Henrique Alvarenga - ILOS

Seu cargo existirá daqui a dez anos? Pense de novo

Você pode não ter se dado conta, mas estamos passando, neste momento, por uma mudança tecnológica que irá alterar, de maneira dramática, a forma como vivemos: a Quarta Revolução Industrial. Enquanto algumas pessoas acreditam que ainda estamos na Terceira, quando a revolução digital e de telecomunicações transformou a forma como as pessoas se comunicam e se relacionam, é preciso esclarecer que isso já é passado. Estamos na era dos sistemas ciberfísicos, que fundem tecnologias e unem as esferas físicas, digitais e biológicas. Comparada à Terceira Revolução Industrial, esta que vivenciamos é muito superior nos critérios velocidade, escopo e impacto. Biotecnologia, inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, impressoras 3D, drones, carros autônomos, todas estas tecnologias e campos de pesquisa possuem capacidades disruptivas nas mais diversas indústrias e estão modificando de maneira profunda a forma de fazer negócios.

Em janeiro de 2016, o presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab escreveu a respeito do tema, citando os desafios e oportunidades, além dos impactos nos negócios, governos e na população de modo geral. Uma das maiores preocupações que advém das discussões sobre o tema seriam as demissões causadas pelo uso intenso e extensivo de tecnologia e automação. Pesquisadores da universidade de Oxford apontam no artigo The Future of Employment: How susceptible are Jobs to computerisation? que 47% do total de empregos nos Estados Unidos estão em risco de desaparecer nas próximas duas décadas. Devido a automação e ao uso de sistemas inteligentes, seria possível substituir grande parte dos cargos hoje existentes. A maior probabilidade de ocorrência de tais substituições estaria em áreas como transporte e logística, trabalhos de suporte em áreas administrativas e no setor fabril. A utilização de carros autônomos em conjunto com a queda no custo de sensores favorece a substituição dos cargos nas áreas de transporte; uso de drones para entregas e utilização de impressoras 3D para diminuir as longas cadeias de suprimentos afetariam a área de logística como um todo; a utilização de big data em conjunto com sistemas inteligentes favorece a redução na necessidade de capital humano em áreas administrativas; já na área produtiva, o que se espera é a continuação de uma tendência já percebida nas últimas décadas, com um aumento no uso de robôs e automação nas fábricas.

Todas estas mudanças estão em curso neste momento. A Google já vem desenvolvendo e testando seu carro autônomo desde 2009, alcançando mais de três milhões de quilômetros rodados em quatro cidades nos EUA. A Tesla garantiu que ainda em 2017 todos os carros que saíssem de suas fábricas teriam sistemas 100% autônomos. Em 2016, bancos como o DBS em Singapura, o Royal Bank do Canadá e o Bradesco aqui no Brasil começaram a experimentar o Watson, da IBM, para o atendimento de seus clientes, o que poderia substituir a necessidade de pessoas nas centrais de telemarketing, por exemplo. A Amazon entregou, em dezembro de 2016, a primeira encomenda utilizando drones, com o projeto Amazon Prime Air. A mesma empresa abriu no início de 2017, nos Estados Unidos, a Amazon Go, o primeiro mercado que não possui caixas e que, em pouco tempo, não precisará ter quase ninguém para seu pleno funcionamento. O vídeo abaixo mostra como funciona a operação na Amazon Go.

Vídeo 1 – A Amazon Go utiliza tecnologia e inteligência artificial aplicada às compras, eliminando a necessidade de caixas para cobrança.

Fonte:Youtube

 

Apesar dessa temerosa perspectiva de eliminação de cargos, não devemos nos desesperar. Sabemos que no Brasil o governo e a legislação priorizam a manutenção dos empregos e os direitos do trabalhador, o que blindaria estas tendências mundiais, pelo menos no curto prazo. Além disso, muitas áreas não são facilmente suscetíveis a automação e muitas outras ainda encontram gargalos no desenvolvimento e engenharia para a aplicação de tais inovações. Segundo o estudo citado acima, setores que necessitem de criatividade e de inteligência social não são, a princípio, suscetíveis à informatização e, portanto, desenvolver tais habilidades seria uma forma de manter-se atraente neste novo mercado de trabalho. Ainda, habilidades de programação serão, obviamente, uma importante competência. Enfim, o que nos cabe é buscar qualificação e treinamentos que nos preparem para este iminente futuro. Uma coisa é certa: quem não se preparar e se acomodar, poderá ficar para trás.

Tags: Quarta Revolução Industrial; Inovação; empregos; cargos; logística

 

Referências:

http://www.oxfordmartin.ox.ac.uk/downloads/academic/future-of-employment.pd

https://www.weforum.org/agenda/2016/01/the-fourth-industrial-revolution-what-it-means-and-how-to-respond/

http://computerworld.com.br/quarta-revolucao-industrial-chegou-e-voce-nao-passara-imune-ela

https://waymo.com/ontheroad/

http://g1.globo.com/carros/noticia/2016/10/tesla-anuncia-sistema-100-autonomo-para-todos-os-seus-carros.html