Monica Barros - ILOS

Coronavírus e a gestão de fornecedores – parte 2


Passado o impacto das primeiras semanas da pandemia causada pelo novo coronavírus, constata-se a preocupação de muitas empresas que:

1. São dependentes de produtos, peças ou insumos da China;
2. São extremamente dependentes de um único fornecedor, independentemente da sua localização;
3. Têm num único local (cidade/região/país) grande parte de seus fornecedores ou produção.

No primeiro post que fiz sobre o tema (“Coronavírus e a gestão de fornecedores”), mencionei que uma boa estratégia de compras e suprimento tem entre outras etapas a classificação dos produtos e insumos de acordo com o “Valor Comprado” e o “Risco de Fornecimento”.

A dimensão do “Valor comprado” na maioria das vezes era mais importante que o “Risco ao fornecimento”. Isso acontecia porque durante muito tempo a decisão de concentrar a compra de insumos ou a produção global em poucos fornecedores ao redor do planeta fazia sentido frente ao ganho financeiro. Ter custos mais competitivos era o principal fator na tomada de decisão, embora outros pontos como, a qualidade do produto e a confiabilidade do fornecedor também entrassem na matriz de decisão.

gestão de fornecedores - ILOS Insights Figura 1: Empresas mais desenvolvidas em sua gestão consideram a “exposição ao risco” na hora de avaliar seus fornecedores. Fonte: Michael Shannon em Unsplash

Empresas com uma estratégia de compras mais desenvolvida e sofisticada, já incluem a “exposição ao risco” como dimensão na avaliação dos seus fornecedores. E esse tópico engloba desde a análise de probabilidade de desastres naturais ou guerras até restrições comerciais entre países. A Apple foi uma das empresas que atenta ao risco de possível guerra comercial entre a China e EUA, pretende transferir parte de sua produção para fora do território chinês.

Não acredito que pós-COVID 19 a globalização irá acabar ou reduzir a níveis muito baixos. Não parece razoável que os países tragam de volta boa parte das linhas de produção que foram terceirizadas nas últimas duas décadas. Também não acredito que o fator preço perderá a importância na hora de selecionar o fornecedor, mas outros parâmetros ganharão relevância.

Perguntas como, “Qual o risco de um determinado fornecedor?”, “Quais são os fornecedores dos meus fornecedores?”, “A empresa deve concentrar as compras em apenas um único fornecedor? Ou apenas em uma região?”, “Com que rapidez um fornecedor pode ampliar ou diminuir a capacidade de produção?” entre outras, passarão a fazer parte da estratégia de compras e suprimentos de muitas companhias.

Essas perguntas corroboram com a opinião de alguns especialistas, que já apostam que os executivos da cadeia de suprimentos deverão considerar os 3Rs no seu planejamento estratégico: resiliência, capacidade de resposta e reconfigurabilidade (resilience, responsiveness and reconfigurability).

Não está claro ainda como as cadeias globais se estruturarão no mundo pós-COVID-19, entretanto é fácil supor que essas novas dimensões de avaliação dos fornecedores passarão a fazer parte do dia a dia dos profissionais de compras. Por outro lado, com a pandemia, ficou constatada a importância da diversificação da cadeia de suprimentos, das avaliações de risco e da necessidade de ter um plano de contingência pronto para ser usado imediatamente de forma a minimizar os danos causados por eventos inesperados.

Finalizo com a mesma pergunta: a sua empresa está preparada? O ILOS oferece treinamentos sobre “Gestão Estratégica de Suprimentos” e “Processos de Suprimentos”.