Paulo Fleury - ILOS

Brasil tem maior queda entre Brics

País perde cinco posições em lista do Banco Mundial. Burocracia é um dos principais entraves

­WASHINGTON E RIO­ Do ano passado para cá, o Brasil não conseguiu melhorar seu ambiente de negócios e ficou para trás no ranking de melhores locais para tocar uma empresa. De acordo com o Banco Mundial, o país perdeu cinco posições no relatório “Doing Business 2016”, que acompanha 189 economias. O tombo foi o pior entre as nações do Brics (grupo que inclui ainda Rússia, China, Índia e África do Sul), levando a economia brasileira para a 116ª colocação.

No bloco dos cinco emergentes, o Brasil só está melhor que a Índia, que figura na 130ª colocação, após subir quatro degraus em relação ao ano passado. O mais bem colocado do Brics é a Rússia, que ganhou três posições e aparece no 51º lugar, no ranking global.

A posição brasileira é pior que a média da América Latina, que, se fosse um país, estaria na 104ª posição. Nações como México (38ª posição), Chile (48ª posição) e Colômbia (54ª posição) se distanciam do Brasil. A burocracia é um dos principais entraves. O Banco Mundial calcula que, em 2015, abrir uma empresa no Brasil demorava 83 dias. Em Cingapura, líder do ranking, o processo leva só dois dias e meio. Já na Rússia, demora dez dias e meio.

Carlos Arruda, professor da Fundação Dom Cabral, diz que falta ao país implantar tecnologias que já domina, como ampliar a informatização de processos.

— O Brasil tem base tecnológica para isso. Falta uma estratégia de país — afirma.

Para Paulo Fleury, professor do Instituto Ilos de logística, as barreiras no ambiente de negócios criam empecilho para atrair investidores internacionais:

— Imagina um investidor americano ou europeu que chegua aqui e não tem a menor ideia se um processo vai demorar um mês ou seis meses? Cria um risco enorme.

Fonte: O Globo

Por: Henrique Gomes Batista e Marcello Corrêa