Saindo do armário

Há algumas semanas atrás escrevi sobre algumas iniciativas de omni-channel realizadas no Brasil, que, mesmo sendo praticadas de forma isolada, sinalizavam que o país estava olhando nesta direção. Pois bem, uma matéria publicada na última edição na Revista Tecnologística indicou que mais uma prática chegará por aqui neste ano que se inicia: os lockers, uma evolução tecnológica das antigas caixas postais.

Também conhecidos como terminais inteligentes, os lockers são equipamentos de autoatendimento nos quais os consumidores podem retirar as compras realizadas online de forma prática e segura, além de poderem realizar serviços agregados como compra de ingressos e pagamento de contas. Estas máquinas, que já fazem sucesso em países como Polônia, Lituânia e Alemanha, tornaram-se ainda mais famosas com a incorporação do serviço pela gigante do varejo virtual Amazon.

O serviço conhecido como Amazon Locker existe desde 2011 nos Estados Unidos e está presente hoje em 13 grandes cidades do país. Dependendo do produto comprado, o cliente pode solicitar que o pedido seja entregue em um locker da Amazon de sua escolha. Selecionando essa opção, ele receberá um e-mail de notificação quando o produto estiver disponível no terminal, informando o horário de funcionando do locker e o código que ele deverá inserir na máquina para desbloquear o pedido. O cliente tem até 3 dias úteis para retirar o seu pacote, caso contrário o produto será recolhido pela Amazon e o valor pago reembolsado para o cliente.

Amazon Locker

Figura 1 – Amazon Locker localizado em uma loja de conveniência em Nova York

Fonte: Wikipédia

 

Até o momento não existe nenhum serviço do tipo no Brasil, mas duas empresas já se mobilizaram para iniciar as suas operações ainda em 2016 no país: a ThinPost e a InPost. O objetivo de ambas é alugar as máquinas através de pacotes flexíveis de negócio para operadores logísticos, distribuidores, varejistas e empresas de comércio eletrônico que desejam ter presença física em locais estratégicos da cidade e de grande circulação de pessoas, como shoppings, aeroportos, rodoviárias, estações de metrô e lojas de conveniência.

Uma das principais vantagens dos lockers é a comodidade que eles oferecem para os consumidores que desejam comprar online, mas não tem pessoas que fiquem em casa para receber as encomendas. No Brasil, a figura do porteiro 24h nos edifícios e condomínios ainda é muito presente, o que reduz este problema. Entretanto, fora do país isto não é tão comum. Prova disso é que na França, 60% das compras online são retiradas pelos clientes em lojas físicas.

Além disso, quando olhamos para a tendência omni-channel do varejo, os terminais inteligentes oferecem ainda um outro enorme benefício: através deles, os clientes podem devolver produtos que compraram online, mas que não gostaram ou compraram errado. Um caso interessante nesse sentido é o da varejista de moda feminina inglesa Asos, que acoplou um provador ao locker, permitindo às clientes experimentarem os modelos no momento seguinte ao recebimento dos pedidos e devolverem na hora os itens que não gostaram. Esta iniciativa permitiu à empresa reduzir os custos de logística de reversa e também o tempo de produto indisponível para venda.

Neste momento em que os consumidores buscam serviços cada vez mais completos e um maior leque de opções para facilitar a sua vida, a adoção dos lockers pode se tornar um grande diferencial para os varejistas do Brasil. Além de garantir maior satisfação para o cliente, os lockers também ajudam na otimização da operação de distribuição, pois várias entregas que antes seriam distribuídas para diferentes lugares, passam a ser entregues em um único ponto. As vantagens parecem muitas, mas será que a caixa postal 2.0 irá fazer mesmo sucesso por aqui? É esperar pra ver!

 

Referências

GIURLANI, S. A reinvenção da caixa postal. Revista Tecnologística, São Paulo, Ano XXI, n. 241, p. 52-54, dez.2015/jan. 2016

<https://www.vertexsmb.com/insights/amazon-locker-delivery-triggers-sales-tax/>

<www.amazon.com/locker>