Henrique Alvarenga - ILOS

Supermercado sustentável: sem embalagens

O lixo produzido pela população ao redor do mundo é um dos grandes problemas da humanidade atualmente. Além de gerar enormes impactos ambientais, o lixo representa um problema social importante nos grandes centros urbanos.

De acordo com dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil de 2014 realizado pela ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), cada brasileiro gerou, em 2014, 388 Kg de resíduos sólidos. Isso representa um aumento de cerca de 2% em relação ao ano anterior, índice superior ao crescimento populacional no mesmo período, que foi de 0,9%. A Política Nacional de Resíduos Sólidos tem como meta a correta destinação do lixo coletado, com a redução de lixões a céu aberto e a implantação de mais aterros sanitários. No entanto, em 2014, cerca de 30 mil toneladas (42% do total coletado) ainda teve destinação final inadequada.

Para enfrentar o problema, algumas empresas têm tomado uma série de providências, como a implantação da logística reversa e inovações em seus processos para a redução na geração de resíduos. Nesse contexto, uma start-up alemã chama atenção. Lançada em 2014, a Original Unverpackt é um supermercado sustentável, que oferece a seus clientes a geração zero de lixo. Ela consegue isso vendendo produtos sem embalagem! Tudo na loja é vendido a granel e o consumidor deve levar seus recipientes de vidro ou sacolas reutilizáveis. E a quantidade de SKUs não é pequena: o mercado vende desde alimentos e bebidas até produtos de limpeza e higiene pessoal. Além de ecológica, a venda a granel permite que o cliente leve na quantidade que desejar, uma vantagem interessante em relação aos produtos embalados.

A logística é, certamente, um dos desafios para a proposta do empreendimento. Por enquanto, a variedade de fornecedores é limitada localmente, por questões de posicionamento e de logística, visto que o transporte de alguns produtos sem embalagem até o varejo não é trivial. Além disso, o OU é pequeno, então os volumes para abastecer seus estoques também o são, levando a um fracionamento da carga a granel que limita o fornecimento a pequenos parceiros.

Com toda essa preocupação (pertinente) por operações mais sustentáveis, pode ser que, num futuro próximo, uma legislação imponha a redução do lixo gerado pelos supermercados, como ocorreu no caso das sacolas plásticas. Se redes varejistas maiores tivessem que adotar esse modelo a granel, grandes mudanças logísticas seriam necessárias. Os CD’s, por exemplo, teriam que se adequar e instalar silos para o armazenamento dos produtos. Novos equipamentos seriam necessários para realizar o carregamento e o descarregamento, tanto no CD quanto no PDV. A tecnologia utilizada hoje para controle de produtos no recebimento e na expedição, dependente de códigos de barras e, portanto, de embalagens, ficaria inadequada. O transporte dos produtos também deveria ser reconfigurado, com veículos adaptados para transportar uma alta variedade de produtos sem embalagem. Ainda, a reposição nas gôndolas também precisaria ser revista. E todos esses processos atendendo a normas de vigilância sanitária, evitando uma possível contaminação dos produtos. Enfim, a iniciativa do Original Underpackt é louvável, porém não facilmente escalável. Caso tal modelo de varejo vingue, caberá aos gestores de supply chain adaptar seus negócios aos enormes desafios criados por esta nova realidade.

Vídeo 1 – Como funciona um supermercado sem embalagens

Fonte: Vimeo

Referências:

<http://www.abrelpe.org.br/Panorama/panorama2014.pdf>

<http://ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=14280&revista_caderno=5>

<http://original-unverpackt.de/>

<http://www.stilinberlin.de/2015/02/zero-waste-in-berlin-original-unverpackt.html>