Adeus ano velho, feliz ano novo

O ano de 2015 não foi dos melhores para o setor de transportes no país: o baixo desempenho da economia, a alta da inflação, a elevação da carga tributária e da taxa de juros afetaram a performance do setor. Segundo a CNT (Confederação Nacional do Transporte), por ser uma atividade-meio – aquela que não é inerente ao objetivo da empresa, figurando como um serviço necessário, mas que não tem relação com sua atividade principal – o transporte sofre ainda mais com os impactos de uma crise econômica. A desaceleração do ritmo de negócios acaba promovendo uma redução significativa em sua demanda, atingindo negativamente o faturamento das empresas prestadoras desse serviço.

No início de 2015, o governo previa um aumento de R$0,15 no preço do diesel; no começo de outubro a variação já era, entretanto, maior que a esperada: R$0,19, 7,4% maior em relação ao preço anterior. A explicação vem do aumento da carga tributária: o governo optou por elevar as alíquotas PIS/COFINS (Programa de Integração Social/Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) e CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico), que incidem sobre o diesel e a gasolina; o transporte rodoviário vê-se, então, sob uma situação delicada, com queda na demanda e aumento de custos.

A dificuldade maior recai sobre as empresas que movimentam produtos de mais baixo valor agregado. Produtos de alto valor agregado costumam incluir em seus contratos cláusulas que preveem reajustes em caso de aumento no preço do diesel. Entretanto, no caso dos de baixo valor agregado, o preço do frete varia conforme o equilíbrio entre oferta e demanda do mercado, o que pressiona as empresas a encontrar mecanismos para equilibrar seus custos e receitas.

Uma das mais famosas canções de fim de ano, que dá nome a este post, entoa a esperança de dias melhores: “adeus ano velho/feliz ano novo”. Infelizmente, para o setor de transportes, os versos parecem não encontrar amparo nas projeções para 2016. Segundo a Sondagem Expectativas Econômicas do Consumidor – 2015, realizada pela CNT, o sentimento que predomina entre os empresários do setor para 2016 é de pessimismo, aliado à falta de perspectiva de melhora em curto prazo. Para quase metade dos entrevistados, 49%, o país só voltará a crescer em 2017, e para outros 19,6% a expectativa é ainda pior, prevendo uma retomada do crescimento apenas em 2018. Esse é o pior percentual já registrado pela pesquisa, que começou a ser feita em 2012!!! Para o levantamento de 2015, foram ouvidos representantes de todos os modais de transporte, entre os dias 26 de agosto e 17 de setembro, em todo território nacional. Alguns dados chamam a atenção:

  • 49,9% dos entrevistados acreditam que o PIB do país será ainda menor em 2016;
  • 69,9% acreditam que suas receitas brutas serão iguais ou menores em relação a 2015;
  • 29,3% acreditam que reduzirão, neste ano, a contratação formal de empregados;
  • 80,9% acham que haverá aumento no preço do diesel, que em 2015 já foi acima do esperado;
  • 67%, 70,4%, 66,4% e 56,3% acreditam que haverá aumento, respectivamente, na inflação, na carga tributária, na taxa de juros e na taxa de câmbio.

Figura 1-ILOS

Figura 1 – Expectativa dos transportadores para o ano de 2016

Fonte: Adaptado de CNT

 

O Brasil enfrenta um período difícil, onde as previsões não permitem esperar dias melhores no curto prazo e geram desconfianças em relação ao futuro. Espera-se que, com as medidas de retomada da economia e estímulo ao mercado anunciadas pelo governo, os versos da canção citada que dizem “que tudo se realize/no ano que vai nascer” possam também ser cantados.

 

Referências

<http://www.cnt.org.br/Paginas/Agencia_Noticia.aspx?noticia=crise-economica-afeta-o-setor-de-transporte-cnt>

<http://cargapesada.com.br/revista/2015/02/09/a-crise-no-transporte-rodoviario-de-carga/>

<http://www.jobcenter.com.br/livro-recomendado/5-02-atividade-fim-e-atividade-meio-definicao/>

<http://www.cnt.org.br/Paginas/Agencia_Noticia.aspx?noticia=maioria-dos-transportadores-revela-forte-pessimismo-e-espera-crescimento-economico-so-em-2017-cnt>