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Desempenho logístico: Brasil sofre com a falta de infraestrutura

Recentemente, foi anunciada mais uma edição do Índice de Desempenho Logístico (LPI), ranking desenvolvido pelo Banco Mundial e que será apresentado no XXIV Fórum Internacional Supply Chain, que acontecerá de 18 a 20 de setembro, em São Paulo. No ranking geral de 2018, a situação do Brasil não foi muito diferente da de 2016 (55º), com o país ocupando a 56ª posição no ranking geral que reúne 160 países.

Ou seja, em dois anos, andamos de lado em relação ao desempenho logístico, certo? Errado. Esses dois anos foram de crise intensa no país, com forte retração da indústria, o que trouxe alívio para a combalida e engargalada infraestrutura de transportes brasileira. Menos carga sobrecarrega menos a infraestrutura, trazendo uma falsa sensação de melhora para operadores logísticos, freight forwarders e afins, como aconteceu de 2014 (65º) para 2016 (55º). Em 2018, nem isso aconteceu, o que mostra que a infraestrutura está ruim mesmo para uma economia estagnada.

Um dos itens que compõem o LPI é justamente a qualidade da infraestrutura dos países. No caso do Brasil, caímos da 47ª posição no ranking de infraestrutura para a 50ª, com mais da metade dos entrevistados reclamando das tarifas praticadas em todos os modais. É importante ressaltar que as entrevistas foram realizadas entre setembro de 2017 e fevereiro de 2018, ou seja, muito antes da bastante criticada tabela de frete rodoviário lançada pelo governo brasileiro no final de maio e que trouxe aumento de custos de transporte para boa parte das empresas nacionais.

O fato é que as empresas brasileiras não têm opção. Problemas como falta de infraestrutura, má qualidade da infraestrutura existente e burocracia acabam levando mais de 60% das empresas a escolherem o modal rodoviário, enfrentando estradas de má qualidade. Além disso, a malha rodoviária nacional é muito aquém das necessidades de um país com dimensões continentais como o Brasil, com densidade de apenas 0,025 km/km2 de área nacional, cerca de 20 vezes menor do que China e Estados Unidos.

Muito mais do que investir em outros modais de transportes, o Brasil precisa verdadeiramente investir em transportes, ou seja, construir  mais rodovias, mais ferrovias, viabilizar suas hidrovias e integrar esses modais aos seus portos e aeroportos, para garantir uma logística eficiente. Além disso, com uma costa tão extensa como a nossa, é importante garantir a competitividade da cabotagem, que permite custos menores, transporte mais limpo ambientalmente e com mais segurança, mas que acaba prejudicada pela burocracia e pela política nacional.

Referências:

Connecting to Compete – Trade Logistics in the Global Economy – 2018

Transporte de cargas e a encruzilhada do Brasil para o futuro

Todos são unânimes em dizer que o Brasil precisa investir em ferrovias, hidrovias e cabotagem para tornar a sua matriz de transporte de cargas mais eficiente. Não há dúvidas, principalmente para o transporte de grandes volumes a longas distâncias, o que traria redução de custos para as indústrias nacionais e ainda diminuiria a emissão de gases poluentes na atmosfera.

Na matriz de transportes apresentada pelo ILOS recentemente no nosso Fórum Internacional de Supply Chain, o Brasil conta, atualmente, com apenas 21% da produção passando pelas ferrovias nacionais, enquanto o transporte aquaviário movimenta em torno de 13% das cargas. Em contrapartida, na China, mais de 50% da produção é escoada pelo modal aquaviário e, nos Estados Unidos, 30% das cargas passam pela ferrovia. Ou seja, muito trabalho, e investimento, ainda precisa ser realizado no Brasil para melhorar a competitividade dos nossos produtos no mercado internacional.

matriz de transporte de cargas - 2016 - blog Fórum ILOS

Figura 1 – Matriz de transporte de cargas do Brasil, em 2016

Fonte: ILOS

O que os mais afoitos acabam esquecendo é que tão importante quanto investir nos modais alternativos é investir também em rodovias. Ainda que não devam escoar mais de 60% da produção nacional como acontece atualmente, as rodovias são parte fundamental da malha logística de qualquer país, pois ampliam a sua capilaridade e permitem que os produtos cheguem às portas das casas e das empresas.

Entretanto, no Brasil, a infraestrutura dessa parte fundamental da malha logística continua também bastante precária, principalmente quando nos comparamos com outras potências econômicas. Enquanto o Brasil possui quase 25 km de rodovias pavimentadas por 1.000 km2 de área territorial, os Estados Unidos possuem 438 km e a China, 360 km.

Além da baixa densidade, o Brasil sofre também com a má qualidade dessa malha rodoviária asfaltada. Em pesquisa apresentada no início de novembro, a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) trouxe que 28,2% das rodovias nacionais são ruins ou péssimas e 33,6% são apenas regulares, considerando-se questões como pavimento, sinalização e geometria das vias.

Ou seja, atualmente, mais de 60% da produção nacional é escoada, em grande parte, por rodovias inadequadas, condição que já havia sido sinalizada pela própria CNT em outro estudo recente sobre transporte de cargas. Em consequência, as empresas veem seus custos crescerem ainda mais com o aumento da manutenção da frota, maior gasto com combustível, redução da produtividade dos veículos, além das perdas ocasionadas por acidentes.

Não à toa, o Brasil ocupa a posição 103 no quesito qualidade da infraestrutura rodoviária, no ranking organizado pelo Fórum Econômico Mundial, que reúne 137 países analisados. Na pesquisa, o Brasil recebeu nota 3,1, em uma escala que varia entre 1 (estrutura extremamente subdesenvolvida) e 7 (estrutura extensa e eficiente), enquanto o Chile lidera na América do Sul, com nota 5,2 (24ª posição no ranking geral). A matriz inadequada e a má qualidade das rodovias brasileiras também explicam, em parte, a má colocação do Brasil no ranking de Comércio Internacional organizado pelo Banco Mundial e comentado por mim no último post.

Para sair dessa encruzilhada que afeta o seu futuro, o Brasil não deve apenas investir em infraestrutura de transportes, mas sim, investir em transportes de forma planejada e objetiva, analisando as necessidades do País como um todo e não de um modal específico. O transporte deve ser pensado de forma integrada para garantir que os seus usuários usufruam de todos os benefícios que cada modal pode gerar.

Referências

Fórum Econômico Mundial – The Global Competitiveness Report – 2017/2018

Pesquisa CNT de Rodovias – 2017

Comércio internacional do Brasil atrás em ranking de negócios

O Banco Mundial lançou essa semana a edição 2018 da pesquisa Doing Business, que avalia o ambiente de negócios nos diversos países. Nele os países são avaliados em diferentes tópicos e, para nós, envolvidos com logística, o mais importante deles é o tópico de Comércio Internacional. Apesar da pequena melhora na pontuação em Comércio Internacional, o Brasil ocupa a posição de 139 no ranking que reúne 190 países.

comércio internacional - portos de Santos - blog ILOS

Figura 1 – Imagem do porto de Santos

Fonte: Divulgação

Mesmo no cenário da América Latina, a situação brasileira não é das melhores. Apesar de ser uma das maiores economias da região, o País está abaixo da média latino-americana na facilidade das trocas comerciais. A América Latina é liderada pelo México, o qual ocupa a 63ª posição do ranking de Comércio Internacional, seguido pelo Chile, na 68ª colocação.

Na análise da facilidade nas trocas comerciais, o Banco Mundial avalia tanto a burocracia no processo de importação e exportação quanto os custos envolvidos nessas transações. Assim, são analisados o tempo de desembaraço dos produtos, o tempo de deslocamento da carga em território nacional entre o ponto de armazenagem e o ponto de exportação/importação, o número de documentos necessários e os custos envolvidos em todos os processos.

Em comparação às economias desenvolvidas, o tempo de levantamento dos documentos de importação no Brasil ainda é muito alto, cerca de dois dias, comparado com boa parte dos países da Europa, onde se leva poucas horas para resolver o problema. Os custos no Brasil também são muito elevados, sendo necessários quase US$ 1 mil para o desembaraço de um contêiner importado no País desde a sua chegada no porto, incluindo os trâmites nas diversas agências envolvidas, contra menos de US$200 nos Estados Unidos, por exemplo.

Logicamente, a posição do Brasil continua preocupante. E o cenário fica ainda mais sombrio diante das notícias recentes de queda nos investimentos públicos ao menor patamar em 15 anos. Carente de infraestrutura de transportes, o Brasil vê obras sendo paradas por falta de recursos públicos e também privados, com empresas devolvendo concessões por dificuldade em realizar os investimentos previstos, seja por conta da crise financeira, seja por estarem envolvidas em escândalos de corrupção.

No meio das nuvens negras, porém, existe algum raio de sol, mesmo que visto de longe. A digitalização da documentação de importação e exportação e a criação de um canal único de envio para as empresas já levaram a redução na burocracia, com as empresas fazendo apenas um envio e enviando os documentos para todas as agências envolvidas no processo. Entretanto, como se pode ver, isso ainda é pouco para o que precisamos fazer para melhorar o processo de exportação e importação no Brasil.

Logística do Brasil é pouco competitiva no comércio internacional

Mais uma vez o Jornal Valor Econômico publicou a Revista Valor Setorial Logística. Este ano o foco principal foram os entraves para as exportações brasileiras.

O ILOS comentou nesta revista sobre os problemas logísticos do comércio exterior brasileiro, problemas esses que envolvem desde as dificuldades com o transporte doméstico até os custos das mercadorias paradas em processos burocráticos.

A pesquisa Doing Business encomendada pelo Banco Mundial mostra que o Brasil é o 149º país no ranking de trocas comerciais no mundo, ranking que leva em consideração o tempo e o custo logístico para exportar.

Com os volumes de exportações e importações brasileiras em baixa, a infraestrutura de escoamento do Brasil parece menos engargalada, o que poderia gerar uma percepção de “melhora” temporária nos serviços logísticos do país. Entretanto, mesmo com essa redução de volumes movimentados, o Brasil não superou os países da América do Sul nem os países dos Brics no ranking do Banco Mundial.

Ranking de Trocas Comerciais entre Fronteiras 2017

– Banco Mundial – Doing Business –

Fonte: Doing Business – Banco Mundial 2017; Análises ILOS
* O ranking leva em consideração o tempo e o custo para exportar o principal produto de exportação de um país, saindo da sua principal cidade e percorrendo a principal rota.

 

Recomendo a leitura da Revista Valor Setorial Logística de março/2017. As matérias são essenciais para quem trabalha com o tema.

 

Referências:

http://www.doingbusiness.org/Rankings

http://www.valor.com.br/especiais (apenas para assinantes)

https://www.ilos.com.br/web/analise-de-mercado/relatorios-de-pesquisa/custos-logisticos-no-brasil/

 

Brasil sobe em ranking de logística

País aparece na 55ª posição entre 160 países e à frente de outros sul-americanos

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Logística do Brasil segundo recente estudo do Banco Mundial

O Banco Mundial divulgou esta semana os resultados da pesquisa bienal LPI – Logistics Performance Index, a qual compara o desempenho logístico de 160 países no Comércio Internacional. O objetivo central desta pesquisa é subsidiar ações governamentais, visando o desenvolvimento da logística como facilitador do comércio entre as nações.

Os resultados do LPI recentes indicam que o Brasil evoluiu da 65ª em 2014 para a 55ª posição em 2016, no ranking dos países pesquisados. Esta evolução pode ser, pelo menos, em parte explicada pela queda da movimentação de cargas de importação no período, devido à forte desvalorização do Real. No entanto, deve-se ter parcimônia na análise desses resultados, pois a avaliação é feita com base na percepção de, principalmente, Freight Forwarders, o que permite afirmar que a mensuração não apresenta um alto nível de precisão intrínseca.

Mais sensato seria, então, comparar a posição relativa do nível de desempenho considerando os quartis do ranking entre as diversas edições da pesquisa. Nesse sentido, observa-se na Figura 1 abaixo que a performance logística do Brasil tem flutuado pouco acima da média da faixa do segundo quartil (entre 40ª e 80ª posições), ao longo de todas as edições do LPI entre 2007 e 2016. Isto caracteriza que a performance do Brasil tem estado acima da média mundial e muito abaixo daqueles países no topo do ranking do LPI. A tendência visual observada na Figura 1 é de piora, mas inconclusiva devido à curta série histórica, com alta dispersão dos dados.

Ranking LPI - blog ILOS

Figura 1 – Ranking LPI de 160 países

Fonte: Banco Mundial

Ao avaliarmos a dimensão do LPI relativa à Infraestrutura Logística, a situação do país aparentemente melhorou de 54ª em 2014 para a 47ª posição em 2016, o que também poderia ser explicado pela redução de movimentação de cargas no período, citada anteriormente. Neste quesito, a exceção de 2010, a Figura 2 indica que o Brasil também apresenta um desempenho consistente dentro da faixa do 2º quartil do ranking (entre 40ª e 80ª posições). Estes resultados demonstram que a Infraestrutura Logística do Brasil está acima da média mundial, no período das pesquisas, mas muito aquém dos países no topo deste ranking. A tendência visual observada é de piora, mas inconclusiva devido à curta série histórica, com alta dispersão dos dados.

Ranking infraestrutura LPI - blog ILOS

Figura 2 – Ranking infraestrutura de 160 países

Fonte: Banco Mundial

É interessante verificar na Figura 3 que, em grande medida, os países mais bem avaliados tendem a se manter no topo do ranking. Por outro lado, a comparar o desempenho dos países do Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul), o Brasil disputa colocação com a Índia, sendo a Rússia consistentemente a última deste ranking.

Figura 3 – Evolutivo do Índice de Desempenho Logístico

Fonte: Banco Mundial

Esta pesquisa fará parte da programação da Vertical “Infraestrutura Logística no Brasil” durante o nosso XXII Fórum Internacional de Supply Chain, que será apresentada por economista sênior do Banco Mundial, e a análise de seus resultados será debatida por especialistas do setor. Este é um momento único para se discutir os desafios e oportunidades relativas à realidade brasileira vis-à-vis ao contexto global.

Referência bibliográfica

http://lpi.worldbank.org/

Brasil tem maior queda entre Brics

País perde cinco posições em lista do Banco Mundial. Burocracia é um dos principais entraves

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