A qualidade das rodovias brasileiras impacta diretamente nos custos de transporte

Recentemente, a CNT – Confederação Nacional do Transporte publicou sua pesquisa de 2019 com um panorama atual da malha rodoviária brasileira. 108.863 quilômetros de rodovias pavimentadas foram analisados em todo o país, inclusas rodovias federais e os principais trechos estaduais. As características avaliadas foram pavimento, sinalização, geometria da via e pontos críticos. A Figura 1 traz a classificação pelo seu estado geral. Apenas 41% obteve a classificação “ótima” ou “boa”, evidenciando a baixa qualidade das rodovias brasileiras.

 

Figura 1 – Classificação do Estado Geral das rodovias.
Fonte: CNT – 2019. Adaptação: ILOS.

Na avaliação por critérios, o que se destaca como principal problema é a geometria da via. Este critério analisa a presença de faixas adicionais, curvas perigosas e acostamentos. 76,3% da extensão pesquisada se mostrou deficitária em um destes itens. Este ponto tem como principal impacto a redução da velocidade das vias, o que ocasiona maior duração das viagens. Para o transporte de cargas, isto é extremamente negativo, pois diminui o número de percursos realizados por veículo por mês, reduzindo seu indicador de utilização. Consequentemente, os custos de transporte se tornam superiores.

Com relação à sinalização, 48,1% dos trechos incluídos na pesquisa possuem classificação igual ou inferior a “regular”, sendo as placas de interseção o caso mais grave, ausentes em 49,9% da quilometragem percorrida. A falta destes itens tem como impacto alto número de acidentes nas estradas brasileiras. Segundo outro levantamento feito pela CNT, 190 acidentes e 14 mortes ocorrem por dia nas rodovias federais do país.

A análise de pontos críticos contabiliza situações atípicas ao longo da via, tais como queda de barreira, ponte caída, erosão na pista e buraco de grande dimensão. Neste ano, foram identificadas em 797 trechos, um número 75% superior ao encontrado na mesma pesquisa elaborada em 2018. 80% dos pontos críticos foram relatados por ocorrência de grandes buracos. A má qualidade das vias é oriunda da falta de manutenção e traz risco à segurança dos usuários. Além disso, impacta em custos operacionais, pelo aumento dos gastos com manutenção dos caminhões, ampliação no tempo das viagens e elevação dos gastos com combustíveis.

A CNT segregou suas análises também pela gestão de cada via. O Brasil apresenta 20,3% de rodovias sob gestão concedida e 79,7% sob gestão pública. A Figura 2 traz a qualidade geral das rodovias pavimentadas brasileiras para as duas formas de gestão. Enquanto os trechos concedidos apresentam aproximadamente 75% da sua quilometragem nas condições “ótima” e “boa”, este dado para os trechos sob gestão pública é de 32,5%, extremamente discrepante. Este fato nos leva a crer que o sistema de concessão é mais vantajoso para os usuários e para as empresas responsáveis: os primeiros pelo tráfego em vias de melhor qualidade, os segundos pelo lucro obtido a partir de praças de pedágio. No entanto, vale deixar a crítica de que este modelo tende a funcionar somente em trechos de alto fluxo, em que o retorno para as empresas gestoras seja garantido.

Figura 2 – Classificação do Estado Geral das rodovias, por tipo de gestão.
Fonte: CNT – 2019. Adaptação: ILOS.

O material publicado pela CNT confirma o que já esperávamos: as rodovias brasileiras apresentam condições alarmantes e isto reflete tanto para a pessoa jurídica quanto para a pessoa física. O custo por viagem aumenta, por conta da manutenção, do tempo despedido, do combustível e até mesmo do seguro, que impute em seu valor a periculosidade das vias. As transportadoras passam este acréscimo para os embarcadores, que consequentemente precisam aumentar o preço de seus produtos para o cliente final. Não podemos esquecer, também, do risco à vida daqueles que circulam pelas rodovias do país.

Caso haja interesse em entender como os fatores citados impactam os custos operacionais de transporte, o ILOS possui um curso de atualização em Transportes que discute este tema, entre outros relacionados.

Fontes:

CNT – Confederação Nacional do Transporte