XX Fórum Internacional de Supply Chain e Expo Logística

Investimento e modernização da infraestrutura pautam discussões no primeiro dia do XX Fórum Internacional Supply Chain

Os principais executivos de Logística se reuniram na abertura do XX Fórum Internacional Supply Chain, no Rio de Janeiro, para discutir os desafios e oportunidades da infraestrutura logística no Brasil, assunto do track temático do primeiro dia de evento.

A mega-sessão de abertura, “Panorama Atual da Infraestrutura Logística no Brasil”, contou com a presença de Dalmo Marchetti, Engenheiro do Departamento de Transportes e Logística do BNDES, Carlos Geraldo Langoni, Diretor do Centro de Economia Mundial da FGV, Mauro Viegas Filho, Presidente do Conselho Empresarial de Infraestrutura da Firjan, Remco Overwater, Diretor Geral da Dinalog e Mona Haddad, Gerente de Práticas Comerciais e Competitividade em âmbito Global do World Bank, sob a moderação de André Zajdenweber, Sócio Executivo – Infraestrutura do ILOS.

Infraestrutura e Competitividade

Os problemas de infraestrutura logística brasileira, que afetam diretamente a competitividade do País no mercado global e local, estiveram presentes na fala de todos os participantes da mesa, que sugeriram também alternativas viáveis para o cenário que se desenha para os próximos anos.

Para André Zajdenweber, do ILOS, a solução do nó da infraestrutura logística no Brasil não passa pela construção de novos ativos de infraestrutura. “Precisamos ter um planejamento de longo prazo, sustentado por projetos de qualidade que integrem os modais de forma complementar. Esta deve ser uma política de Estado, não de um Governo ou de um partido”. Ele apontou a cabotagem como um modal muito mais eficiente do que o rodoviário, que é subsidiado pelo governo.

O Brasil tem ficado para trás em infraestrutura e logística em comparação a outros países, disse Mona Haddad, do Banco Mundial. Além disso, o País tem se caracterizado por baixos investimentos neste quesito. “Se olharmos diferentes indicadores, você vê que o custo do Brasil é muito maior do que China e Malásia”, afirmou. A especialista criticou o fato de o País, a despeito do crescimento da última década, ter permanecido relativamente fechado ao comércio internacional. “O Brasil permanece não muito conectado a outros países. E nós sabemos que o comércio é um mecanismo de crescimento”.

Segundo Mona, o elevado custo do transporte, principalmente rodoviário, o tempo longo para entrega, a burocracia na liberação das mercadorias, o congestionamento de portos e rodovias, o baixo investimento em infraestrutura e uma fraca ligação intermodal para logística são obstáculos ao desenvolvimento do setor no Brasil. “Algumas soluções envolvem melhora da cabotagem para o comércio interno, investimento em novas rodovias e maior utilização da via aquática”, listou Mona. “Sabemos que há um déficit em investimentos em transporte. Os investimentos em infraestrutura não têm acompanhado o crescimento. São muito baixos, menor do que em países que estão crescendo rápido.”

A executiva do Banco Mundial alertou ainda para a necessidade de haver uma política mais descentralizada para o setor de logística, envolvendo diversas agências reguladoras. “Há necessidade de combinar infraestrutura com melhorias operacionais olhando para toda a cadeia de suprimentos”, concluiu.

Integração, modernização e desafios

Dalmo Marchetti, do BNDES, ressaltou que nosso desafio número um é mudar a matriz modal, que precisa ser integrada para reduzir nosso desafio número dois: o custo logístico. “Temos que pensar no longo prazo. Não podemos fazer planejamentos de quatro anos. Precisamos sim ampliar ativos, mas também a produtividade e a gestão dos ativos que já temos”. Marchetti sinalizou a necessidade de entrarem novos atores para ampliar a competição no Brasil, e também de se atrair capital externo privado na infraestrutura: “precisamos andar duas vezes mais rápido nos investimentos e, para isso, ter um arcabouço legal interno e externo que dê suporte”. Para o cenário futuro, Marchetti apontou que a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) como elemento organizador da logística brasileira pode ser um atrativo de investimentos de longo prazo”.

Investir em infraestrutura pode ser um atalho para a recuperação do crescimento em um ritmo mais forte. É o que afirmou Carlos Langoni, da FGV, explicando que há uma relação muito clara entre competitividade e investimento em infraestrutura logística. “A complexidade do Estado brasileiro, a obsolescência e alta burocracia são os fatores que mais imobilizam o investimento privado em infraestrutura. Sem modernização, vamos sempre ficar defasados”. Contudo, para ele, o atraso na infraestrutura representa uma oportunidade para empresas estrangeiras, porém, apenas uma parte residual do investimento está sendo canalizada para modernização, o que poderia reduzir a incessante dependência de recursos do BNDES.

Langoni explicou que a modernização da infraestrutura depende da combinação de um choque endógeno, que passa por uma revisão profunda do papel do Estado na economia brasileira, já que, segundo ele, o governo não tem capacidade gerencial de liderar a gestão, devendo então atuar como regulador. E também de um choque exógeno, que seria um novo ciclo de abertura negociada da economia brasileira, para atrair tecnologia e inovação e estimular o avanço em eficiência e produtividade.

“Para um mundo global, precisamos de práticas globais. A baixa competitividade brasileira está toda baseada na baixa eficiência do setor público. Os desafios são imensos e a modernização da infraestrutura é uma prioridade absoluta. A escolha dessa estratégia não é uma questão ideológica, de Estado, ou de partido político. A modernização da infraestrutura é uma necessidade absoluta”, conclui Langoni.