Planejamento de rede logística no contexto nacional

Planejar a rede logística ideal para atender aos clientes sempre foi uma discussão bastante intensa no meio. Isso se deve basicamente ao fato de que não há uma única resposta certa do ponto de vista de operações, mas sim uma infinidade de opções que dependem de profundas discussões com a área de marketing e vendas, algo complexo e muito bem abordado pelo Gabriel Cruz em seu post de 15/07/2016. A rede logística que gera a maior economia em custos para a companhia pode não ser aquela que melhor satisfaz o nível de serviço que o cliente requer, colocando o ponto ótimo entre minimização dos custos e maximização das vendas sob intenso debate.

Rede Logística

Figura 1 – Centro de distribuição parte da rede logística de uma empresa do varejo brasileiro

Fonte: Divulgação

 

Diante desse clássico trade-off empresarial é importante ressaltar alguns pontos chaves desse debate no contexto brasileiro, sendo o primeiro deles a parte fiscal. Não é novidade nenhuma que os impostos nacionais, principalmente o ICMS, são uma “jabuticaba” não vistos em nenhum outro lugar do mundo. A importância do fator tributário é tamanha que insanidades logísticas passam a fazer sentido quando se consideram a captura de benefícios fiscais não incorporados previamente. Caminhões levando cargas para pontos em que não há produção nem consumo, gerando custos de combustível, manutenção, mão de obra e estadias não são uma situação incomum no Brasil.

Outro fator importante na discussão de redes no cenário nacional é a abertura e desmobilização de instalações. Os custos de capital para investimento no país são usualmente bastante elevados, situação que não é diferente para investimentos logísticos. As obras necessárias para abertura de um novo CD adaptado às operações da empresa podem ter custos bastante elevados, principalmente nos casos de cargas que requerem cuidados especiais, como as congeladas e químicas. O mesmo pode ocorrer nas decisões de fechamento de uma instalação, com a ocorrência de custos de rescisão de contratos de aluguéis, mão de obra e até possíveis necessidades de obras para devolução do local. Dessa forma, os ganhos calculados pela decisão da rede ótima devem levar em consideração esses possíveis elevados custos de investimento para essa nova configuração.

Diversos outros fatores também são importantes para decisões de redes, como custos de transferência e distribuição, capacidades de expedição e armazenagem e dispersão da demanda atual e futura. Para os fatores de transporte entram em cena no cenário nacional a falta de segurança das rodovias e custos provenientes do roubo de carga em determinadas regiões, enquanto que para os fatores de armazenagem há diferenças chaves nos custos de operação e restrições de infraestrutura em diferentes regiões do país.

E com relação a sua empresa, quais aspectos do contexto nacional mais influenciam a decisão da estrutura de sua rede logística?

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  1. […] planejamento das redes logísticas no Brasil é tema recorrente aqui em nosso blog. O Bernardo, por exemplo, já discorreu sobre o assunto, citando os fatores que influenciam nas decisões […]

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