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Uma retrospectiva da década através dos Panoramas do ILOS

Na terça-feira, dia 31/12, chegamos ao fim do ano de 2019 e também da segunda década do século. O acontecimento motivou diversas retrospectivas pela internet, envolvendo vários assuntos, como os principais filmes, jogadores de futebol e as músicas mais tocadas. Atento a essa moda, lembrei-me que o ILOS possui uma vasta coleção de informações e pesquisas sobre diversos temas logísticos, com os nossos relatórios da coleção Panorama, produzidos ao longo de vários anos, desde 2003. Me propus então a folhear alguns dos materiais mais antigos da década passada (com logo diferente, e usando aquele papel reciclado que era onipresente na época…) e comparar algumas das diferenças nas informações com as publicações mais recentes do ILOS.

Relatórios de pesquisa ILOS - Coleção Panorama

Figuras 1 :Panoramas ILOS. Muita informação e insights produzidos nos mais de 40 relatórios publicados na última década. Fonte: ILOS

Sempre um dos assuntos mais alardeados, decidi olhar primeiro o panorama de Custos Logísticos no Brasil, lançado em 2010. Foi um pouco decepcionante. O material da época apontava que em 2008, os custos logísticos no país correspondiam a cerca de 11,6% do PIB. Na última pesquisa apresentada no Fórum de Supply Chain esse valor era de 11,7% em 2018. Seria possível atribuir esse leve aumento às crescentes complexidades que surgiram de 10 anos para cá? Talvez, mas os mesmos dados indicam que nos EUA a proporção caiu de 8,7% para 8,0% no mesmo período. Ficamos mais pra trás. Pudera, quando olhamos as principais conclusões do documento de 2010, percebemos que elas poderiam ser facilmente adaptadas para o período atual: precisamos de uma matriz de transporte mais equilibrada (não mudamos quase nada, como mostram publicações de 2011 e 2019), necessitamos de mais investimentos em infraestrutura, etc. Surgem novos desafios, mas não nos livramos dos fardos passados.

Outro material interessante de revisitar foi o de Planejamento da Demanda e S&OP nas Empresas do Brasil, também de 2010. Analisando-o e realizando comparações com novos estudos, é possível ver alguns avanços, alguns mais significativos, e outros mais tímidos. No início da década, apenas um quinto (21% pra ser exato) dos entrevistados alegava utilizar métodos estatísticos avançados na previsão de vendas, valor que quase dobrou no Benchmarking Logístico entre Grandes Indústrias no Brasil, publicado em 2018 (41%). O percentual de empresas brasileiras entrevistadas que realizavam processos estruturados de S&OP em 2010 era de 62%. Já no material de 2018, esse número passou a de ser 68%, surpreendentemente muito atrás do percentual estadunidense de 2010 (88%).

Evidentemente, também surgiram diversas inovações e novas tendências no mundo logístico desde o início da década passada. Não vemos no relatório de 2010, perguntas ou informações sobre drones, Big Data ou IoT, assuntos que já abordamos diversas vezes em outras publicações, como o já mencionado Panorama Benchmarking de 2018. Nele, percebemos que estas inovações, como esperado, ainda não se disseminaram totalmente nas empresas, mas há sinais muito positivos, como por exemplo, o dado que mostra que em mais da metade dos entrevistados (53%), os processos logísticos e de estoque atendem de forma integrada ao Omnichannel.

Agora, começamos uma nova década, uma nova oportunidade, certamente recheada com resoluções sobre progresso e desenvolvimento nas nossas vidas e nossas empresas. Nós continuaremos orgulhosamente publicando novos estudos e relatórios, aproveitando a virada de ano para estrear um novo formato, cujo tema serão os Desafios e Soluções do Last Mile Urbano.

Ficaremos mais felizes ainda se os materiais exibirem números sempre melhores, que mostrem avanços no cenário logístico do país, e todos nós profissionais dessa área temos nosso papel nessa caminhada. Deixamos nossos votos sinceros para que os próximos 10 anos sejam de muito sucesso e crescimento.

Empresas brasileiras em grau intermediário de desenvolvimento logístico

O nível geral de desenvolvimento logístico encontrado nas empresas brasileiras é de 65%, o que indica que estas estão com um nível intermediário de avanço de sua operação logística. O grau de desenvolvimento varia segundo o setor da economia em que a empresa se encontra e é resultado de uma pesquisa realizada recentemente pelo ILOS, cuja íntegra está no Panorama ILOS “Benchmarking Logístico entre Grandes Indústrias no Brasil”.
Nível de desenvolvimento logístico - blog ILOS

Figura – Nível de desenvolvimento logístico das empresas brasileiras

Fonte – ILOS

O nível de especialização em logística de uma empresa é influenciado por características do segmento no qual ela se encontra. A grande quantidade de SKUs faz com que as empresas dos segmentos Alimentos, Bebidas, Farmacêutico e Higiene, Limpeza e Cosméticos tendem a investir mais em logística, principalmente em atividades como planejamento da demanda, armazenagem e gestão de estoques. A pulverização dos clientes pelo território nacional é outro fator importante, exigindo das empresas desses setores foco também em Transportes.

Por outro lado, as empresas do Agronegócio trabalham com poucos itens, em grandes volumes e com menos pontos de entrega, exigindo operações menos complexas do que as de setores de bens de consumo. Em consequência, as empresas do Agronegócio aparecem no estudo como as que têm muito a Desenvolver em logística. Esse segmento ainda é bastante afetado pela deficiência brasileira em termos de infraestrutura logística, que, por vezes, impede soluções logísticas mais elaboradas, mas que reduziriam os custos logísticos.

Baseado no clássico modelo proposto por Copacino, o modelo utilizado pelo ILOS para identificação do grau de desenvolvimento logístico de uma empresa é dividido em quatro níveis – Estratégico, Estrutural, Funcional e Suporte/Habilitador – que reúnem frentes como Estratégia de Serviço, Rede Logística, Transporte, Armazenagem, dentre outros. Ele se baseia na premissa de que, para alcançar os objetivos da companhia, é necessária uma infraestrutura de rede logística adequada e que garanta o atendimento da estratégia de serviço traçada pelos executivos, ao menor custo possível. Essa estrutura será eficiente com a execução correta de atividades estruturais como armazenagem, transporte e gestão de estoques, com o suporte de habilitadores, como uma estrutura organizacional adequada, por exemplo.