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Amazon expande o Counter, serviço para buscar mercadorias em lojas do varejo tradicional

Em junho de 2019, a Amazon lançou nos EUA o Amazon Hub Counter, serviço que permite que consumidores busquem suas compras, sem custo adicional, em lojas físicas de varejistas parceiros. Funciona de forma simples: no final do processo de compra, o cliente seleciona o local de pick-up desejado, de acordo com o CEP inserido. Quando o pedido chega no local, o consumidor recebe um e-mail contendo um código de barra único (que deve ser apresentado ao funcionário da loja para buscar as compras), bem como as informações do estabelecimento em questão (endereço e horário de funcionamento). O cliente tem até 14 dias corridos para buscar as mercadorias.

O Counter é mais um dos diversos serviços oferecidos pela Amazon para tornar as entregas mais convenientes para o consumidor. O Amazon Locker foi lançado em 2011 e hoje está presente em 900 cidades dos EUA, com cerca de 10.000 lockers. Até o fim de 2020, serão avaliados 1.000 novos locais por mês, com pretensão de praticamente dobrar esse número. Outro serviço foi anunciado no fim de 2017, o Amazon Key, que permite que entregadores deixem os pedidos dentro de sua casa ou de seu carro.

Inicialmente, o Amazon Counter estava disponível em cerca de 100 localizações da Rite Aid, grande rede de drogarias norte-americana que conta com 2.500 lojas. Porém, o plano é a expansão do programa para 1.500 lojas até o fim de 2019. Para alcançar esse objetivo, foram anunciados no fim de outubro mais 3 parceiros: GNC (varejista de produtos de saúde e bem-estar como vitaminas e suplementos, que conta com uma rede de 4.000 lojas), Health Mart (rede de farmácias, com 5.000 estabelecimentos), e Stage Stores (rede de lojas de departamento, com 600 lojas).

Apesar da Amazon ser um dos grandes motivos pelos quais o varejo tradicional tem sofrido tanto nos últimos anos, há indícios de que pontos de pick-up podem aumentar o tráfego nas lojas e impactar vendas. Em 2017, a Kohl’s, rede de lojas de departamento, começou a receber pacotes da Amazon para devolução em 82 lojas em Chicago e Los Angeles. Em abril de 2019, a parceria foi expandida para todas as 1.150 lojas do varejista. O motivo? Pesquisas indicaram que, em 2018, enquanto uma loja média da Kohl’s apresentou crescimento de receita de 2%, para lojas em Chicago esse número foi de 8%. Lojas em Chicago também apresentaram percentual maior de novos clientes (clientes que não fizeram compras no ano anterior) em relação às demais lojas.

Outro ponto que chama atenção são as empresas parceiras do programa Counter: Rite Aid, GNC e Health Mart. Muitos acreditam que em breve a Amazon estará atuando fortemente na indústria de saúde/farmacêuticos. Em 2018, comprou a PillPack (startup que coordena, agenda entregas e entrega remédios em casa de acordo com as receitas médicas dos pacientes), e formou uma joint venture (Haven) com a Berkshire Hathaway e JPMorgan Chase, com o objetivo de inovar o sistema de saúde dos EUA. Em 2019 a Amazon também lançou o Amazon Care, clínica para funcionários da empresa em Seattle. Assim, estabelecer parceiras com grandes varejistas farmacêuticos parece ser mais um passo nessa direção.

 

Referências:

TechCrunch – Amazon launches Counter in-store pick-up in the US, starting with 100 Rite Aid locations. https://techcrunch.com/2019/06/27/amazon-launches-counter-in-store-pick-up-in-the-us-starting-with-100-rite-aid-locations/

TechCrunch – Amazon expands its in-store pickup service, Counter, to thousands more stores. https://techcrunch.com/2019/10/23/amazon-expands-its-in-store-pickup-service-counter-to-thousands-more-stores/

CNET – Amazon wants to double its Locker program over the next year. https://www.cnet.com/news/amazon-wants-to-double-its-locker-program-over-the-next-year/

Chain Store Age – Study: Are Amazon returns boosting Kohl’s store performance? https://chainstoreage.com/technology/study-are-amazon-returns-boosting-kohls-store-performance

The Motley Fool – Amazon Takes Another Big Step Toward Getting Into Healthcare. https://www.fool.com/investing/2019/09/25/its-official-amazon-has-getting-into-healthcare.aspx

 

 

A nova tendência de armazéns da Amazon

No ano passado, escrevi como algumas empresas estavam usando Centros de Destruição Urbanos (CDUs) como uma alternativa para reduzir os tempos de entrega do e-commerce para os clientes. Seguindo a sua veia pioneira, a Amazon foi uma das primeiras empresas a adotar esta estratégia, abrindo pequenos CDs em grandes centros urbanos, como Manhattan (Noya York).

Reforçando esta tendência, a Amazon foi notícia novamente na semana passada por confirmar o aluguel de um novo armazém de três andares no sul de Seattle. Embora esse tipo de instalação já seja usada na Ásia e na Europa, o CD de Seattle é o primeiro de múltiplos andares e acesso por rampas pelos caminhões a abrir nos Estados Unidos. Sob um acordo com a Prologis, desenvolvera e proprietária da instalação, a Amazon ocupará cerca de 50.000 m² da instalação, enquanto a Home Depot ocupará pouco menos de 10.000 m².

Figura 1 – Novo armazém de três andares da Amazon em Seattle

Fonte: The Seattle Times

 

Neste ano, a Amazon anunciou que iria reduzir para apenas 1 dia o tempo de entrega padrão para os clientes assinantes do seu plano Prime nos Estados Unidos, além da possibilidade de entrega em até 2 horas de uma extensa lista de itens para os assinantes de grandes centros. Para isso ser possível, a empresa foi atrás de Centros de Distribuição pertos dos grandes conglomerados urbanos, como é o caso desta nova instalação em Seattle.

Com pelo menos três armazéns de vários andares planejados para a cidade de Nova York, o design pode ganhar força à medida que as empresas tentam equilibrar os custos imobiliários com a proximidade dos clientes. Este parece ser um passo em direção a um novo modelo para os centros de distribuição nos EUA, que podem reduzir o tempo de entrega nas cidades congestionadas.

Encontrar espaços apropriados para a instalação de Centros de Distribuição em grandes centros urbanos é cada vez mais difícil. Assim, além desta nova alternativa de utilização de armazéns de múltiplos andares, a Amazon também está investindo em Centros de Distribuição construídos em áreas ocupadas anteriormente por shopping centers. No estado de Ohio, por exemplo, a empresa tem o projeto de instalação de CDs nos locais onde antes estavam os shoppings Randall Park Mall e Euclid Ssquare Mall.

Os shopping centers estão em franca decadência nos Estados Unidos. Segundo um relatório recente do banco Credit Suisse, de a 20% a 25% dos shoppings americanos devem fechar no espaço de 5 anos. Se confirmado, isso significaria o fechamento de 240 a 300 dos cerca de 1.200 shoppings existentes hoje no país. Um dos principais motivos para este movimento é justamente a concorrência do mercado eletrônico, cada vez mais vantajoso em preço, agilidade e oferta de produtos.

Diante de tantos estabelecimentos fechados nos últimos anos, algumas empresas têm investido nesses espaços para a instalação de CDs. A CBRE, consultoria internacional na área de locação e gestão de imóveis, contabilizou cerca 24 projetos de transformação de espaços antes destinado ao varejo em instalações industriais no período de 2016 à 2019, o que significa a transformação de mais de setecentos mil m² de espaço de varejo em mais de um milhão de m² de espaço industrial.

Figura 2 – Cidades dos Estados Unidos com projetos de transformação de locais de varejo em locais industriais desde 2016

Fonte: CBRE Research, CBRE Econometric Advisors, CBRE Business Analyst (ESRI), 2019

 

Dentre os principais motivos para o aproveitamento destes espaços ociosos para esse fim, pode-se listar:

  • Tratam-se de locais com muito espaço disponível, em dimensões compatíveis com o que é necessário pelas grandes empresas de e-commerce para a instalação de centros de distribuição;
  • Os shoppings em geral estão localizados perto de grandes conglomerados urbanos, que são o foco do aumento de nível de serviço buscado pelo varejo virtual recentemente;
  • Proximidade das instalações a grandes vias de acesso da cidade e disponibilidade de linhas de transporte público próximas, o que facilita a chegada dos funcionários;
  • Infraestrutura de água, esgoto e gás já pronta.

Restrições de circulação de veículos pesados e de zoneamento urbano e o custo mais alto destes terrenos localizados dentro das grandes cidades podem ser uma dificuldade inicial para esta transformação de espaço de varejo em espaço industrial. Contudo, o maior crescimento do e-commerce em comparação ao varejo físico tende a fazer com que este movimento se perpetue.

Estas são algumas iniciativas que vem sendo adotadas pelas empresas de varejo para atacar o desafio do last mile. Esse e outros assuntos serão discutidos na track temática “Execução de Estratégias de Omnichannel”, dentro do XXV Fórum Internacional Supply Chain, a ser realizado entre os dias 23 e 25 de setembro de 2019 em São Paulo. O head de transportes da Amazon no Brasil, Marcio Neves, participará inclusive da mesa redonda “Os Desafios dos Novos Modelos de Distribuição e os Impactos do Omnichannel e dos MarketPlaces para o Last Mile”, juntamente com outros profissionais especialistas no assunto. Se este também é um desafio para a sua empresa, vale a pena conferir o que as outras companhias estão fazendo no Brasil e no mundo para tornar a sua operação mais eficiente e melhorar o nível de serviço oferecido para o cliente.

 

Referências

<https://www.wsj.com/articles/amazons-new-multistory-warehouse-aims-to-cut-delivery-times-11568113201?mod=djemlogistics_h>

<https://www.seattletimes.com/business/amazon/amazon-leases-new-multi-story-warehouse-in-south-seattle-first-of-its-kind-in-u-s/>

<https://exame.abril.com.br/economia/um-quarto-dos-shoppings-americanos-fechara-ate-2022-preve-banco/>

<https://www.cbre.us/research-and-reports/trading-places-retail-properties-converted-to-industrial-use>

O uso de “Big Data” no Supply Chain como forma de obter vantagem competitiva

O termo “Big Data” é novo, sendo articulado pela primeira vez no início dos anos 2000 pelo analista industrial Doug Laney, quando foi introduzido o conceito dos 3Vs – volume, velocidade, variedade. “Volume” refere-se à alta quantidade de dados coletada atualmente pelas empresas. Já “Velocidade” está relacionada com a rapidez com que os dados fluem e devem ser tratados. Por fim, “Variedade” está inclusa por conta dos diversos formatos disponíveis para dados, oriundos das mais diferentes fontes. Assim, “Big Data” é um termo que descreve a grande quantidade de informações que circunda uma empresa no dia-a-dia.  O crescimento da possibilidade de armazenamento na nuvem facilitou a manipulação de tais informações, permitindo assim a criação de novos e mais complexos tipos de análises.

O uso de “Big Data” providencia insights nas mais variadas áreas de uma empresa. Trago um exemplo, do ramo automotivo: a partir do monitoramento dos comandos utilizados por motoristas em veículos, é possível entender o comportamento dos usuários e as reações do automóvel, possibilitando o desenvolvimento de melhorias. Caso a empresa esteja presente em redes sociais e possua website, adquire-se conhecimento sobre qual é o perfil dos clientes interessados na marca, quais são os componentes com maior aceitação e quais as demandas do público alvo. Com relação a parte operacional da empresa, é possível utilizar sensores a fim de rastrear a performance de máquinas, otimizar as rotinas de fabricação e, até mesmo, monitorar a saúde e o stress dos funcionários.

Na logística, por meio de análises de amostras de dados grandes e complexas, as diversas peças do Supply Chain são arquitetadas, entregando uma visão abrangente do negócio, evidenciando os gargalos da operação e possibilitando o uso destes dados na obtenção de melhores resultados. Entre os pontos de ataque do “Big Data”, um dos principais é a questão da otimização de rotas. De forma dinâmica e em tempo real, “Big Data” consegue gerar rotas inteligentes que levem em consideração o histórico de envios, o trânsito e as condições meteorológicas, a existência de feriados ou eventos especiais, a probabilidade de o cliente estar disponível para recebimento, entre outros. Desta maneira, leva a questão de aperfeiçoamento de trajetos a outro patamar, reduzindo o consumo de combustível e a emissão de CO2, diminuindo o tempo despedido nas viagens além do número de veículos utilizados, impactando nos custos variáveis de transporte, assim como nos custos com mão de obra. Sem falar na melhora no nível de serviço entregue ao cliente, que recebe sua compra com mais rapidez.

Uma aplicação mais ousada da análise de grande quantidade de dados é a de entrega antecipada, patenteada em 2014 pela Amazon. A partir do estudo de dados que relatam o comportamento de compras dos consumidores é possível prever uma demanda antes que ela ocorra e levar produtos para a ponta da cadeia logística, de forma a reduzir o tempo de entrega caso o pedido venha a acontecer. Padrões de compra, preferências expressas de forma explícita em pesquisas ou questionários, informações demográficas, hábitos de pesquisa, listas de desejos são algumas das fontes de dados para que esta estratégia possa ser implementada.

Fica claro, assim, que a disponibilidade, a análise e a interpretação de dados se tornam um ativo importantíssimo na melhora de uma companhia. As aplicações de “Big Data” numa empresa são muitas, inclusive nas diversas áreas do Supply Chain, seja na comunicação entre os elos da cadeia, na previsão de demanda, no transporte, no gerenciamento de estoques, na segmentação de clientes, ou em qualquer outra. Como resultado, a cadeia logística transforma-se, tornando-se mais transparente, além de mais automatizada, otimizada e com ineficiências e riscos reduzidos, melhorando o nível de serviço entregue aos clientes e reduzindo custos. Os insights provenientes destas análises, somados aos não relacionados à operação logística de uma empresa, são responsáveis por ajudar na tomada de decisões estratégicas e permitir a visualização de novas oportunidades de negócio, dando às empresas vantagens competitivas.

 

Fontes:

How Big Data & Analytics Are Changing The Logistics Sector -> https://datafloq.com/read/big-data-analytics-changing-logistics-industry/4593
Big Data: Challenges and Opportunities in Logistics Systems -> https://www.researchgate.net/publication/321385181_BIG_DATA_CHALLENGES_AND_OPPORTUNITIES_IN_LOGISTICS_SYSTEMS
Whats is the impact of Big Data in the Transportation & Supply Chain Industries? 11 possibilities with Big Data -> https://cerasis.com/big-data-in-the-transportation/
The impacto of big data on route planning -> https://www.amcsrouting.com/newsroom/blog/the-impact-of-big-data-on-route-planning/
7 ways Amazon uses Big Data to Stalk You -> https://www.investopedia.com/articles/insights/090716/7-ways-amazon-uses-big-data-stalk-you-amzn.asp

Amazon Patents “Anticipatory” Shipping — To Start Sending Stuff Before You’ve Bought It ‘https://techcrunch.com/2014/01/18/amazon-pre-ships/

 

Lockers: a aposta do varejo para agilizar entregas

No post anterior (Social pick up point: uma nova modalidade de entrega do e-commerce), mostramos como o crescimento do e-commerce tem incentivado empresas que atuam no last mile a inovar para alcançar seus consumidores. Isso ocorre porque, no mundo do omnichannel, o consumo aumenta e, consequentemente, cresce a quantidade de pedidos para delivery em casa, desafiando a eficiência e a sustentabilidade do sistema urbano de entregas. As novas possibilidades visam minimizar os problemas vivenciados pela operação como:

  • reentregas por conta da ausência de pessoas para receber encomendas, o que gera custos adicionais;
  • clientes desencorajados a comprar online pelo fato de residirem em áreas onde não são realizadas entregas;
  • insatisfação do consumidor quando seu pedido atrasa.

Uma alternativa já presente em diversos locais no mundo e que já começou a caminhar no Brasil é o modelo de entregas por meio de lockers. Os lockers são nada mais do que armários de tamanhos variados e segurados com senhas, onde as encomendas são depositadas e aguardam até que seu comprador compareça para retirar. Aliás, os lockers também podem funcionar como pontos de devolução de mercadorias.

Nos Estados Unidos, esse modelo ganhou força com a gigante Amazon disponibilizando mais de 2.800 estações espalhadas em grandes áreas metropolitanas de todo o país. Uma das principais propagandas do modelo implantado pela Amazon é a localização estratégica dos lockers em estabelecimentos como supermercados e lojas de conveniência – “Locais que você já frequenta”, segundo o site da empresa.

O funcionamento é simples:

  1. Antes de finalizar sua compra no site da Amazon, o consumidor escolhe em qual estação deseja retirar seu pedido
  2. Assim que o pacote é entregue, o cliente recebe um alerta e uma senha que libera sua encomenda
  3. O consumidor tem três dias para se dirigir ao locker e retirar sua compra. Caso não compareça, a encomenda é devolvida e o valor da compra é reembolsado

Figuras 1 e 2 – Locker da Amazon/Localização dos lockers na região de Manhattan – NY
Fonte: www.amazon.com/lockers

 

O modelo de retirada em lockers oferece ao consumidor vantagens que giram em torno da comodidade de escolher a localização mais conveniente, seja perto de sua residência ou de seu local de trabalho, e da flexibilidade de poder retirar sua compra ou devolver produtos em qualquer horário, uma vez que as estações podem funcionar 24h por dia. Além disso, o locker se torna uma opção para os consumidores que residem em áreas de difícil acesso e que antes não eram incentivados a comprar online.

Para o entregador, a alternativa apresenta vantagem econômica, pois as entregas passam a ser consolidadas e não mais diluídas em endereços individuais e os casos de entregas não efetivadas reduzem consideravelmente. O modelo também oferece ao entregador a oportunidade de preencher o locker no período noturno, quando o trânsito é menos intenso.

No Brasil, a modalidade de entrega por meio de lockers começou a dar seus primeiros passos no início de 2018, quando a Via Varejo deu início a um projeto piloto com quatro estações em São Paulo para os clientes das marcas Pontofrio, Casas Bahia e Extra. Ao final do ano, o novo serviço já estava presente também na cidade do Rio de Janeiro, nos bairros de São Cristóvão, Jacarepaguá, Jardim Botânico, Botafogo e Barra da Tijuca, totalizando seis pontos de retirada. A varejista operou em parceria com a rede Ipiranga, possibilitando que os lockers fossem instalados em postos de combustível com funcionamento 24h.

Outro importante nome que decidiu tirar proveito da versatilidade desse modelo de entrega é a iFood. Em abril de 2019, a plataforma de delivery inaugurou o iFood Box em edifícios de grande concentração de pessoas da capital paulista. Os boxes possuem proteção térmica para manter a temperatura do alimento e funcionam do mesmo modo que o locker da Amazon: o cliente recebe uma notificação que seu pedido foi entregue e se dirige à estação com o código de retirada.

Essa foi a saída encontrada pela empresa para atender locais com alto volume de pedidos em um curto período, como acontece em prédios comerciais no horário de almoço. A solução é benéfica não somente para o entregador e o cliente, mas também para o restaurante: ao criar uma cadeia mais eficiente, a experiência do consumidor é mais satisfatória e ele irá avaliar o estabelecimento positivamente. Para o futuro, a empresa planeja que seus lockers também estejam presentes dentro de restaurantes que fazem uso da plataforma, viabilizando o atendimento aos clientes pelo sistema de take away.

Figura 3 – iFood Box instalado em edifício comercial
Fonte: https://vejasp.abril.com.br/comida-bebida/ifood-box/

 

Para a implementação desse sistema no Brasil, alguns pontos merecem atenção: o investimento no sistema é alto, não só de instalação dos armários como de aluguel dos pontos de retirada; é possível que a capacidade dos lockers seja insuficiente com o aumento da demanda, o que geraria insatisfação dos consumidores; o tamanho dos armários é limitado, inviabilizando a entrega de produtos volumosos; existe o risco de arrombamento dos lockers, o que dificulta sua implantação em locais com pouca segurança; a adoção desse modelo exige um período de adaptação dos clientes brasileiros.

As vantagens parecem muitas e prometem transformar o cenário de entregas de mercadorias no Brasil, que é marcado pelos atrasos e pela insatisfação do cliente. Com o passar do tempo, é esperado que essa alternativa também atraia outros setores, como farmácias, joalherias, lavanderias, lojas de cosméticos e moda em geral.

O que você, como consumidor, pensa sobre buscar suas encomendas nos lockers?

Fontes:

https://www.amazon.com/primeinsider/tips/amazon-locker-qa.html

https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2018/01/varejo-brasileiro-comeca-usar-lockers-de-olho-em-seguranca-e-economia-no-frete.html

https://www.mundodomarketing.com.br/lancamentos/883/via-varejo-lockers-chegam-ao-rj.htmlhttps://vejasp.abril.com.br/comida-bebida/ifood-box/

https://www.mandae.com.br/blog/locker-pick-up-store-e-pick-up-point-o-que-sao-e-como-mudam-a-logistica/https://startupi.com.br/2019/04/ifood-cria-box-para-armazenamento-de-comida-para-facilitar-a-entrega/

 

Entrega grátis em até 1 dia? A nova meta de serviço da Amazon Prime

A Amazon anunciou no fim do primeiro trimestre de 2019 que pretende melhorar o nível de serviço de entregas Prime para 1 dia. Membros da Amazon Prime hoje pagam 119 dólares ao ano para receber entregas grátis em até 2 dias, além de possuírem acesso a outros serviços (música, catálogo de vídeos e ofertas exclusivas). A empresa já oferecia entregas em 1 dia ou até no mesmo dia para alguns itens, porém apenas para pedidos de no mínimo de 35 dólares. A fim de concretizar a transição, Brian Olsavsky, CFO da empresa, anunciou que serão investidos 800 milhões de dólares apenas no segundo trimestre de 2019.

Nos últimos 4 anos, a Amazon praticamente triplicou sua infraestrutura logística. Hoje, possui cerca de 400 instalações ativas, entre centros de fulfillment, hubs, sortation centers e delivery stations. Cada tipo de instalação cumpre um papel diferente na rede, totalizando cerca de 13 milhões de m². Segundo a RBC Capital Markets, a rede logística atual da empresa já permite alcançar 72% da população dos EUA em até 1 dia.

Figura 1 – Rede logística da Amazon Junho/2019. Adaptado de MWPVL

 

A empresa reportou que não serão necessárias muitas mudanças na operação dos fulfillment centers, mas sim nas operações de transporte: nas transferências e no last-mile. Uma das mudanças está ligada à expansão da frota Amazon Flex (programa de entrega last-mile lançado pela empresa em 2015, que contrata motoristas interessados em realizar entregas para a Amazon, como se fosse um Uber para entrega de pacotes da empresa).
O plano será executado de forma gradual, mas a intenção é que os cerca de 100 milhões de produtos hoje disponíveis para entrega até 2 dias possam ser entregues dentro de 1 dia. Dessa forma, além de mudanças nas operações de transporte, será necessária uma maior descentralização do estoque na cadeia: os sellers (vendedores independentes) representaram cerca de 58% das vendas da Amazon em 2018 (os outros 42% foram vendas diretas da Amazon).

Para conseguir dispor o estoque na rede, a empresa começou a oferecer descontos de até 75% nas tarifas de armazenagem para os sellers. A promoção começou em Junho desse ano (2019) e vai até Janeiro de 2020. Para participar, sellers precisam ter vendido no mínimo 60 unidades de um produto por mês, ou ter um portfólio selecionado especificamente pela Amazon. Os sellers devem manter de 4 a 8 semanas de estoque na rede da empresa. No dia 3 de junho, a Amazon anunciou que já havia cerca de 10 milhões de itens disponíveis para entrega em 1 dia.
Apenas alguns dias depois, o Walmart anunciou seu próprio programa de entregas gratuitas em 1 dia, que começará nas cidades de Phoenix e Las Vegas no dia 14 de maio de 2019, para compras a partir de 35 dólares. O programa abrange um catálogo de 220 mil itens, e não possui nenhuma taxa/anuidade. O objetivo da empresa é atingir 75% da população dos EUA até o final de 2019. Diferentemente da Amazon, o Walmart conta com uma rede pulverizada de milhares de lojas físicas.

O ILOS realizará a Missão Internacional de Logística Estados Unidos (https://www.ilos.com.br/web/missoes-internacionais-de-logistica/) de 21 a 26 de Julho de 2019. Dentre as 12 visitas técnicas da programação, estão as operações da Amazon e Walmart em Reno, Nevada.

 

Referências:

Supply Chain Dive – Amazon: 1-day delivery doesn’t require changes at fulfillment centers. https://www.supplychaindive.com/news/amazon-wont-change-fulfillment-centers-1-day-delivery/553901/

Supply Chain Dive – Amazon transitions free Prime shipping from 2-day to 1-day. https://www.supplychaindive.com/news/amazon-2-day-shipping-1-day-prime/553500/

Supply Chain Dive – Report: Amazon offers discounted warehouse space to fuel 1-day shipping. https://www.supplychaindive.com/news/amazon-seller-discounted-warehouse-space-1-day-shipping/555633/

Supply Chain Digest – Supply Chain News: Amazon Roils eCommerce Market with Free One Day Shipping, as Walmart and Target Quietly Pursuing Same Day. http://www.scdigest.com/ontarget/19-04-30-1.php?cid=15434

CNBC – Amazon can already ship to 72% of US population within a day, this map shows. https://www.cnbc.com/2019/05/05/amazon-can-already-ship-to-72percent-of-us-population-in-a-day-map-shows.html

MWPVL – Amazon Global Fulfillment Center Network. http://www.mwpvl.com/html/amazon_com.html

Techcrunch – Walmart announces next-day delivery on 200K+ items in select markets. https://techcrunch.com/2019/05/13/walmart-announces-launch-of-nextday-delivery-on-200k-items-in-select-markets/

 

De empresa automobilística para empresa de mobilidade: a Toyota entra na corrida pelo lançamento de veículos autônomos com o e-Palette

No começo do mês de janeiro, o presidente da Toyota, Akio Toyoda, anunciou na CES 2018 – Consumer Electronics Show, maior feira mundial do setor, o conceito do e-Palette: um veículo elétrico e autônomo que pode ser utilizado para o transporte de passageiros, realização de entregas ou até mesmo como ponto de venda móvel, como uma espécie de “loja sobre rodas”. A empresa sugeriu ainda que o veículo poderia ser configurado para funcionar como um hotel móvel, ou como uma estação de trabalho (para que o tempo gasto pelas pessoas no trânsito possa ser aproveitado de forma produtiva), ou ainda como uma clínica médica móvel.

Vídeo 1 – Divulgação do e-Palette no CES 2018

 

No evento, a empresa anunciou também a “e-Palette Alliance”, parceria com a gigante Amazon, com as empresas de ehailing Uber e Didi Chuxing (empresa chinesa agora dona da 99 no Brasil), com a Mazda e Pizza Hut para colaboração no desenvolvimento do veículo. Durante a apresentação, foram enfatizados os termos “mobility service” e “mobility commerce”. Daí, não restam dúvidas sobre o porquê do envolvimento da Uber e da Amazon.

Figura 1 – Conceito de e-Palette Toyota para a Pizza Hut

 

Para a Pizza Hut, o objetivo é não ficar para trás em relação a concorrência. Em 2017, a empresa introduziu nos Estados Unidos novas opções de delivery, incluindo a possibilidade de realizar pedidos através de dispositivos como a Alexa, e fornecendo a possibilidade de receber atualizações em tempo real do status do pedido através do aplicativo, site ou mensagens de texto. Das três maiores cadeias de fast-food de pizza norte-americanas, a Pizza Hut é hoje a que está mais para trás no quesito delivery. A empresa vislumbra que os e-Palettes façam parte da estratégia de delivery no futuro, podendo ser adaptados inclusive em cozinhas móveis.

Figura 2 – Delivery de pizza por veículo autônomo em episódio de Black Mirror

 

Se você como eu acompanha a série Black Mirror, com certeza pensou em uma cena específica da nova temporada ao bater o olho no e-Palette com a logomarca do Pizza Hut. A série de ficção científica/thriller de Charlie Brooker explora em cada episódio as consequências de possíveis novas tecnologias em um futuro alternativo, muitas vezes um futuro que nos parece bem distante. Porém, apesar do e-Palette ainda não passar de um conceito, a intenção é que já em 2020 os veículos sejam testados nas Olimpíadas e Paraolimpíadas de Tóquio.

O anúncio feito pela Toyota reflete a intenção de evolução de uma empresa que fabrica carros para uma empresa que fornece soluções de mobilidade, de forma a transformar a disrupção trazida por novas tecnologias em ganhos ao invés de ser derrubada por elas. Porém, a Toyota dificilmente será a única. Nos últimos dois anos, a maioria das montadoras têm começado a adaptar seus modelos de negócio para se tornarem fornecedoras de serviços de mobilidade em um futuro próximo, e esse movimento é visto claramente pela associação dos fabricantes com empresas de tecnologia e start-ups, como mapeado por Magda Collado.

Com veículos autônomos, o quanto seria possível reduzir os custos de transporte? Será que reduções no custo da entrega poderiam levar a redes logísticas menos descentralizadas? Ou pressões por nível de serviço impediriam essa centralização? Veículos como os e-Palettes da Toyota criariam um novo canal de venda? Como esse novo canal impactaria a estratégia de distribuição das empresas?

Apesar de ainda faltarem alguns anos e muitas barreiras a serem superadas até que veículos autônomos façam parte do nosso cotidiano, é impossível não parar para refletir sobre os possíveis impactos no supply chain.

 

Referências:

Automotive Logistics – How autonomous vehicles will impact on the supply chain. https://automotivelogistics.media/opinion/autonomous-vehicles-will-impact-supply-chain

Bloomberg – Toyota Signs Amazon, Pizza Hut as Driverless-Delivery Partners. https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-01-08/toyota-taps-amazon-to-join-driverless-delivery-vehicle-alliance

Business Insider – Toyota and Pizza Hut are teaming up to make self-driving cars that could deliver pizza. http://www.businessinsider.com/toyota-pizza-hut-team-up-for-self-driving-pizza-delivery-2018-1

Fortune – Toyota Working With Amazon, Uber, and Pizza Hut to Develop Self-Driving Shuttle. http://fortune.com/2018/01/08/toyota-amazon-uber-pizza-hut-self-driving-shuttle/

Magda Collado – Alliances Between Automakers, Tech Companies and Mobility Start-ups, An Update. https://mcollado.kumu.io/the-race-towards-smart-mobilityv

 

O despontar dos Centros de Distribuição Urbanos (CDUs)

O grande crescimento do e-commerce nos últimos anos tem destacado um desafio logístico antigo: o last mile ou última milha. Trata-se da etapa final da viagem do produto antes que ele chegue à porta do seu cliente, ou seja, o momento que as mercadorias saem de um centro de distribuição (ou da fábrica, caso a venda seja direta) para seguir ao seu destino final.

O despontar do e-commerce e da importância do last mile está diretamente relacionado com a importância que a Geração Y, ou os millennials, possui atualmente. Segundo o último Censo realizado pelo IBGE em 2010, a maior parte da população brasileira pertence a essa geração nascida entre 1980 e 2000. Trata-se da primeira geração de nativos digitais e que, consequentemente, possui uma relação íntima com as novas tecnologias e a internet. Apesar desses jovens se importarem com a qualidade, esta geração dá grande valor ao preço, a conveniência e não cansa de buscar novas oportunidades, sendo uma geração de difícil fidelização. Por isso, fatores como custo de frete e tempo de entrega nunca foram tão importantes para as empresas que atuam no comércio virtual.

Figura 1 – População do Brasil – Censo 2010

Fonte: IBGE

 

Há todo momento surgem na mídia projetos para entregas de encomendas por drones ou robôs com o objetivo de atuar neste problema e reduzir o tempo do ciclo do pedido. No entanto, além de atuar diretamente no transporte, uma outra alternativa capaz de minimizar essa questão consiste na redução da distância entre o centro de distribuição e o cliente, utilizando-se de um Centro de Distribuição Urbano (CDU).

Diferentemente dos grandes armazéns localizados em áreas mais remotas e geralmente próximas a estradas que facilitam o acesso às grandes cidades, os CDUs são instalações menores, localizadas a uma distância de até 15km dos grandes centros urbanos. Em geral, estes mini CDs ocupam o espaço de antigas fábricas, grandes lojas de varejo ou edifícios corporativos obsoletos, atendendo a uma necessidade mínima de espaço e facilidades necessárias.

Ainda em 2014, a Amazon, maior vanguardista quando se trata de soluções para o last mile, lançou o seu programa “Prime Now”, que garante aos clientes assinantes entregas em até 1 hora de mais de 20.000 produtos após realizado o pedido. Para permitir isto, ela criou instalações como o CDU localizado em um prédio no centro de Manhattan (Nova York), conforme o vídeo a seguir. Os entregadores utilizam bicicleta, carro, transporte público ou vão até mesmo a pé para garantir a entrega no prazo acordado e driblar as restrições de circulação das grandes cidades.

Vídeo 1 – Centro de Distribuição Urbano da Amazon em Nova York

Fonte: Tech Insider

 

Apesar de proporcionar entregas muito mais rápidas e reduzir a cobertura de estoque da empresa, é preciso um detalhado estudo e uma operação muito bem estruturada para garantir que o CDU será rentável para a empresa. Primeiramente, o metro quadrado para aluguel de uma instalação perto dos grandes centros urbanos é sensivelmente mais caro do que o pago em um Centro de Distribuição tradicional, uma vez que se trata de uma região mais nobre da cidade. Além disso, nem sempre é tarefa fácil encontrar no grande centro urbano um local com as dimensões adequadas e capaz de receber constantemente caminhões e outros veículos. Para garantir o alto giro dos produtos, também é necessário restringir quais itens poderão integrar o serviço de entrega expressa da empresa, pois as dimensões reduzidas do CDU não permitem o desperdício de espaço com produtos com venda intermitente.

Os desafios para mitigação dos problemas relacionados a última milha são muitos, mas, diante do crescimento do e-commerce e do grau de exigência dos consumidores, esta é uma questão que deve sempre ser prioridade dos gestores para garantir a competitividade de suas empresas no longo prazo.  Por isso, olho nos Centros de Distribuição Urbanos!

 

Referências

<https://www.naiop.org/en/Magazine/2017/Spring-2017/Business-Trends/E-commerce-2-Last-mile-Delivery-and-the-Rise-of-the-Urban-Warehouse.aspx>

<http://fortune.com/2016/12/22/a-look-inside-amazons-two-hour-delivery-warehouse-in-midtown-manhattan/>
<http://www.portalnovarejo.com.br/2014/12/18/amazon-inicia-entrega-em-1h-em-nova-york/>

<http://saldopositivo.cgd.pt/empresas/abc-do-empresario-o-que-e-a-geracao-millennials/>

<https://www.mandae.com.br/blog/ultima-milha-entenda-seu-impacto-na-logistica-do-comercio-eletronico/>

Entrega de produtos dentro da sua casa: a nova aposta do e-commerce americano

A guerra pela melhoria do serviço no e-commerce parece não ter limites mesmo. Entrega no dia seguinte, no mesmo dia, em uma hora, em casa, no escritório e por drones, entre outras, já são alguns dos serviços desenvolvidos nos últimos anos. Os players desse mercado, porém, não estão de brincadeira quando se fala em aumentar a conveniência para o comprador.

A Amazon mostrou há pouco tempo o Amazon Key, serviço em que o entregador da empresa vai deixar o produto dentro da sua casa. Não na porta, ou numa caixa de correio, mas na mesa da sua sala, ou no corredor.  O ganho por trás da ideia é evitar que entregas tenham retorno por ausência do destinatário, o que também acarreta em custos para a empresa, ou que haja risco de furto da mercadoria, quando deixada em algum local de fácil acesso.  Não apenas produtos, mas até mesmos serviços como limpeza podem ser adquiridos. A nova modalidade já está disponível, a princípio limitado a 37 cidades americanas, e será restrito a assinantes do Amazon Prime.

Vídeo 1 – Amazon Key

Fonte: Amazon

 

Curiosamente, a gigante do e-commerce mundial parece estar até um pouco atrasada nesse quesito. Isso porque o Walmart anunciou em setembro que já testará a entrega não apenas dentro da casa do comprador, mas que também fará a arrumação dos itens nos locais apropriados, inclusive colocando na geladeira os alimentos frios e bebidas.

Figura 1 – Walmart quer entregar suas compras até a geladeira

Fonte: Walmart

 

Evidentemente, a principal preocupação das pessoas ao cogitarem a utilização desse tipo de serviço é com a segurança, afinal, elas estariam permitindo a entrada de estranhos em sua residência sem estarem presentes. Por conta disso, ambos os serviços exigem que o comprador possua uma Smart Lock, que requer autorização remota do dono da casa para entrada de pessoas, e uma Cloud Cam, que permite que o usuário acompanhe em tempo real os que acontece na sua casa durante a entrega. O kit proprietário da Amazon com os dois itens custa $250, o que também deve ajudar a custear a iniciativa.

E aí, o que achou? Gostaria de utilizar algum desses serviços? E qual serão as novas inovações do e-commerce?

 

Referências

https://www.tecmundo.com.br/produto/123460-amazon-lanca-servico-voce-monitorar-entrada-estranhos-casa.htm

http://fortune.com/2017/09/22/walmart-delivery-grocery/

E-commerce brasileiro, se prepare: a Amazon está realmente chegando

Enquanto avança no varejo físico nos Estados Unidos, a Amazon caminha para estender seus tentáculos virtuais no Brasil. Após quatro anos apenas vendendo livros e kindles no e-commerce, a varejista começa a negociar com lojistas de smartphones, notebooks, tablets e acessórios para vendê-los em seu marketplace. Inicialmente, a ideia é apenas entregar os produtos, mas, existem planos de a empresa também armazenar as mercadorias dos lojistas em centros de distribuição espalhados pelo País. As expectativas são de essa operação começar a funcionar já no terceiro trimestre deste ano.

e-commerce amazon - blog ILOS

Muitos acreditam que a Amazon vai chegar apenas replicando o que já é feito por outros e-commerces no Brasil. Ou seja, teremos prazos de entrega dilatados, principalmente para cidades distantes do eixo Rio-São Paulo, para driblar a tradicional ineficiência logística do País e fugir de possíveis penalizações. Dessa forma, a Amazon seria apenas mais uma opção de e-commerce, mas que contaria com a força da sua marca para ganhar mercado.

Tudo bem. Não é apenas a logística que emperra as empresas no Brasil. Burocracia, loucuras tributárias, insegurança física e jurídica, falta de mão de obra qualificada, tudo isso deve ter contribuído também para esse tempo de maturação da Amazon no País. Mas, como o meu assunto é logística, fico em dúvida: será que a Amazon realmente vai apenas replicar a tradicional ineficiência logística brasileira ou ela encontrou uma forma de trazer o seu nível de serviço para o País e realmente se diferenciar do restante do mercado?

Torço pela segunda opção, e explico. Para uma empresa acostumada a, por vezes, entregar em menos de 24 horas em grandes cidades norte-americanas, ter que se submeter à prática usual brasileira de longos prazos de entrega, para poder garanti-los, seria quase um atentado à alma, e à marca! Afinal, além de ser a “everything store”, ela também é conhecida pelo seu alto nível de serviço, com uma forte cultura de preocupação com o cliente.

Mas aí entra o x da questão: como a Amazon ofereceria melhores níveis de serviços enfrentando todos os problemas logísticos que vivemos no dia a dia? Uma opção seria a compra de uma transportadora, embora ela também pudesse encontrar dificuldades para impor a sua cultura. Outra seria apertar muito os prestadores de serviços locais para conseguir níveis de serviços pouco usuais no País, principalmente fora do eixo Rio-São Paulo.

De qualquer forma, quando a Amazon entra em um mercado ou segmento, invariavelmente, ela chega arrasando, com níveis de serviços altos e preços baixos, mesmo com prejuízo, literalmente sufocando o mercado existente. Não imagino porque seria diferente no Brasil e acredito que ela vai chacoalhar o e-commerce nacional. Opções, criatividade e conhecimento, a Amazon tem de sobra e vamos continuar acompanhando os próximos passos dela.

A futura rede global de entregas da Amazon

Enquanto no Brasil, as empresas de comércio eletrônico, mesmo as grandes, ainda patinam nos prazos de entrega, nos Estados Unidos, a Amazon se prepara para atacar o mercado de comércio eletrônico mundial. Famosa por sua eficiência na entrega e pelos prazos reduzidos, a Amazon estuda criar um serviço de entregas que concorreria com empresas como FedEx, DHL e UPS, dentre outras. A rede global de entregas da Amazon também poria frente a frente dois gigantes do comércio eletrônico internacional: Amazon e AliBaba.

Segundo os documentos que a Bloomberg teve acesso, a ideia da Amazon é ser a única interface entre o produtor e o consumidor, onde quer que eles estejam. No conceito de “one click-ship”, o produtor contataria a Amazon via site ou aplicativo móvel e contrataria o envio do produto. Pelo seu lado, a Amazon retiraria a carga na indústria, levaria para o porto, colocaria no navio, retiraria no país de destino e, em seguida, entregaria na residência do comprador. Tudo em apenas um clique!

Vídeo 1 – Os planos da Amazon para entrar no mercado internacional de entregas

Fonte: Bloomberg

 

Além de facilitar a contratação, a rede global da Amazon também eliminaria os intermediários no comércio internacional, principalmente aqueles relacionados a questões legais e burocráticas, agilizando as trocas comerciais entre países. Ao consolidar os milhares de envios que teria, a Amazon também reduziria os custos desse tipo entrega, ampliando a sua competitividade junto à concorrência.

Por enquanto, tudo está apenas no mundo das especulações, mas as evidências que começam a surgir, somadas às investidas anteriores de sucesso da varejista norte-americana em outros segmentos, ampliam as possibilidades de que essa história seja realmente verdadeira. Segundo dados da Accenture e da AliResearch, a expectativa é que o comércio eletrônico internacional movimente, em 2020, algo em torno US$1 trilhão, servindo 900 milhões de pessoas no mundo todo. Nada mal, não?

 

Referências:

<http://www.bloomberg.com/news/articles/2016-02-09/amazon-is-building-global-delivery-business-to-take-on-alibaba-ikfhpyes>