Fernando Chalreo - ILOS

A bola corre mais que o jogador: a filosofia “Goods to Person” na operação de armazenagem


O ano de 2022 é especial por ser um ano de Copa do Mundo. Enquanto fazemos simulações para calcular o quanto iremos gastar com figurinhas ou preparamos os bolões, vêm à mente também as estratégias para alcançar o sonhado hexa. Me recordo então de uma frase do ex-jogador Anderson, grande herói da Batalha dos Aflitos, que disse uma vez que o futebol brasileiro precisava ter em mente que “a bola corre mais que o jogador”. A lógica por trás dessa frase faz muito sentido: mais velocidade na aproximação ao gol adversário e jogadores mais descansados para aguentar os 90 minutos. O interessante é entender que esse princípio se aplica a diversos contextos, e no campo da armazenagem, uma filosofia baseada no mesmo princípio tem se estabelecido, a “Goods to Person”.

Como o nome diz, ao invés da coleta dos produtos ser feita primariamente por operadores que se deslocam às estruturas, o objetivo é levar o produto aos colaboradores, agilizando a operação e minimizando os deslocamentos humanos, com ganhos de produtividade e ergonomia. Em contextos de operações com dezenas ou centenas de milhares de pedidos diários, é preciso cada vez mais velocidade para cumprimento de metas de serviço mais desafiadoras e processos de separação mais tradicionais demandariam uma quantidade excessiva de trabalhadores para atingir o resultado esperado.

Há diversas estruturas e tecnologias concebidas com esse objetivo. A mais comum delas é uma estação individual de picking, que recebe caixas com os produtos do estoque através de esteiras ou robôs, cabendo a um operador que se encontra nesta estação apenas a montagem do pedido, indicada por telas ou sinais luminosos. Esse tipo de arranjo permite que um único operador execute até 1.000 coletas de produto por hora, tornando a separação extremamente ágil e eficiente. Há ainda outras estruturas, como os carrosséis verticais ou horizontais, que fazem a busca do produto no estoque e rotacionam prateleiras até chegar na estação.

Vídeo 1:  Exemplos de tecnologias “Goods to person“, utilizadas para minimizar deslocamentos de pessoas e coletar produtos mais rapidamente. Fonte: Dematic

 

Para além da produtividade no processo de picking, outras vantagens podem ser facilmente percebidas com a “Goods to Person”. A redução dos deslocamentos dos trabalhadores reduz as probabilidades de acidentes e a diminuição da fadiga tem impactos positivos tanto em produtividade quanto em qualidade de vida. Outro ponto interessante é que o estoque completo fica isolado de uma maior parte dos operadores, mitigando também riscos de furtos e avarias.

Alguns pontos de alerta, no entanto, valem ser mencionados. Além do elevado custo que algumas das estruturas podem ter, requerendo um bom estudo de viabilidade do investimento, uma montagem inadequada do layout pode gerar prejuízos em termos de flexibilidade, já que as estações ficam fixas e a movimentação depende das capacidades dos equipamentos. Sendo assim, é importante ter alternativas de redundância para o caso de produtos específicos ou falhas de maquinário.

Além de ser ano de Copa, 2022 também marca o retorno encontro presencial do ILOS com a comunidade de logística e supply chain, através do 28º Fórum Internacional de Supply Chain. O evento, que também poderá ser acompanhado online, ocorrerá entre 18 e 20 de outubro, e contará com uma trilha de conteúdo sobre inovação e tecnologia em logística e supply chain. As inscrições já estão abertas.

 

Referências:

– Dematic – Dematic Goods to Person Picking

– Warehouse Automation – Goods-to-Person Picking