Shyp: a ciência no processo de embalagem

Para que a logística cumpra o seu papel com perfeição, é preciso que o produto chegue no lugar desejado, dentro do prazo prometido e de maneira adequada. Para garantir este último aspecto, nada é tão importante quanto a embalagem. De que adianta para um cliente receber um produto rapidamente se ele chega amassado ou quebrado?

Há pouco mais de 3 anos, o ILOS realizou um interessante experimento para avaliar o desempenho logístico de algumas das principais lojas virtuais do Brasil. Foi solicitado para seis grandes varejistas do e-commerce a entrega de uma taça de vidro em diferentes endereços espalhados por São Paulo e Belém. Entre atrasos e cancelamentos de pedidos, chegaram também muitos produtos avariados. Dentre os casos, chamou a atenção o de uma empresa que, ao invés, de enviar a única taça pedida e cobrada, enviou um pacote com 6 unidades, das quais 3 vieram quebradas. Seria uma tentativa de garantir que pelo menos um dos produtos viria perfeito? Não seria melhor para a empresa investir tempo e recursos em garantir uma correta embalagem do produto ao invés de desperdiçar produtos e espaço nos veículos transportando produtos que o cliente não solicitou?

Em seu mais recente post, Maria Fernanda comentou sobre as oportunidades de aumento de eficiência logística através do redesenho de embalagens. Pois uma startup americana localizada no Vale do Silício parece ter pensado nisso na hora de criar o seu negócio.

Assim como o Uber Rush, a Shyp promete comodidade ao buscar rapidamente a encomenda e faze-la chegar corretamente ao seu destino. Tudo solicitado por meio de um aplicativo no smartphone ou tablet (Figura 1). As semelhanças, entretanto, param por aí. Na Shyp, a responsável pela embalagem do produto é a própria empresa e a entrega do produto é realizada por uma transportadora.

Shyp_Aplicativo_embalagem_ILOS

Figura 1 – Aplicativo da Shyp

Fonte: Tech Crunch

 

O serviço funciona da seguinte forma: o cliente acessa o aplicativo da empresa e tira uma foto do produto que deseja despachar. Em até 20 minutos, um profissional da Shyp busca o produto no local e leva para o armazém da empresa. E é lá que a ciência acontece. Especialistas analisam cuidadosamente cada produto, identificando pontos mais frágeis e suscetíveis a avarias durante o transporte da encomenda, e desenvolvem uma embalagem personalizada para o item. Utilizando invólucros especiais e uma máquina destinada a criar caixas de papelão com as dimensões desejadas, cada embalagem é feita considerando o tamanho, peso e peculiaridades de cada produto. O resultado são encomendas bem protegidas e embalagens compactas para os mais diversos tipos de produtos.

Em seguida, a Shyp seleciona entre os principais transportadores do país, como UPS, FedEx e USPS, aquele que oferece o frete mais barato considerando as dimensões e peso do pacote, distância até o destinatário e velocidade de entrega desejada pelo cliente. Este, por sua vez, acompanha e rastreia todo o processo por meio do seu aplicativo.

Além do frete pago para a transportadora, a Shyp cobra US$ 5 pelo seu serviço, que inclui um seguro de US$ 100 para casos de roubo ou avarias no produto. Para produtos pequenos ou médios e não frágeis, a embalagem é de graça. Para os demais, há ainda uma pequena taxa extra, definida caso a caso.

O serviço é promissor. Para os clientes, a possibilidade de enviar uma encomenda sem ter que se preocupar em embalar corretamente o item e ter que buscar a transportadora mais barata para fazer isso. Para as transportadoras, uma oportunidade e tanto de ganho de eficiência: além de buscar várias encomendas em um único lugar (o armazém da Shyp), o processo correto de embalagem permite aproveitamento máximo de capacidade dos veículos e evita o transporte de ar.

O lado negativo? Apesar das encomendas poderem ser entregues no mundo todo, o serviço de coleta só está disponível por enquanto nas cidades de São Francisco, Nova York, Los Angeles e Chicago.

 

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  1. […] por grandes companhias. Neste mesmo blog, inclusive, escrevi sobre empresas como a Starship, a Shyp e a What3Words, algumas das muitas startups que surgiram para mexer com a forma como é feita […]

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