Mineradoras usam veículos autônomos por mais produtividade

No início de setembro, a Volvo apresentou para o mundo o seu primeiro caminhão autônomo. A demonstração foi realizada em uma mina na Suécia, com um veículo sem motorista carregando 25 toneladas de pedras, entre paredes rochosas, a 800 metros de profundidade. Os testes da montadora sueca já acontecem há 3 meses, e a expectativa é de que os primeiros caminhões autônomos suecos comecem a pegar no pesado em 2017.

Figura 1 – Teste da Volvo na Suécia

Fonte: Volvo

Os testes da Volvo vêm ao encontro das necessidades do setor de mineração, que sofre há tempos com a redução na demanda mundial e, consequentemente, com a queda nos preços dos produtos. Além disso, as empresas do setor tradicionalmente trabalham com margens apertadas e custos logísticos altos, que chegam a representar no Brasil 16% da receita líquida das mineradoras (com forte participação da atividade de transportes, responsável por quase 70% dos custos logísticos).

Se, na Suécia, os testes ainda estão acontecendo, na Austrália, duas minas da Rio Tinto, uma das maiores mineradoras do mundo, já movimentam 100% da produção de minério de ferro com caminhões autônomos produzidos pelos japoneses da Komatsu. As frotas autônomas dessas duas minas são controladas por um centro de operações da mineradora localizado em Perth, a 1.200 km de distância, e que controla 69 caminhões autônomos.

Figura 2 – Caminhões em ação em mina da Rio Tinto

Fonte: Rio Tinto

Rivais da Rio Tinto, a BHP Billiton e a Fortescue também estão de olho na tecnologia autônoma para as suas minas na Austrália. A mais adiantada das duas é a BHP Billiton, que já fez testes no Novo México, nos Estados Unidos, e, desde 2013, opera a tecnologia em caráter experimental em uma mina na Austrália.

Logicamente, as mineradoras vêm na nova tecnologia a oportunidade de melhorar a produtividade e, consequentemente, incrementar as receitas. De fato, uma das principais vantagens dos caminhões autônomos é poderem trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem interrupções para almoço ou descanso. Além disso, um trabalhador pode gerenciar aproximadamente 50 veículos autônomos, o que permite um ganho de 500 horas de trabalho segundo a Caterpillar. Outra vantagem dos veículos autônomos nas minas está na redução dos riscos à saúde e segurança do trabalhador, que costuma sofrer com o ambiente mais agressivo e perigoso das minas.

Referências:

<http://www.businessreviewaustralia.com/technology/1843/How-autonomous-vehicles-are-helping-Rio-Tinto-and-BHP-Billiton-get-ahead>

<http://www.komatsu.com/CompanyInfo/press/2008122516111923820.html>

<http://www.mining.com/the-mine-of-the-future-might-be-a-thing-of-the-past/>

<http://www.caterpillar.com/en/company/innovation/customer-solutions/autonomous-operations.html>

<http://news.volvogroup.com/2016/05/09/the-future-of-automation-is-happening-now-at-volvo/>

<https://www.theguardian.com/technology/2016/may/26/volvo-driverless-mining-trucks-descent-machines>

<http://www.valor.com.br/empresas/4700425/vida-na-mina-sem-ninguem-ao-volante>

<http://www.abc.net.au/news/2015-10-18/rio-tinto-opens-worlds-first-automated-mine/6863814>

<http://www.mining.com/two-aussie-mines-start-moving-all-their-iron-ore-with-driverless-trucks/>

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  1. […] blog, já comentamos sobre o desenvolvimento de navios autônomos e o uso de caminhões autônomos por mineradoras, ilustrando algumas das inúmeras iniciativas que estão sendo desenvolvidas. O uso de automóveis […]

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