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Custos logísticos e inovação no primeiro dia do Fórum 2017

Pela primeira vez em São Paulo, o Fórum Internacional Supply Chain & Expo.Logística trouxe como questões principais os custos logísticos no Brasil e a inovação no setor. Professor da Ohio State University, Walter Zinn abriu a programação deste primeiro dia com a palestra Novas Tecnologias em Logística e Supply Chain. Em sua apresentação, Zinn tratou de internet das coisas e de todas as coisas, falou de omnichannel e ainda comentou algumas ações que prometem afetar profundamente o supply chain, como o crescimento das impressoras 3D, que já podem fazer até peça para automóveis Mercedes, reduzindo a necessidade de estoques de produtos C.

Na sequência, o sócio-diretor do ILOS, Mauricio Lima trouxe os números de 2016 para os custos logísticos no Brasil. No estudo elaborado pelo ILOS, os custos logísticos em 2016 representaram 12% do Produto Interno Bruto do Brasil (PIB), com uma certa redução em transportes e um pequeno crescimento nos custos da gestão dos estoques. Segundo o sócio-diretor do ILOS, a demanda por transporte já dá sinais de recuperação após três meses seguidos de crescimento, embora a expectativa é de que 2017 repita 2016, com crescimento previsto apenas para 2018.

custos logísticos - Fórum ILOS

A tarde desta terça-feira foi aberta com o painel Mudanças na Logística e no Supply Chain. O bate-papo começou com Adriano Pitoli, da Tendências Consultoria trazendo uma mensagem otimista para os executivos do setor. Para Adriano, o fundo do poço da crise econômica já passou e agora o País está na retomada da economia, com retorno ao patamar de 2014 apenas em 2021. O Painel contou ainda com Diclei Rimorini, da Via Varejo comentando as ações da sua empresa para a integração do supply Chain físico com o on-line. Rimorini destacou ainda que um quarto dos seus clientes compra pela internet e vai à loja buscar o item. Por fim, Valdoberto Vidal, head de Supply Chain da Souza Cruz admitiu que o principal desafio dos executivos para os próximos anos é aperfeiçoar a gestão do supply Chain para o futuro e destacou ainda que uma das barreiras nas indústrias do País é o aperfeiçoamento da mão de obra, o que dificulta o crescimento das empresas.

O Fórum Internacional Supply Chain & Expo.Logística acontece de 19 a 21 de setembro, no hotel Tivoli Mofarrej, na capital paulista. Esta quarta-feira abre com o lead partner da PwC Bélgica, Pascal Jansens, falando sobre a logística internacional no continente europeu.

Qual o nível ideal de automação para sua empresa?

A automação virou sinônimo de produtividade e eficiência no atual mundo dos negócios altamente competitivo. O Cesar Lavalle já explorou previamente diversos impactos desse movimento para a logística, e o tema será amplamente tratado no 23º Fórum Internacional de Supply Chain em setembro de 2017, discutindo inovações, robotização e automação na logística.

Um dos pontos cruciais deste tema, entretanto, é que uma empresa extremamente automatizada pode não necessariamente se traduzir em uma empresa com menores custos e/ou maior faturamento. Para diversos processos o toque humano aliado a automação das máquinas ainda se faz fundamental para otimizar as operações: é a chamada autonomação.

automação armazém - blog ILOS

Figura 1 – Armazém altamente automatizado na indústria de bens de consumo

 

automação armazém 2 - blog ILOS

Figura 2 – Pick-It-Easy Robot, da empresa Knapp

 

A autonomação é a busca pela harmonia entre a agilidade e rapidez das máquinas com a sensibilidade humana. Frequentemente processos projetados para serem automatizados não enxergam de antemão todas as variáveis que podem influenciar sua eficiência, dando origem à necessidade da habilidade humana para lidar com improvisos e dados imperfeitos.

Foi o caso por exemplo do PayPal e seu sistema antifraude. Inicialmente com valores substanciais de perdas com fraudes em transações, a empresa decidiu investir em um sistema de verificação de transações altamente automatizado. No entanto, os estelionatários sempre encontravam um meio de burlar os algoritmos antifraude desenvolvidos e constantemente atualizados pela empresa. A solução encontrada foi simplificar o algoritmo para apenas sinalizar transações suspeitas e repassá-las para analistas humanos realizarem a investigação mais profundamente. Os resultados foram claramente satisfatórios.

Outros exemplos de autonomação mais ligados à manufatura ocorrem desde o advento do Toyotismo na década de 70. Fábricas e armazéns repletos de robôs e sistemas nunca dispensaram o olhar humano para detectar anormalidades, interromper a operação, corrigir o problema e instalar uma correção automática para eventuais problemas semelhantes futuros. Tanto nas fábricas quanto nos serviços a habilidade das máquinas para gerar resultados de forma ágil é análoga à habilidade humana para improvisos e correções não programadas.

E a sua empresa, tem um nível de automação ótimo para atingir os melhores resultados possíveis? Acertar o ponto ideal entre o 100% automatizado e o 100% humano é fundamental para os objetivos estratégicos de qualquer empresa.

Se você se interessa por este tema, não deixe de participar do 23º Fórum Internacional de Supply Chain de 19 a 21 de setembro de 2017. Nos encontramos lá.

Referências:

http://www.scdigest.com/experts/DrWatson_17-05-23.php?cid=12463

http://www.ilos.com.br/web/transformacao-digital-do-supply-chain/

 

O preço do diesel para o ano de 2017

preço do diesel - logo - blog ILOS

No início do ano 2017, escrevi um post sobre o aumento do preço do diesel no Brasil. Neste período, o preço deste combustível, essencial para o transporte de cargas rodoviárias no país, estava no máximo de sua cotação. Janeiro e fevereiro de 2017 foram os meses que registraram o maior valor do diesel já cobrado nos postos brasileiros (R$ 3,24/litro).

Este cenário, entretanto, mudou nos meses seguintes. O Brasil, depois de muitos anos sem praticamente nenhuma baixa de preços, finalmente registrou queda do preço do diesel nos postos. Em julho de 2017, o valor médio do diesel foi de R$ 3,1/litro, depois de 5 meses de queda consecutiva.

Essa mudança de valores está em linha com as novas políticas de preço da Petrobras, que começaram a valer oficialmente em julho de 2017, mas que já estavam ocorrendo na prática desde o final de 2016. A orientação da Petrobras é que poderão ocorrer ajustes do preço de venda para as refinarias sempre que a equipe achar necessário, podendo até ser diariamente, dentro de uma faixa determinada de 7% (para mais ou para menos). A orientação anterior era de que os reajustas seriam uma vez por mês.

As novas políticas demonstram uma tentativa da Petrobras de recuperar o market share, que tem sido perdido por conta do aumento das importações, especialmente de diesel.

Mas infelizmente, para quem trabalha com logística, a pequena tendência de queda nos preços deste combustível nos postos já se reverteu novamente em agosto de 2017, e o preço do diesel voltou ao patamar do início do ano, fechando o mês em R$ 3,24/litro.

preço do diesel - blog ILOS

Fonte: ANP; Análise: ILOS

O diesel é o principal custo logístico e tem impacto direto na competitividade das empresas brasileiras.

O tema custos logísticos no Brasil será discutido amplamente no 23º Fórum de Internacional de Supply Chain, que ocorrerá em São Paulo, dias 19 a 21 de setembro de 2017 (www.forum.ilos.com.br).

Nos encontramos lá!

Agricultura brasileira salva economia

O correspondente da BBC para a América do Sul, Daniel Gallas, fala do Mato Grosso, onde a agricultura teve um ano incrível após colheita recorde.

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e-fulfillment – Novas oportunidades logísticas para o varejo digital

Você deve conhecer o Mercado Livre, e provavelmente já comprou ou vendeu algum item por lá. A plataforma online certamente trouxe uma revolução no mercado, ao permitir que qualquer pessoa anunciasse um produto, centralizando ofertas e demandas das mais aleatórias, desde carros a coleções de figurinhas. Não demorou muito e verdadeiras lojas, que oferecem produtos em grandes quantidades e variedades, se instalaram na plataforma, dada a vitrine oferecida pelo site.

Se a plataforma virtual oferece grande comodidade para a realização das vendas, os desafios logísticos da entrega física ainda são grandes empecilhos. Isto porque as transações comerciais podem se concretizar virtualmente, mas ainda é necessário guardar os produtos, administrar estoques e entregá-los aos clientes.

O site do Mercado Livre utiliza já há algum tempo o Mercado Envios, a fim de facilitar alguns trâmites relacionados ao frete. Agora a empresa anunciou que expandirá sua atuação na logística, oferecendo serviço de transporte e armazenagem de produtos anunciados em seu site, a partir de um CD em Louveira (SP). Por enquanto, a operação é restrita a alguns clientes, mas há planos de expansão em breve, com novas instalações no Brasil.

Essa iniciativa se soma a de outras empresas no que vem sendo chamado de e-fulfillment, que como o nome diz, vai além do e-commerce, e completa o serviço da venda. Há algum tempo, os Correios, em função do fim do e-SEDEX, apresentaram o Correios LOG, serviço que também promete realizar a gestão logística completa de um vendedor, embora este não possua interface de venda em si. A Amazon também pretende disponibilizar um negócio semelhante (como descrito no post do nosso colega Alexandre Lobo, que a empresa já faz há algum tempo em outros países.

e-fulfillment - correios log - blog ILOS

Figura 1 – Imagem promocional do Correios LOG, serviço de e-fulfillment da empresa

Fonte: Correios

Tais serviços podem representar uma ótima oportunidade para o desenvolvimento do comércio pela internet no Brasil, setor que vem apresentando crescimento mesmo em época de crise. A utilização de estruturas e know-how de grandes operadores logísticos pode reduzir os custos e facilitar a administração logística do negócio. Aparentemente, a concorrência será grande e os novos marketplaces completos causarão uma grande mudança no comércio brasileiro. Essa é apenas uma das grandes transformações tecnológicas que chegam à logística. Para conhecer as últimas inovações do mercado, participe do Fórum Internacional Supply Chain 2017, que terá grande destaque para a inovação, startups e transformação digital na cadeia de suprimentos.

Referências

http://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/6927588/mercado-livre-lanca-servico-que-revoluciona-seu-formato-negocios

https://www.ecommercebrasil.com.br/artigos/fulfillment-o-que-e-e-porque-e-importante-na-operacao-do-seu-e-commerce/

http://g1.globo.com/economia/pme/pequenas-empresas-grandes-negocios/noticia/2017/08/e-commerce-exige-estrutura-desde-venda-ate-entrega-do-produto.html

http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/queda-nos-precos-aumenta-faturamento-do-e-commerce-no-1-semestre-mas-cai-oferta-de-frete-gratis.ghtml

Quanto manter em estoque: novos produtos

Em um post anterior, a Beatris Huber explica as cinco funções de estoque, descrevendo porque eles existem, em quais casos são empregados e seus objetivos. Para definição dos estoques de ciclo e de segurança é necessário ter em mãos, dentre alguns dados, a demanda do produto. Se soubermos esta informação com antecipação, como no caso de uma encomenda, saberemos qual será a demanda futura de maneira direta. Podemos, ainda, através dos registros de vendas históricas, realizar uma previsão da demanda através de métodos matemáticos. Mas existem casos em que não temos a demanda futura nem a demanda histórica como, por exemplo, no lançamento de novos produtos. Neste caso, quanto devemos manter em estoque?

Existem dois casos: o primeiro deles é o lançamento de novos produtos que possuam antecessores similares (inovações incrementais) como, por exemplo, um novo sabor de suco sendo adicionado a um portfólio já existente, de vários outros sabores. Neste caso, é possível utilizar a curva de demanda de um SKU já existente (um suco de outro sabor), analisar os dados de ramp up do início de seu ciclo de vida, atualizá-los baseado em dados e expectativas de mercado e planejar a demanda do novo produto conforme esses valores.

estoque de novos produtos - produtos similares - blog ILOS

Figura 1 – Lançamento de produtos similares podem ter demanda futura baseada na demanda histórica de produtos da mesma família.

Fonte: Wikimedia Commons

 

O segundo caso ocorre para inovações disruptivas, quando não existem produtos similares com os quais se possa estimar uma relação ou um paralelo. Neste caso, teremos duas dificuldades: a primeira é a inexistência de dados históricos para estimar o comportamento futuro. O segundo é a respeito da modelagem, pois utilizar a tradicional curva normal pode não ser o mais indicado, visto não ser possível afirmar que um produto, em seu lançamento, terá este comportamento. Serão apresentados a seguir sugestões de como lidar com estas duas dificuldades.

Para o problema de ausência de dados históricos, uma sugestão seria o uso da técnica Delphi, um método sistemático de comunicação, em que são convocados especialistas do processo para responderem questionários a respeito de suas convicções sobre quais valores de demanda um certo produto pode assumir. Desta forma, seriam obtidos valores de referência para ser utilizados. Em posse de informações de qual seria o mínimo e o máximo de demanda para o novo produto, por exemplo, seria possível traçar uma curva uniforme, conforme figura 2. A partir da definição de qual o nível de serviço que se quer oferecer, a quantidade mantida em estoque Q pode ser definida a partir da equação a seguir.

estoques de novos produtos - curva uniforme - blog ILOS

Figura 2 – Curva uniforme com valores máximo e mínimo esperado para o lançamento de um novo produto.

Fonte: ILOS

 

estoques de novos produtos - fórmula - blog ILOS

Além da curva uniforme existem uma série de outras possibilidades, a partir de curvas padronizadas que consideram um conjunto de variáveis (criticidade, resposta da concorrência, absorção, etc) para definição dos valores. A escolha entre utilizar uma curva uniforme, exponencial ou logarítmica, por exemplo, vai depender da experiência dos gestores e especialistas da área envolvida. Alguns softwares de planejamento e gestão de estoque podem também sugerir curvas em seus próprios bancos de dados.

Cabe ressaltar que tal definição não convém para produtos de baixo ou baixíssimo giro. Nestes casos, como o valor das peças são geralmente altos, a manutenção do estoque pode ser impeditiva e tal método para planejamento e gestão de estoque não é aplicável.

Referências:

WANKE, Peter. Gestão de estoques na cadeia de suprimento: decisões e modelos quantitativos . Editora Atlas SA, 2000.

Rodovias brasileiras seguem com problemas, apesar da melhora

Seis entre 10 rodovias asfaltadas no Brasil estão em condições inadequadas para tráfego. Esse é o resultado do mais recente estudo realizado pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Somado ao fato de que apenas 12% das rodovias brasileiras são asfaltados, o cenário se torna ainda mais preocupante.

rodovias brasileiras - blog ILOS

Principalmente para as indústrias brasileiras, que movimentam 65% da produção nacional pelo modal rodoviário e já são afetadas pela precariedade dos outros modais. Com estradas tão ruins, as empresas sofrem por atrasos nas entregas, prejuízos com acidentes, aumento na manutenção dos veículos, maior consumo de combustível, dentre outros fatores que impactam os custos do transporte.

Tudo bem que houve uma melhora nas rodovias brasileiras entre 2004 e 2016, período analisado pela CNT, mas os quase 60% de rodovias em estado precário continuam impactando a economia brasileira. Uma indústria precisa, principalmente, produzir de forma eficiente e levar o seu produto também de forma eficiente ao mercado. Se uma dessas premissas falha, os problemas começam a surgir, com reflexos dentro e fora da empresa.

Além de prejudicar quem já faz parte do mercado, a precariedade da infraestrutura de transportes do Brasil afasta o surgimento de novos players. Se, em um primeiro momento, os investidores ficam entusiasmados com o tamanho do mercado nacional, a preocupação rapidamente aparece quando são analisadas questões como logística e impostos, para apenas ficarmos nas mais evidentes.

Basta olhar a China para entender a importância de investir em uma infraestrutura de transportes de qualidade. Quando decidiram apostar no crescimento econômico, os chineses saíram dos cerca de 1 milhão de quilômetros de rodovias asfaltadas de 1990 para os atuais 4 milhões de quilômetros, praticamente alcançando os Estados Unidos, que possuem a mais extensa malha rodoviária do mundo, com 4,4 milhões de quilômetros.

É evidente que a competição não é pela maior malha rodoviária, mas, sim, pela mais eficiente. Se, ao menos, os 211 mil quilômetros de rodovias asfaltadas do Brasil estivessem em ótimas condições, as empresas, e o país, naturalmente, já se beneficiariam disso. A China mostra que esse crescimento é possível, basta planejar e investir.

O que os problemas com fornecedores nos clubes brasileiros podem nos ensinar?

O Fluminense apresentou hoje seus novos uniformes para a disputa do Campeonato Brasileiro, que dessa vez são confeccionados pela americana Under Armour. O que chama a atenção nessa notícia é que ela se assemelha a um acontecimento do ano passado, quando o tricolor carioca também apresentou uniformes de um então novo parceiro, a Dry World. Na ocasião, o clube deixava uma parceria de quase 20 anos com a Adidas para assinar com a jovem empresa canadense, em um acordo de cinco anos com valores que chegariam a R$ 110 milhões no total.

Figura 1 – Lançamentos dos uniformes do Fluminense da Dry World em 2016, e da Under Armour em 2017

Fonte: Globo Esporte / Extra

 

A realidade acabou sendo bem diferente do que parecia, no entanto, e a parceria foi marcada por diversos problemas. A Dry World atrasou pagamentos por diversos meses, teve dificuldades na distribuição dos produtos, a qualidade dos uniformes produzidos foi bastante questionada por torcedores e dirigentes, e as equipes das divisões de base e do time feminino de vôlei simplesmente não receberam o material apropriado, e seguiram usando os uniformes da Adidas. O resultado foi a rescisão de contrato muito antes de seu fim, o que levou ao já citado acordo com a Under Armour neste ano.

Figura 2 – Divisões de base e time de volêi tiveram que usar uniformes de fornecedora antiga.

Fonte: UOL /RBS

 

Casos como este mostram as dificuldades e leviandades que os clubes brasileiros possuem na escolha e no relacionamento com seus fornecedores de material esportivo. O próprio caso da Dry World não se limitou ao Fluminense. O Goiás e o Atlético-MG também assinaram com a fornecedora em 2016, tiveram os mesmos problemas, e ambos hoje já a substituíram pela Topper.

O clube mineiro, aliás, tem tido muitas complicações para manter um mesmo fornecedor nos últimos anos. Desde 2010, foram nada menos que 5 trocas de marca na camisa da agremiação, com escolhas duvidosas sendo recorrentes. Em 2013, o clube trocou a própria Topper pela Lupo Sports, visando um acordo de dois anos mais rentável, mas a empresa acabou tendo problemas de fornecimento, distribuição e até mesmo pôs à venda camisas defeituosas. Anos depois, com a Dry World, o clube volta a apostar em uma empresa nova que promete um grande pagamento, mas não consegue cumprir com requisitos básicos da prestação do serviço pelo qual foi contratada.

 

Figura 3 – Atlético-MG trocou 5 vezes de fornecedor em 7 anos

Fonte: Camisas e manias, Netshoes, Centauro, Camisetas de Futebol e UOL

 

Muitos devem achar que a relação com um fornecedor de material esportivo é diferente da de um fornecedor comum, como vemos em diversas atividades logísticas, afinal nesse caso é a empresa fornecedora quem paga pelo contrato. Isso não é exatamente verdade, pois grande parte dos valores que as fabricantes oferecem aos clubes são referentes exatamente ao fornecimento de materiais esportivos. O Flamengo, por exemplo, assinou no fim de 2012 um contrato de mais de R$ 35 milhões anuais com a Adidas. Mais de um quarto desse valor (R$ 9,8 milhões) era entregue através do fornecimento de mais de 90 mil peças para uso dos departamentos esportivos do clube. Ou seja, os clubes de fato compram as peças, só que o valor da aquisição é menor que o do licenciamento da marca do time por parte da fornecedora. Além disso, o fornecedor também tem a responsabilidade de entregar as camisas e outros produtos para os torcedores das agremiações, em troca de ganhar a maior parte do valor de venda.

Outros casos recentes de atrito entre times brasileiros e fornecedoras envolveram a Nike e outros três clubes. Em 2012, a empresa americana quis expandir suas parcerias no futebol brasileiro (antes restrita a Corinthians e CBF) e de uma vez só fechou acordos com Internacional, Bahia, Santos e Coritiba. Acontece que só com o primeiro a parceria foi firmada de forma direta. Com os outros a relação era feita pela Netshoes, a maior loja online de produtos esportivos, que produzia e distribuía os uniformes com material e desenho da Nike. Esse modelo de intermediação recebeu algumas críticas por parte desses clubes, principalmente por conta da distribuição a outros varejistas, e da falta de tratamento especial da Nike, que desenhava uniformes sem muita personalização, com grandes semelhanças a de outros clubes atendidos pela marca. Hoje a Nike possui ainda relações com a CBF, Corinthians e Internacional, mas não mais com os outros três. O Santos, aliás, devido a esses problemas, resolveu fazer por si mesmo a fabricação, distribuição e venda de suas peças (que são apenas desenhadas pela italiana Kappa). Este modelo inovador, no entanto, tem se mostrado muito pouco rentável ao Peixe, indicando que ainda é melhor possuir um fornecedor do que se arriscar em um negócio em que o clube não tem experiência.

 

Figura 4 – Anúncio da Nike das novas parcerias em 2012, com Internacional, Santos, Bahia e Coritiba. Só a com o clube gaúcho continua até hoje.

Fonte: Nike

 

O troca-troca de fornecedores parece de fato ser uma característica mais acentuada nos clubes brasileiros. Desde 2006, os 12 principais clubes do país (de RJ, SP, MG e RS) trocaram de marca 32 vezes e apenas o Corinthians não teve nenhuma mudança. Já os 12 clubes de maior faturamento no mundo no ano passado (todos europeus) fizeram apenas 15 câmbios de fornecedor no mesmo período, sendo que quatro dos seis maiores não os alteraram. É um indício da diferença que existe na forma como os clubes europeus gerenciam os seus contratos, e conseguem criar parcerias muito mais longas, capazes de gerar maiores frutos, tanto para a empresa quanto para o clube. Não é necessário nem mudar de continente para fazer a comparação, já que até mesmo na nossa vizinha Argentina, seus dois principais clubes, Boca Juniors e River Plate, seguem usando Nike e Adidas, respectivamente, desde o século passado.

 

Figura 5 – Comparação entre as trocas de fornecedores nos principais clubes do Brasil e da Europa

Fonte: Elaboração própria

 

O último caso que vale a pena mencionar é o do Vasco da Gama com a Champs em 2008 e 2009. O clube apostou na parceria com a empresa brasileira, nova no mercado, mas não teve sucesso. As primeiras camisas apresentadas foram criticadas publicamente pelo presidente do clube e por torcedores (pois não tinham a faixa transversal, que é símbolo do time) e novas tiveram que ser providenciadas, as peças eram de má qualidade, produtos prometidos não foram lançados, aconteceram diversos atrasos na entrega de material ao clube, a empresa não conseguia distribuir os uniformes para as lojas com um nível de serviço adequado (aliás, os problemas de distribuição de peças poderiam render um post por conta própria) e atrasou pagamentos do contrato. Houve ainda o envio de meiões com o nome do time a outro clube parceiro da empresa, o Vitória-BA, que até foram utilizados pelo goleiro do time baiano, pois eram os únicos disponíveis. Anos depois, a proprietária da empresa ainda seria presa, acusada de estelionato, e a fornecedora deixou de existir, e mesmo já não tendo envolvimento com o Vasco, a breve parceria com o clube carioca foi lembrada nas matérias jornalísticas do caso, o que não é exatamente bom para a imagem do cruzmaltino.

 

 Figura 6 – No topo, uniformes novos rejeitados pela torcida. Em baixo à esquerda, a confusão do envio de meiões a outros clubes. À direita, caso de polícia relembra a antiga parceria

Fonte: Netvasco, Globo Esporte, Lancenet

 

O que se vê nos clubes brasileiros é que muitas vezes os dirigentes parecem olhar apenas para as cifras do contrato apresentado e esquecem de todo o resto, como a capacidade da empresa que está propondo a oferta em atender as necessidades da equipe de material para treino e jogos, a experiência no mercado brasileiro para comércio e divulgação dos produtos oficiais do clube (que geram receitas de royalties), a expertise de design e tecnologia de uniformes para agradar jogadores e torcedores, os valores da marca que ficará ao lado do escudo do clube, a capacidade de gerenciar lojas oficiais, e de promover novas plataformas de vendas, promoção e relacionamento que potencializem os ganhos para ambos.

Estes acontecimentos do mundo do futebol podem trazer diversas lições sobre a gestão e relacionamento com os nossos fornecedores. Da mesma forma que os clubes devem atentar a diversos fatores para seleção de um parceiro, todas as empresas também têm que ser igualmente criteriosas e detalhistas ao negociar novas colaborações. É preciso olhar não apenas para os valores que estão sendo negociados, mas para tudo o que envolve os dois potenciais parceiros, como as condições de nível de serviço, meios de comunicação, outros custos que podem estar ocultos, situação financeira da empresa que quer ser contratada, experiências anteriores, garantias contratuais para cumprimento adequado do negociado, além de políticas de ética, compliance e sustentabilidade da empresa que irá se associar ao seu negócio. Essa visão completa da parceria é um tema muito abordado nos nossos cursos sobre compras e suprimentos, e é fundamental para construção de relacionamentos mais longínquos e valiosos, e para que se evitem traumas de rescisão, disputas judiciais e esforços e gastos desnecessários com trocas constantes de fornecedor.

E a sua empresa, bate um bolão com seus fornecedores ou tem marcado gols-contra?

 

Referências

http://www.lance.com.br/santos/fabricacao-propria-nao-rende-peixe-lucra-700-mil-com-uniformes.html

http://espn.uol.com.br/noticia/630333_dry-world-esgota-paciencia-e-atletico-mg-procura-nova-fornecedora-no-mercado

https://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2016/07/27/ta-dificil-flu-sofre-com-atrasos-da-dryworld-e-usa-adidas-na-base.htm

http://maquinadoesporte.uol.com.br/artigo/bahia-antecipa-fim-de-contrato-com-nike-e-avanca-em-negociacao-com-penalty_26982.html

http://espn.uol.com.br/noticia/397053_camisas-copias-de-europeus-da-nike-enfurecem-clubes

http://www.otempo.com.br/superfc/atl%C3%A9tico-reduz-contrato-com-lupo-para-um-ano-1.689246

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL1116692-9825,00-CHAMPS+AFIRMA+QUE+MEIOES+DE+VASCO+E+VITORIA+SAO+PRATICAMENTE+IGUAIS.html

http://maquinadoesporte.uol.com.br/artigo/eurico-reclama-da-nova-camisa-do-vasco_6923.html

http://extra.globo.com/esporte/fluminense/flu-rescinde-com-adidas-assina-com-dry-world-no-total-de-110-milhoes-contrato-o-mais-valioso-da-historia-do-clube-18384908.html

http://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/2012/12/flamengo-aprova-parceria-com-adidas-veja-detalhes-do-contrato.html

https://www2.deloitte.com/br/pt/pages/consumer-business/articles/Deloitte-Football-Money-League.html

https://ndonline.com.br/florianopolis/esportes/proprietaria-da-fornecedora-esportiva-champs-e-presa-em-sao-paulo?provider=facebook

https://extra.globo.com/esporte/fluminense/fluminense-lanca-os-novos-uniformes-com-slogan-veste-se-for-guerreiro-21615083.html

A evolução da Internet of Things no Supply Chain Management

A Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT), apesar de ainda ter bastante oportunidade de evolução, já não é mais novidade. Em 2015, nosso especialista Leonardo Julianelli já falava sobre o tema.

A IoT pode ser aplicado em toda a cadeia de suprimentos, trazendo benefícios para as diversas funções logísticas como na armazenagem, na gestão de estoques, no transporte, no atendimento à demanda e no customer service. Esses benefícios vão desde à redução de custos por meio da redução de desperdícios, redução do consumo de recursos e melhor uso dos ativos, até a melhora do nível de serviço ao agregar valores de tempo, lugar, qualidade e informação. Em resumo, a IoT viabiliza um novo patamar de eficiência operacional, além de criar serviços automatizados para seus clientes.

A aplicação da IoT no supply chain pode se dar em diferentes estágios, dependendo do nível de sofisticação tecnológica empregada:

1. Transparência de ativos

Com o monitoramento dos ativos por meio de sensores é possível registrar a sua utilização. Essa informação pode ser usada a posteriori para análises de produtividade, utilização e ociosidade dos ativos, gerando inputs importantes para tomada de decisão de ajuste de capacidade. Um exemplo seria acompanhar o uso de empilhadeiras, observando as horas do dia que são mais utilizadas e se há espaço para cortar alguma empilhadeira da operação. Dessa forma, por meio do conhecimento profundo de todos os ativos, é possível alcançar a maximização do seu uso.

2. Monitoramento e controle

Juntamente com o monitoramento do uso dos ativos, é interessante acompanhar o consumo de recursos e as condições desses ativos. Quanto estão gastando de energia, qual a temperatura, qual a vibração, são alguns exemplos de monitoramento que podem ser uteis para evitar desperdícios e avarias.

O projeto MoDe, apoiado pela União Europeia, é um exemplo de como o monitoramento e controle por meio da IoT pode reduzir os custos de manutenção de veículos. O projeto consiste no desenvolvimento de um caminhão que identifica de forma autônoma a necessidade de manutenção no momento certo e envia a informação para uma central de monitoramento. Essa central, que recebe os dados sobre as condições dos veículos em tempo real, direciona o veículo para a assistência técnica mais próxima. Dessa forma, evita-se a manutenção preventiva com base em dados históricos e estatísticas, o que pode inativar o veículo antes da real necessidade. Para conhecer mais sobre o projeto MoDe, assista o vídeo a seguir.

Outro exemplo de monitoramento e controle é o protótipo de Smart Bottle da Blue Label, apresentado no Mobile World Congress de Barcelona em 2015. O projeto consiste em um rótulo com sensor impresso com NFC (Near Fiel Communication), que transforma a Blue Label em uma garrafa inteligente. Por meio de um smartfone, o consumidor pode rastrear todo o caminho que a garrafa fez até chegar na gôndola e ainda ter informações sobre as condições do produto (se o rótulo foi violado, por exemplo). Este é um exemplo de como a IoT pode oferecer um melhor nível de serviço ao proporcionar o valor de informação ao cliente. O vídeo a seguir apresenta mais detalhes sobre essa ideia.

3. Otimização da Operação em Tempo Real

Neste estágio de implementação da IoT o objeto possui algoritmos que otimizam sua operação em tempo real, sem a interferência humana. Um exemplo seria o termostato de um frigorífico ligado ao controle de resfriamento, que aumenta ou diminui de intensidade automaticamente de acordo com a temperatura do ambiente de forma a otimizar o uso de energia. Assim a otimização acontece de forma automática, sem necessidade de uma análise de dados a posteriori para a tomada de decisão.

4. Automatização Completa do Sistema

Este é o estágio mais evoluído da IoT, quando os objetos interagem entre si e otimizam a operação como um todo em tempo real, sem necessidade de interação humana no processo. Um exemplo hipotético seria uma prateleira do armazém que atualiza o WMS em tempo real e identifica o nível de estoque dos produtos. Quando o estoque chega no nível mínimo, a prateleira se comunica automaticamente com o ERP do fornecedor e faz o pedido de acordo com os parâmetros programados.

 

Evolução da IoT - blog ILOS

Figura: Estágios do uso da IoT na operação

Atualmente a IoT ainda é muito dependente de interação humana, principalmente na análise dos dados e tomada de decisão. Por isso, ainda há muito espaço para a sua evolução. Espera-se que no futuro a conexão entre objetos e sistemas aconteça de forma completa, deixando para as pessoas as decisões mais estratégicas e o desenvolvimento dos algoritmos de otimização.

 

Referências:

Internet of Things e Nanotecnologia: aonde iremos chegar em Supply Chain Management

http://gtdc.org/wp-content/uploads/2016/06/Internet-of-Things_ATKearney.pdf

 

E-commerce brasileiro, se prepare: a Amazon está realmente chegando

Enquanto avança no varejo físico nos Estados Unidos, a Amazon caminha para estender seus tentáculos virtuais no Brasil. Após quatro anos apenas vendendo livros e kindles no e-commerce, a varejista começa a negociar com lojistas de smartphones, notebooks, tablets e acessórios para vendê-los em seu marketplace. Inicialmente, a ideia é apenas entregar os produtos, mas, existem planos de a empresa também armazenar as mercadorias dos lojistas em centros de distribuição espalhados pelo País. As expectativas são de essa operação começar a funcionar já no terceiro trimestre deste ano.

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Muitos acreditam que a Amazon vai chegar apenas replicando o que já é feito por outros e-commerces no Brasil. Ou seja, teremos prazos de entrega dilatados, principalmente para cidades distantes do eixo Rio-São Paulo, para driblar a tradicional ineficiência logística do País e fugir de possíveis penalizações. Dessa forma, a Amazon seria apenas mais uma opção de e-commerce, mas que contaria com a força da sua marca para ganhar mercado.

Tudo bem. Não é apenas a logística que emperra as empresas no Brasil. Burocracia, loucuras tributárias, insegurança física e jurídica, falta de mão de obra qualificada, tudo isso deve ter contribuído também para esse tempo de maturação da Amazon no País. Mas, como o meu assunto é logística, fico em dúvida: será que a Amazon realmente vai apenas replicar a tradicional ineficiência logística brasileira ou ela encontrou uma forma de trazer o seu nível de serviço para o País e realmente se diferenciar do restante do mercado?

Torço pela segunda opção, e explico. Para uma empresa acostumada a, por vezes, entregar em menos de 24 horas em grandes cidades norte-americanas, ter que se submeter à prática usual brasileira de longos prazos de entrega, para poder garanti-los, seria quase um atentado à alma, e à marca! Afinal, além de ser a “everything store”, ela também é conhecida pelo seu alto nível de serviço, com uma forte cultura de preocupação com o cliente.

Mas aí entra o x da questão: como a Amazon ofereceria melhores níveis de serviços enfrentando todos os problemas logísticos que vivemos no dia a dia? Uma opção seria a compra de uma transportadora, embora ela também pudesse encontrar dificuldades para impor a sua cultura. Outra seria apertar muito os prestadores de serviços locais para conseguir níveis de serviços pouco usuais no País, principalmente fora do eixo Rio-São Paulo.

De qualquer forma, quando a Amazon entra em um mercado ou segmento, invariavelmente, ela chega arrasando, com níveis de serviços altos e preços baixos, mesmo com prejuízo, literalmente sufocando o mercado existente. Não imagino porque seria diferente no Brasil e acredito que ela vai chacoalhar o e-commerce nacional. Opções, criatividade e conhecimento, a Amazon tem de sobra e vamos continuar acompanhando os próximos passos dela.