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Logística no dia a dia, no Brasil e no mundo – janeiro/21


O ano de 2021 chega com a expectativa pela retomada da indústria e do comércio, interno e externo, o que vai gerar impactos na logística e no supply chain. Esse novo mundo que se desenvolve exige que os profissionais estejam sempre atualizados e, por isso, reunimos nesse post as notícias que trazem o que há de mais recente sobre logística e supply chain no Brasil e no mundo. Fique ligado!

12/01 – Valor Econômico – Fabricantes de implementos vivem realidades distintas

Mesmo durante a pandemia, linha pesada cresceu mais de 6% impulsionada pelo agronegócio. Por outro lado, a linha leve caiu pouco mais de 5% com a queda no desempenho dos pequenos negócios e lojas de rua

12/01 – Valor Econômico – Leilão da Fiol ganha força com novos projetos ferroviários

Construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste e da continuação da Fiol chama a atenção de novos grupos ao leilão do primeiro trecho da ferrovia baiana

11/01 – Valor Econômico – ANP vê leve desconcentração na distribuição de combustível

Apesar da desconcentração, ANP ainda considera mercado brasileiro de alta concentração ou de concentração moderada, dependendo do indicador utilizado e do combustível em questão

07/01 – Valor Econômico – Frete China-Brasil dispara e deve encarecer produtos importados

Preços de transporte marítimo do país asiático chegam a valores históricos e impactam cadeia logística brasileira

06/01 – Valor Econômico – Soja em alta move exportação brasileira

Expectativa é por novo recorde nas exportações de soja, com demanda forte por escoamento da produção a partir de fevereiro

05/01 – Automotive Business – Venda de caminhões cai 12,3% em 2020, Fenabrave prevê alta de 21,7% em 2021

Ano de 2020 registrou o emplacamento de quase 90 mil veículos comerciais de carga

05/01 – Folha de S. Paulo – Santos prevê R$ 7 bi em arrendamentos e acessos

Porto amplia investimentos em ferrovias para aumentar movimentação de cargas enquanto aguarda desestatização

04/01 – Valor Econômico – Após recuperação em 2020, indústria pode voltar ao “velho normal”

Com estoques em baixa, indústria tende a ampliar produção no primeiro semestre

04/01 – Valor Econômico – Comércio global deve se recuperar, mas há riscos

Início da vacinação em vários países está melhorando perspectiva para o comércio e a economia globais, mas recuperação será lenta e o mundo só voltará aos níveis pré-pandemia em 2022.

04/01 – Folha de S. Paulo – Porto do Açu diversifica suas operações com o agronegócio

Porto mira no agronegócio para ganhos no longo prazo, enquanto consolida sua participação na movimentação de produtos da indústria do petróleo

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Logística no dia a dia, no Brasil e no mundo – dezembro/20

Logística no dia a dia – prepare-se para o Fórum Internacional Supply Chain

 

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Logística no dia a dia, no Brasil e no mundo – dezembro/20


Na medida em que novas demandas acontecem e tecnologias surgem, a logística e o supply chain também se desenvolvem, exigindo que profissionais estejam sempre atualizados. Diariamente, vamos reunir nesse post as notícias que trazem o que há de mais recente sobre logística e supply chain no Brasil e no mundo. Fique ligado!

23/12 – Supply Chain Magazine – Novo consórcio da indústria da moda para a economia circular

Grupo finlandês lidera consórcio cujo objetivo é criar um projeto colaborativo para gestão de resíduos, reciclagem, retalho e fabrico em um novo sistema de moda circular, reduzindo desperdício e impacto ambiental

23/12 – Valor Econômico – Santos muda contrato de ferrovia para atrair R$ 2 bi

Investimentos para ampliação dos volumes movimentados em ferrovias que chegam ao porto levam SPA a mudar contrato de ferrovia interna para evitar futuro gargalo

18/12 – Forbes – A Amazon está próxima de revolucionar o mercado fashion?

Empresa acaba de lançar nos Estados Unidos venda de camisa sob medida através do app. Há 3 anos, Amazon comprou empresa de machine learning especializada em análise de formatos corporais

18/12 – Valor Econômico – Log investirá total de R$ 2 bi para ampliar portfólio

Expansão do comércio eletrônico puxa demanda por galpões e resulta em aportes adicionais de R$ 600 milhões

17/12 – Valor Econômico – Corte na emissão de CO2 une montadoras e cientistas na Europa

Em iniciativa inédita, fabricantes de caminhões assinam um plano para descarbonizar o setor em sintonia com a ciência

17/12 – Valor Econômico – Azul aumenta participação de mercado em transporte de carga

Nos 15 primeiros dias de dezembro, companhia já fatura o equivalente a um mês

16/12 – O Globo – Vale terá concessão de ferrovias por mais 30 anos, incluindo a Estrada de Ferro de Carajás

Conselho da mineradora aprova termos do contrato. Investimento de quase R$ 25 bilhões inclui contrapartidas acertadas com o governo federal para viabilizar corredor alternativo do agronegócio

16/12 – The CT Mirror – Como a pandemia derrubou a cadeia de suprimentos Just in Time

Após COVID-19 empresas estão revisando suas cadeias de suprimentos, ampliando armazéns e investindo em automação

16/12 – Consumidor Moderno – Cinco estratégias para evitar o efeito rebote no varejo

Reimaginar os formatos e as operações das lojas está entre as cinco estratégias que os varejistas devem traçar para estarem preparados para a volta da “normalidade”

15/12 – Valor Econômico – Exportação de soja e derivados tende a bater recorde

Segundo associação, a produção de soja no Brasil deve chegar a 127 milhões de toneladas na safra 20/21, enquanto exportações deverão encerrar o ano em 82,3 milhões de toneladas

15/12 – Valor Econômico – Locaweb compra a startup Melhor Envio

Startup de logística chega para ampliar a atuação da empresa de tecnologia no comércio on-line

15/12 – SupplyChainBrain – A necessidade da visibilidade ponta a ponta na cadeia de alimentos

Veja os desafios da cadeia de alimentos em alcançar um nível de visibilidade que permita agir de forma rápida e precisa quando necessita fazer um recall

14/12 – UOL – Infraestrutura confirma previsão de contratar R$ 137,5 bi em investimentos em 2021

Na lista do ministério estão a concessão de 23 aeroportos, de 17 terminais portuários, da Ferrogrão, do trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), de 11 lotes de rodovias e a desestatização da Companhia Docas do Espírito Santo

14/12 – Valor Econômico – Retomada da indústria leva a falta de insumos, pressionando os preços

Segundo FGV, não há desabastecimento generalizado de produtos, mas escassez afeta preços ao longo da cadeia

14/12 – Valor Econômico – Maersk mira expansão na logística por terra e ar

Seguindo sua política global, gigante mundial da navegação quer expandir a sua chegada ao consumidor final

14/12 – Forbes – Três maneiras de o blockchain contribuir com a recuperação global

Ferramenta traz um novo nível de transparência na cadeia de suprimentos mostrando exatamente da onde os insumos são provenientes

11/12 – Valor Econômico – Volks investe R$ 2 bilhões em caminhões mais limpos no Brasil

Montadora anuncia que grande parte do desenvolvimento de caminhões elétricos e futuros caminhões autônomos acontecerá no Brasil. Transporte de cargas mais limpo passou a ser exigência dos clientes das transportadoras, sobretudos multinacionais

11/12 – Valor Econômico – Transporte marítimo enfrenta “tempestade perfeita”

Pandemia do novo coronavírus deixou algumas das maiores companhias de navegação do mundo com atrasos e acúmulo de remessas crescente

10/12 – Valor Econômico – Porto do Açu prevê começar a exportar soja em 2021

Para operar no agronegócio, a empresa construiu um armazém coberto no Terminal Multicargas, com capacidade para armazenar 25 mil toneladas/mês de insumos

10/12 – Valor Econômico – Alpargatas acelera integração de canais

Plano é aumentar as vendas diretas ao consumidor, que hoje representam 10% a 15% do faturamento

09/12 – Infomoney – Subindo de nível? Amazon centralizará armazenamento e entrega de parceiros em seus CDs

Varejista americana introduz o Fulfillment by Amazon e promete entregas mais rápidas e frete grátis em mais produtos para clientes Prime

09/12 – Valor Econômico – Câmara aprova projeto que incentiva navegação de cabotagem

Projeto busca flexibilizar as regras para a navegação entre portos e ampliar a frota de embarcações do Brasil, estimulando a concorrência no setor

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Logística no dia a dia – prepare-se para o Fórum Internacional Supply Chain

 

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A curva da baleia e o cálculo de rentabilidade dos clientes



Você provavelmente sabe listar os clientes que trazem maior faturamento para a sua empresa. Mas você sabe dizer quais são os clientes de maior rentabilidade? E os clientes que geram prejuízo, considerando todo o custo relativo ao seu atendimento? Nem sempre os clientes que mais compram são aqueles que mais trazem lucro para a empresa, pois os maiores clientes em geral têm condições especiais de pagamento e de entrega que podem elevar os custos.

Esta análise de rentabilidade, conhecida como Custo de Servir, é realizada em projetos relacionados ao Serviço ao Cliente e costuma trazer grandes descobertas para as empresas, sendo um importante gatilho para a realização de diversas iniciativas dentro da companhia.

O principal resultado da análise é um gráfico conhecido como Curva da Baleia, que mostra o percentual de clientes rentáveis, não rentáveis e com rentabilidade nula para a empresa. A imagem 1 mostra um exemplo real de uma empresa que foi foco de uma consultoria conduzida pelo ILOS. A análise mostrou que apenas 62% dos clientes da empresa traziam lucro para a companhia, enquanto 16% dos clientes corroíam 6% do lucro acumulado.

curva da baleia - rentabilidade de clientes - ILOS Insights

Figura 1: Exemplo real de curva da baleia. Fonte: ILOS

Esta mesma análise pode ser feita por pedidos, ajudando a empresa a identificar determinados serviços oferecidos aos clientes que poderiam ser eliminados ou modificados visando o aumento do lucro.

O gráfico de curva da baleia pode ter diferentes formatos, considerando o grau de dependência da empresa a determinados clientes e a quantidade de clientes com rentabilidade negativa que a empresa atende (grau de subsídio).

curva da baleia - dependência de clientes - ILOS Insights

Figura 2: Tipos de formato da curva da baleia. Fonte: ILOS

A melhor situação que uma empresa pode ter é de ter tanto um baixo grau de dependência quanto um baixo grau de subsídio, ou seja, a empresa atende apenas cliente rentáveis e cada um deles contribui de forma similar para o resultado. Esta, no entanto, não é a situação da grande maioria das empresas, pois é comum a companhia possuir alguns poucos key accounts (clientes-chave), fundamentais para trazer o resultado financeiro, e atender a um número significativo de clientes com rentabilidade nula ou negativa, tanto para diluir os custos fixos da operação quanto por estratégia, acreditando se tratarem de clientes com potencial de crescimento ou clientes que trazem visibilidade para a empresa. Contudo, é importante que a empresa identifique aqueles clientes com baixo volume de vendas e altos custos de atendimento, que em geral corroem bastante o resultado da empresa e, por isso, deveriam ser atendidos de uma forma diferente. Apesar da eliminação deste tipo de cliente da carteira também ser uma alternativa, a empresa precisa ter muito cuidado ao fazer isto, uma vez que este tipo de cliente também ajuda a diluir os custos fixos e, com a sua eliminação, novos clientes podem passar a ter uma rentabilidade negativa, já que a parcela de custo fixo por cliente irá aumentar.

Para se chegar ao gráfico de Curva da Baleia, é preciso calcular a rentabilidade de cada pedido da empresa, subtraindo-se da receita líquida (receita com impostos deduzidos, neste caso) os custos de produção (CPV) ou compra (CMV) do produto e os custos alocados de atendimento. Neste último é onde se encontra a maior dificuldade da análise.

curva da baleia - cálculo da rentabilidade - ILOS Insights

Figura 3: Cáculo da rentabilidade de cada pedido. Fonte: ILOS

Todos os custos diretamente relacionados ao atendimento dos clientes devem entrar na conta, sendo o grande desafio fazer o rateio deles de forma aderente a realidade. Alguns exemplos de custos que devem ser considerados são:

Produção / customização: custos gerados por qualquer alteração no produto padrão solicitada pelo cliente.
Expedição e armazenagem: custos do armazém (aluguel, luz, água e etc) e da equipe responsável pela separação e distribuição dos pedidos. Esses custos podem ser rateados considerando o número de pallets/caixas movimentadas por pedido, por exemplo.
Ações comerciais: Custos de ações específicas para os clientes, como descontos e incentivos de venda.
Faturamento do pedido: Custos de faturamento e processamento (salário de equipe dedicada a isso ou do sistema de faturamento), que podem ser rateados em função do número de pedidos do cliente.
Roteirização: despesas totais com roteirização (salário de equipe dedicada a isso ou do sistema de roteirização) divididos pelos pedidos de cada cliente.
Distribuição: custos em função do perfil da frota e das distâncias percorridas por cliente. Custos de escolta e segurança também devem ser rateados nessa categoria.
Monitoramento: custos com tecnologias de monitoramento divididos pelo volume movimentado por pedido.
Forma de pagamento: custo por pedido associados a diferentes formas de pagamento (cartão, boleto, dinheiro, etc.). O prazo de pagamento concedido ao cliente também faz diferença e entra nesta conta.
Pós-venda: Custos com atendimentos posteriores à venda e específicos por cliente.
Custos fixos: Custos fixos, como por exemplo, o salário dos gerentes de logística, também devem ser rateados e alocados por pedido.

Custos com marketing e propaganda, pesquisas de mercado, despesas administrativas não específicas para clientes e custo de perda e roubo de produtos no armazém são exemplos de custos que não devem entrar na alocação de custos, pois não estão diretamente relacionadas aos clientes atuais da empresa ou são custos necessários para a simples existência da companhia.

Interessou-se em medir o custo de atendimento de cada um dos clientes da sua empresa? Além de realizar consultorias como essa, o ILOS também ensina a metodologia do custo de servir no curso Customer Service: Serviço ao Cliente na Logística.

Para saber um pouco mais sobre o tema, você também pode consultar o post escrito pelo Bernardo Falcão ou os artigos escritos pelo Caio Rodrigues e pelo Marcus Cabral.

A importância de uma logística sustentável durante e após a pandemia


Neste post vamos falar sobre como a pandemia trouxe à tona questões importantes a respeito da sustentabilidade empresarial, como os consumidores ficaram mais exigentes a respeito das medidas socioambientais implantadas pelas empresas, e como a logística pode contribuir para um impacto socioambiental positivo.
A sustentabilidade empresarial vem sendo apontada como um dos focos das empresas no cenário pós-pandemico. Não é à toa, que 85% dos brasileiros opinam que a proteção do meio ambiente deve ser uma prioridade do governo no plano de recuperação do país após a pandemia, e que o banco dos Brics anunciou um financiamento de US$1 bilhão ao governo brasileiro para auxílio a programas sociais de combate ao COVID-19.

Antes da pandemia chegar ao país, a sustentabilidade era vista como uma das tendências para 2020. Um estudo publicado pela IBM em janeiro já indicava que os consumidores estavam dispostos a pagar 35% mais por produtos sustentáveis e transparentes. Porém, com a chegada da crise do COVID-19, os investimentos em sustentabilidade foram deixados de lado.

A crise do coronavírus deu luz a vários problemas socioambientais que podem ser observados ao redor do mundo. Os diferentes níveis de dificuldade no enfrentamento do vírus estão diretamente ligados às alarmantes desigualdades sociais. Por outro lado, durante o isolamento social praticado por grande parte das empresas, e a consequente diminuição do número de veículos nas ruas, foi possível observar um maior equilíbrio dos ecossistemas naturais. Ambos os exemplos deixam claro que a maneira como estamos atuando, em tempos normais, é insustentável.

Outra consequência da crise do coronavírus foi o aumento da quantidade de lixo domiciliar e hospitalar gerado no país. Segundo a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), as medidas de isolamento social devem representar um aumento de 15% a 25% na produção de resíduos sólidos (lixo orgânico e reciclável) nas residências, enquanto que para o lixo hospitalar estimasse um crescimento de 10 a 20 vezes. O aumento do lixo domiciliar é influenciado em parte pelo aumento das compras online e, consequentemente, pelo aumento do número de embalagens que vem com esses produtos. Além disso, a coleta seletiva, que é um dos principais métodos de evitar que o lixo gerado tenha piores consequências para o meio ambiente, teve seus serviços paralisados durante a pandemia em várias cidades por conta do risco de contaminação dos funcionários pelo COVID-19 ao manusear o lixo.

Tendo esse cenário em vista é de extrema importância que as empresas busquem utilizar a menor quantidade de embalagens possível para seus produtos e busquem fazer uso de materiais recicláveis para suas embalagens.

Para o momento pós-pandêmico, vai ser importante que as companhias invistam em logística reversa para diminuir os impactos ambientais causados por seus produtos e suas embalagens. A implementação da logística reversa já é obrigatória para uma série de fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, como os dos setores de agrotóxicos e de produtos eletroeletrônicos, porém é importante que inclusive as empresas que não são obrigadas por lei a praticá-la, também invistam nessa prática.

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Figura: A importância da logística reversa no cenário pós-pandêmico. Fonte: eSales

A logística reversa é uma solução para a redução da poluição, estimulo à reciclagem, redução da exploração de matéria-prima virgem (já que os produtos recolhidos podem muitas vezes ser reutilizados como matéria-prima por suas próprias cadeias ou por outra cadeia), diminuição da emissão de CO2, etc. Além de todos esses impactos ambientais positivos que essa prática promove, a logística reversa também traz vantagens sociais, já que ao ser implementada por sistemas que trabalham com cooperativas, contribui para a profissionalização, aumento de renda e promove melhores condições de vida para catadores de materiais recicláveis. Por último, além das vantagens ambientais e sociais, essa prática também contribui para melhorar a imagem da empresa frente ao mercado, representando um diferencial competitivo e, consequentemente, atraindo consumidores cada vez mais preocupados com questões socioambientais.

Existem diversas outras práticas que podem fazer com que a logística da sua empresa seja mais sustentável, como a otimização da roteirização do transporte de carga, utilização de energia solar para os armazéns, contratação de mão de obra local, modernização da frota, etc. Muitas dessas medidas além de sustentáveis, também promovem a redução de custos logísticos no curto ou longo prazo, ou seja, além de representar uma vantagem competitiva, também contribuem para um aumento na margem de lucro da empresa.

O mundo está mudando, e os clientes estão cada vez mais engajados com relação à proteção do meio-ambiente e à diminuição das desigualdades sociais e eles esperam o mesmo engajamento das empresas das quais eles consomem. Portanto, é de extrema importância que a sua empresa comece a investir em práticas mais sustentáveis para provocar um impacto positivo no mundo e também para não perder relevância no mercado. Não fique de fora dessa mudança!

Referências:

– Estadão – Banco do Brics elege a sustentabilidade como foco dos investimentos no pós-pandemia
– Folha de São Paulo – Coronavírus desafia sustentabilidade com maior acúmulo de lixo caseiro e hospitalar
– IBM – Estudo IBM: Consumidores pagarão em média 35% a mais por produtos sustentáveis e de procedência transparente em 2020
– Ipsos – Para 85% dos brasileiros, proteção do meio ambiente deve ser prioridade na retomada pós-pandemia
– POLEN – Sustentabilidade empresarial: a grande tendência pós-COVID

Impactos do decreto 10.388 de logística reversa de medicamentos


Após 10 anos de discussão, foi assinado no dia 5 de junho de 2020 o decreto nº 10.388, o qual institui o sistema de logística reversa de medicamentos vencidos ou em desuso e suas embalagens após o descarte pelos consumidores. O documento inclui toda a cadeia logística do setor farmacêutico, impactando fabricantes, importadores, distribuidores e consumidores, segundo os termos do decreto nº 7.404 de 2010. A medida visa redução de danos ao meio ambiente, pois cada quilograma despejado incorretamente pode contaminar até 450 mil litros de água, segundo o Preservômetro, responsável por medir os resultados do Plano de Logística Reversa da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa).
logistica reversa de medicamentos - ILOS Insights

Figura – Após 10 anos de discussão, decreto de logística reversa de medicamentos é assinado. Foto: Pexels

Se as empresas do ramo farmacêutico já sofriam prejuízos em relação ao custo da perda do produto (valor despendido em sua fabricação, embalagem e distribuição), pois a logística reversa desse setor não permite a realocação e revenda dos medicamentos devido a suas características químicas e biológicas, a aplicação desse decreto pode trazer alguns outros impactos financeiros para as empresas do ramo farmacêutico. O primeiro deles seria em relação aos custos de transporte, necessários para retornar os itens dos pontos de coleta para as fábricas. Além disso, é preciso considerar os valores gastos tanto com a mão-de-obra como para a destinação final desses materiais, que podem ser por incineração, por coprocessadores ou por aterros sanitários de classe I, segundo determinado pelo decreto. Esses custos, se não forem controlados, podem provocar a diminuição das margens de lucro das farmacêuticas.

Antes de sua assinatura, não existia um acordo setorial com validade em todo o país sobre esse assunto, mas algumas medidas já eram seguidas. Em São Paulo, por exemplo, as fábricas instaladas precisam, até 2021, atingir a meta de 3,03 kg de medicamentos por ponto de coleta e ter 80% dos municípios com mais de 100 mil habitantes com pelo menos um ponto de entrega para cada 20 mil habitantes, com risco de não renovação ou não emissão das licenças ambientais caso não seja cumprido. Em conjunto, outro projeto que ocorria em paralelo era o Programa Descarte Consciente, da Brasil Health Service (BHS), que coletou e destinou corretamente 500 toneladas em 10 anos de atuação (até junho de 2019), sendo o maior projeto de coleta de medicamentos vencidos ou em desuso do Brasil.

O decreto estabelece sua aplicação em 2 fases. Na primeira delas, iniciada no dia de vigor do documento, serão instituídos grupos de performance, responsáveis por implementar os sistemas de logística reversa e estruturar sistemas de monitoramento através relatórios anuais sobre o volume de medicamentos retornados e destinados de maneira ambientalmente correta. Já na segunda fase, que deve iniciar 120 dias após a conclusão da primeira fase, serão habilitados os prestadores de serviço, planos de comunicação e a instalação de pontos fixos de coleta nas farmácias e drogarias, nos quais caberá aos consumidores realizar o descarte.

As entidades do mercado farmacêutico, como a Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abrandilan), demonstraram apoio a essa medida, considerado um passo importante para cuidar da agenda ambiental urbana. Segundo o presidente executivo da Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico (Abafarma), Oscar Yazbek Filho, conseguiu-se chegar a uma solução técnica e economicamente viável, que processa os melhores ganhos para o meio ambiente. Segundo ele, o modelo é eficiente, pois o medicamento deve percorrer o mesmo caminho feito para chegar até a destinação final, diminuindo os impactos ao meio ambiente. Foi um trabalho em conjunto das entidades para mitigar os impactos provocados pela proposta original.

 

Referências:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2020/Decreto/D10388.htm

https://www.newcastlesys.com/blog/the-hidden-costs-of-reverse-logistics#:~:text=In%20addition%20to%20providing%20a,company’s%20bottom%20line%20as%20well.

https://pfarma.com.br/noticia-setor-farmaceutico/mercado/5707-logistica-reversa-medicamentos.html

https://panoramafarmaceutico.com.br/2020/06/09/decreto-de-logistica-reversa-e-publicado-e-bhs-celebra-500-toneladas-de-medicamentos-ja-coletados/

https://panoramafarmaceutico.com.br/2019/09/05/logistica-reversa-de-medicamentos-e-oportunidade-para-varejo-prestar-servico-a-consumidor/

Perspectivas do mercado de gás no Brasil


Diversos acontecimentos vêm movimentando o mercado de Gás no Brasil, especialmente relacionado ao gás natural. Tivemos diferentes iniciativas do governo federal no âmbito de promoção da concorrência, além da continuidade do plano de desinvestimentos da Petrobras. Esses eventos culminaram no programa denominado: “Novo Mercado de Gás”, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia e desenvolvido em parceria com a Casa Civil, Ministério da Economia, CADE, ANP e EPE.

Parte importante desse programa é o acordo firmado entre o CADE e a Petrobras, o termo de compromisso de cessação, que determina uma série de desinvestimentos a serem realizados pela companhia. Por um lado, diversas desmobilizações vêm ocorrendo normalmente durante a pandemia, como foram os casos dos campos terrestres do Polo Macau no Rio Grande do Norte.

Outros movimentos tiveram alguns de seus prazos para ofertas adiados por conta de pandemia do COVID-19 e se encontram em fases iniciais do processo no início do segundo semestre de 2020. Esse é o caso de dois ativos muito importantes para a cadeia de gás natural: Gaspetro (na qual a empresa possui participação de 51%) e o restante da participação (10%) na Nova Transportadora do Sudeste (NTS). Os teasers originais dessas oportunidades, que foram lançados respectivamente em fevereiro e março de 2020, sofreram vários adiamentos e se encontram em fase não vinculante, onde os compradores potenciais recebem as cartas-convite com instruções e orientações para as propostas. No entanto, existe a possibilidade desses prazos e escopos serem alterados se houver desinteresse ou ofertas abaixo do esperado, situação já contemplada no TCC firmado com o CADE.

mercado de gás - ILOS Insights

Figura 1 – A Gaspetro detém participações na grande maioria das distribuidoras de gás natural do país. Fonte: Gaspetro

Um outro marco importante para o mercado de gás natural que teve seu cronograma pausado devido à pandemia foi a Chamada Pública para alocação de capacidade do Gasbol, gasoduto que liga a Bolívia e Brasil com 3150 quilômetros de extensão. Dado o cenário econômico e social do país e a consequente dificuldade de participação dos agentes interessados, o processo foi postergado sem data definida para a retomada.

De toda forma, mesmo com a pandemia, começa a se desenhar um novo cenário no mercado de Gás Natural no país. Ainda que com alguns desencontros e adiamentos, o plano de desinvestimentos da Petrobras em ativos chave para a cadeia de gás segue mantido e atuante. Aqui no ILOS, estamos acompanhando as novas etapas desses processos para que, enfim, tenhamos um mercado de gás natural diferente no Brasil, com maior produtividade, diversos players e infraestrutura bem desenvolvida e compartilhada entre os agentes para uma melhor logística e competividade no setor.

Referências:

Agência Petrobras – Petrobras conclui a venda de sete campos terrestres
Agência Petrobras – Petrobras assina contrato para venda de campos terrestres
Terciotti – Gaspetro e NTS em fase não vinculante
ANP – Gasbol adiada chamada pública para alocação de capacidade

Atendimento ao consumidor em período de pandemia

Não é novidade que a pandemia do coronavírus afetou grande parte das indústrias e dos negócios, em maior ou menor grau. Agora, mesmo com algumas restrições já afrouxadas, as consequências das medidas de prevenção da propagação do vírus adotadas no início da pandemia continuam sendo observadas ao redor do mundo e, por conta disso, podemos perceber que tanto os consumidores quanto as empresas precisarão se adaptar às novas circunstâncias.

atendimento ao consumidor - ILOS Insights

Figura – Atendimento ao consumidor em período de pandemia
Foto por Arturo Rey on Unsplash

No contexto da pandemia, o consumidor pôde perceber a relevância de certas marcas em seu cotidiano e passou a refletir sobre como elas se encaixam dentro de seu estilo de vida adaptado ao cenário atual. Como consequência, muitos clientes começaram a procurar alternativas que suprissem suas novas demandas. Nesta busca, algumas atitudes e posicionamentos das empresas se destacam e demonstram comprometimento com o consumidor, como por exemplo:

Saúde e segurança

É imprescindível que a empresa foque em saúde, segurança e conforto tanto dos clientes quanto dos empregados. O comprador precisa ver que os funcionários estão equipados com luvas descartáveis e máscaras de proteção e que o ambiente em que ele está tem passado por limpezas constantes – por exemplo higienização de carrinhos de supermercado antes do uso – para que ele se sinta protegido e confortável. Outras medidas valiosas são a adoção de um fluxo preferencial de pessoas indicado no chão ou por placas e controle de quantidade de pessoas no ambiente.

Novo modo de comprar

Inúmeros meios de compra já estavam disponíveis antes da pandemia: aplicativos de delivery como iFood e Rappi, aplicativos e sites próprios, drive-thru, lockers, compra online e retirada na loja… Oferecer flexibilidade e opções ao consumidor pode proporcionar maior satisfação e maior alcance das vendas, além de reforçar a presença da marca. Os prazos de entrega devem ser competitivos e todo o processo de compra e entrega deve obedecer aos requisitos de proteção para cativar os usuários.

Estoque

Como os clientes têm saído menos de suas casas, eles precisam confiar que a loja a qual ele pretende ir possui em estoque os produtos que ele deseja. A tecnologia pode colaborar neste aspecto em diversas formas: inteligência artificial e big data podem auxiliar um varejista na modificação de sua cadeia de suprimentos e no planejamento de demanda, antecipar tendências emergentes e também sustentar tomadas de decisão. Outro uso da tecnologia neste âmbito é a visibilidade do estoque por parte do cliente, para que ele veja quais lojas possuem o produto em que ele está interessado e possa escolher a mais conveniente para realizar sua compra.

Comunicação com o cliente

Neste contexto de crise, diferentes questionamentos surgirão e é essencial que os clientes tenham suas questões sanadas. A disponibilização de múltiplos canais de comunicação ajuda e encoraja todos os processos do contato, desde a iniciação até o follow-up da resolução do problema. No caso de empresas que tiveram o time de atendimento ao cliente altamente impactado pela pandemia, é importante deixar claro para o cliente em quanto tempo em média ele terá um retorno sobre a sua solicitação, para que não haja frustações. E-mails, chat online, chatbots e FAQs precisam existir e precisam passar a informação mais atualizada disponível. FAQs e chatbots bem elaborados podem evitar grande parte dos contatos.

Suavização de regras

A suavização de algumas políticas pode dar alívio para o consumidor, como regras de troca e devolução de produtos e prazos de cancelamento de pedidos. O Airbnb, por exemplo, alterou suas políticas de cancelamento de reservas, ampliando a elegibilidade ao cancelamento sem taxas.

São atitudes como estas que serão lembradas pelos clientes. O bom atendimento ao consumidor é aquele que cria satisfação a curto prazo e, agora mais do que nunca, é também aquele que desenvolve uma conexão positiva a longo prazo, o que pode ser traduzido em fidelidade à marca.

O que a sua empresa tem feito para garantir que o atendimento ao cliente esteja funcionando e fidelizando consumidores?

Referências:

Forbes – Customer Service in the time of covid-19
How covid-19 is changing the customer experience in retail
AirBnB
Tecnologística – Customer Service em uma nova realidade
Americanas.com

Soluções adotadas pelo varejo de moda para enfrentar a pandemia



Como todos sabem, a pandemia provocada pelo Covid-19 teve um enorme reflexo na economia. A intensidade com que cada setor foi penalizado variou bastante de segmento para segmento, contudo. Enquanto supermercados, farmácias e determinados serviços públicos conseguiram reduzir o prejuízo, setores como aviação, turismo e restaurantes foram enormemente afetados por conta do isolamento social adotado para conter a pandemia. Em se tratando do varejo, o setor mais atingido foi o de varejo de moda (vestuário, calçado e tecidos), conforme indica a última pesquisa mensal do comércio divulgada pelo IBGE, referente ao mês de abril (Figura 1). A crise provocada pelo coronavírus diminuiu a renda de muitas famílias, o que impactou no consumo de itens supérfluos, como é o caso de vestuário e calçados. Além disso, a prática do isolamento social freou ainda mais a compra de roupas, já que o convívio social é um dos aspectos que mais estimulam a moda.

varejo de moda - PMC setorial - ILOS Insights

Figura 1: Volume de vendas do comércio varejista e varejista ampliado. Fonte: IBGE – PMC Setorial – abril/2020

Com as lojas físicas fechadas em grande parte das cidades do Brasil e do mundo, muitas marcas viram no varejo virtual a chance de se manterem vivas no mercado. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), até o começo das ações para conter o coronavírus no País (início da segunda quinzena de março) a média era de 10 mil aberturas de lojas virtuais por mês. O número saltou para 50 mil mensais logo após os decretos de isolamento social, ou seja, um aumento médio de 400% no número de lojas que abriram o comércio eletrônico por mês durante o período da quarentena no Brasil. Em pouco mais de 2 meses de quarentena, foram 107 mil novos estabelecimentos criados na internet. Os setores de calçados e moda estão no Top-6 de segmentos com maior aumento do número de vendas online segundo levantamento da ABComm e da Konduto, com crescimento de 99,44% e 18,38% respectivamente.

Neste mesmo movimento, muitos micros e pequenos negócios aderiram ao marketplace de grandes empresas para conseguir faturar durante a crise e venderem os seus estoques. Uma das principais iniciativas neste sentido veio da Magazine Luiza, que lançou o programa Parceiro Magalu ainda em março, no início do período de quarentena, para atrair esses pequenos comerciantes que ficaram sem cliente por conta do fechamento de suas lojas físicas. Segundo informações da empresa, mais de 20 mil lojistas já se cadastraram no marketplace e passaram a vender mercadorias pela plataforma.

Outra empresa que ampliou o seu marketplace no período foi a B2W, responsável pelas operações da Americanas.com, Submarino e Shoptime. A companhia também criou um hotsite de incentivo ao comércio local, ampliou a oferta de crédito, antecipou repasses de vendas e intensificou o apoio de logística e distribuição, além de treinar e capacitar 2,8 mil vendedores.

Considerando as lojas que já possuíam o seu e-commerce antes do Covid-19, muitas relataram uma grande mudança no portfólio de compra dos consumidores. A adoção do isolamento social fez com que muitos profissionais passassem a trabalhar de casa, o que acarretou na substituição dos trajes geralmente usados: ao invés de roupas sociais e sapatos, roupas confortáveis, como moletons, leggings, pijamas, meias e chinelos.

Com o aumento do número de videoconferências sendo realizadas, um outro fenômeno curioso foi observado: como em geral apenas a parte superior do corpo das pessoas aparece na câmera, muitos trabalhadores se arrumam apenas da cintura para cima. Isto acarretou em um aumento do número de compra de blusas, camisas e casacos em comparação a compra de calças e saias, conforme relatou o vice-presidente do Walmart, Dan Bartlett, durante uma entrevista ao Yahoo! Finance. Esta tendência até foi motivo de brincadeira pela marca de moda masculina Suitsupply em suas redes sociais. Através da publicação da foto de um modelo parcialmente vestido, a marca escreveu em seu Instagram: “Trabalhar em casa não significa comprometer o estilo. Mantenha sua aparência profissional – ao menos da cintura para cima” (Figura 2).

varejo de moda - SuitSupply - ILOS Insights

Figura 2: Propaganda da Suitsupply durante o período da quarentena. Fonte: Instagram da Suitsupply

Essas mudanças no padrão de compras do consumidor e a impossibilidade de se prever isso durante os ciclos prévios de planejamento da demanda tiveram um grande impacto no estoque de muitas empresas, como escreveu a gerente do ILOS Beatris Huber em seu post Efeitos da pandemia no estoque de ciclo. Enquanto determinados itens do portfólio das lojas entraram em falta por conta do aumento inesperado da demanda, outros estão com estoques inflados em razão da queda de consumo. Para atacar este último problema, marcas do varejo de moda como GAP, Calvin Klein, Carter’s e Ralph Lauren disseram que pretendem guardar parte dos seus estoques para as próximas temporadas. Se aproveitando do fato de que o fechamento das lojas físicas impediu que os clientes vissem as atuais coleções do catálogo, essas marcas parecem ter optado por carregar por mais tempo os seus estoques para depois poder vender as suas peças com o preço cheio. Esta estratégia, no entanto, demanda um grande investimento financeiro, já que as empresas de varejo de moda precisarão produzir novas coleções sem ter o dinheiro da venda da coleção antiga, uma vez que esta poderá demorar até 1 ano para ser vendida caso a marca espere a mesma estação do ano para disponibilizar os itens, por exemplo. Além disso, o varejo de moda demandará um espaço físico maior em seus centros de distribuição e lojas para acomodar esse estoque adicional, o que pode acarretar num investimento ainda maior.

Para marcas do segmento de fast fashion, esta estratégia de empacotamento do estoque é mais difícil de ser adotada, já que as tendências da moda têm grande influência em suas coleções, o que faz com que as roupas sofram mais os efeitos da obsolescência. Por conta disso, lojas como Zara e H&M promoveram grandes descontos de preço para conseguir diminuir os seus níveis de estoque e reduzir o encalhe de peças para as próximas estações. Se por um lado essa estratégia reduz os prejuízos no curto prazo, por outro essas marcas podem ter dificuldade para fazer a remarcação dos preços no período pós-pandemia e garantir a adesão dos consumidores ao novo patamar de valores dos itens. Há ainda o risco de reduzir o valor da marca percebido pelo cliente, o que pode trazer grandes consequências no longo prazo.

Após o final da quarentena, as marcas também precisarão trabalhar em suas bases de venda para eliminar os efeitos da pandemia em suas séries históricas e poder utilizá-las novamente para fazer a sua previsão de vendas. Para saber mais sobre isso, consulte o post Como realizar ajustes no planejamento da demanda no pós-pandemia publicado pelo consultor do ILOS Henrique Alvarenga.

Frente a tantos desafios inesperados, este momento exige resiliência e inovação do varejo de moda. Conforme for ocorrendo a flexibilização da quarentena e o fluxo de pessoas nas ruas aumentar, as empresas sobreviventes da crise deverão vivenciar uma situação melhor. No entanto, é difícil imaginar que os antigos hábitos de compra se manterão após a humanidade enfrentar um revés de tamanha proporção. Quem conseguir antever e se adaptar mais rápido a este novo “normal” deverá ter vantagem no mercado.

Referências:

O Estado de S. Paulo – Impacto do coronavírus nos setores
IBGE – Pesquisa mensal do comércio – Abr/2020
IstoÉ Dinheiro – Pandemia do coronavírus faz e-commerce explodir no Brasil
Época Negócios – Com pandemia Brasil registra abertura de mais de uma loja virtual por minuto
Mercado e Consumo – E-commerce do Magalu registra crescimento de 73% no primeiro trimestre
Valor Econômico – Magazine Luíza tem resultado novamente excepcional, diz BB Investimentos
Valor Econômico – Marketplace ganha espaço e muda perfil das entregas
CBS News – Coronavirus: social distancing work from home Walmart tops pants sales
Yahoo Finance – Amid coronavírus, Walmart says its seeing increased sales of tops but not bottoms
Wall Street Journal – Sales are going out of style at these retailers
Instagram SuitSupply

Covid-19 abre espaço para robôs autônomos no Last Mile


Desde o começo da pandemia do coronavírus, temos comentado no ILOS Insights sobre o grande impacto do isolamento nos pedidos por delivery. Antes mesmo desta fase, a demanda pelo last mile já crescia, principalmente pela expansão do e-commerce. Após a chegada do COVID-19, os números explodiram, principalmente os pedidos de entrega de supermercados, farmácias e restaurantes. Este fato sobrecarregou a cadeia de suprimentos e as infraestruturas de entrega existentes, impactando negativamente no tempo de entrega e na qualidade do serviço.

Com este sistema pressionado, a tecnologia aparece como uma possível solução. A Thatiana Nomi comentou em um texto no ILOS Insights recentemente sobre o uso de drones para entregas de itens essenciais em comunidades rurais e hospitais. Quando falamos em centro urbanos e entregas de restaurantes, farmácias, supermercados e e-commerces, os olhos dão atenção também aos robôs autônomos.

robôs autônomos - Startship - ILOS Insights

Robô de entregas da Starship aguarda o sinal de pedestres abrir para atravessar uma rua de Fairfax, na Virginia
Fonte: Starship

O desenvolvimento da tecnologia utilizada nestes “pequenos ajudantes” não é novidade. No entanto, a pandemia está aumentando as vantagens da sua implementação, ao mesmo tempo em que encontra um ambiente mais favorável para os seus testes. Com relação ao primeiro ponto, o que eu quero dizer é: a necessidade de isolamento, a exposição dos entregadores à contaminação e a alta demanda de entregas last mile são barreiras que o uso pontual de robôs autônomos pode nos ajudar, por exemplo, fazendo entregas a idosos, a pessoas contaminadas ou a hospitais de campanha. Já sobre o segundo, a situação atual que temos é de cidades com menos movimento, ruas mais vazias, quantidade menor de pedestres. Este é um cenário que permite implementação com maior segurança desta tecnologia, que ainda está em fase de testes.

Em alguns países, a aplicação de veículos autônomos para entregas já apresenta crescimento. No Arizona (EUA), uma pizzaria está utilizando robôs da empresa Starship Technologies para entregar os seus produtos em um raio de 1km da sua base. Já na China, durante os meses de lockdown, 16 comunidades localizadas no oeste do país receberam seus alimentos perecíveis nas costas de um robô desenvolvido pela startup Unity Drive Innovation (UDI). JD.com e Meituan-Dianping são exemplos de e-commerces chineses os quais utilizaram AVs (Autonomous Vehicles) para atender a demanda em zonas isoladas. Na América do Sul, uma empresa que está realizando testes com esta tecnologia é a Rappi, que começou esta iniciativa em parceria com a KiwiBot na segunda quinzena de abril na cidade de Medellín, a segunda maior da Colômbia.

robôs autônomos - Rappi - ILOS Insights

A Rappi tem feito aproximadamente 120 entregas por dia com 15 robôs na área de pilotagem, em Medellín (Colômbia)
Fonte: Rappi

No Brasil, as menções sobre a utilização de robôs em entregas de last mile são raras. Em outubro de 2019, o iFood anunciou uma parceria com a empresa Synkar, e disse que iniciaria em 2020 testes em ambientes controlados na cidade de São Paulo. No entanto, não há atualizações até o momento sobre a implementação deste projeto. Não só aqui, mas em muitos países, a ampla utilização dos robôs esbarra nas regulamentações. Questões trabalhistas, regras de trânsito e normas jurídicas são impactadas ao colocarmos veículos autônomos na rua. Para aumentar a aplicação desta tecnologia, é preciso pedir aos órgãos reguladores concessões especiais, geralmente um processo moroso. Países como o Brasil, que possuem nível de violência elevado e baixo índice de escolaridade, apresentam também outros obstáculos, como a alta probabilidade de roubos destes veículos autônomos. Ainda, é necessário um planejamento urbano que viabilize a sua locomoção, com calçadas uniformes e rampas para sua passagem. Além de todos os pontos citados, deve ser levado em consideração o alto custo de desenvolvimento e implementação desta tecnologia, o que a torna menos acessível.

Um fato é claro: apesar do ambiente favorável para o aumento de testes com robôs autônomos, a nossa realidade ainda está distante da sua ampla implementação. Os benefícios na contenção da disseminação do vírus são visíveis, assim como os impactos positivos de sua utilização no mercado de entregas em um ambiente pós pandemia, pois a demanda por deliveries não deve diminuir ao patamar pré-covid, considerando que os consumidores estão se apegando aos novos hábitos de consumo que o isolamento nos impôs. Certamente, aqueles países que estão aproveitando este momento para colocar esforços nos testes com veículos autônomos sairão desta pandemia alguns passos à frente na automatização das cidades, um futuro que está longe para os brasileiros.

Compartilhamento logístico no contexto da crise


Certamente, o contexto de crise que estamos vivendo nos últimos meses tem impulsionado a capacidade criativa das empresas para deixarem seu status quo, com a revisão de seus processos, formas de contratação de fornecedores e avaliação de novas formas de atendimento dos seus clientes.

Neste sentido, o compartilhamento logístico, com a utilização de um mesmo recurso por mais de uma empresa para a execução de um serviço logístico, por exemplo veículos ou armazéns, torna-se um meio interessante para enfrentar os novos desafios que a pandemia tem trazido para as cadeias de suprimento.

compartilhamento-logístico---ILOS-Insights Figura: O compartilhamento logísticos pode ser uma solução estratégica em termos econômicos e de nível de serviço oferecido. Fonte: Tumisu por Pixabay

A seguir serão apresentados os benefícios desta solução através dos aspectos econômico e de nível de serviço.

Aspecto econômico

Considerando o cenário de crise econômica que tem se mostrado inevitável no Brasil e no mundo, pelo menos para o ano de 2020, a necessidade de redução de custos, dentre eles os logísticos, se torna cada vez mais evidente e urgente.

Vamos pensar no transporte de distribuição urbana last mile (B2B). Note que aqui não estamos falando do transporte fracionado para atendimento do consumidor final (B2C). Frequentemente, os veículos que realizam a distribuição urbana para um único embarcador operam com grande ociosidade de carga em razão da limitação de tempo disponível para realizarem as entregas e jornada do motorista.

Logo, compartilhar este veículo com outro embarcador que atenda clientes na mesma rota ou que desviem minimamente desta pode ser uma alternativa interessante para otimizar a utilização do veículo contratado, aumentando sua ocupação e, consequentemente, reduzindo os custos de transporte last mile, por meio de seu rateio com outra empresa embarcadora. Até mesmo quando falamos de cargas com diferentes características, como seca e congelada, esta solução pode ser aplicada, utilizando-se, por exemplo, veículos bipartidos.

Expedir as cargas de um mesmo armazém pode ser essencial para que esta operação seja viabilizada, visto que, como já foi comentado, o tempo disponível para realizar as entregas geralmente é o fator limitante da operação e, por isso mesmo, o compartilhamento de carga deve afetá-lo o mínimo possível. Portanto, compartilhar um mesmo armazém com outro embarcador parceiro, além da frota de distribuição, é outra forma de capturar os benefícios da logística compartilhada.

Aspecto de nível de serviço

Agora, deixando de lado o aspecto econômico e entrando na questão do nível de serviço oferecido ao cliente: quando pensamos em regiões ou clientes de um embarcador que atualmente são atendidas com uma frequência baixa de entrega, por exemplo por possuírem baixa demanda e/ou estarem muito distantes das instalações a partir das quais as cargas são expedidas, é possível oferecer um serviço com maior frequência de entrega através do compartilhamento de carga. Afinal, quando mais de um embarcador utiliza o mesmo veículo, o período de consolidação de carga para viabilizar economicamente uma viagem tende a diminuir.

Estrategicamente, melhorar o serviço prestado ao cliente é, sem dúvidas, um bom caminho para fidelizá-lo e até mesmo aumentar o market share da companhia. Em outras palavras, especialmente quando estamos falando do cenário atual, diminuir a incerteza relativa ao abastecimento, aumentar a frequência de entrega e, portanto, prestar um serviço diferenciado no mercado podem se traduzir em um aumento e até mesmo recuperação de uma parcela da demanda perdida pelos efeitos da crise.

Considerações finais

Em nenhum momento foi dito que as soluções aqui propostas são triviais de serem implementadas. Certamente, existem alguns aspectos que podem dificultar e até mesmo inviabilizar o compartilhamento logístico, principalmente quando falamos de empresas com culturas e processos diferentes entre si.

A existência de entraves para a colaboração entre empresas concorrentes, de regras de gerenciamento de risco não consoantes, dificuldades para fazer a gestão compartilhada da frota, conflitos de interesse relativos à qual cliente de qual embarcador tem prioridade no atendimento em situações extraordinárias, como atrasos na operação e eventuais picos de demanda, são algumas questões que devem ser levadas em consideração antes de implementar uma operação compartilhada.

Porém, aproveitemos esse momento de múltiplas dificuldades para darmos uma chance a novas soluções, mesmo que a princípio tragam novos desafios a serem superados. Afinal, estamos falando da possibilidade de resultados promissores não só para agora como também para o novo futuro que aguarda as empresas!