefício em custos, empresas que possuem grandes frotas podem se beneficiar ao diminuir a quantidade de emissão de CO2 na atmosfera e obtenção de créditos de carbono.

Inovações como esta modificam fortemente a arena competitiva para empresas que movimentam seus produtos nas rodovias ao redor do mundo. Com o tempo, veremos se o apelo ambiental, de marketing e de custos irá superar as dúvidas referentes aos pontos de abastecimento e valores de investimento.

 

Referências:

<https://www.ilos.com.br/web/analise-de-mercado/relatorios-de-pesquisa/custos-logisticos-no-brasil/>

<http://fortune.com/2017/11/20/inside-tesla-electric-semi-truck/>

<https://exame.abril.com.br/tecnologia/novo-veiculo-da-tesla-e-caminhao-eletrico-e-futurista/>

<https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/tesla-semi-um-caminhao-eletrico-mais-rapido-que-o-golf-gti/>

<https://www.tesla.com/semi/>

<https://www.theverge.com/2017/11/17/16670632/walmart-tesla-semi-truck-preorder>

Tecnologia no transporte rodoviário de cargas

Além de ter grande impacto no meio ambiente, o transporte é a atividade logística mais onerosa para as organizações, correspondendo a cerca de 54% dos custos logísticos das empresas brasileiras, segundo estudo divulgado pelo ILOS em 2016. Para elevar a produtividade dos caminhões, reduzir custos e diminuir o impacto social e ambiental do transporte rodoviário, diversas tecnologias estão sendo desenvolvidas e a cada dia vemos na mídia novos marcos acontecendo.

Há pouco menos de 2 meses ocorreu a primeira entrega de produtos por um caminhão autônomo. O fato ocorreu nos Estados Unidos, quando um caminhão da Otto, startup fundada com o objetivo de desenvolver esse tipo de veículo e que foi comprada pela Uber no meio do ano, viajou cerca de 200 km no estado do Colorado transportando 50.000 latas de cerveja Budweiser.

Vídeo 1 – Otto e Budweiser: primeira entrega por caminhão autônomo

Fonte: Otto

 

Neste blog, já comentamos sobre o desenvolvimento de navios autônomos e o uso de caminhões autônomos por mineradoras, ilustrando algumas das inúmeras iniciativas que estão sendo desenvolvidas. O uso de automóveis sem motoristas é uma das principais tendências logísticas para os próximos anos. O objetivo é aumentar a produtividade do transporte, uma vez que os caminhões poderiam rodar 24 horas por dia e 7 dias por semana, não sendo necessárias paradas para descanso do motorista e nem gasto com horas extras. A redução do número de acidentes nas estradas também é uma meta buscada com a utilização desse tipo de caminhões.

Além dos veículos autônomos, caminhões movidos por energia elétrica são outra tecnologia em voga no momento, estimulados pela pressão social de redução da poluição causada pela queima de combustíveis fosseis. Já existem casos de veículos equipados com esta tecnologia transitando pelas estradas, mas isto ainda está longe de ser comum. O principal empecilho para a adoção em massa desta tecnologia é o alto custo, o elevado tempo de recarga e a durabilidade e baixa autonomia das baterias.

Nesta semana, no entanto, uma notícia interessante foi veiculada pelo jornal americano Wall Street Journal. Também no estado do Colorado, autoridades sinalizaram a construção de uma estrada pública capaz de recarregar caminhões elétricos durante o período de direção. Bobinas enterradas debaixo da terra enviariam energia para boninas receptoras instaladas nos caminhões, o que permitiria que viagens mais longas fossem feitas por esse tipo de veículo. No momento, o Departamento de Transporte de Colorado procura o local ideal para desenvolver o projeto piloto até o final de 2017 e iniciar os testes no final de 2018.

Se nos Estados Unidos projetos neste sentido ainda estão no papel, na Europa testes já estão sendo feitos desde junho, quando a primeira estrada elétrica do mundo foi inaugurada na Suécia. Impulsionado pela meta do país de tornar toda a sua frota de transporte livre de combustíveis fósseis até 2030, o projeto, conhecido como eHighway, foi desenvolvido pela Siemens e inaugurado em um trajeto de dois quilômetros da autoestrada E16, ao norte de Estocolmo. Um mecanismo chamado “pantógrafo inteligente”, instalado no topo da boleia de caminhões híbridos, é acionado automaticamente quando o veículo entra no trecho da via, se conectando às linhas de eletricidade instaladas sobre a pista. Quando o caminhão precisa trocar de pista para ultrapassar outro veículo, entretanto, ele pode se desconectar da rede e voltar a utilizar o diesel. Durante dois anos o trecho de rodovia elétrica servirá como plataforma de testes em busca de aprimoramentos e melhorias da tecnologia.

Vídeo 2 – Siemens eHighway

Fonte: FuturePorts

 

Iniciativas como essas apontam para uma atividade de transporte mais eficiente e sustentável no futuro. Para que isso se torne uma realidade, entretanto, ainda são necessários mais estudos e motivação por parte dos países. Enquanto os veículos autônomos ainda precisaram vencer a polêmica do consequente aumento do desemprego entre os caminhoneiros, caminhões elétricos ainda enfrentam a barreira do alto custo de aquisição.

 

Referências

<https://www.wired.com/2016/10/ubers-self-driving-truck-makes-first-delivery-50000-beers/>

<http://www.wsj.com/articles/electric-trucking-charges-up-1481212800>

<http://exame.abril.com.br/tecnologia/caminhao-autonomo-da-uber-faz-1a-entrega-45-mil-latas-de-cerveja/>

<http://www.bbc.com/portuguese/geral-36660436>

<http://inergiae.com.br/site/vantagens-e-desvantagens-do-veiculo-eletrico/>