Categoria que reúne artigos, postagens, conteúdo áudio-visual e tudo o mais que seja notícia na Imprensa que envolva o Instituto ILOS

Fórum ILOS e Expo.Logística apresentam inovações disruptivas para o Supply Chain

O ILOS realizou em São Paulo entre os dias 23 e 25 de setembro o XXV Fórum Internacional de Supply Chain & Expo.Logística. Este ano, durante os três dias do evento 770 profissionais, sendo 88% deste público composto por decisores, participaram dos debates, assistiram as palestras e puderam conferir o que há de mais moderno quanto às tecnologias e ficar por dentro do que é tendência no mercado logístico.

Na abertura do evento, a sócia do ILOS, Maria Fernanda Hijjar, divulgou uma pesquisa sobre a expansão das cidades e o crescimento do comércio online, assim como o aumento da exigência dos consumidores por disponibilidade, rapidez de entrega e integração entre físico e online, que pressionam a logística das empresas a buscarem novas soluções que permitam atender essas demandas ao menor custo possível. A sessão apresentou os desafios do last mile no Brasil e o que as empresas brasileiras estão fazendo para atuar nesse cenário.

Na sequência, na sala principal, o foco do primeiro dia ficou por conta da apresentação de diversas startups que trouxeram temas relacionados à inovação e empreendedorismo digital em logística e supply chain. Além disso, as palestras abordaram a execução de estratégias de omnichannel.

O segundo dia de evento foi marcado pelas pautas transportes de cargas e infraestrutura no Brasil e demand planning para a sincronização do supply chain, enquanto o terceiro dia marcou as explanações sob o tema jornada de transformação digital do supply chain.

Vale lembrar que além da sala principal durante os três dias do fórum outros três ambientes foram utilizados durante todo o dia para a apresentação de cases.

Impressões

O CEO da BBM Logística, André Prado, lembra que a empresa apresentou duas palestras no evento, sendo uma sobre planejamento estratégico na era da Indústria 4.0 e outra que discorreu sobre diversos cases de otimização de processos aplicados aos nossos clientes. “Em ambos os casos a audiência estava muito qualificada, a sala lotada e tivemos forte interação com os participantes. Participamos também da Expo.Logística 2019 e tivemos a grande satisfação em termos o espaço mais visitado da feira. Clientes, parceiros e demais visitantes interagiram com a equipe de diretores e gerentes da BBM, abrindo diversas novas oportunidades de projetos conjuntos e comemorando os resultados alcançados. Frente a tantos fatores positivos, entendemos que o resultado previsto para o evento foi atingido e já vamos começar a nos programar para a edição de 2020.”

Já o sócio-diretor da Ripran Consultoria e conselheiro da Associação Brasileira de Operadores LOgísticos (Abol), Paulo Roberto Guedes, afirma que um dos pontos que mais chamaram a atenção foi a constatação de que, mesmo em assuntos extremamente técnicos, como são os casos da logística e do supply chain, as discussões sobre política e economia também devem se fazer presentes. “Queiramos ou não, a discussão sobre política e economia – e já era tempo – também chegou na Logística e no supply chain”, diz.

Além disso, Guedes reforça que os temas não devem ser tratados de forma periférica ou superficial, como costumeiramente acontece, mas de uma forma direta, uma vez que mesmo que muitos não queiram aceitar, as atividades do setor e a forma como se dá sua evolução, criam impactos importantes, direta e indiretamente, na sociedade, na economia e na política de uma sociedade.

O gerente de Logística e Armazenagem da Prosegur Cash, Marcel Antonio Favoretto, salienta que o fórum foi ótimo, ótima localização, ambiente adequado e intervalo ideal entre as palestras as quais tiveram duração suficiente para prender a atenção e interesse. “Por falar em palestras, foram ótimas, especialmente aquelas que retrataram cases de sucesso.  Gostei da atmosfera descontraída onde os visitantes pareceram ter ficado bem à vontade, ambiente propício para alavancar novos negócios.”

Para o consultor de Logística, Henrique Costa, este evento se destaca pelo conteúdo transnacional, traz cases, especialistas e conteúdo acadêmico de fora do Brasil, dando um aspecto global ao evento. Outro ponto lembrado por Costa foi a amplitude do quórum, pois observa-se a presença de embarcadores, transportadores, operadores logísticos, acadêmicos e fornecedores.  “E este ano os destaques formam as startups, as empresas de tecnologia e as palestras sobre tecnologias disruptivas para logística”, lembra.

Na opinião do diretor do Grupo TPC, Eduardo Leonel, os destaques desta edição foram as questões relacionadas ao last mile, data science e inteligência artificial e as soluções colaborativas. “A edição também foi uma das melhores quanto ao relacionamento uma vez que a frequência foi de profissionais de alto nível”, ressalta.

 

Fonte: Revista Tecnologistica (https://www.tecnologistica.com.br/portal/noticias/82139/forum-ilos-e-expologistica-apresentam-inovacoes-disruptivas-para-o-supply-chain/)

Cargas em navios podem crescer 30% ao ano com plano de criar ‘BR do Mar’

Empresas do setor estão otimistas como mudanças na regulação em estudo no governo

RIO – Empresas de transporte marítimo de cargas projetam um crescimento de até 30% ao ano para o setor com uma série de mudanças regulatórias que estão em preparação no Ministério da Infraestrutura. O plano do governo é editar uma medida provisória (MP) para aumentar a competição no setor e consolidar o transporte em navios, que ainda responde por apenas 5% do transporte de cargas no país, como uma alternativa às rodovias.

Cabotagem nos portos do Brasil 

Foto: Domingos Peixoto / Agência Globo

 

Atualmente as empresas só podem atuar com navios próprios construídos no Brasil, que são mais caros, ou comprados no exterior, também mais caros por conta dos impostos de importação. Segundo o diretor da Navegação e Hidrovias do Ministério da Infraestrutura, Dino Antunes Dias Batista, o objetivo da MP é atrair novas empresas para o setor reduzindo custos desse tipo de transporte.

De acordo com dados da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), cerca de 61% das cargas no país ainda é escoada pelas rodovias. Outros 22% passam por ferrovias, e o transporte aquaviário movimenta 11% dos volumes. A cabotagem responde por cerca de 5%. A Abac estima que 98% do transporte marítimo de cargas no país, excetuando-se os navios da Petrobras, são feitas por apenas oito empresas brasileiras de grande porte.

– Queremos flexibilizar essas regras para quem não puder comprar uma embarcação no país ou no exterior possa afretar — diz Batista. – Nossa tentativa é ampliar a concorrência no mercado de cabotagem, trabalhando em novas alternativas de afretamento de embarcações, com aumento da oferta na cabotagem no curto prazo e com redução de custos.

O transporte de cargas em navios passou incólume pela crise e continua exibindo crescimento anual de dois dígitos mesmo com o fraco desempenho da economia. Segundo a Abac, o setor cresceu, em média, 12,8% ao ano desde 2010. O segmento passou a chamar mais a atenção dos donos de cargas a partir de maio de 2018, com a greve dos caminhoneiros que paralisou o país. Só no primeiro trimestre deste ano, o transporte de cargas por contêineres cresceu 16,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Para Cleber Cordeiro Lucas, presidente da entidade, medidas para reduzir o custo dos operadores, como a permissão de afretamento de embarcações de bandeira estrangeira, podem acelerar essa expansão:
— A cabotagem de contêineres pode crescer até 30% ao ano, mas não de hoje para amanhã. Isso depende de termos todas as medidas implementadas. Estima-se que para cada carga transportada na cabotagem há cinco outras que poderiam ser capturadas.

Para Maria Fernanda Hijjar, sócia executiva do ILOS, as medidas que o governo pretende adotar podem impulsionar o setor com a redução de custos:
— O setor tem potencial para crescer até cinco vezes. E as medidas previstas têm o objetivo muito importante de aumentar a participação desse modal (cabotagem) na matriz de transporte brasileira. Atualmente as empresas podem afretar navios estrangeiros, mas as regras são restritivas: só podem afretar no exterior empresas de maior porte, que já têm um determinado número de navios próprios no Brasil. Além disso a embarcação afretada tem que operar com bandeira brasileira, o que obriga que a tripulação seja contratada de acordo com regras brasileiras.

Segundo Lucas, da Abac, uma tripulação brasileira pode custar cinco a seis vezes mais que uma estrangeira. O governo ainda não informou como será tratada essa questão da tripulação, quantos trabalhadores terão de ser brasileiros nessas embarcações. A Abac defende que as embarcações estrangeiras tenham apenas o comandante e o chefe de Máquinas brasileiros, garantindo liderança brasileira à tripulação.

Executivos do setor são favoráveis à abertura do mercado às embarcações estrangeiras, mas advertem que as regras precisam ser bem definidas para evitar riscos de, em um momento de reaquecimento da economia em outros mercados pelo mundo, as empresas retirem embarcações do Brasil.

— A medida vai aumentar a capacidade de afretamento mas é preciso ter também embarcações brasileiras, para dar segurança de que o Brasil não vai ficará sem navios. Se o setor crescer só com embarcação estrangeira, na hora que a China reaquecer seu mercado, por exemplo, os navios vão todos embora. E a oferta acaba de uma hora para outra — destaca Lucas. Maria Fernanda, do ILOS, concorda com essa preocupação e aponta outro risco na abertura do mercado brasileiro para navios de bandeira estrangeira: as empresas que já atuam no país e foram obrigadas a comprar embarcações nacionais ou importar com custos acima do praticado no mercado internacional ficarão em desvantagem na competição. Segundo a Abac, as empresas investiram R$ 3,5 bilhões em novas embarcações nos últimos dez anos. Quem afretar navios vai ter uma vantagem no custo de seus serviços:

— É preciso ter cuidado para que as medidas incentivem a cabotagem de forma contínua e não atrair empresas para fazerem apenas cargas de oportunidade.

Julian Thomas, presidente da Aliança Navegação e Logística, líder do mercado de cabotagem no Brasil destaca como positiva o plano do governo de desonerar o combustível dos navios, cujo preço hoje tem 18% composto de impostos. Ele também vê como positiva a ideia de isenção dos impostos na importação de embarcações por dez anos, também em estudo pelo governo:

— O objetivo é reduzir o custo Brasil, porque o custo de uma tripulação brasileira é maior do que o de uma estrangeira, por conta dos encargos
sociais. As medidas de redução de custo são importantes porque é um setor intensivo em capital. O Terminal de Contêineres de Salvador (Tecom Salvador) do grupo de logística portuária e marítima Wilson Sons aumentou sua movimentação de janeiro a julho em 25%. Biscoitos, macarrão instantâneo, a placas de geso, produtos químicos para tratamento de água, cervejas, são alguns dos dos vários clientes que trocaram o transporte rodoviário por navios.

O diretor executivo do Tecom Salvador, Demir Lourenço Júnior, não tem dúvidas de que, com a maior abertura do mercado de cabotagem no Brasil, esse tipo de transporte vai apresentar um crescimento bem maior do que vem tendo nos últimos tempos. Segundo o executivo, o transporte dos mais variados produtos, de máquinas a motos e alimentos, é cada vez maior por navios entre os vários portos do país.

— Certamente com a atração de empresas estrangeras com suas embarcações, aliado a outros itens como desburocratização do sistema e redução do preço do combustível, vai causar uma redução significativa dos custos do setor — diz Lourenço.

Depois da greve dos caminhoneiros, em maio do ano passado, com a fixação da tabela do frete, o custo do transporte rodoviário ficou mais caro. Então muitas empresas passaram a usar a cabotagem, que se tornou mais atraente e competitiva. De acordo com empresários do setor, a cabotagem é competitiva com o transporte rodoviário para cargas coletadas a cerca de 200 quilômetros do porto de embarque e cujos destinos estão a mais de 1 mil quilômetros da origem. O custo final pode ficar entre 20% e 30% menor que o do caminhão. Outra vantagem é o menor risco de roubo de carga.

— Para nós movimentadores de carga é ótima a abertura de mercado que o governo pretende fazer no setor. Hoje uma grande restrição da cabotagem é justamente a capacidade de transporte — destaca Lourenço da Wilson Sons.

Fonte: O Globo

Abertura da cabotagem para empresas estrangeiras divide Economia e Infraestrutura

Ministérios divergem sobre a extensão do projeto para turbinar o transporte de carga pela costa brasileira, visto como essencial para o programa econômico liberal do governo Bolsonaro.

BRASÍLIA – O projeto do governo para turbinar o transporte de cargas entre os portos brasileiros colocou em lados opostos os ministérios da Economia e da Infraestrutura: os órgãos divergem sobre como deve ser a abertura do mercado de cabotagem (o nome dado a essa modalidade de transporte) a empresas estrangeiras, que hoje enfrentam barreiras para operar no Brasil. Esse movimento é considerado essencial para o programa econômico liberal da gestão do presidente Jair Bolsonaro.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, ao lado do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, e Paulo Guedes, ministro da Economia, ao fundo

Foto: Dida Sampaio/Estadão

 

O ambiente fechado é visto com enorme ressalva na pasta comandada pelo ministro Paulo Guedes, que considera pouco ousado o pacote divulgado até o momento pela Infraestrutura.

A pasta chefiada pelo ministro Tarcísio Freitas também tem em mente que é preciso flexibilizar as regras do setor, e espera com essa e outras medidas triplicar o crescimento do transporte, chegando em 30% ao ano.

Mas os dois ministérios discordam em um ponto: enquanto a Economia entende que as empresas de cabotagem poderiam operar sem ter embarcação própria no Brasil, a Infraestrutura avalia que esse lastro é importante para proteger o mercado da volatilidade externa – uma demanda mais aquecida em outros países poderia provocar uma falta de navios no Brasil.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, nas últimas semanas, integrantes dos ministérios tentaram chegar a uma proposta mais convergente. De acordo com fontes da Infraestrutura, as conversas podem resultar em um projeto mais flexível em relação ao que já foi apresentado, sem se dobrar por completo à abertura integral que o Ministério da Economia idealiza para o setor.

De acordo com dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), 162,9 milhões de toneladas foram transportadas em 2018 por meio da cabotagem, um aumento de 4,1% em relação a 2017. Parte desse aumento é atribuída à greve

dos caminhoneiros, que fez com que as empresas buscassem mais alternativas de transporte para suas cargas. Atualmente, esse modal responde por 11% do mercado de transporte de cargas no País.

Apesar de ter pouco apelo popular, a pauta da cabotagem mobiliza atores importantes do setor naval. Por exemplo, pesa na conta a posição da Marinha, que durante o processo demonstrou maior apoio ao projeto de Freitas, segundo integrantes das duas pastas ouvidos sob a condição de anonimato.

O tema também chegou às redes sociais de um dos filhos do presidente, o vereador do Rio Carlos Bolsonaro. “Uma nova logística de transportes já é realidade em nosso país!”, postou o filho 02, ressaltando o crescimento esperado para o mercado com o programa.

Um dos principais pontos de resistência no Ministério da Economia está relacionado às regras de contratação de embarcação estrangeira para operar no Brasil. No programa formatado pela Infraestrutura, o grupo econômico precisará operar com embarcações de bandeira brasileira para afretar (contratar) embarcação estrangeira – sem precisar suspender a bandeira, ou seja, adptar-se às regras brasileiras, o que reduz custos -, numa proporção de 50%. Ou seja, a cada dois navios, as empresas poderiam usar um navio estrangeiro, sem restrição.

Hoje, as empresas podem usar esses navios, mas só quando não há navio brasileiro disponível para fazer o frete.

“Mantém uma empresa brasileira de navegação que possa contratar uma embarcação de fora para prestar serviço no Brasil, mas tendo lastro – nessa visão que nós temos – em embarcação brasileira fixa no País”, disse o secretário Nacional de Portos, Diogo Piloni, órgão do Ministério da Infraestrutura.

Para integrantes da Economia, esse tipo de “lastro” não deveria existir, pois hiper protege o mercado nacional de cabotagem, hoje concentrado em poucas empresas.

De acordo com o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), são três empresas de cabotagem com rotas regulares operando no Brasil. Por outro lado, a possibilidade de o negócio operar apenas com embarcações estrangeiras traz um alto de risco de volatilidade ao setor, acreditam técnicos da Infraestrutura.

A reportagem apurou que integrantes da Economia gostariam de ver no projeto mais situações similares ao que será aplicado para as chamadas “operações especiais” – quando não há equivalente no Brasil.

Por exemplo, na cabotagem para transporte de automóveis. O plano é liberar o afretamento de embarcação estrangeira, suspendendo a bandeira do país de origem, sem qualquer lastro de embarcação própria no Brasil. “Nesse caso, é uma flexibilização total”, observa Piloni. A ideia é que a empresa tenha um prazo de quatro anos para operar dessa forma.

As vantagens para fomentar novos trajetos também serão voltadas aos terminais portuários. Segundo Piloni, o investidor poderá instalar um terminal portuário dispensando o uso da licitação, por meio do contrato de uso temporário, por quatro anos.

Findo o prazo, se a linha se viabilizar, a empresa então participaria dos processos normais de licitações. A ideia é oferecer um período de “teste” da operação, sem que a empresa precise desembolsar de cara um grande volume de recursos, que pode chegar a US$ 50 milhões.

Apesar de o texto do programa já estar bastante adiantado, o governo ainda não bateu o martelo se as novas regras entrarão em vigor por meio de medida provisória ou se a opção será por enviar um projeto de lei ao Congresso. Por enquanto, especialistas e mercado local têm avaliado positivamente o que já foi anunciado pelo Ministério da Infraestrutura, incluindo as contrapartidas pensadas para a abertura do setor.

“Eu pessoalmente acho que não tem de abrir de uma vez, país nenhum do mundo abre sua cabotagem totalmente”, disse o coordenador adjunto do Centro de Excelência em Logística e Supply Chain da FGV (FGVcelog), Manoel Reis, para quem o projeto apresentado já “abre bastante” o mercado da cabotagem.

Para o presidente da Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (ABAC), Cleber Lucas, a ampliação das regras de afretamento é bastante significativa e, diante das contrapartidas elaboradas pelo Ministério da Infraestrutura, capaz de equilibrar bem o mercado brasileiro com o do exterior. “Mercado de navegação é muito líquido, se se desenvolve mercado local só com estrangeira, num primeiro aquecimento da economia mundial esse ativo sai daqui e vai direto para mercados mais interessantes”, avalia Lucas.

Fonte: Estadão

Com incentivo, Pecém pode ser principal ponto de cabotagem do NE

Projeto do Governo Federal, que pretende incentivar navegação entre portos brasileiros (cabotagem), deve beneficiar o Porto do Pecém. Operações do tipo no terminal avançaram 56% no primeiro semestre.

Operações do Pecém a portos nacionais corresponderam a 53% do total no primeiro semestre

Foto: Carlos Marlon

 

Projeto do Governo Federal, BR do Mar, pretende incentivar a cabotagem – nome dado à navegação entre portos do mesmo país – e pode consolidar o Porto do Pecém, neste tipo de movimentação, tornando-o o principal terminal marítimo do Nordeste.

“O Porto do Pecém recebe com muita expectativa essa nova proposta do ministro Tarcísio (Gomes de Freitas, Infraestrutura). Já estamos entre os portos brasileiros que mais crescem na cabotagem”, comemora Danilo Serpa, diretor-presidente do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp).

Ele destaca que, no primeiro semestre de 2019, o Porto registrou um crescimento de 56% na cabotagem de contêineres em relação aos primeiros seis meses de 2018. No período, a operação correspondeu a 53% da participação da navegação pelo Porto. “Isso se deve a nossa localização extremamente estratégica. Temos hoje seis linhas semanais regulares de navegação que nos permitem desembarcar e embarcar mercadorias para portos de todo Brasil. E com esse incentivo da União, acreditamos que vamos conseguir mais rapidamente nos tornar o principal porto de entrada e saída de cargas da região Nordeste”, aponta Serpa.

Heitor Studart, presidente da Câmara Setorial de Logística (CSLog) e coordenador do Núcleo de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), diz que o incentivo à cabotagem deve alavancar as operações no Pecém.

“Eles querem financiar a aquisição de navios estrangeiros para aumentar a demanda. Eles também vão incentivar a parte de impostos e tributos sobre embarcações. A demanda já vem aumentando desde a greve dos caminhoneiros. A previsão de imediato, inclusive com a parceria com o Porto de Roterdã, é que essas rotas externas cheguem aqui e as cargas sejam distribuídas para outros portos. É no mínimo um aumento de 30% na demanda de contêiner aqui no Ceará”, acrescenta.

Segundo Studart, o projeto vai oferecer incentivos sobre a cobrança do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “Assim como na aviação, isso pode acontecer na cabotagem. É no mesmo molde. Isso é uma paridade e eles devem dar o incentivo conjunto como foi dado para o hub da aviação. Além disso, tem os incentivos na aquisição de embarcações usadas e tem também o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que eles querem reduzir”.

O presidente da CSLog também afirma que o preço final dos produtos para os consumidores deve ser reduzido com o programa. “O custo é bem menor para o consumidor e para o setor produtivo. O frete rodoviário paga por tonelada por quilômetro útil cerca de R$ 16. O frete do navio fica quatro vezes menor em relação ao rodoviário. Então, há uma redução para o consumidor”.

Eixos

Para Maria Fernanda Hijjar, sócia-executiva do Instituto ILOS, o programa deve alavancar o segmento de cabotagem tanto no País, como no Ceará. “A intenção da BR do Mar é muito boa. É aumentar o uso da cabotagem. O Brasil ainda usa muito pouco o potencial da cabotagem, o que é muito ruim para o País. O objetivo é colocar incentivos específicos sem colocar nenhum dinheiro em infraestrutura e aumentar a utilização da cabotagem para permitir o desenvolvimento econômico e reduzir a utilização de estradas e a dependência das empresas de transporte rodoviário, fazendo com que o País fique mais adequado em termos de modais”.

Segundo ela, o Governo colocou cinco frentes na BR do Mar que foram chamados de eixos temáticos. “Os eixos são frota, que é a disponibilização de navios; custos, que são os itens relacionais aos gastos para operar a cabotagem. Eles falam um pouco da praticagem, portos e indústria naval. O projeto possibilita que empresas que operam a cabotagem tenham mais navios disponíveis. Com maior frota, elas podem ofertar mais serviços de transporte. É permitir que as empresas fretem navios em maior quantidade”.

Para ela, o maior custo para operar a cabotagem no Brasil hoje está relacionado ao combustível naval (bunker). “O Governo está buscando tirar o ICMS que é cobrado das empresas de cabotagem quando elas compram o bunker. Não pagando isso, acaba ficando mais barato e elas ganham mais competitividade. Já existe uma legislação na qual as empresas de cabotagem deveriam pagar um bunker a preços internacionais”.

Hijjar explica que quando uma empresa estrangeira compra bunker no País, ela não paga ICMS porque a operação é considerada exportação. “A lei da cabotagem já diz que o preço do bunker vendido para a cabotagem deve ser equiparado ao preço vendido para as empresas de navegação internacional. O empenho é grande em fazer com que a cabotagem aumente sua participação na matriz modal”, avalia.

Fonte: Diário do Nordeste

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Ouça a entrevista na íntegra aqui.

Fonte: Jornal da CBN – Entrevista
https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/268324/o-governo-esta-em-uma-sinuca-de-bico-diz-especiali.htm

Marcha à ré

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Fonte: O Globo – Coluna Miriam Leitão
oglobo.com.br/economia/miriamleitao
miriamleitao@oglobo.com.br
Com Alvaro Gribel e Marcelo Loureiro (inteirinos)