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Inovações no mercado de armazenagem: armazenagem “pop-up” ou dinâmica

Em fevereiro desse ano, a Beatris pôs em questão uma das principais indagações que as empresas fazem a si mesmas em cenários de declínio de vendas e pressão por redução de custos: será que esse é o momento de rever minha capacidade de armazenagem?

Uma das alternativas para redução de custos se encontra no modelo dos condomínios logísticos. Localizados estrategicamente, os condomínios fornecem infraestrutura de armazenagem acompanhada de serviços de suporte, como limpeza e segurança patrimonial, e funcionam sob a lógica de rateio de custos entre os inquilinos do complexo. Portanto, em períodos de crise em que a estrutura das empresas precisa se tornar mais enxuta, determinadas operações podem se tornar mais sustentáveis através da incorporação da figura do condomínio logístico na cadeia de suprimentos da empresa.

Por outro lado, em um cenário de plena expansão dos negócios, os condomínios também oferecem uma facilidade maior de expansão, sem a necessidade de mudança de endereço. É por conta dessa flexibilidade, associada ao modelo de rateio de custos e às boas localizações, que os condomínios despontaram no fim dos anos 90 como solução logística, e, mesmo nos últimos 3 anos, seguiram com crescimento anual superior a 10% no país.

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Figura 1 – Armazenagem é um fator importante para as empresas

Fonte: Divulgação

Mas o que há de novo? Se há 20 anos surge esse modelo de negócios que introduziu mais uma figura na cadeia de suprimentos, a figura dos condomínios que conhecemos hoje tão bem, o que está por vir na esfera da armazenagem? Quais são as próximas inovações nos modelos de contratação de armazenagem?

Em um post recente, falamos sobre o boom das startups relacionadas à gestão da cadeia de suprimentos. Nesse âmbito, e no que diz respeito à armazenagem, podemos citar o caso da Flexe Warehousing.

A startup foi fundada em 2013, e tem por objetivo conectar empresas com sobra de capacidade àquelas em busca de mais espaço, de forma análoga ao modelo de negócios do Airbnb, que conecta viajantes procurando por um quarto para dormir a pessoas dispostas a alugar o espaço. Dessa forma, oferece um potencial de redução de custos para empresas com sobra de capacidade, e um potencial de redução de riscos para empresas que precisam expandir ou que desejam avançar sua rede de atendimento. A empresa atua nos EUA como um marketplace, com cerca de 300 armazéns cadastrados.

Se pensarmos que um contrato de curto prazo em um condomínio logístico gira em torno de 3 anos, podemos dizer que o modelo de contratação proposto pela startup oferece flexibilidade a um nível mais granular: os requisitos mínimos para a contratação são de 50 pallets e período de 1 mês (ou um mínimo de US$ 500). O serviço foi estruturado para empresas que buscam capacidade por determinado período de tempo, sem ter que se comprometer com contratos longos de aluguel.

O tipo serviço introduzido pela Flexe, porém, não vem de forma disruptiva ao mercado de condomínios logísticos, mas de forma complementar. Podemos dizer que os condomínios trazem vantagens para operações contínuas, enquanto que o modelo da startup abre possibilidades de ganho no sentido de permitir que empresas ofertem um nível de serviço superior em altas sazonais (através do posicionamento mais próximo de determinados mercados), e também por possibilitar que empresas testem novos produtos e mercados a custo e risco reduzidos, sem os grandes investimentos associados a uma mudança ou nova instalação.

A empresa reportou um crescimento de receita de 600% no último ano, e anunciou em julho o levantamento de mais US$ 14,25 milhões para a expansão do negócio, sinalizando o potencial de desenvolvimento dessa proposta de armazenagem dinâmica, e a manifestação das startups na busca por mais eficiência logística.

O XXII Fórum Internacional de Supply Chain realizado em outubro desse ano contou com a presença de algumas das startups mais bem-sucedidas atuantes no Brasil, como Truckpad, Visilog, eStoks, Seen Technology e Intelipost, promovendo e enriquecendo as discussões sobre inovação e eficiência na cadeia de suprimentos.

Referências:

<http://www.logweb.com.br/artigo/condominios-logisticos-flexibilidade-de-expansao-e-compartilhamento-de-custos-para-operadores/>

<https://www.flexe.com/blog/the-new-logistics-part-1-pop-up-warehousing/>

<http://fortune.com/2015/10/09/flexe-warehousing-startup/>

<http://www.scdigest.com/ontarget/16-07-25-1.php?cid=11010>

<http://www.prnewswire.com/news-releases/flexe-raises-1425m-in-series-a-funding-300301802.html>

<http://www.geekwire.com/2016/flexe-raises-14-5m-demand-warehousing-marketplace/>

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  1. […] uma maneira análoga, a Thatiana  citou em um post anterior a empresa Flexe Warehousing, que funciona de maneira análoga à […]

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