Formatos de contratação de transporte

A decisão sobre como será realizada a operação de transportes de uma empresa pode resultar desde altos custos e baixo nível de serviço até uma importante vantagem competitiva, portanto é interessante analisar bem as vantagens e desvantagens envolvidas nos diversos modelos, assim como a possibilidade de operar com frota própria, sempre pensando em qual opção faz mais sentido para sua operação diária.

O primeiro ponto a se analisar envolve a decisão operacional e estratégica da empresa terceirizar ou não sua operação de transportes. Atuar com veículos próprios possibilita um controle maior sobre o processo, mas a complexidade operacional diária e a dificuldade de garantir uma boa ocupação nos veículos podem ser entraves para o uso desse modelo, portanto, deve-se verificar se faz sentido a terceirização. Caso a empresa seja capaz de conferir boa produtividade para sua frota, optar por esse modelo primarizado pode diminuir os riscos sobre a operação e conferir maior agilidade sobre as decisões relacionadas à atividade, sendo especialmente interessantes para empresas ou operações regionais menores, onde a complexidade de planejar, operar e gerenciar não é muito grande.

Porém, optar por utilizar um modelo misto, ou até terceirizar 100% de seu transporte, também pode fazer mais sentido para empresas que buscam custos mais atrativos e menos complexidade operacional. Existem mais de 700 mil transportadores de carga no Brasil¹ (78% são transportadores autônomos e 22% empresas de transportes) e suas formas de ofertar transporte também podem ser personalizadas para cada empresa. O modelo que mais se aproxima da frota própria é a de veículos dedicados, onde a transportadora garante a disponibilidade da frota, e cabe à empresa contratante buscar dar produtividade aos veículos, portanto, são recomendados para operações de maior escala e necessidade de nível de serviço.

Outros modelos terceirizados também devem ser estudados, principalmente os formatos de carga fechada e o de carga fracionada. O modelo de carga fechada consiste em contratar transportadores para realizar rotas delimitadas em um veículo consolidado, ou seja, há apenas um embarcador utilizando o veículo e apenas uma entrega será feita, sendo recomendado para operações com volumes grandes e previsíveis, como transferências de fábricas para CDs. Caso o tamanho da carga transportada seja pequeno e de múltiplos destinos, pode-se optar por uma solução mais aderente a essa operação pulverizada, a de carga fracionada, onde fica a cargo da transportadora consolidar a carga de diversos embarcadores em seus veículos e cobrar apenas pelo espaço ou peso transportado. Por conta dessa necessidade de consolidação, é comum os Lead Times totais desse modelo serem maiores, assim como o maior risco de avarias e baixa flexibilidade para se adequar ao PGR (Programa de Gerenciamento de Risco) de cada empresa.

Como a realidade das empresas brasileiras é muito complexa, e normalmente envolve distâncias continentais, é interessante mesclar modelos nas diferentes operações regionais, assim como ter uma equipe qualificada e capaz de desenhar o melhor formato para buscar tanto uma redução em custos operacionais, quanto fornecer um nível de serviço competitivo no .

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Para saber mais sobre Transportes, deixo aqui alguns posts do nosso Blog:

Rodoviário perde participação, mas matriz de carga ainda é desequilibrada

A qualidade das rodovias brasileiras impacta diretamente nos custos de transporte

Custo de transporte GNV X Diesel

Agronegócio na luta para reduzir o custo de transporte

 Fontes:

http://portal.antt.gov.br/index.php/content/view/20270/Transportadores___Frota_de_Veiculos.html Em 25/10/2019