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Boa notícia do agronegócio em meio à pandemia


Os dados divulgados pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) com relação à safra brasileira de soja em grãos do primeiro trimestre de 2020 indicam movimentação superior ao mesmo período do ano passado. Esse bom resultado é comemorado pelas empresas do setor que esperam mais um ano com recorde de volume. Uma boa notícia do agronegócio em meio à pandemia da covid-19.

Agronegócio em meio à pandemia - plantação----ILOS-Insights Figura 1: Exportação crescem do agronegócio em meio à pandemia. Imagem de charlesricardo por Pixabay

No primeiro trimestre de 2020, o Brasil exportou cerca de 18,1 milhões de toneladas de grãos de soja. Esse número representa um aumento de 15% em relação ao mesmo período de 2019, quando as exportações foram de 15,8 milhões de toneladas.

Agronegócio em meio à pandemia---tabela-volume-mensal-----ILOS-Insights Figura 2: Exportação de soja em grão. Fonte: Ministério da Economia/ComexStat. Elaboração: ABIOVE – Coordenadoria de Economia e Estatística. Análises ILOS

O aumento de 2,3 milhões de toneladas foi puxado principalmente pela China. Em números absolutos os chineses compraram 1,3 milhões de toneladas a mais no primeiro trimestre de 2020, um incremento de 11% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Por outro lado, a União Europeia teve o maior crescimento em percentual, saindo de 1,4 milhões de toneladas em 2019 para 2,0 milhões de toneladas em 2020 o que corresponde a uma variação de 50%.

Como já havia mencionado em post anterior, a BR-163 contribui para um maior volume exportado pelo Arco Norte. Os portos de Barcarena e Santarém, ambos no Pará, beneficiados pela boa condição da BR-163 aumentaram significativamente seus volumes. O aumento no primeiro trimestre de 2020 em relação ao ano passado em Barcarena foi de 56%, enquanto em Santarém foi de 27%.

Agronegócio-em-meio-à-pandemia---tabela-volume-porto-----ILOS-Insights Figura 3: Exportação da soja em grão no Brasil, por porto. Fonte: Ministério da Economia/ComexStat. Elaboração: ABIOVE – Coordenadoria de Economia e Estatística. Análises ILOS

O porto de Santos continua sendo o principal do país para exportação de soja em grãos e teve aumento de 9%. Já Paranaguá cresceu 7% no período. Entre os portos do eixo sul, o que teve maior crescimento percentual foi Rio Grande, com variação de 138%.

As expectativas são boas, embora o ano de 2020 esteja marcado pela retração da economia mundial devido ao COVID19. Especialistas acreditam que o setor do agronegócio será um dos que passará pela crise sem maiores impactos.

Crise limita avanços do setor

Um dos principais produtos de exportação do Brasil, a soja é sempre um assunto importante em uma revista sobre logística. Na revista setor Logística, publicada pelo jornal Valor Econômico em março de 2018, reportagem de Felipe Datt fala das expectativas geradas em torno do Arco Norte para ser o principal polo agroexportador do País nos próximos 10 anos.

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Agricultura brasileira salva economia

O correspondente da BBC para a América do Sul, Daniel Gallas, fala do Mato Grosso, onde a agricultura teve um ano incrível após colheita recorde.

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Uma riqueza ainda sem valor

Nos últimos anos, observam-se grandes esforços visando o aproveitamento de coprodutos e de resíduos agrícolas como fonte de matéria-prima para a indústria ou geração de energia elétrica. Um dos objetivos é agregar valor às cadeias agroindustriais, valorando insumos que antes não possuíam valor de mercado. Os resíduos agrícolas são biomassa proveniente de processos da agricultura, porém este setor possui dificuldades na conciliação com a produção de alimentos e na estruturação de sua oferta para o uso industrial.

Segundo a Embrapa, a geração de resíduos agrícolas nas atividades de cultivo e colheita é extremamente variável, dependendo muito da safra e do sistema de produção a ser considerado. Isso significa estruturar uma logística capaz de armazenar, controlar e movimentar produtos durante todas as etapas do ciclo de produção agrícola, considerando a alta variação sazonal. Deve-se considerar que, em contrapartida, as demandas de matéria-prima para o uso industrial e do produto para o mercado consumidor apresentam um comportamento mais contínuo ao longo do ano.

Como exemplo da viabilidade de aproveitamento da biomassa, a cadeia da soja possui um mercado final já consolidado para toda sua cultura agrícola. Ou seja, todo o complexo de soja, com grãos, farelo e óleo, possui uma demanda no mercado interno e/ou externo. Assim não se pode considerar que exista um resíduo significativo não aproveitado na produção de soja.

Será que não somos capazes de replicar esse aproveitamento para outras culturas e seus respectivos resíduos?

A cana-de-açúcar já possui tecnologia madura para diferentes produtos, como açúcar, biocombustível (no caso o etanol de primeira geração), fertilizantes, com o aproveitamento da vinhaça, e energia elétrica, através da cogeração pela queima do bagaço. Porém, essa cadeia possui um grande potencial ainda não explorado, principalmente através dos açúcares contidos no bagaço e na palha da cana. O esquema abaixo ilustra alguns desses potenciais.

Figura 1

Figura 1 – Potenciais de aproveitamento da cana-de-açúcar

Fonte: ILOS

A palha de cana-de-açúcar usualmente era queimada para facilitar a colheita manual. Porém, tal prática está para ser extinta, devido a regulamentação prevista na Lei 11.241, que a proíbe. Desse modo, esse resíduo passa a ser considerado insumo para outras finalidades, como adubo nas lavouras, aproveitamento energético ou como uso de matéria-prima na indústria.

Para avaliar a disponibilidade real dos resíduos da cana-de-açúcar, levando em conta técnicas de colheita e transporte dessa palha, um estudo do BNDES considera a premissa de geração de 167 kg de palha e 270 kg de bagaço para cada tonelada de cana-de-açúcar colhida. Isso significa que na última safra da cana-de-açúcar, 2014/2015, foram produzidas mais de 300 milhões de toneladas desses resíduos agrícolas. Ou seja, milhões de toneladas produzidas anualmente ainda sem valor para o mercado, escondendo uma grande fonte de riqueza.

Figura 2

Figura 2 – Volume de palha e bagaço gerado na última safra de cana-de-açúcar

Fonte: IBGE e BNDES

Engatinhando nesse assunto, em meio a uma tímida retomada do setor sucroenergético, produtores canavieiros rurais agora querem receber das usinas uma remuneração pela geração de energia elétrica obtida por meio da queima do bagaço da cana-de-açúcar. O objetivo é discutir a viabilidade de incluir essa remuneração no pagamento aos produtores e, também, saber quanto vale essa riqueza que antes era vista somente como um resíduo.

Em entrevista à Folha Online, Celso Torquato Junqueira Franco, presidente da UDOP (União dos Produtores de Bioenergia), afirmou que a demanda dos produtores é justa, pois a energia elétrica era um produto inexistente no passado na cadeia produtiva. “Nosso potencial de geração de energia do bagaço da palha da cana atualmente é equivalente a 18% da energia no país. É muito próximo ao volume que as termelétricas geraram nos últimos dois anos de forma ininterrupta, mas a um custo ambiental e econômico altíssimo”, disse.

A disponibilidade energética da cana-de-açúcar fica evidente ao fazer uma comparação do conteúdo energético de sua tonelada, 1.718.000 kcal, com o potencial energético de um barril de petróleo que é de 1.386.000 kcal. Ou seja, uma tonelada de cana equivale energeticamente a 1,24 barris de petróleo bruto. Caso o pagamento seja aprovado, a energia gerada entra nos cálculos do Consecana (Conselho dos Produtores de Cana de São Paulo), órgão responsável pela avaliação dos preços a serem pagos pela cana, levando em conta custos e as receitas geradas pelo etanol e açúcar.

O caso dos produtores rurais de cana é só a ponta de um imenso iceberg. Quantos resíduos estão espalhados, tanto em zonas rurais como urbanas, ainda sem valor algum? Qual será a viabilidade de utilizarmos esse material com as novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas? Qual o valor do seu lixo, do seu rejeito? Qual a importância do Supply Chain neste contexto de geração de valor? Essas e outras perguntas ainda estão em aberto, mas talvez não por muito tempo. Mas isso é assunto para outro post.

 

Referências

<http://www.novacana.com/estudos/biorrefinaria-futuro-para-o-completo-aproveitamento-da-biomassa-de-cana-241013/>

<http://m.folha.uol.com.br/mercado/2015/11/1711353-produtores-agora-querem-receber-por-energia-gerada-da-palha-da-cana.shtml?mobile>

<ftp://ftp.ibge.gov.br/Producao_Agricola/Levantamento_Sistematico_da_Producao_Agricola_[mensal]/Fasciculo/lspa_201501.pdf>

<http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivo>

<http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/conhecimento/bnset/set804.pdf>

<http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/952626/1/DOC13.pdf>

<http://governo-sp.jusbrasil.com.br/legislacao/129474/lei-11241-02>

<http://www.novacana.com/etanol/logistica-infraestrutura-transporte/>

<http://www.novacana.com/n/cana/variedades/encontrar-melhor-cana-acucar-granbio-inverso-090513/>

A saída competitiva para o Agronegócio no Brasil

A Fiesp acabou de lançar suas projeções sobre o Agronegócio brasileiro (Outlook Fiesp 2025) e, apesar dos atuais problemas econômicos do Brasil, a expectativa é de crescimento da produção nacional nos próximos dez anos. Um dos principais itens da balança comercial brasileira, o Complexo Soja deve registrar aumento de 34% na produção no período, o que vai exigir ainda mais da combalida infraestrutura de transporte de carga do País.

Não à toa, em recente evento organizado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o Summit Agronegócio Brasil 2015, os players do setor se mostraram preocupados em como escoar de forma eficiente a produção agrícola nacional. O tema não é novo, a solução já é, em parte, conhecida, mas as preocupações perduram quanto à sua implantação.

De fato, em todos os modelos de escoamento de soja que fizemos no ILOS, a produção brasileira subia em sua maioria quando você abria a capacidade dos portos da região Norte e viabilizava os acessos a eles. O ponto de corte se fazia no famoso paralelo 16, próximo às cidades de Lucas do Rio Verde e Sorriso, principais polos produtores do País. Tudo o que é produzido acima desse paralelo deve ser escoado pelos portos do Norte, com o restante devendo ir, principalmente, para Santos.


Atual movimentação de grãos para a região Norte pela BR-163

Fonte: Valor Econômico

Observação: até dezembro de 2015, a obra de asfaltamento da BR-163 até o Pará não foi concluída

 

A dificuldade, porém, está em viabilizar os novos projetos. Duas alternativas se desenvolveram nos últimos anos, o porto fluvial de Miritituba (PA) e o TEGRAM, no porto de São Luis (MA), mas elas, sozinhas, não resolvem o problema. Além de terminar a pavimentação da BR-163 e ampliar a capacidade de escoamento dos terminais graneleiros do Norte, é preciso viabilizar a chegada dos grãos a esses terminais usando modais de menor custo, como a ferrovia e a hidrovia. O  projeto mais interessante é o da Ferrogrão, que levaria a soja diretamente do centro produtor (Sorriso) para o porto de Miritituba por ferrovia, paralelamente à BR-163, mas que ainda está apenas no campo dos projetos.

Se tudo correr como nunca aconteceu, pode ser que, em 2023, já tenhamos os primeiros grãos indo para o Norte pela Ferrogrão. Entretanto, mesmo a Ferrogrão não é suficiente, sendo importante também resolver os problemas dos acessos a Santos, principalmente o ferroviário. Uma coisa é certa: é preciso investir e mudar! Afinal, transportar grãos por longas distâncias na caçamba de um caminhão é uma distorção absurda, cuja conta vem sendo paga há tempos pelos brasileiros.