Henrique Alvarenga - ILOS

COVID-19 e a tecnologia como resposta


Em março de 2020, a pandemia do COVID-19, o novo coronavírus, é a principal notícia que circula nas manchetes dos jornais e redes sociais. Impossível não se preocupar com os impactos que isto causa no dia-a-dia das pessoas, que devem se precaver para não contrair e espalhar a doença. Desde o início do ano, já temos reportado aqui no Insights ILOS sobre os impactos do vírus na cadeia de suprimentos, no post do Alexandre Lobo e da Monica Barros. O coronavirus afetou indústrias e serviços, reduzindo as projeções de crescimento e criando forte desvalorização nas bolsas de valores. Esta crise tem gerado, em vários países, a necessidade de fechamento de fábricas, escritórios e comércio, devido ao alto grau de transmissão que o vírus apresenta. Por conseguinte, existe uma grande preocupação a respeito do isolamento dos pacientes, para conter o avanço de novos casos. Neste cenário, alguns países do mundo, principalmente a China, têm utilizado tecnologias, como drones e robôs autônomos, para inúmeras atividades, desde entregas de medicamentos em hospitais à vigilância de pessoas nas ruas.

covid-19 e a tecnologia - ILOS Insights

Figura 1 – Drone utilizado para vigilância na China. Fonte: CNN

A entrega comercial de drones já é uma realidade em alguns países do mundo, como citei neste artigo, porém na crise do coronavírus pudemos observar o desdobramento de setor de tecnologia chinês: em uma reportagem do Wall Street Journal, é possível verificar a utilização de drones para vigiar pessoas que estejam praticando algum comportamento de risco, como andar sem máscara ou estar junto com um grupo de pessoas próximas. Equipados com câmeras térmicas e alto-falantes, os drones têm sido utilizado em várias regiões da China. Em alguns casos, em que há câmera de alta resolução, é possível implementar reconhecimento facial que, integrado aos sistemas de big data do governo chinês, permite acompanhar de perto o comportamento dos cidadãos chineses.

Vídeo 1 – Utilização de drones e big data na vigilância dos cidadãos chineses, no intuito de coibir comportamentos de riscos e a propagação do vírus.

Outro uso de tecnologia que tem sido implementado pelos chineses é o uso de robôs autônomos. Em um restaurante, é utilizado um robô para entrega de comida nas mesas, evitando o contato de um garçom com os inúmeros clientes. Em um caso similar, é utilizado um robô para entregar comida a pessoas em isolamento em um hospital.

Vídeo 2 – Robôs autônomos entregam comida nos quartos dos pacientes.

Pensando nas operações envolvendo centros de distribuição, recentemente a Boston Dynamics desenvolveu um robô que realiza as atividades de descarregamento, picking e palletização que, em conjunto com os robôs autônomos de movimentação da Otto Motors, transforma as atividades de armazenagem em um ambiente cada vez mais independente de mão-de-obra humana. O HandleTM é um robô equipado com software de visão deep-learning, que o permite identificar e localizar o carregamento, possui capacidade de picking de 360 caixas por hora, suportando cargas de até 15 kg. Sua utilização em CDs surge como uma interessante alternativa neste cenário de necessidade de evitar aglomerações e o contágio do COVID-19, além dos outros benefícios relacionados à automação em geral.

Vídeo 3 – Novo robô para armazéns da Boston Dynamics, em parceria com a Otto Motors. Fonte: Boston Dynamics

Algumas atitudes do governo chinês têm causado polêmica em questões da privacidade e do respeito à liberdade de seus cidadãos. Porém, essa vigilância que tem sido implementada, em conjunto com outras medidas que o governo tomou, tem surtido efeito visto que o número de novos casos na China caiu ao longo do mês de março. Enquanto isso, percebe-se que as atividades da indústria e de supply chain poderiam ser menos impactadas, caso a robotização e a automação das operações já estivesse amplamente implementada.

E você, é a favor da implementação maciça da automação e robotização? Quais outras polêmicas poderão surgir no futuro próximo?

Referências:

Wall Street Journal
Boston Dynamics
World Meters
CNN