Henrique Alvarenga - ILOS

Manufatura compartilhada em tempos de baixa demanda

2017 chegou! Ano novo, vida nova? Para a situação econômica em nosso país, parece que não. Mesmo após a virada, que usualmente traz esperança e otimismo, vemos que não sairemos da crise tão cedo. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), as projeções para a economia brasileira apontam para um crescimento de 0,2% no ano de 2017, número mais pessimista que o anterior, de alta de 0,5% no mesmo período. Enquanto isso, as outras nações do BRICS se mantém em forte crescimento, como por exemplo a Índia, com previsão de crescimento para 2017 de 7,2% e a China, de 6,5%.

A indústria serve como um termômetro para o desempenho da economia, e a crise econômica pode ser vista claramente em seus indicadores. No ano de 2016, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), para o PIB industrial (um dos componentes do PIB), teremos um fechamento do ano com queda de 3,9%, o que configuraria o terceiro ano consecutivo com queda deste indicador.

A severidade da crise no setor secundário ocorre por uma série de fatores, sendo um deles a necessidade intensiva de capital. Para a compra de maquinários e equipamentos, por exemplo, é necessário desembolsar elevadas quantias de dinheiro, o que traz como consequência a necessidade de utilização da capacidade produtiva ao máximo, para haver retorno desse capital investido. Neste aspecto, de acordo com dados da CNI, o percentual médio de utilização da capacidade instalada da indústria ficou em 76,6%, que aponta para um alto nível de ociosidade, gerando enorme prejuízo para o setor.

Para ajudar os empresários que se encontram em situação difícil, vendo seus parques ociosos depreciando sem nenhum retorno financeiro, uma start-up brasileira se destaca. A Peerdustry é, em suas próprias palavras, “a plataforma que conecta empresas com máquinas ociosas com empresas que necessitam de horas-máquina”. Ela funciona da seguinte forma: a pessoa que se enquadra em uma das duas pontas atendidas pela Peerdustry se cadastra no site, explicitando a demanda ou a oferta que possui. O site se encarrega de tentar unir as duas necessidades. Desta forma, o empresário com a máquina ociosa consegue gerar uma receita incremental e o empresário que utiliza a máquina consegue produzir seus produtos e atender a demanda de seu mercado. É uma forma inteligente de tentar unir duas necessidades existentes na indústria brasileira atualmente. A Peerdustry já está sendo chamada de “Uber” da indústria.

Vídeo 1 – Vídeo institucional do Peerdustry

Fonte:Peerdustry

 

De uma maneira análoga, a Thatiana  citou em um post anterior a empresa Flexe Warehousing, que funciona de maneira análoga à Peerdustry: uma plataforma que conecta pessoas que necessitam de espaço de armazenagem com outras que possuem espaço sobrando. A ideia de ambas start-ups é reduzir os custos com a diminuição dos desperdícios.

A ociosidade configura um tipo de desperdício que deve ser evitado, mesmo fora da crise. Para ir mais além, nos últimos anos temos visto que o chão de fábrica se tornou foco para o gerenciamento industrial, na busca pelo aumento de produtividade, melhoria da qualidade e para o sucesso dos negócios de maneira geral. No livro “A Máquina que Mudou o Mundo”, de James Womack, Daniel Jones e Daniel Roos, o termo Lean (enxuto, em português), que se tornou praticamente um jargão entre os gerentes e líderes industriais, faz referência às boas práticas observadas em um estudo da indústria automobilística mundial, que apontava para o Sistema Toyota de Produção como o exemplo a ser seguido. O pensamento Lean influenciou e influencia, até hoje, a forma de gestão das principais empresas. Para citar alguns exemplos de práticas Lean, temos o foco na entrega de valor na visão do cliente, a produção puxada, os mecanismos de melhoria contínua e a qualidade total.

A filosofia Lean é tema central do curso online oferecido pelo ILOS de Gestão Industrial . Com uma mescla de teoria e aplicações práticas, o curso oferece uma gama de ferramentas e técnicas para os gestores de operações industriais. Vale a pena conferir!

 

Referências:

http://g1.globo.com/economia/noticia/fmi-reduz-previsao-de-alta-para-o-pib-do-brasil-em-2017.ghtml

http://arquivos.portaldaindustria.com.br/app/cni_estatistica_2/2017/01/13/11/IndicadoresIndustriais_Novembro_2016.pdf

http://www.portaldaindustria.com.br/cni/imprensa/2017/01/1,105232/7-previsoes-da-cni-para-a-economia-brasileira-em-2017.html

http://www.peerdustry.com/saibamais.html#about

http://exame.abril.com.br/exame-hoje/startup-brasileira-funciona-como-o-uber-das-fabricas-ociosas/