A IMPORTÂNCIA DAS ALIANÇAS LOGÍSTICAS COMO ESTRATÉGIA COMPETITIVA

The main objective of this paper is to explore the differences between logistics alliances (win-win relationship) and traditional business practices (win-loose relationship) within two or more organizations of the same value added chanel. Also, a brief framework for a best practice implementation, check and control for such partnership is detailed, as well as we describe the most important organizational changes for the sucess of a logistic alliance.

As práticas tradicionais de negócios entre duas ou mais empresas, geralmente do tipo ganha-perde, vêm sendo progressivamente substituídas pelo desenvolvimento de alianças interorganizacionais sofisticadas, conhecidas muitas vezes por alianças logísticas. Atualmente, há pouca dúvida que as alianças logísticas têm se tornado um importante meio para conduzir diversos negócios em ambientes permeados por constantes mudanças. Todavia, a experiência nos diz que este tipo de relação interorganizacional de parceria é tão difícil de se estabelecer quanto de se manter. Enquanto inúmeros exemplos de alianças entre diversas empresas vêm sendo discutidos exaustivamente na mídia e em periódicos especializados, até agora pouco se fez no sentido de se levar a acadêmicos ou empresas interessadas os procedimentos e problemas básicos para implementação, manutenção e reavaliação dessas alianças logísticas. Este é o foco deste artigo.

  1. O QUE SÃO ALIANÇAS LOGÍSTICAS? COMO AFETAM A INTERFACE ENTRE DUAS OU MAIS ORGANIZAÇÕES?

Entretanto, antes de prosseguirmos devemos levar em consideração a definição de alianças logísticas. Segundo Donald J. Bowersox, “uma aliança reflete um desejo existente entre dois ou mais participantes de modificarem suas práticas atuais de negócios, no sentido de serem eliminadas as duplicidades de atividades nas interfaces da cadeia de valor agregado, bem como serem reduzidos possíveis desperdícios de recursos de produção, transporte e distribuição”. Temos aí três características básicas que distinguem alianças logísticas das demais estratégias de integração e/ou cooperação entre duas ou mais empresas.

  1. O desejo traduz-se num vínculo mais estreito entre duas ou mais empresas, abrangendo seus objetivos, valores, regras, comportamentos e procedimentos. Se numa transação tradicional de compra e vende, por exemplo, os preços são o principal critério de decisão e escolha, no relacionamento logístico são exploradas possibilidades de ganhos e benefícios mútuos, advindos da sinergia de se trabalhar em conjunto. Isto é algo não trivial visto a necessidade de serem vencidas barreiras comportamentais e desconfianças mútuas entre duas empresas.
  2. A modificação das práticas atuais de negócio é conseqüência direta de não mais se praticarem transações pontuais de compra e venda, mas sim um relacionamento contínuo focado na lealdade/confiabilidade entre as empresas do canal e na satisfação ao cliente. Um exemplo comum neste caso é o alinhamento vertical entre entre produtores e varejistas, usualmente marcado pela transferência/consignação de estoques. É o conhecido elo de distribuição existente entre Procter&Gamble e Wal-Mart
  3. A redução de posíveis desperdícios decorre da otimização de recursos de produção, armazenagem e distribuição, onde para isto talvez seja necessário efetuar investimentos em ativos especializados para atender as necessidades da empresa parceira. Entretanto, a exploração de oportunidades de ganhos vai depender diretamente do estágio de desenvolvimento dos dois itens anteriores.
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  1. PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO E MANUTENÇÃO

O processo de implementação e manutenção de alianças logísticas passa necessariamente pela criação de um mecanismo comum para gerenciamento de seus objetivos e estabelecimento de canais para feedback. Isto é obtido através de quatro definições principais:

  1. Papéis e responsabilidades de cada parceiro
  2. Medidas de performance usadas para auditar metas estratégicas e aderência aos padrões operacionais
  3. Tipo de informação a ser compartilhado
  4. Freqüência e forma de comunicação.

Uma vez determinadas entre os parceiros as expectactivas estratégicas e os padrões comuns de operação de diversas atividades logísticas (mensuração do serviço ao cliente, processamento de pedidos, controle de estoques, previsão de demanda, transporte e distribuição, armazenagem e estocagem, localização de depósitos/armazéns, etc), foi implementada a aliança. Não devemos esquecer que todas estas etapas envolvem basicamente o gerenciamento do medo às mudanças e da incompatibilidade de sistemas existentes entre duas organizações.

Já o processo de manutenção constitui-se de diversas visitas às instalações da empresa parceira, a fim do desenvolvimento de uma melhor compreensão de ambas operações. Aí está o ponto chave para que uma aliança logística seja bem sucedida: visitas contínuas facilitam a identificação de oportunidades de ganhos, bem como auxiliam a criação de um canal de comunicação informal e extra-organizacional entre as duas empresas, flexibilizando e agilizando possíveis correções de rumo decorrentes de mudanças no ambiente competitivo. Estas correções de rumo também podem envolver a dissolução da aliança, caso tenha sido inviável atingir os padrões operacionais pré-estabelecidos.

  1. CONCLUSÃO

Resumidamente, vimos que o surgimento de alianças logísticas decorre basicamente da exploração do relacionamento de compra e venda entre duas empresas por outros ângulos, em virtude do acirramento de pressões competitivas, desregulamentação de transportes, necessidade de melhorar os níveis de serviço ao cliente, etc. O número de alianças logísticas cresce a cada ano nos Estados Unidos e Europa, em virtude do reconhecimento por parte das empresas dos benefícios mútuos que podem ser compartilhados. Tudo indica o crescimento desta tendência no curto e médio prazos.

BIBLIOGRAFIA

* Bowersox, Donald J., “The Strategic Benefits of Logistics Alliances”, Harvard Business Review, July-August 1990, pp.36-45

* Michigan State University Global Logistics Research in Donald J. Bowersox, David J. Closs, M. Bixby Cooper, Lioy M. Rinehart & David J. Frayer, “Adapting to the Global Environment”, Proceedings of the Council of Logistics Management, 1990, p.361

* ECR Alliances