O uso do blockchain na luta contra a covid-19



Algumas tecnologias utilizadas para conter a disseminação do covid-19, como o blockchain, já foram tema de posts dos consultores Henrique Alvarenga e Thatiana Nomi aqui no ILOS Insights. Ambos apresentaram iniciativas que estão sendo empregadas ao redor do mundo para ajudar a garantir o isolamento e distanciamento social, tais como rastreamento por drone e utilização de wearables. Contudo, um tema polêmico tem sido levantado quando se trata do emprego de tecnologias como estas.

blockchain - ILOS Insights

Figura: O uso do blockchain na luta contra a covid-19. Fonte: Launchpresso em Unsplash

A China, país onde se originaram os primeiros casos de covid-19, hoje tem a situação sob controle e já dá os primeiros passos para retornar gradualmente a normalidade. Para conseguir isso, o governo chinês adotou diversas medidas de controle do fluxo de pessoas utilizando tecnologia, como por exemplo sistemas de reconhecimento facial. E por que não adotar medidas semelhantes no restante do mundo, haja visto a dimensão e criticidade que a doença tomou ao redor do planeta? Medidas como estas esbarram no direito à privacidade, que é um dos pilares das democracias liberais, regime adotado em ampla maioria dos países ocidentais.

Pensando em questões como essa, uma outra tecnologia tem sido aplicada na luta contra a covid-19: o blockchain. Há alguns anos, comentei sobre o uso desta tecnologia como forma de auxiliar a gestão da cadeia de suprimentos. Hoje, a adoção dessa tecnologia já é discutida e utilizada por diversas empresas mundo afora e, mais recentemente, tem sido usada por startups para auxiliar no combate ao coronavírus também.

A Open University do Reino Unido, por exemplo, lançou um protótipo de um app que certifica os resultados dos testes de imunidade à covid-19 usando blockchain e “pods” – um acrônimo para Personal Online Data Stores (armazenamentos de dados pessoais online, em tradução livre). O projeto visa capacitar os profissionais de saúde e outros a produzir um passaporte de imunidade para que possam retornar ao trabalho. Os testes seriam realizados por médicos ou farmacêuticos, e, se a pessoa tivesse anticorpos e provasse a sua identidade, seria emitido um passaporte de imunidade digital. Mas como garantir que uma pessoa não irá adulterar um passaporte de outra pessoa para usar para si? É para isso que o blockchain é usado. Quando o passaporte de imunidade é criado e adicionado ao Pod (uma loja de ‘dados online pessoais’ que não está atrelada e nem é controlada por nenhum aplicativo), uma impressão digital do certificado de imunidade seria armazenada ao sistema e não poderia ser fraudado, uma vez ela seria validada por consenso e teria inúmeras cópias distribuídas em uma rede descentralizada.

No Brasil, a startup Blockforce desenvolveu a plataforma Desviralize, que utiliza o blockchain para monitorar infectados pelo Covid-19. Segundo o próprio site da iniciativa, o Desviralize foi desenvolvido com a proposta de orientar o monitoramento epidemiológico a partir das informações dos próprios cidadãos e em troca oferecer a eles o quadro geral e em tempo real de suas próprias redes de relacionamento. Cada cidadão pode acompanhar no mapa a situação da sua rua, bairro e cidade, a evolução dos sintomas de todos com os quais se relaciona e com redes de relacionamentos de seus contatos diretos. De posse dessa informação atualizada e descentralizada, as autoridades e a própria população seriam capazes de tomar decisões e agir de forma mais assertiva durante a pandemia. A solução tem como premissa a lógica do compartilhamento em rede e a segurança e a autenticidade dos dados é garantida por meio dos registros públicos, imutáveis e anônimos pela utilização de registros via blockchain. Para que a iniciativa Desviralize seja eficiente, é preciso, no entanto, que haja adesão da população, com um número maior de pessoas respondo ao questionário e aumentando a base de informações. Para saber mais detalhadamente como funciona sobre esta iniciativa, veja o vídeo a seguir.

Vídeo: Funcionamento do Desviralize. Fonte: Canal do Tales Gomes

Essas são apenas duas iniciativas desenvolvidas para ajudar a população neste momento de pandemia e que utilizam a tecnologia blockchain para garantir segurança e anonimato das informações.

Apesar do seu enorme potencial, o blockchain ainda tem alguns desafios a serem superados antes de ser adotado em maior escala, como o seu alto custo de implementação, a falta de maturidade da tecnologia, a ineficiência por conta da sua forma de operação, a lentidão em momentos de grande quantidade de usuários na rede e a dificuldade de integração com outros sistemas. Contudo, como toda nova tecnologia, a expectativa é que progressivamente os obstáculos sejam superados e o blockchain faça cada vez mais parte da vida das empresas e pessoas.

Referências:

Startup usa blockchain para monitorar infectados pelo coronavírus

– Nasdaq adopts Corda Enterprise blockchain for digital assets exchange software

– Novo aplicativo para covid-19 combina blockchain e ferramenta de privacidade criada pelo inventor da internet

– Desviralize

– Startup usa blockchain para monitorar infectados pelo coronavírus

– Desviralize, blockchain no controle do avanço do coronavírus

– Disadvantages of blockchain