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A produção de leite no Brasil

O leite é um alimento bastante presente no cardápio do brasileiro independente de sua região e/ou classe social. Tanto em sua versão UHT pasteurizada, quanto em derivados como queijos, iogurtes e achocolatados, o leite passa por um complexo processo produtivo e logístico em sua cadeia de suprimentos até chegar às prateleiras dos supermercados.

No Brasil, segundo o IBGE, há registro de produção de leite em 555 das 558 microrregiões do país, em sua grande maioria oriundo de pequenos produtores. Além disso, devido a características específicas o leite possui um nível de perecibilidade muito alto, o que dificulta ainda mais seu manuseio e armazenagem. Dentro desse contexto, é importante ressaltar a atuação de cooperativas, facilitadores logísticos que consolidam volumes diariamente de forma a simplificar a coleta das grandes indústrias. Dessa operação surgiu o conceito do milk run, que consiste na coleta ordenada de pequenos volumes de insumos a partir do mesmo veículo, da mesma forma que as cooperativas realizam diariamente com pequenos produtores.

Entretanto, apesar de ser um dos grandes produtores mundiais de leite, o Brasil ainda tem a qualidade do produto como grande limitador do crescimento desse mercado. É possível traçar uma clara relação entre o desenvolvimento social da região de produção e a qualidade do leite produzido. Na maioria das vezes isso se deve à precariedade dos métodos de alimentação do gado e ordenha, o que afeta as propriedades e consequentemente o paladar final do leite. Esse é um dos principais motivos da carência de grandes empresas de produtos lácteos no Nordeste, região que apesar do grande mercado ainda é, em sua maior parte, abastecido por indústrias localizadas em MG, SP, GO e sul do país.

De toda forma, o leite ainda é um dos principais geradores de emprego e renda no campo, mesmo com a estagnação da produção devido à crise dos últimos anos. Além disso, diversas oportunidades, principalmente relativas a fusões e aquisições, têm movimentado o setor e podem levar a um aumento na demanda de leite para os próximos anos. Será necessário planejamento no campo e reestruturação da logística para que o cenário futuro de produção e distribuição de leite seja bem aproveitado.

 

Novo papel da armazenagem

Se você acha que a missão da armazenagem é guardar estoques, você está umas três décadas atrasado na história. Com o aumento das exigências de qualidade e nível de serviço, o aumento do número de SKU’s, a preocupação com o meio ambiente, a proliferação de estratégias como just in time e programas de resposta rápida, além do crescimento do comércio virtual, a armazenagem deixou de ser apenas um custo inevitável para o negócio e passou a ser uma oportunidade de diferencial competitivo. Sua nova missão é gerenciar o fluxo físico e de informação para agregar valor na cadeia de suprimentos por meio de oportunidades de economias para a operação e oferta de melhores serviços para o cliente.

O armazém pode estar na fábrica, mantendo uma fonte estável de suprimento ou equilibrando e amortecendo variações entre programações de produção e a demanda. Em ambos os casos, tanto o armazém de matéria prima quanto o armazém de produto acabado na fábrica contribuem para a redução de setups, aumento da estabilidade e ganhos de produtividades, trazendo economias significativas para as linhas de produção.

O armazém pode estar em forma de centro de distribuição, acumulando e consolidando produtos de diferentes fábricas ou fornecedores. O CD é um apoio às estratégias de serviço ao cliente, garantindo disponibilidade de estoque e mix de produtos de diferentes fontes e acomodando diferenças de tempo e espaço entre produtores e consumidores. Este tipo de armazém também traz benefícios econômicos como a possibilidade de consolidação de cargas, a centralização de operações de logística reversa, além de permitir o adiamento da última etapa produtiva para um local e tempo mais próximos do cliente viabilizando até a customização do produto (postponement).

Por último, o armazém pode estar mais próximo do cliente na forma de um armazém local ou um centro de distribuição urbano (CDU). Neste caso, sua missão é diminuir distâncias de transporte, permitindo resposta rápida. Este tipo de instalação tem ganhado cada vez mais importância com o grande crescimento do e-commerce, que trouxe o foco da logística para o last mile e aumentou a necessidade de reduzir os custos de frete e tempos de entrega. Leia mais sobre este tema no post da consultora Fernanda.

Considerando o papel operacional da armazenagem, ela continua sendo um conjunto de processos voltados para estocagem, movimentação e processamento de produtos e informações. No entanto, seu papel estratégico está cada vez mais em evidência. Sendo o elo de ligação e coordenação no canal de distribuição, a armazenagem precisa atender de forma eficaz os mercados geograficamente mais distantes procurando criar valor para os clientes por meio do maior sortimento de produtos, customização, redução do tempo de atendimento e redução do preço do frete.

O despontar dos Centros de Distribuição Urbanos (CDUs)

O grande crescimento do e-commerce nos últimos anos tem destacado um desafio logístico antigo: o last mile ou última milha. Trata-se da etapa final da viagem do produto antes que ele chegue à porta do seu cliente, ou seja, o momento que as mercadorias saem de um centro de distribuição (ou da fábrica, caso a venda seja direta) para seguir ao seu destino final.

O despontar do e-commerce e da importância do last mile está diretamente relacionado com a importância que a Geração Y, ou os millennials, possui atualmente. Segundo o último Censo realizado pelo IBGE em 2010, a maior parte da população brasileira pertence a essa geração nascida entre 1980 e 2000. Trata-se da primeira geração de nativos digitais e que, consequentemente, possui uma relação íntima com as novas tecnologias e a internet. Apesar desses jovens se importarem com a qualidade, esta geração dá grande valor ao preço, a conveniência e não cansa de buscar novas oportunidades, sendo uma geração de difícil fidelização. Por isso, fatores como custo de frete e tempo de entrega nunca foram tão importantes para as empresas que atuam no comércio virtual.

Figura 1 – População do Brasil – Censo 2010

Fonte: IBGE

 

Há todo momento surgem na mídia projetos para entregas de encomendas por drones ou robôs com o objetivo de atuar neste problema e reduzir o tempo do ciclo do pedido. No entanto, além de atuar diretamente no transporte, uma outra alternativa capaz de minimizar essa questão consiste na redução da distância entre o centro de distribuição e o cliente, utilizando-se de um Centro de Distribuição Urbano (CDU).

Diferentemente dos grandes armazéns localizados em áreas mais remotas e geralmente próximas a estradas que facilitam o acesso às grandes cidades, os CDUs são instalações menores, localizadas a uma distância de até 15km dos grandes centros urbanos. Em geral, estes mini CDs ocupam o espaço de antigas fábricas, grandes lojas de varejo ou edifícios corporativos obsoletos, atendendo a uma necessidade mínima de espaço e facilidades necessárias.

Ainda em 2014, a Amazon, maior vanguardista quando se trata de soluções para o last mile, lançou o seu programa “Prime Now”, que garante aos clientes assinantes entregas em até 1 hora de mais de 20.000 produtos após realizado o pedido. Para permitir isto, ela criou instalações como o CDU localizado em um prédio no centro de Manhattan (Nova York), conforme o vídeo a seguir. Os entregadores utilizam bicicleta, carro, transporte público ou vão até mesmo a pé para garantir a entrega no prazo acordado e driblar as restrições de circulação das grandes cidades.

Vídeo 1 – Centro de Distribuição Urbano da Amazon em Nova York

Fonte: Tech Insider

 

Apesar de proporcionar entregas muito mais rápidas e reduzir a cobertura de estoque da empresa, é preciso um detalhado estudo e uma operação muito bem estruturada para garantir que o CDU será rentável para a empresa. Primeiramente, o metro quadrado para aluguel de uma instalação perto dos grandes centros urbanos é sensivelmente mais caro do que o pago em um Centro de Distribuição tradicional, uma vez que se trata de uma região mais nobre da cidade. Além disso, nem sempre é tarefa fácil encontrar no grande centro urbano um local com as dimensões adequadas e capaz de receber constantemente caminhões e outros veículos. Para garantir o alto giro dos produtos, também é necessário restringir quais itens poderão integrar o serviço de entrega expressa da empresa, pois as dimensões reduzidas do CDU não permitem o desperdício de espaço com produtos com venda intermitente.

Os desafios para mitigação dos problemas relacionados a última milha são muitos, mas, diante do crescimento do e-commerce e do grau de exigência dos consumidores, esta é uma questão que deve sempre ser prioridade dos gestores para garantir a competitividade de suas empresas no longo prazo.  Por isso, olho nos Centros de Distribuição Urbanos!

 

Referências

<https://www.naiop.org/en/Magazine/2017/Spring-2017/Business-Trends/E-commerce-2-Last-mile-Delivery-and-the-Rise-of-the-Urban-Warehouse.aspx>

<http://fortune.com/2016/12/22/a-look-inside-amazons-two-hour-delivery-warehouse-in-midtown-manhattan/>
<http://www.portalnovarejo.com.br/2014/12/18/amazon-inicia-entrega-em-1h-em-nova-york/>

<http://saldopositivo.cgd.pt/empresas/abc-do-empresario-o-que-e-a-geracao-millennials/>

<https://www.mandae.com.br/blog/ultima-milha-entenda-seu-impacto-na-logistica-do-comercio-eletronico/>

Como as caixas de entrega podem reduzir o custo logístico

Grande parte dos fabricantes, distribuidores e varejistas do setor de bens de consumo utiliza maciçamente caixas de papelão para a consolidação das entregas e recebimentos de seus produtos. Isso se deve majoritariamente ao baixo custo e boa resistência desse tipo de embalagem, aliado também a possibilidade de reciclagem das caixas avariadas ou sem possibilidade de utilização futura. Todavia, mesmo com essas vantagens, ainda existem algumas oportunidades na operacionalização dessas caixas que podem trazer ganhos substanciais nos custos de suas operações e que por muitas vezes são negligenciadas pelos gestores logísticos.

Figura 1 – Diferentes tamanhos de caixas para o embarque de produtos

 

Um bom exemplo é o reaproveitamento de caixas. Todos os elos da cadeia de suprimentos dos setores alimentícios e de fármacos, por exemplo, recebem grande parte de seus pedidos em caixas de papelão. Essas caixas podem ser vendidas para empresas de reciclagem gerando um pequeno saving, ou ainda serem reaproveitadas em operações de movimentação interna, como transferência entre CDs ou envio para PDVs. Nessa segunda opção, a redução de custos é consideravelmente maior, uma vez que o custo com a compra de caixas de papelão é totalmente eliminado até que não haja mais condição de uso das caixas originais.

Entretanto, é importante avaliar os impactos do reaproveitamento de caixas para a operação como um todo. A má utilização da capacidade total das caixas pode levar a um aumento do custo com transportes, usualmente o principal quando falamos em custos logísticos. Isso se deve ao fato de possivelmente haver aumento no volume total de caixas embarcadas sem que haja de fato um aumento no volume de produtos. Em outras palavras, o veículo transporta mais ar dentro de suas caixas. Dessa forma, é importante sempre estar atento ao alinhamento entre o volume dos pedidos e a capacidade das caixas utilizadas na entrega.

E a sua empresa, utiliza caixas de reaproveitamento? Consegue identificar o tamanho ideal das caixas para cada pedido? Grandes oportunidades de redução de custos podem aparecer ao se observar o detalhe desses processos.

A importância da logística para o Cirque du Soleil

Recentemente tive a oportunidade de assistir ao espetáculo Amaluna produzido pelo Cirque du Soleil. Além de ficar impressionada com os números exibidos e com a performance dos artistas, a logística necessária para colocar de pé uma turnê como essa me fez refletir e querer saber mais sobre a companhia, o que aproveito para compartilhar neste blog.

O Cirque du Soleil é uma companhia circense de capital fechado, fundada em 1984 no Canadá. Reconhecida mundialmente pela qualidade e grandiosidade dos seus espetáculos, a companhia reinventou o mundo do circo ao abolir os diálogos em cena e os animais, baseando seus espetáculos na linguagem corporal, na sofisticação intelectual do teatro e do balé e na utilização de tecnologia, garantindo que pessoas do mundo inteiro fossem capazes de entender o que estão vendo.

Nestes mais de 30 anos de existência, já são mais de 40 espetáculos desenvolvidos para um público estimado de 160 milhões de expectadores de mais de 400 cidades, em 60 países espalhados pelos seis continentes. Atualmente, o Cirque du Soleil conta com 20 diferentes espetáculos pelo mundo: 8 apresentações fixas (7 em Las Vegas e 1 em Cancún) e 12 apresentações itinerantes.

Figura 1 – Todos os espetáculos do Cirque du Soleil atualmente em cartaz

Fonte: Cirque du Soleil

 

O espetáculo atualmente no Brasil é o Amaluna, que estreou no Canadá em 2012 e já passou por mais de 30 cidades. Um show de turnê geralmente se fixa uma média de sete semanas por cidade, apresentando oito a dez shows por semana. Todos os shows itinerantes estreiam em Montreal e percorrem a América do Norte por quatro a cinco anos antes de se mudarem para a Europa por três anos, Ásia por 2 a 3 anos, Austrália por um ano e América do Sul por um ano também. Em cartaz em Montevidéu (Uruguai) até o dia 15 de setembro de 2017, o grupo seguiu para São Paulo, de onde ficou entre os dias 05 de outubro e 17 de dezembro de 2017, até fazer a sua primeira apresentação no Rio de Janeiro em 28 de dezembro e onde ficará até o dia 21 de janeiro deste ano. A partir do dia 14 de fevereiro, ele já estará sendo apresentado na Argentina, de onde seguirá para Chile e Peru. Ou seja, uma logística e tanto é necessária para garantir que toda a estrutura seja desmontada de um local e chegue ao próximo a tempo!

Em 2014, a DHL se tornou a parceira logística oficial do Cirque du Soleil, sendo a principal responsável pela montagem e desmontagem da estrutura e transferência entre locais de turnê, incluindo o uso de serviços de transporte aéreo, marítimo e terrestre e de desembaraço aduaneiro (na figura 2, mais informações sobre a operação realizada pela empresa no ano de início da parceria). Entretanto, outras empresas também são usadas para viabilizar a operação logística. Aqui no Brasil, por exemplo, a Multilog foi a responsável por receber os materiais, cenários e estruturas do Cirque du Soleil no Brasil. A operação ocorreu no Porto Seco de Jaguarão (RS) e a empresa atuou desde a entrada dos veículos, o estacionamento, a verificação e liberação da carga até a saída dos veículos.

Figura 2 – Dados sobre a operação logística do Cirque du Soleil em 2014

Fonte: DHL

 

Para o espetáculo Amaluna, são necessários cerca de 65 veículos para transportar as quase 2.000 toneladas de equipamentos, utilizando uma equipe estimada de 120 pessoas no total. A estrutura corresponde, de forma geral, a grande tenda (onde ocorrem as apresentações), a tenda de entrada, a tenda artística, a cozinha, os escritórios e aos locais de armazenagem e leva cerca 5 dias para ser montada e 3 dias para ser desmontada. Para erguer a lona principal da grande tenda, com altura aproximada de 19 metros e capacidade para cerca de 2.500 lugares, são necessários apenas 5 minutos, conforme retratado no vídeo a seguir.

Vídeo 1 – A montagem das tendas do Cirque du Soleil

Fonte: Cirque du Soleil

 

Outro grande desafio logístico envolve a armazenagem e transporte dos itens utilizados no show. Além dos pesados elementos de estrutura, há muitos itens que inspiram cuidados especiais: cerca 1.000 itens diferentes de figurino (só um vestido utilizado em Amaluna utiliza 6.500 cristais Swarovski), instrumentos musicais, cordas e cabos utilizados nos números e fundamentais para a segurança dos artistas, maquiagens que precisam ficar em uma temperatura controlada, souvenires delicados como canecas, entre tantos outros. Por isso, além da dificuldade de se lidar com itens de diferentes tamanhos, há de se manter atenção redobrada para garantir que a carga não sofrerá avarias, comprometendo a qualidade do espetáculo e a segurança dos profissionais.

Figura 3 – Vestido com mais 6.500 cristais Swarovski usado pela artista de Amaluna e que requer cuidados para armazenagem e transporte

Fonte: Cirque du Soleil

 

A equipe que viaja na turnê Amaluna é composta por 46 artistas e outros 64 profissionais. Dentre as 110 pessoas, existem 18 nacionalidades diferentes, o que demanda uma maior complexidade na coordenação dos vistos de viagem para garantir que pessoas de diversas naturalidades estejam com os seus documentos válidos para atender aos requisitos exigidos pelos diferentes países anfitriões dos shows. Ademais, há o trabalho para reserva das hospedagens em hotéis para toda a equipe, além da contratação em cada cidade de cerca de 150 profissionais locais como atendentes de bar, caixas de loja, cozinheiro bilíngue, garçons, recepcionistas, vendedores de loja de merchandising, estoquistas e assistentes de camarim bilíngue, sem contar outras 100 pessoas voltadas apenas para ajudar na montagem e desmontagem da estrutura.

Para quem tiver a chance de assistir a um espetáculo do Cirque du Soleil, não deixe de ir ao menos uma vez. Uma oportunidade de assistir não só a uma performance artística fantástica, mas também a possibilidade de ver de perto os valores da logística e a importância que esta tem para o sucesso de uma companhia.

 

Referências

<https://www.cirquedusoleil.com/>

<https://static01.cirquedusoleil.com/en/~/media/press/PDF/amaluna/amaluna-presskit.pdf#_ga=2.260679758.2103431178.1515423237-376023770.1515423237>

<http://www.dhl.com/en/press/releases/releases_2014/group/dhl_support_cirque_du_soleil_as_official_logistics_partner.html#.WlOqKN-nFnI>

<http://www.srzd.com/entretenimento/cirque-du-soleil-rio-de-janeiro/>

<http://www.ilos.com.br/web/a-logistica-da-arte/>

As dificuldades da logística de produtos hospitalares

O setor farmacêutico é bastante regulado no Brasil. A ANVISA exige registro e licença para produtos e também processos produtivos, como tamanho de lote de produção, importações etc, que demoram mais de 1 ano para serem obtidos e precisam ser renovados periodicamente. O que é muito bom sob a ótica do consumidor, pois a agência realiza os controles ao seu alcance para garantir o menor risco de produtos fora de especificação. Por outro lado, muita regulação aumenta a necessidade de controle operacional e custos para a indústria, sendo uma barreira a novos entrantes.

O setor também sofre com a alta tributação em torno de 31%, frente à média mundial de 6,3%, e com a legislação brasileira atual que determina que os medicamentos só podem sofrer reajustes uma vez ao ano.

Dados os custos implícitos às características citadas, as indústrias fabricantes de produtos hospitalares precisam ser eficientes no transporte e na gestão de estoques para serem competitivas, fazendo com que a gestão Logística seja complexa. Ademais, há forte exigência de nível de serviço pelos principais clientes do setor: os hospitais. No Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Ministério da Saúde, em agosto deste ano, havia 6.806 hospitais no Brasil (especializados, gerais e hospitais dia), sendo 35% na Região Sudeste.

Um dos produtos mais comprados pelos hospitais são as soluções parenterais (as conhecidas “bolsas de soro”), produto volumoso e de baixo valor agregado. De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Soluções Parenterais (ABRASP), em 2016, foram vendidas pelas empresas associadas (em torno de 15 fabricantes) mais de 1,1 bilhões de soluções parenterais, que podem conter apenas água para injeção ou outras soluções como cloreto de sódio, glicose, glicerina etc.

Os hospitais necessitam de “bolsas de soro” em alta quantidade, mas possuem área de estoque extremamente reduzida, pois todo espaço disponível nos hospitais é revertido prioritariamente para sua atividade fim, que são os leitos. Dessa forma, os fabricantes desse tipo de produto e afins necessitam ter um nível de estoque com alto grau de segurança, pois seus produtos são de caráter emergencial para seus clientes e possuem pouca diferenciação. Se houver ruptura de estoque, o concorrente ganha espaço. De acordo com o levantamento realizado pelo ILOS com grandes empresas do setor de Saúde, a cobertura de estoque das indústrias do setor de saúde, fabricantes de produtos correlatos (não medicamentos) está em média em 39 dias, chegando a 180 dias em alguns casos.

logística de produtos hospitalares - cobertura de estoque - blog ILOS

Figura 1 – Cobertura de estoque média nos fabricantes de produtos correlatos (não medicamentos)

Fonte: Panorama ILOS – Supply Chain do Setor de Saúde 2017

A exigência de serviço desses clientes é alta, com pedidos pequenos e curto prazo de entrega, o que faz com que os fabricantes também possuam uma complexidade na gestão do transporte. Dessa forma, é comum no setor observarmos a atuação de distribuidores, que formam um mix de produtos maior e se posicionam mais próximos no mercado consumidor. Eles são mais evidentes para produtos de menor dimensão, mais difíceis de compor carga em um caminhão.

Quando não há atuação de distribuidores, a alternativa mais vantajosa para a indústria em custo e capilaridade é o transporte através de transportadoras de grande abrangência nacional, pois possuem pontos de cross-docking e centros de distribuição avançados que permitem a consolidação dos pedidos em veículos maiores. Porém, para garantir alta disponibilidade do produto, o fabricante ainda fica refém de pontos avançados de estoque, próprios ou nas instalações das transportadoras.

A alta regulação do setor de saúde e as restrições de espaço para estoque nos hospitais fazem com que a melhor saída para as empresas que atuam neste segmento seja investir em uma boa gestão e controle de seus processos e logística, com o apoio de tecnologia. Além disso, é fundamental estar sempre próximo dos clientes, entendendo suas reais necessidades, e adaptando a operação para que não haja perda de vendas e nem custos desnecessários.

Referências:

Panorama ILOS – Supply Chain do Setor de Saúde 2017
Abrasp
Datasus
Volta a valer lei que permite apenas um reajuste por ano no preço de remédios
Setor de equipamentos crescerá com rastreabilidade de remédios
Ainda a carga tributária

Acompanhando a performance do processo de entrega

Do ponto de vista do cliente, a entrega de um produto é percebida como uma última etapa da compra e muitas vezes ele não tem a dimensão da complexidade que esse processo tem. No caso de qualquer atraso ou dificuldade, o cliente acaba culpando o transporte pelo problema, quando, na verdade, o gargalo pode estar em qualquer uma das muitas atividades que compõem o processo de entrega ou distribuição.

Do ponto de vista do fornecedor, a entrega de um produto é um processo complexo composto por uma série de atividades que precisam estar muito bem encadeadas para que o nível de serviço seja cumprido ao menor custo. Alguns dos subprocessos que compõem a entrega e distribuição de produtos são: (1) recebimento e validação (conferência de crédito) da ordem de compra; (2) faturamento; (3) reserva de estoque e previsão de data de entrega; (4) consolidação de pedidos; (5) composição de carga; (6) roteirização; (7) seleção de transportadora; (8) picking; (9) embalagem; (10) geração de documentos; (11) carregamento do veículo; (12) transporte; (13) recebimento e conferência do produto pelo cliente.

Processo de entrega-distribuição - blog ILOS

Figura 1 – Etapas do processo de entrega/distribuição

Fonte: ILOS

Para garantir a performance desse processo, é preciso medir e acompanhar indicadores de desempenho, além de atuar na correção de problemas que possam acontecer em qualquer uma destas atividade. O modelo SCOR apresenta uma boa referência de indicadores de desempenho do processo de entrega e distribuição de produtos. De acordo com o modelo, estes indicadores podem ser divididos em 5 atributos de desempenho logístico: confiabilidade, velocidade, flexibilidade, custos e eficiência. Estes atributos estão descritos com mais detalhes no meu post de fevereiro/2017.

Sob o ponto de vista de confiabilidade da entrega, o indicador mais completo é o perfect order fulfillment ou OTIF (on time in full) que visa medir o percentual de entregas perfeitas, ou seja, pedido completo, em perfeito estado, com a documentação completa e no prazo combinado.

Sobre a velocidade, podemos acompanhar dois indicadores. O primeiro, mais abrangente, é o tempo de ciclo do atendimento do pedido, que considera o tempo total necessário desde o tempo de fornecimento, passando pela produção até o tempo de entrega do produto. O segundo indicador é restrito ao tempo de entrega, que é a soma dos tempos de todas as etapas do processo de entrega descritos acima. Para identificar o gargalo do processo de entrega, é preciso acompanhar os tempos de cada etapa individualmente e depois atuar nos subprocessos com pior desempenho.

Considerando a flexibilidade, podemos medir a capacidade da empresa de aceitar alterações nos pedidos, com inclusão de produtos ou mudança na quantidade pedida. Assim como os indicadores de confiabilidade e velocidade, a flexibilidade também é um atributo que foca no nível de serviço oferecido ao cliente.

Sob o ponto de vista interno, a empresa deve acompanhar indicadores de custos e eficiência. O custo total da entrega é a soma de todos os custos envolvidos no atendimento do pedido, como custo de pessoas, sistemas, ativos, estoque, transporte e impostos. Assim como os indicadores de tempo, é importante que os indicadores de custos sejam acompanhados individualmente para viabilizar a identificação de oportunidades.

Por último, o atributo de eficiência da entrega contempla indicadores de produtividade e utilização de ativos como retorno do ativo, retorno do capital de giro, dias de estoque, ocupação dos veículos, etc. Buscar melhorar os indicadores de eficiência também contribui para a redução de custos.

O processo de entrega envolve uma série de atividades de diversas naturezas. Por isso, acompanhar o desempenho da entrega significa acompanhar um grande número de indicadores para que nenhuma etapa do processo seja negligenciada. Além disso, é importante que todos os atributos de desempenho (confiabilidade, velocidade, flexibilidade, custos e eficiência) sejam considerados para que tanto os interesses dos clientes quanto da empresa sejam atendidos, mantendo o nível de serviço ao menor custo possível.

 

Referências:

Os 5 atributos de desempenho do Supply Chain

Scor model – uma breve introdução

Apics – Scor model

Você já realizou algum curso online?

No ano passado (2016) escrevi aqui um post sobre cursos online, indicando o percentual de executivos de logística e supply que já havia realizado algum tipo de treinamento pela internet.

O ILOS refez essa pesquisa em 2017 e as tendências se confirmaram: 65% dos profissionais desta área já haviam realizado algum tipo de curso online em 2017, maior percentual histórico registrado desde 2014, quando apenas 28% dos profissionais havia experimentado esse tipo de treinamento na web.

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Figura 1: Pesquisa com executivos de logística e supply

Fonte: ILOS 2017

A tecnologia está definitivamente inserida na área de educação, e as escolas, do ensino básico ao superior, precisarão realmente rever sua forma de ensino. Provavelmente os cursos presenciais sempre existirão, mas os recursos desenvolvidos para o treinamento à distância deverão ser incorporados.

Já estamos vivendo a nova era da educação. E isso se demonstra também nos temas dos cursos mais procurados. Assuntos atuais como o Omnichannel entraram na lista dos cursos de maior interesse pelos executivos de logística brasileiros, disputando espaço com temas clássicos como Custos Logísticos e Transportes. Isso implica em um grande desafio tanto para os profissionais de logística, quanto para os profissionais de educação, que devem estar a frente do conhecimento e serem capazes de trabalhar novos temas, com poucas referências bibliográficas e poucos exemplos consolidados, ao mesmo tempo em que precisam utilizar uma nova plataforma de aprendizado, aproveitando-se de todos os recursos tecnológicos disponíveis.

O gráfico a seguir mostra os cursos que os executivos de logística e supply mais pretendem realizar nos próximos anos.

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Figura 2: Cursos mais procurados entre os executivos de logística e supply

Fonte: ILOS 2017

O ILOS oferece uma série deles, online e/ou presencial. Para aqueles que tiverem interesse, sugiro os links a seguir para mais informações.

REFERÊNCIAS:

Cursos ILOS
Artigo: Cursos Online e a Nova Era da Educação

Álcool se recupera de queda nas vendas

As vendas de gasolina perderam vigor, e o álcool recuperou mercado no terceiro trimestre, aponta a ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Leia mais

Semi: o caminhão elétrico da Tesla

Figura 1 – Tesla Semi, veículo de carga lançado pela empresa em novembro de 2017

Fonte: Tesla/Divulgação

 

A Tesla anunciou, no dia 16 de novembro, o lançamento do seu caminhão modelo cavalo-carreta, o Tesla Semi. O design impressiona, como é comum nos veículos da marca. O interior da cabine também é bastante inovador, com o motorista posicionado no centro da cabine e a presença de duas telas para acesso aos comandos básicos do Semi. Mas ficam alguns questionamentos: ele será eficiente? Qual a autonomia da bateria? Haverá potência para o transporte de cargas?

Figura 2 – Interior do Tesla Semi

Fonte: Tesla/Divulgação

 

De acordo com informações da empresa, o Tesla Semi possui quatro motores do modelo 3 da marca, o que geraria mais de 1000 cv de potência. Totalmente carregado em 36 ton, o veículo faz de 0 a 100 km/h em cerca de 20 s. Em relação a autonomia, o Semi faz 800 Km com uma única carga da bateria, mesmo com a carroceria totalmente carregada. Isso corresponderia a uma economia de US$ 0,25 por milha, o que equivale a 17% a menos do custo de transporte com um caminhão convencional movido a diesel. Para termos noção do impacto desta redução: de acordo com dados no Panorama de Custos 2016 desenvolvido pelo ILOS, no Brasil o custo do diesel representa 24,1% do valor do frete, e considerando a redução nos custos promovida pelos veículos elétricos, o Brasil economizaria cerca de R$ 14 bilhões ao ano em combustíveis para veículos de carga.

A grande questão que impede a adoção em massa deste tipo de veículos no mundo é a ausência de uma rede extensa de pontos para reabastecimento elétrico. Se esse problema já impede o crescimento da frota de veículos de passeio elétricos nas grandes cidades, o problema é maior para veículos de carga, que circulam em áreas mais abrangentes. Além disso, o preço para aquisição do veículo não foi revelado, o que impactaria investimentos e custos de depreciação, por exemplo.

Apesar destas incertezas, a Tesla já tem recebido encomendas, inclusive de grandes empresas. O Walmart, por exemplo, anunciou que já fez uma encomenda de 15 Tesla Semis. Com uma frota de 6 mil veículos, o Walmart pretende testar os caminhões elétricos nos Estados Unidos e no Canadá. Além do benefício em custos, empresas que possuem grandes frotas podem se beneficiar ao diminuir a quantidade de emissão de CO2 na atmosfera e obtenção de créditos de carbono.

Inovações como esta modificam fortemente a arena competitiva para empresas que movimentam seus produtos nas rodovias ao redor do mundo. Com o tempo, veremos se o apelo ambiental, de marketing e de custos irá superar as dúvidas referentes aos pontos de abastecimento e valores de investimento.

 

Referências:

<http://www.ilos.com.br/web/analise-de-mercado/relatorios-de-pesquisa/custos-logisticos-no-brasil/>

<http://fortune.com/2017/11/20/inside-tesla-electric-semi-truck/>

<https://exame.abril.com.br/tecnologia/novo-veiculo-da-tesla-e-caminhao-eletrico-e-futurista/>

<https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/tesla-semi-um-caminhao-eletrico-mais-rapido-que-o-golf-gti/>

<https://www.tesla.com/semi/>

<https://www.theverge.com/2017/11/17/16670632/walmart-tesla-semi-truck-preorder>