GIS : DEFINIÇÕES E APLICAÇÕES NA LOGÍSTICA

Este artigo se propõe a abordar uma das tecnologias de informação que cada vez mais está ao alcance de pequenas, médias e grandes empresas brasileiras. Os Sistemas de Informação Geográfica (SIG), ou GIS, do inglês Geographic Information Systems, têm apresentado um crescimento grande nos EUA, em torno de 20% ao ano. No Brasil, apesar de não existirem estatísticas específicas, alguns especialistas estimam que existe um crescimento na ordem de 30% ao ano.

A melhor forma de entender o significado e a aplicabilidade de GIS é através de um exemplo comum. Quem nunca viu um mapa fixado na parede demarcando áreas de venda, ou então, com clientes representados por alfinetes coloridos? Agora, as empresas com esta prática podem melhorar o processo de análise dos clientes, bem como utilizar um instrumento mais adequado na formação de zonas de vendas, isto sem mencionar as inúmeras aplicações que podem ser executadas por GIS.

O tratamento das informações espaciais no passado era realizado  basicamente através da utilização de mapas em papel. Hoje em dia, existem softwares que permitem o uso de tais informações para auxiliar na tomada de decisão. Análises do tipo quantos e quais clientes são atendidos no raio de 150 Km são facilmente realizadas pela tecnologia GIS. Além disso, pode-se fazer análises e gerar mapas temáticos utilizando mapas digitalizados contendo rodovias, ferrovias e informações sobre dados georeferenciados, como pode ser visto na figura 1. Sem mencionar a aplicação desta ferramenta em problemas de localização, seja de pontos comerciais ou de fábricas. No roteamento de veículos ela é fundamental, pois permite ao usuário visualizar as rotas que foram geradas a partir de um algoritmo.

DEFINIÇÃO

Uma definição bastante comum de GIS encontrada na literatura relaciona esta tecnologia com uma ferramenta que associa banco de dados a mapas digitalizados. Conceitos mais amplos que este são apresentados hoje em dia. Um GIS completo consiste em pelo menos cinco componentes: software, hardware, dados geográficos, pessoal e organização. Partindo do princípio que o sistema seja implementado na empresa, não basta apenas um software que trabalhe com um banco de dados e mapas digitalizados, é importante que exista pessoal qualificado, um objetivo no seu uso e interação com outras áreas dentro da organização. Portanto, GIS é uma coleção de software, hardware, dados geográficos e pessoal para facilitar o processo de tomada de decisão que envolve o uso de informações georeferenciadas na organização.

HISTÓRICO

A idéia inicial de GIS nasceu na Suécia. Entretanto, o primeiro GIS foi desenvolvido no Canadá em 1962, sendo denominado CGIS (Canada Geographic Information Systems). Ele objetivava a realização de inventários de terras em âmbito nacional, envolvendo diferentes aspectos sócio-econômicos e ambientais. Só tornou-se totalmente aplicável em 1971.

Pacotes de GIS comerciais começaram a ser desenvolvidos nos anos 70, principalmente nos EUA e experimentaram rápido crescimento nos anos 80. Inicialmente, as empresas do governo eram os principais clientes destes produtos. No Brasil não foi diferente, as principais aplicações foram nos setores de energia e ambiental.

O mercado nos anos 90 foi caracterizado pela ampla aplicação no setor privado. Nos EUA a propagação foi bastante intensa, visto que o governo americano já se preocupava com o desenvolvimento da representação digital das redes de estradas e zonas censitárias desde 1972, o que é fundamental para o crescimento desta tecnologia. No Brasil como veremos adiante, a dificuldade com as bases de dados é o principal fator que inibe a ampla utilização da ferramenta GIS.

ÁREAS DE APLICAÇÃO DE GIS

As áreas de aplicação de GIS extrapolam o uso no marketing e na logística. Estes sistemas surgiram em estudos ambientais e urbanos, sendo em seguida utilizados nas áreas de energia, água e esgoto, saúde e em estudos populacionais. Com isso, é importante ressaltar que dentro do geoprocessamento, as aplicações citadas a seguir fazem parte de um grupo específico.

Devido a importância que os dados espaciais ocupam na atividade logística, os GIS possibilitam inúmeras aplicações. A partir da utilização de dados georeferenciados, pode-se executar diversas análises nas seguintes áreas:

  • Apoio ao Marketing

Nesta área o uso de GIS auxilia na identificação do potencial de vendas das diferentes regiões. Isto fornece informação para eventuais promoções em pontos menos nobres. Além disso, pode ser realizada segmentação de mercado, pois se existirem dados disponíveis dos clientes com suas respectivas necessidades (obtidas através de pesquisas), pode-se estabelecer padrões de serviço diferenciados. A visão espacial ajuda muito neste aspecto.

  • Geografia de mercado – localização de pontos comerciais

Na atualidade, a tecnologia GIS é amplamente utilizada na geografia de mercado, que tem no estudo de localização de pontos comerciais a principal vertente.  Esta abordagem possui um escopo diferenciado do estudo de localização de fábricas e CD’s. Na localização de fábricas e CD’s os custos com transportes e armazenagem têm um impacto muito grande. Já na definição do melhor ponto comercial, questões como mão da via, sinais de trânsito e outros aspectos mais urbanos são ressaltados.

  • Localização de fábricas e CD’s / Roteamento

Neste tipo de estudo, os GIS são utilizados como interface. A solução destes problemas são obtidas através de algoritmos baseados em programação matemática. Porém, a importância que a representação visual tem no sentido de facilitar o entendimento de não especialistas é muito grande, como pode ser vito na figura 2, que apresenta o resultado de um estudo de localização, que determina o número de fábricas de uma empresa de bebidas, bem como aloca estas fábricas aos distribuidores. Além disso, a ferramenta GIS possibilita identificar problemas na resposta do modelo.

  • Análises de sistemas logísticos e o uso de SDSS

É importante existir controle em sistemas logísticos já implementados. Isto pode ser obtido através de GIS. Para distribuidores, por exemplo, pode-se identificar várias anomalias (vide figura 3), tais como: desbalanceamento das regiões de entrega, fluxos inadequados, má formação na consolidação, entre outras.

O uso de Spatial Decision Support Systems (SDSS) tem aumentado significativamente na logística. Estes sistemas podem ser definidos como de apoio à decisão utilizando dados espaciais e são caracterizados pela conjunção de sistemas especialistas com ferramentas GIS. Os softwares de localização e de roteamento  estão dentro desta classe. Além destes, podem ser incluídos modelos de alocação, previsão de vendas, controle de frota e etc.

COMO IMPLEMENTAR UM AMBIENTE GIS?

É importante definir claramente a utilização de GIS na solução de um problema na organização. Podemos identificar basicamente dois casos na aplicação da ferramenta GIS: quando existe a contratação de uma empresa especializada para a execução de um serviço específico ou quando a organização opta por comprar um software e as bases de dados, implementando o GIS com capacitação interna ou com apoio de consultorias.

A segunda alternativa está sendo mais explorada, visto que as organizações estão descobrindo a abrangêngia da ferramenta, fazendo in-house suas próprias análises e tomando suas próprias decisões. Esta escolha depende principalmente do expertise que a empresa possui na área e na capacidade de manter as bases de dados atualizadas. Conforme o mercado vai se desenvolvendo, profissionais com experiência em GIS começam a aparecer.

Se a opção de implementar um GIS na empresa for escolhida, os responsáveis pelo projeto devem analisar qual o software e quais as bases de dados que são mais adequados para a aplicação desejada.

Deve-se também considerar  a interação da área que trabalhe com GIS com as outras áreas da organização. Isto é importante visto que em geral a manutenção das bases de dados depende de vários setores. Se a comunicação não funcionar bem, todo o projeto pode estar comprometido.

SOFTWARES

No Brasil existe uma grande disponibilidade de softwares de GIS. Eles vão desde os desktop mapping até softwares que possuem algoritmos e são capazes de executar tarefas, tais como: roteamento, estudo de localização, obtenção de matriz de distâncias, entre outras. Os desktop mapping são mais baratos que os outros (custam menos que R$1000) e são utilizados principalmente pelas áreas de serviço ao cliente, vendas e marketing. Eles representam cerca de 50% das vendas dos softwares de GIS no mercado brasileiro.

A predominância dos softwares de GIS é americana. Por outro lado, empresas brasileiras vêm desenvolvendo seus produtos e ganhando participação no mercado. Os principais softwares americanos possuem representantes no Brasil. Estas empresas além de representar, são prestadoras de serviço, fazendo consultoria, vendendo bases de dados e dando treinamento.

Para quem quiser saber um pouco mais sobre os principais softwares, os sites de seus fabricantes encontram-se na tabela 1.

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ESTRUTURA ATUAL DE DADOS

Depois de ter visto a ampla disponibilidade de softwares no mercado. Constata-se, por outro lado, que o uso mais intensivo de GIS no Brasil ainda tem como limitante, na maioria das vezes, a escassez de bases de dados confiáveis e atualizadas, tanto em relação a dados espaciais (mapas digitalizados) quanto à dados demográficos e sócio-econômicos.

O principal responsável pela cartografia digital oficial e geração de outras bases oficiais é o IBGE. Embora este órgão tenha um plano neste sentido, tem encontrado dificuldades e a velocidade com que disponibiliza as bases para a comunidade é bastante lenta. Existe atualmente uma política de associar-se a iniciativa privada cedendo imagens raster e recebendo em troca as bases vetorizadas, com as quais tem intenção de padronizar e facilitar o seu acesso para todos os interessados.

Devido a falta de bases, o que tem se observado no mercado brasileiro é o desenvolvimento de bases de dados por empresas que utilizam tecnologia GIS, empresas prestadoras de serviço, prefeituras, governos estaduais e universidades.

As empresas da iniciativa privada desenvolvem uma série de projetos isolados, que têm por vezes o mesmo objetivo. Falta coordenação entre elas para criarem bases conjuntamente.

Já as empresas prestadoras de serviço se vêem obrigadas a executar o trabalho de mapeamento e digitalização para atender as necessidades dos clientes. O mesmo ocorrendo com outros tipos de bases de dados, como perfis demográficos e sócio-econômicos.

Nota-se também, que está havendo uma incrível prática por parte das prefeituras de realizarem projetos utilizando o geoprocessamento. Estes projetos têm, em geral, como um de seus pilares a preparação de uma base digitalizada dos logradouros, bem como dos lotes pertencentes às quadras da localidade. Isto tem ocorrido com bastante intensidade no interior de São Paulo.

O município do Rio de Janeiro já disponibilizou para a população a base digitalizada da cidade em CD-ROM. Nela, estão contidas informações georeferenciadas da cidade, como escolas municipais, corpo de bombeiros, pontos turísticos e outras informações relacionadas aos logradouros da cidade. Neste produto, o usuário pode inserir pontos, bem como criar mapas temáticos. O fato negativo é que a prefeitura não disponibiliza a base bruta para que comunidade possa desenvolver aplicações em ambiente GIS com outros softwares.

Existem outros inúmeros exemplos que demonstram a iniciativa isolada e pouco coordenada no desenvolvimento de bases de dados. Isto traz, sem dúvida, duplicação de esforços, resultando em maiores custos nos projetos. Falta por parte do governo federal uma política que incentive, regulamente e estabeleça regras e responsabilidades no que diz respeito à preparação de bases de dados.

NOVAS TENDÊNCIAS

O que podemos perceber como novas tendências no uso de GIS na logística relaciona-se ao desenvolvimento de produtos que compartilham a tecnologia GIS com bases de dados específicas, o uso da internet para veicular mapas e disponibilizar informações para os clientes on-line e a intensificação no uso de SDSS nas empresas.

O desenvolvimento de novos produtos visam facilitar a utilização de recursos GIS na solução de vários problemas. Estes produtos são baratos e de fácil acesso, e em geral disponobilizam um desktop mapping juntamente com uma base de dados específica. Um exemplo deste tipo de produto foi lançado recentemente em São Paulo.

O uso da internet para veicular mapas já é bastante comum nos EUA. Esta opção é adotada porque tem um custo baixo e possibilita atender o cliente de forma diferenciada.

Por fim, está sendo esperado um aumento significativo na utilização de SDSS nas empresas. Isto é justificado pelo aumento do número de variáveis, principalmente geográficas, consideradas nas análises. Com isso, as decisões ficam cada vez mais complexas e a necessidade do uso de tal ferramenta torna-se fundamental para a competitividade da empresa. Algumas organizações já estão adotando os SDSS na formulação do planejamento estratégico.

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